GUI SANTOS COLOU no PODPAH - MELHORES MOMENTOS

Brazilian NBA player Gui Santos talks about his journey from Brazil to the Warriors, his daily grind of shooting 600-800 shots while video-calling his mom, and sharing a locker room with Steph Curry and Klay Thompson. He reflects on his first 30-point game and what it takes to stay in the league.
Chapters
Eu ia, pegava o celular, botava no vídeo, na chamada de vídeo, e ligava pra minha mãe.
Ah, que da hora!
Aí eu ficava na chamada de vídeo ligando pra minha mãe, conversando com ela da vida, e arremessando, mano. E quando eu vejo, já são 700, 800 arremessos. É uma fanbase muito grande, o pessoal cobra bastante da gente, dão muito carinho pra gente também, mas eles cobram bastante, tá ligado? Não chega a ser perto do futebol, mano, tipo assim, igual acontece aqui, os caras irem lá na porta da casa do cara e cobrar o cara.
Chutar o carro.
Vamos, mano, você tem que jogar e tal. Não, lá é bem mais tranquilo. Aí, mano, primeiro que ele corre assim, parece que ele não quer jogar. Tá ligado? Ele tá correndo assim, aí quando você vê, do nada ele faz assim, ó, pum, passa pro cara, ele nem tá olhando. Eu usava número 11 aqui, né? Só que quando eu cheguei lá, era 11, era do Klay Thompson. Como é que você tem? Não tem como, tá ligado? Aí eu peguei a 15 porque eu fui a pique 55, fui escolha 55, e eu usava 11. E por coincidência, meu pai usava 15 quando ele jogava.
Que foda, mano!
Aí eu falei, ah, é isso, é a 15 mesmo, é pra ser. E foi quando eu cheguei lá, né, comecei a treinar. Só que qual que era o problema? Eu não podia ter um contrato two-way. Contrato two-way é quando você assina pra jogar tanto na D-League quanto na NBA. Eu não podia por conta do meu contrato ainda com outro clube.
Oh, meu Deus!
Porque tinha que pagar a multa rescisória e tudo mais, e eles ainda estavam meio que investigando.
Tinha uns trâmites ainda.
Exato. Joguei a Summer League, que é tipo o campeonato de verão que os novatos jogam. Joguei, joguei bem. E eles falaram assim: "Não, Gui, você vai ficar na D-League", que é a segunda liga. A gente vai te desenvolver e tudo mais. Só que quando eu cheguei lá, eu até contei isso, tem um documentário meu que tá rolando no YouTube também, que eu fiz essa última temporada, no meu canal, mas no canal da NBA Brasil, que tá, que tá, que conta assim como foi minha temporada, até como eu cheguei lá, como é que foi minha temporada agora e tudo mais. E eu até falei, velho, quando eu cheguei lá, os caras viraram para mim e falaram assim: Gui Santos, você não é forte o suficiente, você não é atlético o suficiente, você não é rápido o suficiente, e você não entende o basquete americano.
Boa! Aí eu falei: pronto, motivação, tô motivado. Altura eu tenho, será?
Altura?
Sou um bom mascote.
Animador de torcida assim.
Gui, selecionamos, mas ó, você não tem nada ainda.
Cara, e como que você recebeu isso, irmão?
Cara, foi um baque, né, mano? Foi um tiro de 12 no peito, mano, para mim. Aí eu falei: cara, Mas só que ao mesmo tempo que ele falou isso, velho, logo depois ele falou assim: mas não se preocupa, a gente vai te dar tudo necessário para você virar um jogador de NBA. Se você quiser, você vai se tornar.
Isso é um clube, mano.
Aí eu falei: caraca, velho, os cara tão junto comigo. E, mano, aí foi quando eu comecei a jogar de league, né? Comecei a jogar, tinha jogo que eu não jogava porque eles queriam que eu malhasse. Então eu malhava muito, mano, muito, muito, muito, muito.
Isso que eu queria saber, dieta e treinos?
Cara, os cara mandavam tudo lá para casa, né? Tipo assim, no Warz, isso eu já tava na gym, mas eu nem contei, pô, mas teve um negócio que o povo falou aqui, $70 que eu não cortava o cabelo. Calma aí, você tem que explicar, mano. Os cara meio que tiraram de contexto isso daí, mas que tipo assim, quando eu cheguei lá, mano, eu cheguei com $800 no bolso, tá ligado, para ficar 6 meses, porque assim, não, que isso aí também é sacanagem. Então os caras davam tudo para mim lá em questão de tipo assim, de lugar para ficar e tudo mais, estrutura, complementação, só que a cozinha tava fechada, porque a cozinha onde o chefe fica fazendo comida pra gente tava fechada porque eles estavam reformando o Chase Center, que é onde a gente joga, nossa facility. Aí a gente tinha que se virar, meio que se virar para comer, tá ligado? Tava muito cedo ainda, antes da temporada começar. E cara, aí eu tava com cabelo grandão, aí eu fui cortar o cabelo, mano. Cheguei lá com o cara, fala, how much is the cut? Falar o inglês cansado assim. Aí ele falou, mano, $70. Aí eu falei, 17? "Or 70?" Aí ele: "Não, 70?" Aí eu falei: "Não." "Oh my gosh." "Não, não, não, eu não vou gastar 400." Eu não vou gastar 50% do número do meu dinheiro para cortar o cabelo.
Mas era 800, 6 meses?
Era, velho, era. E tipo assim, meu agente sempre me deu toda a estrutura, tá ligado? Ele falava assim: "Gui, pega meu cartão aí, pô, vai comer, vai fazer as coisas, o que tiver que usar o meu cartão pode usar, tá tranquilo, tô aqui para te dar uma força." Só que, mano, minha criação, o jeito que eu fui criado, eu não conseguia chegar lá e gastar o dinheiro assim, pegar o dinheiro dele lá, comer numa churrascaria. E para mim, eu pegava o dinheiro e convertia muito. Então você vai numa churrascaria lá, era $100, eu falava: "Cai 500 conto para comer numa churrascaria, eu não tenho coragem de pagar, velho." Então eu preferia, até contei, eu preferia dar meus pulos aí. Não que seja história triste e tal, tipo assim, eu ia lá, comprava uma baguete zoona, dividia em 3, mandava para dentro, irmão, e vamos para a luta. Tava nem aí, uma no almoço, outra na janta e outra no café da manhã.
Tava dando seu jeito.
É, e eu falei: "Não, eu quero muito isso aqui, velho, eu quero muito." E tava lá, tá ligado, fazendo isso.
Mas você então, você sentiu que você evoluiu muito na G-League? Porque isso dá uma curiosidade de tipo, legal, competição e tal, mas não, a gente quer te preparar, então vai treinar, vai comer. Então quando eles encontram você, tá batendo a dieta certinho? Como é que é isso aí? Porque é uma preocupação, né, dos caras.
Sim, sim, sim. Não, eles tinham um preparador físico que tava sempre junto comigo lá, velho, Andrew. Ele, cara, ele me ajudou demais. Até falo dele também nessa minha série, nesse último episódio que saiu agora eu falo bastante dele. Ele, mano, você tem noção, teve uma época lá que ele cortava meu cabelo para me ajudar. O primeiro preparador físico cortava meu cabelo para me ajudar e dava o jeito dele, fazia as coisas. E foi quando também eu tive, né, todo suporte do Warriors. E eles chegavam e falava assim: Andrew, como é que o Gui tá? Aí o Andrew falava: mano, esse moleque aqui, ele quer mesmo o bagulho, velho, trabalhando. Que era assim, ele me empurrava, aí eu ficava— eu sou muito competitivo, mano, eu ia malhar. Aí eu tava fazendo supino, sei lá, com 80 libras. Aí ele chegava do meu lado e deitava com 85 e fazia. Aí eu falava: "Ah não, você não é mais forte que eu, mano." Aí eu pegava 90 e fazia. Ele sabia que você tava testando. E sabia, mano. E ele ficava assim, velho. E, cara, me ajudou demais. No meu primeiro ano, assim, primeiro, segundo ano, eu ganhei muita massa muscular, velho. Muita massa muscular. Fiquei mais forte, fiquei mais rápido, mais preparado. E foi quando eu comecei, né, aí eu comecei, joguei essa temporada toda de league. Mas pro final da temporada, quando eu comecei a jogar mais, jogando bem, Acabou a temporada, eu vim, fiquei no Brasil 2 semanas para aproveitar com minha família. E nisso, tipo assim, acho que eu tinha levado só meu pai, velho, porque meu pai, o sonho do meu pai era conhecer os Estados Unidos. E a gente, tipo, pegava, eu paguei a passagem do meu pai para vir para cá. A gente, tipo assim, minha família nunca faltou nada, graças a Deus, mas nunca também foi, entendeu? Era sempre coisas assim normais. Aí fui mandar a passagem para o meu pai, meu pai foi para os Estados Unidos junto comigo, pô, foi lá na visitar aquela Golden Gate, bonito para caramba. Vocês já devem ter ido lá, né, sabe? Nunca foi?
Nunca fui para São Francisco. Eu não fui para São Francisco, você foi?
Não, achei que você tinha ido para São Francisco.
Não fui, não fui.
I'm so sorry, esperando o convite, esperando o convite. Então tá convidado, os dois. Obrigado. Mas aí, pô, foi, levei meu pai lá amarradão, a gente vendo assim. Aí depois, quando acabou a temporada da G League, foi quando começou a terceira, a segunda Isso, minha segunda temporada lá, que foi quando eu recebi o meu contrato com o Warriors, que eu tava jogando muito bem, velho, na Summer League, que é o campeonato de verão. Joguei muito bem, começou a D-League, eu tava jogando muito bem. Aí eu assinei o meu contrato com eles, eles me ligaram, né, o meu agente me ligou: Gui, os cara tão te oferecendo um contrato. Aí eu falei: nossa, mano, estourei, estourei! Pagou a multa, pagou a multa, pagou a multa rescisória que precisava, fiquei livre. Agora podia finalmente assinar, tá ligado? Agora você estava tranquilo, fato. Exato, agora eu tava. E foi quando caiu minha ficha assim, que foi, assinei e eu tava em Santa Cruz, que é tipo uma hora e meia de São Francisco. Aí eles mandaram um carro para mim buscar para eu ir para o jogo. Cheguei lá no jogo, meu uniforme bonitinho, a plaquinha lá.
Mandaram o quê, um HB20?
Não, nada, uma Scalade, né? Lá é só isso. Que louco, mano. E aí eu cheguei lá no jogo, mano, botei o uniforme. Aí tem um túnelzinho que a gente entra, tá ligado? Tem a reuniãozinha antes do jogo. Aí, cara, tava eu abraçado com os caras assim, né, a gente faz uma oração antes de entrar. E aí eu olhei para um lado, Stephen Curry, do outro lado, Klay Thompson, do outro lado, Draymond Green. E pô, só os cara foda, velho, só os cara que eu assistia, jogava videogame com os cara. Aí eu falei, cara, que da hora, mano, tô com os cara aqui, velho, sou um deles agora, na minha cabeça já, né. Mas com certeza assim, mas que tinha um passo ali, mano.
Mas acho que você tem que reforçar para sua cabeça que eu sou um deles, porque senão você entra em choque, cara.
Exato. Mas eu não tinha como segurar o choque, velho. E eu tava— e, cara, coincidentemente, meu primeiro jogo foi um jogo que teve uma briga, mano, absurda entre o Minnesota e o Golden State. Tem até um vídeo, foi o jogo que o Draymond Green pegou o Rudy Gobert no mata-leão e empurrou, e o Klay Thompson foi nesse jogo que você estreou? Foi o meu primeiro jogo.
E agora?
Mano, eu fiquei cagado de medo porque eu nem entrei nesse jogo porque eu falei, eu sabia que não ia jogar. Só que aí quando eu vi, 2, 3 caras do meu time foram expulsos. Olhei para o banco, tinha eu e mais 2, 3 caras. Eu falei: meu irmão, se alguém fizer falta aqui e precisar entrar, eu vou entrar, viu?
Vão precisar de mim também.
Tô pronto, mas puta que pariu. Eu falei: não, tô pronto. Mas eu tava assim, cara, se eu entrar aqui, mano, a cabeça do atleta, né, mano, não para. O cara fica com medo, mas ele não pode transcrever isso dentro da quadra. Aí foi quando, né, não entrei nesse jogo. E tal, e nem tive muita, durante essa temporada toda nem tive tanta oportunidade, tava jogando mais na G-League e me desenvolvendo para, né, ficar pronto para jogar mais na próxima temporada pelo Warriors. Aí beleza, acabou essa minha primeira temporada, já tava com uma graninha, já tava assim já mais estruturado, mais tranquilo, exatamente.
Já tava comendo 2, 3 baguetes de pão aí já.
Já tinha comprado umas baguetes a mais, pra poder ir ali, né mano, take house, já podia pedir o Uber já. Já podia pedir o chipotle. Aí foi quando também começou a segunda temporada, né? Depois a gente veio para Brasília, treinei para caramba durante as férias para chegar lá. Começou a temporada, tem um fato marcante assim que o Steve Kerr deu uma entrevista, né, porque ia começar a temporada, e falou assim, o técnico, né, o técnico, e perguntaram para ele assim, ah, quem são os jogadores que não vão estar na rotação no começo da temporada? Ele falou, vai ser o Gui Santos e o Lindy Waters, que era outro jogador que tava lá. E cara, isso daí teve uma repercussão aqui no Brasil. Os cara, vixe, mano, ele foi por aí, foi para quê que ele foi arrumar aí? Esse daí só vai estar, esse daí tem que rezar para estar no time ano que vem, mano. Várias paradas assim, sabe? Pô, cara, no começo mexia, no começo mexia. Foi quando isso foi até importante para caramba para mim, que foi quando eu aprendi a lidar com isso, que tipo assim, cara, não tem que ler rede social, não tem que, sabe, tipo Você tem que se afastar disso se você quiser performar, porque é difícil demais você lidar. Às vezes você vê alguma coisa e não conseguir, tipo, você não pode falar nada, você tem que ficar calado, escutar e só fingir que você nem viu. Então eu sempre, foi aí que eu aprendi aqui, não, que não dá para fazer isso, me afastar um pouco das redes sociais. Enfim, sei que até o começo assim da temporada nada de oportunidade para mim chegar. Aí eu pedi para os caras, eu falei assim, mano, deixa eu descer lá para D-League. Para a segunda liga, para eu poder jogar um pouco mais, para eu poder, né, voltar meu ritmo de jogo, para se acontecer de eu ter uma oportunidade aqui, eu estar preparado. E cara, parece que foi desenhado assim, mano. Um jogo contra o Detroit Pistons em Detroit, 3 caras da minha posição se machucaram, e o outro, que era o Andrew Wiggins, teve um falso alarme de nascimento da filha dele. Então ele foi para San Francisco. E aí os cara virou para mim assim, isso antes do jogo, aí virou para mim assim, falou assim: Gui, "Você vai jogar hoje?" Aí eu falei: "É." "É isso aí, vambora!" "Tô pronto, tô pronto." "Vai jogar hoje?" Ele: "É." E, cara, nesse jogo, acho que foi o jogo que mais mudou minha vida, assim, cara. O que eu joguei nesse jogo foi brincadeira. Eu tava em todos os cantos da quadra, velho. A bola batia no rebote e eu ia lá, brigava com os cara. Aí eu brigando com 3 cara, conseguia pegar o rebote, passava pro Curry e matava uma bola de 3. Eu falei: "Essa tá na minha conta, vambora." "Essa fui eu." E, cara, joguei muito bem, acabou o jogo. Aí foi quando eu deixei uma pulguinha atrás da orelha do técnico e falei assim: "Pô, esse moleque pode ajudar a gente, hein, mano." Ele trouxe uma volúpia, uma energia que, pô, a gente precisava. Aí teve outro jogo que foi muito marcante também, porque foi um jogo que eu tava jogando muito bem em Brooklyn contra o Nets, que o Steve decidiu fechar o jogo comigo ao invés de fechar o jogo com o Klay, com o Klay Thompson. Então isso para mim, na minha cabeça, eu falei: "Caraca, velho." Ele me optou ao invés do Klay. Tipo, na minha cabeça foi: "Mano, que isso, velho?" "Calma, calma, não vem, Clay, vem", tá ligado?
Mas imagino que você nos treinos devia estar voando, né, irmão?
Lá nem tem tempo pra treinar, mano.
É muito jogo. É que é um jogo atrás do outro, né?
É muito jogo. Mas eu tava mandando muito bem nos jogos que eu entrava. Eu entrava 6, 7 minutos, mano, e dava a minha vida. Parecia que eu tinha jogado 40 minutos de tanto que eu corria.
Irmão, mas como é que vocês controlam esse condicionamento? Porque eu e o Mítico, com essas parcerias com a NBA, teve uma vez que a gente foi na estreia Acho que foi da de 2023 ou 2024, não lembro agora, mas era o Nuggets tinha ganho uma temporada e eles iam estrear a próxima contra o Lakers. E aí a gente foi, ficou vendo lá, chegou antes no vestiário, no ginásio. O Aaron Gordon, ele tava batendo bola, isso devia ter umas 5 horas para o jogo aí dele, começou a bater bola, tipo assim, ele ficou 3 horas batendo bola, mano, 3 horas. Eu falo assim, ele ainda vai jogar? Tá ligado?
Eu sei que ele tava suado, mas aquele suor de pingar mesmo. Isso, eu falei, que isso, cara? Que desgaste é esse? Assim, muito louco, mano. Foi a primeira vez, a gente ficou em choque vendo isso.
É o quanto vocês se preparam, quanto você repete, quantos arremessos você dá por dia, tá ligado? Porque na hora que eu olhei aquilo ali, eu falei assim, eu não imaginava que era assim.
Não mesmo, não mesmo, não mesmo. Eu tenho o meu ritual. Todo jogador tem seu ritual antes do jogo, né? Eu tenho o meu ritual também, que eu acordo de manhã, quando o jogo é em casa principalmente, acordo de manhã, vou bem cedo saindo do Warriors, é mais ou menos umas 8 horas da manhã, 7 horas, já tô lá chutando já, tá ligado? 7:30, 8 horas, já tô lá chutando.
Então você acordou 5, 6?
Não, não, é do lado, mora do lado, então eu consegui acordar tipo assim, acordava 7 para estar lá 7:30 pronto para chutar, tá ligado? Aí foi, eu ia lá de manhã, pegava, pegava uma, não sei se você já viu uma máquina que tem tipo que pega rebote, passa a bola para você, velho, você arremessa Tem uma rede ao redor dela, aí a bola cai dentro da rede e ela vai e passa a bola para você sozinho.
Tá louco, nunca vi.
Então tem uma máquina dessa lá. Coisa boa. E eu via isso, tipo assim, essa oportunidade, tá lá chutando com essa máquina, eu ia lá, mano. E porque eu ficava muito assim de chamar um técnico, tá ligado? Eu era muito novão lá, eu falava, pô, não quero incomodar um técnico, fazer o cara sair de casa 7 horas da manhã para fazer só isso. E para não ficar sozinho lá, eu ia, pegava o celular, botava no vídeo, na chamada de vídeo, e ligava para minha mãe.
Ah, que da hora!
Aí eu ficava na chamada de vídeo ligando para minha mãe, conversando com ela da vida e arremessando, mano. E quando eu vejo, já são 700, 800 arremessos, 600, 700 arremessos assim, tá ligado, que eu já fiz.
Você demorava quanto tempo para meter 600 arremessos?
Uma hora, mano. É rapidinho, uma hora. Uma hora lá de repetiçãozinha, faz.
Mítico, você meter 700 arremessos, seu braço gangrena.
Você é louco, eu fico doido, deito no chão e morro. Mas tipo assim, Aí você ia medindo também, você mede?
"De 600 eu tenho que acertar tantos." Mede, mede, a máquina conta tudo, você bota um negocinho lá que tem quando a bola cai ele conta como acerto, quando a bola não cai não conta.
De um dia que você tava foda, você acertou quantos mais ou menos dessas 600? Só pra gente ter uma noção, vai.
Cara, um dia muito bom assim mesmo de 600, você acerta uns 500, um dia muito bom. Não, que isso. Um dia muito bom, um dia muito bom, mas a média vamos botar uns 400, 450 talvez.
Tá ligado, mano? De 600, você acertar 500, você é muito embaçado, irmão.
E a repetição, né, velho? Aí chega uma hora que, mano, você nem sabe mais o que você tá fazendo, só vai, só vai, e vai, né? E cai, cai, cai, cai, cai, você nem sente. Aí depois do jogo eu vou embora, vou para casa, é, deixo você entrar na chamada de vídeo com ela, chega em casa, tomo meu banho. Aí antes do jogo, mano, acho que é uma das partes mais importantes, que— obrigado. Que antes do jogo, mano, eu boto uma música na caixa de som estourando no banheiro, meu irmão, lá é o meu aquecimento já, velho.
Tá ligado.
Cantando, mano, eu escuto de tudo, velho. Isso que eu queria saber, que que toca uma assim que tem que tocar pelo menos todo dia, velho?
Cara, eu sou um cara que gosta muito de música, tipo assim, tá ligado, tem o Nadson Ferinha, um cara que eu escuto muito.
Que isso, não, mano, que isso.
Nadson Ferinha.
Eu não conheço.
Isso foi foda. Eu escuto muito o Nadson, Menos é Mais, Duzão é meu parceiro também, escuto muito. Eu escuto o Teuzinho, velho. Teuzinho é um cara que eu escuto pra caramba também. Tem muitos outros assim, né, tipo, que eu escuto, mas esses aí são os que estão sempre na minha caixinha de som, que tá tocando a todo momento. E o Neto Brito também, mano, é outro cara que eu escuto muito. Neto Brito é do Duzão, né? Não vai falar do cara?
É sério?
Eu escuto muito também. Ele até começou a escutar essas músicas por conta de mim. E, cara, depois de lá vou pro jogo. Só que quando você não joga muito, muita gente não sabe isso, mas quando você não joga, você não é um cara que tá ali todo tempo em quadra, você fica, você chega 2 horas e tipo assim, o jogo é 7, eu chego 2:30. Aí eu chego 2:30, malho, jogo. Os jogadores que não estão jogando muito jogam contra os técnicos, e depois a gente toma banho, veste, vai pro jogo. E se der alguma, algum B.O. no jogo, vai, vai jogar, e você tem que estar pronto, velho. E é desse jeito. E foi quando, né, começou a aparecer mais as oportunidades nos playoffs, eu comecei quer jogar um pouco mais de tempo, até um pouquinho antes do playoffs. Nesse meu terceiro ano de NBA eu comecei já jogar mais e ter mais participação. Foi quando eu comecei a ser um pouco mais conhecido no meio, tanto de lá, né, dos americanos saber um pouco mais quem sou eu, quanto aqui no Brasil o pessoal acompanhar um pouco mais e saber um pouco mais de mim. Mas o bom mesmo veio essa última temporada, velho. Essa última, essa agora, essa última.
Mas está jogando muito, Gui Santos, cara.
Graças a Deus, velho, muito trabalho. Igual vocês viram um pouquinho aqui da história, mas vem de lá de trás. A sensação de fazer 30 pontos na NBA, mano. Você sai grandão do jogo, velho.
É, você sai de poder absurdo. Saiu o Pai Mano Aura, o Gui Santos, o boneco.
Se liga, mano. Mas é desse jeito mesmo, pô. Tanto é que quando teve esse jogo de eu fazer 30 pontos, o Stefan não tava jogando, né? E, cara, eu jogando bem assim e tal, tava no flow.
Nem sentiu a falta dele, né?
Não, calma. Mas eu tava no flow do jogo, mano. Aí quando eu olhei para cima lá no telão eu fui no telão lá para ver quantos pontos eu tava. Aí eu vi lá Gui Santos, 25 pontos. Aí eu falei, caraca, velho, meu career high no momento, né? Não tinha feito mais que 25 pontos em nenhum jogo. Aí eu falei, pô, dá para alcançar mais, né? Aí chegou o Gary Payton, que é um cara resenha, mano, resenha pura também, velho. Chegou e falou assim, Gui, vamos, mano, fazer 30 pontos, pai, vamos!
Ele te falou isso no jogo?
Falou, falou, mano, você tem que fazer 30 pontos, mais 5 pontinhos, e faltava tipo um quarto quase tudo. Pô, então tinha tempo. Aí, mano, eu comecei, pum, aí fiz uma bolinha, 27, pum, fiz outra bolinha, 29. Aí tava faltando, sei lá, 3 minutos para acabar o jogo, e eu, lógico, querendo ganhar o jogo e tal, e eu tava jogando bem. Aí o Steve desenhou uma jogada para mim e falou assim: Gui Santos, vai receber a bola aqui, um contra uma, você contra o cara. Todo mundo meio que afasta, faz uns bloqueio para fingir que tá fazendo alguma coisa e deixa o Gui jogar. Aí quando eu bati para o fundo, dei uma trombada no cara, pum, fiz a bolinha. E olhei para cima lá, 31 pontos. Eu falei, tá, porra, meu irmão, que isso!
Nossa, tem que respeitar, mano.
Quantos, mano?
E logo depois... 4 brasileiros só conseguiram isso, irmão.
E depois eu já vim na minha cabeça já pensando assim, no vestiário, indo para o vestiário, eu falei, cara, quantos caras já fizeram isso, velho, do Brasil? Aí depois eu fui ver, foram 4, velho.
Só 4, né, mano?
É, Leandrinho, Nenê, Varejão e eu.
Toma, parabéns, irmão.
Você é louco, você é muito foda, velho.
Você compartilhou um pouco do seu Da sua obsessão pelo treino e quanto isso fez a diferença na sua carreira e vai fazer ainda mais, mas tem alguém que você olha pro lado e fala assim: "Mano, esse moleque treina demais também." E eu também queria saber como que é o Curry, mano, porque ele é uma aberração, mano. Tipo assim, ele fala pra você: "Hoje eu vou arremessar a bola de fora do ginásio e vai cair na cesta." Mas foi lá não.
A gente já reparou que ele faz isso todo jogo, né?
Não, não, teve um agora no All-Star que ele não jogou Mas ele foi lá onde tava o baterista do Ludacris, jogou a bola, caiu, ele foi embora.
É mais um dia normal, né, cara? Você perguntou de um cara que treina, ele, mano, sério, ele, a intensidade de treino, porque tipo assim, a gente não treina muito, né, junto, time, porque é muito jogo, então a gente treina muito individual. Mas a intensidade do treino individual do cara, velho, é absurda. Tanto é que tem até um vídeo meu assim, mano, que eu tô parado assistindo e ele arremessando, mano, e não erra, e eu tô atrás dele assim na zona morta, ele arremessando Dá 600, ele acerta 600. Não erra. 601 ele acerta.
Isso é verdade, mano.
E, mano, ele, juro para você, absurdo a qualidade do treino do cara. O que ele faz não é à toa, mano. Tipo assim, a gente fala, eu trabalho, mano, beleza, o Gui trabalha, não sei o quê e tal, trabalho. Mas, mano, aquele maluco ali é tipo assim, é uma parada extraterrestre, mano. Ninguém vai ser igual aquele maluco, não tem como.
Sério mesmo?
Não tem como. O que ele faz não tem como fazer Ele chega brincando assim, todo mundo duro na aquecimento ainda lá para fazer, né, andar pela jogada. Cara, ele chega, pum, caixa. Aí ele olha, sai andando. E sabe o jeito que ele é no jogo assim, de dançar e fazer aquelas gracinhas? Ele é assim o dia inteiro, mano. Você fala com ele quando ele tá puto, ele vai ser um cara carismático, gente boa, te responder com educação e com mordedor na boca.
Mas qual foi a primeira vez que você teve uma troca com ele, irmão? O que que ele te falou? Como é que foi?
Foi no meu primeiro ano, quando eu fui draftado, fui jogar meu primeiro jogo lá no Chase Center. Não tava no time ainda, tava passando por todo aquele processo que eu falei para vocês. Isso. E acabou o primeiro jogo, tinha jogado mó bem, velho, meu primeiro jogo jogando numa quadra da NBA. Fiz 23 pontos, não sei quantos rebotes e assistência. E aí eu desci, ele tava assistindo. Aí eu desci, eu vi ele brincando com o filhinho dele na tabela da quadra. Eu falei, caraca, o homem tá ali, velho, que da hora, mano! Eu só vejo o cara na TV, no videogame. Aí tinha até o cara que, né, um dos olheiros que tava me draftou, que tava me ajudando, né, com inglês, com tudo lá. Ele falou, aí eu falei para ele, será que tem como tirar uma foto com Steph? Ele falou, claro, mano, quero. Aí ele chegou, me deu maior atenção, nem sabia, tipo assim, tá ligado, de mim nem nada, me deu maior atenção, tirou foto comigo, foi mó gente boa, mano.
Você nem falou, ó, daqui a pouco você vai ver quebrando tudo aqui?
Nada, não falou nada. Eu tava assim, mano, babando ainda, olhando, falando assim, caralho, meu irmão é o homem. Tá, pô, que tinha acabado de ser campeão, MVP da NBA, das finais. Eu tava sem acreditar, velho.
Mano, é que eu queria que a galera que— acho que a galera que acompanha tem um pouco de ideia, mas a gente que acompanha e teve uma oportunidade de estar ali por dentro do ginásio é uma parada, rapaziada, que tipo assim, a gente foi no All-Star, é um show, né, mano? Além de ser um show, é tipo assim, você fala assim "Ah lá, os caras de terno começaram a se mexer, vai vir alguém, vai vir alguém, vai vir alguém." Aí do nada passa o Kevin Durant, LeBron James, como se nada. Mano, parece que é uma operação do presidente ali, muito rápido. Você fala assim: "Que isso, mano?" Isso a todo minuto no espaço minúsculo.
É muita gente trabalhando, irmão, muita gente trabalhando.
E é meio que um lance meio que subjetivo, que você fala assim: "Mano, não tem nada brecando eu de ir ali, mas se eu for ali, eu acho que vai dar ruim." Tem uma aura na parada que é tipo assim, uma aura da atenção assim, ó. Tipo assim, você fica meio que tenso, atento a todo momento, que é tipo, é LeBron James, é Stephen Curry, é Gui Santos.
É tudo muito importante.
Essa galera é, é terno e mão no peito onde você vai, que tá ligado? É um bagulho muito importante e tem um glamour, né, mano?
É muito foda, velho. Tem, é. E cara, eles são assim, desde o LeBron até o jogador que não joga, mano, os caras são extremamente profissionais com isso, velho. Tipo assim, "Ah, vai, tá vindo jogador aí, mano." Já todo mundo fica de olho, encosta nos cara, fala: "Ninguém vai passar, passa, passa, jogador chegando." Eles são assim com todo mundo, velho.
Isso é muito louco, né?
Isso que é o da hora, isso que é o da hora.
Irmão, e pra você agora, falando do Golden State, como é pra você tá num time tão grande como o Golden State? Um time de uma dinastia jovem, né, mano? A gente viu aí o que o Golden State e Cavaliers fizeram em 2016, 15, enfim. O Golden State foi até mais vitorioso. Como é estar num time desse que viveu uma dinastia? Você chega, encontra essas pessoas, Klay Thompson, Curry, e meio que normal da vida também, o time foi se desmontando, foi, acho que ficou só o Curry, e você talvez é um desses pilares dessa reformulação do Golden State. Como é para você? O que, quais são as movimentações que você vê do time? Eles querem uma reformulação mesmo? Eles estão contando com Gui Santos, ou você ainda tem medo de ser trocado? Porque imagino que isso deve ser um medo enorme para o jogador, tá ligado?
Me conta disso, irmão. Cara, é igual hoje em dia, daquela pessoa, daquele pessoal que ganhou tudo, tá lá indo, Draymond Green e o Steph Curry, né? São os dois principais, os dois líderes do time. Isso. E eles são dois caras que trazem o exemplo para gente, a mentalidade vencedora, tudo que eles ganharam e tudo mais, eles tentam passar isso para gente. E hoje, para mim, estar lá, eu tenho isso na cabeça de tipo assim, eu não me enxergo tipo, ah não, eu sou futuro daqui e tudo mais, de jeito nenhum. Eu sou muito humilde em admitir e tipo assim, cara, é passo a passo, mano. Eu não vou chegar e falar que eu sou isso, que eu sou aquilo, porque eu não sou ainda, eu tenho que me provar para mostrar que eu sou.
Mas se contarem comigo, eu vou me preparar.
Mas aí se eu contar comigo, eu vou estar pronto, tá ligado? Então eles acabaram de renovar uma extensão contratual comigo e isso mostra que eles confiam em mim para o futuro deles. E também me dá uma calma, né? Tipo assim, pô, é dinheiro para mim, para minha família, para o futuro. Porque igual você falou, tem as trocas, cara. Na NBA, muita gente que não acompanha não sabe. Tipo assim, não é igual futebol, que tipo, ah, um time chega e te compra e te manda para outro lado. Você quer ir, você não quer? É bem assim lá.
Não, mano, lá foi uma que você já viu de perto, você falou, meu Deus, cara, nós tava tomando café ontem, trocaram e vamos.
Teve uma 30 minutos antes do jogo, mano.
30 minutos antes do jogo, tava já achando café.
Menor ainda o tempo. Teve uma que foi, acho que foi até minha primeira temporada, foi quando eles mandaram o Andrew Wiggins para, tipo assim, mano, trocou 4 caras do nosso time, velho, e para chegar um. A gente ia jogar contra o Utah Jazz, a gente tava em Utah, todo mundo aquecendo, mano, todo mundo já lá na quadra aquecendo e tal, não sei o quê. Daqui a pouco chega o coach, chama todo mundo Pega todo mundo da quadra, chama para dentro do vestiário, e todo mundo tenso, mano, que a gente não quer receber ligação do agente de jeito nenhum, porque se o agente liga, é, ô mano, você tá indo para tal lugar, entendeu? Então você, ninguém quer olhar o celular, todo mundo tipo assim, não, gente, meu, nem tô aqui, tá ligado? Sai fora. E foi quando o Steve, o Steve chamou todo mundo para dentro do vestiário e falou assim, pessoal, a gente sabe como é NBA, pá, as coisas acontecem, a gente acabou de trocar Aí, se eu não me engano, foi o Wiggins, o Kyle Anderson, a Danny Shouder e o Lindy Waters. Trocaram os 4 e trouxeram Jimmy Butler. Foi quando o Jimmy chegou, mano. Isso era tipo assim, mano, 30, sei lá, 30, 40 minutos antes do jogo, velho. O jogo ia começar, mano. Os cara não podia jogar. É isso, os cara não podiam jogar.
E o Jimmy Butler também não chegar agora, não ia chegar, tá ligado?
Então, cara, foi um absurdo assim. Como é que fica o mental do time? Clima para jogar, tá ligado?
É nós, amo vocês, mas agora vou morar em outro estado.
E detalhe, teve um cara que foi trocado para o time que a gente ia jogar contra. Olha a loucura, velho!
Moleque foi para o Utah.
Então, e só que acabou que no final ele rescindiu o contrato, foi para outro time lá, mas ele foi trocado tipo originalmente para ir para o Utah, o Danny Schroeder. E cara, nesse jogo foi um clima, velho, absurdo assim, horrível. Pô, todo mundo no clima tipo, caraca, velho, tava 4 cara aqui com nós, é um clima de perda assim, tá ligado? São os caras que são gente boa, a gente vive ali mais com os caras do que com a nossa família.
Então esse medo é iminente?
É, mano, é. Não importa tipo assim quem você seja, você pode, lógico, tem uns caras que a gente sabe que eles não vão mexer, mas tem caras que às vezes entram de gaiato, mano, que precisa de um dinheiro ali para equivaler, tipo, ser equivalente os salários para poder trocar, e você entra, tá faltando, ah, sei lá, tá faltando 10 milhões, aí o cara pega um cara que vale 10 milhões e bota ali e manda ele junto, tá ligado?
E como que tá a vibe do time agora? Como é que tá a mídia em cima do time, a torcida? Como é que tá o momento atual do time?
Cara, essa temporada foi uma temporada muito difícil, velho.
É estranho não ver vocês nos playoffs.
É muito estranho, né, velho, porque essa temporada a gente teve muita lesão, velho, e muita lesão grave. Jimmy Butler, que era o, tipo assim, nosso segundo principal jogador atrás do Curry só, ele teve uma lesão de LCA. Ficou fora o resto da temporada, vai ficar fora até o começo da temporada que vem. Aí tem um cara também, o Moses Murray, que é um puta jogador, machucou, rompeu o tendão patelar, tipo Ronaldo, tá ligado? Então, pô, isso daí pesou muito para a gente, velho, porque todo mundo sabe, meio capenga. Tem um jogo que a gente tinha 8 caras machucados fora da partida, velho, e tinham 6, 6, 7 caras, não, acho que 8 caras para jogar também.
Beleza.
Tá ligado?
Aí não tem como, né, irmão?
É, então foi uma temporada muito tipo assim fora do padrão para a gente, tá ligado, mano?
Sim, eu imagino. Mas olhando agora, os playoffs começaram, né, mano? O Philadelphia tirou os cara. Sou Philadelphia até o final agora, irmão.
Você era bosta?
Não, não, não. Eu, eu, irmão, você fala assim, que time você torce para NBA? Você vai, você vai Clippers, né?
É o Clippers, mano.
Clippers trataram a gente muito bem.
Então, tadinho, tem toda uma saguinha.
Nunca nós chega no playoff, quando chega cai rápido.
Então esse ano foi nós, a gente tirou os cara. Vamos parar, foi mal, foi mal.
E a torcida, como é que tá a torcida, irmão? A torcida, como que é a torcida do time, cara?
Entender, é muito grande, mano. É muito fã, velho.
Que que os cara fizeram ali naquele ano 2015 ali, mano?
2015 até 2022 coisas assim. Foram muitas vitórias, os caras sempre brigando no topo da tabela. Então, mano, é uma fanbase muito grande. O pessoal cobra bastante da gente, dão muito carinho pra gente também, mas eles cobram bastante, tá ligado? Não chega a ser perto do futebol, mano, tipo assim, é igual acontece aqui, os caras ir lá na porta da casa do cara e cobrar o cara. Vamos, mano, você tem que jogar e tal. Não, lá é bem mais tranquilo assim.
Mas tem algum tipo de cobrança?
Mas tem cobrança, tá ligado?
Vamos aí, ano que vem é playoff.
Exatamente, tem uma cobrança em cima da gente. E a gente entende isso, a gente sabe lidar bem com isso. Os americanos sabem, mano, fazer esse, ser profissional, tá ligado? Tanto quanto para torcer quanto para jogar dentro da quadra. Os caras são extremamente profissionais, tem a ética ali, né? Tem a ética, exatamente. Não vai passar por cima da ética, exatamente.
Caralho, muito foda. Mas irmão, tá, vocês não estão, só que eu queria falar dessa temporada que tá legal. Vocês não estão nos playoffs, mas você imagino que deve ter feito amigos já. Você fica torcendo para alguém ou não? Meu time tá fora, eu tô preocupado com a minha pré-temporada, minhas férias aqui, cara. Ou só tá acompanhando por acompanhar?
Eu acompanho por acompanhar assim, né, para estar sempre por dentro da NBA. E é importante, né, para o jogador saber o que que tá acontecendo em todos os times e tudo mais. Mas eu não, tipo assim, acabou minha temporada, acabou, velho. É, o que importa é o meu time ser campeão, que importa eu ser campeão. E agora Eu vou, por exemplo, acabou minha temporada, eu vim para cá, fiquei uma semana assim tranquilo, relaxando, mas eu já tô treinando de volta porque temporada que vem não pode parar, velho. Comecei a jogar bem, comecei a jogar mais minutos, mas temporada que vem começa de novo.
Se o atleta levar as férias igual a gente leva as férias da escola, vamos supor, que é tipo, acabou as tarefas, então é 2 meses que eu não faço nada, nada, não vou fazer nada, não vou abrir o caderno, vou fazer nada. O que que acontece se você falar assim, no meu mês de férias eu só tô de férias?
Isso se você tem quanto tempo de férias também, né, cara?
Então, quando você é eliminado assim cedo, no caso que aconteceu com a gente, a gente tem um tempo bom assim de férias. Mas, cara, se você tirar ali 2 meses, 1 mês, que ser 1 mês de férias, digamos, tirar 1 mês sem fazer nada, mano, na volta parece que você nunca jogou basquete na sua vida. É sério, pelo menos eu sou assim, velho. Então eu não Eu não arrisco, tipo assim, eu fico uma semana, beleza, sem fazer nada. Depois disso, nem que seja pouco, mas eu faço alguma coisa. Eu não fico na loucurada de igual é a temporada, não vai se machucar, lógico. Mas eu também não fico sem fazer nada, porque querendo ou não, é o profissionalismo do cara, tá ali bem fisicamente. Daqui a pouco eu vou voltar a treinar mais forte e tudo mais, e meu corpo não vai sentir tanto. Eu sempre tive essa, esse lado meu pessoal, esse lado de querer conquistar minhas coisas muito, muito forte em mim, mano. E foi quando, né, tipo assim, eu vi, falei, cara, se eu trabalhar— quando eu assinei, eu não era o melhor da G-League, mano, eu não era o melhor do meu time da G-League, mas quando eu assinei eu falei, cara, os cara tão vendo que eu tô trabalhando, mano, tá ligado? Os cara tão vendo que eu tô trabalhando, os cara vê que eu quero ser o melhor, que eu quero melhorar.
Eles vão ver que eu sou esforçado no mínimo, eles vão ver.
É, e os cara vão me dar oportunidade só porque eu sou esforçado. Pum, cara, me assinaram porque eu fui, não era o melhor, não era o mais rápido, mais alto, mais tá, tá, tá, tá, mas eu era o mais esforçado, mano, isso eu garanto.
Quem te deu o apelido? Porque ali meio que todos os jogadores vão Vão sendo conhecidos pelos apelidos até. E eu imagino que fica tipo, tá, qualquer hora que os cara vai pôr um apelido em mim, qualquer hora que eu vou ter um toque do Curry. Quem é que nomeia? Como que foi isso aí, Douglas?
Aqui no Brasil quem começou isso foi o Romulo.
Tinha que ser a lenda.
Porque nos jogos eu entrava, mano, era volúpia, pulava para lá e para cá e dava cabeçada, se tivesse que bater em alguém batia, e vai para lá e para cá, correria. E ele falou, mano, "Esse menino trabalha, velho." E botou o apelido de Trabalhador e pegou, velho. Aí de Gui Trabalhador virou Gui CLT.
Esse é bom também, velho.
Aí agora tá vindo meu irmão aí, né, meu irmão tá jogando bem, tá mandando bem também. Aí agora o Dudu virou Edu Jovem Aprendiz. Ah, vai se ferrar, né, velho.
É a família trabalhadora, porra. Família trabalhadora.
E é isso, né, velho. E foi daí que surgiu o apelido, pô, do Romulo.
Mas lá fora já pegou esse apelido?
Cara, lá ainda não tanto como no Brasil, mas tem um outro que sabe, né, que fala disso lá. Mas o pessoal fala bastante Gui Energy lá, que é tipo energia, só que eu trago muita energia para o jogo e me chamavam de Gui Energy.
Então, e o que que a mídia, o que que a galera de lá fala sobre você, no caso brasileiro? E o que que eles falam e o que que eles imaginam do Brasil também? Que você sabe que a galera lá tem umas ideias meio, não entende muito bem como que é o Brasil.
Cara, a mídia de lá hoje, graças a Deus, eu fui muito bem acolhido pela mídia de lá, tá ligado? Todo mundo me trata bem, todo mundo fala muito bem de mim lá. Os americanos, todos assim de comentaristas e tudo mais, gostam bastante do meu estilo de jogo. E isso daí é bom assim, né, para mim, porque fui muito bem abraçado pelo todo público americano. Só que eles têm uma ideia tipo assim de Brasil, é engraçado quando eu vejo até algumas coisas que o pessoal posta assim de tipo assim É quando o Stefan tava fora, o Jimmy tava fora, os caras botaram tipo assim: "Ah, o Gui Santos quando o Stefan e o Jimmy não tá jogando." Aí eles botaram um highlight do Neymar driblando todo mundo na época do Barcelona, tá ligado? Foi tipo assim, igual o cara. E, mano, foi... Eu fui muito bem acolhido lá, velho. Ainda bem.
E qual que são as per... Mano, curiosidade mesmo. Quais são as perguntas dos amigos gringos lá que eles querem saber sobre o Brasil? Às vezes eles nem se interessam, mas alguma coisa engraçada já deve ter rolado.
Ah, mano, de tudo, velho. De tudo. Teve uma história assim que pra mim foi a mais engraçada assim que... Eu tava falando do Brasil e Argentina, né, da rivalidade. A gente, Brasil e Argentina, a gente tem uma rivalidade, não sei o quê. Começou com futebol. Aí o cara virou para mim assim: mas por que vocês têm rivalidade? Argentina é mó longe do Brasil. Aí eu fiquei olhando para ele, eu falei: como assim, mó longe? Aí falou: não, pô, Argentina é na Europa. Você acredita?
Eu falei: não, mano, os cara é mal de geografia, né, mano?
Foi: calma aí, mano, você é louco, Argentina na Europa? Não. Abriu o mapa e mostrei para ele aqui do lado do Brasil, velho. É do lado daqui, mas lógico, os cara falam de bastante coisa aqui, das belezas naturais que a gente tem, né? Praia, pô, tudo assim.
Samba, carnaval, caipirinha.
Exatamente, aí vai, vai, você vai falar de tudo que tem de bonito aqui, os caras conhecem, os cara conhece.
E o que que de lá você mais gosta também, pô? Compartilhar coisas boas que você curte de lá também, cara.
O profissionalismo de lá é uma coisa que mudou muito o meu jeito de ser assim, tá ligado? Os caras são extremamente profissionais dentro da quadra, fora da quadra. Isso é uma coisa que me encantou muito lá dos caras. E não só isso, mas também o quanto os caras dão valor para o esporte, mano. Não importa o esporte, velho, você vai ter, sei lá, qualquer liga de qualquer esporte, eles têm uma liga lá para eles, velho. Eles dão valor no esporte, velho. Muito, né, molecada, velho, jogando faculdade. Os cara tão ganhando milhões e milhões jogando faculdade. Vai jogar futebol americano, os cara tem tudo. Vai jogar futebol, os cara tem tudo. Você vai numa escola de ensino médio, mano, nos Estados Unidos, é uma estrutura que time profissional no Brasil não tem, velho.
Muito louco isso.
E tipo assim, você chega para jogar contra— a gente jogou com os Estados Unidos, a gente tava nas Olimpíadas, jogou contra os Estados Unidos, mano.
Como que a gente vai bater de frente com os caras que desde criança tá nessa caminhada, tá ligado?
Os cara desde criança tem tudo do bom e do melhor, velho. Tipo, lógico, né, tem as dificuldades deles lá, eles em relação, porque mais em relação ao esporte, o cara tem quadra boa, tem bola boa. E mano, eu no meu começo aqui, eu ia, chegava mais cedo, muito mais cedo. Na época eu jogava em Brasília, morava em Brasília, chegava mais cedo, pegava um baldezinho, pano, rodo, eu ia limpar a própria quadra que eu ia treinar, velho. Senão não vai treinar, vai treinar escorregando, vai se machucar. Então a gente tem que treinar lá. Não, velho, lá você chega, já tá tudo pronto, cara, roupa lavada, estendida, pronta para você pegar, botar e treinar, só se preocupar com basquete, velho.
Que loucura!
Aqui não, mano. Aqui você tem que pegar, levar sua própria roupa para lavar em casa e pô, mal corre, fazer as coisas. Não que seja muito trabalho, mas tipo assim, não tem como você competir com os caras que não tem isso lá.
Às vezes a pessoa não tem nem como ir em casa, que aí já fica pior também.
Exatamente, exatamente.
Você me falou do que o esporte lá é muito valorizado, a gente sabe disso, mas eu queria saber se a galera tem a dimensão do tamanho do Oscar Schmidt lá?
Tem, mano, tem, tem. Eu fiquei de cara assim, tipo assim, eu não sou de uma geração que acompanhou ele, né, porque quando ele tava parando de jogar em 2003, eu tinha 1 ano de idade, tinha acabado de nascer.
Beleza, Guilherme, quer ficar jogando a sua idade na nossa cara aqui.
Você, acho que no penta aí o cara tinha 8 dias de vida, era muito novo, moleque. É, mano, e tipo assim, eu não acompanhei ele muito de perto assim, mas lógico, eu total dimensão do que o Oscar foi para toda representatividade do basquete brasileiro. Assim, o que o cara que, né, você fala de Brasil, exato, você fala de Brasil, basquete, para os gringos o primeiro nome que vem na cabeça é o dele, velho. Até para a gente também, para mim. Então acho que essa dimensão que ele tem lá é real, velho. O Steve Kerr, quando aconteceu tudo aqui, o Steve Kerr foi, falou numa coletiva de imprensa o quanto o Oscar é importante para a história do basquetebol. Ele, você tem noção, acho que Ele é o segundo maior pontuador atrás do LeBron, mano. Que loucura, velho.
Muito louco, né, mano?
É muita coisa, mano.
E ele parou de jogar, já tem uma cota.
É, e o LeBron tá roubando no jogo, mano.
Tá roubando no jogo, mano, o LeBron James. Porque ele ainda, até hoje, mano, ele atravessa a quadra inteira ainda até hoje. Aquela bandeja dele lá ainda parece que ele tá em 2016, mano.
Parece que ele não vai parar não, né, mano?
Parece que não vai parar, mano. Eu fui jogar contra ele Tipo assim, ele te deu uma trombada? Ele me deu uma trombada, mano, eu caí, eu falei tá, porra, bateu com o caminhão, foi um metrô me atropelando, velho.
Ele, antes de começar a jogar, ele, mano, é engraçado, a quadra inteira acompanha ele, a cabeça de todo mundo assim, ele vai pra lá, ele faz a paradinha, ele faz isso, pá, e eu vindo de pertinho, eu falei, mano, que isso? O ginásio inteiro olhando pro cara, mano.
Foi maluco. A gente foi ver... O cara sabe farmar, ó. Lembra, a gente foi ver o Lakers e Clippers, a galera já tava toda batendo bola ali, faltava só ele. Mano, na hora que a galera chegou, é isso que o Mitch falou, parecia a câmera do BBB, todo mundo... Só acompanhando o cara, mano.
E ele sabe que tava todo mundo olhando pra ele. Ele tava com a carinha de... "Olhem, olhem, paguem pau, paguem pau, paguem pau." Cara, e é absurdo, não é só ele.
Tipo assim, eu falo, porque no meu time tem, pra mim, o mais influente de todos, que é o Stephen, mano. O cara mudou o jogo, mudou a forma de jogar. Cara, eu tava em Minnesota, a gente chegou em Minnesota, tava sei lá, mano, -27, -28 graus, uma parada absurda assim, cara. 2 horas da manhã, quase 3 horas da manhã, tinha assim, velho, papo de 60, 70 pessoas na frente do hotel nesse frio esperando o cara só para poder ver ele, velho.
Nem que ia pegar uma assinatura, só vou ver ele passar.
Tentam pegar assinatura e tudo mais, mas mano, só para ver o cara, velho.
Mano, o cara é uma lenda, né, velho?
Você tá entendendo o tamanho que ele se torna assim, velho?
Mas um exemplo é igual quem ele tá no Lakers, irmão, é o LeBron com 40 e tantos, ou deve estar 40, 41. Como é que um novato olha pro LeBron e fala assim: mano, é 23ª temporada do cara e tá aqui treinando?
Como que eu não vou treinar? Você deve olhar pro Stephen Curry e falar assim: mesma coisa, vou trabalhar, mano, tem que trabalhar, tem que ir. É desse jeito, velho, você vê o cara treinando, você fala: cara, o cara tem, sei lá, 36, 37 anos e tá treinando mais que eu, não pode, você não tem como, não fecha a conta, tá ligado? Você tem isso e te empurra, e por isso que os caras são tão bons, velho.
Mas, mas para você, mano, fica o Beleza, fica uma responsabilidade a mais porque tipo assim, você é o único brasileiro que tá ali representando. Como é que fica sua mente nesse momento também?
Mano, o fato de eu ser o único brasileiro lá, tipo assim, igual eu tava falando do Steph ser exemplo para a molecada lá e tudo mais, e quando eu venho para cá é quando eu tenho a dimensão do que eu tô, o que eu tô me tornando, que eu posso me tornar, tá ligado? De poder ser um ídolo para nova geração, de poder ser um cara que os molequinhos olham, assistem na TV, fala: caraca, eu quero chegar na NBA igual Gui chegou, ele é do Brasil, passou por dificuldade igual eu tenho as dificuldades aqui. Certeza, mas eu quero chegar lá, pô, tá ligado? Eu quero chegar na NBA porque é meu sonho também e tudo mais. Então hoje, para mim, é ser esse exemplo para molecada e poder, né, tipo assim, mostrar para ele o caminho de fazer isso, que é, cara, trabalho. Eu não era o melhor, não era o mais rápido, papai, igual o cara falou, mas eu fui o que mais trabalhei e alcancei. E poder mostrar isso para molecada hoje, mano, é o principal para mim, assim, principalmente meu irmão, mano. Meu irmão é um cara que me escuta muito Ele tá o tempo todo assim me perguntando dicas disso e daquilo, o que que ele tem que fazer. Trabalha bastante, trabalha, trabalha, gosta de trabalhar. E ele viu, mano, de perto assim que a luta é complicada, mano. A luta é, pô, é nossa, mano, é pancada, é difícil. Mas quando chega, mano, o prêmio vale tudo, velho, vale tudo que você passou. Você fala, caraca, mano, eu faria tudo de novo, faria, né, tudo de novo assim, desde o começo, desde o momento do draft que eu tava lá chorando com meu pai, com minha mãe, até o que eu tô hoje vivendo hoje, cara. Faria tudo de novo para poder ter essa experiência. Parabéns, Gui Santos!
Tudo mérito seu, da sua família, com certeza, mas é muito seu, mano. Não pode tirar seu mérito não. Tenho perguntas para você responder de bate-pronto, pode ser?
Vamos embora.
Guilherme Santos: qual jogador você tiraria de outro time para levar para o Golden State Warriors?
Cara, eu tiraria o LeBron do Lakers para levar para lá, porque eu queria muito ver o Steph e o LeBron jogando juntos. Aí você chutou nas Olimpíadas quando eu joguei contra eles dois juntos assim, mano. Você viu os caras, você falava: tá, porra, velho, os cara é alienígena, os cara botaram deram o nome de Os Vingadores dessa seleção, porque eles tinham um mundial lá, eles perderam o mundial para Alemanha, os Estados Unidos perderam o mundial para Alemanha, que acontecia muito tempo que não acontecia. Aí os cara falou: é, vamos juntar todo mundo, os melhores, vamos todo mundo para ganhar as Olimpíadas. Aí os cara entrava em quadra, você falava, tá, você escutava, tá chegando os cara, não dá.
E teve a última Olimpíadas, os dois juntos ali, tem uma foto que tá um com o testa-cota. Foi foda. 3 adversários mais difíceis de enfrentar?
Luka Dončić, Shea e Jokic. São, mano, o Luka e o Shea é muito difícil de marcar. Você não sabe o que esses caras vão fazer, velho. Parece que eles estão jogando streetball assim, mano. Ele bate para um lado, você cortou, quando você já viu, o cara já tá no outro lado fazendo cesta.
Você fala: "Ué, mas eu tava aqui agora e já foi." Dos que você falou para mim, o que impressiona é o Jokic, porque ele faz assim, ó, a bola cai.
É impressionante, né, velho? É impressionante, você joga contra ele assim se tromba nele. Aí, mano, primeiro que ele corre assim, parece que ele não quer jogar, ele tá correndo assim. Aí quando você vê, do nada ele faz assim, pum, passa pro cara, ele nem tá olhando o cara embaixo da cesta livre. Tem uma bola assim que eu tava marcando ele no poste baixo, aí ele tipo assim, eu tava apoiando assim, né, o antebraço nele, e ele de costas pra mim tentando me empurrar pra debaixo do aro, e eu aqui, mano. Ele tinha passado a bola, o cara feito a cesta, e eu tava aqui ainda.
Você não viu que ele tinha passado?
Não vi que ele tinha passado a bola. Quando eu vi a gente pegando a bola, uai, o que que aconteceu? Vamos pro ataque. Ele é monstro.
Quem é o mais resenha do vestiário?
Cara, eu acho que o cara mais resenha que eu já vi do vestiário é o Buddy Hilde. Sério, mano? Vocês conhecem ele, mas mano, meu amigo, não, mano, nível tipo assim, os coaches não aguentavam ele de tanto que ele era engraçado. Ele abria a boca, os coaches iam, tá ligado? Na hora, momento sério, pá, todo mundo conversando sério, ele falava alguma coisa, todo mundo parava o clima sério, começava a rir.
Da hora, é bom ter essas pessoas. Ganhar Olimpíadas pelo Brasil ou o título da NBA?
Puta, aí é você, velho. Nossa, mano, eu vou colocar os dois porque não tem como decidir entre um ou outro aí não.
Tá certo, monstro. Com quantos anos perdeu o bebê?
Cara, quantos anos? Ah, foi com a Ju agora, minha noiva. Agora, 2020.
Sério?
Eu sabia!
Liso, liso.
A gente sabia. Contato mais famoso do WhatsApp?
Acho que é o Neymar, velho. Neymar, Steffi também conta, né? Não, Dudu não. Dudu tem que comer muito arroz e feijão ainda.
Dudu, você é o futuro mais famoso, entendeu? Vai passar os cara tudo, monstro. Pior sobremesa da história?
Eu gosto de quindim. Cara, pior sobremesa da história. Como é aquele de boi? É sagu? Para mim acho que é sagu. Sagu é sobremesa?
Sagu acho que é uma fruta.
Não, é aqueles de bolinha.
É sobremesa?
É sobremesa, não é? Eu não gosto, velho. Para mim é— E a favorita então? A favorita, o sorvete de 3 camadas da minha mãe.
Sua mãe sabe fazer sorvete?
O quê?
De 3 camadas?
Geraacional, mano, é da família. 20 voltas.
Qual que é a primeira camada?
Cara, primeira camada, mãe, leite condensado. Como é que é? É tipo um leite condensado, mano, é tipo como se fosse um cremezinho, tá ligado? Cremezinho. A do meio é chocolate e a última é uma camada mais light assim, que ela faz com clara de ovo. Mas até nojento quando você fala assim, né? Não, não, não, estou adorando, mano, fica muito bom. Absurdo.
Então é o sorvete, 3 camadas da mamãe.
Isso.
Tá certo. Melhor sobremesa mítico da história? Pior?
Kim Jin.
Rimo só pra rimar, pô.
Qual a sua favorita, pô, já que você—
A minha favorita é petit gâteau. Eu gosto muito.
Muito bom.
Com sorvete, né?
E a pior de todos os tempos é—
É difícil pensar na pior, né? Porque geralmente você não come.
Nossa, minha vó fazia um bagulho lá na...
Pé de moleque, você gosta?
Gemada, minha vó fazia. Quebrava ovo, ficava batendo assim, depois comia.
Vó, vó, vó...
Maior dupla da NBA?
Stephen Curry e Klay Thompson. Enquanto os dois estavam... Ele gostou? Você gostou dessa? Shaq e Kobe?
Eu tô com o do seu irmão. Seu irmão falou Shaq e Kobe, eu falei assim: acho que eu tô com ele.
É complicada também.
Eu não vou tirar o mérito, né?
Você escolheu. Calma, tá?
O maior conselho que recebeu na NBA?
Cara, quando eu cheguei lá, o varejão conversou comigo assim, tipo, sério, e falou assim: Gui, te dar um conselho agora, que é fácil você chegar na NBA, entre aspas, né? Porque é muito difícil. O mais difícil é você se manter na NBA. Isso aí abriu meu olho, mano, 100% de o que eu tinha que fazer para me manter na NBA. Acho que foi uma coisa que mudou assim, realmente. Pode moscar, é foda. Tem muito, mas você imagina, 60 moleque, velho, todo ano chegando querendo tomar seu lugar, todo ano. E são 450 jogadores, e lá é tipo, nossa, na NBA toda são 450 e chega 60 novo todo ano para você se manter, tá ligado? 80 jogos, 82 jogos, tá ligado? E mais playoff.
É muito trabalho, é puxado. Deus me livre. Marcar o Curry no treino ou marcar o LeBron no jogo?
Marcar o LeBron no jogo, mano. Não tem como marcar o Steph, não tem como, não tem como. Tipo assim, o LeBron, ele é forte, às vezes você toma uma trombada lá, torce o pé dele errado, beleza. Agora o Steph, se você pressiona, bandeja, ele corta, bandeja. Se você fica um pouquinho distante, bola de 3. Tem até uns lance assim no training camp que, velho, ele bateu para lá, bateu para cá, eu defendi ele para caramba, tá, tá. Ele deu um step back, foi chutar por cima de mim, eu quase deitou com ele. Eu falei, a bola caiu, mano. Ele olhou para mim assim, apontou com o mordedor de fora assim, apontou: "I got you!"
More from Gui

Gui Santos details his journey to major minutes with his third Warriors season | NBC Sports Bay Area









