Por que o Monge Hondaku é comparado ao Rock n' Roll???

This content was created by HONDAKU SHAKU. This content was uploaded by HONDAKU SHAKU. This is a YouTube video titled "Por que o Monge Hondaku é comparado ao Rock n' Roll???" created on December 26, 2020. It features a conversation in Portuguese between HONDAKU SHAKU and another speaker, discussing topics such as the perception of Buddhist monks, the challenges of sustaining a sanga in Brazil, and personal practices in Buddhism. HONDAKU SHAKU shares insights on his lifestyle, which includes interests in rock music and martial arts, and reflects on the cultural differences in the practice of Dana (donation) between the East and Brazil.
Chapters
Por que você é chamado de monge rock'n'roll? Ou pelo menos foi assim que foi descrito no seu Instagram?
Bom, eu sou antítese do monge, né? Porque o monge você tem, não sei porquê, se criou uma personagem do monge budista, como eu brinco. Monge budista que aparece em televisão parece um bicho preguiça em coma, né? Porque tá sempre tranquilo, sempre, ó, tranquilo, bonitinho, tal, não sei o quê, calmo. Pô, e não é nada disso. Eu conheço todos os monges possíveis e imaginários aqui no Brasil. Eu fui membro do comitê que trouxe o Dalai Lama aqui pro Brasil. Dalai Lama tem tudo, cara. Menos fofura. Entendeu? Ele é fofinho lá na frente, no palco. Todo mundo acha que vai conversar com ele lá nas quadras. Lá na última vez que ele veio aqui, ele reuniu todo mundo lá no hotel. Deu um esporro em todo mundo.
Todo mundo se espantou.
Mega esporro. Aí deu um esporro memorável em todo mundo, assim, que saiu todo mundo de cabecinha baixa lá, todo mundo que tava lá, assim, ó, e o Dalai Lama, e tal, saiu lá, me empurrou, me brigou comigo, né, que foi uma porradaria ali, ele catou, mas falou duas horas na orelha lá de todo mundo, de poeira e assuntos, deu uma chamada geral, né, e eu costumo me expor do jeito que eu sou, eu não crio um personagem, né, eu costumo estar aqui falando com você, como eu falo com um amigo, eu falo com o pessoal pratica comigo, com aluno, tudo isso, como eu sou. Eu não escondo, eu não tenho uma imagem do cara calminho, tranquilo, não sei o que. Então eu vou aparecer na televisão, vou aqui fazer uma live. Então vamos lá gente, estamos aqui, vamos todos meditar. Não, eu sou o que eu sou. E eu gosto pra caramba de rock and roll, gosto de tatuagem, tenho um monte de tatuagem. Gosto de rock, ando de bicicleta, sou lutador de jiu-jitsu, treino iaido com espada japonesa. Eu sou uma pessoa normal, entendeu? E eu gosto de expor isso como sendo uma pessoa normal. E gosto pra caramba de rock. E rock pesado. Essa coisa do rock'n'roll foi um aluno meu que falou que eu era rock'n'roll no sentido radicalismo, não só pela música, mas o radicalismo também de me mostrar como eu sou e não ter uma máscara na frente.
Hoje você já consegue viver através da sanga ou ainda tem que buscar uma fonte de renda na vida leiga?
Não, eu não tenho pretensão disso, muito pelo contrário, eu tenho o meu trabalho, eu trabalho em empresa de tecnologia há muito tempo, não pretendo abandonar, porque eu acredito que esse é o modelo futuro para os sangas poderem sobreviver. Eu acho que o modelo atual que nós temos não se perpetua, não se perpetua. Isso pode se perpetuar para alguns sangas, mas não para todos os sangas. Então eu acho que eu nunca vou deixar isso acontecer, até por uma questão de respeito aos meus alunos também, que também passam por dificuldades, mas ainda você precisa ter um ajuste cultural aqui no Brasil. Os membros do Sanga ainda não estão preparados para isso. O Dana, o paramita do Dana, da doação ainda é mal visto, ele é muito pouco compreendido aqui. Enquanto que no Oriente é uma coisa natural, aqui ainda é visto como esmola ou como exploração. Então, haja visto quantas críticas o pessoal tibetano recebe, por exemplo, quando vai trazer alguém de fora. Ah, mas que absurdo, você vai cobrar R$ 200 por um retiro? Bom, sim, eu tenho que pagar passagem para o lama que está vindo, eu tenho que pagar estadia para o lama que está vindo, eu tenho que pagar comida para o lama que está vindo, eu tenho que alugar o espaço. Então, existe uma ideia errônea e talvez muito influenciado pela igreja católica, de que nós somos detentores da riqueza e a gente deve prover isso. Mas não é, não é verdade. Hoje você vê, eu costumo brincar com as pessoas, você quer saber se um santo budista é sério? Olha as contas dele, se estiver no vermelho ele é sério. Essa é a primeira coisa, a primeira análise que você faz, deixa eu ver aí o livro Caixa, puta, está no vermelho, estamos devendo, então fica aí que deve ser coisa boa. Então, não existe isso, quer dizer, hoje você tem um sistema que é focado em doações num país que não está acostumado a doar, que doar é esmola, que doar é doar o que sobra, não é um compromisso. E, na verdade, onde você vê o Dana, na época de Shakyamuni, as pessoas faziam uma comida especial para os monges. E não era o que sobrava, eles não davam para os monges o que sobrava, davam para os monges o melhor. Tanto que daí que vem, não sei se todo mundo sabe dessa história, mas toda vez que alguém vê num altar japonês, e isso tem no tibetano também, com os potinhos lá, os 5, 6, 7 potinhos, que é sempre para aquele que vem, são oferendas para aquele que chega, no altar japonês a gente tem lá um polinho de arroz. Nós não estamos oferecendo aquilo lá para o Buda. Como no tibetano, você não está oferecendo água de beber, perfume, água de banho, música. Você não está oferecendo isso para o Buda. Você está guardando aquilo para aquele que chega. Para aquele visitante que chega até você, que pode ser um Bodhisattva ou um Buda pedindo ajuda, pedindo água, pedindo comida e você tem aquilo separado. Então, no budismo tibetano, no budismo japonês, que a gente põe lá o arrozinho. Esse arrozinho não é o que sobrou do jantar. Você faz um arroz para colocar no altar. É o melhor arroz que você tem. É a primeira colherada, a mais quentinha, a mais gostosa. Você deixa lá no altar. Não é para o Buda comer. O Buda não vai comer. Você guarda. Se alguém chega, você tem pelo menos um bolinho pronto, que você tira de lá e dá para aquela pessoa que chegou. Então, esse é o conceito do Dhan, e ele está representado todos os dias no budismo, mas pouca gente entende isso. Então, é muito difícil para um monge no Brasil se sustentar. Eu acho que é um modelo que não perpetua.
Alguém que queira seguir a Escola Terra.
Pura.
Vai se deparar com as práticas. Existe uma quantidade diária de prática recomendada para quem está começando? Quais práticas? Geralmente é pessoal, por onde que ela começa?
Não, na verdade, as práticas caseiras, elas terminam sendo adaptadas de pessoa a pessoa. cada um termina escolhendo um pouco das práticas que faz. Não tem uma prática cumulativa, não tem uma quantidade. Como eu disse, o que vale é a intenção. Se você consegue fazer uma prática, essa prática é para quando você recita, faz as recitações, é para você ouvir o Dharma. Então é o seu momento de meditação, de audição do Dharma. Então, a gente recomenda que seja feito uma vez por dia. Uma vez por dia. Tem gente que faz práticas mais longas, gente que faz práticas mais curtas, mas só o fato de você, pelo menos, parar na frente do altar, acender um incenso, já mostra que você está com aquela visão de prestar atenção. Entendi.
E essa prática é a recitação do mantra.
Não é um mantra, porque o mantra é acumulativo. A prática do Nembutsu não é acumulativa. Então a gente não classifica isso como um mantra, mas apenas como um foco, uma receita, uma frase que te ajuda a recordar o Buda.
E ela é feita em japonês?
Na verdade é uma mistura, porque Namu é sânscrito. Butsu é japonês, Amida é de chinês, então ali é um riscado, então é Namu Amida Butsu.
Entendi. Querido Monge, nossa, o senhor tem muito conteúdo pra passar, eu queria te convidar outras vezes pra participar aqui, porque é muita coisa pra ser dita, mas a gente tá chegando próximo de uma hora e o Instagram nos corta. Então eu queria que o senhor deixasse suas considerações finais aí.
Bom, pessoal, obrigado por aqueles que nos seguiram aqui hoje. Sei que são tempos difíceis. Nós estamos finalizando um ano que não começou. O sofrimento invadiu a casa de todos. Todos, pelo menos, perderam pessoas próximas ou não tão próximas, que de alguma maneira conheciam, estavam conectadas. E foi um ano duro. Um ano triste. Mas também foi um ano que nós pudemos olhar para nossas práticas, olhar para os ensinamentos e realmente olhar para eles e falar assim, é isso aí, Buda estava certo, Buda estava correto. Nada melhor que uma crise dessa para a gente realmente colocar a nossa fé em jogo, né? Colocar a nossa crença em jogo, a nossa fé em jogo. E eu acho que nós tivemos essa grande oportunidade esse ano. Se nós sairmos pelo menos com a convicção de que o que Buda Shakyamuni nos ensinou estava correto, esse ano teve algum ganho na vida de nós, na nossa vida. Então essa é a minha mensagem pra vocês. Revisem os seus pensamentos. Revisem os seus ensinamentos e comparem com o que ocorreu esse ano pra termos certeza de que estamos no caminho, pelo menos espiritualmente, no caminho correto. É isso aí.
Nossa, muito obrigado, Monge. E eu espero o senhor novamente participando aqui outras vezes, tá bem?
Quando quiser, tô à disposição.
Muito obrigado, grande abraço.





