CHARLA #722 - Gui Santos [Jogador do Golden State Warriors]

In this episode of the Charla Podcast, hosts Bruno Cantarelli and Mateus Emanuel interview Brazilian NBA player Gui Santos about his path from Brazil to the NBA, his time in the G‑League and Warriors, and his personal growth. Gui recounts signing a three‑year, low‑pay G‑League contract, gaining weight, and learning to be a "coach’s player" by doing the dirty work. He describes the financial realities of living in San Francisco, his frugal habits, and the emotional impact of social‑media criticism, which led him to ignore haters and focus on his family and Brazilian fans. The conversation shifts to his relationship with head coach Steve Kerr, the Warriors’ locker‑room culture, and the contrasting leadership styles of Stephen Curry and Draymond Green. Gui shares vivid game anecdotes, especially a career‑defining performance in Detroit against the Pistons, his trash‑talk exchanges with opponents, and his signature “sobrepasso” move. He offers opinions on NBA legends (LeBron, Steph, Oscar Schmidt, Luka Dončić, Joel Embiid) and contrasts NBA and FIBA rules. Finally, he discusses the state of Brazilian basketball, his goal of winning an Olympic medal with the national team, and the emergence of a new generation of international NBA stars.
Chapters
Fala, galera! Ó, Charla Podcast NBA no ar, beleza, Matheus? NBA, tamo junto!
É NBA, meu irmão, que loucura essa resenha de hoje!
Sensacional, que esses cara vivem, a gente já tá trocando ideia aqui em off, mano.
Cara, é impressionante, né, a forma como tem um brasileiro em destaque. Isso é muito bom a gente poder falar assim, principalmente trazer do nosso esporte nacional exportar talentos para a principal liga de basquete do mundo em um time que é protagonista e que tá passando agora por uma reformulação. O cara faz parte dessa reformulação, isso é muito maneiro.
Muito maneiro. Ó, voadora no peito do like, beleza? Quanto mais likes a gente tiver, pra mais gente aparece essa resenha. Sempre falo pra galera, primeiro que Charlo do Que é Charluda acompanha o Charlo em todas as plataformas. Um abraço pra galera que tá assistindo a gente agora no Spotify. No Spotify somos o podcast esportivo mais ouvido do país. Então um salve pra galera. E um salve pra galera do YouTube, ó. Quem tá seguindo a gente no Spotify, se inscreva no YouTube. Quem é inscrito no YouTube, siga a gente no Spotify. Não é isso, Matheus?
É claro. Eu tô até dando uma olhada aqui no número de inscritos no YouTube. Tão com 1 milhão e 225 mil.
Boa!
Vamo fazer esses fãs de basquete fazerem a gente chegar a 1 milhão e 230, de repente. Por que não?
É isso aí. Se inscreva agora aí no canal, beleza? Bom falar também pra você acompanhar a gente nas redes sociais, @charlapodcast em todas as plataformas, Instagram, TikTok, Twitter e Kawaii, beleza? Pra galera que tá participando no chat a partir de agora, parada maneira é mandar pergunta, sempre falo isso pra galera que tá no chat, né? Fazer o comentário é legal, mas porra, manda pergunta, tu tem a oportunidade de fazer pergunta pro teu ídolo.
É, antigamente no programa do Jô, por exemplo, você não tinha a oportunidade de mandar pergunta. Era a pergunta sair da cabeça do Jô, aqui você pode mandar pergunta.
Manda uma pergunta, a gente tá lendo aqui no ar, beleza? Superchat é prioridade, tá? Eu sou Bruno Cantarelli, se quiser me segue aí, @cantarellibruno nas redes sociais. Assim como o Mateus Emanuel.
@mateusemaniel nas redes sociais, tem muito conteúdo lá. E já fui a muito jogo no Tijuca, no meu Mengão.
É, torcendo Mengão com o Arnaldo.
Pô, o quê? Atrás da quadra ali? Porra! Leandrinho jogando no Flamengo, já peguei essa época.
É isso. Com a gente, uma estrela da NBA, mano, que bom que é brasileiro, sensacional, atleta do Golden State Warriors, cara. E uma honra pro Charla Podcast receber um atleta desse nível hoje aqui pra gente trocar uma ideia com ele. Palmas pro Gui Santos, que colou no Charla.
Valeu, valeu, valeu, rapaziada. É nóis, é nóis. É uma honra tá aqui conversando com vocês, contar um pouquinho da história, né, como é que é. Bastante coisa, muita altos e baixos assim, né, da minha carreira, tanto para chegar lá antes aqui. Falou que já assistiu o jogo lá no Tijuca e tudo mais. Já passei umas histórias boas lá.
Alô?
Não, né? Nossa Senhora, você é louco! Joga na sauna ali, né?
A galera na orelha ali, pô.
Na orelha, pertinho da quadra falando besteira. Esses dias, rapaz, esses dias eu fui expulso do jogo do meu irmão lá, né? Assistindo. Aí, se fosse na minha época, fosse desse jeito, era tranquilo. Nossa, os cara chegava e xinga a mãe do lado, na orelha do cara, ele tá nem aí. Mas pô, é legal, legal demais. Me deixou preparado para ir para lá. Chegou lá, os cara: "Ah, você é ruim." Você vai lá, meu irmão, sai fora, xinga de verdade, cara.
Vem jogar aqui no Tijuca que eu quero ver.
Pô, é, na sauna sem Felipe.
Ô Guizão, pra gente começar a entender a sua história, mano, como é que tu começa a jogar basquete? De onde tu é?
Fala pra galera aí. Cara, então, eu sou de Brasília, nascido lá. Minha família também é de Brasília, meu pai e minha mãe. Começou, na verdade, minha história toda começou no basquete, né? Meu pai jogou basquete profissionalmente, minha mãe jogou basquete também, não profissionalmente, mas os dois se conheceram jogando em Brasília. Cara, que foda, velho! Então, velho, eu nasci literalmente do basquete, tá ligado? Então é uma Não tinha para onde eu correr, tá ligado? Então meu pai começou a jogar profissionalmente, foi viajando para vários lugares, né? Jogava 8 meses no lugar e pai ficava 2 meses de férias, depois ia 6 meses para outra e depois 6 meses para outra. E nessa vida aí, por ser essa vida, né, de viajante assim o tempo todo, eu não conseguia fazer muitos amigos. Era sempre eu, meu pai, a minha mãe. Aí começava a fazer amizade, pum, tinha que mudar de lugar. Ah, começava a fazer amizade, tinha que mudar de lugar.
Jogou mais no Brasil ou jogou fora?
Ele só jogou no Brasil, não chegou a jogar fora. Jogou no interior de São Paulo, Já jogou no Sul, meu pai já jogou, viajou o Brasil todo jogando. E era sempre eu e minha mãe na mochilinha atrás dele. Depois tive um irmão, né, 7 anos de diferença, o irmão mais novo, e que começou a acompanhar a gente também. Mas foi assim, pô, eu comecei a jogar mais por acompanhar meu pai. Era tipo assim, ah, vamos para o trabalho do meu pai. Aí meu pai ia lá, ficava treinando, e eu ficava embaixo da cesta pegando rebote para ele. Aí a bola ia para um lado, ele vai, Gui, pega rebote. Aí eu saía correndo, voltava lá, passava a bola para ele. Aí se eu passava a bola de uma maneira mais soft, né, mais fraca assim, "Vamos, cara, passa a bola direito, vai, vai." E cara, foi assim que eu tomei gosto pelo basquete, velho. Foi assim que eu comecei a tomar gosto, né, acompanhando meu pai e minha mãe. Meu pai nos jogos, até quando...
Qual o nome do teu pai, cara?
Davidson. Davidson, é. Davidson e Lucineide, minha mãe. Lucineide, boa. Isso, então meu pai... Quando eu vi que eu queria ser jogador, velho, foi uma vez que eu tava em São José dos Campos, meu pai jogava lá. Eu tava jogando no time da base lá, eu tinha uns 10 anos de idade, tava jogando no sub-12. E eu vi a torcida toda gritando o nome do meu pai: "Yeah, Davidson!" Aí eu falei, cara, que da hora, hein, mano! Eu quero fazer isso, eu quero que o pessoal grita no meu nome também. E foi assim que eu comecei, pô. Aí eu comecei a jogar em São José, né, jogar 5 contra 5 mesmo em São José. Depois disso, meu pai teve uma lesão feia no tornozelo, né, uma lesão que ele perdeu toda a cartilagem do tornozelo. Meu pai tem 2,10 de altura, pô. Meu pai é grandão, pivôzão, pesado. Teve essa lesão, não conseguiu mais jogar, parou de jogar quando ele tinha Foi 2013, tinha 33 anos de idade. Novão, cara. E tava começando, tipo assim, tava no auge dele, né, velho. Parou de jogar com dor. Voltamos para Brasília e eu fui jogar num timezinho de Brasília lá.
Brasília tinha tradição boa time de lá, né?
Tinha, tinha, né? Quando eu cheguei lá, isso era Universo, depois virou Ceúbe. Isso é o universo, né? E quando eu fui para lá, eu era muito novo ainda, então não tinha como jogar no profissional. Eu jogava na base do Ceúbe. E aí na época tava o Giovannone, tava o Fúlvio, Lucas Mariano, todos esses caras.
Fúlvio, nossa, chato o Fúlvio, hein?
Hoje ele é diretor lá do Brasília. Mas eles estavam todos lá, pô. E aí eu ficava, chegava mais cedo nos treinos. Só que o negócio era assim, eles treinavam mais à noite. Então eu chegava, a gente, a base treinava mais cedo. Só que como eu queria chegar e arremessar, fazer um treino extra, É, a quadra não tava limpa, pô. Aí em Brasília é tudo empoeirado, velho. É muita poeira pra tudo quanto é canto, então você deixa aberto lá.
É aquele ginásio Nilson Nelson, é isso?
Não, o Nilson Nelson era outro, era a SEB. A SEB era onde a gente jogava. É, eles jogavam, né, na verdade. E aí é, pô.
Nilson Nelson maiorzão da cidade.
Maiorzão, isso. É onde tá tendo jogos agora, que aí tá lutando lá, tá da hora, velho. O esquema lá do Brasília tá voltando assim pra Para o solo forte, tá legal. E aí eu chegava mais cedo, porque eu tinha que limpar. Aí tinha um baldezinho, os panos, as coisas. Eu pegava lá o baldezinho, eu e meu parceiro Giga, que é um parceiro de mil anos meu. A gente ia lá e limpava a quadra todinha, eu e ele, e a gente ficava treinando mais, velho. Chegava lá uma hora e meia, a gente saía da escola. Da escola a gente ia direto para o treino, já passava o pano, ficava lá arremessando até começar o treino. Aí começava o treino, a gente treinava, acabava, e eu ficava ainda para assistir o treino do adulto. Para ver os cara treinando.
Aí fala para mim assim, primeiro um brabo aqui do Brasil que tu já olhava assim, cara, essa época assim, pô, esse maluco foda, e um brabo lá de fora que tu se inspirava?
Cara, do Brasil eu nunca, tipo assim, tinha uns caras que eram muito bons assim, mas tipo assim, pelo fato do meu pai ter sido jogador, eu nunca olhava para ninguém e falava quero ser igual aquele cara.
Ser igual meu pai.
Eu quero ser igual meu pai, era desse jeito. Às vezes o cara podia até ser melhor que meu pai, sei lá, mas eu falava, esse cara é ruim, eu quero ser igual meu pai, não quero ser Ele era desse jeito, sempre foi assim. Outra coisa, outro cara também lá de fora que na época eu comecei a assistir, né, que eu comecei a gostar muito, foi o Stephen Curry.
Então, cara, deve ser muito louco, mano.
Eu lembro 2015, tava assistindo as finais da NBA, que o Leandrinho tava no Warriors. E aí eu vendo, pô, era época do Stephen e o Klay, os Splash Brothers, e os cara tava matando e jogando bem para caramba. Tava no time também, então, mas Eu queria ser igual os dois, né? Eu queria ser igual o Stephen e o Klay, que fazia ponto, matava bola de 3 e não sei o quê. E pô, hoje você chega lá e jogar com o cara, é um absurdo, velho. É um absurdo.
Tipo, na tua cabeça assim, parece que tu entra num filme ou entra num jogo de videogame assim, você tá aqui fora, daqui a pouco tu abre o olho, pum, rapaz, mano.
Cara, tem todo o meu processo, né? Vou falar daqui a pouco da D-League e tudo mais, do draft, como que eu fui para lá. Mas cara, quando eu cheguei lá, a minha primeira experiência que eu tive do jogo assim, né, foi o primeiro jogo da NBA mesmo, que você entra e reúne. E eu jogava muito videogame, né, o joguinho do basquete, NBA 2K. E eu olhava assim, falava: caralho, velho, que da hora, os cara tudo do meu lado aqui, velho. Então abraçado com os cara, né, que tem uma oração antes do jogo. Aí eu abraçava assim eles, olhava um pro lado, pro outro, e fala: nossa, tô com os cara, que da hora, tô dentro do jogo, tô dentro do jogo. E parecia que eu tava no videogame, pô, parecia. Aí saí pela quadra lá, ninguém me conhecia nem nada, mas eu tava me sentindo, eu falei: caramba, tô no meio dos cara, esquece.
Cara, imagina isso assim, né, meu irmão?
Pra quem assistiu os moleque, os cara, né? Eu molequinho, 2015 eu tava com 13 anos de idade assistindo os cara já na televisão e maluco já de basquete, que não querem ir pra NBA, não sei o quê. Pois é, velho, foi uma doideira.
Mas tava lá. Está lá, né?
Mas antes desse contato com a NBA, qual foi o momento assim da tua carreira, ainda na base ou então no início aqui do no Brasil que você olhou e pensou assim: "Cara, eu tenho potencial pra estar na NBA." Teve algum momento desse gatilho?
Cara, ó, eu tava... Eu tinha parado em Brasília, né? Quando eu tava jogando em Brasília com... Lá que meu pai tinha parado de jogar. Aí eu fui... 2015, eu acho. Isso, 2015 eu fui começando a jogar, me destacando mais. E apareceu a oportunidade de jogar alguns campeonatos brasileiros com os clubes lá, que a gente fazia tipo uma panelinha, os melhores jogadores de Brasília juntava e a gente ia jogar os campeonatos brasileiros. E nesses campeonatos eu tava jogando bem, jogando bem, jogando bem, até que um técnico virou para mim e falou: "Pô, você tem que sair daqui, velho, de Brasília, que o basquete em Brasília não é tão forte de base." É bem tipo assim, era 2 times no máximo, então os outros jogos eram fáceis. Aí falou: "Não, você tem que sair, você tem que ir para São Paulo, você tem que ir para algum outro lugar assim para você ter mais destaque, mais visibilidade." São Paulo interior principalmente muito forte. É, o interior, mas a capital também tem muito time, velho. Então, né, isso. E tem até uma história com Pinheiros, pô. Eu fui fazer um teste lá no Pinheiros, né, o cara falou isso para mim, arrumou um teste para mim lá no Pinheiros. Aí fui eu e minha mãe, minha mãe sempre muito presente assim, me apoiando desde sempre, me botou dentro do carro junto com ela, um ninho, e mano, a gente foi para São Paulo. Aí fui eu e minha mãe para São Paulo, minha madrinha tava no carro também. Aí a gente chegou lá em São Paulo, a gente tentou pegar um hotel, só que pô, hotel muito caro. A gente falou: não, vamos pegar um hostel. Chegou no hostel, mano, tava eu, molecão e duas mulheres, né? Aí tava cheio de homem no hostel, mano. Aí minha mãe: não, não vamos ficar aí não, vamos ficar aí não.
Olha só, maluco, né?
Só maluco, velho, só maluco.
Aí você é um gringo assim, americano, no centro de metrópole ainda, imagina.
Eu falei: não, não vou arriscar não. E depois disso aí, minha mãe, saímos do hostel, aí a gente foi para um motel, velho, que era diária, mais barato, as coisas assim. Só que aí, né, cheguei lá, aí o povo olhou assim, falou: "Uai, como assim? Um molequinho?" O mundo tá muito mudado mesmo, né? Que loucura! Só que a minha mãe explicou: "Não, é meu filho, a gente vai dormir aqui e tal." Aí teve que assinar um monte de coisa lá para poder entrar. Aí beleza, no outro dia a gente foi pro treino. E nisso, né, minha mãe botou para dormir. Pô, eu, molequinho de tudo, não sabia de nada. Botou para dormir, travesseiro na orelha e tudo. Aí eu falei, o que que é? Ela, não, só deita aí, fica tranquilo, dorme que amanhã você tem que estar bem.
Importante descansar, o sono, o sono.
Aí beleza, a gente foi. Isso era um dia só, né, de treino. Aí eu fui no Pinheiros fazer um teste lá. Cheguei lá no Pinheiros, pô, até que treinei bem e tal. E aí os técnicos que estavam lá não me— eles me cortaram, né, não quiseram ficar comigo. É porque tipo assim, pô, molequinho de Brasília, né, magrinho e tal. Tinha uns moleque lá de São Paulo que tava jogando bem no interior e eles queriam trazer para capital. E aí ela— eu lembro até que ela falou uma frase assim que me marcou bastante essa frase. Falou: não, é um jogador igual esse daí a gente consegue achar no interior de São Paulo. Caralho, falaram assim pra tu? E tipo assim, é mais barato pra trazer um cara do interior de São Paulo do que um cara lá de Brasília. Cara, isso daí mexeu comigo, velho. Nossa, pô, isso daí eu... Aí depois disso a gente voltou pra Brasília de carro.
Olha só como é que acontece isso.
Imagina, aí voltando pra Brasília de carro, o tempo...
Imagina o clima dentro do carro, a cabeça...
E aquilo na tua cabeça, né?
E eu falei, pô, velho, não vou virar jogador, pô, que merda, não tem como e tal. E minha mãe, não, vamos, vai ter outro time, é o único time que tem. E na época eu nem pensei em fazer teste em outro time de São Paulo, velho. Tipo assim, cruzão de tudo mesmo, eu e minha mãe. E cara, cheguei em Brasília, né, acabado. Aí meu pai recebeu ligação para ir para— que ele tinha jogado em BH já, né, jogou lá no Minas. E aí o pessoal lá conhecia meu pai, ligaram e falaram assim: pô, a gente quer dar uma oportunidade para o moleque vir para cá, a gente gostou dele e tudo mais, e tem uma estrutura legal lá o clube. Aí eu cheguei lá em BH, minha primeira vez, tinha ido com minha mãe. Os cara já mandaram passagem de avião e essas paradas. Aí eu falei: "Pô, que da hora, diferente." É um namoral diferente, valorizando, né? Já valorizou mais. Aí beleza, eu falei: "Ah, os caras vão vir grandão, né? Vão me dar um dinheirinho, uma parada assim pra ajudar os caras." "Não, a gente dá escola, alimentação, moradia e a gente dá uma ajuda de custo." Eu falei: "Nossa, estourei." "Tá louco?" Estourei, acabou. Aí os caras: "Não, mas a ajuda de custo tá R$150." Aí eu falei: "Why?" Caralho, mano, R$150. Não, mas tá bom, eu tava lá pelo sonho, né? E pô, aí eu comecei a jogar lá, foi quando eu comecei a ter minha primeira oportunidade de adulto. E eu tava jogando bem na minha categoria e eu sempre fui ligeiro assim, eu ficava no treino na beirada da quadra do adulto, porque qualquer coisa acontecesse eu já tava pronto pra entrar. E pô, dito e feito, aconteceu um dia, eu tava na beirada da quadra, os cara me chamaram pra entrar, pô. Falou assim: "Ô moleque, cê tá com o tênis aí?" Era até o Spigo, o técnico da época. "Ô moleque, cê tá com o tênis aí?" Falei, tô, ele, vai, bora, entra aí. Entrei, apertei o tênis, mano, tremendo de nervoso, treinando com os cara do adulto e não sei o quê. E eu treinei bem. Aí eles falaram, mano, vamos continuar com esse moleque aí para, né, para tampar buraco. Se precisar de alguma coisa, ele tá aí para gente. E foi assim, velho, eu fui começando, começando a treinar, treinar com os cara, arrebentando na minha categoria, nas categorias de cima. E beleza, acabou essa temporada do adulto, comecei a jogar, né, as minhas categorias, a temporada de, a temporada que o adulto tava de férias. Quando voltou, aí os cara falou: não, você vai fazer parte do time do adulto. Então eu já tava lá nas fotinha, eu tava com 17 anos, 17 anos. Aí eu já tava nas fotinha e tal, só que cara, eu não tinha oportunidade de entrar em quadra, tinha trocado o técnico, não tinha oportunidade assim de entrar em quadro porque o time era mais velho, pô. Nessa época aí tava Leandrinho no time, Alex Garcia, tava o Tyrone Tava o Chiltão, tava o Gui Deodato. Característico dele, né? Tava o Gui Deodato. Então, mano, o time era muito bom, velho. Era difícil você pegar e botar um moleque para jogar. Então não tive muita oportunidade e tal. Só que nesse meio período apareceu o técnico da seleção brasileira. Ele é gringo, Petrovic. Aí ele chegou e falou assim, mano, vou— e eu tava na seleção sub-17, na seleção tava arrebentando, velho. Joguei um campeonato pela seleção, é tipo na Até o técnico assim, tipo, no começo eu não tava jogando tanto e eu era o melhor da categoria assim, né? Eu e o Márcio, tinha um Adiel também tá jogando hoje, o Brunão também tá jogando, e eu era os melhores assim da categoria. Eu comecei a ficar no banco, aí eu sem entender nada. Então eu sei que no final do campeonato ele tinha que me botar, me botou para jogar, velho. Aí eu comecei a deitar, velho, comecei a deitar, deitar, deitar. Na final fiz 27 pontos, caralho! Eu e o Márcio jogando assim de dupla, pô, mó da hora, a gente jogando bem. Aí isso, Petrovic tava assistindo. Todos esses treinamentos e assistiu os jogos, e ele gostou de mim e do Márcio. Aí ele falou: "Vou levar esses dois moleques para seleção adulta, mesmo sem jogar no adulto, eles vão para seleção adulta para trabalhar." Tava no processo de renovação.
Olha só, cara.
Aí a gente foi para seleção adulta como convidado, eu e o Márcio. Só que eu era muito carudo, velho, eu ia lá e trombava com os cara, brigava pelas bolas e falava: "Mano, sai fora que eu quero brigar." Tipo assim, eu nem sabia que eu tava lá por convidado, pensei que eu tava lá como para jogar. E o Petrovic gostou muito disso, pô. Aí um dia antes do jogo, a gente ficou treinando tipo uns 4, 5 dias. Um dia antes do jogo ele chegou para mim assim, falou: Gui, ele fala meio que espanhol assim, né? O pequenino, tu vai jogar amanhã. Aí o quê? Ele: tu vai jogar amanhã. Aí eu falei: vixe, ferrou. Era contra quem, mano? Era contra Uruguai.
Brasil-Uruguai.
Quem tava na seleção nessa época assim?
Era o Iago, o Iago Matheus tava na seleção, tava o Dikembe lá comigo. Era tipo assim, na verdade era uma seleção da molecada mais nova, os nomes principais não estavam. Porque era janela e tudo mais. Mas a gente tava, ele tava tentando descobrir novos, novas pessoas para ajudar ali na seleção. E, mas eu tava desse jeito, seleção. E, cara, fui para o jogo, né, no dia não consegui dormir. No outro dia liguei para o meu pai, para minha mãe, eu vou jogar amanhã. Eles, uai, mas você não tava aí só como convidado? Falei, não, vou jogar, tô. Ele me ligou, ou ele falou comigo hoje no treino, falou que eu vou jogar. E, cara, chegou para a hora do jogo, eu tremendo de ansiedade, pô, queria jogar e entrar na quadra. Só que eu tava assim, ah, ele só me trouxe Só para me premiar, só para eu ficar aqui cantando. Não, achei que ele ia me botar para jogar. Ah, sim. Então sei lá, segundo quarto, primeiro quarto, ele: pequenino, vai, caralho! Meu irmão, saí pulando as pernas dos caras no banco assim: não, não, quem, quem que eu vou? Aí entrei na quadra, aí até acho que primeira bola que eu matei foi uma bola de 3 do corner. Porra, mano, de cara foi? Aí o Iago jogou um pick and roll lá, passou para mim, matou uma bola de 3 do corner. Depois que eu matei aquela bola, parece que eu relaxei assim, eu falei: ah, tô em casa aqui, tá tranquilo, eu sei fazer isso, tá ligado? Eu sei jogar. Aí eu comecei a jogar, mano, joguei bem para caramba, velho, bem para caramba. Aí depois do jogo fui fazer minha primeira entrevista assim de verdade, grande, cheio de imprensa, o pessoal na frente fazendo pergunta, eu tremendo para falar, nervoso, esqueci como falava português. E depois do jogo, aí o Petrovic vira para mim e fala assim: não, a gente vai te levar para o Uruguai, porque era um jogo em casa, a gente tava jogando em São José dos Pinhais, lá do lado de Curitiba. Foi até lá que eu conheci minha noiva hoje.
Porra, mas nisso aí?
Mais ou menos, ela me viu aí e falou: "Pô, moleque bonitinho, me dá, jogando bem." Que loucura!
Petrovic então devia ser o padrinho.
Petrovic mudou tua vida completamente.
Tanto casamento, tanto sensação na vida, no amor.
Ele é Faustão tanto no pessoal quanto no profissional.
Exato, exato. E aí ele falou comigo, né, ó, se prepara que você vai para Argentina. Os cara não tinha nem passagem para mim ir para Argentina porque eu tava lá como, né, convidado. Aí eles chegaram e falou assim, não, você vai para Argentina, vai jogar lá. Entrei como titular no jogo do Uruguai, entrei como titular no jogo do Uruguai e joguei, né, joguei tão bem igual o primeiro jogo, mas joguei bem também. Eu sei que quando eu voltei para o Brasil, meu irmão, teve uma pressão gigantesca para me botarem para jogar, porque eu joguei bem na seleção adulta, pô, e não jogava, e não jogava. Aí ele falou: "Não, cara, tem que botar o moleque pra jogar." Aí eu lembro da torcida ficava: "Vamo, vamo, vamo, o Gui é seleção." E eu me sentia no banco lá e falava: "É, bota eu pra jogar, que eu tô pronto, eu tô pronto." Só que o time era muito bom, velho. Infelizmente, naquela temporada aconteceu o COVID. Aí a temporada foi encerrada. Isso foi em 2020. Temporada encerrada, não conseguimos terminar a temporada, o time se desfez e tudo mais. Ficamos um tempão sem jogar. E nesse período eu voltei pra Brasília. Cara, nesse período que todo mundo chegou mais gordinho, chegou mais, tipo assim, sem estar treinando muito, cara, eu ganhei, eu tava pesando 70 kg, mas sei lá, uns 70 e poucos quilos, eu voltei com 85 kg, mas só de massa, velho, de massa forte, preparado, muito forte, velho. Tipo assim, eu pegava, tinha um técnico lá em Brasília, ele tinha uma academia, eu pedia os pesos emprestados para ele e malhava em casa sozinho, sozinho. Aí pegava na grama lá, no gramado em frente de casa, minha mãe amarrava os elásticos em mim, tentava me segurar, eu correndo, fazendo as as alimentações que era necessário, cara. Eu sei que eu ganhei bastante peso, bastante força. Quando eu cheguei lá no Minas, todo mundo chegou mais gordinho e tal. Eu cheguei muito forte. Os cara, mano, esse moleque deve ter tomado alguma coisa, né, para, para— mas não, foi só no trabalho. E foi quando eu comecei a ter mais oportunidade mesmo de jogar. Aí eu comecei, fui estudar, e já era 2020, 21, a temporada 2021. Aí eu comecei a jogar bem, jogando mais minutagem e tal. Mesmo assim, eu achava que podia jogar um pouco mais, né? Você sabe como é que é moleque, né? Fala, não, eu quero jogar mais, eu quero jogar mais, eu acho que eu posso jogar 40 minutos. Só que eu jogava tanto assim, tinha nomes importantes ainda no time na minha posição, mas eu jogava. E nessa temporada eu ganhei destaque jovem, o melhor jogador jovem da temporada. E beleza, passou essa temporada, aí eu fui para o draft.
Então como é que tu vai parar lá?
Então é convite, é até agora, cara.
Pô, tua história é muito foda, mano, porque é uma história Ao mesmo tempo assim, de um lutador mesmo simples, né, cara? Tu fazia essas paradas, tu é um cara, parece ser obstinado assim. Parece que essa reprovação, né, no Pinheiro girou uma chave, né? E, mano, tu foi jogando e as coisas foram acontecendo.
Não é uma trajetória linear, né?
É ao mesmo tempo naturalmente, mas ao mesmo tempo com muito esforço seu ali.
Exatamente, foi tipo assim uma parada que, igual você falou, ao mesmo tempo foi esforço meu, mas era uma parada que era naturalmente.
É, daqui a pouco tu aparece na seleção, pá, joga bem, pá.
E aí tipo assim, parece que Deus encaixava as oportunidades para mim, eu tava pronto para o momento, sabe? E aí eu tava, como que eu fui para o draft, né, primeira vez? Aí os caras veem você, eu ia para vários camps da NBA, que é tipo, ah, vai ter um camp que ele juntava os melhores jogadores do Brasil, jogador da Argentina, do Uruguai, não sei o quê, da América Latina todinha, e botava para jogar um contra o um pro outro e vinha um monte de olheiro e olhava. E aí é assim que funciona. Aí eu fui para dois desses camps nesse período que eu tava lá em BH.
Só tu de brasileiro?
Não, tinha eu, tinha o Márcio, tinha alguns, sempre era variando, mas eu sempre tava. E cara, teve uma vez, né, que eu fui para esses camps e tudo mais, que os caras gostaram de mim, que eu ganhava destaque, eu ia, ganhava destaque. Então eles continuavam acompanhando. Então, ah, moleque tá agora no Brasil, tá jogando no Minas, então vamos continuar acompanhando ele lá no Aí eu começava a jogar bem no Minas, cara, ó, vamos ver como é que tá. E meu empresário sempre me passando as, né, os dog, acho que dá para a gente ir para o draft.
Esses olheiros, eles são da NBA ou dois times de lá?
Todos os times têm os seus olheiros, então eles mandam, fala, ó, aquele moleque ele interessa a gente, aquele ali interessa a gente. E assim que eles vão descobrindo os novos potenciais aqui na América do Sul.
E quando eu falei, sabe quem tava te observando?
Não, velho, nem ideia. Não, nem ideia. Eu tava lá, eu queria ser observado por todos, né? Eu só quero ir. E cara, aí eu chegando no, né, com o meu agente, falando com ele, ele falou assim: Gui, acho que dá para a gente ir para o draft esse ano, talvez a gente não fique, porque tem como você tirar o seu nome do draft para você não ser escolhido e um ano seguinte, só para você se mostrar e ir lá nos times. E foi o que eu fiz. Aí eu fui, me inscrevi no draft e comecei a ir, porque tipo assim, durante a pandemia e tudo mais, o pessoal não viajava para o Brasil para assistir os jogos, eles assistiam de longe. Não é uma liga que os caras respeitavam. Então era complicado de eu me mostrar pros caras.
Quais ligas são na frente assim? Europa, né?
Cara, eu gosto muito do NBB hoje. O NBB tá se tornando uma liga muito grande. O brasileiro tá acolhendo muito bem, tá crescendo graças à NBA, graças a, sabe, os jogadores que tão se destacando e tudo mais. Cara, tem, acho que eu colocaria só a NBA e a EuroLiga, né, na frente.
É mesmo?
Depois eu, mano, eu gosto muito da NBA, o nível técnico é muito bom, os jogadores aqui também são muito bons, molecada, meu irmão joga NBA hoje, né? E pô, faz talento, não tem jeito, faz talento. E aí beleza, fui pro draft, né, cheguei lá no draft, fiz os treinos com times, eu treinei com, eu não lembro a primeira vez, eu sei que a segunda vez eu treinei com muito time, mas eu treinei com bastante, eu devo ter treinado com uns, tem 30 times da NBA, eu treinei com uns 12 a 15 times.
Caraca!
Isso é correria, viagem, viagem, viagem pra lá e pra cá, não sei o quê. Só que aí ninguém deu confirmação, eu era muito novo, tinha 18 anos, ninguém deu confirmação que ia me escolher no draft. Aí meu agente falou: "Não, a gente tá novo ainda, tá com 18 anos, até os 20 anos você consegue se inscrever pro draft de boa e ser draftado. Vamos tirar seu nome e você volta pro Brasil, joga mais uma temporada. Agora a gente sabe o que a gente precisa evoluir." E os cara deram esse feedback.
O que você precisava evoluir?
Fisicamente. Eu achava que no Brasil...
Era um cara atlético, eu acho.
É, eu era um cara atlético e tal. E ele falou: "Não, você precisa evoluir fisicamente." Taticamente eu sempre fui um cara muito inteligente e tecnicamente também era um cara bom assim, eu era, não digamos à frente dos caras, mas eu era quase do mesmo nível deles, mas fisicamente eu tava muito atrás.
Para dar um exemplo de quadra, o que você não conseguia fazer fisicamente que você passou a fazer?
Eu ia bater para cima dos caras lá dos Estados Unidos, pô, os negão grandão, fortão, eu trombava nele, batia e voltava.
Bateu na massa.
Exato, batia e voltava. E aí beleza, voltei para BH, fui jogar mais uma temporada lá. Aí nessa temporada foi a temporada que eu mais joguei bem, velho. Eu comecei a jogar bem, me destacar, me destacar, me destacar. E aí, meu, acabou o final da temporada, meu, a gente vira para mim e fala assim: ó, Gui, a gente vai para o draft esse ano de vez, então se prepara aí o que você tem que preparar. E eu fui para Miami, acabou a temporada, fui para Miami, que é onde é a casa dele, fiquei lá treinando.
Que vive para isso assim, para levar jogadores brasileiros para Europa, para—
é, ele tem uma rede assim, né, uma empresa que trabalha com isso. E por coincidência, esse meu agente, ele me conhece desde pequeno, desde que eu tenho 1 ano de idade. Ele jogou com meu pai.
Puta, qual é o nome dele? Ailton.
Ailton, isso. Ele jogou também, jogou com meu pai em Minas.
Caramba, mano! E aí ele já te conhecia, pô.
Já me conhecia, sabia meu pai como é que era, então ele já sabia. Aí ele falou comigo: "Vamos pro draft de novo." Aí botei meu nome no draft em 2022. E aí eu falei: "Não, só que dessa vez o processo é muito cansativo do draft, de treinar nos times, em viagem pra lá e pra cá." Por exemplo, na segunda vez eu treinei com 18 times em 30 dias. Cara, vai pra um canto dos Estados Unidos, vai pra outro, e um treino atrás do outro, e você tem que estar pronto. E aí eu fui muito bem nos treinos, outros treinos não fui muito bem porque tava cansado. E aí beleza, acabou, né, todo esse processo de treino em todos os lugares, voltei para Flórida e chegou o dia do draft.
Aí é o real mesmo lá, aí é a hora que escolhe.
Aí, cara, eu até contei essa história no Pó de Pá também, que eu tava falando com os caras. Eu cheguei lá, mano, o dia do draft foi uma doideira, velho. Dia 22 de junho, caiu no dia do meu aniversário. Eu ia fazer, tava fazendo 20 anos. Aí acordamos de manhã, eu já fui para praia com os moleques que estavam lá na casa treinando junto comigo, eu e o meu outro agente também, até que do Rio, Arlen, que tava lá ajudando. E mano, eu tava até que tranquilo, mas meu pai e minha mãe estavam desesperados, velho, desesperados. Eles acordaram, velho, eles tentaram comer, não conseguia comer, passando mal e ansioso. E pô, mas tipo assim, eles estavam ansiosos, mas por conta da situação que tipo assim eu não tava liberado ainda. O clube que eu tava antes, eles não queriam dar uma carta de liberação antes de eu ter a certeza que eu seria draftado e eles iriam ganhar alguma coisa com isso. Então, cara, ficou nesse impasse do meu agente ligar para eles e falar: não, é que a gente precisa da carta de liberação, é o único jeito de a gente conseguir ser draftado, e talvez não tenha dinheiro, mas a gente vê isso depois. Daí os cara: não, mas a gente tem que liberar porque, tipo assim, é o clube formador, né? Então os caras fizeram, tem os direitos, tem a de ganhar Tipo assim, formou o cara, também tem que dar uma parada em cima. É assim que funciona, tanto no futebol, no basquete, em todos os lugares. E sei lá, velho, 40 minutos antes do draft, 50 minutos antes do draft, nada dessa carta chegar. E eu não podia participar do draft sem a carta, mano. E meu agente desesperado, chegou uma hora que eles pararam até de conversar. Aí meu agente: a gente precisa da carta, que você tá no draft e a gente precisa. Aí minha mãe entrou em jogo, "Minha mãe, ela sempre foi, mexeu com os filhos dela, a bicha virou uma leoa, vai pra cima, não quer saber." Aí minha mãe pegou e falou assim, ligou pros caras, ligou pro diretor lá do clube, falou assim: "Ó, eu sei que vocês querem, né, tudo mais, mas a gente pode acertar isso depois. O que tiver que ser feito, faz aí, libera o moleque pra ele correr atrás do sonho dele, depois a gente vê." Aí ela falou, ela até falou isso pra mim.
Pô, tua mãe foi braba, hein, mano.
Foi, ela falou, ligou pros caras e falou assim: "Ó, se vocês quiserem pegar minha casa, terreno que eu tenho, carro, não sei o quê, como garantir. A gente nunca, tipo, minha família nunca foi uma família rica, mas também nunca foi uma família que não tinha nada para comer. A gente tinha o que tinha ali e era isso. E ela falou: não, que tiver você pode pegar, depois a gente se vira. E aí os cara, aí pô, mamãe ligar e falar isso é foda, né, mano? Aí os cara mandaram a carta de liberação, aí começou a correria.
Faltando o quê? Loucura! Que isso, cara!
Aí pô, nessa O meu agente, ele fica concentrado, velho, porque ligando, um time liga para outro. Ai, vocês vão escolher quem? Ah, ele também tá ali, vai, não sei o quê. Então ele ligava para todos os times falando de mim e eu nem ficava lá. Então ele fica num quarto, pô, sozinho. E eu tava, eu ficava na casa junto com ele, só que eu tive que ficar em outro lugar porque ele falou, mano, é loucura, não dá para dar atenção, é ansiedade, não sabe se vai ou se não vai ser. Normalmente os caras vão para pra Nova York e eles sentam lá no ginásio e eles são chamados. O cara vai, bota o bonezinho e tudo mais. Só que como eu não tinha carta de liberação nem nada, eu nem fui pra Nova York. Ah, tu não foi, mano. Eu não fui, eu fiquei assistindo de casa na televisão. E aí começou, né? Começou a chamar os nomes, começou o draft. Aí, baixa, mano, eu tava ali pra ser escolhido entre a 30 e 40. São 60 escolhas, eu tava entre a 30 e a 40.
Já fica sabendo previamente que basicamente—
É, os times que tinham interesse em mim tinham as escolhas naquele— Naquele dia. É isso. Então eu falei: "Ah..." Aí começou, passou o primeiro round, que é os 30, eu falei: "Ah, agora vai ser eu." 30, 40, aí começou. 31, 30, 31, 32, não sei o quê, chega... Então, 40, nada. Aí, nisso, a gente fica esperando a ligação do agente pra falar: "Fica esperto que não sei que time vai te escolher daqui a pouco. Vai lá pra TV pra você ver." Só que, cara, meu agente não me ligava. Aí eu falei: "Nossa, ferrou, velho." Ele falou: "Não toca, nossa." Aí eu ansioso, a rapaziada junto comigo na casa, todo mundo torcendo pra mim. Na época não tinha mais brasileiro na NBA. Aí o meu agente me liga. Na hora que ele me liga, velho, aí eu já falei: puta, selecionado, esquece. Então você vai para dopamina lá em cima, felizão. Aí eu falei, atendi: alô, alô, fala, irmão. Pô, Gui Santos, você não vai ser selecionado. Falei com os times aqui, mano. Assim, isso daí abriu um buraco no chão assim para mim. Eu falei: nossa, velho, não vou ser selecionado, mano. Não, depois de tudo que eu tinha feito, tá ligado? Eu falei, pô, velho, depois de tudo que eu fiz, as coisas que aconteceram, e eu não vou ser selecionado, tá ligado? E pô, mano, eu fiquei triste, velho. Eu tava até num banquinho alto assim, eu lembro, velho, como se fosse hoje assim, a cena sentado num balcãozinho assim, que é um banquinho alto. Eu só inclinei para frente assim, né, desliguei a ligação depois de falar com ele. Só que ele falou, Gui, não fica tranquilo que não é a única forma de entrar na NBA, você pode entrar por outras formas. Foi me explicando lá, só que eu nem tava escutando mais a partir do momento que ele falou assim, ó, você não vai ser selecionado. Acabado, já tinha acabado ali para mim. Aí eu comecei a chorar, sentei no banquinho, comecei a chorar. Meu outro agente, que até que dormiu também, que tava lá, o Arlen, sentou lá junto comigo, foi me consolar, falar comigo. Aí eu falei assim: não, pô, vou dormir, que amanhã eu vejo o que que eu vou fazer, né? Como é que vai ser, qual time que vai ter interesse para eu jogar Summer League e tudo mais. Aí eu fui para dormir, liguei para minha mãe. Minha mãe falou assim para mim, eu lembro até que ela fala, foi a única vez que eu liguei para minha mãe e ela não tinha palavra nenhuma para me consolar, velho. Ah, imagina, minha mãe não conseguia, pô, de jeito nenhum me consolar. E ela virou para mim assim, falou: pô, Gui, ficou em silêncio, não coisa.
Foi, a mãe, ela tava precisando ser consolado também, né?
Porque é só na família, sonhando, é só seu, né? E não era pelo dinheiro, é só pela oportunidade de estar lá, tá ligado? E aí, pô, eu sentei no sofá, deitei na cama, na verdade já ia dormir, já tava chorando lá e tal. Antes de dormir chorando, eu nem sou de chorar muito, né, velho, mas eu tava chorando Aí, cara, meu pai fala que ele, quando acabou a ligação, que eu liguei para eles, falei que eu não ia ser selecionado, que eu fui dormir. Aí meu pai pega, meu pai é muito, minha família toda é muito religiosa, aí meu pai pega o terço dele e começa a agradecer, velho. Toda vez que eu conto essa história, já aconteceu muitas vezes, mas toda vez que eu conto me arrepio, velho. Aí ele começa a agradecer só pela oportunidade que eu tava tendo de estar lá, de chegar na NBA, de chegar perto da NBA, de alcançar, né, o sonho de moleque que pra mim—
de pedir, né, a atitude do seu pai, né? É, pra agradecer.
Ou, pô, porque não, não sei o quê, não, é só ligo para agradecer pela oportunidade. Porque meu sonho, mano, é sempre vou jogar profissional. Só de eu ter alcançado o NBB, eu tava muito feliz. Quem dirá NBA, tá ligado? Então, para o meu pai, ele tinha, pô, tava só agradecendo a oportunidade do meu filho de estar lá. Ele nunca tinha alcançado esse nível, eu já tinha chegado nesse nível e tal, cara. Nesse meio período que ele tava agradecendo e tudo mais, acho que ele deve ter terminado de rezar e tudo mais. Aí meu agente me Aí ele me liga e eu já falo: ah, vai falar que é para mim pegar um voo para não sei aonde, não sei o quê. Aí meu agente emocionadão: Gui, a gente é brasileiro, porra, vai para frente da televisão, Warriors vai te selecionar na pick 55. Meu irmão, 55, cara, é 60 escolhas na época, aos 45 do segundo tempo. E tipo assim, nesse ano do draft eram 58 porque 2 times foi penalizados com escolha, então era de 58. Então era 3 depois de mim, acabou. Aí, cara, eu sem entender nada, como assim? Ele falou, vai para frente da televisão, Warriors vai te selecionar, não sei o quê, e amanhã você tá indo para São Francisco. Não, é assim, o Warriors tinha acabado de ser campeão, os cara tinha acabado de ser campeão, e eu sem entender nada, já peguei meu celular, o celular vibrando, todo mundo mandando mensagem. Aí eu ligo para o meu pai, para minha mãe, estavam deitados dormindo já. Aí eu falei, ô mãe, parece que eu vou ser selecionado, alguém vai me escolher, não sei o quê, Warriors vai me escolher. Aí minha mãe e meu pai acorda, eu tenho até videochamada gravada, é minha, do meu pai, da minha mãe, na frente do celular assim, conversando na videochamada, chorando, todo mundo feliz, alegre assim. E cara, não consegui entender o que tava acontecendo, velho. Porra, você foi do fundo do poço para daqui a pouco você tá lá em cima.
O que que aconteceu?
Então foi, nossa, foi uma treta que assim, é, que aconteceu Tem coisa de um time pode comprar escolha do outro durante o período, e o Milwaukee Bucks ia comprar pick 56 de um time para me escolher. E Warriors sempre teve interesse em mim, eles iriam ficar comigo depois que o draft passasse, eles não iam gastar dinheiro, eles vão vender a pick deles, ganhar dinheiro ainda, ficar comigo. Só que quando apareceu Milwaukee na jogada de querer comprar a pick para me selecionar, eles tinham que me selecionar na pick 55, senão eles não poderiam. 55. Aí eles foram, eles tinham uma pick 55, me draftaram para não, para não me perder para o Milwaukee.
Puta, olha só, mano! Então interesse do Milwaukee que fez o Warriors me escolher, jogou pelo draft.
Então, cara, foi uma loucura isso daí. O meu agente me explicando isso, eu: cara, que que é isso, velho? Que isso, mano? É 2 minutos de intervalo entre uma escolha e outra. Então imagina, 2 minutos você tem que ligar para um time e outro, pá. E foi isso que ele fez, né? Tipo assim, essa é a obrigação. Do Milwaukee, a gente quer ele, a gente vai comprar Pix 56 para comprar ele. Aí ele liga para o Warriors que tinha interesse em mim, ó, vamos cobrar Pix para selecionar ele, vocês não vão selecionar ele, ele vai passar. Aí é nesse meio, 2 minutos para resolver tudo isso.
Águia, águia, águia, brabo! Ricardinho Olímpico está chorando igual um idiota com essa história, ele comentou isso aqui. Mano, manda mensagem, manda pergunta para o Gui, mano, já várias lições o Gui deu para a gente aqui nessa trajetória. Primeiro, cara, essa parada da porta fechada é Mano, é isso aí acontece na vida de todo mundo, em todos os lugares, com jogador da NBA, mas em todos os lugares, irmão.
Mas às vezes o cara que precisa é uma porta fechada na cara dele para ele falar: é, vocês vão, vocês vão jogar fora, vocês vão voltar atrás nessa escolha que vocês fizeram.
A história clássica do futebol, o Cafu, 3 finais de Copa do Mundo seguida, bicampeão mundial. Quantas peneiras o Cafu foi reprovado!
Hoje eu recebi um link aqui que eu tô mandando para todos os grupos Ah, é verdade, a gente vai narrar a Copa do Mundo, primeira Copa que eu vou narrar, tá ligado?
É, nossa, da hora, mano!
Eu nunca cheguei nem perto, aí veio o Charla, a gente conseguiu, tá ligado?
Que legal, mano, da hora! Parabéns aí, sim!
Porque as portas saem assim, mano, quando você menos espera acontece as coisas.
E pô, quando aconteceu isso, né, de eu ser selecionado, todo o aue que aconteceu, de uma mistura de emoção ali de uma hora para outra, Aí meu agente foi lá na minha casa, né, que eu tava, deu os parabéns, a gente se abraçou lá, pô, emocionado pra caramba, né, por tudo que tinha acontecido. Aí ele falou pra mim assim, ó, agora você arruma sua mala que daqui uma hora e meia você tem um voo pra São Francisco, logo em seguida.
Tipo assim, onde você vai morar daqui pra frente, é isso?
Aí na minha cabeça eu falei, mano, tô milionário, esquece, agora acabou. Não, minha família tá feita, todo mundo para de trabalhar. É, não, pai, cancela, liga pro chefe. Foi, cara. E foi nesse, fui pra São Francisco, primeira vez voando de primeira classe, já cheguei lá, os cara na primeira classe e tal, falei: ô louco, jogadores NBA, cê é louco. E cheguei lá, comecei a fazer uns—
Penteado assim?
Não, de boinha, cê é louco, aproveitando, chegou até, eu falo, até tem uma história do cara da tapioca que chega a toalha quente da seleção.
Tem, porra, é o Mateuzinho.
Mateuzinho, já teve aqui.
Mateuzinho com cebolinha, né?
É, com cebolinha no Flamengo.
Aí ele fala que: ah, pô, achei que era tapioca, aí não sei o quê. Comeu, louco. Chegou a toalha, eu já tava ligado, né, que eu tinha visto. Eu falei: "Ó, isso aqui não é de comer não, mas parece uma tapioca mesmo, a toalhinha quente e tal." Quentinha, né? Quentinha, enroladinha. Você é louco. Vou mandar. E pô, aí beleza, cheguei pros empresários.
Mas você tava ligado por causa da história do outro.
Por causa da história, isso. Eu já tava ligeiro. Sempre importante alguém cair antes de você, né? Lógico. E é lógico. Aí pô, Depois que eu cheguei lá, pô, chegou um escaleide, né, Cadillac escaleide para me buscar. Só coisa animal. E os cara com as câmeras, caraca. Aí eu falei, estrela, pai chegou, pai chegou, tô mais milionário. E aí beleza, fui lá, fiz minha primeira entrevista em inglês, nervoso para caramba.
Mas já falava legalzaço?
Mais ou menos eu falava, mas pô, nervosismo ali na situação, eu não conseguia Não conseguia desenrolar muito bem. Aí beleza, comecei a treinar, meu primeiro treino lá da minha vida, só eu treino individual, porque não tinha ninguém chegado ainda, só eu treinando individual, mostrando para os cara que eu quero, não sei o quê. Aí o cara chegou, eu tinha trago um tênis, aí ele falou: qual tênis que você gosta? Eu gosto desse daqui. Aí ele falou: beleza. Aí eu falei: ele deve ir lá buscar, deve comprar uns tênis depois, deve chegar aí mais tarde, deve chegar. Meu irmão, sei que tem uma sala lá de tamanho aqui do estúdio assim, cheia de tenis, todos os tênis dentro do Warriors, é da facility onde a gente treina. Todos os tênis que você quiser tem lá dentro. Ele chegou, pegou 2, toma aí para você, me deu os tênis. Eu já fui treinar. Aí eu lembro, esse dia foi o dia que eu falei: nossa, eu tô lascado aqui, velho, eu tô lascado. Que o cara chegou para mim e falou assim: ah, a gente vamos treinar. E eu dando a vida no treino, velho, 1 hora de treino, correndo, correndo, correndo, correndo. Acabou, acabou a primeira parte do treino, achei que tinha "Vai, compadre." Aí eu sentei no banquinho lá do lado, morto. Aí falou: "Beleza, agora acabou aquecimento, agora a gente vai treinar de verdade." Aí eu olhei para ele e falei assim: "Ele tá brincando comigo, você é louco?" Ele: "Não, agora a gente vai treinar de verdade, agora é a hora que começa." Aí, mano, morto. Acabou o primeiro treino, morto. Só individual, né, treino. Aí, cara, no outro dia já começou os treinos para Summer League. Joguei a Summer League, joguei bem. E nisso eu tava com a estrutura toda top lá e tudo "Rapaz, só que teve nesse meio período que acabou a Summer League e para começar a temporada tava fechado onde treina, a facility, e que lá onde fica o chef que faz comida." E o chef tava tudo fechado, o chef não tava lá, os caras, a gente tava treinando em outro lugar. E eu, velho, tava com, tinha $800. Eu falo essa história que o pessoal até me zoou, porque uma época que eu falei que eu não cortava o cabelo por conta que o corte de cabelo era $70. Só que era no começo, né, pô. No começo eu cheguei para cortar o cabelo, cara, $70. Falei Não vou fazer isso. Eu tinha $800 para ficar 6 meses? Dá logo! Dá nesse cabelo! É, tá maluco, né?
Isso você já no Warriors, cara.
Isso já no Warriors. E eu achei que eu tava milionário. E quando eu cheguei lá que bateu a realidade que não, não é assim. Ainda tem uns passo muito grande para você. O passo mais difícil ainda tá por vir.
Cara, olha só.
Aí beleza, tá eu lá, né, comia. Eu até contei essa história também que o cara, eu pegava uma baguetezona no mercado que tinha lá, aí dividia a baguete em 3, pegava um E comia, e o café da manhã, almoço e janta, ia treinar. E meu agente sempre me ajudava assim com cartão, com parada. Gui, vai lá comprar. Só que, cara, eu do jeito que eu fui criado, eu nunca fui de pegar o cartão dos outros e gastar. Por mais que ele era meu empresário e tudo mais, eu nunca— Acabou, é isso que eu tinha. Acho que por isso que Deus sempre me abençoou e me ajudou muito.
Claro que sim, mano.
Aí, cara, eu sei que passou esse momento mais difícil assim, aí começou a A D-League, para quem não conhece, é como se fosse a segunda liga, é como se fosse liga de desenvolvimento. Isso, então todo time da NBA tem um time na D-League, entendeu? E eu fui jogar no time da D-League do Warriors, que é o Santa Cruz Warriors, que é uma hora e meia lá de São Francisco. Aí eu peguei, morava num hotel que o time pagava, treinava lá, comia umas marmitinhas prontas feitas do time, e era isso nesse começo. Cara, aí eu sei que eu comecei a jogar, comecei a malhar, e lá foi a primeira vez que eu tive o choque de malhar depois do jogo.
Então, tem uma pergunta aqui, ó, queria saber do Gui Santos qual foi a maior dificuldade de adaptação pra se tornar um atleta da maior liga de basquete do mundo. Imagino que essa é uma...
Aqui é de boa falar palavrão?
Pode, pode dar, liberadaço.
Vou contar uma história então.
Prefere palavrão do que a palavra normal.
É Rio de Janeiro, irmão. RJ é palavrão, é, a gente comunica assim, é parte do português.
Aí beleza, né, cheguei lá, acho que a maior dificuldade que teve pra mim foi o inglês, porque assim, você vai conversar lá, tem uma diferença muito grande de você conversar o inglês com jogadores de basquete, que tem muita gíria, muita swag, não sei o quê e tal, e quando você vai conversar fora é mais tranquilo, é mais o inglês normalzão que você aprende em escola. Aí eu cheguei lá, E tinha um cara, o cara era americano, ele tinha jogado no Washington Wizards, ele tinha jogado junto com o Raulzinho.
Raulzinho.
E ele era amigo do Raulzinho. Aí ele chegou pra mim assim: "Gui, você conhece o Raulzinho? Do you know Raulzinho?" Aí eu falei: "Ah, conheço, my friend, he's my friend." Com inglês quebradão: "My friend." Aí ele falou: "Pô, Raulzinho is my guy, I fuck with him." Aí você mandou um "tudo bem, liberdade", mas não sabia Raulzinho. Cara, eu fiquei em choque, né? No momento eu falei: "O quê? Quê?" "Raulzinho?" "Raulzinho não, não é possível." "Eu não sabia." Cara, e eu fiquei em choque, né, mano? Eu falei: "É sério?" Aí ele: "É, he's my guy." Aí eu falei: "Cara, que loucura." Aí eu perguntei pra ele: "Did you fuck with him?" Aí ele: "No, bro, no.
What?
You crazy?" Levantou, deu um pedaço. Isso é loucura, porque tipo assim, por uns americanos, eles chegam e falam assim: "I fuck with you." Significa que ele gosta de você. É meu parceiro.
Brother.
E eu não sabia disso, eu não aprendi isso na escola, pô. E ele chegou falando isso pra ele, do Raulzinho, né, e tal. Eu pensei: "Caralho, que loucura, mano." Aí ele foi e me explicou: "Não, mano, isso daqui significa que eu gosto do cara, o cara é meu parceiro e tal." Eu falei: "Ah, entendi. Então tá bom." Agarre, cara. Agarre. Agarre.
Raulzinho, Raulzinho, tamo junto, Raulzinho. Pois é, mano, pois é, mó loucura. Vai, porque essa parada, cara, é muito diferente, né?
É, mano, é muito— pô, você chega aqui, ó, é o tempo todinho, tem tudo isso. O LeBron, outro dia eu caí no quarto do LeBron, ele tem um handshake com todo mundo, velho, com todo mundo, cada um com um.
Como é que ele guarda essa porra, mano?
É um homem, né? Não tem jeito, ele é desenrolado em tudo que faz, ele é brabo.
Mas, cara, tem já o teu?
Não, tem, tem, com a maioria lá eu já tenho já. Então, e tem que ser cada handshake É, cada um você faz um, você queria um com ele.
Tá merda, tá merda.
Pô, e essa história, né, mano, é absurda. Tem várias outras histórias de inglês, de erro de inglês, assim, essas paradas. Fala mais uma, fala mais uma. Uma vez a gente foi no restaurante, nossa, mano, isso aí pegou meu apelido, virou Búfalo por causa dessa porra lá, os cara me chamava de Búfalo. Que aí eu cheguei lá no restaurante, o time todo sentado na mesa, aí eu fui pedir Buffalo Wings, só que você fala Buffalo Wings.
Wings.
E aí eu cheguei para a mulher: aqui nós temos Buffalo Wings. Ela: o quê? Parece que ele se faz de besta também, né? Porque, pô, Buffalo, Buffalo é quase a mesma coisa.
Dá para saber. Ela: o quê?
Eu sei o que você tá falando. É, eu falei: não, Buffalo Wings, this one right here. Mostrei para ela. Ela: ah, Buffalo Wings. Aí eu falei: ah, tá tirando, mano. Os cara da mesa: kkk, nossa, você não sabe falar inglês, seu grosso, não sei o quê. Aí, mano, todo mundo chama Buffalo. Aí eu virei o Búfalo por conta disso, mano. E nossa, velho, tem várias coisas. Cara, bet, tipo assim, bet significa aposta, né? Apostar. Só que às vezes você chega, fala para o cara assim, ah, vamos fazer tal coisa, ele bet, tipo, vamos. E da onde que não se aprende essas coisas? E nossa, velho, foi foda para mim aprender, velho, outro inglês. Os cara chegava, pô, você chega, aprendeu hello, how 'What's good, my G?' Eu falava: 'O quê? Quem tá falando? Tá me cumprimentando?' Aí os cara me explicava e tal. E teve um cara que me ajudou muito, esse cara aqui, I Fuck With Him, esse cara que falou isso pra mim, ele é meu parceiro, pô. Ele me ajudou muito com inglês. E os cara me zoava, todo mundo zoava. Ele não, ele chegava: 'Gui, não é assim, mano, você não pode falar isso.' Ah, ele tinha paciência pra explicar ali. Não, você não pode falar desse jeito, você tem que falar assim, porque se você fala assim Os cara vão te zoar.
Tu sai de Brasília, tu tem que se tornar o maluco do Bronx, pô.
É desse jeito.
Tem que meter um cordãozão, pau.
Dentro do Brasil já seria complicado um cara sair de um ambiente e ir para outro completamente diferente. Imagina outro país.
Então, é desse jeito, cara. Então acabou que, né, eu me adaptei, passei pelos altos e baixos lá da D-League, malhava, fiquei a temporada toda malhando praticamente.
E malha diferente daqui, né?
Diferente, a estrutura é diferente. Diferente. Os equipamentos, os profissionais, tanto quanto aqui quanto lá, são muito bons. Só que as coisas que ele tem ao redor, que eles podem usar lá, é muito melhor. Nossa, muita diferença, muita diferença, cara. Eu cheguei lá, o cara virou para mim, ele falou assim: mano, você nunca malhou na sua vida, né? E tem até que eu falo sempre, os cara teve uma vez que o cara chegou para mim, o técnico da virou para mim e falou assim: 'Gui, vem cá, deixa eu conversar com você para te explicar qual o plano desse ano.' Ele chegou e falou: 'Gui, você não é forte o suficiente para jogar aqui, você não é rápido o suficiente, você não é atlético o suficiente e você não sabe jogar o basquetebol americano.' É legal, né? Não tem como, só que aí eu que lembro que eu tava falando aqui antes, eles chegaram e falou assim: 'Mais calma, eu vou vai te dar tudo que você precisar aqui para você se tornar o cara mais rápido, mais atlético, mais forte, inteligente, papapá. Aí foi, fechou. Então tô em casa, mano, tem um técnico, um, na verdade ele é um preparador físico, nome dele é Andrew, ele me ajudou, velho. Tem até na minha série, quem tiver assistindo aí, quiser assistir minha série no YouTube, na NBA Brasil, que mostra, eu até conto desse cara também, cara. Esse cara, ele ia no mercado junto comigo comprar as coisas para levar para casa pelo Warriors, né. Ele, quando eu não tava cortando o cabelo, aí ele cortava o próprio cabelo dele. Aí eu cheguei nele um dia, falei: será que você pode cortar meu cabelo, mano? Ele começou a cortar meu cabelo, mano, apadrinhou mesmo assim, velho. Parceiraço, parceira, começou a cortar meu cabelo. É para que, tipo assim, e nisso no Brasil o pessoal achar que eu tava milionário já, né, pô, tava na NBA, NBA entre aspas, né, tinha sido draftado, tava na D-League ainda. Mas lá é foda, mano, você tem que ter a cabeça boa, é muito complicado, velho. É mais fácil você jogar no Brasil do que jogar lá na D-League. Os cara todo mundo querendo se provar. E eu achei que tá no máximo, exato. E eu achei que individualista também, né? Isso que eu ia falar. Eu achei que na NBA, que na G League, para ir para NBA você tem que fazer 30 pontos por jogo. Não é assim, velho. Da G League você tem que mostrar, porque assim, imagina, Warriors já tem o Stephen Curry, Klay Thompson, já tinha na época, né? Tinha um Klay Thompson, tinha o Draymond, tinha o Andrew Wiggins, que são caras que vão pontuar. Eles precisam dos caras para chegar lá e dar cabeçada, dos caras que faz o trabalho Sujo. E na minha cabeça, no começo, eu tentava fazer ponto, ponto, ponto. Aí o técnico, esse mesmo técnico que falou comigo, ele falou assim: Gui, vem cá, ó, pegou os 26 da G League, os caras que mais fazem ponto, e os caras que mais tem impacto. Os 20 caras que mais tem impacto, mas não tem muitos pontos, os 20, dos 20 caras, tipo, 15 tinham assinado um contrato da NBA. E dos 6, nenhum tinham assinado nenhum contrato na NBA. Ele já me jogou bisurado, já falou assim: ó, é isso aqui que você tem que fazer, você quer ir para NBA, que você tem que fazer isso. Eu tenho uns cara que te dão já caminho. Exato. E aí ele falou, mas você tem que abraçar, você tem que abraçar, né?
Porque você, o cara vai estar, vai ser, vai acender, que profissional, né? É natural que ele tenha o espaço para ser meio que operário do time, né?
Exato. É onde você vai conseguir o seu espaço para jogar lá. E aí ele me passou isso, eu já peguei, eu sou malandro assim também, né? Já falei, não, beleza, vou fazer isso. E comecei a fazer o jogo sujo. Às vezes fazia 20 pontos, às vezes não, às vezes fazia 30, jogava Aí os caras já gostaram para caramba de mim, porque fala, esse cara é coach, né? Esse cara é, ele escuta o técnico, ele escuta o que o cara fala para ele. Se o cara falar para ele, vai lá, bate a cabeça no aro lá e volta aqui, eu vou lá e vou fazer. E era o que eu tava fazendo. E pô, isso agradou, isso agradou os cara. Aí beleza, acabou minha primeira temporada na D-League, tive uma evolução absurda, ganhei mais 15 kg de massa magra. Eu cheguei lá com 85 kg, já tava com 100 40kg, porra, forte, pronto para jogar contra os caras. Fui jogar Summer League no ano seguinte, mano, joguei bem para caramba, velho. Nossa, joguei bem e fazendo ponto e impacto, fazendo os dois. E os caras, os técnicos todos assistindo na Summer League, né, os técnicos do time principal assistindo os técnicos do time B e os jogadores do time B, que é todo mundo, até os técnicos lá estão assistindo também. E começou a temporada, segunda temporada na D-League. Aí os cara em novembro me deram a oportunidade de assinar o contrato de 3 anos. Eu tava jogando videogame com meu irmão e um parceiro meu, Mosca. É, a gente jogando videogame, aí meu agente me liga, aí fala, vou falar com ele aqui, mudo o microfone, vou falar com ele aqui, rapaz, já volto. Aí meu agente falou, Gui Santos quer assinar o contrato com você, primeiro ano tanto, segundo ano tanto. E nessa época na D-League, o salário anual da D-League é de $40 mil dólares. E o salário anual lá você corta pela metade de imposto. Então de $40 mil vira $20 mil. E pô, $20 mil para passar um ano nos Estados Unidos é muito pouco dinheiro, é muito pouco dinheiro. Ainda mais em São Francisco. É só a cidade mais cara, Nova York, São Francisco ali, barra pau de cidade mais cara. Aí ele me falou do contrato, mano, eu felizão. Claro, você é louco, tô ganhando, tô ganhando. Eu quero esse contrato, com 'Com certeza.' Assinei o contrato. Aí eu fui, minha primeira oportunidade de ir lá para o Warriors mesmo, para facilitar. Eles pegaram o hotel para caramba, porque assim, eu continuei jogando na G League como desenvolvimento porque eu não tinha muitos minutos na quadra. Só que quando você tá na G League e no time principal, eles têm que pagar voo de primeira classe, todos os voos para você, todos os voos. É, você tem que ficar, a sua diária é diária de NBA que a gente ganha, a gente viaja, a gente ganha uma diáriasinha para ficar uns dias, mais o salário, mais Uma dessas coisas. E chegava os envelopinho, mano, a diária dele envia, a gente vai ficar um mês fora. Fala: nossa, estourou! E salvando tudo o dinheiro. E eu sempre, mano, eu sempre fui seguro, velho, nunca gastava dinheiro com besteira, essas paradas assim, sabe? Igual os cara compra bolsa, roupa cara, essas parada, eu não briso muito nisso. E beleza, comecei, né, jogar nos dois times, tava ganhando mais dinheiro, tava mais feliz, tava no— chegava às vezes tinha oportunidade de jogar, jogava poucos minutos, mas jogava jogando bem. E nesse primeiro ano aconteceu um jogo assim que foi, que um jogo que mudou um pouco assim a perspectiva dos caras me verem. Foi em Brooklyn, a gente jogando contra o Nets. O Klay Thompson não tava jogando tão bem e eu tava, mano, jogando muito bem. Nossa, em todas as bolas, de brigando com os cara rebote, dando passe, bandejinha, fazer coisa. E o técnico, o coach, ele optou por fechar o jogo comigo ao invés 'Puta, mano.' Então ele, mano, e ele sempre foi muito carudo assim, o técnico, né? 'Ah, esse cara tá bem, vai você, tô nem aí.' E cara, eu entrei no jogo e eu falo: 'Cara, tá bom, tem que sair, vai, bota o Clay, você é louco, eu não quero mais confusão não.' E passa daquele primeiro estágio de você já, pô, tá conhecendo seus ídolos, para você, pô, tá ao lado, às vezes na frente, né?
Exato.
Mas foi só nesse jogo específico, tá ligado? Aí, mas eu tava na minha mente, eu falei, cara, ele vai ficar puto comigo, mano. Não, mas que isso e tal, tem, não vem, Clay, quase que eu tava aqui, vai Clay, vai. E acabou o jogo, aí a mídia toda falando, eu tava com cabelo grandão nessa época ainda assim, rabo de cavalo e tudo, a mídia toda falando, ah, o maluco do rabo de cavalo, cabelo grande lá, botou o Clay no banco e não sei o quê, e eu com medo da porra disso, da, da, porque tava, né, rolando boatos que o Clay queria sair e tudo jogava mais. E eu com a sensação ruim para caramba, que eu gostava. O Cleiton, velho, sempre me abraçou muito lá, sempre foi um cara da hora. A gente ia fazer qualquer coisa, vem cá, Gui, vem cá, e me chamava para fazer as coisas junto com ele. Ele é muito parceiro, muito parceiro mesmo. Então eu falei, pô, o cara pode ficar bravo comigo, pô, eu nem, nem, mas eles entendem esse lado profissional. Isso que é o da hora lá, eles entendem. Aí joguei bem esse jogo, passou, voltei a voltar para o banco, não jogava muito. Acabou essa primeira temporada, essa segunda temporada minha, né, que eu já tava tanto no time B quanto no time A. Aí começou a terceira temporada, temporada, minha segunda temporada na NBA, terceira temporada nos Estados Unidos. Aí eu já falei, essa temporada eu vou jogar mais, eu mostrei para os caras que eu posso ajudar. E nada, deu jogar, velho. No começo da temporada, o Steve Kerr deu uma entrevista e falou assim, aí os cara perguntou, ah, quem é os caras que não vão estar na rotação, né, não vão estar jogando nesse começo? Aí ele falou meu nome e o Lindy Waters, que era outro cara que jogava lá também. E mano, isso daí foi quando me blindei das redes sociais.
Teve muita gente, velho, que é importante falar, mano, porque isso Todos os esportes, né? Rede social é um negócio inacreditável, cara.
Tanto para o bem quanto para o mal. É, para o mal é foda, para o mal você não tem controle, tá ligado? Você não tem controle do que as pessoas falam de você, do que as pessoas acham de você. Às vezes te mandam, né? Às vezes você fala uma coisa, o pessoal tira de contexto para te ferrar. E, cara, eu nesse meio termo aí, cara, o pessoal, mano, os haters, né? Tipo assim, o pessoal, eu sempre tive uma torcida muito grande do Brasil, ainda bem.
Só que os haters, quando apareceu essa notícia, O cara ficou feliz, né, velho?
Ah, que esse daí eu falei, esse cara aí era um cara jogador normal da D-League. Tem um comentário, um comentário específico, que foi esse comentário que eu falei assim, mano, eu vou parar de ver rede social e vou calar a boca de todo mundo. O cara comentou assim, esse daí tem que agradecer se tiver na NBA ano que vem, tem que agradecer muito se tiver na NBA ano que vem. Meu irmão, eu levei para o lado pessoal isso daí, velho.
Nunca, com razão.
É, e eu, mano, tipo Eu falei assim, desinstalei, mas tem que tirar, é, desinstalei tudo.
É porque tu vê, cara, com a gente acontece em outro nível, né? Mas assim, quem é o cara que vai lá, né? Tipo, o cara tá aqui, tá na casa dele, o cara vai lá para, mano, para fazer mal para você, tá ligado? A intenção do cara é essa, só para tirar foto. Pode até não gostar de tu, mas o cara, ao mesmo tempo, escrever isso para você.
E ao mesmo tempo, a mente humana se auto-sabota. Então assim, exato, vão ter 500 comentários positivos que tu não, tu nem lembra.
Exato, mas você vai lembrar do negativo. Mas eu acho que foi a melhor coisa que podia me acontecer também, é isso. Porque eu falei, a partir desse momento, hoje, o que falam de mim ou deixam de falar na internet, eu não ligo. Porque eu falo assim, cara, não, os caras que pagam minha conta, não é os caras que me ajudaram a chegar aonde eu tô. Então eu fico, cara, tipo assim, eu agradeço muito sempre a torcida brasileira, que o pessoal é muito presente, velho, o pessoal é muito da hora, manda energia. Posso tomar foto minha, é me ajuda para caramba e tudo mais. Então esses aí eu sempre falo, cara, todo carinho que eu puder dar para todo mundo que apoia, eu vou fazer. Eu vou ali tirar foto com todo mundo, eu faço. Agora, para o pessoal que não me apoia, eu nem ligo mais, velho. Nem isso, pô, foi a melhor coisa que me aconteceu. E depois desse comentário, eu comecei a treinar mais do que treinar. Já treinava bastante, né, sempre fui muito, mas cara, fui no pessoal, eu falei, é, vai aparecer minha oportunidade. E o técnico, o coach, sentou comigo, eu cheguei, teve uma época que eu tava meio desesperado, eu não tava em contrato garantido lá na NBA, tem isso, tem contrato garantido e contratos não garantidos. Contratos não garantidos, os cara pode te mandar embora e você não recebe dinheiro e acabou, você tá, você tá no passo zero de novo. E eu sentei pro coach com medo de eu ser mandado embora e falei com ele: coach, o que que eu preciso fazer para começar a jogar? Aí ele riu assim, né? Olhou para mim e falou assim: Gui, senta aí que eu vou conversar com você. Começou comigo um tempão. Eu sei que no final da história assim, ele quis dizer assim, ele jogou 15 anos na NBA Foguinho, dos 15 anos que eu joguei na NBA, só 7 anos eu fui jogador de jogar todas as noites. Os 8 anos eu era jogador de completar elenco. Mas se você é um cara da hora, você é um cara que facilita o time, né, o grupo, tudo mais, vai dar certo. Continua treinando, fazendo o que você tá fazendo. E outra temporada são 82 jogos, alguém vai se machucar, alguém vai ser trocado, que tem na NBA também troca e tudo mais, e vai aparecer oportunidade para você. Aí eu falei, ah, beleza. Isso me acalmou, velho. E tá, e nada de eu jogar, nada de eu jogar. Eu falei com os cara, deixa eu ir para D-League de novo. E lá tem muito isso, os caras olham a D-League como com olhos ruins, tipo assim, cara, não, tipo, ir jogar D-League para quem tá na NBA é um retrocesso. Para mim não, eu falo não, eu quero ir porque quando chegar minha oportunidade de jogar na NBA eu vou estar pronto, eu vou estar com ritmo de jogo.
Puta, olha só, mano.
E isso, cara, eu fui para o jogo na D-League, o meu primeiro jogo, parecia que eu nunca tinha jogado basquete na minha vida, joguei Mal, mal, mal. Contrato assinado e fui, joguei mal. Foi, pronto, os caras vão me mandar embora. Aí fui malhar depois do jogo. E cara, eu cabeça milhão pensando, mano, eu vou ser mandado embora, não tô jogando bem, eu não tô jogando lá, vim jogar aqui, joguei mal. Que que eu vim arrumar? Por que que eu vim para cá? E nisso os caras chegava lá, dava um miguezinho na academia e ia embora. E o meu, aquele preparador físico que eu te falei, tava no time. Aí, mano, malhando, quase chorando, velho. Aí acabou tudo, ele fechou aí ele veio falar comigo: Gui, você tá bem? Meu irmão, na hora eu comecei a chorar, velho. Nossa, eu desabei, mano, chorando, malhando. Aí ele conversou comigo: não, fica tranquilo que, mano, é assim, você tá botando muita pressão em você mesmo, as coisas são desse jeito, você tá sem ritmo de jogo, mano, você que ficou 2 meses sem jogar, você voltou agora e você quer jogar como se tivesse jogando antes, não tem como. E conversou comigo, me acalmando. E ele era da hora que, tipo assim, mano, ele me ajudou, tipo assim, eu chegava fazer supino com 80 kg, assim, com 80 libras de eu ia fazer, ele não. Ele pegava, botava 85. Aí eu ficava puto, que eu era muito competitivo, que eu sou muito competitivo, e botava 90. Aí eu ia fazer com 90, aí ele ia fazer com 95, aí eu ia fazer com 100. Então ficava nessa, nesse embate. E ele, mesma coisa. Nesse dia, velho, o mal ia ser, eu acho que os maiores pesos da minha vida, com ódio que eu tava, mano. Um ódio. No jogo seguinte, mano, eu deitei, velho. Nossa, eu joguei bem pra caramba. Deitei, deitei. Aí os cara me chamaram de volta, já me chamaram de volta pelo time principal. É, e a gente viajando e tal. Aí teve uma viagem nesse meu segundo ano na NBA, teve uma viagem para Detroit. Tinham 3 caras da minha posição machucado, e o 4º cara, que era o Andrew Wiggins, que era o jogador principal na minha posição, ele, a mulher dele tava grávida e tava quase tendo filho, e teve um falso alarme de nascimento. Ele voou para São Francisco e eu era o único cara da posição para jogar. E eu fiquei sabendo de cima da hora que ele tinha ido para Francisco. Aí os caras, os técnicos, assistentes, chegaram e me disseram: Gui, fica pronto que você vai jogar, viu? Eu falei: puta, fodeu, fodeu! Agora que eu tô pegando meu ritmo de volta, tomara que dê tudo certo. Cara, nesse jogo, nossa, ficou o melhor jogo da minha vida, velho.
O melhor jogo! Eu ia te perguntar isso lá na frente.
Acho que é o melhor jogo da minha vida, assim, o que mais mudou, tá ligado? Porque nesse jogo eu tava em todos os lugares. Onde você tivesse que pegar rebote, eu pegava. Se tivesse que fazer 5 pontos, eu fazia. Eu chutei 5 bolas de 3 e matei 4 das 5. Fazia muito tempo que eu não fazia isso. Cara, Deus desenhou uma oportunidade perfeita para mim e eu tava pronto. E mano, tem umas bolas que eu chutava e o primeiro lance desse jogo foi um absurdo, né? Contra o Pistons lá em Detroit. Eu fiz um bloqueio para o Stephen, ele passou a bola para mim, eu tava livre para bandeja. É da hora falar isso, né? E eu tava livre para bandeja, mano. Ao invés de ir para bandeja, eu passei Eu bati a bola. Aí o Steffi, mano, é engraçado que no meu documentário tem tudo isso. Aí o Steffi levanta assim, bate a mão, tipo, mano, por que você não foi pra cesta? E nisso eu já pensando, meu Deus, ele vai ficar puto comigo, vai mandar eu sair do jogo. E nisso, milésimos de segundo, e nisso eu já saindo, indo pra zona morta, recebi a bola de novo e fui chutar de 3. Foi essa bola tem que cair, essa bola tem que cair. Pum, a bola caiu. Aí eu já voltei pra defesa rindo, eu falando com os técnicos nervoso, eu falei, não, 3 é melhor que 2, por isso, por isso que eu não bati. Maluco, aí pô, no jogo eu deitei, acabou o jogo, é, o pessoal do Brasil todo falando de mim, um pessoal lá falando de mim. Pô, chegou um outro cara aí do time que vai ajudar, e o cara tá jogando bem. Aí eu comecei a jogar mais depois disso, não jogava tanto, mas jogava mais. Todo jogo eu tava entrando, que seja um pouquinho, para trazer energia.
Os cara que tinham, né, cara, e tu conseguiu romper essa barreira, mano.
De pouquinho em pouquinho, velho. E eu entrava no jogo, fazia o jogo sujo mesmo, velho, para conseguir jogar o jogo sujo mesmo, que tinha que pegar rebote e bater nos cara. Aí eu falei, não, quem precisar eu faço aqui.
Trash talk.
Pokémon. Lá rola, lá rola. E eu só falo em português aí. Eu só falo em português, cara.
Os cara aí fica mais puto ainda.
Speak English, speak English. Vai tomar no seu cu assim que você fala, mano. Cada coisa, cara. Teve um jogo, é um dos moleques do Utah Jazz que tá lá. Eu nem sei se ele tá agora no time jogando demais, cara. Eu sei que ele falando merda para mim o jogo todo. Era um jogo que não valia muita coisa, então tava o tanto o Utah Jazz quanto o Warriors tava botando mais a molecada para jogar. Aí no jogo ele foi, fez uma bola, saiu falando merda para mim. Aí, you too little, too little, too little, tipo, você é muito pequeno, tá ligado? Não consegue me marcar. Aí eu fui, fiz uma boa defesa dele. Aí eu, get the fuck out of here, motherfucker!
Porra, aqui é Brasil, porra!
Não, aí eu falei inglês no começo, né? Aí beleza. Aí ele começou a falar merda para mim, o jogo todo. Aí eu comecei a xingar ele de tudo em português, de tudo, todos os nomes que você imaginar.
Filha da puta, vai tomar no cu, tudo, tudo assim, pô.
Não, na cara dele, na cara dele, xingando ele. Aí ele virou para mim e falou assim: speak English, motherfucker, speak English. Eu acho que essa virou minha frase favorita, velho. Essa virou minha frase favorita. Eu virei para ele Ele falou assim: "Bro, speak English, minha pica." Eu falei, mas mano, eu fiquei tão feliz de ter falado isso. Parece que eu falei, cara, que da hora! Qualquer coisa eu xingava em português, hoje o que eu falo, velho? Porra, eu falo português. Ah, que isso? Speak English? Aí eu vou e falo isso. E aí, pô, tem história, por exemplo, Luca, Luca Don't Talk, fala muita besteira também, né? Ele gosta.
É mesmo?
Ele gosta.
Mas é muito bom, são os caras desses bravos.
E mano, ele sabe falar várias linguas. E às vezes eu, umas jogadas lá, marcando ele, ele flopou. Aí eu falei com ele: 'Ah, ele tá flopando, mano, olha o tamanho do cara, e o cara flopando, não precisa disso.' Falando com o juiz, né, isso em inglês. Aí ele virou para mim em português: 'Cala a boca, filho da puta!' É mesmo?
Eu olhei para ele: 'Tá louco, tá louco, abusado!' Mas ele sabe, velho.
Caralho, que filho da mãe, cara! Como é que ele aprendeu isso? Ele deve ter conhecido, mas 3 dias depois, tipo assim, não, eu fiquei em choque, mano. Eu falei, caralho, mas ele, velho, ele sabe. Mas tipo assim, depois do jogo é de boa, tá ligado? Na hora os cara xinga, pá, mas depois do jogo ele chegou, falou comigo. Depois eu fui jogar contra ele, até pediu uma camisa dele, ele me deu uma camisa dele, eu jogando pela seleção e ele pela Eslovênia. Não, eu fiquei muito nervoso na hora, eu fiquei muito nervoso. Eu falei, caralho, me xingou em português, que da hora, mano. É o Luquinha, pô.
Agora Você já tinha falado sobre a influência que a NBA teve no seu jogo como um todo, taticamente, fisicamente. Agora eu queria perguntar sobre a influência do Steve Kerr, que é um cara que assim já tem sua história, já tinha sua história como atleta do Chicago Bulls, enfim, aquele time histórico. E aí, cara, o que que ele te passou de basquete que você não tinha ideia, que você, cara, que que ele mudou na sua vida como atleta assim, até como pessoa mesmo, cara.
É, primeiro, ele, pelo fato dele ter sido jogador da NBA durante muito tempo, isso ajuda muito ele a lidar com jogadores. Que, cara, ele fala com a gente como se ele fosse jogador, tipo assim, ainda continuar sendo jogador, não como técnico. Tipo, eu não sou o técnico principal, não sou o técnico que bota vocês para jogar, eu sou o Steve Kerr, que joguei na NBA, sou 9 vezes campeão da NBA, eu sei do que eu tô falando. E você não vai discordar, não vai. E pô, ele conversa assim, igual essa história. Eu não sei como que um técnico que não tivesse jogado, que não tivesse toda essa experiência que ele tem de NBA, chegaria, me acalmaria da forma que ele acalmou, falando da questão do jogo. Tipo assim, são 82 jogos, você vai jogar, mano, calma, você vai jogar. E a forma que ele fala com os jogadores, velho, como pessoa, ele é um cara absurdo assim. Meu pai, minha mãe chega lá, meu pai acompanhava NBA também antigamente, viu ele, chegou para tirar foto, ele, mano, de Pessoa boa, trata bem. Eles têm uma estrutura absurda para família também, pô. Chega a família lá, tem a sala da família que aí tem comida. Isso até engraçado, que meu irmão, eu tenho irmão mais novo, né, 16 anos, que eu falei, joga também, tá jogando muito. O Dudu, Edu Santos também, né, como o pessoal chama ele. Ele chega lá, molequinho assim, né, e porque a fase de crescimento comendo muito. Aí o chefe lá, ele, a família dele era mexicana. Então ele fala espanhol também, desenrola para comunicar com minha família, cara. E meu irmão, você pede no QR code as comidas que você quer. E meu irmão pedia, pedia, pedia, pedia, só chegava os pedidos lá dele. Aí acabou o jogo, ele falou: caraca, teu irmão tava com fome hoje, hein, velho, teu irmão tava com fome hoje. Por quê? Ele falou: cara, você vê que o tanto de pedido. Cheguei lá, ele comeu tudo, velho, tudo. Aí hoje quando eu falo assim para ele: ó, meu irmão tá colando "Olha aí." Aí eles: "Vixe, vou ter que aumentar o estoque de comida." Mas eles sempre tratam muito bem a família.
Eu não sei se você tem essa impressão, eu vou querer saber essas coisas de vestiário também, que deve ser muito louco tu dividir vestiário com essas lendas do esporte mundial, né, mano?
É loucura, é loucura.
Caralho! Tipo, só que assim, eu tinha a impressão, a gente foi pros Estados Unidos uma vez, né?
Uma vez, segunda agora. Não, você é uma parcela, duas, né, no caso, você voltou pra semifinal, né?
"Vou pra Nova York, mano, vai ter uma galera, pô, esses caras são cheios de marra, uns cara babaca, porra, tá ligado? O inglês mais ou menos." Aí, mano, fui muito bem surpreendido assim. Nova York é a cidade cosmopolita e tal, os cara ainda dão uma zoada assim, pô, a galera que trabalha mesmo nas paradas de restaurante e tudo mais, os cara querem saber e tal, conversa assim, eu fui bem surpreendido assim. Assim, galera legal assim. E eu tinha essa visão, pô, vai chegar na NBA, vai ter uns puta cara marra para caralho assim. Foi bem surpreendido ou não? Tem esses cara e tem uns cara que surpreende assim.
Quando eu tava na D-League, eu fui surpreendido para o lado negativo, porque, mano, lá o absurdo para mim foi quanto melhor o cara, mais humilde o cara era, e quanto pior o cara era, mais mala ele era. E na D-League, pô, era os cara que não era estrela NBA e tudo mais. Mas os cara não amarra da porra e não falava com você. Eu cheguei lá, os cara mal conversava comigo, os cara não queria saber de nada. Mas ela tinha cada um com o seu ali, todo mundo. Aí eu falei, cara, ninguém gosta de mim. Só que eu aprendi que é assim, mano. Os americanos lá são extremamente profissionais, velho. É quando você tá competindo, quando você tá competindo, eles não quer saber, eles não quer ser seu amiguinho. Pode até trocar uma ideia, zoar e tal, e mais, eles não querem ser seu amiguinho. Tá ligado? Aí, pô, eu fui para— quando eu fui para o Warriors, totalmente diferente, velho. Eu na banheira de gelo, a primeira vez que eu vi o Curry assim de conversar, trocar ideia, eu tava na banheira de gelo, ele entrou na banheira de gelo também. Eu tava com frio, passou o frio na hora, nervoso com o homem que ia entrar.
Vou falar o quê com o maluco, né?
Aí, mano, minhas pensamentos passando do lado para o outro aqui assim, ó, fazendo nada, só fingindo que eu tava fazendo alguma coisa lá para ele não falar comigo, porque eu tava nervoso. Aí ele puxou o assunto, perguntou de onde que eu era, do Brasil, quanto tempo o senhor já tinha ido para lá e tal, como é que eu tava, de onde que eu tava morando lá e tudo mais. Cara, super gente boa, conversou comigo de tudo. Eu perguntando umas coisas para ele também, que ele sempre dava escutar, né? Ah, cara, que da hora! E como é que foi isso e aquilo e aquele momento? E ele de boa, mano, respondendo tranquilo. E aí foi quando eu vi, falei: é, mano, os cara, quanto mais Dermot Green, mesma coisa, você senta para conversar, tipo assim, ele é meio doidão quadra, chega lá e briga com os cara, tromba com os cara, discute com juiz.
Mas você vai começar com o cara, precisa de um cara desse.
Quando você tá no time oposto dele, você tá lascado, mas você tá no time dele, você vai fazer alguma coisa.
Torcida adversária odeia ele, né?
Sempre, sempre. Mas é o cara vencedor.
Todo mundo quer um no seu time, um cara que odeia. Torcida adversária odeia.
Exato. E é isso que o Draymond Green fazia. E lá no Warriors a gente tem dois tipos de liderança, tem o Draymond, que é um cara mais vocal, que fala com todo mundo, que dá esporro, que se tiver que chamar atenção vai chamar, que vai falar. E tem um cara que é o líder sem falar nada, que é o Stephen. Ele é tranquilão, velho, tranquilão. Tudo tá bom, tudo tá tranquilo, a comida, não sei o quê, tá tudo de boa, não precisa de muito. Mas se ele não gostar de alguma coisa, ele não fala nada, só pela respirada todo mundo já sabe, velho. Assim, chega no jogo, vai descendo, ele tá puto com alguma coisa, ele passa fala assim, velho, todo mundo só olha e já fala, fudeu, o homem tá puto, o homem tá puto. Agora o Draymond não, o Draymond desce, pô, vamos, caralho, tem que falar, tá, tá, tá, tá, tá, tá, e briga com todo mundo. O Steph só olha e fala assim, rapaziada, seguinte, nossa, na hora todo mundo cala a boca, já olha e fala, então ele vai tá puto com alguma coisa. Mas ele vai e mostra para a gente na quadra, aí todo mundo vai atrás dele, tá ligado? É tipo uma liderança diferente, é o homem que mudou o esporte, né, mano? Mudou, mudou 100%, velho. Hoje em dia NBA, basquete no geral, né, velho, é só bola de 3, mais bola de 3 do que bola de 2, por conta dele, velho, por conta do Warriors, né, da época lá que tinha ele, o Klay Thompson e tudo mais.
E tu viu alguma chave assim, mano, nele assim, no treinamento, tu olha assim de caralho, como é que esse cara acerta essa porrada de arremesso da puta que pariu, longe pra caralho?
Treina muito.
Muito, treinar muito ele treina. Mas cara, eu acho que aquilo ali não é só treino não. Eu acho que ele foi escolhido também por Deus, cara, para ser o que ele é. É absurdo, cara. Ele chega, é uma confiança absurda. E ele treina muito, mas tipo assim, tem caras que treinam também bastante e não alcançam o nível dele, e nunca vão alcançar, cara. Ele é—
tem algum jeito no arremesso, cara?
Tem hora que ele arremessa que você fala, mano, ele não tá arremessando, ele tá tacando da bola.
É, né, um estilo meio bruto.
Ele chega, mano, de costas, vira e taca a bola para cima, uma bola cai. Aí você fala, mano, não tem como treinar isso, não tem o cara chegar e treinar repetição desse arremesso. Teve uma bola contra o Brooklyn Nets, eu tava jogando nesse, eu tava em quadra, mano, ele tava com a bola no meio da quadra, de costas para cesta, os cara pressionando, mano, ele virou o step back do meio da quadra, chutou e a bola caiu. Eu tô embaixo da cesta, tem até cena que eu faço assim, velho, com a cabeça Fala: "Mano, vocês viram isso também?" Mano, absurdo, absurdo.
Quando ele acerta uma dessa aí depois do vestiário, ele fala alguma coisa?
Não, é normal. Todo jogo ele acerta uma dessa.
Ah, é verdade, é verdade.
Ele faz isso todo jogo. Tipo assim, pra gente é um choque na hora, mas beleza, é o Steffen, tá ligado? Ah, normal, ele vai fazer isso de novo, ele vai fazer isso de novo. Aí você chega no vestiário, nada aconteceu, e ele mata a bola e sai correndo pro vestiário, tipo assim, mais um dia normal. E até, tipo assim, cheio de dancinha, cheio de fazer as paradas dele. Dele, né? E cara, ele é tão bom que ele arremessa, ele já sabe que a bola vai cair, e eu acho que ele já tá pensando na dança que ele vai fazer depois que a bola cair, na comemoração. Caralho, é muito bom! É muito, tipo assim, o cara foi escolhido mesmo, ele é diferente, velho. Ele, ninguém na história do basquete vai conseguir fazer o que ele fez novamente, não tem como. Por isso que para mim, quando o pessoal pergunta, ah, seu top 3 melhores da história, cara, ele tá no meu 3. Eu não consigo falar depois, tipo assim, falar mais do que 2 jogadores melhores que ele. E são, na minha opinião, são pela história, é o primeiro lugar tá o Jordan para mim, em segundo lugar eu coloco LeBron por tudo que ele representou para o basquete também, e em terceiro é ele, velho.
Porque, cara, o que ele, o que ele é um cara que muda o esporte assim, eu mudo o esporte ou muda um clube, já é.
Não, o que ele fez é absurdo na história assim, cara. Ele a gente chega. Tem uma vez que a gente tava em Minnesota, -27, -28 graus assim, frio do caramba. Aí os cara pegou para a gente descer lá e tal, cara, 60 ou 70 pessoas na beira do hotel, 3 horas da manhã, esperando o cara só para ver o cara. É um nível de, tipo assim, a gente joga fora de casa, ele mata uma bola, ele não é odiado. Esse que é o negócio, tipo assim, você vai, o cara tá vendo ali a história acontecendo, ele vai jogar contra, aí a gente vai para Orlando, vai jogar em Orlando, mano, quando ele mata uma bola de 3, a torcida é maior do que quando o Orlando mata uma bola de 3. Ele é muito, mano, não tem o que fazer, não tem. Ele é ele, tá ligado? E eu tô tendo oportunidade de dividir esse espaço com o cara todo dia. História, mano, é loucura.
Fora aquecimento, né? Fora aquecimento, cara, vivendo a história.
Aquelas gracinhas daquecimento, brincadeira. Exato, exato.
Dentro do túnel, pô.
E como que você treina a bola daquela? É isso que eu tô falando. Como é que o cara chuta uma bola do outro lado do túnel e acerta lá? Não tem como, velho. É escolhido. O cara é o escolhido e acabou.
Parece um guiando a bola assim.
E é engraçado que a gente tá no banco e a gente vê ele fazendo as coisas, aí vai matar uma bola absurda, a gente olha um pro outro e fala assim: cara, que doideira, a gente tá vendo isso de perto, né, velho? Jogando com o cara, cara, isso é muita coisa.
Deve ser muito—
só os cara de altíssimo nível falando isso, né?
Tipo assim, você olha pro lado, esse cara 20 anos na NBA, Wal Hoffer já tava 19 anos na NBA, sempre jogou contra o Curry. E esse último, a temporada, ele tava jogando no time dele, tá no nosso time. Aí ele matando as bolas, o Hofford olhava assim, cara, que da hora, eu tenho isso no meu time agora, não é contra, tá ligado? Isso que é da hora, velho.
Isso é muito louco. Você também, por exemplo, jogo, pô, tá o jogo parelho e tal, faltam 10 segundos, a bola vai ser nele. E assim, ele sabe que a bola vai ser nele, o ginásio sabe, o time adversário sabe, ele mata a bola.
E não tem o que você fazer, não tem como você marcar, é, não tem o que. E outra, é foda porque também a gente faz muito bloqueio para ele. Então os caras, para acompanhar na defesa, é difícil, que vai passar de um, aí ele pula, consegue passar do primeiro, aí chega outro, porrada de novo, porrada de novo. Aí ele fica mais livre, mas mesmo assim ele também recebe muita porrada jogando também. Os cara agarra ele para lá e para cá. E eu, pelo fato de eu jogar, eu já entendo muito o jogo de como ele vai jogar, o que que ele faz, cara. Eu já sei quando eu vou estar livre Não, quando eu vou fazer o bloqueio, eu amo fazer bloqueio pro Steph, porque assim, quando você faz bloqueio, você vai ficar livre. O seu cara vai marcar ele e o cara que tá marcando ele vai marcar ele. Na hora que você cortou, você tá livre, aí você pode fazer a cesta. Então eu vejo o Steph nos jogos assim, né, eu tô jogando contra, a gente tá na transição, no contra-ataque, aí eu já tô gritando o nome dele, Steph, Steph, Steph, Steph. Aí ele já sabe que eu vou fazer bloqueio e ele já vem. Quando ele vai sair no bloqueio, eu bato um pouquinho no cara dele, já corta, aí eu tô livre. Aí o Draymond Green dá uns passes lá e faço a bandejinha. Quando você vê, você fez 8 pontos só de bandejinha fazendo no Steph.
Puta, olha só, mano. Cara, eu acho essa questão tática de basquete é muito foda assim, porque é questão de bloqueio pro outro arremessar e você mesmo ficar livre depois do bloqueio.
Eu acho muito foda o desenho da jogada.
Desenho das jogadas, cara, isso é muito louco.
Totalmente diferente de outros esportes.
Se você for pensar no esporte, no espaço físico da parada pra fazer isso tudo, é de uma criatividade bizarra.
Cara, é loucura. A linha dos 3 pontos e isso e aquilo, e é muita regra. Ah, não pode dar mais de 2 passos com a bola na mão. E cara, é muita coisa que os caras, tipo assim, né, desenfolhado, eles criaram.
Mas hoje, por exemplo, tava vendo documentário do Ronaldinho. A Ronaldinho falou que parte das paradas que ele fazia no futebol ele replicava.
Verdade, ainda é mesmo.
Por exemplo, o passe sem olhar, um povo fazia muito isso.
Kobe fazendo Magic Johnson.
Então assim, pô, muito foda, cara.
Da hora, não sabia disso não.
É, no documentário dele fala sobre isso.
O basquete americano é muito grande, velho. Tipo assim, por exemplo, hoje Warriors vale mais do que o Real Madrid, velho. Você imagina isso?
Isso é bom falar, mano.
Você sabia disso? É, velho, o Real Madrid é tipo assim, hoje acho que das 10 franquias mais valiosas do mundo mundo, Real Madrid, Barcelona, Warriors, e acho que 6, deve ser 6 ou 8, sei lá, são de times de basquete e futebol americano. E o Warriors é a franquia mais valiosa do mundo, velho, é a 01. E ó, para você ter noção do tamanho do Steph, ou seja, tu joga no maior time do mundo de qualquer maneira. Eu acho que quando o Warriors era o Warriors, quando antes do Steph chegar, o Warriors devia valer, sei lá, 700 e não sei quantos $100 milhões, mano. Hoje vale mais de 11 bilhões, cara. Isso é pico de país, por conta do cara, tá ligado? É absurdo, velho. Olha o tamanho dele. E isso que eu— e para mim eu falo, pô, que da hora. Mandei mensagem para ele ontem, tipo assim, não, eu mandei mensagem para ele ontem conversando com ele, ele responde, falou, caraca, ele tá aqui, velho. Eu ligar, oh, Stevie, suave. É desse jeito, mano. Caralho, mano, super de boa, mano, super de boa.
Porra, isso é maluquice, cara. Seguinte, eu queria perguntar para você assim sobre, tu falou o segundo maior jogador da história do basquete, que é LeBron James.
Eu teve que marcar o LeBron algumas vezes. E aí, aquele ali, tipo assim, o Stephen é um talento, vamos dizer, refinado. Não que o LeBron não seja, que o LeBron também é, mas o LeBron é um talento bruto, mano. Tipo assim, você bate no cara, velho, você fala caralho, a parede, mano. Rede, velho. É diferente, diferente. Teve até no meu documentário também mostra, teve uma bola nesse, nos últimos jogos contra o Lakers, que eu tentei cavar uma falta de ataque, que é quando você para na frente do cara para o cara bater em você e você cair. Nunca mais eu vou fazer isso. Eu tentei fazer isso com LeBron, velho. Não, ele trombou em mim, eu caí, eu falei: nossa, eu fui atingido por um trem aqui, velho.
Sério, louco!
E doeu o joelho, levantei mancando. Aí ele: you good? You good, boy? You good, boy? Eu tô bem, tô bem. Já joguei com ele também na seleção brasileira, nas Olimpíadas, né? A gente jogou contra os Avengers, né, que é o time deles. Marquei o LeBron, teve uma bola no poste. Tipo assim, na NBA você não pode ter tanto contato, né, na defesa. Na FIBA já pode mais, que é o resto do basquete do mundo. Aí nas Olimpíadas, como FIBA, eu tava segurando mais ele. Aí tem uma bola no poste baixo que ele tentou me empurrar e eu segurando ele. Foi, cara, eu tô forte mesmo, hein, velho. Mas aí depois ele chegou na NBA assim, aí você vê, mano, o cara é realmente diferente, velho. Ele tromba, tromba em um, tromba em outro, tromba em outro, quando vai ver já tá fazendo a bandeja, velho. Isso porque ele tá com 40 anos de idade. É, imagina ele com 23 anos, 24 anos. Que pariu, mano, absurdo, absurdo.
Ele, eu acho que eu vou falar uma cagada aqui, você me corrigir assim. Eu acho que ele mistura esse talento pra cacete com força pra caralho.
Exato.
Normalmente o cara que era muito forte, muito, muito forte igual é o caso dele, o cara perdia um pouco de mobilidade ou não era um exímio arremessador de 3 ou mais.
E ele faz tudo, cara.
Ele é completo de talento e de físico.
E foi mudando o seu estilo também ao longo da carreira por conta disso.
E ele, por exemplo, quando chegou na carreira no começo, eu acho que ele não era um bom chutador de 3 3 pontos. Hoje ele chuta bola de 3 também, mata muita bola de 3, passa a bola. Se você pressionar, ele corta interna na sua cabeça. Não tem o que fazer, o cara é bom também, tá ligado? E ele realmente faz tudo, velho, de tudo que você imaginar dentro de quadro o cara faz. Passa a bola, ele trabalha, um dos melhores passadores da NBA, um dos melhores caras que trabalham e finalizam lá dentro do aro. E com 40 anos de idade, o cara, o maior cestinha de todos os tempos da NBA, não é à toa também, né?
Muito foda, cara. E perguntando para você, esse cara, em nível, você falou FIBA e NBA, eu sempre olho essa parada, eu falo, porra, mano, devia ser tudo uma coisa só, né? Se a NBA é a referência, acho que a FIBA deveria igualar a NBA. Aí você espalha o melhor basquete do mundo.
É loucura falar isso, mas são dois estilos de jogos totalmente diferentes. Porque assim, no basquete da FIBA tem algumas regras a mais, por exemplo, na na NBA, na verdade, questão de defesa. Você não pode ficar 3 segundos dentro do garrafão, que a área pintada lá, você não pode ficar 3 segundos dentro do garrafão. No ataque você não pode, tipo assim, no ataque na NBA é muito mais rápido, tudo é corrido. Na FIBA você trabalha mais a bola, mexe a bola, às vezes você tem um arremesso livre, mas você não chuta porque tá, porque tem, sei lá, 20 segundos ainda no relógio. Na FIBA, na NBA, se você não chuta um arremesso com 20 segundos, você tá livre, o tira. Você não vai chutar essa bola, vai ter outro para chutar. Então é, a velocidade do jogo é diferente, a fisicalidade do jogo é diferente. Os caras que estão— e a dos três ainda, ainda a linha dos três na zona morta é igual a da FIBA, mas quando faz o arcozinho assim, aí que é, aí que é maior, é a linha é mais longe. O tamanho do arco, a mesma coisa, bola, mesma coisa, essas paradas assim. Mas a maior diferença é a diferença do tamanho da linha dos três também.
É 5 igual lá, eu acho, cara.
Eu gosto muito do jogo da NBA e gosto muito do jogo da FIBA. É tipo assim, eu acho que se misturasse, é porque, por exemplo, o que que na FIBA não tem muitos caras fazendo 60 pontos, 70 pontos, até 83 pontos, igual aconteceu essa temporada? Porque a defesa, os cara deixa encostar e se encostar. Na NBA você tem que marcar, é, na NBA você tem que marcar, mas sem usar os braços. E para marcar os caras rápidos e na habilidade que ele tem, sem usar o braço, é muito mais é difícil e os caras sabem usar isso, falta e tudo mais. Então por isso que é mais fácil pontuar na NBA, por isso que o jogo é 150, 130, 140, 130. É muito difícil fazer isso no, quando você pode jogar defesa. Até quando eles vieram jogar também as Olimpíadas, então eu gosto na verdade dos dois estilos de jogo. Ia ser bom se eles achassem um equilíbrio entre os dois e colocassem assim para jogar, mas é que NBA é um show à parte também, né? Tem que pensar nisso. Então tem que ver se a FIBA, as regras são para o show também. Exato, exato.
E assim, aproveitar a gente tá falando sobre basquete FIBA e NBA, acho que a gente não poderia deixar de falar que acho que é o primeiro personagem de basquete que a gente traz aqui depois da partida do Oscar.
É, isso é legal de falar.
E acho que é muito interessante a gente falar sobre isso porque a gente vê como as estrelas da NBA sempre bateram reverência pro Oscar, bateram cabeça falando assim: pô, esse aqui era brabo, até por conta do que aconteceu no Pan-Americano.
Curtiu o Kobe, né?
O Kobe bastante.
Assistiu ele, né?
E aí E aí assim, teve algum impacto em relação à morte dele lá nos Estados Unidos? E principalmente, como é que as pessoas falam sobre o Oscar e o basquete brasileiro lá, sabe?
Cara, ele é muito respeitado. Eu fiquei até surpreso, né, com tanto de gente que conhece ele no basquete mundial. Porque assim, americano é muito: a gente é o melhor e acabou, é só nós.
É o campeonato mundial de basquete.
É isso. É igual qualquer coisa. Vai jogar futebol americano, campeão mundial. Jogou beisebol, campeão mundial. E no basquete os caras respeitavam, respeitam muito ele, né, velho? Absurdo. O Steve Kerr, que foi meu técnico, jogou contra ele, falando lá dele, né, que tipo assim, pô, Oscar, um grande jogador e tudo mais, fez história pelo basquete. Ele é muito respeitado lá, muito. E isso até me surpreendeu um pouco, justamente por conta do que eu te falei, tipo assim, deles, dos americanos, são nós e nós, acabou. E o Oscar é muito respeitado respeitado lá.
Maneiro você falar do Steve Kerr. Não lembro quando ele deve ter jogado em Olimpíada, né?
Foi no jogo que ele machucou. Tem até uma foto deles jogando junto, Mundial 86. Isso foi no Mundial de 86. Então tem uma foto, Steve Kerr se machucou nesse jogo e o Oscar tá ajudando a carregar ele para fora. Ele que chegou, me mostrou essa foto falando disso. E tipo, muito respeitado, velho, né? O Oscar, você tem noção, não sei se sabem disso, mas o Oscar, ele é o segundo maior pontuador da história do basquete, atrás do LeBron. Cara, isso é loucura, né?
Isso é muito gigante.
O cara foi Hall da Fama sem ir para NBA.
É isso, é.
Quantos fazem isso, fizeram isso, tá ligado? É diferente, é outro patamar também.
A cerimônia do Hall da Fama dele é espetacular.
Por que que eu não fui para NBA? Vou falar para vocês. Aí ele começa a contar a história e tal, é da hora.
E assim, isso é É muito importante falar, até é um cara da tua geração assim, que todos os esportes é assim, né? Ah não, que eu tô vendo agora o melhor da história, cara, pode ser, mas você também tem que pesquisar a história, né?
Lógico, exato.
Pode achar que tudo que era antes de você era pior.
É, e eu acho que são muito de tempos, né? O jogo muda e essas coisas, então não tem como comparar. Mudam o jogo, tem uns caras que mudam o jogo, exato. Então acho que tipo assim, no caso, por por exemplo, eu nunca vi. Eu nasci em 2002, o Oscar parou de jogar em 2003, então eu nunca vi o Oscar jogar. Eu só via por vídeo, por histórias, e escutava e tudo mais. Então meu pai falou, meu pai já jogou com ontem, então eu conheço ele, assisti ele jogar, respeito toda a história que ele fez e tudo que ele fez. Acho que muito difícil vai ter alguém igual ele na história do basquete brasileiro. E hoje em dia eu vejo os outros caras jogarem. É muito difícil de você comparar um Oscar com LeBron James, com Stephen Curry. É outro basquete, é outro, tá ligado? É igual, não sei, no futebol, igual o pessoal compara, sei lá, Pelé e Messi. É isso, é outro esporte, né? É outro esporte, pô. Na época do Pelé era outro futebol. Os cara jogava quase com a bola quadrada, tá ligado?
Então era difícil pra caramba.
E o cara dava show e o pessoal, ah, esse cara jogava não sei o quê.
Não, mano, tem que respeitar Todas as próprias, o próprio Kobe se aproveita até hoje de algo que o Oscar abriu a mente dos americanos, que é o chute de fora, né?
Então assim, teve uma época que não podia, nem tinha ele. Era só infiltração, os cara preferia chutar uma bola de pisada com o pé na linha. Hoje em dia, se você chuta uma bola dessa, você tá louco? Não, vai para dos três, é bandeja ou três pontos. Na NBA, os caras, tipo assim, tem ainda o mid-range, né, de jogo, mas os cara não gostam, os cara gostam de bandeja e 3 pontos, que isso é 100% de aproveitamento. E outra é mais baixo, mas vale mais ponto.
Gustavo Almeida perguntou, pergunta o que que ele acha do Embiid, como é marcar ele.
Perguntei, o jogador mais alto da NBA, né? 2 e 27, 2 e 27. E cara, os braços gigantescos, mano, é difícil de marcar, difícil de atacar, é difícil ficar perto dele, velho. Jogando nas Olimpíadas, eu também tive oportunidade de jogar com ele.
Eu lembro desse jogo, cara, esse jogo das Olimpíadas eu vi foda assim, mano.
Cara, ele, mano, absurdo. Não, a gente foi pau a pau com ele, só no final do jogo que a gente perdeu. A gente foi igual, igual, a gente perdeu de sei lá 6 pontos, 8 pontos aquele jogo, mas a gente jogou de pau a pau com eles, tipo assim, o jogo todo. E eu jogando contra ele no Spurs também, cara, às vezes você tá livre embaixo da cesta, mas ele tá perto, você não vai pra cesta com medo de tomar o toco. Ele tem um impacto gigantesco. E um cara da altura dele não tem, e o cara não tem Tipo assim, normalmente os caras mais altos não tem a mobilidade boa. Você vai falar com ele, mano, o cara tem uma mobilidade de um cara de 1,80m de altura e vai lá e corre para cá e vai para lá e dá toco e daqui a pouco mata a bola de 3 de longe. E não tem como, não tem como. Eu acho que é outro cara que também vai revolucionar o basquete aí, já tá fazendo isso, né? Mas é difícil você achar alguém igual ele também. É, aí pelo biotipo, né? Exato.
É para revolucionar você tem que ter mais, mais seleções, mano.
Como é que o Brasil hoje tá? Evoluir assim para—
Cara, o Brasil hoje tá mais numa, não sei se tá, eu não diria passando, mas já passando, já passou já por uma renovação, tá tendo uma galera nova que tá vindo aí, acabou a geração, pô, teve uma puta geração, muitos caras, né, Leandrinho, Nenê, Varejão, Split, Huertas, então tá acabando. Inclusive eu tava no último jogo do Huertas pela seleção que foi nas Olimpíadas, Era muito fã, mano. É, ele ainda tá deitando na Europa, velho. Tá com 40 anos e tá MVP, esses caralho lá. Ele é muito bom jogador, cara, muito bom. E cara, hoje tá vindo uma nova geração de jogadores que tá jogando bem, tá mais adaptado a esse novo jogo do basquete, né, que mudam muito o jogo. E cara, eu quero, igual eu sempre falo, eu quero, são dois objetivos que eu tenho: uma medalha olímpica com a seleção jogar com o meu irmão na seleção. Jogar, é isso daí, é isso daí, com certeza. A gente tá próximo, né? Tá próximo jogar com meu irmão na seleção, mas ganhar uma medalha olímpica e ser campeão da NBA são as duas coisas que eu mais almejo assim hoje. Tu acha possível a seleção brasileira chegar no basquete? Hoje tá muito igual. Ah, vai jogar contra Europa, qualquer time da Europa, os cara tem isso, aquilo. Mas cara, o jogo é jogado hoje, mano. E você viu os Estados Unidos com os jogadores que eles tinham, ganharam da França no sufoco. E a gente, pô, empatou o jogo quase todo com a França, perdeu no final. E a gente jogou com Estados Unidos, lógico, a gente perdeu de acho que 20 e poucos pontos, quase 30 pontos. Mas acho que foi mais pelo caraca, os cara, do que realmente pelo basquete em si, tá ligado? A gente podia ter jogado melhor aquele jogo, mas lógico, não tira, né, os cara, os cara realmente. Só que a gente, o pessoal perguntava, ah, vamos jogar com a seleção americana, a gente fala não, todo mundo é no vestiário não, mas entrevista: "Cê é louco, os cara tem dois braços, duas pernas, todo mundo é igual, a gente não tem medo dos cara, não sei o quê." Acabava a entrevista, os cara: "Caraca, vamos ter que marcar o LeBron, o Steph, o Duran, fudeu." E os três ao mesmo tempo, fudeu, velho. E o plano de jogo, o plano de jogo que era engraçado, pô. Tipo, que aí o cara: "Não, a gente vai tirar os três pontos do Steph, aí pra isso a gente vai dobrar." Aí beleza. "Aí a gente vai tirar o "I saw" do Duran e a gente vai dobrar também." Aí a gente: "Beleza, já foram quatro caras já do nosso time." E os outros 3 correndo. Caralho, mano! Mas foi uma experiência da hora, velho.
Porra, é, não, mas aí é bugado demais.
E a gente zoava no ônibus indo pro jogo. A gente, pô, então a gente vai dobrar no Steph, vai dobrar no Durant, aí tem o KD, o Devin Booker e o Anthony Davis na quadra ainda. Ah, o resto a gente deixa chutar, vocês ganham.
Cara, isso é foda, mano. Ele é bugado.
É, não, absurdo, absurdo, velho.
Pega os caras assim, mano, é o foda no Lakers.
Esse daqui é o foda não sei aonde. Aí pega, aí pega o Zezinho, não sei o quê, não sei o quê, para jogar com os cara não dá, velho.
Mas mesmo assim, tipo assim, igual tava falando, internacionalizando num sentido de que daqui a pouco vai ter seleção batendo com os caras.
Vai, já tem, já, já tem. A Alemanha ganhou o Mundial deles quando eles não estavam tava com Dream Team dele, né? Com Dream Team é foda. Mas o Dream Team também tá mais velho, tem esse ponto. LeBron tá se aposentando daqui a pouco, Steph se aposenta daqui a pouco, Durant se aposenta daqui a pouco. Então tem uma nova geração. Na França tem muito jogador, muita geração mais jovem. E hoje, se você for olhar na NBA, quem tá tomando conta da NBA são jogadores estrangeiros.
Os gringos, Luka Dončić.
Os últimos MVP são todos estrangeiros.
É, mas falta juntar assim, normalmente aparece que era o Dončić, esloveno.
Aí não tem mais, né?
Aí você olha para Grécia, não tem outro.
Tem, é, então falta ainda. Exato, exato, mas tá acontecendo, velho, tá acontecendo. E isso é bom para o basquete mundial porque fica de igual para igual.
Exatamente, não fica aquele monstrão lá que todo mundo brigando pela medalha de prata, né?
Exato.
Agora uma pergunta que eu queria fazer também, eu vou terminar aqui com super chat da galera.
É que com certeza deve ter essa pergunta, inclusive, você tem um movimento específico com seu batizado na NBA, isso é uma coisa muito louca, porque a NBA não foi criada agora, né, gente?
Exato. Eu não fui o criador desse movimento, né, eu sempre utilizei desse movimento, mas porque assim, na NBA os caras são muito atléticos, os caras pulam, eles batem a cabeça no aro, então eles querem dar toco a jogo do momento. E eu via isso, e eu não pulo igual os cara. Então você tem que criar um novo jeito de conseguir enganar os cara para você fazer a cesta. E cara, eu via, comecei a perceber que se eu só fazer assim, ó, levantar a cabeça e a bola fingindo que eu ia para cesta, os cara pulava. Foi, cara, eu vou começar a fazer isso. E aí chegava perto da cesta, aí passavam pulando, aí eu fazia cesta. Aí às vezes eu fazia, o cara não pulava, subia rápido, aí o cara não tava esperando. Então eu comecei a utilizar disso. Aí tem até o sobrepasso, né, step que a gente fala, que aí é quando eu faço isso, o cara não caiu na finta, normalmente você fala, fodeu, o que que eu faço? Aí eu venho com um passo, sobrepasso, que aí eu faço isso, o cara levanta um pouco, quando eu levanto eu faço um passo que dou em volta, tipo, dou uma volta nele e faço a bandeja. E acabou que isso quando pegou, né, aqui agora nessa época que eu tava jogando bem e tudo mais, agora o pessoal, todo mundo, cara, é o sobrepasso do Gui. Teve vídeo que eu vi, ah, eu, se o Gui Santos fosse garçom, aí o cara, o garçom com a coisa assim, fingindo que tava O pessoal faz bastante vídeo, é o seu Gui Santos, não sei o quê. Aí os cara tudo fazendo isso, é legal, pô, eu acho da hora.
E acabou que vocês gastou, vai cair a porta. Sensacional. Superchat pra gente fechar, o Gabriel. Que resenha maneira, Gui. Gabriel Bro mandou aqui: Fala, Gui, assisti todos os seus jogos na D-League. Como Warriors pensando no futuro após os últimos anos Stef, como você se sente podendo ser um dos rostos da franquia Gold Abnegation?
Ó, da hora a pergunta. Então, eu— é uma outra subida de degrau aí. Você virar o rosto de uma franquia é uma coisa muito grande, tem muita pressão, muita coisa por trás também que tem que acontecer. Então, para mim, eu me vejo como uma das peças parte de paz dessa reformulação. Não como tipo assim, a gente não precisa mais dos caras e tal. A gente tem que aprender muito com os caras, tudo que eles ganharam. Mas eu me vejo como uma peça e eu acho que eles também me vejam. Não é à toa que eu renovei com eles. Então é uma coisa de mão dupla, sabe? Uma parceria de mão dupla. E eu acredito que eu posso ajudar muito o Warriors nesse futuro. Ainda mais essa temporada que eu pude mostrar um pouco mais do meu jogo, que eu não sou só o cara de energia que tem que ir lá e pular e tudo mais. Eu sou um cara que posso ajudar também se tiver que fazer ofensivamente e tudo mais. E eu tô de pouco em pouco evoluindo cada temporada, e acho que vai chegar o momento que, se Deus quiser, eu vou ter mais oportunidade, que eu vou ser mais, pô, é o Gui no Warriors, é tal, tal, tal, e o Gui é os principais, e o Gui. Eu quero chegar nesse momento, ou quem sabe até chegar no Warriors do Gui. Mas só que, lógico, eu tenho um passo muito grande para dar para me tornar esse Warriors do Gui, entendeu? Hoje não tem como comparar, é o Stephen, é o dono do time, é o cara que mudou o time, é Dreamer, são os caras que estão lá e mudou o time. A gente é só operário, e eu entendo isso. Eu acho que essa é uma qualidade minha de ser o operário. Mas se eu tiver oportunidade de pegar e virar o cara que é o cara, eu vou tentar e vou, lógico, treinar, batalhar para fazer isso. Só que hoje eu acho que ainda tem um degrau muito grande que eu tenho que escalar de pouco em pouco para chegar nesse, para chegar nesse patamar.
23.
O Curry, por exemplo, Quanto tempo tem?
38.
Tem 38, falando de 15 anos de idade de diferença. Não que você, porra, vai ter a pretensão de falar assim, pô, vou ser maior que o Cano, né, essa questão, mas é potencial absurdo, né?
É lógico, 23 anos tá novo, tem muita coisa ainda para conquistar. O auge do físico não veio ainda, o auge do mental, do entendimento do jogo ainda não veio. Então acho que trabalhando bem eu consigo sim. Meu primeiro objetivo é me manter muitos anos 10 anos na Liga, jogar mais de 10 anos na Liga. É lógico, fazer o financeiro para ajudar minha família, meus filhos. Agora vou casar, depois casar já vou lançar uns 3 mini Gui.
Já, Guizinho para caramba aí, meu irmão.
É, meu objetivo é esse, gosto muito de família, sabe assim, desse clima de família, de ter, pô, pai, mãe e sogro e sogra, a Ju, a minha noiva, né, junto comigo. A gente casando agora, ela já vai para os Estados Unidos, aí já pode esperar que daqui a pouco vai ter fotinha no Instagram. Já vão nascer os guizinhos gringo já. E ela, eu já penso já no draft também, né? Não sou besta, eu já, pô, sou alto e tal, eu falei, pô, eu vou pegar uma mulher alta, forte, jogadora de vôlei, salta pra caramba, joga vôlei de praia, salta pra caramba, forte, que daqui a pouco a genética aí, ó, você é louco, já pensou?
Esse aí é empresário, né?
Já tá pensando na empresa, pai empresário, né?
O Vitor Graciano mandou: Fala, Gui, orgulho de você, moro aqui em Minnesota, fui te assistir jogar, na próxima vez vou tentar tirar uma foto contigo. Mandando um abraço aí para o Vitor.
Valeu, valeu, Vitor.
Marco Genício: Gui CLT, hoje trabalhando.
Esse é meu apelido, é loucura, né?
Virou Gui.
Isso daí virou por causa do Rômulo, né?
Porque a importância do que o Rômulo faz pelo basquete aqui no Brasil é muito forte.
É, né? Ele tem um absurdo, absurdo mesmo. Todos os apelidos que tem hoje na NBA aqui do Brasil é por conta dele, né? A Jararaca, que é o Steph. Papai Lebron. Isso e aquilo, ele tudo cria, ele que cria. Eu vou gozar! Grande cara, ele é uma peça, né? Mas quando eu vi isso eu falei: não é possível que ele falou isso ao vivo. Mas ele faz um trabalho gigantesco aí pelo Brasil e é ídolo. Eu acredito que você tá falando agora de narrar e tudo mais. O que ele faz é muito mais difícil O que que eu faço assim?
Porque uma coisa você narrar futebol é normal, tu narrar um esporte, mano, e você atrair outras pessoas que às vezes não gostavam tanto pela narração, é absurdo, né? Pela narração, mano, isso é de um talento.
Ele fez isso com o Impostor também na Olimpíada. É mesmo? Sim, ele é assim fenômeno. Mandar abraço para ele, para o nosso Ricardo Bugarelli.
Claro, parceiraço.
Pô, Bugarelli é aquela galera.
Tem um dia que ele tava narrando, eu não lembro o jogo, tava narrando Jogando NBA, ele falou assim: "Tenho que ir no Sarla." Aí a gente marcou e tal. Aí a gente marcou, ele veio, a gente virou amigo.
Eu queria almoço.
Ele falou: "Eu tenho que ir no Sarla." Marcar outro almoço, hein?
É, não, a gente almoça com ele direto, cara.
Muito foda, Romulo e Bugha, somos seus fãs. Tamo junto sempre, cara. Aí o Marcos Vinícius perguntou: "Você tem alguma resenha na casa do Curry com os caras que dá pra falar?" Não, o pessoal é muito tranquilo lá, velho.
É tipo assim, principalmente do time lá, o pessoal muito tranquilo. A única resenha que teve na casa dele foi um almoço do time assim, né, todo mundo em família e tal. Cara, até a história com o filho dele. O filho dele é viciado naquele body flip challenge, né, que você taca a garrafa para girar e cair em pé. E eu jogando com o filho dele, e ele é muito competitivo, molequinho, o Kenno. Aí ele sempre ganha, ele sempre arruma um jeito de ganhar. Aí já, melhor de 5, quem ganhasse, quem fizer assim, quem fizer Primeiro ganha. Aí beleza, aí eu comecei uma seguida ali, uma, aí ele outra, aí o outro, ele outra e o outro. Achei que tava 4 a 3, aí eu fiz a quinta, ele errou. Aí ele: não, não, não, não, de novo, de novo, é até 6, é 6. Aí eu falei: não, então tá bom, é até 6, né? O filho do homem, você é louco, porque ele fala até 7. Não, calma aí. Aí eu taquei de novo, pum, 6. Aí ele errou. Aí eu falei: acabou, ganhei, ganhei! Saí comemorando e gritando na casa assim, zoando. Meu irmão, ele saiu chorando, saiu chorando e gritando: ai, não sei o quê. Eu falei: gente, eu não bati nele, eu só ganhei dele. Aí eu já com medo do Steph, né? Eu falei: o Steph vai vir perguntar o que que foi que eu fiz. Aí o Steph chegou em mim e falou: Gui, valeu pelo que você fez, velho, porque ele sempre arruma um jeito de ganhar de todo mundo e ele precisa disso, ele precisa de alguém que vai lá e bota ele no lugar dele. Aí eu falei: vem cá que ele vai jogar de novo, agora vai jogar de novo.
Pois é, pois é, caralho, muito foda, mano, maneiro demais. E só pra terminar, artistão assim, mano, que tu já conheceu?
Pô, Snoop Dogg, 50 Cent, todos os caras de filme aí que você imaginar na beirada da quadra em Nova York, os cara tão lá, você passa lá, ó, esse daqui eu vi no Game of Thrones, esse daqui eu vi em tal, esse daqui eu vi não sei aonde, esse daqui não sei aonde, é loucura. Eu acho que você não sei, mano, como é o nome daquele Aquele cara que faz até o... Acho que foi o que eu vi assim que eu falei: "Caraca, velho, que da hora, o cara, eu só vejo o cara em filme e tudo mais." Ele é o anão que participa do Game of Thrones. Como é o nome dele?
Ah, mano, ajuda aí, ajuda aí.
Peter Dinklage.
Peter Dinklage.
Esse mesmo. Ele tava lá e ele chegou, cumprimentou todo mundo no jogo. Eu falei: "Caraca, olha lá, não é que o bicho é, tipo assim, gente boa mesmo?" É igual no filme, pô. Não é CGI não, cara, é realmente dessa maneira. Caralho, muito foda, mano.
Ó, palmas pro Gui Santos que esteve no charla. Queria falar uma parada aqui que, mano, é muito difícil a gente ver alguém que chegou num nível desse que você chegou assim e mantém quem tu é, mano. Isso é visível, eu acho assim, tá geral comentando isso aqui, caralho, que maluco maneiro e tal.
Como fala bem, né?
É, e pô, a história de tu é o trabalhador mesmo, né, o batalhador, É, e tu continuou esse cara, mano.
E desde pra sempre, velho. Até estranho, por exemplo, quando eu saio na rua que o pessoal: "Caraca, o Gui Santos?" Eu falo: "Não, mano, eu sou o Gui, velho. Eu não sou o Gui Santos, eu sou o Gui, velho. O Gui Santos é o que tá na quadra jogando lá e tal." Eu sou o Gui. Então eu mantenho isso.
Fez tão raro hoje, mano. Qualquer ambiente, o cara faz sucesso, o cara, mano, vira outra pessoa.
Mas foi muito minha criação também. E outra, qualquer momento que eu penso em fazer isso, mano, chega meu pai, minha mãe, Ela fala, ó, bonitão, você não tá aí porque a gente tá voando. Calma aí, você tá só jogando no óleo, você não tá. Aí eu falo, tá bom, pode deixar. Não, mas é a criação que eles me deram assim, me ajudou muito em relação a isso.
Nome dos seus pais aí?
Neide e Davidson. Lucineide e Davidson.
Isso aí. E tua mina? Júlia. Júlia, show de bola. Aí, 3 jogadores de basquete.
Vem aí, 5, vamos lançar 5.
Seleção Brasileira já, cara.
Eu tô no meu quinteto.
Paulinho, me ajuda aí com os reclames aí, mano. Absolute Sports, que leva a gente pelo mundo, sensacional.
Exatamente.
Agência especializada em viagens esportivas, sua experiência é nosso esporte. QR code tá aqui. Tem pacote para NBA? Tem, mano. Dá uma olhada aqui no QR code, tem o melhor pacote para você. De fato, logístico, hotel que você vai ficar, não vai atravessar a cidade, tudo mais. Transfer pro estádio, pro ginásio. Enfim, tem, porra, torneios de tênis, por exemplo, sensacional. Sua experiência é nosso esporte, Absoluto Esporte. Tamo junto, beleza? Vamos lá, Melita. Alô, Melita, é o café oficial do Real Madrid e do Charla Podcast. QR code tá aqui, mano. Aqui, ó, alguns produtos aqui de café gourmet, beleza? Mas tem café para o dia a dia também.
Minheiro, sul de Minas, aqui, ó.
Lá fora é valorizado, tá maluco, café brasileiro. Exatamente. Mas, ó, tem cápsula, tem café coado, espresso, cappuccino, e tem desconto, cupom CHARLA15, 15% de desconto em qualquer pedido que você fizer da linha Melita. O QR code tá aqui, beleza? Café oficial também do Real Madrid. Tamo junto, Brahma! O Charla é Brahma, o Charla é Sabe, tamo junto. Ancelotti é Brahma também. Então vamos embora que tá chegando a Copa do Mundo. Já, Copa, Gui Santos?
Cara, talvez eu vá, talvez eu vá. Eu tenho um compromisso importante marcado no meio, que acho que é casamento. Vou tá casando em julho. Então é, tem que pedir permissão agora. Agora é para tudo, Gui Santos.
Mas final de Copa é abraciação, né?
Duvido.
Final de Copa ou casamento? Pô, pergunta para ela. Olha, QR code tá aqui, você vai para o Zé Delivery Beleza? Pedindo a Brahma no Zé Delivery, 10% do valor da sua Brahma vira investimento para o seu time. Brahma Zero, Matheus.
Brahma Zero, 20% do valor do pedido investimento para o seu clube de coração. E tu ainda vai tirar aquela onda com teu parceiro que o teu time no ranking da Sabe, ó, tá lá no alto, tá lá no alto.
Isso aí, o Charla é Brahma, o Charla é Sabe. Beba com moderação. Tamo junto. Sportingbet, parceiraça do Charla, é a casa de aposta que é parceira do Charla. Pode falando NBA. Olha o homem aí, ó, MVP da Sportingbet, Shaq, Shaquille O'Neal, tá aí. Faz teu nome.
Sportingbet já levou o Shaq lá pra NBA.
Exatamente, fomos lá no fim de semana das estrelas.
Exatamente, Sportingbet patrocinador oficial da NBA também.
E voltaremos lá, Gui Santos, quando a gente voltar lá eu vou dar um toque aí. Por favor, por favor, só avisar, manda mensagem quando vocês colarem lá, apresento lá o CT pra você, as coisas.
Pô, que isso, arrepiei.
Show de bola.
Ó, QR code tá aqui na tela, beleza? Na dúvida Melhor é Sportingbet, tá? Tamo junto, faz sua fezinha. Sempre lembrando que aposta esportiva não é investimento, é entretenimento. É, não vai se comprometer financeiramente.
É para maiores de 18 anos, hein?
Show de bola. Guizão, até a próxima, mano. Tem nem como não torcer mais por você, tu é muito maneiro, mano.
Obrigado, valeu demais. Vocês são legais, resenha legal, podcast assim que— por isso que vocês estão fazendo sucesso que vocês estão fazendo no meio do esporte. Sport é o local que você vem aqui, você pode ser você mesmo, tem que falar as besteiras, falei coisa que eu nunca falei, nada. Mas da hora, valeu demais por me receber aí.
Valeu, cara, demais, mano. Resenha vai parar a internet aí, tamo junto, beleza? Lá no Instagram acompanhar os cortes aí, tudo mais. Gui Santos, mano, estrela da NBA, com a gente. Valeu, abraço.
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