MAURÍCIO HONDAKU (MONGE METALEIRO) Rolê na Galeria ep. 45

A filmed interview and location-walk at São Paulo’s Galeria do Rock featuring Maurício (religious name Hondaku/Shaku), a Buddhist monk who is also a lifelong rock/punk/metal fan. The episode traces his path from childhood interests in Japanese culture and early rock influences, through teenage musical life (bands, vinyls, DJing) and eventual Buddhist ordination, into his perspectives on Buddhist practice, nonviolence/compassion, religious prejudice in Brazil, interfaith engagement, and accessible meditation advice. The piece mixes cultural tour (vinyl stores, merch shops) with reflections on identity, activism, and daily mindfulness.
Chapters
Salve, galera da Galeria do Rock! Mais uma vez aqui no nosso templo sagrado de São Paulo, onde é fervida toda a nossa cultura do rock, do rap, do skate, do hardcore, do punk, do metal, toda a cultura de rua aqui na galeria. Mais um programa e hoje eu vou trocar ideia com o monge Maurício Rondacco. Falei certo hoje.
É isso aí, Maurício Rondaco, cara. Como é que vocês estão?
Tudo bem?
Sempre grande rock and roll pra sempre.
Fiquei na dúvida se eu acertar o Rondaco, né?
É o Rondaco, quer dizer compromisso verdadeiro.
Isso que eu ia te perguntar. É. Rondaco é compromisso verdadeiro. É isso aí. É o seu nome de monge?
É o meu nome de monge, é o meu nome religioso, né? Então, como... Nós quando nos tornamos budistas, mesmo um leigo, você quando se torna budista, você ganha um nome budista. Por quê? Porque você começa a fazer parte da família budista, da família do Buda. Então você ganha um nome e o sobrenome, igual o sobrenome do Buda, que é Shakyamuni, né? Então a gente abrevia pra Shaku. Então todo mundo chama-se Shaku e um nome adicional. Então é como se fôssemos todos irmãos. E aí a gente recebe um nome que pode ser ou uma missão que a gente recebe ou um reconhecimento do que a gente já faz. Eu acho que o meu são os dois. É o compromisso verdadeiro, o compromisso de levar o ensinamento budista, o Dharma ao conhecimento das pessoas.
Esse nome você recebe ou você também tem o poder de escolha?
Não, você não escolhe.
Você recebe mesmo?
Você recebe ou do teu professor, do teu mestre ou do grão mestre da ordem. Então alguém superior que olha pra você, que te conhece ou que tem algum feeling sobre você, termina te dando esse nome.
Não, legal. Só que assim, desde os 15 anos que você é budista, que você se tornou...
É, eu me considero budista desde os 15 anos mesmo, que foi quando eu comecei a me interessar, comecei a ler a partir de um livro que eu comprei e aí não parei mais até me ordenar há 10 anos que eu me ordenei monge.
Mas antes de ser monge, antes de ser budista, você é roqueiro.
Muito, muito roqueiro. Tocava guitarra. Tinha uma banda de rock aí na... na adolescência, acompanhei o surgimento de muitas bandas aqui no Brasil, gostava de coisas, gosto ainda, de coisas estranhas do mundo do rock, que pouca gente conhece, e é isso, o rock sempre esteve comigo, eu sempre gostei de ouvir, ouço até hoje, ouço muito rock, tenho muita coisa, meus Meus streamers aí são... Eu me desfiz dos meus CDs, mas converti tudo para os meus streamers e tá tudo lá, cara.
Mas você gostava de CD, vinil, de colecionar?
Sim, eu inclusive fui DJ há um tempo, cara. Eu toquei, eu gostei, fiz curso de produção, fiz curso de... Tocava no vinil mesmo. Assim, eu ainda tenho uma coleção grande de vinil. Meus CDs eu não tenho mais, mas vinil eu tenho bastante coisa ainda, umas coisas meio raras lá também.
Como é que são coisas que você não vai achar, talvez, em um lugar nenhum, né?
Não vai, cara. Não vai, não vai. Eu fico pensando se eu me desfaço ou se eu não me desfaço, mas eu tenho pena de me desfazer daqueles vinis ali, cara.
Como é que chamava a sua banda na adolescência?
Puta, cara. As bandas de adolescência mudam de nome toda cada semana. Você muda um integrante, o cara chega, não, precisamos mudar de nome na banda. Um dos nomes que a gente teve foi Moros.
Moros.
Vinha de Thomas Moros, pensador político, filósofo e tal. Então o nome era Moros, um desses que a gente tinha.
E assim, a gente tava trocando ideia aqui, né? Uma das bandas, assim, a gente falou muito dos anos 80, Inocentes, Garotos Podres e tudo tal, das nacionais. E você tem o 365, foi um dos primeiros shows.
É, um dos primeiros shows que a gente foi. A gente foi nos primeiros shows do 365 aqui em São Paulo, a gente foi nos primeiros shows do RPM aqui em São Paulo também.
Do RPM, que era no mesmo local que você tava contando.
Tinha um local aqui na Vila Mariana que era um barco, cara, era uma coisa, chamava Latitude 3001, eu acho que era, onde a gente ia lá, pô, tinha algum, fomos ver shows de várias bandas ali que se apresentaram, então, era uma época legal, era uma época assim, isso aí estamos falando talvez de 87, 88, 86 talvez, era uma época bem interessante, que a gente tinha que ir no local pra conhecer, né, você não tinha mídia, você não tinha internet, Era boca a boca e você tinha que ir lá pra ver se o negócio era legal ou se não era. E aí começava a seguir e era... Às vezes você tava conversando e alguém falava, pô, tem show da banda tal hoje. Pô, onde é que é? Sei lá, cara. Tinha um lugar que eu gostava muito de ir aqui no Jardins, que é o N44, que era um templo da música punk nos anos 80 e 90. E era encrustado no Jardins ali, cara. Era um negócio muito louco, porque era encrustado no Jardins. Eu ia muito lá, porque tinha muita banda começando ali, alternativa e tal. Ficou um templo do punk rock de São Paulo ali, meio encrustado dos jardins ali. Então você via todo aquele ambiente playboy ali em volta e todo mundo punk. frequentando ali, e a gente lá no meio também, cara.
Pouca gente acha, né? Pode achar e falar, nossa, mas um monge budista, como que ele é metaleiro punk? Tem pessoas que estranham?
A gente pode ser monge budista e ter bom gosto também, em música.
Lógico.
Nada nos impede, né?
Isso que eu ia te perguntar. Teve gente que já causou um estranhamento?
Ah, já, já.
Escriótipo das pessoas?
Você tem um estereótipo do monge budista, talvez causado até por, sei lá, talvez, monges midiáticos que tentam passar essa ideia de que somos pessoas calmas, tranquilas.
Nem todo mundo é agenteiro.
Cara, é difícil, né? Eu acho que é boa, e com isso gera um estereótipo de que a gente é assim, fala com a vozinha, calma, tranquilo. Eu costumo dizer que parece um bicho preguiça em coma, né?
Sim.
Que você quebre as suas máscaras, quebre quem você acha que é e passe a assumir quem você é. Agora, se você é um cara, se você tenta passar uma imagem de que você é um cara calmo, tranquilo, sei o quê, mas lá no fundo você tá cheio de conflito, tá cheio de raiva, não adianta nada, você só tá querendo externar uma imagem que você não tem, né? Então, ao contrário, o budismo quer que você seja quem você é e externe quem você é, e aí você começa a se transformar. Aí você começa a ajustar a receita, né? Eu dou um exemplo que é legal que faz o seguinte, eu acho que é legal pelo menos. É assim, é que nem que você vai querer, você come um bolo gostoso na casa de alguém. Aí você quer reproduzir aquele bolo, mas você quer melhorar o bolo. Só que você não sabe a receita. Então você vai pra cozinha e tenta fazer um bolo melhor, sem saber a receita. a chance de você se estrepar é grande. Então é melhor você saber a receita e fazer a coisa do jeito que a receita está dizendo e aí você consegue melhorar. É como a gente, qual é a nossa receita? Qual é a nossa receita? Quem nós somos? E aí você precisa se conhecer e aí trabalhar para melhorar. E aí fica a grande pergunta, será que você se conhecendo, se aceitando como você é, você vai querer melhorar? Ou você vai lidar com isso de uma forma melhor, uma forma mais tranquila? Sem criar um... uma casca para aquilo que você não é. Então sim, as pessoas olham e falam assim, pô cara, você tem tatuagem, você tem, gosta de rock, punk rock, não sei o que, claro, eu não tô, o budismo fala que a gente não deve gerar sofrimento, nem sofrer. Eu não sofro gostando de rock, A gente sofre um pouco fazendo tatuagem, mas depois passa, entendeu?
Depois passa, né?
Depois passa, mas eu não tô infringindo sofrimento pra ninguém. Eu que tô escolhendo sofrimento pra mim durante algumas horas.
Pena que uma amiga nossa aqui, ó, desse estúdio, não tá aqui, que ela participa de alguns programas. Ela já ia querer te tatuar.
Ah, pô.
E ela queria colocar você na maca ali, porque às vezes a gente traz uns convidados. Tem um convidado do programa que é o Fernandão, o Fernando Schaeffer, Batera. Sim. E tatuou a palma da mão aqui.
Pô, cara, a palma é desafio, porque some com o tempo. Palma e cotovelo some, né?
Pô, mas bora dar um rolê agora pela Galeria da Monge. Bora, vamos dar. Eu falando das tattoos, você falou, você tem as costas inteiras praticamente.
Tenho, cara, eu tenho uma pintura, que eu tava te comentando, eu tenho uma pintura de uma artista chinesa chamada Yang Ruifeng nas costas. Ela tava exposta no museu de Munique.
Que legal.
E aí eu gostei e aí fiz. Aí terminei fazendo algumas outras coisas também. Fiz um leão das neves, fiz um garuda aqui no outro braço.
De alguma maneira a cultura oriental te atraiu primeiro antes de você virar budista? Você se atraiu pela cultura?
Sim, é uma coisa engraçada. Bom, não é engraçada. Para nós budistas isso é uma questão kármica, é um karma, né? E que não é nada ruim. Mas eu me lembro, desde pequeno, muito pequeno mesmo, talvez 3, 4 anos de idade, Eu louco por filmes, e naquela época não passava muita coisa na televisão, não tinha TV a cabo, mas eu lembro que passava muitos filmes do Akira Kurosawa, né? Que era um cineasta japonês, que ele fazia muito filmes sobre samurais. Sobre samurais, filmes antigos, sobre a época medieval do Japão. Eu era fascinado por aquilo, então eu com 3, 4 anos de idade era simplesmente fascinado. E eu morava no interior, eu morava em Campinas, Nessa época, quando a gente vinha pra São Paulo, minha mãe costumava sair com uma parente nossa, uma prima, acho que era, que me levava a comer comida chinesa. E eu adorava comer comida chinesa. E meus pais não tinham muito hábito disso. E aí, quando eu vinha pra cá, ela me levava pra comer comida chinesa. E eu adorava aquele ambiente do restaurante chinês. Eu sempre fui muito atraído, sabe, por essas coisas orientais. E não sei de onde veio. porque não era uma coisa familiar, nem nada, meus irmãos não tem nada disso, e eu sempre fui fascinado. E aí, foi uma coisa meio natural, eu comecei também essa parte espiritual, uma coisa que sempre me chamou atenção, o espiritual, o oculto, o misterioso, né? Sempre que eu me conheço por gente, eu tinha uma coisa dessa. E eu quando adolescente, já aqui em São Paulo, fui convidado por umas amigas, eu tinha 13 anos, a participar de uma comunidade católica, aqui no Colégio Cristo Rei, aqui na Vila Mariana, Era uma comunidade chamada Comunidade de Caná, que era uma comunidade de jovens, fazia encontro de jovens e tal.
Antes disso não, sua família não era católica? Muito pouco.
Praticante, não íamos em greve. Família católica, mas não íamos praticantes. Eu tenho um amigo mocho que fala assim, pô cara, você não pode ser de uma religião e não ser praticante. Ele falou assim, você não é honesto não praticante.
É verdade, faz todo sentido.
Então assim, eles são católicos, mas eu não tinha uma educação religiosa. Mas eu comecei a me interessar e foi bom porque nessa comunidade as discussões eram muito interessantes, claro que era uma discussão focada na religião católica, mas aquilo despertou muitos interesses em mim, curiosidades e desafios também. Já naquela época, mesmo sem conhecer o budismo, eu comecei a desafiar muito dos dogmas católicos, muito da posição da igreja católica sobre vários assuntos.
E acho que nessa idade a gente desafia mais, na adolescência.
Muito, porque aí você fala, você pergunta, e aí você começa a ser mal interpretado.
Verdade, verdade.
E foi quando eu comprei um livro sobre budismo, ao acaso, e quando eu entendi muito pouco daquele livro, mas o pouco que eu entendi bateu muito com o que eu imaginava. Então quando ele falou de karma, de não ter um demiurgo, não existir um Deus, controlando a nossa vida, que tudo dependia da reação das coisas que a gente fazia, aquilo começou a fazer sentido pra mim. E eu comecei a levar isso lá pra essa comunidade e uma hora... Eu não fui convidado pra me retirar, mas eu vi que já não tinha mais clima. Aí eu resolvi sair e comecei a estudar o budismo.
Puta, que legal.
Mas era uma época aqui em São Paulo que você tinha muito pouco acesso, né? Você tinha um negócio que pouca gente vai lembrar. Era a lista telefônica. Não sei nem se alguém lembra disso, né? Vista telefônica. Aí você abria lá, cara. Você ia pro templo budista. Você não achava, porque tava em japonês o nome, eu tava em chinês, sei lá. Você nunca achava nada. Então foi muito difícil pra eu achar, pra eu conhecer um lugar.
O templo hoje onde você faz parte é chinês ou japonês?
É japonês.
Japonês, tá. E como é que funciona essas, é claro, deve ser talvez muito complexo pra gente, essas divisões entre o budismo.
Não é tão complexo assim, você tem várias escolas budistas, né, e essas escolas você tem algumas subdivisões que são as ordens budistas. As escolas, o que aconteceu? O Buda, ele... Vamos dizer assim, ele pronunciou, dizem, não está comprovado, mas dizem que ele pronunciou 84 mil discursos. Isso foi compilado, depois da morte dele, no que a gente chama de sutras. Só que esses sutras, eles eram escritos em folhas de bananeira seca e tinham mais ou menos uns 40, 50, 60 centímetros de largura e eles eram prensados com madeira para poder ficar reto. Isso era muito difícil você carregar. Então não é que você puxe um celular ou um livro, mas você quer carregar aquilo ali. Então os monges terminaram se focando em alguns desses discursos, que era onde eles liam e copiavam esses discursos, depois eles viajavam e iam embora com aqueles discursos copiados. Então as escolas budistas são baseadas nesses discursos. Então às vezes o Buda falava sobre um determinado ponto de vista, de uma maneira, e aquela escola hoje assumiu aquela maneira de ver a sabedoria, de ver a coisa. E outra assume de outra maneira, mas o caminho é um só, e o objetivo também é um só.
Mas ao menos igual, se você for pegar a Umbanda, você tem uma Umbanda mais tradicional, você tem uma Umbanda sagrada, você tem assim, um modo de ponto de vista tradicional.
Exato, é a mesma coisa. Ou você vê na igreja católica... Igreja.
Católica, um padre fala de um jeito.
Os franciscanos, os capuchinos, os anglicanos, até.
A gizões distintas, mas o caminho é um só.
Então assim, não dá pra você negar uma escola e dizer, ah, não, essa escola... Quer dizer, claro, hoje em dia você tem muito picareta por aí que inventa escola, mas se você pegar as escolas tradicionais, Essa parte do ensinamento é válida, essa não é válida, isso não existe. O caminho é um, o objetivo é um. A maneira que você caminha é diferente. Você pode ir de skate, de bicicleta, correndo, é isso que muda.
Você vai chegar lá do seu jeito. Até os centros também, quando falam de carnicismo, tem aquele ramatins. Também. Dentro, né? Cada um seguindo uma linha. Uma linha pra poder chegar lá.
Sem ferir o que é o tradicional. Sem ferir o que é o ensinamento mesmo.
Bora que agora eu vou te levar lá pra gente dar uma garimpada nos discos de vinil. Já que você gosta bastante.
Vamos ver o que tem lá.
É, o que tem pra ver se a gente encontra algumas coisas que você escutava ou escuta ainda. Apesar que o seu gosto é muito Misfits. Tá vendo? O Monge gosta de Misfits. Olha que louco. Da hora. Mas assim, quando você ingressou assim, digamos, como monge assim, com os outros monges brasileiros ou até internacionais e tal, ou até gringos e tal, porque hoje você viaja muito, né? Aliás, acho que eu falei a primeira vez que você estava na Alemanha. Depois a Croácia, não era Croácia, Suécia.
Não, Suécia.
Suécia. Suécia.
E acabei de chegar na Espanha.
Acabei de chegar na Espanha. Então você tá indo pra lá, né?
Tô, tô indo pra lá, cara.
Pra Espanha. No começo, quando você ingressou mesmo assim, os outros monges, tinha alguns também que também curtiam, ou andavam de skate, ou tinha um...
A maioria dos monges que existem hoje, a gente começou praticamente juntos. Isso foram nos primórdios da internet aqui no Brasil, eu tô falando em 98, 99, 2000, 2000 e pouquinho. Ali foi onde a gente começou a realmente se organizar, no termo do que seria o que é o budismo hoje aqui no Brasil. Então, ali nos primórdios da internet, tinha um negócio na internet que aí também... A internet já está ficando velha, né, cara? Tinha um negócio que se chamava lista de e-mail. Então, hoje a gente tem as... Você tem as mídias sociais. Era mídia social no começo da internet. Era uma coisa chamada lista de e-mail. Você se inscrevia numa lista de e-mail e aí você tinha um único endereço. Quando você mandava um e-mail para esse endereço, todo mundo que estava inscrito recebia esse e-mail. Então, a gente ficava discutindo coisas Vimeio. Às vezes tinha um negócio, os fóruns, começou os fóruns ali que você publicava, mas a gente ficava discutindo o Vimeio. E ali, um rapaz ali de Belo Horizonte criou uma lista chamada Budismo. E ali nasceu, a maioria dos monges que existem hoje aqui, da minha idade mais ou menos, de 50 anos, entre 50 e 60 anos, estava ali naquela lista, e nem eram monges ainda. Nem eram ainda, né? E nem eram, tinham poucos. Na verdade, naquela época ali, tinham dois monges ali na lista, que era o Ricardo Mário Gonçalves, que faleceu ano passado, que foi o primeiro monge brasileiro a ser ordenado, o primeiro brasileiro a ser ordenado monge. E tinha ali o Wagner Hakushin também, que também faleceu esse ano, infelizmente, e foi meu mentor. Eram os únicos dois monges mesmo. E ali tinha, hoje o Gensho tava ali, o Gensho sensei que é do Zen, tava o Komyo sensei.
A gente pode chamar de sensei também?
Pode! Tava o Lama Tartim, tinha um monte de gente ali, que hoje são Lamas, são monges e tal, e tem os centros aqui desenvolvidos, os centros de Dharma aqui no Brasil e tal. Então nasceu ali. E sim, tinha muita gente que gostava de rock, que gostava de skate, de rock, que participava das listas também ali, que hoje são monges, que hoje são professores de budismo, da mesma forma.
Você acha que ainda tem muito preconceito religioso no Brasil?
Ah, tem?
Tem.
Muito, muito, muito. Nós nem tanto, contra os budistas nem tanto, porque todo mundo acha o budismo fofinho, né?
Hoje.
É.
Porque hoje virou, muita gente até que nem nunca falou de budismo, hoje acha fofo, porque popularizou o yoga, por exemplo, algumas coisas que... Todo mundo acha que.
O budismo, vem com esse papo de que o budismo é uma filosofia, não é uma religião, que é uma bobagem. Que é uma religião, claro. Ah, mas você pode ser católico, pode ser budista. Bom, até a página 2 eu falo, porque a hora que você descobre que a gente não acredita em Deus, que nós somos uma religião ateia, que não tem Deus no budismo, aí você começa a ter conflitos. conflitos fortes ali, porque o primeiro dogma que você tem no cristianismo é a existência de Deus, de um demiurgo, de um ser revelador e criador. Então assim, vai, você vai, mas vai até a página 2. Mas hoje você tem, as religiões de matriz africana hoje é que mais sofrem preconceito no Brasil.
Muito.
Muito. Você tem aí terreiros atacados, centros atacados, destruídos, invadidos, gente agredida na rua porque tá usando contas ou porque fez iniciação e tá com a cabeça coberta. Isso a gente tem muito, muito, muito e muito pouco divulgado.
Faz a gente pensar se o Brasil realmente é estado laico, né?
Não, não é. Decididamente, não é.
Desse jeito, não.
Não é. A gente tem muito preconceito, sim. Precisamos combater isso de forma veemente.
Muito.
Infelizmente, nos últimos anos, a coisa ficou pior. Muito pior.
Eu ia falar, de uns anos pra cá.
As pessoas começaram a se revelar de uma maneira assustadora.
É verdade.
Assustadora. E aí você vê umas coisas malucas, tipo assim, um terreiro ser destruído numa favela, por exemplo, numa comunidade.
Sim, no Rio de Janeiro já aconteceu.
Porque o traficante era de uma outra religião e mandou destruir uma coisa. Quer dizer, assim, peraí, tem alguma coisa errada nessa história, né? Não que o traficante não mereça ter uma religião, que eu acho que ele tem que ter, é o principal cara que tem que ter. Agora, porque é uma religião do outro, ele vai mandar destruir, cara, tem alguma coisa estranha aí nessa história, né? Então as coisas estão tomando uma dimensão, infelizmente, no Brasil, muito, muito Obscura, vamos assim dizer.
Subreal.
Agora, a gente não sofre tanto por causa disso, porque todo mundo tem o Dalai Lama como um ícone, e o Dalai Lama é um cara fofo, e tudo parece fofo, porque nós somos caras tranquilos, calmos... Que falam, assim, causadamente.
Que é tudo mentira.
Que a gente só ouve música de W.A.D.E.
Se te mandasse entrar naquelas salas lá que tem, que você quebra tudo, já viu? Pô, deve ser mó da hora, não deve ser legal pra você descarregar?
Você desopila total, cara.
Quebra tudo, quebra... Mano, você fazer um... Porra, é só de voltar que você fazer um boxe, cara. Você treinar boxe. Arte marcial, como a gente tava falando. O jiu-jitsu que você faixa marrom. Eu parei na azul, mas não treino há muitos anos. A gente comeu tudo jiu-jitsu. O que aquilo te faz descarregar?
Pô, você sai, você cansa, cara, mas você cansa de uma maneira prazerosa, né, cara?
E aquilo não diz se você é uma pessoa calma ou menos calma, é um momento que você consegue extravasar.
Ao contrário, ao contrário, porque quem não conhece acha que é violência, mas na verdade aquilo é um jogo de xadrez, cara, aquilo ali é um jogo de xadrez.
Jiu-jitsu é um jogo, eu sempre falei isso, jiu-jitsu é jogo de um xadrez.
Só que tem inteligência ali.
Jiu-jitsu muito, muito, muito.
E você só se machuca se você quiser se machucar, porque você pode sair a hora que você quiser do conflito e falar para, acabou, parou.
Para, acabou, parou. E é isso aí, mas é assim... Muitas coisas assim como o rock que a gente tá falando, o quanto que não descarrega e que sempre descarregou ouvir aquele som e poder... E o quanto foi discriminado, né?
E ainda é, né? E ainda é, né?
E tá num bom bate-cabeça, né, Monge?
Uma boa roda punk!
Uma boa roda punk!
Hoje é sempre bom ainda dar umas...
Uns pogo aí, da vida! Da hora! Agora sim, Monge, pra gente dar umas dicas aí do que você realmente gosta Gosta de ouvir. Bom, isso aqui eu sei que você gosta, né?
Ah, não tem quem não gosta, né, cara? Poxa, falar de rock não falar de Iron Maiden.
Você quer ir no Rock in Rio ainda.
Os melhores shows que já ocorreram na história, né, cara? Mas eu gosto muito, eu tenho uma formação interessante que meus pais, meu pai sempre gostou muito de música erudita, música clássica. Então eu sempre ouvi muita música clássica na minha na minha infância, né? Porque a única coisa que tinha lá em casa que ele comprava era esse tipo de coisa. Então, o rock progressivo foi o primeiro rock que eu gostei, o primeiro rock que eu comecei a ouvir. Então, Alan Parsons Project, Yes, foi aonde eu comecei a gostar. Então, assim, o Rick Wakeman também, aquele disco, puta, Viaja ao Centro da Terra, do Rick Wakeman, com aquele monte de teclado. Eu sempre gostei muito do som do sintetizador, teclado. Então, eu comecei a ouvir muito rock progressivo no começo. Então, Alan Parsons também, que tinha uma pegada meio orquestrada, meio coisa... Então, eles tinham uma formação mais clássica. Aí que eu comecei. Depois, eu comecei... Putz, eu fui na casa de um amigo... Cara, isso eu tive... Eu tive uns sete ou oito anos de idade, talvez. Aí ele tinha um tio dele... Putz, ele tinha um disco de uma banda alemã chamada Kraftwerk, que era uma banda industrial. Aliás, eu tive chance de, há três anos, ver um show deles em Gotemburgo, cara. Eu fui ver um show deles lá em Gotemburgo. E... Putz, até hoje pra mim é sensacional, porque é uma banda industrial, só com sintetização, quatro sintetizadores, só sintetizador. Mas os caras fazem um som muito, muito... Pô, é uma banda de 50 anos, mas é muito legal, muito... É um som meio até pesado, assim, mas é bem legal.
Aliás, eu ia te convidar pra você ir num show do GBH comigo agora. Se você estiver no Brasil, né, galera? Se liga, 27 de novembro.
GBH.
A lenda. GBH.
Aí cheguei aí.
Então veio, hein? Pode ser uma das últimas vezes.
Pois é. Bom, porque aí eu cheguei aí. Cheguei em Exploited, GBAH, Yooksubs, Misfits. Então a gente chegou, aí cheguei aí. Aí cheguei num punk, um negócio que eu gostava pra caramba, mais pesado. Alien Sex Find, que eu te falei, que é uma banda muito louca, que a gente ouvia muito. A E.P.I.L. do Johnny Lidon. E fomos, cara. Aí começaram, nos anos 80, 90, esses caras começaram a vir pro Brasil fazer show. Então, eu ia muito, cara. A gente gastava o dinheiro que eu não tinha, a gente gastava indo nesses shows. Aí veio... Aí tinha umas coisas um pouco mais leves, que a gente terminava ouvindo, mas... Equan The Bunnyman, The Pest Mode e tal. The Pest Mode eu gostava muito por causa dos sintetizadores que eu te falei que eu gostava. Então eu sempre gostei da pegada do The Pest. E pelas letras das músicas também, que são letras um pouco mais espiritualizadas, questionadoras e tal. Então eu sempre gostei das letras do Depeche Mode. Muito, cara.
Vamos ver se você dá uma dica aí pra gente, Monge Maurício. Vamos ver o que você acha aí.
Vamos ver o que temos aqui, cara.
Vamos ver o que você acha aí pra dar uma dica pra gente aí.
Bom, começa aqui com o Rush, cara. Rush e o Rio. Rush foi uma das outras bandas também do começo que eu comecei a gostar. Desde a primeira vez que eu vi Tom Sawyer.
Vamos mostrar isso pra galera. Esse aqui tá lindo, hein?
Esse aqui... Putz.
Caraca. Que capa, né? A gente falou de dragão.
Que capa, cara. Dragão.
A gente comentou de dragão hoje.
Dragão com influências brasileiras.
É.
É um pouco estereotipado, né?
É, estereotipado, mas não é aquele dragão japonês ou chinês, né?
Dragão misturado com carne e miranda, né?
É, carne e miranda e tal.
Mas o rush é espetacular, cara. Aí a gente tem... Ah! É... Aqui me lembra...
O que falar dessa banda?
Starway to Heaven, né? mas Who Lotta Love, You Shook Me. Puts, cara, são músicas assim que me lembram muito coisas boas da vida, né? Coisas boas da vida. Acho que Led Zeppelin participou da minha vida muito ativamente.
Puta, que legal, que legal.
Não importa que a gente goste de coisa pesada, mas essas bandas mais clássicas foram a base de tudo isso que veio depois. Então você ouviu um Rush, ouviu um Led Zeppelin, um Deep Purple. É ali que a coisa, Black Sabbath, é ali que tá, é o que a gente precisa entender.
Black Sabbath acho que é a melhor banda do mundo, não é?
Puta, cara. Tá lá, viu? Tá lá, tá lá, tá lá. Então, vamos ver aqui o que mais que a gente acha.
Vamos ver o que sai mais daí.
O Macar tem um show espetacular, cara. O show é muito bom. O show deles é bom. Renascence, cara.
Renascence.
Coisa de velho, mas... Isso aqui também, rock progressivo. Rock progressivo do Renascence. É espetáculo, cara.
A capa você já vê que é progressiva. Isso aí a capa diz muito, né?
A capa é uma coisa meio futurística, só aqui são os bíceps. A capa digital, pô, é muito legal, cara.
Bom, Monge, mas bora lá. Bora lá pra gente dar mais um rolê que tem mais umas lojas pra gente passar.
Tá bom. Aí, no final, a gente nem falou de mascapunk aqui.
Fiquei só no antigo aqui, cara.
Mas a gente vai falar um pouco.
Vamos falar. O restaurante Galeria 77 fica na 24 de maio em frente à Galeria do Rock, com uma grande variedade de saladas, pratos quentes e sobremesas. Vem para a Galeria do Rock e passe para almoçar na Galeria 77, na 24 de maio. Agora sim, Monge Maurício, a gente aqui no primeiro andar, a gente vai caminhando ali para a G-Rock, uma loja parceira nossa, mas antes eu vou te perguntar como é a interatividade com outros sacerdotes, tipo com o bruxo, Eu gosto muito.
Disso porque eu acho que o preconceito ele nasce da ignorância. Eu acho que quanto mais a gente se educa, quanto mais a gente educa as pessoas nos conceitos religiosos, a gente consegue evitar cada vez mais o preconceito. E a gente tem muito preconceito, como a gente comentou aqui no Brasil. Eu sempre gostei de estar interligado com outras religiões e conhecer outras religiões, entender as outras religiões. Então hoje eu tenho grandes amigos, a gente acabou de encontrar aqui o Claudinei.
Da UICA, isso que eu ia falar.
Da UICA, o grande sacerdote, a referência da UICA no Brasil. Ele é um sacerdote, um grande mestre da UICA no Brasil, um grande amigo de muitos anos. Pessoal do Hare Krishna, conheço o Mahesh, que também é um grande sacerdote aqui, um grande representante. Rabino Ventura, o Diego de Airá, que é um pai de santo super, super querido e amigo, a gente sempre está muito integrado, a gente está sempre conversando, sempre falando, participamos de algumas ações governamentais de inter-religiosidade, combate à discriminação religiosa. Então, assim, da minha parte, eu faço questão de estar sempre interagindo com os outros monges budistas e com as outras religiões. Porque eu acho que o quanto mais a gente se integrar, é uma força maior contra o preconceito.
Todo mundo quer chegar no bem.
Cada um, cara, tem o direito de achar o que quiser, de seguir o que quiser. Esse é um direito inalienável do ser humano, é de ter a sua própria crença. Inalienável. Então, lembra que eu falei no começo que o budismo, ele prima pra você ser quem você é? Seja quem você é. Acredite no que você quer. Seja feliz. No que você acredita, isso é o mais importante. Não precisa ser budista, não. Ao contrário.
Seja você mesmo.
Seja você. Encontre uma fé. Encontre alguma coisa. Mas encontre alguma coisa. Vá atrás de alguma coisa. Mas aquilo que está alinhado com você, da maneira que você pensa. Porque a espiritualidade nos ajuda demais. Claro, a espiritualidade eu acho que não sobrepõe a medicina, não sobrepõe a ciência de maneira nenhuma. Mas te ajuda muito, muito, muito, muito... Comprovadamente. Comprovadamente. Então você tem, por exemplo, o Instituto Mind & Life, que é um instituto composto por pesquisadores de Harvard, e outras grandes universidades americanas, tem trabalhos muito sérios sobre o quanto a religiosidade impacta positivamente na saúde das.
Pessoas. Na cura de várias.
Doenças. Então, o foco é esse. E desenvolva essa espiritualidade não só nos momentos ruins, mas nos momentos bons. Pra você estar preparado para os momentos ruins que.
Chegam. Verdade! Bom, G, agora chega aqui, ó, pra gente te mostrar que é a G Rock. Deixa eu passar aqui a frente. A G Rock é a loja tradicional da galeria. Vende os produtos oficiais da galeria do rock. Camisa, caneca e bastante coisa. Tá aqui há 30 anos e a G Rock te.
Presenteando. Obrigado, gente. Obrigado.
Mesmo. Olha.
Só. Olha isso.
Aqui. Essa camisa aí que é o...
Vou abrir aqui para todo mundo.
Ver. É a palhetinha, o logo oficial da.
Galeria. Aqui ó, um ícone de São Paulo, Galeria do Rock. Puta, o lugar. Lugar espetacular aqui, um lugar de muita paz, de cultura. Obrigado, gente. Obrigado mesmo, do fundo do.
Coração. Nosso polo.
Cultural. É isso aí, cara. Outro lugar delicioso pra gente.
Estar. Bora lá que tem mais. Mais um lugarzinho.
Especial. Obrigado.
Gente. Valeu, G-Rock. Mais um lugar especial pra gente passar. E a gente tava falando, antes disso, a gente tava falando de punk, que a gente ia ter que trocar essa ideia. do... O punk, de uma certa forma, na adolescência, ele entra naquilo de contestar, que a gente estava.
Falando. Essa visão da contestação do punk, e aí a gente está falando do punk lá dos primórdios mesmo, e de Inglaterra, dos anos 60 da Inglaterra, depois aí com grande força nos anos 70, aquilo me impactou de grande forma quando eu era adolescente. Por causa disso, porque eu sempre fui muito contestador. Isso me levou a estudar muito sobre a anarquia, muito, muito sobre a anarquia, porque eu achava, ainda lá no fundo eu termino achando ainda, de que é um sistema político muito alinhado com o.
Budismo. Ah.
Total. Porque se você não tem no budismo um demiurgo que te controla, por que você vai ter alguém na sociedade civil que vai te controlar? Porém, se você tem uma consciência social forte ou plena, você não precisa de ninguém te governando, porque você vai ter consciência. Eu vou cuidar de você, você vai cuidar de mim. Se eu tenho essa compaixão, ela se torna o melhor sistema, embora utópico, o melhor sistema de governo. Então assim, se olhar desse ponto de vista, o anarquismo é muito.
Budista. E acho que a forma de você também conseguir falar sobre as injustiças.
Sociais das letras... Sim, aí você tem isso, você tinha uma classe trabalhadora é na Inglaterra, oprimida ali, com uma vontade de falar, uma revolta grande também, e canalizou isso pra música. Então você tem ali o punk nascendo nessas comunidades, principalmente comunidades trabalhadoras, working class da Inglaterra. pra ser uma voz, pra ser uma voz de contestação social ali forte nos anos 60, né? Isso é fantástico, né? Então você pegar ali Sex Pistols antes, Clash, pô, são caras que mandam uma mensagem forte mas que precisava ser ouvida, né? Aquilo tava represado durante muitas décadas na.
Inglaterra. Sim, sim. Isso que eu acho o mais legal, assim, porque se você for ver, nas músicas também te traz um... um valor para a espiritualidade, um caminho, eu quero te dizer isso. Porque através daquilo, seja você, o que você mesmo falou, para cada um ser você mesmo. Então, às vezes, a gente é muito o que a gente escuta.
Né?
Muito. A música está no nosso DNA de.
Uma... Eu acho que reflete demais, né? Reflete demais. Eu, por exemplo, que eu te falei que eu gosto, né, viver, nasci ali na música erudita, né, ouvindo música erudita. Aí fui pro rock. Adoro o rock, mas adoro ainda a música erudita bastante. Eu acho que muita gente da minha época gosta disso também, essa mescla. E isso te faz melhor. Porque é que nem você fala, se você vê a espiritualidade, conhece a espiritualidade de cada um, você não gera preconceito. Se você conhece a música também, você também não gera preconceito com a.
Música.
Exatamente. Então você não julga mais as pessoas pelo que ela ouve. Porque isso também é uma coisa muito complicada. Você é julgado pelo que você acredita, mas o que você acredita não te define. O que te define é seu caráter, não é no que você acredita. Porque a gente estava falando de nazismo, se você olhar as favelas dos soldados nazistas, estava escrito, Deus está comigo. Então assim, eles acreditavam naquilo, então acreditar não te faz uma pessoa melhor. Agora, o seu caráter é que vai te dizer quem você é. Você pode acreditar em Deus, você pode acreditar em quem você quiser, mas você pode acreditar em Deus e matar uma pessoa. Ponto. Você pode acreditar em Deus e estuprar alguém. Então, isso não te define. O seu caráter é que te.
Define. O seu caráter e índole, né? Seriam a mesma.
Coisa. É, direto. Totalmente direto, né? Totalmente.
Direcionado. Não sei se eu estiver errado, mas por isso que o budismo é esse ponto principal, digamos assim, do caráter, do que você tem por dentro, te fazer o bem e colher o bem. É muito fofo falar.
Isso. Na verdade, não é fazer o bem, é não gerar.
Sofrimento.
Entendeu? É não gerar.
Sofrimento. Fazer o que você tem que fazer.
Sem... Gerar sofrimento. Então assim, se você quiser falar assim, ah, qual é a máxima do budismo? Não gere sofrimento. Bom, é isso. Aí você define como você quiser. Se eu faço alguma coisa pra você, por exemplo, ah, você faz tatuagem. Pô, mas você dói. Dói, mas não é um.
Sofrimento. Pra mim não é.
Exatamente. Não é um.
Sofrimento. Mas eu falo nas atitudes, nossa, pô, é o cu.
Próximo. É isso, é a compaixão. O que define isso é a compaixão. Uma curiosidade que talvez vocês não saibam é que não existe a palavra amor dentro da bibliografia budista. Buda nunca falou sobre o amor, que o conceito que a gente tem de amor, na cultura oriental, ele é tido como algo egoísta, algo que gera sofrimento. Então ele usava uma palavra que é amor compaixão. Porque o amor, ele pode ser muito egoísta. Você pode ter ciúme, você pode matar por amor. Como é que você mata alguém que você ama? Não é.
Amor. Não é.
Amor. Assim, não é um... Sim. É antagônico.
Né?
Sim. Ah, não, eu vou matar essa pessoa porque eu só quero ela pra mim. Então eu vou matá-la porque ela não vai ter pra mais ninguém. Então ele falava só dessa dualidade. Não é dualidade, vai desse complemento. Amor com paixão. Então é o seguinte, além de tudo, a compaixão quer o teu bem mais do que a mim mesmo. Quer dizer, eu vou fazer tudo para que você esteja bem, então eu te amo a tal ponto de que eu quero que você esteja bem, mesmo que não esteja comigo. No caso de um relacionamento amoroso.
Né? Mas a gente se colocar no lugar do próximo, né? Seria.
Isso. Uma vez eu estava dando aula para umas crianças, umas crianças de 7, 8 anos numa escola, que eu dou aula, eu dava aula de budismo para essa escola, uma vez por ano, e aí, eu tava explicando esse negócio de compaixão, aí um menininho, talvez uns nove anos, falou assim, ah, eu já entendi, Monge. Então é o seguinte, compaixão é quando a gente veste o sapato do outro, né? Porque o sapato do outro nunca encaixa no nosso pé direito, mas a gente vê como é que a pessoa se sente quando tá usando o sapato dela.
Né?
Interessante. Eu olhei assim e falei, tá aí. É isso. Eu uso esse exemplo até hoje. Então é quando você veste o sapato do outro. Você sabe onde aperta, aonde ele tá confortável. Então é isso, é.
Compaixão. E principalmente o que a gente falou do que vem de dentro, do caráter, das ações do seu dia a.
Dia. E mesmo que você seja um.
Ateu, tá ótimo, não tem problema nenhum. O que vale é o que você.
Faz. Não tem problema.
Nenhum. É o que você faz, é a sua atitude. Atitude. Atitude com as outras pessoas. E com o mundo. Aliás, a gente falou muito de Inglaterra, falou do punk, mas como esse monge nacional punk é um monge metaleiro também... Olha que legal. Agora eu vou, pra gente apresentar a WA Sports aqui, nossa Frances, monge.
Maurício. Prazer, tudo bom?
Obrigado. Nossa loja do Iron Maiden na Galeria. Como você viu, esses são produtos oficiais do Iron, tudo reconhecido pelos patrões, pelo Bruce, pelo Steve.
Harris. Com essa apresentação do Bruce com a camisa nossa que vai vir pra Copa aí. Já deve vir, porque eu não sei quando é que vai ser.
Apresentado. Já que é, já estamos na semana da.
Copa. A gente tá pombando aí, a galera na.
Procura. Seja.
Bem-Vindo. Obrigado. E essa pegada agora de samurais que eles têm agora tá totalmente alinhada com a.
Gente. Com você. Tá tudo aí o que eu falei, do Sanjitsu.
Né? Samurais e de... Isso me lembra, eu tava comentando aqui dos filmes de Akura Kurosawa que eu assistia, né? Sobre samurais. O que foi que me levou ao budismo, que me levou a gostar disso, a estudar, foi justamente isso. E aí eu fiquei muito contente, cara. Agora tá nessa pegada.
Também. Porra, que legal. Demais.
Demais. Obrigado, cara. Obrigado. Vamos lá, segura aqui. Essa é a nossa camisa.
Representação. Escutou bastante esse.
Disco? Nossa, foi o que eu mais escutei na.
Vida. Que da hora, que da.
Hora. Fear of the Dark, acho que foi o que eu mais escutei na vida. Puta, cara, muito, muito obrigado. Linda, tá linda. Dá pra ver, mas tô arrepiado pra caramba aqui. Tô arrepiado pra caramba. Puta, cara, muito, muito obrigado, viu? Esse é um presente da loja pra você, sabendo que você é um fã de Iron. Pô, cara, muito, muito obrigado.
Nossa. E galera, Copa do Mundo, vem pra cá, passa na WA que é uma.
Novidade. Isso aí, venham aí, cara, porque olha, espetacular isso aqui, vocês precisam, quem não conhece tem que vir conhecer, é urgente, tá.
Bom? Obrigado.
Obrigado. Valeu, cara, muito obrigado. Tá bom.
Obrigado. Agora sim, Monge, estamos no lugar mais zen da Galeria do.
Rock. Pois é, pouca gente conhece. Tem um jardim aqui no rooftop da Galeria do Rock, né.
Cara? É, pode trazer aqui, a gente queria que você.
Conhecesse. Pô, muito.
Legal. E quanto que não é importante você ter um... a gente fala porque tá aqui, mas eu ia te falar assim, um espaço, um tempo no seu dia pra você conseguir meditar e refletir alguns segundos.
Né? Olha, eu acho que hoje em dia é primordial que a gente tenha esse tempo pra nós. Nem que seja antes de você dormir, cara, que você deite na tua cama e reflita.
Sobre... É um momento bom antes de.
Dormir. Sobre tudo que você fez no dia, sabe? Sobre tudo que aconteceu no dia pra você. Às vezes a meditação não precisa ser tão formal assim. Você não precisa sentar num lugar especial. Claro, se você estiver.
Ótimo. Essa é a minha pergunta. Essa é a questão que eu queria.
Levantar. Todo mundo pode ir pra uma floresta hoje, pra dentro de uma caverna.
Meditar, que seria o ideal. Eu não tenho essa facilidade. Eu não tenho uma facilidade de fazer isso, porque o pessoal olha pra mim e fala, meu, mas você é mal agitado, vai meditar? Eu falo, meu, pra mim talvez não é tão fácil que nem é pra vocês. Mas isso eu consigo fazer. Chegar, parar o momento do dia. Isso pra mim é uma.
Meditação. Meditação, o princípio da meditação é você ter atenção plena. É você prestar atenção em alguma coisa. Isso é meditação. Meditação não é você... O ato de meditar não é você sentar de perna cruzada no chão, fechar o olho e respirar. Não. Não é. Isso não é a meditação. A meditação é a atenção plena. E a atenção plena tá nisso. Você prestar atenção em alguma coisa e digerir aquela coisa. Então, cara, uma meditação é você refletir sobre o seu dia, é uma meditação. Então, você sentar 10 minutos, 15 minutos antes de você dormir, deitar e refletir sobre o que você fez, refletir sobre as consequências do que você fez durante o dia, sobre o que você pode fazer melhor amanhã, isso é uma grande meditação que a gente pode fazer. Grande meditação. Simplesmente parar, a gente não consegue fazer isso em todas as atividades do dia, mas escolher uma que você realmente preste atenção no que você está fazendo, porque a gente faz as coisas hoje de forma muito automática. Você escova o dente de forma automática, você toma banho de forma automática, você não sente.
Nada. Eu estou escovando o dente, eu já saio falando na sala com o meu irmão, conversando, não para pra fazer.
Aquilo. Uma vez uma mestre, uma mestre zen, a mestra Heila, da África do Sul, ela falou assim, olha, eu medito escovando o.





