Entrevista com Tiago Mattos | The Noite (10/07/18)

Transcript of a Portuguese-language TV interview (The Noite, 10/07/2018) in which host Danilo Gentili interviews Tiago Mattos — a Brazilian futurist, founder of the Aerolito laboratory — about what futurism is, methods for creating scenarios, and specific technology predictions. Topics covered include AI and robotics (narrow vs general AI), nanorobots and medical nanotech, autonomous vehicles, AR/VR and real-time avatar capture, brain–computer communication experiments, changes to work (gig/autonomous professionals), longevity, DNA testing for personalized medicine, and contact details for Aerolito.
Questions this video answers
aeroli.to
tiago100h.aeroli.to (as stated in the transcript)
2012
38
2026
Chapters
Vamos começar logo aí, ó. Nosso convidado é publicitário, palestrante, escritor, um dos primeiros brasileiros formados pela Singularity University. Falei certo, Diguinho? Falou, claro. Nosso convidado é um especialista no futuro.
Tiago Mato!
Ultragem a rigor tocou a música do nosso plantão do futuro aqui, do nosso quadro, da composição, aliás, do Ultragem, porque o Thiago Matos é um futurista. O que isso quer dizer? Você é um adivinho igual a mãe de Iná? O que quer dizer?
Tem muito essa confusão, Danilo, de pessoas que fazem previsões esotéricas, tipo a mãe de Iná.
Não é isso?
Não é por aí. A gente tem uma outra abordagem, respeito todas as abordagens, se elas estão aí é porque algum sentido tem, mas a gente tenta usar mais outro tipo de evidência, mais da ciência, da tecnologia.
Então as previsões não são sobrenaturais?
É, eu acho que a nossa tentativa é criar cenários, entender o que vai ser o futuro a partir do que está rolando agora em ciência, tecnologia, mundo dos negócios, economia.
É tentar prever de acordo com como a tecnologia e a sociedade evoluem. É tentar prever onde vai parar.
É por aí. Mas a gente usa muito esse pensamento de como as tecnologias hoje podem nos dar pistas do amanhã.
Você sabe quem preveu muita coisa? Foi o Júlio Verne.
Muito?
O Júlio Verne nas suas obras... Não existia submarino na época que ele escreveu 20 mil léguas submarino. O Júlio Verne previu o computador, né? Previu o submarino, o foguete...
A ficção científica, né? As obras de cinema, de literatura, quando são pensadores muito à frente do seu tempo, acabam sendo futuristas, né? Porque eles acabam ilustrando como pode ser o mundo ali na frente.
Você tem um laboratório de futurismo. O que se faz exatamente num laboratório de futurismo?
Legal. O nosso laboratório, ele explora possibilidades do futuro, né? A gente cria cenários, faz pesquisas das tecnologias que a maioria das pessoas não conhece. A gente, por estar investigando, já tem acesso. A gente faz experimentos em inteligência artificial, robótica, realidade virtual, criptomoedas, essas paradas que pra maioria das pessoas vai acontecer daqui a 5, 10, 15 anos, pra nós é o dia-a-dia.
Às vezes você assiste um filme e fala, isso aí não existe, mas vai existir.
Sim, sim.
Você lembra de algum que você viu recentemente?
É, eu acho que tem vários... O filme Her, que é ela, né? É um filme que é muito... Ele tem uma sutileza muito grande, é uma inteligência, é um sistema operacional que conversa com os indivíduos. Então, eu posso contratar o sistema operacional e fica ali como uma companhia. Isso parece muito com coisas que já estão rolando agora, mas que vão acontecendo na noite.
Uma ferida da vida.
Por aí.
Uma super Siri.
É, a Siri ainda dá umas derrapadinhas, mas amanhã ela vai bem. Eu acho que sim.
Como chama o seu laboratório?
A Aerolito. Por causa do Chapolin? Por causa do Chapolin. E eu sei que você é fã de Chaves e Chapolin. E toda vez que eu falo o nome da nossa empresa, inclusive aqui estão dois dos meus sócios, e a pessoa sorrir, eu digo, viu o mesmo episódio que eu. Não são pedras, são Aerolitos.
Não são pedras. Cadê seus sócios? Estão aí?
Estão aqui. Onde é que eles estão? Estão lá. Santiago e a Mari.
Tudo bem Mari? Tudo bem Santiago?
Como vão?
Por que que você acha que o futurismo é tão pouco conhecido no Brasil? Nos Estados Unidos e na Europa, fala em futurismo, o pessoal já sabe o que é. No Brasil não, né?
O Brasil é um país novo, né? A gente é um país que foi... A gente chama a Europa de velho mundo e aqui do novo mundo. Então, é um país novo, uma democracia muito nova. A gente virou democracia em 89. Eu costumo dizer que o Brasil é um adolescente. Adolescente é aquela coisa com os braços grandes, perna grande e vai batendo em tudo que vê pela frente.
O Brasil é um boneco de Olimpo.
E por causa disso que a gente ainda tá aprendendo a construir algumas coisas, como a reconstrução política que a gente tá vivendo, a reconstrução econômica. Então a gente vive ainda muito o presente, muito o passado e por isso tem dificuldade de viver o futuro.
Como futurista, imagino que você precisa conhecer bastante o passado.
Claro.
Você consegue prever algum cenário para o Brasil? Ou melhor, vou reformular a pergunta. Você tem conhecimento dos problemas que hoje o Brasil passa? Londres já passou? A Inglaterra já teve?
Claro. Vários países já viveram os desafios que a gente passa. Por exemplo, é sabido que a Coreia do Sul foi um país que investiu muito em educação. A gente fala muito que a educação tem que transformar o Brasil. Que investiu muita educação. A Indonésia investiu muita educação. E o Brasil ainda não tem o mesmo cuidado que esses países tiveram. Então dá pra perceber alguns primos, países com características semelhantes às nossas, culturas semelhantes às nossas, que fizeram decisões que daqui a pouco a gente não tomou e por isso estão tendo resultados diferentes.
Você imagina cenários do mundo dos negócios? Você já conseguiu projetar alguma coisa? Como que vai ser no futuro?
Pois é, Danilo. Quando a gente fala disso, eu sempre tomo cuidado quando a gente tá num veículo com bastante audiência, que muita gente vai ver, porque a gente tem que usar as palavras certas, senão gera um certo pânico. Mas uma das previsões que a gente fez lá e que eu, particularmente, endosso bastante, é que no futuro a gente não vai ter empresas como a gente conhece hoje. Talvez a gente não tenha nenhuma empresa.
As megacorporações?
Eu acho que talvez nenhuma.
A OCP do Robocop não vai existir.
Eu acho que nenhuma. E isso vai fazer com que todos nós sejamos profissionais liberais, profissionais autônomos. A gente vire como se fosse plugues que se plugam a iniciativas e que vão formando novos grupos. Então a ideia do plano de carreira tradicional, ele provavelmente daqui a alguns muitos anos vai ser diferente.
Você estudou na NASA, não é?
Estudei numa escola cuja sede fica na NASA.
Foi lá que você adquiriu o estofo pra ser um... eu te chamo de futuro...
Futurista. Futurista. Eu acho futurologo meio mais pro esotérico.
Futurologista também. Um futurista.
Até porque o sufixo logia tem mais a ver com estudo, então como é que eu vou estudar o futuro se o futuro não chegou? Parece meio incoerente até. Lá eu comecei meus estudos, eu era um completo ignorante, acho que ainda tenho muito, muito a aprender e a gente acaba tendo contato com um monte de coisa que para as pessoas de 2018 ainda são ficção científica.
Do tipo, uma coisa que você viu, você viu de perto, pegou e se você me falar eu não acredito.
É, assim, eu fiz em 2012 esse projeto e acabei me tornando professor, mas naquela época, por exemplo, eu entrei no carro autônomo, esse carro que dirige sozinho, que tem um monte de gente que diz que nunca entraria num carro que dirige sozinho.
Eu conheço gente que fala que nunca entraria num carro que eu dirijo.
Pode ser também, pode ser. A gente viu todos esses robôs que são muito famosos na internet, esses da Boston Dynamics.
Você já viu uns robôs que você fala, caramba, se você decidir se revoltar, eu tô ferrado.
É, né? Uns que dão medo, assim. A gente viu muita coisa de inteligência artificial, mas a coisa que mais me chamou atenção são nanorobôs. nanorobôs que podem estar dentro do corpo humano.
Existe isso mesmo?
Existe, cara. Existe. Eles são feitos, por exemplo, de filamentos de DNA, né? O DNA, são dois filamentos, assim, que se entrelaçam. Eles pegam um dos filamentos e desmontam e... Agora a gente vai ter que voltar pro colégio, tá? Lembra que tinha A, T, C, G?
Cara, eu não lembro porque eu odeio química.
Mas eles são sempre os parzinhos, adenina com timina, guanina com citosina. E aí eles programam o DNA de maneira que ele vá tendo uma atração. Esse A se atrai com o T, o C se atrai com o G e ele vira uma máquina. Então, por exemplo, em 2010, os cientistas dinamarqueses fizeram uma caixinha que tinha um remédio dentro e dependendo da molécula que era usada como chave, ela abria e liberava o remédio. Dá pra fazer nanorobôs que entram na corrente sanguínea e deixam de passar a corrente sanguínea pra um câncer e matam o câncer. Isso é uma coisa... Já tem isso? Tem um monte de coisa. Tem nanossubmarino, nanocarro, nano... Tem um monte de coisa que já tá rolando.
O Homem de Ferro 3. Que tem os nanorobôs.
Ainda não.
Mas é nanorobô. O Homem de Ferro agora nos Vingadores já é nanorobô, né? Que sai dele e dá armadura.
Já tem um monte. Mas, cara, o que a gente vai ver é uma mudança na medicina muito grande. Provavelmente a nossa expectativa de vida. Eu acho que você tem a mesma idade que eu. Você tem... Eu tenho 38.
É, 38.
Mas tamo bem, hein? É, a gente não tá mal, né? Esse mullet muda muito também.
Obrigado, cara. Isso aqui é nano robô.
Você sabe que eu pensei em deixar o mullet pra combinar, mas não consegui.
Não, mas isso aqui é porque eu tô gravando um filme. Acabando o filme, eu corto.
Mas o que eu quero dizer é o seguinte, a gente que tem 38 anos, provavelmente a gente foi educado pra ter uma expectativa de vida de 80, 90, com sorte, 100 anos. E eu acredito que a gente vai ter muito mais, 120, 130, por causa dessas coisas.
Ah não, eu não aguento mais essa merda, cara. Eu já quero... Mas a gente vai viver bem, vai viver bem. Não, a gente tá bem. Eu me lembro do meu pai com a minha idade, e eu já falava, é um véio.
É, cada geração vai tendo os seus benesses, né, cara? A gente, eu acho que a gente não tá mal.
Tamo bem, tamo bem. Olha o Roger como tá acabado. Vem cá, vamos ver o...
Mas sempre tivemos cientistas, pesquisadores, estudiosos que tentaram prever como seria o futuro. Tem coisas interessantes aqui. Vamos ver aqui, tem essa imagem como eles pensavam que seria o carro no futuro, acho que nos anos 20, mais ou menos.
É, isso aí eu acho que são trabalhos de artistas do início do século XX. Eles fizeram uma série de ilustrações tentando nos mostrar como poderia ser a vida no ano 2000.
Eles imaginavam que o carro seria voador, né?
Poderia ser assim. Claro que tem, né? Sendo arte, eles têm as licenças poéticas deles, mas tem várias ilustrações aí que são boas previsões do que tá acontecendo hoje.
Tem aqui nos anos 50, fizeram a previsão de que a gente poderia morar na Lua, tem uma ilustração aqui, cadê?
Mas sempre houve muita expectativa de que a gente não só chegasse na Lua, mas colonizasse a Lua. A Aerolito, ali, a gente é muito próximo de um astronauta que vai estar na primeira missão tripulada à Marte.
Você acha que a gente vai chegar a colonizar a Lua ou Marte?
Eu tenho bastante convicção. Certeza, eu não tenho de nada.
Mas a gente não vai ver.
Eu acho que vamos ver, sim. Vai ser em 2026. Orra!
Orra, o cara é futurista, eu não vou duvidar. Aqui fizeram previsões sobre como seria a agricultura também.
Essa, por exemplo, é uma imagem que, hoje em dia, a gente tem um monte de tecnologias que são exatamente isso.
Então, mas de quanto é essa imagem? Coloca de novo.
Essa imagem é entre 1890 e 1910.
E acertaram em cheio, porque é assim, cara. Hoje você tem máquinas muito semelhantes a essas daí, que... Dá uma olhada como é a agricultura hoje. Olhem!
Foi além da imagem, inclusive.
Esse vídeo, Danilo, é uma tecnologia japonesa de 2010. Então, de lá pra cá, por exemplo, a Universidade de Sydney, eles evoluíram muito com relação a isso. Tem vários processos de automação em agricultura que são até mais avançados.
Tem aqui, agora fizeram previsão até pra cabeleireiro, dá uma olhada. Isso é de quando?
Isso também é da mesma leva de cenário, né?
Do início do século passado.
Isso.
Do início do século passado.
Então seria o cabeleireiro autônomo, né?
Dá uma olhada como é que tá os cabeleireiros hoje aí.
Ficou bom, hein?
Naquele caso ele não deu tão certo, né cara?
Eu previ no fim do século passado que nós seríamos inúteis hoje.
Olha aí.
No fim do século passado, o Roger previu uma coisa que nós não sabemos escolher presidente. Tá aí, ó, acertou em cheio.
Mas aquela tecnologia ali da Intelligent Automation, eles fizeram um experimento, né? Por isso que ele não tá muito bom, mas é muito possível que no futuro a gente tenha esse tipo de coisa.
Roger, quando você estava lá e viu que o homem começou a caminhar com duas pernas, alguém previu que um dia você poderia não usar mais as pernas, só esse carrinho aí?
Pois é, eu já estava à frente do pessoal.
Olha, fizeram a previsão sobre orquestra mecânica. Olha a imagem da previsão. Isso aí também é começo do século passado.
Mesma coisa, né? Ali dá pra ver que tem os músicos ali na parte inferior da imagem.
E agora vamos ver hoje.
Vou falar uma coisa, eu não diria bateria, mas se tiver um Naguitarra eu mando o Klan ir embora agora. Aqui também fizeram previsão sobre a limpeza doméstica do futuro, isso em 1900. Vamos ver como que tá hoje?
Essa é uma empresa chamada iRobot, que ele tem vários equipamentos, tem o que limpa a piscina, tem o que passa o pano no chão e tem o que aspira.
Pô, que limpa a piscina é sacanagem com o mexicano. Eu vou perguntar algumas coisas pra você e você me diz como é que tá isso hoje ou como que vai ser no futuro. Tem previsão que diz que futuramente as pessoas vão conseguir sentir cheiro de programa de TV. Você acha que um dia as pessoas vão assistir TV e vão sentir o cheiro?
Acho muito possível, já tem vários experimentos que tinha anúncios de revistas, a gente mesmo fez um experimento que eu não sei como vai ser interpretado aqui, tem que ter sempre muito cuidado, que era uma realidade virtual, era uma droga virtual. Então a pessoa ao invés de tomar uma... Ao invés de fumar crack? Ao invés de tomar uma... fazer uma experiência alicergica química, ela entrava numa realidade virtual e sentia odores do que estava acontecendo ali. Então se aquilo... se a gente num laboratório de futurismo consegue fazer, provavelmente no futuro a gente vai conseguir.
Era semelhante?
A droga virtual. É, era uma experiência lissérgica, uma pessoa.
Fica vendo cores... Um LSD virtual.
É, um LSD virtual. E a gente fez isso com intenção de, primeiro, quem tem curiosidade, não precisar experimentar e correr determinados riscos, mas também pra combater quem tá, por acaso, dependente.
Amanhã um dependente químico, um cheirador, um craqueiro, pode se tratar usando tecnologia?
Exatamente. Nosso laboratório se propõe a usar tecnologia para gerar impacto positivo. A tecnologia pela tecnologia parece que não vale a pena pra gente.
Eu vi que durante, enquanto eu falava sobre cheirador e craqueiro, o Mingau ficou um pouco tenso. Quero dizer, pra relaxar, nós não vamos associar isso a você, tá, Mingau? É uma conversa de tecnologia aqui, tá? Não de selvageria. Você acha que no futuro a gente vai conseguir consultar e-mail através de lente de contato? Não vai mais precisar de celular?
Muito provavelmente, na verdade já existe, existem vários equipamentos de realidade aumentada, realidade mista, que a gente consegue, lá no nosso laboratório também, a gente comprou vários, o finado Google Glass era um, né, que a gente conseguia ver e-mail com uma lente que ficava próxima ao olho, e o Google tem vários experimentos de lente biônica, né, que a gente vai conseguir acessar as informações, que nem o Homem de Ferro, e-mail, redes sociais, temperatura, tudo mais.
O Google Glass não pegou, mas eu lembro que assim que saiu, eu fui um dos primeiros que experimentou lá na Band ainda, e a Eliana na ocasião, a Eliana tinha cortado o meu cabelo com maquininha, e eu assustei o cara, dá uma olhada. Adorei! Isso já foi testado, já passou por todos os testes de qualidade e o produto tá quase pronto pra ser vendido, não é isso? É isso, a gente tá trabalhando muito no que tá... Oh meu Deus!
Olha o que aconteceu! Meu Deus do céu!
Olha o que aconteceu comigo! Oh meu Deus!
Meu Deus, que coisa é isso? Meu Deus! Meu Deus do céu!
Você acha que futuramente, no futuro, a gente vai conseguir se comunicar por pensamento?
Ah, isso eu tenho bastante convicção. Tem, por exemplo, um estudo brasileiro, brasileiro, cientistas brasileiros, que eles colocam chips no cérebro de ratos, e aí essa informação, os impulsos elétricos do cérebro, vão pra nuvem, vão pra internet. Então eles botaram um ratinho num determinado labirinto, então pro ratinho conseguir comida, ele tinha que fazer uma sequência de movimentos. E o ratinho demorou bastante tempo para descobrir quais eram os movimentos. Depois eles pegaram esse chip que estava no cérebro do ratinho, mandaram essa informação para a internet e colocaram o chip no cérebro de outro ratinho que pegou da nuvem e fez o movimento imediatamente. Então, teoricamente, neste estudo, que é um estudo preliminar, a gente viu transmissão de pensamento pela internet. Claro, a gente tem que falar com muito cuidado que isso é o início, que isso pode ter sido um desvio, mas as pessoas que fazem são muito sérias e nos levam a crer que no futuro a gente vai conseguir fazer isso.
Você acha que no futuro a computação gráfica vai conseguir substituir ator? Ou, por exemplo, eu vou conseguir assistir um filme inédito do Bruce Lee?
Muito provavelmente. Tem uma tecnologia chamada Siren, que ela vai mudar muito a sua vida e a minha vida. Eu sou professor, né? Naqueles filmes como O Senhor dos Anéis, eles usam aqueles equipamentos, né, que são... que mapeiam as feições.
Eu recebi aqui o Andy Serkis.
Isso.
Eu recebi ele aqui no programa já.
Exatamente. Só que aquilo demora muito tempo, né? Ele faz toda a movimentação e vai virar um personagem, o Gollum, lá, depois de semanas, meses. Já existe essa Siren, essa tecnologia, que você tá captando, você usa esse capacete, tá captando as suas feições e vira um avatar em tempo real. Então você poderia estar agora em casa, de pijama, transmitindo Fazendo a entrevista, eu poderia estar na minha casa, de pijama, respondendo. O auditório poderia estar em casa, de pijama, vendo. Todo mundo em realidade virtual e os avatares estariam funcionando. E você poderia até deixar o seu mullet mais comprido, se quiser.
Orra!
Orra! Bom, com essa tecnologia, eu usaria ela pra deixar outras coisas mais cumpridas. Eu tenho minhas prioridades. Eu tenho minhas prioridades.
E robô, você acha que vai ser igual os Jetsons? Todo mundo vai ter uma empregada robô em casa?
Eu acho que a gente vai ter robôs pra... A gente chama de Companion Robots, robôs de companhia. É como você falou antes da Siri, né? Eles vão nos assistir pra dúvidas, pra fazer contas, pra pedir comida, pra pedir um carro de aplicativo. Eles vão estar próximos da gente, seja no formato do celular. Mas tem um robô que a gente usa muito lá na empresa, que é o Dibble. Porque ele é todo bonitinho, ele é todo queridinho, ele parece um pet. E a interação com... com o celular, que é um aparelho mais frio, digamos assim, é diferente do bichinho. Então a gente acredita que vão ter vários robozinhos que vão estar aqui no dia a dia. Você, por exemplo, vai ter um robô e ele vai ajudar você em várias questões que hoje em dia outras pessoas ajudam.
Nossa, pra mim isso é ótimo. A Juliana tá com os dias contados aqui já. E falando em robô, você acha que um dia pode acontecer dos robôs começarem a se revoltar?
Essa é uma das maiores polêmicas que existem para quem tenta estudar o futuro. Existe uma corrente que tem muito medo da inteligência artificial, existe uma corrente que está muito tranquila com a inteligência artificial. Eu sou da corrente que está mais tranquilo. Por quê? Eu acho que, na história da humanidade, a evolução foi uma força dominante. Então tinha lá, em algum momento, o ser unicelular, depois o ser pluricelular, depois tinha o peixe, depois o réptil, depois o mamífero, depois o hamapitecus, o nandertal, o homo sapiens, o homo sapiens sapiens, e aí acabou. E pra mim isso não faz sentido, não faz sentido que a gente seja a espécie que deu muita sorte em toda a história da humanidade, em toda a história do universo e que encerra na gente. Eu acho que a evolução vai fazer com que a gente se transforme, provavelmente não vai ser a gente contra os robôs, vai ser a gente mais robôs, mais inteligência artificial. A gente vai ter talvez um quarto cérebro, o nosso cérebro hoje ele tem três camadas, o protorreptiliano, que é o mais antigo, mais animal, depois vem o límbico, que são os sentimentos, e o neocórtex, que supostamente são as atividades mais elaboradas, como cálculo e linguagem. Por que não ter um não-neocórtex, que faça a gente conversar por telepatia, ou eu ter empatia por alguém, ou eu, enfim, entender coisas. Sabe quando você pensa numa pessoa e a pessoa liga. Essas coisas que a gente não entende hoje talvez a gente tenha através daí. Então eu acho que vai ser muito menos a gente versus eles e muito mais a gente com eles. E essa nova etapa da evolução acho que vai nos deixar muito mais humanos do que a gente é hoje. Porque quando eu entender o que uma pessoa com dor, uma pessoa com fome, uma pessoa na guerra sente, eu acho que vou ser mais humano do que não humano.
Se a gente um dia chegar no no patamar tecnológico, onde a gente pode habitar numa realidade virtual. Por exemplo, a gente tem a nossa vida lá, mas a vida mesmo real, onde as coisas acontecem, o mundo real passa a ser o virtual, uma nova realidade. Você acha possível que nessa nova realidade virtual o Palmeiras possa ter o Mundial?
Você acha que vai ser possível?
Sabe que vários cientistas fizeram milhões de hipóteses e nenhuma palmeiras tem um diabo.
Como o Klein é um fracassado, né?
Eu gosto desse assunto que mostra como o Klein é um fracassado. Vamos ver aqui, ó, aquele famoso robô da Boston Dynamics. Cadê?
Alguns deles.
Aí é um super cachorro, né, cara?
Ele parece meio um dinossauro, né? Com esse pescoço. Ele é meio assustador, né? Porque aparece ele.
Eu ia dizer, ele é muito assustador. Tem até um episódio que você deve ter visto do... Tem um episódio do Black Mirror que tem um super robô desse.
Exatamente isso.
O que você fala isso aí? É invencível, mano.
E quando a gente vê esse tipo de coisa, a nossa primeira reação é ficar com frio na barriga, né? Ficar com medo. Nossa, um vai abrir a porta e vai vir a manada tomar conta.
É um escorpião, bicho. Quem que aguenta isso aí?
Mas, assim, hoje em dia, esses robôs, eles têm inteligências artificiais ainda muito rudimentares. Eles não têm... A capacidade humana, né? Se chama A.I. que é a capacidade de pensar como o ser humano pensa, a gente tá muito distante ainda. Muito, muito, muito mesmo. A gente consegue fazer o que se chama Narrow, que é um robô que só joga xadrez, um robô que só faz perguntas no telefone, um robô que só interpreta determinada coisa. Mas a inteligência humana em todas as suas qualidades ainda está muito longe.
Boa, ainda bem que eles não entendem direito, porque é o que os caras ficam fazendo com ele.
Olha aí, bicho. Pô, dá dó. Cara, o dia que esses robôs evoluírem e veem um vídeo desse, pô, vai ser uma revolta, cara.
A gente, quando mostra em aula... Ô.
Rodan, olha isso aí, velho. Pô, que dó do robô, bicho.
A gente, quando mostra isso em aula, eu sempre digo assim, se um dia eles acordarem, o primeiro a ser buscado vai ser aquele cara ali, né?
Vai ser aquele ali, velho.
Aquele ali tá ferrado.
Que loucura, cara.
E tem uma coisa engraçada, porque aquele robô cai de cara no chão e a gente sente dor. Mas é um robô. A gente tem uma empatia por causa da fisionomia antropomórfica.
Pra mim isso você só pode fazer se for outro ser humano e torcer por um time diferente do seu. Um robô nunca, jamais, imagina. Você tem um chip na mão?
Tem um chip na mão. Tem um chip aqui, cara. Cadê? É aqui, ó. Dá pra ver. É tipo um grão de arroz, assim.
Tá aqui?
Tá aqui.
Esse chip é um... Peraí, vira aqui. Deixa eu ver aqui.
Aqui, dá pra ver direitinho. Ali, ó.
O Diguinho também tava com os chips lá no camarim.
Não, mas aquele era batata chips. Deixa eu mostrar aqui ó. Abre um pouco a câmera. Abre um pouco. Não, mais. Abre mais. Abre mais.
Cês vão se fuder.
Só queria fazer isso. Gente, que brincadeira maravilhosa.
É um chip de RFD, é um chip que bastante gente tem que trabalha com tecnologia ali, tá vendo?
Como é que serve?
Ele guarda informações, ele guarda uma quantidade pequena de informações. No meu caso, eu fiz um experimento. Por quê?
Tem um pequeno relevo aqui, ó, só pra gente ver. Aqui dá pra ver o relevo, ó, ó lá.
Tá vendo?
Não, tem um relevinho aqui. Exatamente, aqui ó.
Viram? E no meu caso eu fiz um experimento, e o experimento foi bem legal, porque em 2012 eu escaneei o meu DNA. E aí, naquela época, a empresa que escaneava o DNA, ela dizia quais eram as doenças que você tinha mais chance de desenvolver ao longo da vida. Então dizia lá, Alzheimer, eu tenho uma chance baixa. Ataque do coração, baixa. Mas, por exemplo, diabetes 2, eu tenho uma chance alta. Então, eu mudei a minha alimentação por causa disso. Não, isso existe. É um teste até barato, custa barato dentro.
Mas não é ruim.
Se for Alzheimer, você vai fazer o quê?
Eu prefiro saber antes e lidar com isso do que saber depois. Cada pessoa tem o seu perspectivo.
Até porque quando Alzheimer chegar, você não vai lembrar.
Você não vai lembrar. E aí eu joguei parte dessa informação aqui, porque nesse exame também diz quais os medicamentos que melhor reagem. Então vamos supor que eu sofra um acidente, hipotético. Chego numa emergência. Com um equipamento muito simples, eles podem ler, descobrir qual medicamento funcionaria melhor. Nesse caso, e por causa disso um hospital da nossa cidade, eu sou lá de Porto Alegre, ficou sabendo desse experimento, nos convidou pra conversar, pra mudar o protocolo de atendimento. Então, eu me lembro que quando eu postei sobre isso, eu disse, olha, eu acho que os hospitais O hospital não está pronto ainda para o paciente do futuro. E eles disseram, não, a gente quer ser o hospital do futuro, a gente quer estar pronto para pessoas como você. Dessa forma é que eu acho que os futuristas e as pessoas que trabalham com tecnologia ajudam a sociedade. A gente às vezes faz experimentos que as pessoas nem sabem, mas talvez você ou alguém da sua família vá se tratar lá no futuro com um protocolo de atendimento melhor do que tem hoje por causa de alguma pessoa que estava fazendo um experimento como esse.
Muito bem. Olha, Thiago, como é que o pessoal faz para entrar em contato com você e aprender mais sobre o futurismo?
Legal. A nossa empresa tem um site que é aeroli.to, fica aerolito, então não tem com, não tem br. E o meu e-mail, pra quem quiser entrar em contato, eu tento responder todas as mensagens, a Mariana ali, meu braço direito e esquerdo nas respostas a essas mensagens é tiago100h.aeroli.to. Então eu fico à disposição pra quem quiser conversar mais sobre o futuro, até porque eu não sou profeta, eu não sei qual vai ser o futuro. Eu tento ajudar o diálogo a ficar mais bem fundamentado.
E você pesquisa as tendências e tudo mais, não é? Está aqui, Tiago Matos, vai lá e faz. O livro é sobre o quê?
É sobre futuro do trabalho, empreendedorismo digital, empresas pós-internet. Esse foi um livro que eu fiz junto com a Belas Letras. Agradeço aí todo o projeto lá do Gustavo. E ele conta um pouquinho de futurismo mais no final. É um livro que fala um pouco de futuro do trabalho e futurismo, novas tecnologias, vem mais pro final.
Foi um prazer, muito obrigado.
Valeu.
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