Episodio 10 : Aventuras en Nuestro Tiempo (Marcia)

Neste episódio do podcast Framework, Leandro Stitzman entrevista a psicanalista Marcia, explorando sua visão sobre identidade em constante fluxo, o propósito da psicanálise, e a importância da criatividade, humor e arte no trabalho clínico. Marcia descreve sua prática clínica, ensino e supervisão, e discute como a psicanálise pode fomentar a intimidade e a verdade interior. Ela compartilha ideias “perigosas” como brincadeiras de assassinato imaginário, enfatizando o valor de confrontar pensamentos selvagens. Quando questionada sobre o que preservar após um cataclismo global, destaca a curiosidade interna, a capacidade de dialogar e a criatividade, excluindo a pressa excessiva. Em uma hipótese de missão de terraformação, propõe selecionar pessoas criativas, humorísticas, disciplinadas e abertas à diferença. Marcia também reflete sobre sua concepção de tempo – o presente como único ponto real – e sobre o mistério da morte que a acompanha. Por fim, discute a formação de analistas, defendendo a substituição do estudo dogmático de teorias por um treinamento que desenvolva o pensamento psicanalítico, o brincar, o humor e a disciplina criativa. O episódio encerra com agradecimentos e a sugestão de tocar Tom Jobim.
Chapters
Esto es Framework, un podcast psicoanalítico. ¿Quién sos?
Às vezes, quando eu tô em algum lugar e a pessoa me pergunta assim, né, como que, como que, como que você chama? Eu falei assim, ah, eu respondo assim, ah, por enquanto, Márcia. E aí é interessante porque causa uma surpresa assim, né, porque você sai da resposta tradicional. E traz para a pessoa talvez essa ideia de uma transitoriedade, que eu gosto dessa ideia. Então você pergunta assim, quem eu sou? Eu vou te falar que eu ando sendo, que eu não sou, que eu ando sendo, que eu acho que eu ando, não estou pronta, eu acredito numa coisa infinita, em alguma coisa que a gente vai se modificando. Então eu acho que eu ando sendo, acho que eu tenho uma busca que é desde sempre de buscar me conhecer, de buscar essa, esse adentrar na minha mente, que eu acho que eu sou curiosa com isso, nessa verdade interna minha, de entrar nesse caminho. Então eu acho que eu venho sendo E profissionalmente eu acho que eu venho sendo uma psicanalista, né, não com muitas questões inclusive. Então eu acho que eu gosto dessa ideia de transformação, de movimento, de transitoriedade. Me agrada de não tá pronto.
Com isso de coisa profissional, de que trabalhas?
Do que eu trabalho? Eu sou, minha formação, eu sou psicóloga e depois eu fui fazer formação em psicanálise e trabalho clinicando, né, atendendo as pessoas, trabalho dando aula e supervisão. Eu tenho um grupo de estudos E assim, tudo envolvendo a psicanálise.
Qual é para vós o futuro da tua profissão?
O futuro da minha profissão? Não tenho a mínima ideia, mas eu acho que a gente já tá tendo bastante trabalho e eu imagino que cada vez mais E às vezes não gosto muito de pensar no futuro da psicanálise, porque prefiro pensar na psicanálise hoje e tá trabalhando nesse sentido de como que eu posso colaborar e como que eu posso ajudar a pensar a psicanálise, que eu acho que anda precisando pensar uma série de coisas. Então eu acho que o futuro a gente vai construindo, né, à medida que a gente puder ter muito foco, muita disciplina. E trabalho eu só acho que nunca vai faltar para gente, pelo menos Do jeito que o mundo anda, né? Bem complexo.
Pensar que o psicoanálise sirve para algo? Para quê?
Eu penso que a psicanálise serve, né? Que principalmente para a gente poder, eu acho que compartilhar e aprender a compartilhar intimidade. Que eu acho que é uma coisa que a gente aprende a construir. Então eu acho que a psicanálise ela colabora para a gente poder, esse processo da gente construir um espaço de se pensar verdadeiramente, sabe, de poder aproximar esse contato com a gente mesmo e o contato com o outro, né? Porque eu acho que ela propicia que se forme um vínculo, uma possibilidade de você se interessar verdadeiramente, eu acho que pelo interno, né? Que eu acho que tá meio em desuso ultimamente. Então eu acredito que a psicanálise ela pode colocar a gente nessa busca da verdade acerca da gente mesmo, que eu acho que é um caminho muito interessante, né? O quanto vai se conseguir, a gente não sabe, mas ela pode trazer essa possibilidade, às vezes mais, às vezes menos, e às vezes é uma tarefa, como é uma tarefa bastante difícil, E às vezes as pessoas também não suportam, acham que querem e o processo mostra, né, mostra a dificuldade, faz angústia, né. Não é fácil a gente saber da gente mesmo, muito difícil.
Isso é uma ideia para você?
Eu acho que uma ideia para mim é geralmente quando eu sou surpreendida e alcançada por alguma coisa que eu nunca pensei, né? Alguma coisa nova, alguma coisa que eu vou criando, que eu vou desenvolvendo à medida até que eu vá falando, ou quando eu sou alcançada por uma imagem e que essa imagem vai se formando, vai formando uma ideia, um pensamento, uma coisa livre, né? Eu acho que eu fico pensando quando partes vão se juntando, né? Pensando num caleidoscópio, né, que vai juntando partes e vai formando desenho, uma forma. Eu gosto de trabalhar com imagem, né? Eu sou uma pessoa que muitas vezes, ou a maior parte das vezes, eu sou alcançada por imagens. Meu pensamento, ele se dá muito por imagens assim. Então, eu falo que às vezes é como se rapidamente eu fizesse um um gibi, uma história em quadrinho, uma escultura, um desenho. Não sei, eu tenho muito essa questão assim de pensar por imagens. Eu acho que isso é próprio assim, né? Não é um É peculiar, vamos dizer. Não sei se alguma ideia perigrosa, se eu tenho várias, ou se conhecesse.
Nombra-me uma ideia perigrosa.
Eu não sei se eu sei te dizer. Eu posso te falar de uma brincadeira, talvez. Que eu possa dizer melhor, né? Eu passei um tempo aí brincando com meu genro e a gente quase que diariamente a gente combinava de assassinar alguém. E foi interessantíssimo assim, né? Então a gente nessa brincadeira E a quem que a gente vai assassinar hoje, né? E aí a gente fala assim, é, não, então hoje a gente vamos caprichar, vamos ver como que nós vamos fazer. Então, de você começar a colocar para fora coisas que você não fala, que você não admite. Então é como se fosse um exercício dos teus pensamentos selvagens, assim. É você se provocar no teu pensamento selvagem e ter a coragem de expor e de falar. Eu não vou fazer aquilo, mas assim, mas eu vou criar na minha mente o melhor que eu posso para aquela, para aquilo ir crescendo e sofisticando, e de eu poder criar. Uma coisa bem e sem medo, né? Porque ali eu tô exercitando uma coisa que eu sou tomada ou visualizo ou aprimoro. E como é uma brincadeira, eu não preciso sentir medo.
E então, por que é perigosa?
Em que sentido seria uma ideia perigosa de você exercitar uma alguma coisa proibida ou alguma coisa que você não faria, alguma coisa que às vezes você tá enxergando e teme, teme falar ou teme para si mesmo, teme entrar em contato com aquilo e alimentar aquilo. A gente às vezes evita, né, alguma coisa que é que é perigosa e como se não é perigoso, não pode, né, o proibido. A gente faz isso com as crianças, né? A gente faz isso com as crianças. Você cria um filho como se assim, não, isso é perigoso, não, você não pode chegar perto do fogo porque queima, você não pode pegar uma faca porque você vai se cortar. E não assim, não, vem aqui, né? Eu vou— você pode manejar essa faca. Ela te oferece um perigo, mas você pode ter um contato com isso e você aprender a manejar. Você aprender a se cuidar para que ela possa te oferecer menos perigo, ou que você possa abrir um leque daquilo que você pode fazer com ela. Então eu acho que tem várias coisas. Não sobe na árvore porque você vai cair.
Não.
Então olha, para você subir na árvore, então olha, pega, vê se esse galho tá firme, põe o pé aqui, vai, vai.
Existem no mundo bancos de sementes. Lugares en donde hay resguardadas semillas en caso de un cataclismo global, de manera tal de poder usar esas semillas para restaurar esa especie y asegurar la provisión de alimentos y del ecosistema. En este sentido, si hubiera un cataclismo global, ¿qué ideas pensás que sería valioso resguardar y pasar a nuevas generaciones para que la humanidad pudiera continuar con su existencia. ¿Cuáles serían las ideas que, según tu criterio, sería valioso resguardar por si ocurriese un cataclismo global?
Yo, yo, yo acho que a ideia de você ter curiosidade sobre o mundo interno, eu acho que eu preservaria essa ideia. Para continuar, a ideia de pensar verdadeiramente as relações de maneira assim a possibilitar um interesse pela conversa, o interesse pela troca, mas um interesse mais assim que as diferenças pudessem ajudar a ampliar, a crescer. Eu acho que eu preservaria um pouco as ideias das relações mesmo. Me interessa isso, porque eu acho que a gente sabe pouco conversar em qualquer meio, inclusive no meio psicanalítico. No meio institucional, em qualquer meio, no meio empresarial, no meio escolar, eu vejo a minha filha contando que é professora, no meio escolar, em qualquer meio. Então, assim, como que se tem um cataclisma e a gente vai recomeçar, como? Eu acho que eu teria muito essa preocupação em como, não pegar uma coisa aqui e passar para cá. Do jeito que é. Eu não sei se a gente muda a natureza humana, mas a gente pode tentar. Eu acho que de alguma maneira a gente faz isso com a psicanálise, que é tentar colaborar para que a pessoa possa observar, possa pensar, possa perceber possa usar os seus recursos, possa desbloquear a criatividade. Eu acho que eu iria por aí, né? Levaria os gatos juntos, além dos humanos, eu levaria os gatos juntos.
E que ideia ou ideias deixarias afora?
Que ideia eu deixaria fora?
Difícil.
Não sei que ideia eu deixaria fora. Talvez uma, essa, essa coisa mais robotizada que o ser humano tá. Acho que eu não levaria os bebês reborn, não levaria junto. Não sei, eu acho que Deixaria fora a pressa, o excesso de pressa. Eu acho que a mente, uma mente que ela tenha uma, seja, tenha um agitado no sentido de poder, de um agitado de ideias que que em busca de pensadores, eu acho que é bacana assim, mas o excesso de pressa eu acho que eu deixaria fora.
Que tipo de pessoas levarias em uma missão espacial destinada a terraformar outro planeta? Terraformar é a ação de converter em um planeta habitável similar à la Tierra, outro planeta. Se tuvieras que hacer una misión espacial para terraformar otro planeta, ¿qué tipo de personas llevarías?
Eu acho que pessoas que tenham consigo mesmo esse exercício de liberdade, criativas, né, ou talvez pudessem pelo menos trabalhar num desbloqueio criativo. Que pudesse suportar a diferença um pouco mais, né, poder suportar um pouco mais de diferença, ter uma tolerância para diferença e não sair só: não, o meu é melhor, ou isso daí é horrível. E eu levaria pessoas que têm humor que eu adoro o humor. Eu acho que o humor é uma parte, pelo menos para mim, fundamental da vida. Eu gosto dessa ideia de você brincar com as coisas. Eu acho que eu gosto do humor na psicanálise, pelo menos na que eu tento fazer. O humor tá presente. E a arte Porque eu acho que a arte é uma linguagem muito abrangente, uma linguagem muito interessante de você poder pensar e expandir a tua, teu estado emocional e expandir teus pensamentos. Eu acho que levaria Pessoas que também vão, tem essa, esse, que tem essa disciplina, né? Porque eu acho que a gente tem que ter muita disciplina, né? Uma disciplina assim de, eu falo que eu, quando eu penso na psicanálise, eu penso, eu me penso como psicanalista, eu me penso assim, né? Como se eu tivesse aqui e tivesse assim, eu tenho um foco, né? Então isso que tá, o foco é assim, isso que tá aqui por fora só me dispersa se eu virar, eu tenho um foco. O foco, meu foco é uma busca. Eu acho que eu tenho um foco na parte desconhecida da mente. Isso para mim é uma grande ideia que eu tenho e foco meu trabalho nisso. Então eu acho que o foco ele ajuda muito a gente a crescer. Então se eu fosse fazer um mundo ideal, criar um mundo ideal, eu procuraria ter pessoas diferentes, né? Eu acho que pensaria nos recursos internos dessas pessoas, nessa condição da personalidade. Como a gente não vai ter um mundo ideal, a gente vai ficar nessa encrenca aqui.
Bien, sintónicamente con esto, ¿qué idea o ideas estás pensando en este momento de tu vida?
¿Ahora?
No ahora en el podcast, en este momento de mi vida. Sí, ¿en qué idea o ideas estás pensando?
Ay, así, tengo algunos, por ejemplo, en mi trabajo tengo algunos temas que me interesan. Algumas ideias que eu me interesso, né, que é, por exemplo, a questão do abuso é uma ideia que tem me interessado, as mortes, eu penso bastante a respeito disso. Me sinto às vezes com bastante interesse em escrever um pouco sobre isso, que eu acho que eu teria muito a colaborar. Eu penso bastante assim, como, e olho muito isso também aqui no meu consultório, no dia a dia da vida, né, nos lugares que eu circulo e tudo mais. Como que as pessoas andam? Eu gosto de olhar para isso. Eu gosto de olhar para os jovens, né? Gosto de trabalhar com jovens. Eu acho assim interessantíssimo, porque primeiro eles me fazem pensar de forma diferente. Olhar para coisas que eu olho de uma maneira, eles olham de outra. Então eu gosto disso. Então gosto de estar no meio de jovens, me interessa o mundo, né, mundo como um todo, me interessa viajar, eu gosto muito de viajar, eu gosto muito de conhecer como as pessoas, as culturas, como que as pessoas vivem. Então às vezes eu fico fazendo viagem para lugares muito diferentes do mundo, né? Eu fui, por exemplo, eu fui para Índia, que foi um lugar muito especial que eu conheci. Eu fui conhecer a cidade onde o Obi-Wan nasceu. Que assim, que me surpreendeu, que me fez pensar uma série de coisas assim, de ver como as pessoas vivem ali, no que que elas acreditam, o que que é importante. Isso me interessa muito. A arte me interessa bastante. Eu gosto de ver arte, eu gosto de ler arte, estudar arte. Sempre fez parte da minha vida. Eu acho que a psicanálise, eu acho que eu nasci com ela, vale? Eu acho que eu nasci com ela e eu acho que a arte também. Eu nasci com a arte. Então é, são É minha, eu gosto, gosto de estar assim sempre buscando isso.
Qual é o nome do mistério mais hondo que hoje acompanha a tua vida?
O mistério, o mistério mais profundo Difícil. Bom, eu já acho que eu sou um mistério. É assim, mistério bem cognoscível, na verdade, né? E eu gosto de conviver com isso. Eu tava te falando, né, por exemplo, de eu pensar a questão da morte. Não só da minha, né, mas do que que é isso na vida. Eu acho que é um mistério que me acompanha.
E que pensás vós, que sentís vós, que é o mais livre que hiciste profissionalmente falando?
Hoje aconteceu uma coisa interessante. Eu tava numa supervisão, eu tô escrevendo um trabalho e tava numa supervisão. Em um determinado momento ela me perguntou alguma coisa, eu falei assim, ah, eu acho que ultimamente eu ando me sentindo Bem livre. Ela caiu na risada, ela falou assim, quando que? Ela falou, quando não, né? Quando não? Então eu acho que assim, essa a liberdade, esse se sentir livre, para mim é uma coisa assim fundamental na vida, na vida. Então eu acho que de poder— e assim, eu me senti livre trabalhando, livre, porque se eu sou alcançada por alguma ideia, como que eu vou ter, eu vou exercer essa minha liberdade de poder trazer isso para conversa? Eu posso pensar como eu vou falar, Mas não perder aquilo que eu fui alcançada sem fazer uso. Eu posso pensar como eu vou falar e posso pensar que momento eu vou usar isso. Posso até não usar eventualmente, mas eu acho que dessa liberdade de você de fato se ter e acreditar. Se você foi alcançada por alguma coisa que você tá focada, por que que você não vai usar? Ou por que que você não vai falar? Eu às vezes eu sou meio ousada, às vezes eu falo coisas assim para as pessoas, nem sempre eu me dou bem. Né, mas assim, mas eu acho que de poder trazer isso, ou você bancar que isso pode ser alguma coisa que pode ser pensada, pode ser conversada, eu acho que é, às vezes tem certos aspectos que eu penso que eles são da vida. Coisas que você acredita que você é e que é da vida. Você vai usar isso em qualquer situação da vida, seja dentro do teu trabalho e fora do teu trabalho, né? Eu acho que, por exemplo, quando o Bion fala dessa disciplina de você tá do ato de fé, né, e dessa disciplina de você tá focado nessa área mais incognoscível da mente, e que você precisa de uma diminuição de memória, de desejo, de compreensão, de sensorialidade. Eu acho que isso é uma disciplina da vida. Porque quando você realiza isso para tua vida, né, não é só para psicanálise, é para vida, né. Então eu acho que você tem uma ampliação de como você pode sentir e sentir, perceber e viver no mundo, e que você também abre uma porta para você, eu acho que, para o que literalmente eu acredito que seja intuição, né? Eu falo assim, eu acho que uma, eu falo que, eu falo assim, eu vou fazer uma imagem visual agora. Então eu falo que a intuição, ela é, ela tem, é como se ela fosse um, esse copo bonito aqui que você tá vendo tampado. De vez em quando abre uma portinha e fecha, abre um pouquinho e fecha. Como que a gente vai abrir? Abrir. Eu acho que tem um exercício que você faz com você mesma, como um exercício de vida, uma disciplina de vida. Então eu acho que você, aí sim, essa ideia de você ser alcançado por imagens, você ser alcançado por sonhos, Você ser alcançado por ideias, isso não é ela tá aberta dentro da tua mente, você percebe e usa.
Escutando-te em todas as respostas, me, me, me queda uma ideia, que é: começaste falando da transitoriedade. Bom, por agora me chamo Márcia, estou sendo. Y después hay una cuestión de la muerte, de la juventud, de— hay un uso del tiempo, de la temporalidad muy presente. Por otro lado, decís que no pensás mucho en el futuro ni en el pasado. Entonces, ¿cuál es la idea de tiempo que vos tenés? ¿Qué es el tiempo para vos? ¿Cómo vivís el tiempo o en el tiempo? ¿Cuál es tu idea de tiempo? Me parece que es muy central en todo lo que vos viniste pensando en em este episódio?
Eu tinha uma mãe italianona e ela falava assim para mim quando era criança. Ela falou isso a vida inteira para mim. Ela falava: você, você é uma pessoa que vive como se não houvesse amanhã. Ela falava assim, como se não tivesse, não houvesse amanhã. Mas eu falei, mas eu não sei se há, né? Não sei se vai existir, né? Então essa questão é presente em mim desde sempre. Eu acho que é, o tempo é agora, assim, eu não Às vezes eu penso no futuro, um pouco no futuro, talvez porque eu esteja velha, eu já seja uma pessoa com uma idade mais avançada, e às vezes me ocorre algum pensamento, mas nada que eu me prenda a ele. Não gosto. Então acho que é O futuro, de alguma forma, ele é um— se eu fico com ele presente, eu acho que é um lugar que eu vou alucinar. Eu acho que é porque é só uma criação. Então, para mim, eu acho que eu tenho isso na minha vida assim muito de do tempo, o tempo é agora. O tempo é agora. Então essa sensação de você viver, viver o que tá, aproveitar, viver a experiência, viver o que tá disponível, ou até, por exemplo, um futuro próximo, assim, ah, eu quero Enquanto eu tô viva, enquanto eu tô andando, eu tô lúcida, eu quero conhecer a China, né? Então como que eu vou trabalhar aqui nesse consultório que nem louca e vou me organizar para isso? Por alguma coisa breve que eu quero ter na minha vida essa experiência. Então eu acho que o tempo é uma coisa presente para mim, é uma coisa que talvez eu continue ainda. Isso, essa questão que a minha mãe me dizia, que é assim: você vive como se não houvesse amanhã. Eu acho que eu tenho isso na minha vida.
E aí, algo que queiras cachar ou dizer que não te perguntei? Há alguma resposta que queiras? Há alguma pergunta que queiras responder que não te disse?
Uma coisa, ah, é uma questão. Se perguntou uma hora que se eu tinha as coisas que eu penso, que os temas que estão envolvendo a minha cabeça. Uma das coisas que eu penso É como deveria ser a formação de um analista? E assim, eu não, mas sem pensar na forma como ela é ou como ela tem sido. Eu acho que para mim esse é um grande tema e que eu acho que assim, eu gostaria de pensar nisso, eu já me exercitei assim, se eu fosse fazer um curso de psicanálise, como que eu faria? Porque eu acho que assim, Eu dou aula, né? E assim, nossa, eu fico super preocupada de ver como os analistas estão sendo formados. Então eu acho que esse ponto que a gente levantou, né, como que eu fico pensando, como que eu poderia exercitar a liberdade Como que eu poderia ajudar as pessoas a exercitarem a liberdade? A liberdade de entrar em contato com as suas próprias imagens, com os seus próprios pensamentos selvagens, com as suas próprias ideias de falar. Como que eu poderia, numa formação, ajudar as pessoas ou poder trabalhar essa questão do processo criativo, né, das pessoas trabalhar esse desbloqueio da criatividade. Isso é o que teria que ter na minha formação, assim, como que eu poderia fazer as pessoas pensarem no brincar Como que as pessoas poderiam brincar? Porque as pessoas param de brincar. As pessoas param de brincar porque são de tamanho grande. Eu não entendo isso, né? Como que a gente pode, a gente pode numa formação colaborar ou fazer que as pessoas Considerem o humor, considere a experiência viva. A experiência é experiência. A experiência, na experiência psicanalítica, está contida a experiência da vida. Então assim, eu tenho uma filha que é artista, Ela fez uma vez um processo que era assim: por 60 dias desenhar o mesmo objeto. E era assim, você desenhava o mesmo objeto do meio-dia até meia-noite, por 60 dias, de segunda a sábado. É, então qual era a ideia disso? Era você poder se esgotar, você tirar, você chegar a um ponto como se você já tivesse assim desenhado todos os ângulos possíveis imaginários que você olhou esse objeto. E aí começa assim a desconstrução do conhecido. Né, então eu penso, essas são coisas que eu pensaria, a quebra da linguagem básica, linguagem psicanalítica tradicional. Como que você pode falar? O Bion, ele escreveu Memória do Futuro. Aquilo é uma desconstrução de tudo que a gente tem de padrão, de padrão, de conhecido. Então, outro ponto é pensar essa questão da linguagem. Como que você pode refinar, mas refinar a escuta de si mesmo e da pessoa, daquela, daquele ser que tá no divã? Então, isso para mim, eu acho que teria que conter numa formação, além da análise, né, além de outras coisas que também, mas isso para mim teria que conter numa formação de analista.
É muito surpreendente que traga esta ideia porque bem poderia ser o entrelaçamento e é uma espécie de spoiler. O episódio da semana que vem é sobre como realizar uma formação de psicoanálise não tradicional, como formar analistas para o futuro. Todo o episódio sobre isso é muito sintônico.
Eu penso muito nisso, Leandro. Assim, para mim é uma, é uma grande questão, né? Eu já, eu já brinquei, já brinquei com alguns analistas: ah, vamos fazer um espaço de pensar psicanálise? Não é uma formação institucional, mas um espaço Vamos brincar, como que seria, né? Então eu acho que isso assim, que é isso que eu te falei, para mim tem que conter isso.
Tem alguma pergunta que me queiras fazer para que responda ou não responda?
Então eu acho que essa é uma pergunta, e uma pergunta que fica assim, né? Como Como o que o que deveria conter para na formação dos analistas?
Tengo un tema con eso. La pregunta me resulta súper interesante y es justo como te decía el episodio de la semana que viene, pero puedo puedo decir una idea dado que lo estamos conversando acá. Que es lo que para mí sí sería fundamental en la formación de analistas, es dejar de estudiar psicoanálisis, dejar de estudiar teoría psicoanalítica, dejar de estudiar qué dijo Freud, qué dijo Klein, qué dijo Lacan, qué dijo Bion, y reemplazar esto por empezar a pensar psicoanalíticamente, entrenarnos en pensar psicoanalíticamente en lugar de pensar ideas que otros psicoanalistas pensaron. Para mí eso tendría que ser el basal. Está más desarrollada la idea, pero ya que me lo preguntas y lo estamos justamente conversando acá, diría que es eso.
El analista que respondió antes que vos dejó una pregunta para que respondas: ¿cómo se le ocurre que nosotros los seres humanos podríamos o pudiéramos encontrar Mais cercanias, sim, que distâncias. Hablo emocionales, no? Eu acho que um pouco disso que eu tava falando, sabe? Você tá, eu acho que está relacionado, dentre outras coisas, com isso que a gente tá falando do tempo. O tempo é presente, de você tá verdadeiramente Você tá vivo, você tá presente, né? Eu acho que isso tem, isso traz uma diferença assim fundamental na forma como você olha, na sua atenção, na forma como você escuta, né? Naquilo que você, na tua empatia, naquilo que você pode enxergar do outro. E conversar com o outro. Eu acho que essa proximidade é você tá vivo verdadeiramente, verdadeiramente. Eu acho que essa é a disposição, e eu acho que essa também tem que ser a disposição analítica, como que você vai se construindo como analista. Saber de você estar mesmo. Eu acho que não é assim: ah, eu fiz uma formação institucional de psicanálise e agora eu sou analista. Não. Eu estou me construindo. E eu vou estar sendo, eu nunca vou estar pronto, vou estar sendo E vou ter, e assim, como que de fato isso vale para mim, dessa, dessa, desse despojamento de passado, de futuro, para você ter uma presença verdadeira, verdadeira, que não é fácil.
Déjame una pregunta para que la persona que responda después de vos pueda pueda desarrollar.
¿Cómo cómo vos pensás que vos ves y oyes? O ser que está en lo divino.
Perfecto, Marcia, muchísimas, muchísimas gracias. Para mí fue un placer compartir con vos este episodio, poder conversar, poder verte pensar a vos en vivo y en directo, y tener como una ventana hacia la manera en la cual pensás, vivís y sentís el psicoanálisis. Así que te quería agradecer mucho el tiempo y la disposición y preguntarte con qué canción te gustaría que terminásemos, con qué música te gustaría que terminásemos este episodio, este encuentro.
Puede tocar una música de Tom Jobim, por ejemplo, no sé, cualquier una. Sei lá, é Luísa, pode ser.
Luísa é Tom Chauvin.
Um trovador cheio de estrelas. Escuta agora a canção que eu fiz para te esquecer, Luísa. Eu sou apenas um pobre amador apaixonado, um aprendiz do teu amor. Acorda, amor, que eu sei que Embaixo desta neve mora um coração. Vem cá, Luísa, me dá tua mão. O teu desejo é sempre o meu desejo. Vem, me exorciza, dá-me tua boca. E a rosa louca, vem me dar um beijo e um raio Raio de sol nos teus cabelos, como um brilhante que partindo a luz explode em 7 cores, revelando então os 7 mil amores que eu guardei somente pra te dar, Luísa.
Leandro, Leandro, muito bom. Eu acho que sim, eu tive um contato com você que foi no Encontro Internacional de Bion em Ribeirão Preto. Eu participei da tua sala e depois da vivência que você fez. Achei muito original, acho que das coisas mais originais que eu já vi na psicanálise. E achei, me chamou muito atenção e gostei da originalidade e da liberdade da tua criação assim, né? Então quero te conhecer, quero conhecer mais sobre você, sobre o teu pensamento.
Entonces, como decíamos en Casablanca, que sea este el inicio de una gran amistad.
Isso mesmo, gostei. Te agradeço muito pelo convite, fiquei muito feliz e me ocupou a mente a semana. E eu já estava conversando com você já alguns dias.
Excelente. Agora, lo mismo me pasó. Muchas gracias.
Obrigada.
Leandro Stitzman.










