Palestra online - Rev. Maurício Hondaku | Karma

Lecture by Rev. Maurício (Hondaku Shaku) explaining the Buddhist concept of karma: its meaning (Sanskrit 'action'), common Western misconceptions (not simply 'fate' or inherently negative), and how karma interacts with causes-and-conditions (samsara, choices, and rebirth). He illustrates with stories (farmer and horse), contrasts karma with Dharma and free will, explains three types of action (thought, speech, bodily action) and four stages of karmic realization, and briefly outlines related Pure Land ideas (samsara, six realms, nirvana, and rebirth in a Pure Land).
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Nossa, muito bom ver o alterar cheio assim, hein? Que coisa boa, muito bom, muito bom mesmo. Bom, pra quem não me conhece ainda, eu sou o reverendo Maurício Rondaco, sou monge assistente aqui em São Paulo, no Beitsuin de São Paulo, e tenho trabalhado bastante usando internet pra difusão do Dharma, e agradeço aí o convite de todos vocês pra participar mais uma vez desse encontro. Geralmente aos domingos, esse horário, nós fazemos um encontro, a gente chama de encontro dominical, um encontro com o Dharma dominical, lá no Betsuin. E eu transmito para vocês, de vez em quando, quando a gente calha de fazer junto, eu transmito online para vocês. Só que esse final de semana não sou eu que estou fazendo, é a reverenda Leninha que está lá fazendo o encontro. E aí eu me dispus a... Deixei à disposição do Ricardo Hito e de todos vocês para transmitir, de qualquer forma, essa nossa conversa. A gente tem um grupo de estudo online O Ricardo Ito participa, a gente discute bastante coisas sobre budismo. E essa semana, pensando um pouco aqui no que eu ia falar com vocês, eu me peguei em algumas conversas que saíram nesse grupo de estudo durante a semana. E a gente falou sobre um tema que eu acho que é um tema muito central no budismo, muito básico e pouco entendido pelas pessoas. É o tema do karma. E o Karma, embora a gente, às vezes, não estude muito, não fale muito sobre ele, Shinran Shonin, o nosso fundador, falava muito sobre Karma. Ele falava extensivamente, se a gente pegar os textos, os principais textos dele, o Kudensho, o Tanisho, o Gajasho, todos os shos aí possíveis, ele fala muito de karma. Mas o que vem a ser o karma? O karma é um conceito, uma palavra muito mal interpretada aqui no ocidente, talvez por alguns erros de tradução, às vezes sob uma influência de comportamento, de entendimento errado das pessoas sobre o assunto, mas geralmente as pessoas associam o karma, primeiro associam o karma como uma coisa negativa, algo ruim. Muita gente fala, poxa, aconteceu isso comigo, foi o seu karma que produziu isso. E outro ponto muito errado é quando o karma como uma um antônimo de Dharma. Então a gente fala, temos o Dharma e o contrário de Dharma é Karma. Bom, aí a gente tem dois conceitos totalmente errados já. Porque o Dharma, não existe nada que seja antagônico ao Dharma. O Dharma é uma coisa universal. o Dharma é universal mesmo, né? Quer dizer, não importa, é uma lei que não importa, né? É um conjunto de leis e de sabedoria que não importa onde você esteja no universo, ele é válido, né? Então, o Dharma é todo conjunto de sabedoria búdica que nós temos a nossa disposição, que a gente entenda ou que a gente não entenda, o Dharma é algo absoluto, né? E tanto que faz parte das três joias do budismo, né? O Buda, o Dharma e o Sanga, né? E aí vocês, né? Em alguma cerimônia, se vocês participam quando vocês participam, muitas vezes o Enno-sensei chega e fala assim, ele recita o Tsaraná, né? Eu tomo refúgio no Buda, o iluminado. Eu tomo refúgio no Dharma, a sabedoria que conduz a iluminação. E eu tomo refúgio no Sanga, a comunidade, tá? Então, basicamente, esse triângulo, essas três joias, né? Pra quem lembra aí da novela que passou na Globo aí, né? joia rara, né? Que tinha lá os os monges budistas e tal, tava fazendo referência a essas joias, né? Então, nós tomamos refúgio nessas três joias e se tomar refúgio é dizer a gente segue ou busca conhecer e seguir o Dharma, né? Aí quem tiver com o Gongyo, o livrinho azul, tudo isso que eu falei tá na página cinco do Gongyo, né? Tá aí disponível pra vocês, depois vocês podem ler. E depois no três, a gente, o terceiro é o Sanga. O que que é o Sanga? É a comunidade, são vocês, né? Somos nós, porque nós precisamos de apoio nesse caminho.
Né?
Então, pra eu ter o Buda como meu exemplo, como a minha meta, que eu quero me iluminar, que esse é o objetivo do budismo, não tem outro objetivo, é iluminação, seja aqui, seja na terra pura, né? A gente tem o nosso objetivo é nos iluminarmos, a gente se ilumina através do Dharma, né? Quando a gente recita o é uma maneira da gente recordar quem? Recordar o Buda, mas quando a gente recorda o Buda, a gente recorda o Dharma também Então, pra recordar o exemplo do Buda, a gente usa um meio, um método, e esse nosso método é o Nembutsu, pra gente fazer essa recordação. Só que a gente precisa de amigos, a gente precisa de... nós somos seres humanos, muitas vezes a gente não consegue fazer isso sozinho, então a gente precisa de apoio de alguém. E esse alguém nada mais importante do que as pessoas que estão trilhando esse caminho também conosco. Então é O Sanga somos todos nós. Nós nos apoiamos nesse caminho. Então Dharma é uma coisa universal. Não existe antônimo de Dharma. Nem mesmo a gente fala assim, mas a ignorância não é o antônimo da sabedoria? É quando a gente fala da sabedoria mundana, a gente fala dos nossos entendimentos mundanos. Quando eu entendo algo e quando eu não entendo. Mas não o Dharma. O Dharma é uma sabedoria infinita, é uma sabedoria universal. Então não existe antônimo para ela. E o Karma? O Karma, gente, ele não é um destino. Ele não é um destino, não é algo que está escrito na nossa vida, está escrito com sangue, e não dá pra gente apagar, não dá pra gente alterar. Não. Karma é uma palavra que vem do sânscrito, que significa nada mais do que ação. Karma é ação. Na lei do karma, a lei do karma diz o seguinte, a lei do karma parece a lei de Newton, né, pra quem lembrar aí do colegial, lá de trás, o colegial, apesar que tem umas carinhas jovens aqui que devem ter acabado de aprender isso, pessoal novinho, é a lei da ação e reação, ou seja, tudo que eu faço tem uma consequência, tão simples quanto isso, né, então a lei do karma parece a lei de Newton, olha, Se eu jogar uma pedra pra cima, ela vai cair na minha cabeça. Fato. Então, a lei do karma diz isso. Olha, tudo que nós fizermos, você aguarde que haverá um retorno. Então, nisso fica muito difícil a gente dizer que o karma é algo negativo. Não é. Esse julgamento do que é negativo e o que é positivo, ele tem muito a ver com o nosso julgamento. As nossas formações mentais, a nossa maneira de viver, o nosso karma é que termina determinando se algo que a gente olha é bom ou é ruim. Vou contar uma historinha para vocês que exemplifica bem isso. Diz que tinha um fazendeiro lá numa aldeia. Lá numa aldeia na... Essa história cada um põe onde quer. Já vi isso aí, o cara pôndo isso no Japão, na China, na Coreia. É um fazendeiro em algum lugar do mundo que dizia o seguinte, olha, ele tinha lá uma pequena propriedade lá no meio da aldeia e um dia apareceu um cavalo. Do nada apareceu um cavalo lá no estábulo dele, lá nas propriedades dele. Aí vieram os vizinhos e falaram, nossa, Que bom, que cavalo lindo que apareceu aí. Agora, o senhor é muito afortunado. Ele muito calmamente olhou e falou isso pode ser bom ou pode ser ruim. E aí do lado e aí ele pegou o cavalo e começou a arar a terra. Com aquele cavalo, a coisa melhorou, ele conseguiu arar mais campos, tal. Aí os vizinhos falaram, viu, é uma coisa boa, o senhor estava aí todo pessimista. Ele falou, não, as coisas podem ser boas ou podem ser ruins. Aí um dia o filho dele, que já tinha uma idade, 18, 19 anos, montou no cavalo, falou que ia domar o cavalo, caiu do cavalo e quebrou a perna. Aí vieram os vizinhos lamentando, né? Puxa, agora quem vai ajudar você na lavoura? Que coisa ruim, que desgraça que aconteceu com seu filho, com você? E o fazendeiro falou, ah, veja bem, isso pode ser bom ou pode ser ruim. Dali algumas semanas, uma guerra eclodiu próximo ao vilarejo e todos os jovens do vilarejo foram convocados, né? E o filho do fazendeiro não foi convocado porque tinha, estava com a perna quebrada e salvou a vida dele, né? Aí, então, essa historinha, ela termina ilustrando isso, né? Toda vez que a gente olha pra uma alguma coisa, é o nosso julgamento que tá dizendo, é bom ou é ruim, O karma é o seguinte, tudo o que nós fazemos na vida, tudo, a grande parte, não podemos dizer tudo, tudo, tudo, tudo, mas a grande parte do que a gente faz na vida, ela está relacionada a causas e condições, ou seja, alguma coisa conspira para que a gente tenha oportunidades na vida. Por exemplo, vocês estão aí hoje. Vocês estarem aí hoje, de alguma maneira, é fruto do karma de vocês. Primeiro que começou que vocês querem estar aí hoje. Então isso já é um ponto importante. Outro ponto é que vocês cancelaram todos os seus compromissos ou não fizeram compromissos para estar aí hoje. Vocês acordaram cedo, vocês não perderam a hora. Isso também é um outro ponto importante para vocês estarem aí hoje. Vocês arrumaram um jeito para ir de carro, de bicicleta, de ônibus. Vocês chegaram até o tempo. Estava sol, suponho que esteja sol, não esteja chovendo, porque o templo está cheio. Toda vez que chove, o templo fica vazio. Então, imagino que esteja sol por aí, não esteja chovendo. Vocês conseguiram sair de casa, não deu aquela preguiça de ficar em casa. Está chovendo, não vou ouvir o Dharma hoje. Quem sabe semana que vem. Dharma é bom com sol. Dharma é bom com sol, com chuva não é muito bom, mas com sol eu vou. Então, tudo isso que eu falei para vocês não é karma. Tudo isso são causas e condições. Deu pra entender? Quer dizer, foi tudo gerado causas, condições. As condições foram aparecendo, condições favoráveis foram aparecendo pra que vocês estivessem aí hoje. Aí vocês, munidos dessas causas, olharam assim pra fora. Poxa, tá sol. Legal. acordei cedo. Legal. Poxa, consegui uma carona. Legal. Hoje é dia de grupo de estudo. Poxa, legal. Eu vou. Pronto. Então, aproveitei todas essas causas e condições e eu vou. Na hora que vocês chegaram aí, vocês solidificaram o karma de estar aí hoje. E estando aí hoje, vocês passaram a gerar outras causas e condições para as próximas ações da vida de vocês. Então, estar aí hoje provavelmente começou a gerar uma causa do tipo, poxa, eu conheci uma pessoa aqui, ela gosta das mesmas coisas que eu, poxa, acho que eu vou almoçar com ela hoje. Então, essa é uma possibilidade. Então, se gerou algumas causas e condições, uma possibilidade de um de vocês saírem com dois ou três e irem comer um sobar aí depois na hora do almoço. é um bom peixe, alguma coisa aí, na hora do almoço. Outros falaram assim, poxa, já que eu estou aqui, eu vou convidar o sensei para almoçar. Sensei, ninguém convida você para almoçar, né? Mas seria uma boa hora para convidar para almoçar, né, sensei? Ah, vou convidar o sensei para almoçar. Será que o sensei pode? Puxa, o sensei foi tão legal, abriu o templo para nós hoje, vou levar o sensei Ueno para almoçar hoje. Então você criou uma causa, você ligou lá pra casa e falou, olha, eu acho que eu vou convidar o sensei pra ir almoçar, tá bom? Tá bom. Olha, quer ir almoçar? Eu vou convidar o sensei pra ir almoçar. Aí você chega pro sensei e pergunta, sensei, vamos almoçar? Se ele disser sim, beleza, pum, realizou um karma. Gerei as minhas causas e condições, pum, o karma é realizou. Se ele disser não, as causas se dissipam, porque aquela ação não pode ser concluída. Então, nossa vida é sempre assim. O karma não dita a nossa vida, mas ele vai abrindo as possibilidades de causas e condições para que eu tome decisões. Então a gente não pode dizer que o karma está escrito ou ele é definitivo na nossa vida. O karma definitivo da nossa vida foi o que nós geramos no nosso passado. E pode ter vindo de outras vidas também. Eu posso carregar ações e consequências de ações de coisas que eu fiz em outra vida que eu nem lembro do que é. Mas o karma se realiza nas ações do passado. Só que eu planto hoje as sementes do karma que vai ser realizado amanhã. Então, eu olhando pras causas e condições da minha vida, de todas as possibilidades que existem na minha vida, eu faço as minhas escolhas. Cada vez que eu faço uma escolha, eu realizo um karma. E esse karma permite que mais causas e condições se abram pra eu tomar outras decisões da minha vida. Então, eu posso mudar o curso da minha vida? Pode. Só que você muda o curso da sua vida limitado às causas e condições que o seu karma determina. Então, assim, não é oito nem oitenta. Karma não é um destino, não está escrito, mas ele é um delimitador para nós, porque eu nunca tenho opções infinitas na minha vida. Eu olho assim, eu não tenho... Por quê? Alguma coisa sempre me restringe. Essa restrição pode ser uma restrição moral, uma restrição ética, uma restrição física, que não permite que eu tenha várias opções. Então, até eu costumo dizer assim muitas vezes, outras religiões falam muito de livre-arbítrio, de que o homem consegue fazer o que ele quiser a hora que ele quiser. Nós budistas falamos que isso não é bem assim. Nós podemos fazer o que nós queremos, quando nós queremos, baseado nas causas e condições que estão se apresentando para nós. É dificilmente eu tenho uma infinidade de opções na minha vida para eu tomar uma decisão. Se alguém está oferecendo um emprego para mim, as únicas decisões que eu posso tomar é sim ou não. Aceito ou não aceito. Não adianta. Olha, é mais ou menos. Eu vou trabalhar para você mais ou menos. Então eu trabalho só das sete às nove para você, alguma coisa assim. Isso não existe. Existem as causas. Quais são as condições para eu aceitar um emprego? Eu tenho que trabalhar das oito às cinco, tenho que aceitar um salário, tenho que aceitar essas atividades. Então isso eu tenho que aceitar todas essas causas e condições. Então isto é o que o karma nos apresenta. Então vocês encontrarem o budismo Aliás, as pessoas encontrarem um caminho espiritual é uma condição kármica. Ah, por que eu gosto tanto do budismo? Puxa, eu não consigo explicar porque eu gosto tanto do budismo. Porque as causas e condições da minha vida me levaram a escolher o budismo. Levaram a escolher o budismo. Eu podia ter escolhido o islamismo, eu podia ter escolhido o judaísmo, eu podia ter escolhido o xintoísmo, sei lá. Mas as causas e condições me levaram a isso. Ou seja, coisas que eu vivi, coisas que eu construí na minha mente, me geraram essas causas e condições para que eu pudesse entrar em contato com o budismo. Isso quer dizer que é definitivo? Não necessariamente. eu posso chegar em algum momento da minha vida que outros karmas surgem, outras causas e condições surgem, eu mude de religião. Normal. Isso acontece. Como acontece em relacionamentos também. Eu tenho relacionamentos com fulano, com ciclano, de amizade, ou um relacionamento amoroso, também está muito baseado no karma. Está muito baseado nas condições kármicas que se estabelecem. Eu, às vezes, costumo dizer que, num relacionamento amoroso, só o amor não é algo suficiente. A gente tem uma série de outras condições kármicas que definem que a gente continue ou não num relacionamento. Ou mesmo num relacionamento de amizade. Às vezes, você é muito amigo de uma pessoa, mas essa pessoa tem... Passando por uma fase que você não concorda, com atitudes que você não concorda, e você decide que... não vai, não tem mais condições de manter um relacionamento com essa pessoa, né? Bom, então esta é a visão do karma. Então essa é a visão do que nós dizemos no budismo, de que tudo que nós fazemos tem uma causa e uma consequência. Ela gera uma causa, né? Uma nova causa e determina uma consequência. E vem. Gente, se tem uma coisa que vocês, que a gente consegue provar no budismo, que o Buda disse, é a lei do karma. Essa coisa acontece e vem Pode demorar, pode ser rápido, pode demorar, mas eu convido vocês a prestarem atenção nisso na vida de vocês, com tudo que acontece. Não só com vocês, mas com as outras pessoas também. Aguardem sempre porque o retorno acontece. E não é um retorno divino, não é um carinha lá em cima que fica com um raio, assim, e fala, vou atirar um raio na cabeça dele porque ele fez essa bobagem. não é isso. A gente não precisa de ninguém lá em cima atirando raiozinho na nossa cabeça, né? Ou jogando pedrinha na nossa cabeça lá em cima pra nos punir por uma ação que a gente tenha feito. A gente já já é muito bom nisso. O ser humano é muito competente quando ele faz isso, porque a lei do karma garante que essa punição, entre aspas, apareça na nossa vida, né? É é é É só você, por exemplo, você gastar um dia xingando um monte de gente que está em volta de você, você pode terminar o dia com um olho roxo, ou sem amigo nenhum. Agora, passe o dia fazendo o bem, distribuindo compaixão, tratando as pessoas bem, que eu vou garantir para vocês que vão terminar o dia com mais amigos, terminar o dia com sorrisos no rosto, beijos na bochecha, abraços. É simples, é tão simples quanto isso. Vão para a rua e testem. Então, de uma maneira simples, isso é um retorno kármico. Ele pode ser tão simples quanto você fazer uma coisa boa e ganhar um abraço, ou quanto você fazer ações na sua vida que tem um retorno positivo pra você. Muita gente vem pra mim e pergunta, sensei, como é que o budismo me ajuda a ganhar dinheiro? Eu falo, poxa, o budismo ajuda você muito a ganhar dinheiro. Ah, existe então um mantra que eu posso recitar pra ganhar dinheiro? Eu falei, você pode recitar qualquer mantra no seu caminho para o trabalho. Enquanto você vai para o trabalho e volta do trabalho, você recita qualquer mantra, porque o que o budismo fala para você ganhar dinheiro é trabalhar. É o único jeito de você ganhar dinheiro. Só tem dois jeitos que o budismo diz que você ganha dinheiro. Uma boa herança, aliás, três. Ganhar na megacena, ter uma boa herança ou trabalhar. São as três maneiras que o budismo te ensina a ganhar dinheiro. Essas são as três fórmulas mágicas do budismo para você ganhar dinheiro. Então, você escolhe uma dessas e foca. Então, enquanto você não ganhar na megacena, enquanto você não tiver uma boerança, trabalhe. Então, se você quer prosperar, trabalhe. Simplesmente quanto isso. O budismo não vai te dar nenhuma fórmula para você prosperar. Ele vai dizer, trabalhe. Essa é a única coisa. Ah, mas eu queria muito, eu sou solteiro, solteira, tanto tempo. O único jeito de você deixar é conhecer pessoas. Então não existe mágica. Qual é a consequência para você casar? Você precisa conhecer pessoas, né? Então conheça pessoas e você tem relacionamento e casa, né? Eu quero ter amigos. Poxa, se você não tem amigo, você tem um problema com você. Não adianta você ir para o budismo. Não adianta ficar recitando Nembutsu lá na Moumi da budismo para ganhar amigos. Você não tem um chato, né? Então, olhe pra dentro de você, né? Olhe pra dentro de você. Talvez você seja um cara chato, que não tem amigo, que ninguém queira se relacionar com você. Então, isso é uma questão de causas e consequências, né? Então, olhe pra dentro de você, pra que você gere as causas boas, pra que você possa trabalhar com isso. Então, esses são pequenos exemplos, desculpe as brincadeiras, mas como é que o karma age na nossa vida, né? Aí você pode perguntar... Aí tem as pessoas mais fatalistas. Desculpa pelo tempo, gente. Eu termino me empolgando, mas já vou acabando. As pessoas fatalistas. Por exemplo, teve lá o terremoto no Nepal, teve o tsunami no Japão. Aí todo mundo fala que carma horrível que essas pessoas têm. Olha só, são lugares onde não tem cristãos. São pessoas que não são tementes a Deus. Então Deus está punindo e não sei o que. Gente, nada a ver. Simplesmente teve um tsunami num lugar, teve um terremoto no outro que ninguém vai prever. que estavam ali. Ah, mas o carma dessa pessoa era muito ruim. Não, o carma da pessoa não é ruim. Simplesmente foram dadas causas e condições onde ele se estabeleceu ali, mas não é um carma seu estar no meio de uma desgraça como aquela, né? Aquilo é um acidente natural, né? Carma tá relacionado com as pessoas, com os seres, não com a terra em si, né? Então, o carma é nosso, né? Então, se, pô, tem um terremoto, né? Coitada da terra lá que tá da nossa terra, do nosso planeta que está se ajeitando. Isso não tem como ter controle, não tem como a gente prever nada disso. Então é um erro a gente achar que desastres naturais são causados pelo karma. Mas o que é o karma aí nessa história? O karma nessa história foram as causas e condições que nos levaram a se estabelecer num lugar. Ao mesmo tempo que vocês moram aí nessa cidade gostosa aí que não tem terremoto, não tem nenhum desastre natural, vocês estão vivendo bem nesses termos. Outras pessoas terminaram se estabelecendo num lugar que elas nem imaginavam que passaram a se estabelecer num lugar que tem um desastre natural. Mas isso não tem a ver, o desastre natural em si não tem a ver com o karma. Eu queria falar disso porque pode ser que agora vocês aí no grupo de estudo terminem se deparando com textos onde Shinran fala muito sobre karma. Uma das falas sobre karma que ele gosta muito de falar e é repetida em vários textos dele, ele fala o seguinte, olha, só pra gente ir concluindo, e pra vocês entenderem também, ele fala o seguinte, se não fosse o poder do Buda, o Tariq, o poder do Buda para nos iluminar, como é que nós poderíamos ser capazes de nos iluminarmos pela eliminação do nosso karma? Porque uma das condições para a gente se iluminar, e aí dita por Buda Shakyamuni, era que a gente eliminasse a produção de karma. Porque a gente pode fazer isso, né? A gente pode eliminar a produção do karma a partir da hora em que nós analisamos sempre as consequências dos nossos atos. Então a gente sempre mede o que nós vamos fazer, já prevendo quais são as causas e consequências daquilo que vai ser gerado. E um Buda faz isso. Um Buda já tem as suas atitudes, são premeditadas no sentido de saber como vai gerar as causas e as condições futuras das suas ações. Só que Shinran falava o seguinte, puxa, olha pra mim, olha quem eu sou. Eu acho que isso a gente pode fazer uma reflexão aqui todos juntos. Olha quem eu sou. Eu sou um gerador de karma ambulante. Eu estou sempre gerando karma. Então como é que eu conseguiria me iluminar sozinho nesta vida se eu sou um grande gerador de karma? E ele fala assim, dadas as causas, para qualquer pessoa dadas as causas e condições corretas, qualquer pessoa pode matar um ou mil pessoas. né? Ele falava isso. Aí tem um texto no que quando ele fala isso um discípulo dele um monge fala mas mas mas mestre eu não eu não sinto nenhuma vontade nenhum sou impelido a matar sequer um inseto né? E aí Xiran diz pra esse monge fala muito bem é porque você não tem as causas e condições cê não tem essas sementes dentro de você mas se você tivesse você mataria mil pessoas né? Então, a gente não consegue prever isso. Nós não sabemos quais são as causas e condições passadas que nós temos que vão nos levar a qualquer tipo de atitude no futuro. Seja ela, por exemplo, só para vocês entenderem, mas indo para um caso extremo, né? de um acidente, a gente terminar, infelizmente, sem sem sem qualquer culpa, a gente, né? Terminar tirando a vida de alguém ou machucando alguém, tudo isso são consequências que podem nos impedir de de atingir a iluminação. Então, xerafa falava, poxa, se eu não tenho essas essas condições, então eu dependo sempre da compaixão do Buda pra que eu me ilumine, né? Então, ele usava muito esse exemplo do karma para mostrar que a gente precisa do Tariq, que a gente precisa do outro poder para que a gente possa se iluminar. E por isso que a Terra Pura é um local onde a gente deve almejar ir para que a gente... Na Terra Pura a gente não tem uma geração de karma para que a gente possa se iluminar, porque nesse mundo aqui é um mundo muito complicado para que isso aconteça. Bem, nesses poucos minutos, que eu peço desculpa de ter me alongado, Eu queria dar essa visão inicial para vocês do que é Karma. E acho que a gente podia abrir para alguns minutinhos para perguntas. Se alguém tiver alguma pergunta, eu estou aqui à disposição. Tudo bem, Itosan?
Eu vou abrir o microfone aqui, sensei. Caso o pessoal queira fazer uma pergunta.
A pergunta pode ser fora desse tema karma? Pode, pode.
É uma pergunta fora do tema karma, tá, sensei?
Ah, pode. Sem problema.
É uma pergunta aqui. um pouquinho mais sobre a nossa terra pura.
Bom, eu prometo fazer na próxima, eu falo sobre terra pura no maior detalhe, mas vou em poucas palavras tentar explicar para você. Nós vivemos num mundo, nós vivemos num complexo, a nossa vida vive num ciclo de nascimentos e mortes que chama-se samsara. O samsara, é muito pertinente a pergunta, tem a ver com karma, você vai ver que tem tudo a ver com karma o que você perguntou. O samsara é o ciclo de nascimentos e mortes que todos os seres estão fadados a cumprir ao longo da sua existência. Então eu morro e renasço, morro e renasço, morro e renasço. E esse renascimento, toda vez que eu me torno uma nova pessoa, é comandado pelo karma. Então o karma, o conjunto de ações que eu faço na minha vida, tudo, né? A régua no final da vida, O que que deu aí? Ah, deu que você vai renascer como um animal. Você fez tanta bobagem na sua vida que você vai renascer como um animal. Então na sua próxima vida você renasce como um animal. Aí você foi um animal bonzinho, foi lá um gatinho. Não, gatinho não é tão bonzinho assim. Foi lá um cachorrinho tranquilo, nunca mordeu ninguém, nunca aprontou coisa nenhuma, nunca fez xixi nem cocô na sala do seu dono e tal. Ah, você vai renascer então agora como um humano de novo. Poxa, você volta como humano. Aí você é um bom humano, você faz umas coisas legais e tal, você renasce como um deus. Os deuses, como um deva, que a gente chama. A gente renasce como um deva, tal, não sei o quê. Só que aí, como um deva, você não foi um cara, um deva muito bom. Aí você, pum, desce de novo e fica nesse. São seis possibilidades. Então isso é o samsara. Então, cada vida você termina renascendo num lugar e tal. E o Buda dizia que renascer como ser humano é uma dádiva, é muito raro. E aí como é que a gente sai desse ciclo de renascimento e morte? Como o Shiran falou, puxa vida, eu preciso eliminar meu karma, eu preciso gerar karma neutro, que não seja nem positivo nem negativo, eu gero karma neutro, a partir da hora que eu gero karma neutro, eu não tenho mais condições de renascer nesse ciclo. Então se eu gero karma neutro, Poxa, se eu passo a régua, deu zero no final da minha vida? Opa, pera aí. Então eu não tenho para onde ir. Qual dos seis reinos que eu vou renascer? Porque o reino lá embaixo é o reino dos demônios. Depois tem o reino dos fantasmas famintos. Aí tem o reino dos animais, o reino dos titãs, o reino dos humanos e o reino dos devas. Depois eu conto para vocês como é que faz para renascer em cada um desses aqui, mas em japonês chama Rokudo. Mas digamos que, no final da sua vida, você passa a régua e deu zero. Putz, se deu zero, você é um Buda. Aí você vai renascer aonde? Aí tem um estado, que é um estado fora desse samsara, chamado nirvana. Acho que vocês já ouviram falar em nirvana. Não uma banda de rock. Isso é para os mais velhinhos, que nem eu, tinha uma banda de rock chamada nirvana. Mas o nirvana é fora do samsara. Fora do samsara. Se eu não consigo mais renascer nesse ciclo aqui, eu vou renascer no nirvana. Ponto. Aí Nirvana, existência infinita, vamos ficar lá, tal, todo lugar legal. Ficamos lá no Nirvana, atingimos o Nirvana. Ponto. Só que aí o Buda falou o seguinte, olha, vai chegar uma era, a gente chamou de Era do Mapo, vai chegar uma era em que o Dharma vai estar corrompido, as pessoas vão estar não vão querer mais saber do Dharma, não vão querer mais saber dos conhecimentos. Vai ser uma época mundana, de coisas mundanas, de coisas efêmeras. Estão lembrando de alguma época? Estão ligando os pontos? Nossa época, Mapo, bem parecido. Ninguém se preocupa mais com as coisas espirituais. e aí as pessoas não vão ter mais condições de de zerar karmas, né? Cada vez vai ser mais difícil pessoas espiritualizadas aparecerem, budas aparecerem, mas aí o Buda falou, olha, mas tem uma maneira da gente fazer resolver isso. Existe um estágio intermediário entre o e o nirvana que são as terras puras. Cada vez que um onde nós podemos renascer nessa terra pura, porque o Buda dizia o seguinte, se a gente renascer na terra pura, ainda não é o nirvana, né? Mas é um lugar onde a gente não tem sofrimento, a gente não gera mais, a gente não passa, a gente acaba com o nosso karma ali, a gente não gera mais sofrimento, não tem mais sofrimento e a gente se prepara nessa terra pura que tem um Buda residente em cada uma dessas terras puras pra ir pro nirvana. né? No caso da nossa escola, a gente almeja renascer na terra pura do oeste, né? É onde está o Buda Amida, é por isso que a gente fala muito do Buda Amida, né? Porque é o Buda que reside nessa terra pura, ele criou essa terra pura e reside nessa terra pura, né? Cês tem aí um caquedico do do Buda Amida, acho que aí do lado de vocês, né? Aquela figura que cês tem ali é o Buda Amida, né? Eu tô fazendo assim, mas eu não sei se aparece do lado certo aí pra vocês. É, onde o Ito tá apontando. Eu faço assim, mas às vezes tá parecendo assim pra vocês. Então, por exemplo, o Buda Shakyamuni, que é o Buda da nossa era, que ele viveu aqui, ele gerou uma terra pura dele também. Só que qual é a diferença da terra pura de Amida para as outras terras puras? Não é porque a gente é proselitista, não, não é porque a gente é bairrista, que a gente torce pra terra pura, pro time de futebol lá da terra pura de Amida. É porque o Buda disse o seguinte, as outras terras puras, a gente pode voltar para o samsara, a gente pode voltar para cá, a gente vai, purifica tudo lá e volta. Na terra pura de Amida, a gente não volta, a gente só sai de lá para o nirvana. Então, quando a gente atingir a terra pura, a gente praticamente já atingiu nirvana, porque é só um estágio intermediário até lá. Aí, para chegar nessa terra pura, são cenas dos próximos capítulos. Aí a gente tem que falar um pouco mais longamente sobre Shinjin, sobre Coração Confiante e Nembutsu. A gente deixa aí para uma outra hora, talvez para o próximo grupo, tá bom? Então, resumindo, estágio intermediário entre o sansário e o nirvana. Pronto. Mais alguma coisa?
Pode fazer pro direto.
Bom dia.
Bom dia. O pensamento, vamos supor, eu tenho o pensamento de natalamento, mas eu não realizo esse pensamento. O pensamento pode, como ação de pensamento, gerar karma ou só no momento que eu fizer ação, cometer ação, vai gerar karma?
Ótima pergunta, ótima pergunta, porque eu terminei não falando isso pra vocês. Muito bom, muito obrigado. As ações, existem três tipos de ações. O pensamento, a fala e a ação física. Essas três ações geram karma. Níveis diferentes de karma, mas geram karma. Por quê? Porque o pensamento, a gente pode pensar assim... Bom, a ação está clara, né? A ação gera carne. Fazemos algo, temos algo em troca. A fala também acho que está bastante clara, porque é só você xingar alguém e ver o que acontece. Fácil, né? Xinga alguém que você vai ver a resposta que você vai ter. Então pronto, já tem a ida e a volta. Agora, o pensamento é uma coisa íntima nossa, E a gente pode pensar assim, ah, só pensei nisso, né? Como é que isso pode gerar karma? Realmente o pensamento, ele gera um karma muito pequeno, não é algo tão complexo, só que ele altera o nosso estado mental e nos leva a gerar os outros karmas. Ele nos leva a uma fala positiva ou negativa, nos leva a uma ação positiva ou negativa. Então, o pensamento é um grande comandante do nosso karma. Eu posso pensar, se eu penso coisas boas, eu tenho uma tendência a ter ações boas. Então, se eu tenho um pensamento positivo, eu sempre tenho uma tendência, tendência não quer dizer que é sempre, mas eu tenho uma tendência maior a executar coisas positivas. Se eu tenho um pensamento compassivo em relação às pessoas, eu tenho uma tendência de ver o lado positivo das situações que me cercam. E vendo o lado positivo das situações que me cercam, eu tendo a fazer ações que vão me gerar carmas que eu julgo positivos. Ao mesmo tempo, se eu tiver pensamentos raivosos, embora eu não tenha externado esta raiva diretamente para o objeto do meu pensamento, mas a nossa mente é incrível. A gente passa a ter de alguma maneira, a gente pode descarregar esses pensamentos negativos em outras pessoas, em outras coisas, que termina aí me gerando um karma maior também. Então o pensamento, embora seja algo efêmero e que passam milhões pela nossa cabeça, eles são sementes, eles são sementes de plantações de karma que a gente vai definindo pela vida. Então, as ações, vamos dizer assim, positivas, elas começam justamente num pensamento positivo. As ações compassivas terminam nascendo de pensamentos compassivos. Mas a gente sabe que nós somos seres humanos e esse mix de pensamento termina sempre passando pelas nossas cabeças. É dito que o karma tem quatro estágios de realização. O primeiro é quando surge a vontade de algo, de uma ação. A ação tem quatro estágios. O primeiro estágio é a vontade de realizar a ação. Isso vem do pensamento. Então, esse estágio tem um karma pequenininho. Ele gera um karma bem pequenininho. O próximo estágio é o início da ação. Quando você começa a executar alguma coisa que veio do seu pensamento. Quando você começa a executar, o karma já é um pouco maior. O terceiro estágio é quando você completa a ação. Aí o karma já é bem maior. Aí você tem o quarto estágio, é o regogizo pela ação. Aí o karma é desse tamanho. Por quê? Vamos ver o lado negativo que é mais fácil para vocês entenderem. Eu vou matar aquela pessoa. Pensei nisso. Eu vou matar aquela pessoa. Então, karma, você está com raiva em você, você está gerando aquilo. Na hora que você pensa isso, você abre as possibilidades, as causas se abrem na sua frente. Então você gera um karma. Essas causas se abrem. Puxa, eu tenho a opção de... matar o cara com uma faca, com um revólver, com um soco, com não sei o que, ou não matar, esquecer isso. Não, eu vou dar um tiro nele. Então eu vou pegar a arma, na hora que você pega a arma, opa, começou a ação. Você foi lá e atirou, matou. Aí tem esse último estágio que é o seguinte, nessa hora você pode se arrepender. Se você se arrepende, você vai contabilizar um karma até aquele ponto ali. Agora, se você ainda se regogiza, você fala, bem feito, jamais é que morrer mesmo, miserável. Começou o karma se explodindo, porque você ainda se regogizou, você não se arrependeu daquela coisa negativa que você fez, muito pelo contrário, você ainda se auto-incentivou, auto-aplaudiu para aquilo, aí você já era um karma muito ruim. Para o lado positivo, eu vou ajudar aquela pessoa, legal, eu vou comprar um alimento, ela está passando fome, eu compro um alimento, Poxa, aquele alimento, eu entrego esse alimento. Aquela pessoa usou aquele alimento ainda e distribuiu entre outras pessoas. Você sente aquele prazer, você sente aquele êxtase. As boas ações geram esse êxtase pra nós. Então isso também aumenta o nosso karma pra caramba, pelo regogiso de ter feito uma boa ação. A técnica do karma. Então cuidado com seus pensamentos. Mais nada? Aquele pessoal que tá dormindo ali atrás não quer perguntar nada, não? É brincadeira, gente. É brincadeira. Não tem ninguém dormindo lá atrás, não.
Gostaria de agradecer as palavras e vamos tentar marcar uma outra oportunidade pra gente se encontrar logo na noite.
Tá bom? Sempre à disposição. Obrigado. Obrigado, Enos Sensei. Um grande abraço. Obrigado. Tchau, tchau.





