GUI SANTOS - Podpah #1031

Gui Santos, the only Brazilian in the NBA, talks about the gap between U.S. and Brazilian sports infrastructure, his admiration for LeBron and Steph Curry, and the weight of being a role model back home. He names his toughest opponents: Luka Dončić, Shai Gilgeous-Alexander, and Nikola Jokić.
Chapters
O Amazon 5 do 5 tá aí, hein?
Pra você se preparar pra torcer pelo Brasil. Com milhões de cupons e frete grátis.
Amazon, patrocinadora oficial da Seleção Brasileira de Futebol. Hellmann's churrasco, o sabor irresistível da NBA. Oi, gente, eu espero que vocês estejam bem. Sejam bem-vindos ao primeiro Podpah da semana. E aproveitando que estão com plateia, bate palma aí, gente.
Eu gosto disso.
Vambora, cara! Sejam bem-vindos a mais um Podpah. Deixe seu like, se inscreve, que nós estamos rumo a 10 milhões, viu?
Falta 100 mil inscritos, meu amigo Mítico Jovem.
Você tá bem? Eu tô ótimo, graças a Deus.
Ao nosso Senhor Jesus Cristo, salva Deus!
Do céu e da terra, meu.
Você sabe, velho. Porra, você sabe.
Você não vai perguntar se eu tô bem?
Porra, eu ia perguntar. Você tá bem?
Graças a Deus, ao Salvador do céu e da terra.
Mítico, você tá bonito, hein, mano. E eu gosto quando você vem com os braços de fora.
É mesmo? É, é, é.
Aquele elogio da tia vó que você chega em casa: esse menino com os bração de fora, os braços de fora. É foda.
Desculpa, Mítico. Ó, Nós tá na campanha aí, mano. Antes de tudo, se inscreve aí, mano. É sério, tá vendo aí o botãozinho de se inscrever?
Eu quero aquela placa de 10 milhões.
Tem como se inscrever também, sei lá, mano. Se inscreve aí, arruma 10 milhão. Vou encher o saco até a gente bater.
É isso. E antes de apresentar o nosso convidado maravilhoso que já está aqui na mesa conosco, eu preciso falar dos nossos patrocinadores.
E Mítico Jovem, fala, queridão.
Chegou o dia, hoje é dia 5 do 5, de tanta gente falar. 5 do 5 da Amazon, até 60% off, frete grátis e chance de você parcelar tudo em até 21 vezes no cartão Amazon Prime, tá bom? Então escaneia esse QR code que tá na tela. Eu sei que você já tem muita coisinha para comprar, que você já tava prospectando, querendo.
Tem tudo lá, mano. Joga no site da Amazon, aproveita, segue a Amazon nas redes sociais. Maravilhoso, nossa parceirinha que tá sempre com nós, tá?
Exatamente. Mas o que você tava querendo comprar, faz o experimento de jogar no site da Amazon E eu tenho certeza que o preço lá vai estar melhor e com condições ótimas, como eu disse aqui. 60% off, frete grátis e parcelando em até 21 vezes no cartão Amazon Prime, tá bom? Mítico Jovem, fala da nossa patrocinadora master.
Que tá com nós também.
Que é international, né?
Oh my God!
Joga aqui, Natan. Que isso! Hellmann's é a patrocinadora oficial da NBA e nada melhor do que comer um lanchão gostoso, que lanche seco não dá. E o lance é o quê? Essas maioneses saborizadas. É ainda melhor para você fazer aquela friturinha boa na air fryer.
Qual que é a sua preferida, Igucho?
Irmão, eu tenho algumas, algumas, porque qual que é o lance que eu faço quando eu vou assistir o joguinho de NBA? Eu pego frango, jogo na air fryer, e aí eu pego tubos e tubos de Hellmann's que eu tenho em casa. E aí as favoritas são churrasco, a de queijo e a do Celtics, que é a verde.
Essa aqui é boa, essa aqui é boa.
Essa é a bala.
Essa é a barra.
Lembrando que se você escanear o QR code que tá na tela e usar o cupom PODPAH, vai garantir o sabor que você quiser com desconto especial, tá bom? Então usa o cupom PODPAH e garanta já a sua Hellmann's aí na sua casa, muito deliciosa, gostosa. E como eu disse, Mítico Jovem, international.
Pô, já levou a gente para gringa, já viu, mãe?
A gente foi ver o último All-Star Game.
Foi maravilhoso. Foi sensacional. Obrigado, viu, Helmans. Aproveita e segue eles aí nas redes sociais também, que eles são maravilhosos.
Recebam com muito carinho, façam muito barulho, batam muitas palmas, derrubem esse estúdio. O nosso convidado de hoje é o único brasileiro na NBA. Respeita, Gui Santos!
Vambora! Vambora!
Eu gosto disso. Bate palma aí pro irmão!
Muito foda!
Como é que você tá, meu irmão?
Bem demais, graças a Deus. Legal demais estar aqui com vocês, acompanho desde sempre. Pô, tá nessa mesa aqui, quantas vezes já não tava lá do outro lado assistindo vocês? Tá aqui é outra resenha agora, né?
Que loucura, mano!
Que loucura, porque quem te assiste é a gente, mano, tá louco!
É um assistindo o outro, é isso! Isso é bom!
Calma, calma! Você, não, antes de começar qualquer coisa, vou falar algo que tá aqui na mesa. Todo mundo fala que vocês se parecem. Vocês já ouviram isso antes também?
Cara, toda foto que eu posto, qualquer coisa que aparece relacionada a basquete, tem: "Caraca, o Higão tá jogando basquete agora?" "Higão saiu do BBB." Cara, eu não sei se é assim nas suas postagens também, mas em minhas bastante.
É, lógico que é. Sabe o que chegou para mim? Juro por Deus.
Mano, eu tô aqui de perto, eu tô tentando, eu tô olhando aqui, tentando ver.
Vocês parecem, mano. Toda vez que fala assim: "Igão, tal fulano parece com você", eu falo assim: "Ah, parece, só que ele parece." E eu acho que eu pareço.
Já faz tempo também, desde quando a gente gravou a temporada com a NBA.
Faz muito tempo, quando ele chegou lá em 22, pô, a galera já começou a falar. Tanto é que eu recebi uma DM agora, acho que foi segunda, acho que foi segunda, não lembro, mano, uma senhorinha, juro, uma senhorinha bonitinha falou assim: "Olha, meu filho, como é bonito ver você na Ana Maria Braga." Eu falei: eu não fui lá, não era eu, quem tava na Marinha Braga era o Gui Santos. Então isso acontece comigo também, mano. Acho que a galera olha e fala assim: olha lá o menino do podcast que vocês gostam, agora virou jogador. Muito louco, mas irmão, você tem só 23 anos?
Tenho, velho.
Você fez esse ano ou vai fazer?
Não, não, eu vou fazer 24 em junho, 24, dia 22 de junho.
Ainda é muito jovem.
É, cara, e vixe, Acho que no mundo do esporte é tudo muito precoce, né, velho? Você sai de casa, eu saí de casa com 14 para 15 anos, meu irmão saiu de casa com 12 anos de idade.
Você sai de casa, mas você jogava basquete desde os 1 ano e meio, né?
Desde pequenininho, pô. Tem vídeo meu pequenininho assim, quando eu tinha 2 anos de idade, minha mãe e meu pai botavam uma tabelinha de plástico dentro da sala, sala pequenininha, cara, eu ia lá e ficava brincando e eles ficavam de torcida, aê, e eu arremessava Olhava para eles, tipo assim, tão vendo, né?
Vibra aí!
Vibra aí!
Mas você nunca chegou a flertar com outro esporte?
Cara, eu jogava muita bola, já fiz natação também, já fiz várias coisas.
Irmão, vôlei você também manda bem, né?
Você manda. Cara, não, vôlei eu deixo para minha noiva, que é... Para mim, o basquete desde... Acho que pelo fato do meu pai ter sido jogador, meu pai foi jogador, e eu ia para o trabalho do meu pai ne, o basquete. Ia lá, pegava rebote para ele, ele ficava arremessando, eu ficava embaixo do aro passando a bola para ele. Isso daí me fez me apaixonar pelo basquete. Mas eu jogava bola na rua porque era difícil achar alguém que jogasse basquete também na minha idade, entendeu? Então só ia jogar bola, mano. Era bom de bola também, brincava com os moleque.
E não, menina é fofinho demais, né?
É o nosso.
Então eu jogava com os moleques e era assim que eu fazia amizade, mas sempre ia com os treinos com meu pai e comecei daí, tá?
Mas se se você quisesse bater uma bolinha basquete ali em Brasília, com os amigos, não tinha gente praticando.
Então, a primeira coisa que foi o problema é que a vida do atleta, né, no caso do meu pai, ele ficava 6 meses no lugar e já mudava, ficava 6 meses em outro. Então nunca tinha muito tempo de fazer amizade, porque era morando 6 meses no canto, ia para Brasília, ficava 1 mês, 2 meses, depois ia para outro lugar. E essa vida, né, correria que eu desde pequeno de fica mudando de um lado para o outro, acabou que não tivesse muitos amigos. Então era mais, pô, conhecia, começava a virar amigo, já tinha que sair. Então era mais difícil achar o pessoal. Eu ia na escola mesmo, enturmar com todo mundo.
Mas quando você era molequinho assim, sei lá, 6, 7 anos, você já sabia que seu caminho é ser o basquete? Você não tinha outras opções, ou era muito cedo para pensar nisso também? Mas era o seu caminho desde sempre, cara?
Porque às vezes é isso, né? Tem o pai que joga em casa, a mãe também, mas "Não, eu quero ser astronauta." "Quero ser diferente, vou ser padeiro, irmão." Não, no meu caso foi totalmente diferente.
Tipo assim, graças a Deus, meu pai e minha mãe, eles nunca botaram muita pressão em mim assim, sabe? Tipo, era muito: "Gui, vai pro meu treino comigo hoje, quer ir?" "Vamos." E eu ia com meu pai. Meu pai comprava chuteira, várias coisas pra mim, pra eu jogar bola, pra fazer futebol.
Te incentivava ao esporte, no geral.
É, eles só queriam que eu tivesse relação com o esporte. E quando eu comecei, né, a fazer, a me apaixonar mesmo pelo basquete, eu já tinha 11 anos de idade, quando eu comecei a jogar mesmo assim 5 contra 5, escolinha e tudo mais. Mas antes disso era de tudo um pouco, velho, de tudo um pouco.
Então antes dos 11 você nem sonhava e pensava então em ser um jogador?
Não, não pensava nem, tipo assim, nem ser jogador, jogar no Brasil, e quem dirá chegar na NBA, cara.
Mas nessa época, quando você via o seu pai treinando, jogando, o que que passava pela sua mente? Qual que era as principais dificuldades que você via? Foi algo que com o tempo foi te incentivando a entrar cada vez mais nesse mundo?
Cara, é um momento que foi muito marcante para mim assim, que eu falei, cara, eu quero ser jogador depois que eu vi isso. Foi num jogo do meu pai em São José dos Campos, na época a gente morava lá, e a torcida durante o jogo gritava o nome dos jogadores. E aí eu vi a torcida toda gritando, é Davidson, é Davidson! Falei, caraca, que da hora, hein, velho! Todo mundo torcendo para o meu pai.
Não, eu quero ficar gritando, meu pai, é meu pai!
Desse jeito eu falava, Não, eu quero ser jogador também. E pô, era engraçado também, a mãe fala dessa história, minha mãe também sempre me deu todo apoio de questão de ser esportista e tudo mais, foi jogadora também. Eu acho que eu puxei o talento mais dela do que do meu pai, na verdade.
Ela olhou e fez assim, é.
E meu pai dentro da quadra ia para defesa, eu fora da quadra soltava a bola e corria para o outro lado para ir para defesa e ficava lá fingindo que tava defendendo. Aí eu via que a gente roubava a bola Aí eu ia correndo, pegava a bola e já saía de bola.
Como se você estivesse junto do time.
Como se eu estivesse junto do time, mas fora da quadra, assim, na beirada, desde pequenininho, velho.
Mas você não via a dificuldade dele nessa carreira e falava: "Mano, é muito difícil, tem que treinar muito, apanha, sei lá, é complicado, é um sacrifício." É um processo doloroso, é.
Cara, quando você é moleque, eu nem reparava, eu só reparava nos glamouros, assim, nas coisas boas que tinha, sabe? Tipo, cara, quantas vezes meu pai machucado, às vezes ia pra treino sem querer treinar, passava por dificuldades e tudo mais, mas quando você é moleque você não sabe disso, né, velho, quando você é pequeno. Para mim, eu chegava em casa, tinha comida, tinha meus pais lá tranquilo comigo, então jogava um videogame, alguma coisa assim, e tava de boa. E eu não sabia das dificuldades, né? Eles me blindavam muito disso. Mas quando você cresce, você começa a se tornar, e quando chega a voadora de dois pés no peito, irmão, é que eu só quero citar isso aqui rapidamente porque aconteceu ontem, né?
Você foi expulso de um jogo de NBB, irmão? Que tá acontecendo isso aí?
Ai, cara, o sonho do meu sonho.
Que que tava acontecendo? Era jogo entre quem? Era playoff, né?
Playoff, quartas de finais, Pinheiros e Paulistano. Meu irmão, 16 anos, tava jogando lá no Pinheiros. E mano, eu sou um cara que eu sou muito, né, pô, fã número 1 daquele moleque ali. Então É, eu tava lá na beirada da quadra assistindo o jogo, né, tranquilo. E tranquilo, calma. Aí eu tava na beirada da quadra, só que tipo assim, eu não sabia que quando você senta nas primeiras fileiras você não pode ter expressão nenhuma por dentro da quadra, porque meio que ali você tá um convidado ali, entendeu?
Para você, você tem um privilégio. Aí o cara que tá dentro do privilégio tá muito pra cima, vai ficar: ô filha da puta!
Não, aí eu concordo, se for xingando essas parada, eu concordo.
Você não tava só falando coisas boas, né?
Vacilando.
Não, foi nada disso, pô. Tipo assim, eu cheguei lá, quando aconteceu o corrido, eu tava— foi uma falta técnica no meu irmão, deram uma falta técnica no meu irmão, nem lembro quem foi que deu a falta técnica nele. E cara, eu olhei assim, né, não tinha sido falta, ele saiu reclamando, tomou a falta técnica, eu levantei, literalmente só levantei, abri meus braços e falei: "Só porque ele é mais novo?" E acho que Né, por esse fato de ter que ficar ali na beirada da quadra e tudo mais.
Por ser você também, né, mano?
É, enfim, eu não sei se foi porque era eu ou não era, mas pelo fato dele estar, né, na quadra ali, eu tava junto com ele também, levantei, fiz isso. Não sei se era motivo de expulsão, mas de qualquer forma eu acho que assim, se chegasse, conversasse comigo, falou: Gui, calma aí, dá uma segurada e tal. Por mais que eu não tenha, né, falado nenhum palavrão, nem sequer ofendido ela, entendeu? Acho que foi um pouco desnecessário, né, essa essa ação, mas cara, é isso, eu respeitei, aconteceu, saí, fiquei tranquilo.
E agora quem ganhou esse?
Quem ganhou? Ganhou o Dudu Pinheiros, Pinheiros ganhou 1x0 na série.
Vamos, Dudu, vamos, mano! Vocês não tá ligado, ou estão, mas o Dudu que ele tá falando tem 2,8 e você tem 2,2, né?
E tem quantos anos seu irmão?
16 anos.
Qual que é a expectativa de um atleta? Até que ano ele cresce?
Até 18, né? É, bota uns 18 aí.
18, máximo 20.
E tem uma expectativa para ele assim, que altura ele pode até chegar? Cara, você vê a altura, 2,10 a 2,15. Valeu, chefe!
É porque meu pai é muito alto também, né? Meu pai tem 2,10, minha mãe também, 1,80 de altura, mano. É, então a genética ajuda bastante nesse fato aí.
Ele, isso, mano, o sapato da casa dos cara é tipo assim, só nos Estados Unidos, pô, só nos Estados Unidos. Você calça quanto, Gui Santos?
14, tá 47, 48.
É possível isso? Caralho, cara, 14, viado!
Pô, e o seu irmão, então, ele tá também construindo uma carreira, ele sonha também em NBA?
Sonho de todo jogador, né, que joga basquete, é representar a seleção, Olimpíada e NBA. E ele é um cara que, lógico, né, batalha tudo, é craque de bola. E eu até arrisco a falar, eu falo isso bastante todo lugar que eu vou, Eu e ele, da maneira que ele vem trabalhando, da maneira que eu venho trabalhando, eu acredito que no futuro próximo, se Deus quiser, a gente vai ser os dois primeiros irmãos brasileiros dentro da NBA, que é o futuro que ele quer, o futuro que eu quero, que a gente vive disso. Ia ser legal demais ter isso ainda vindo da nossa família, cara.
Nossa senhora, isso vai ser incrível, irmão.
Tá maluco?
Então é muito importante, ele tá vendo todo esse, ele viu todo esse seu processo, né, cara, tá aprendendo, tá vendo de perto, e você com certeza também tá Ensinando ele ali.
Não, perdão, mano, é que você tava contando que até os 11 anos de idade não era tão sério, as coisas eram mais soltas, porque você até, porque você era uma criança. Quando é que as coisas começam a ficar sérias, que os treinos começam a ter, você começa a ter rotina de treino, começa, é isso que você quer para sua vida? Quando é que seus pais conversam com você e te dão, te perguntam?
Cara, eu acho que nunca veio deles essa de conversar assim, você quer isso mesmo? Foi na verdade quando Teve dois momentos, né? Quando eu voltei para Brasília, que meu pai parou de jogar, e eu comecei a levar mais a sério e treinar todos os dias, e tava ali querendo ser jogador, querendo ser jogador. E depois foi quando eu saí de casa, quando eu tinha 15 anos de idade, quando eu saí de casa.
Que loucura! Não, calma, isso aí é um belo capítulo. É, como que sai de casa com 15 anos, mano?
Cara, minha mãe que diga, viu? Ela sofreu, cara, sofreu. Como você tava, cara? Eu Eu sempre fui um cara que tipo assim, eu passava pelas minhas dificuldades, mas eu não falava muito, eu ficava mais na minha porque eu não queria deixar minha mãe mais ansiosa, então eu segurava bastante o que eu pensava, mas pra mim foi muito difícil, pô, sair de casa. Eu fui morar numa república em BH e morava com mais 8 a 10 moleques que moravam junto comigo.
Nossa, aquele cheiro de esfirra e cueca.
Exatamente, velho, desse jeito. Era dessa vibe. Nossa, teve vez que minha mãe e meu pai ia lá e falava: nossa senhora, como é que vocês vivem nesse lixo aqui? Não tem como, cara, que porquice.
Mas o que que se passava na sua cabeça? Tipo assim, você quer passageiro, vai dar bom, vai dar certo?
Não, cara, eu aproveitava o momento, pô. Tipo assim, para mim hoje virar e falar para mim, cara, morar com 10 moleque, para mim é loucura. Eu falo: não, não tem como, não dá. Mas naquela época, meu irmão, eu falava, tava amarradão, você é louco, vou morar com uns cara que joga, meu, os cara são meu parceiro, a gente vai para escola junto, da escola vai para o treino, aí depois tem mais treino, depois volta para casa, e a imagina, louco. Então nem dá tempo de você pensar.
É o sonho, né, de viver por esporte.
E foi quando minha ficha caiu. Eu falei assim, cara, eu quero ser jogador, velho, quero ser jogador profissional mesmo, quero seguir nesse caminho. Na época, meu sonho era só, eu quero jogar o NBB, tá? Eu quero chegar aí, já é difícil para caramba, eu quero jogar o NBB. Meu pai jogou, e se eu jogar o NBB, eu já tô feliz, já tá de bom tamanho. E foi quando eu comecei a integrar a equipe profissional lá do time de BH que eu jogava, e foi quando eu comecei a ter mais oportunidade de, né, aparecer no cenário nacional, porque eu era de Brasília, velho, em Brasília. O basquete não é tão forte assim. Então quando eu fui para BH era um pouco mais forte, a estrutura lá do clube era um pouco melhor, e isso daí foi quando me ajudou a realmente desenvolver meu jogo, me desenvolver mais.
E foi quando eu comecei a posição cravada, a la pivot e tal, ou não? Você tava ainda tipo em formação, cara?
Formação, é, eu jogava de 1 a 5, né, de armador até pivô. E foi quando, né, tipo assim, eu comecei a ver que realmente, cara, eu tenho que fazer isso, aquilo para virar jogador. Mas eu não tinha, não não tinha posição fixa nem nada. É, para mim era, era mais uma, cara, eu quero jogar contra esse time aqui. Quem é o melhor jogador do outro time? Aí eu queria defender o melhor jogador, seja pivô ou armador, eu queria defender o melhor jogador. Eu queria que ele me defendesse para eu mostrar que eu era melhor que ele dentro da quadra.
Você queria grandes embates para mostrar o seu jogo?
Exatamente. Eu sempre gostei bastante disso, velho, porque eu acho que a competitividade é o que faz o cara realmente virar, sabe, um cara que ele mais que o outro e conseguir virar jogador.
Mas nessa época que você tinha 15 anos, qual que era a rotina de treinos? Como que era a vida assim para molecadinha hoje em dia que tá querendo virar, se inspirar também, saber como é que era essa caminhada nessa época aí também?
Cara, obviamente ia para escola, né? De manhã eu acordava, ia para escola, ficava no período da manhã todo na escola, saía da escola e eu ia para esse clube já direto. Aí eu almoçava no clube, todas as refeições eram feitas no clube. Eu almoçava, depois do almoço eu já tinha um treino com a equipe do Sub-20 na época. É, 5 anos, 4 anos acima, que eu era Sub-16, né, na época. Eu treinava com a equipe do Sub-20, depois da equipe do Sub-20 eu treinava com a Sub-18, depois eu ia, malhava, depois da malhação eu ainda treinava com a equipe adulta.
Isso era que horas?
Você chegou lá tipo 1 da tarde, 1 da tarde, sair de lá era 9, 9:30, 10 horas da noite, ia para casa morto. Morto. Mas aí você chegava em casa, dever de casa para levar amanhã. Aí você chegava lá, pô, dever de casa, fazer o dever de casa cansado, mas tinha que fazer. Porque eu nunca, minha mãe, meu pai, todo mundo sempre tem que ser rígido assim com escola. Então tinha que fazer, eles cobravam nota no clube, o pessoal cobrava nota, tipo, tinha que apresentar a nota para eles todo mês.
Se o aluno fosse mal, mas jogasse bem, isso ia pesar se ele fosse mal na escola, né?
Isso é tipo assim, eles davam uma penalidade para você, ah, você não vai jogar esse jogo. "Porque você tirou nota ruim na escola, você não vai jogar." Então imagina como é que você, não importa o quão bom você era, você tem que render na escola também. Isso daí me ajudou bastante a não relaxar na escola.
Mas eu acho que te ensina uma responsabilidade que tem que vir para o atleta muito cedo, porque, porra, você tem 23 anos e já tá na NBA. Se você não tivesse tido essa maturidade de cedo, você ia tá aprendendo agora algumas coisas que você aprendeu com 16 e ia tá atrasado, você não acha?
Exatamente, eu acho que essa maturidade que vem cedo no atleta, em todos os esportes assim que você vai ver, molecada sai cedo de casa, o que faz a gente ter uma maturidade, porque a gente tá sujeito a muita crítica, a gente tá sujeito a muita coisa desde muito cedo. Tipo, você jogar mal com 17, 18 anos, ninguém quer saber se você tem 17, 18 anos, você jogou mal, entendeu? E vão criticar o time do cara, representando o time do cara, e é isso. Então você já tem que ter esse desenvolvimento mental para você aguentar isso tudo.
E como que ficava na sua mente? Pô, imagina, sua família te ajudava nisso, mas 15, 16 anos é geralmente uma idade que a gente tá na flor da idade, né, quer viver, quer fazer alguma loucura. Geralmente as amizades nesse momento também são mais malucas. Então como que você se resguardava nesses momentos, mano?
Cara, isso daí é muito importante, né, porque eu passei por isso de, dessa idade, só que tipo assim, eu sempre fui um cara muito certinho, velho. Lógico, obviamente pela criação do meu pai, da minha mãe, pelo jeito que me mostraram que minha mãe sempre falava assim, ó, Gui Santos, eu vou te ensinar o que que é certo. Isso aqui é o certo, isso aqui é o errado. A partir de hoje não sou eu que mais tomo as decisões, você toma as decisões se você quer ir para o lado errado ou quer ir para o lado certo. Isso daí, cara, ficou na cabeça.
Eu falei, cara, é igual quando o pai fala assim: não vou te bater, você me deixou chateado. Tipo assim, caralho, chatinho meu pai, velho.
E é desse jeito, é o mesmo sentimento. E quando ela falou isso para mim, aí eu falei, cara, qualquer coisa, oportunidade que aparecia de eu fazer alguma coisa errada, eu olhava para aquilo e falava, mano, isso daí vai me levar para onde eu quero ir. Porque uma coisa que pesa muito, sempre pesou muito para mim, era eu queria tirar minha família da realidade que minha família tava. E aí eu pensava, cara, se eu pegar e fazer isso aqui, será que vai me ajudar? Não, vai me atrasar. Então eu E as minhas amizades eu sempre escolhia muito bem.
Mas não teve um dia que você passou muita vontade e falou: "Ah, pra aquela festa eu queria ter ido"?
Só queria deixar claro, eu iria, viu?
"Aquela lá em BH eu queria ter ido." BH é bom demais.
Não, BH é bom demais. Mas pelo fato de eu ser muito novo, 16 anos, era muito difícil de eu ir em qualquer lugar, velho. E, cara, "Ah, documento, faça essas paradas." Eu nunca tinha muito medo disso, velho. Então eu nunca... Nós é irmão mesmo. Eu nunca mexi com isso aí, eu ficava quieto, pô. Vamos fazer uma coisa, vamos sair. Eu falo: vixe, amanhã eu tenho aula, não vou, não tem como. Então eu conseguia fazer esse equilíbrio assim de profissionalismo, mesmo muito novo.
E finais de semana também se amassava nos treinos, cara.
Eu treinava com adulto, né? Então não tinha, por exemplo, quando o adulto tava de folga, eu treinava com a base, e quando a base tava de folga, eu tava com adulto.
Tem no basquete, tem também esse lance do do novinho que tá chegando agora para treinar com os adultos, e que se ele começar a driblar demais, querer, sei lá, pontuar demais, o cara falou: calma, calma. Tem isso, pô, tem que saber chegar.
Tem demais, tem demais. E eu passei por isso também, pelo, cara, o meu primeiro ano, segundo ano, né, de profissional. No meu time tinha o Leandrinho, Alex Garcia, o Chiltão, Tyrone, que eram todos os caras que eram muito renomados no basquete brasileiro. Então, cara, eu era pianinho, velho, eu não queria, não queria de jeito nenhum bater de frente com os caras. Os cara falava comigo, ia lá, fazia. Até o Chiltão deve também estar assistindo aí, mandar um abraço para ele. Cara, eu era Alexa dele praticamente no quarto.
Busca tal coisa.
Gui, fechar cortina. É, não, mas eu, pô, e hoje em dia, né, o filho dele joga também e o filho dele é mais novo que eu, então virou a sua Alex.
Mas tem algumas regras ali para os novatos chegarem que meio que tipo assim, ó, mano, isso aqui não pode fazer, isso aqui é bom fazer, tem alguma dicas também para—
é porque no futebol a gente sabe, né, ficar passando muito o pé em cima da bola, irmão, você vai tomar um rodo. Não tô falando que é certo ou errado, é mais vai.
Então lá no basquete, cara, é meio que isso, né? Os caras tentam se provar também, né? Tipo assim, a molecada, eu chegava, eu queria bater de frente com os caras, só que pô, os caras já tem uma mochila de experiência gigantesca, eu ainda não tinha isso, então eu penava um pouco pra alcançar os caras e eu via essa diferença e falava: "Não, pô, calma, ainda tem que comer muito arroz e feijão pra chegar nos caras, os caras tão muito à frente." E eu sempre fui muito humilde pra admitir isso e não tava nem aí, eu falei: "Não, mas não é impossível, um dia eu vou chegar." Mas agora ainda não, calma, né?
Ô Gui, você tinha consciência de que para você chegar onde você queria chegar, seja a NBB e depois NBA, você tinha que fazer algo a mais, algo muito diferente? Porque não vinha algo na sua cabeça como tipo, quantos tentam e quantos chegam? O basquete nem é o esporte número 1 do Brasil, cara. Então tipo, são possibilidades que vai diminuindo, que vão diminuindo conforme vai afunilando, vai subindo o nível. Você não tinha isso na sua cabeça? Tipo, eu sei que eu sou bom, mas eu preciso também fazer algo a mais. Um brasileiro chegar na NBA, irmão, cara, é igual eu falei para você.
Quando eu cheguei no Minas, em BH, para jogar, eu queria só chegar no NBB, velho. Então eu falei, cara, eu tenho que fazer a mais. Eu tenho, cheguei lá, não recebia muitas oportunidades de jogar no time principal, né? Jogava na base, tudo mais, mas no time principal não recebia oportunidades nem nada. Até quando apareceu um técnico gringo, Petrovic, Alexander Petrovic. Hoje ele é atualmente o técnico da seleção brasileira. E ele me chamou, eu não jogava no adulto, tava, era sub-17, tava jogando uma seleção sul-americana. Ele me chamou para seleção brasileira adulta porque ele gostou de mim num treino da seleção 17. Falou: não, quero levar esse moleque para seleção adulta. E ele vai lá como convidado.
Esses caras são importantes, cara.
E ele me abraçou assim sinistro, e eu cheguei, né, fui para seleção.
Você acha que nesse momento você chamou atenção dele? O que que você fez?
Ele já era the worker, cara. Eu já, já era, já era, já trabalhava duro, já fazia as coisas que tinha que ser feita dentro da quadra. Eu acho que ele viu isso em mim, sabe? Viu tipo assim, cara, esse moleque ele tem altura, tem o drible de bola, tem o arremesso. Acho que se a gente trabalhar esse moleque, ele consegue ser algo muito grande, consegue ser algo, sabe, algo que vai ajudar a seleção brasileira futuramente. E ele, cara, realmente abraçou assim, velho, e me chamou para seleção. Aí eu lembro até hoje, na minha primeira convocação com a seleção, ele—
Quantos anos você tinha?
Eu tinha 17 anos.
Nossa, molecote, mano.
17 anos, molecote de tudo. E eu cheguei na seleção, cara, eu bati de frente com os caras, não tava nem aí, mano. Ia lá e tivesse que bater nos caras, eu bati.
É porque nessa hora você falava: chegou o momento de fazer isso.
Que era o momento de falar, tipo assim: não, eu tô aqui também, eu consigo. E eu bati de frente com os caras, os caras trombavam, eles falavam umas coisas para mim: aí, moleque, não sei o quê. Eu falo: não, vamos embora, fi, tô nem aí, depois nós se acerta.
Mas seu pai te falava alguma coisa assim de "Ó Gui, chegou nesse momento, é assim, mano, vai pra cima." Ou não?
Cara, meu pai e minha mãe, na verdade, eram mais psicólogos meus, assim, sabe? Porque se alguma coisa dava errado ou não ia da maneira, aí eu ligava pra eles e falava: "Pô, puta, tá difícil assim, velho, tá difícil assado, aquilo ali não tô conseguindo fazer." Aí minha mãe, com certeza... É que assim, lá em casa sempre teve o equilíbrio. Meu pai era mais uma pedra no sapato e minha mãe era a que passava a mão na cabeça. Então, se eu tivesse um jogo de 30 pontos, deitei, mandei bem, mas tive um erro. Aí meu pai chegar e falar do erro. E se fosse ao contrário, joguei mal, não sei o quê e tal, e tive um acerto, minha mãe chegar, não, boa, parabéns pelo acerto. Então foi um equilíbrio muito bom. E na seleção foi, né, quando eu comecei a bater com os cara lá e trombo de frente com eles e tudo mais, foi quando tipo assim eu ligava para minha mãe e falava, pô, tá difícil, os cara aqui é bom, não sei o quê. Ela, não, vai para cima, vai para cima dos cara. Meu pai também a mesma coisa. Aí o Petrovic chegou e falou assim, mano, eu tava lá como convidado, era, nem ia para o jogo. Aí ele chegou assim, ele fala meio que um espanhol, a portuguesada assim. Aí ele falou, pequenino, vem cá, você vai jogar amanhã. Era magrelinho, tá ligado? Aí falou, não, você vai jogar amanhã. Meu irmão, comecei a me tremer, que era, ia ser jogo eliminatórias lá para Copa América. Ele falou que eu ia jogar, eu comecei a me tremer, falei, nossa. Ferrou, velho, ferrou, ferrou. Aí chegou no dia seguinte, no dia seguinte, primeiro que eu não consegui dormir de noite, né, que eu já liguei para eles, falei, eu vou jogar amanhã. Petrovic falou que eu vou estar no jogo amanhã e não sei o quê. Eles, não, vai descansar e tudo mais, né. Só que era tudo muito novo para mim, cara, seleção e pô, sonho de moleque. Só via os caras aqui que tinha jogado comigo no time, já alcançado a seleção. Você não era nem de maior, irmão.
Exatamente.
Exatamente. E cara, quando começou o jogo assim, eu tava vestindo o uniforme, maior emoção, né, cara, vendo meu nome no uniforme e tal.
Que camisa você jogou o primeiro jogo?
11. Era camisa 11, era do Varejão também, que já vi aqui, né. E quando eu comecei a jogar, né, nesse jogo, na verdade eu tava no banco. Quando eu ia, achei que nem entrava, falar a verdade. Falei, ele vai me chamar, vai me deixar aqui, vai me dar uma moral para eu começar a jogar mais no meu clube, que eu não tava jogando. E aí ele do nada: pequenino, vai, meu irmão! Tava como o jogo? Pau a pau, primeiro quarto.
Primeiro quarto?
Primeiro quarto era. Aí ele falou: pequenino, vai, meu irmão! Sai pulando a perna dos jogadores assim, né, que fica um espacinho do banco. Sai pulando, trupecando em todo mundo na emoção de ir, cara. Eu não sabia nem quem eu ia entrar. É, vai, vai, você mesmo sai! E, cara, entrei no jogo nervoso, nervoso, nervoso. Mas joguei muito bem, mano, muito bem. Aí eu falei, caraca, velho, que sonho!
O nervosismo não te atrapalhou?
Não atrapalhou em nada, velho, não atrapalhou em nada. Tava pronto, Gui Santos. Recebi uma bola no corner, chutei a bola de 3, matei a bola, fiz uma bandeja coast to coast. E aí quando acabou o jogo, eu fiquei sem acreditar, pô.
E o que que ele falou para você?
Aí ele chegou para mim assim, chegou para mim assim depois do jogo e falou, aí, tá vendo, não é nada demais, não é bicho de 7 cabeças e tudo mais. Tipo assim, ele falando comigo, né, no sotaque dele, do jeito que ele fala. "Mas aí, você tá pronto para jogar." Aí na entrevista lá depois, cara, nunca tinha dado entrevista na minha vida, tipo assim, muito pouco, sabe? Aí ele chegou para fazer uma entrevista comigo lá depois, era eu sentado e ele sentado do outro lado, e o povo rindo de mim porque eu travando o tempo todo, não conseguia falar, gaguejando. Foi desse jeito, velho. Depois disso ele pegou, eu não tinha nem passagem comprada, a gente ia jogar no Uruguai depois, eu não tinha nem passagem comprada para o Uruguai.
Está de convidado, né? Então aí ele falou assim: "Não, compra passagem para ele que vai ser titular no próximo jogo." Aí eu falei, pronto, pô, mas cara importante, tipo assim, um moleque como ele precisava, ele tava pronto, ele só precisa de alguém que fala assim, eu vou te abraçar aqui, vamos comigo. Porra, isso fez 6 anos.
E no outro jogo, como é que foi?
Cara, entrei de titular, já tava, já tava, pô, em outro mundo assim, né, vendo o meu nome na prancheta para começar o jogo, na apresentação, entrando, e os cara, ah, do Brasil, número 11, Gui. Na época era Gui Carvalho que eu era conhecido, né. E aí, cara, joguei bem também o jogo, acabou o jogo, tava sem acreditar, velho.
Mas a confiança foi aumentando ali também agora, né?
A confiança foi aumentando. Aí eu voltei para o meu clube e, cara, voltei para o meu clube, aí começou uma pressão muito grande. Pô, moleque jogou na seleção, como é que ele não tá nem jogando aqui, entrou de titular na seleção. Aí foi quando, cara, eu tive mais oportunidade de jogar, foi quando eu comecei a aparecer um pouco mais. Aí, mas nesse período aconteceu a pandemia, velho. Que aí parou todos os esportes, parou tudo.
E como que você fez para continuar seu treinamento, seu condicionamento, irmão? Porque você tava num período clutch ali da parada, tá ligado? Você não podia.
Foi, velho, eu tava num período que tipo assim, 17 para 18 anos, tava começando, ia começando a ser, né, introduzido no meio do basquete profissional. E aí eu, cara, tem até vídeos, vários vídeos meus, eu dava meu jeito de treinar, velho. Não tinha muita estrutura, as quadras de Brasília não tinham Tipo, às vezes não tinha disponibilidade, os caras não disponibilizavam as quadras, tudo fechado. Imagina. E aí eu treinava meu jeito em casa, ficava treinando drible de bola na garagem, amarrava umas liga, umas liga de elástico para fazer treino. Minha mãe, meu pai, um pouco programado, me ajudar e me puxava para um lado, puxava para o outro. E, cara, eu sei que eu cresci, eu ganhei, sei lá, uns 5, 6 quilos assim no período da pandemia de massa magra.
Isso, mas bem, né? Bem, bem. Não voltando bem.
Tanto é que quando eu voltei, os caras do clube, quando o cara começou a voltar às atividades, o cara falou: uai, que isso, tá melhor? É, como assim? Teve uma pandemia e tipo assim, todo mundo voltou, lógico, né, não do mesmo jeito, do mesmo jeito para pior. E eu voltei muito melhor, pô, voltei mais forte, mais atlético, mais físico. Os cara, pô, você tava com a cabeça boa, Gui Santos?
Você sente?
O que que foi? Tava, velho, eu tava. É porque, velho, foi no momento que eu tive o plim assim, né, velho. Acontece, acho que no momento acontece um plim na cabeça do atleta que ele fala: cara, é isso aqui que eu quero, vou levar a sério, e agora eu vou abraçar essa porra e vou embora, velho.
Então como é que foi essa volta da pandemia, cara?
Foi quando eu comecei a jogar mais. Aí eu comecei a jogar mais o NBB, 21, 22, só 20, 21, 21, 22 foi o último que eu joguei, que aí depois eu fui embora. Mas você veio amassando ainda, eu vim jogando muito bem, tipo assim, para quem não jogava, comecei a jogar jogando bem. Ainda tinha algumas coisas de tipo assim, por eu ser muito novo, não me botavam para jogar todo momento, sabe? Às vezes eu achava que, na minha cabeça, né, óbvio, eu achava que não, acho que eu merecia jogar um pouco mais, mas todo atleta pensa isso, às vezes não jogar no momento certo, depende muito do técnico. E eu achava, né, que tipo assim, não, posso jogar mais e tal. E naquela ânsia de moleque, querer tudo, jogar todos os jogos, 40 minutos dos jogos. E eu, mas eu tava pronto mentalmente, comecei a jogar bem. Se eu não me engano, nessa temporada eu fui destaque jovem do NBB, tipo assim, o melhor jogador jovem do NBB. E aí depois disso começou o segundo ano, que aí foi quando as coisas foi se desenrolando mais.
Tá maluco, irmão! Eu queria saber assim, como é que surge a oportunidade de você participar de um draft da NBA? Como é que é? É um olheiro que chega e fala que, ó, você vai participar? Como que é? Se você puder contar e puder até detalhar como foi o dia do seu draft.
Aí a emoção vem à flor da pele.
Imagina, porque deve ter sido o dia talvez até o mais importante assim da parada, cara.
Então, eu acho que eu nunca falei tão completo assim de como foi, né, o dia do draft. Mas começa, para você participar do draft, primeiro começa desde muito tempo. Os caras olheiros sabem todos os jogadores que têm, que têm se destacado com 16, 17 anos. Eles acompanham todos esses jogadores, tem vários camps da NBA que eles fazem durante esse processo para ficar monitorando esses garotos.
E esses camps, como que funciona?
É tipo assim, eles pegam, chamam os 5 melhores do Brasil, uns 3, 4 caras bons da Argentina, mais uns da Colômbia, Canadá, só não dos Estados Unidos, mas da América toda eles chamam. E aí é quando você começa a se provar mais, mostrar mais que você pode, que você tem capacidade de virar um jogador.
Primeiro convite para fazer o camp, por exemplo, foi por e-mail, foi na quadra, os caras chegaram lá, avisa o time?
É, foi na verdade meu agente, meu agente, que tipo assim, ele, os caras perguntam para ele assim, pô, você tem algum atleta bom aí? Ele fala, pô, tem esse moleque do Brasil, tá jogando bem para caramba no Brasil, tá se desenvolvendo lá, seria bom vocês levarem ele para vocês darem uma olhada. Aí eles fazem, né, lógico, análise do garoto, vê jogos, as coisas que o garoto tá fazendo, e decidem se vão chamar ou não. E foi assim que meu agente, né, me indicou para esses camps. E aí eu fui para 2 camps da NBA antes, né, de participar do draft.
Funciona como testes?
É como se fosse assim, bota um monte de moleque na quadra, dá treino específico para eles, depois bota eles para jogar um contra o outro.
Mas aí também você teve que se matar ali, velho.
Mas um contra o outro, 1x1, ou time contra time?
É 5 contra 5. Só que aí que é o problema, pô, você pega 5 moleque querendo se provar num time contra 5 moleque.
Ninguém passa a bola, filho.
Exato. Então, mano, chegou a bola na sua mão, morreu, não sai daqui, vai para cesta, pega lá atrás, vai correndo sozinho. É verdade, mano.
E o seu time foi time dos 5 brasileiros ou não?
Não, no primeiro que eu fui era só brasileiro no time. Aí é mais tranquilo, porque dá para dar uma controlada mais assim. Mas o outro que eu fui era gringo, era só gringo.
Aí você teve destaque nesses?
Fui. Nos 2 campings que eu fui, eu fui destaque nesses 2 campings. Então já abre o olho dos caras, tipo assim, ó, esse moleque do Brasil tá vindo aí, ele tem alguma chance.
Que você fala assim, ó, tinha esse mano que tá hoje lá, né, cara?
Tinha o Raulzinho, jogou na NBA também muito tempo, jogamos junto já pela seleção e tudo mais. Ele tava lá como técnico, ele foi técnico do time brasileiro. Então foi a primeira vez que eu conheci ele, pô, e tava na NBA. Para mim era muito distante NBA, é só de eu estar indo no camp da NBA, eu falo, já tô, já tô na frente, já tô, entendeu? Já tô chegando aqui e tal. Mas ainda tá muito longe. Aí ele tava lá também, tinha alguns outros jogadores. Bruno Caboclo participou de outro camp meu também. E foi daí, foi aí que eu tive esse primeiro contrato, contato com a NBA, tá ligado, mano?
Mas depois desses dois camps, como é que fica a expectativa, cabeça, como é que dorme, como é que fica ansiedade, a família, como é que ficou esse momento? E demorou quanto tempo até falar, cara, você vai entrar na seleção ali para ir para o draft?
Como que funciona isso também? Foi em, tipo assim, logo depois que acaba o camp, você lógico fica na expectativa, mas tipo assim, pouca coisa acontece nesse camp, é mais quando você fica mais velho, eles estão mais fazendo esse camp para monitorar. Então aí foi quando tava sendo bem monitorado. Eu não tive oportunidade de ir jogar college porque na época eu tinha assinado um contrato profissional já no Brasil, e na época não podia. Se você já tinha um contrato profissional, você não pode ir para o college. E hoje em dia pode mudar isso, mas antigamente não podia. E 2021, quando eu comecei a me destacar muito, velho, no 2021, 22, comecei a destacar bem mais do que na temporada passada. Foi o melhor sexto homem do NBB fui destaque jovem de novo e jogando bem e tal. Aí meu agente me ligou e falou: "Gui, vamos entrar para o draft." Porque eles que são o meu agente que decide, entendeu? Tipo assim, ó, tem time de olho em você, tem um pessoal falando de você, vamos entrar para o draft. Aí eu falei: "Pô, da hora, né?
Você é louco, simbora." Você sabia mais ou menos os times que precisavam de um jogador no seu estilo?
Cara, eu tava assim: "Mano, por favor, qualquer um aí que me dá bola, eu tô naqui." E todo mundo assim, velho, todo mundo que vai para o draft da NBA, lógico que você quer sempre ser draftado lá em cima, porque obviamente você tem mais visualização, mais financeiro, tudo mais. E quando ele me ligou, falei, vamos para o draft e tal. Ele perguntou, sabe falar inglês? Desenrola. Aí eu falava, falava um inglêsinho lá, hello, my name is Gui, I'm from Brazil. Era desse jeito, mas eu conseguia desenrolar, cara. Cara, falava assim, né? Aí foi quando eu viajei para os Estados Unidos, acabou minha temporada no Brasil, joguei bem, viajei para os Estados Unidos para começar os draft workouts, que é quando a gente vai em todos os times na facilities, na onde eles treinam, para treinar com todos os coaches, com front office, que é quando são os principais, os caras que tomam as decisões, assistindo 6 moleques treinar. Eles sempre chamam 6, mano, são sempre chamam 6. Aí fica fazendo um monte de drill lá, de tipo assim, corre para lá, arremessa aqui, faz isso, faz aquilo, e depois é 3 contra Eu fiz. E imagina, velho, eu tava aqui, isso lá, né, mano?
Só que isso lá é mais pesado ainda do que, imagina, tipo assim, o técnico do Lakers, do Golden State, é desse jeito, é desse jeito.
E eles ficam lá, mano, na beirada da quadra assistindo você treinar. E pô, para mim era tudo muito novo. Eu lembro que eu cheguei lá, eu vi alguns jogadores que já estavam treinando, eu ficava, caraca, velho, esse cara tá assistindo treinar, que loucura, velho, que da hora. E eu fiz 18 draft workouts 2 em 30 dias. Que isso, trabalhou, hein, filho? Porque durante a pandemia os caras não conseguiam vir para cá assistir os jogos, né? Depois da pandemia, um pouquinho depois, quando voltou os jogos, não tinha torcida nem nada, eles não conseguiam viajar para vir para cá assistir os jogos. Então eu tinha que ir para eles, para treinar lá na frente deles. Aí foi quando eles tiveram esse contato comigo de ver o quanto eu evoluí. E, cara, eu comecei a treinar com vários times, treinando bem, treinando bem, treinando bem contra o time. Aí treinava mal com um porque tava cansado, e depois treinava mal com outro, mas treinava bem com outro.
E quando você olhava para o lado, você falava assim, ó, fisicamente eu tô igual os cara, Por que não deve dar esse medo? Tipo, será que quando eu chegar lá vou estar igual os cara?
Então, quando você vê os novatos, que são os caras que estão tentando entrar com você, até que não é uma diferença muito grande. Então eu tava assim, ah, não dá para eu trombar com esses cara aqui, eu não tô muito longe dos cara, dá para eu trombar. Mas ainda tava um pouquinho atrás. E quando eu, né, tive esse, essa oportunidade de treinar com os caras, eu tive a dimensão de tipo assim, pô, esse é o tanto que eu preciso melhorar. Então foi aí que me veio, cara, eu preciso melhorar nisso, naquilo, e me tornar melhor naquele outro aspecto, que aí se eu fizer isso consigo chegar na NBA. Aí, né, chegou a hora da verdade, né, foi o dia do draft, que coincidentemente caiu no dia 22 de junho, que é o dia do meu aniversário.
E, cara, o dia, o dia do draft foi uma loucura, mano, que pode ser o melhor dia da sua vida e pode ser que você não seja escolhido.
E você ia lembrar para sempre desse dia.
É isso. E foi, eu acho que, ou acho que um dos maiores altos e baixos da minha vida no mesmo dia.
Como foi a partir do momento que você abriu, acordou, abriu o olho, falou Pronto, é meu aniversário, rapaziada. Como é que foi a partir do momento que você acordou? Fala aí, você falou que nunca falou completão.
Então, pô, foi lá, né, meu aniversário, tava eu e alguns moleques que estavam treinando junto comigo do Brasil lá, porque eu tava em Miami, é onde fica, né, meu agente e tudo mais, onde ele bota a gente para treinar. Tava eu, até os moleques devem estar assistindo aí, provavelmente, do Clássico, tava o Samis Calderon, tava o Reinan, que são os moleques que hoje estão jogando bem, estão nos Estados Unidos, mas estão jogando, um tava jogando a G League, os outros dois estão jogando a NCAA, jogando college. E eles estavam lá junto comigo, aí a gente falou, não, vamos pra praia, né, vamos, meu aniversário, vamos ficar lá. E o meu outro agente, o Arlen, me levou lá pra praia pra ficar lá com eles de boa. Só que o problema foi aqueles dois ali, ó, meu pai e minha mãe.
Ansiosos?
O quê? Vai, foi. Eles contam que quando eles acordaram, foram tomar café da manhã, sentaram na mesa, comeram o pão tomando café, o pão não descia, velho.
Eles estavam lá também?
Não, eles estavam no Brasil. Tá louco, tá louco, velho. O pão não descia de jeito nenhum.
Bem, bem, vai mudar.
E cara, eles falam assim, cara, não dá para ficar em casa, vamos pedalar. Os dois gostam bastante de pedalar, eles saíram para pedalar, para esvaziar a para pensar em outra coisa. Só que nesse meio período, mano, eu tava com alguns problemas contratuais, que tipo assim, eu teria que, teriam que pagar uma cláusula para me liberar do meu contrato que eu tava no meu clube, para eu poder ser draftado, para ter a carta de liberação. Só que os times gostaram de mim, só que nenhum time deu a confirmação que ia pagar essa cláusula para o clube. Era muito caro, era muito, era uma multa Primeiramente, era uma multa muito cara para eles só gastarem num jogador que eles não sabem o que que vai dar. Um cara do Brasil, magrelinho desse jeito aqui, não sei se vale tudo isso, não sei se vale arriscar, tá ligado? Então, exato. Então, para mim foi um impasse, cara, gigantesco, porque a gente ficava, cara, eu tava mais ou menos para ser escolhido entre as picks 30 e 40, só que como eu não tinha nenhuma confirmação de nenhum time, eu não tinha como pegar carta, porque eu precisava da carta de liberação para, sabe, para pegar. E não tinha certeza. E cara, nesse momento, tipo assim, coração vai a milhão. E eu falando com meu agente: aí, como é que tá? Os cara tão ligando. Ele falou: tão ligando, mas a gente precisa da carta, a gente tá conversando, tá tentando fazer o melhor para a gente conseguir a carta.
Precisando da carta no dia, no dia, tentando arrumar do dia para o dia.
Foi de manhã a luta, desde— não, tava desde uns tempo atrás, mas a luta começou de manhã até o horário do draft. Draft para conseguir a carta. É, então você tava na praia de manhã ali, é, tava tentando esvaziar a cabeça, mas meu pai, ele tem a cabeça milhão. Aí eu ligava para eles, eles começavam a chorar, cara, pelo amor de Deus, vai dar certo, será que vai dar certo isso, vamos, e não sei o quê. Até que chegou o momento, né, do draft mesmo, foi mais tarde. E cara, é um pouquinho, nada, nada, eu não tava, eu não tinha confirmação, não tinha confirmação, então não pude viajar. O meu foi segundo round, então. Ah é, isso. Aí o que que aconteceu? Eles queriam o dinheiro, né, para me liberar, o time, para pô, investimos e tal, precisamos do dinheiro para liberar o moleque, e ninguém deu a confirmação. Só que aí, velho, tava chegando muito em cima da hora. Aí minha mãe, minha mãe botou, velho, o peito para jogo mesmo e falou assim: cara, eu vou ligar para os cara do seu time que você tava, porque os cara chegou um momento que eles não queriam nem falar mais com o meu agente. Não entende. Aí falou: vou ligar para os cara. Ela ligou para os cara.
Vou no sentimento.
É mãe, caralho. Foi, ligou para os cara. Ela ligou para os cara, falou assim: cara, quanto que é essa multa? Os cara falou o valor. Ela falou assim: cara, o que tiver que pegar, pega meu terreno, pega minha casa, pega meu carro, o que tiver de valor, mas deixa meu filho seguir o sonho dele, pô. Deixa meu filho seguir o sonho. E ela ligou para o diretor do clube falando isso, velho. Aí os cara foi, liberaram a carta.
Vai negar para uma mãe?
Nunca, não tem como. Não pegaram nada, né, do terreno, essas paradas assim. Mas tipo assim, liberaram a carta. E cara, e nisso o coração a milhão, eu falando, como vai começar o draft? Aí o meu agente pegou a carta, fez todo o processo que tinha que fazer e liberou, né, tudo. Só que aí veio a noite do draft, o momento do draft em si. Aí, cara, começou, pique 1. Pique 2, pá, pá, pá, pá, chegou a pique 30, nada de eu ser escolhido. Aí eu liguei para o meu agente, falei: e aí, como é que tá? Ele falou: aqui tô conversando com vários times aqui, mas eles não estão dando garantia porque a gente recebeu a carta, só que mesmo assim não pode assinar e tal. Enfim, muito, muito problema ainda por trás, né? Aí que que eu falei com ele? Falei assim: não, pô, vamos para cima, né? Vamos continuar. Aí sei que chegou na pique 40, 40 e pouco, que era onde até onde eu ia ser escolhido. Aí nada, nada dos cara chamar meu nome. E eu assistindo pela TV, nervoso, velho, nervoso. Foi quando meu telefone tocou, aí eu atendi, falei: caralho, vou ser selecionado agora! Porque eu tava esperando a ligação do meu agente para me avisar que eu ia ser selecionado. Só que ele atendeu, me ligou e falou assim: ô Gui, cara, falei com os times, a gente não vai ser selecionado. Nenhum time deu garantia nem nada, mas não fica triste, não é a única forma de entrar na NBA. A gente pode entrar tanto pela Summer League, ou depois conseguir algum contrato em algum outro lugar. Mas não fica triste que tá de boa ainda, tá tudo tranquilo. Tem outros times interessados para você jogar com eles na Summer League. Cara, desabou meu mundo, velho. Eu lembro certinho, tava naqueles banco alto assim, sabe? Eu encostei assim o pé no chão, botei a mão no rosto, falei: caraca, velho, eu acho que não vou para NBA. Tipo assim, era há muito tempo atrás, eu nem imaginaria que eu estaria naquela, naquela situação, tá ligado? Então Aí eu falei, cara, ferrou, mano, não vou para NBA. E beleza, é até emocionante essa história, porque tipo assim, depois que eu recebi essa ligação, eu liguei para o meu pai, para minha mãe, tá ligado? Aí eu falei assim, tipo, mano, não vou ser selecionado, puta. Fiquei triste para caralho, comecei a chorar. Aí minha mãe fala até hoje assim, tipo, foi a primeira vez que ela não tinha palavra para falar nada para mim, tipo, não sabia como me consolar, tá ligado? Desse jeito. E eu, cara, falei, caralho, velho, tipo, não vou para NBA. E beleza, fui deitar, fui dormir. Meu agente que tava lá na casa veio falar comigo e tal, Gui Santos, não, fica tranquilo, vai dar tudo certo e tal, não sei o quê. Aí meu pai pegou o terço dele, né, a nossa família é muito religiosa, religiosa. Meu pai pegou o terço dele e começou a agradecer, só falou, pô, a oportunidade que meu filho tá tendo, chegar na NBA, chegar perto, né, tipo assim, da NBA, que para a gente era um sonho, só queria jogar NBA, chegar na NBA. E cara, obrigado por tudo, né? Agradecendo a Deus por tudo, oportunidade e tudo mais. E cara, parece que tipo assim, sei lá, quando ele terminou, mano, quando ele terminou, meu agente me liga: aí, Gui, a gente é brasileiro, porra! Vai para frente da televisão, o Golden State vai selecionar na pick 55. Meu irmão, meu mundo assim, eu tava no fundo do poço, velho, na Na hora eu falei, não é possível, ganhei na Mega-Sena, não é possível. Aí eu liguei a TV, só que tava passando uma propaganda, não vi o cara chamar meu nome, só apareceu lá embaixo assim que eu fui selecionado, tá ligado, pelo Warriors. E mano, aí eu já abri meu Instagram, Golden State Warriors começou a me seguir e me marcando, bem-vindo, welcome to the Bay, e não sei o quê. Irmão, eu fiquei, mano, eu fiquei maluco, velho. Tipo assim, meu celular vibrando, todo mundo mandando mensagem.
O que você fez a partir desse momento? Você foi para casa de um amigo? Não, você saiu?
A primeira coisa que eu fiz, ligar para o meu pai, para minha mãe, e a gente conversando. Tem até videochamada disso, eu gravei no dia assim para ficar marcado. Aí tá eu chorando na videochamada, meu pai chorando, minha mãe chorando, e a gente olhando um para o outro assim, fala: e agora?
Eu tô dentro, o que que eu faço?
E agora, qual que é o próximo passo? E mano, eu fiquei em choque, velho, fiquei em choque. E meu pai, pô, cara, Cara, que tipo, foi essa oração, mano. É coisa, eu falo, é coisa de Deus mesmo assim, ele que me chamou e me botou lá, cara. Porque se não fosse isso, mas você conseguiu, esse dia você não conseguiu dormir nada, não teve nem chance, porque tipo assim, era já tarde, já era tipo assim 2 da manhã quando eu fui escolhido lá na Flórida, e é 3, são 3 horas de diferença para o outro lado dos Estados Unidos, que é para onde eu ia, São Francisco. Aí meu agente me liga: Gui Santos, os caras estão te mandando uma passagem agora.
Que isso, é assim, sério? Juro, juro.
Gui Santos, toma banho, mete em marcha, pega sua mala, bota um tênis, umas coisinhas, umas roupas, e seu voo é daqui uma hora e meia.
Vai trombar o Curry.
Não, mas você também foi assim, né?
Ah, eu falei o quê? Eu vou de ônibus, eu vou de bicicleta, vou de bicicleta agora. E foi desse jeito, velho. Aí eles me botaram, né, me botaram no Uber para ir para o aeroporto. Aí eu cheguei lá para fazer o check-in. No que eu cheguei para fazer o check-in, ela: ah, é business class, né, first class.
Business Class? Oh my gosh!
Ou normal? Aí eu fui para econômica. Aí beleza, dei meu nome lá na econômica, tudo. Aí ela falou: não, não, o senhor tá na Business Class. Aí eu falei: ô louco!
Eu iria de bike!
Agora, a partir de agora eu conto em dólar.
Aí a cabeça no avião ali deitadinho já foi pensando vários planos, como que fica, cara, a cabeça.
E eu falei: cara, que da hora, primeira vez voando de primeira classe. É, na época eu lembro assim, né, quando que eu entrei no avião, aquela caminha, tinha mais espaço ali para você, né, que você não, avião normal ali, é, seu joelho fica batendo ali, né, deitado na caminha confortável no voo tranquilo. Eu lembro até de um vídeo que tem um cara da seleção brasileira, esqueci qual jogador de futebol, que ele fala que confundiu aquela toalha quente com tapioca.
Maravilhoso!
Quando eu recebi a toalha, eu falei, cara, que não é verdade mesmo, os cara não trabalha.
Toalha quentinha, né, toalha quentinha.
Pois é, e aí No que eu decolei, mano, sei lá, tinha 20 mil seguidores. No que eu pousei, eu já tava com 150, 160 mil. Eu falei, caraca, que proporção isso chegou, velho! Porque tipo assim, não deu nem tempo de repercutir muito assim para mim, deu ver o que que tava acontecendo, que eu tive que entrar no avião sem internet, sem nada. Pousei lá, os caras vieram me buscar, e o cara com a plaquinha, welcome to the bay, Gui Santos, tal, do Brasil. Cheguei lá Aí já fui conhecer o vestiário, cheguei lá, mano, acho que foi o momento assim que eu falei: caramba, velho, que loucura! Porque tava minha plaquinha, velho, com meu nome assim escrito e uniforme pendurado, número 15 Santos.
Já tava assim?
Já, mano, já tava tudo pronto.
Mas eu acho que até você ver o uniforme ou até você entrar em quadra, eu acho que não acredita, né?
O meu foi até entrar em quadra, velho, o meu foi até entrar em quadra, porque eu vi o uniforme assim, eu usava número 11 aqui, né? Só que quando eu cheguei lá era 11, era do Clayton, Aí eu peguei a 15 porque eu fui a pique 55, foi escolha 55, e eu usava 11. E por coincidência meu pai usava com a 15 quando ele jogava. Que foda, mano! Aí eu falei, ah, é isso, é a 15 mesmo, é para ser. E foi quando eu cheguei lá, né, comecei a treinar. Só que, que era, qual que era o problema? Eu não podia ter um contrato two-way. Contrato two-way é quando você assina para jogar tanto na D-League quanto na Joguei, eu não podia por conta do meu contrato ainda com outro clube, porque tinha que pagar multa rescisória e tudo mais, e eles ainda não tava meio que—
Exato.
Joguei a Summer League, que é tipo campeonato de verão que os novatos jogam. Joguei, joguei bem, e eles falam assim: não, Gui, você vai ficar na D-League, que é a segunda liga, a gente vai te desenvolver e tudo mais. Só que quando eu cheguei lá, eu até contei isso, tem um documentário meu que tá rolando no YouTube também, que eu fiz essa última temporada, no meu canal, mas no canal da NBA Brasil, que tá, que tá, que conta assim como foi minha temporada, até como Cheguei lá, como é que foi minha temporada agora e tudo mais. E eu até falei, velho, quando eu cheguei lá, os caras viraram para mim e falaram assim: Gui, você não é forte o suficiente, você não é atlético o suficiente, você não é rápido o suficiente e você não entende o basquetebol americano.
Boa! Aí eu falei: pronto, você roubou. Altura eu tenho, será?
Altura, sou um bom mascote. Animador de torcida assim, cara.
Gui, selecionamos, mas ó, você não tem nada ainda, cara.
E como que você recebeu isso, irmão?
Cara, foi um baque, né, mano? Foi um tiro de 12 no peito, mano, para mim. Aí eu falei, cara, mas só que ao mesmo tempo que ele falou isso, velho, logo depois ele falou assim, mas não se preocupa, a gente vai te dar tudo necessário para você virar um jogador de NBA. Se você quiser, você vai se tornar.
Isso é um clube, mano.
Aí eu falei, caraca, velho, "Véi, os cara tão junto comigo." E, mano, aí foi quando eu comecei a jogar de league, né? Comecei a jogar, tinha jogo que eu não jogava porque eles queriam que eu malhasse. Então eu malhava muito, mano, muito, muito, muito.
Isso que eu queria saber, dieta e os treinos, cara.
Os cara mandavam é tudo lá para casa, né? Tipo assim, no Warz, isso eu já tava na gym, mas eu nem contei, pô. Mas teve um negócio que o povo falou aqui, 70 dólares, que eu não cortava o cabelo. Calma aí, você tem que explicar, mano. Os cara meio que tiraram de contexto isso daí, mas que Tipo assim, quando eu cheguei lá, mano, eu cheguei com $800 no bolso, tá ligado, para ficar 6 meses.
Porque assim, não, que isso aí também é sacanagem.
Então os caras davam tudo para mim lá em questão de tipo assim, de lugar para ficar e tudo mais, estrutura, suplementação. Só que a cozinha tava fechada, porque a cozinha onde o chefe fica fazendo comida para a gente tava fechada porque eles estavam reformando o Chase Center, que é onde a gente joga nossa family. Aí a gente tinha que se virar, meio que se virar para comer, tá ligado? Tava muito cedo ainda, antes da temporada começar. E cara, aí eu tava com cabelo grandão, aí fui cortar o cabelo, mano. Cheguei lá com o cara, fala, how much is the cut? Falar o inglês cansado. Aí ele falou, mano, $70. Aí eu falei, 17 ou 70? Aí ele, não, 70. Aí eu falei, não, oh my gosh, não, não, não, não, não vou gastar 50% do número do meu dinheiro para cortar o cabelo. Mas era Gui Santos, 6 meses era, velho, era. E tipo assim, meu agente sempre me deu toda a estrutura, tá ligado? Ele falava assim: Gui, pega meu cartão aí, pô, vai comer, vai fazer as coisas que tiver que usar o meu cartão, pode usar, tá tranquilo, você, pô, tô aqui para te dar uma força. Só que, mano, a minha criação, o jeito que eu fui criado, eu não conseguia chegar lá e gastar o dinheiro assim, pegar o dinheiro dele lá, comer numa churrascaria. E para mim, eu pegava o dinheiro e convertia muito. Então você vai numa churrascaria lá, era $100, eu falo: cai 500 conto para comer uma churrascaria, eu não tenho coragem de pagar, velho. Então eu preferia, até contei, eu preferia fazer um, dar meus pulos aí. Não que seja história triste e tal, tipo assim, eu ia lá, comprava uma baguete, dividia em 3, mandava para dentro, irmão, e vamos para luta. Tava nem aí, uma no almoço, outra na janta e outra no café da manhã. Tava dando seu jeito. E eu falei, não, eu quero muito isso aqui, velho, eu quero muito. E tava lá, tá ligado, fazendo isso.
Mas você então, você sentiu que você evoluiu muito na D-League? Para, porque isso dá uma curiosidade de Tipo, legal, competição, tal, mas não, a gente quer te preparar, então vai treinar, vai comer. Então eles, quando eles encontram você, tá batendo a dieta certinho? Como é que é isso aí? Porque é uma preocupação, né?
Sim, sim, não, eles tinham um preparador físico que tava sempre junto comigo lá, velho, Andrew. Ele, cara, ele me ajudou demais. Até falo dele também nessa minha série, nesse último episódio que saiu agora eu falo bastante dele. Ele, mano, você tem noção, teve uma época lá que ele cortava meu cabelo para me ajudar. O primeiro preparador físico cortava meu cabelo para me ajudar e dava o jeito dele, fazia essas coisas. E foi quando também eu tive, né, todo suporte do Wors. E eles chegavam e falavam assim: Andrew, como é que o Gui tá? Aí o Andrew falava: mano, esse moleque aqui, ele quer mesmo o bagulho, velho, trabalhando. Que era assim, ele me empurrava, aí eu ficava— eu sou muito competitivo, mano, eu ia malhar. Aí eu tava fazendo supino, sei lá, com 80 libras, aí ele chegava do meu lado, deitava com 85 e fazia. Aí eu falava: ah não, você não é mais forte que eu, mano. Aí eu pegava 90 e fazia. Ele sabia, mano. E ele ficava assim, velho, cara, me ajudou joguei mais. No meu primeiro ano assim, primeiro, segundo ano, eu ganhei muita massa muscular, muita massa muscular. Fiquei mais forte, fiquei mais rápido, mais preparado. E foi quando eu comecei, né, aí eu comecei, joguei essa temporada toda de league, mas por final da temporada, quando eu comecei a jogar mais, jogando bem, acabou a temporada, eu vim, fiquei no Brasil duas semanas para aproveitar com minha família. E nisso, tipo assim, eu acho que eu tinha levado só meu pai, velho, porque meu pai, o sonho do meu pai era conhecer Estados Unidos. States. E a gente pegava, eu paguei a passagem do meu pai para vir para cá. A gente, tipo assim, minha família nunca faltou nada, graças a Deus, mas nunca também foi desmanchado, entendeu? Era sempre coisas assim normais. Aí fui mandar a passagem para o meu pai, meu pai foi para os Estados Unidos junto comigo, pô, foi lá visitar aquela Golden Gate, bonito para caramba. Vocês já devem ter ido lá, né? Sabe como é que nunca foi?
Nunca fui para São Francisco, nunca. Eu não fui para São Francisco.
Você foi? Achei que você tinha ido.
Não foi?
Não foi? I'm so sorry.
Esperando o convite.
Esperando o convite.
Então tá convidado, os dois. Obrigado. Mas aí, pô, foi, levei meu pai lá amarradão, a gente vendo assim. Aí depois, quando acabou a temporada da G League, foi quando começou a terceira, a segunda, isso, minha segunda temporada lá, que foi quando eu recebi o meu contrato com New York, que eu tava jogando muito bem, velho, na Summer League, que é o campeonato de verão. Joguei muito bem, começou a de liga, eu tava jogando muito bem. Aí eu assinei o meu contrato com eles, eles me ligaram, né, meu agente me ligou: Gui, os caras tão te oferecendo um contrato. Aí eu falei: nossa, mano, estourei, estourei! Pagou a multa, pagou a multa, pagou a multa rescisória que precisava, fiquei livre. Agora podia finalmente assinar, tá ligado? Tá tranquilo. Exato, agora eu tava. E foi Foi quando caiu minha ficha assim, que foi, assinei e eu tava em Santa Cruz, que é tipo uma hora e meia de São Francisco. Aí eles mandaram um carro para mim buscar para eu ir para o jogo. Cheguei lá no jogo, meu uniforme bonitinho, a plaquinha lá.
Mandaram o quê, um HB20?
Nada, uma Scalade, né? É só isso. Que louco, mano. E aí eu cheguei lá no jogo, mano, botei o uniforme. Aí tem um túnelzinho que a gente entra, tá ligado? Tem a reuniãozinha antes do jogo. Aí, cara, tava eu abraçado com os caras assim, né? A gente faz uma oração antes entrar. E aí eu olhei para um lado Stephen Curry, do outro lado Klay Thompson, do outro lado Draymond Green. E pô, só os cara foda, velho, só os cara que eu assistia, jogava videogame com os cara. Aí eu falei, cara, que da hora, mano, tô com os cara aqui, velho, sou um deles agora na minha cabeça já, né. Mas com certeza assim, mas que tinha um passo ali, mano.
Mas acho que você tem que reforçar para sua cabeça que eu sou um deles, porque senão você entra em choque.
Exato. Mas eu não tinha como segurar o choque, velho, eu e, cara, coincidentemente, meu primeiro jogo foi um jogo que teve uma briga, mano, absurda entre o Minnesota e o Golden State. Tem até um vídeo, foi o jogo que o Draymond Green pegou o Rudy Gobert no mata-leão e empurrou, e o Klay Thompson foi lá.
Foi nesse jogo que você estreou?
Foi o meu primeiro jogo.
E como é que foi isso?
Mano, eu fiquei cagado de medo porque eu nem entrei nesse jogo, porque eu falei, eu sabia que não ia jogar. Só que aí quando eu vi, 2, 3 caras do meu time foram expulsos. Olhei para o banco, tinha eu e mais 2, 3 caras. "Meu irmão, se alguém fizer falta aqui e precisar entrar, eu vou entrar, viu? Vou precisar de mim também." "Tô pronto, mas puta que pariu." Eu falei: "Não, tô pronto." Mas eu tava assim, cara, se eu entrar aqui, mano, a cabeça do atleta, né, mano, não para. O cara fica com medo, mas ele não pode transcrever isso dentro da quadra. Aí foi quando, né, não entrei nesse jogo tal, e nem tive muita, durante essa temporada toda nem tive tanta oportunidade, tava jogando mais na G League e me desenvolvendo para né, ficar pronto para jogar mais na próxima temporada pelo Wolves. Aí beleza, acabou essa minha primeira temporada, já tava com uma graninha, já tava assim já mais estruturado, mais tranquilo.
Exatamente, 2, 3 baguetes de pão aí já, já podendo ir ali, né, mano, steak house, já podia pedir um chipotle.
Aí foi quando também, né, começou a segunda temporada, né, depois a gente tem vindo para Brasília, treinei para caramba durante deixar as férias para chegar lá. Começou a temporada, tem um fato marcante assim que é o Steve Kerr deu uma entrevista, né, porque ia começar a temporada, e falou assim, técnico, né, é o técnico, e perguntaram para ele assim, ah, quem são os jogadores que não vão estar na rotação no começo da temporada? Ele falou, vai ser o Gui Santos e o Lindy Waters, que era outro jogador que tava lá. E cara, isso daí teve uma repercussão aqui no Brasil, os cara, vixe, mano, ele foi por aí, foi para quê que ele foi arrumar aí? Esse daí só vai estar 'Esse daí tem que rezar para estar no time ano que vem.' Mano, várias paradas assim, sabe? Pô, cara, no começo mexia, no começo mexia. Foi quando isso foi até importante para caramba para mim, que foi quando eu aprendi a lidar com isso, que tipo assim, cara, não tem que ler rede social, não tem que, sabe? Tipo, você tem que se afastar nisso se você quiser performar, porque é difícil demais você lidar. Às vezes você vê alguma coisa e não conseguir, tipo, você não pode falar nada, você tem que ficar calado, escutar e só fingir que você nem então eu sempre fui aí que eu aprendi aqui, não, que não dá para fazer isso, me afastar um pouco das redes sociais. Enfim, sei que até o começo assim da temporada nada de oportunidade para mim chegar. Aí eu pedi para os caras, eu falei assim, mano, deixa eu descer lá para D-League, para segunda liga, para eu poder jogar um pouco mais, para eu poder, né, voltar meu ritmo de jogo, para se acontecer de eu ter uma oportunidade aqui eu estar preparado. E cara, parece que foi desenhado assim, mano, um jogo contra o Detroit Pistons em Detroit, 3 caras da minha posição se machucaram e o outro, que era o Andrew Wiggins, teve um falso alarme de nascimento da filha dele. Então ele foi para San Francisco. E aí os cara virou para mim assim, isso antes do jogo, aí virou para mim assim, falou assim: Gui, você vai jogar hoje? Ah, falei: é isso aí, vamos embora, tô pronto, tô pronto, vai jogar hoje.
Ele: é.
E cara, nesse jogo, acho que foi o jogo que mais mudou minha vida assim, cara, porque eu joguei nesse jogo, foi brincadeira, eu tava em todos os cantos da quadra, velho. A bola batia no rebote, eu ia lá, brigava com os cara, eu brigando com 3 cara, conseguia pegar o rebote, passava pro Curry, matava uma bola de 3. Eu falei, essa tá na minha conta, vamos embora! Essa fui eu! E cara, joguei muito bem, acabou o jogo, os técnico, aí foi quando eu deixei uma pulguinha atrás da orelha do técnico, fala assim, pô, esse moleque pode ajudar a gente, mano. Ele trouxe uma volúpia, uma energia que, pô, a gente precisava. Aí teve outro jogo que foi muito marcante também, porque foi um jogo que eu tava jogando muito bem em Brooklyn contra o Nets, que o Steve decidiu fechar o jogo comigo, e ao invés de fechar o jogo com o Klay, com Klay Thompson. Então isso para mim, na minha cabeça, eu falei: caraca, velho, ele me optou, tipo, na minha cabeça foi: mano, que isso, velho? 'Calma, calma, não, vem, Clay, vem', tá ligado?
Mas imagino que você nos treinos devia estar voando, né, irmão?
Lá nem tem tempo pra treinar, mano, é muito jogo.
É que é um jogo atrás do outro, né?
É muito jogo, mas eu tava mandando muito bem nos jogos que eu entrava. Eu entrava 6, 7 minutos, mano, e dava a minha vida, parecia que eu tinha jogado 40 minutos de tanto que eu corria.
Irmão, mas como é que vocês controlam esse condicionamento? Porque eu e o Mítico, com essas parcerias com a NBA, teve uma vez que a gente foi na estreia uma época, acho que foi da de 2023 ou 2024, não lembro agora, mas era o Nuggets tinha ganho uma temporada e eles iam estrear a próxima contra o Lakers. E aí a gente foi, ficou vendo lá, chegou antes no vestiário, no ginásio, o Aaron Gordon, ele tava batendo bola, isso devia ter umas 5 horas para o jogo aí dele, começou a bater bola, tipo assim, ele ficou 3 horas batendo bola, mano, 3 horas. Eu falo assim, ele ainda vai Ah, tá ligado?
Eu sei que ele tava suado, mas aquele suor de cansaço, pingar mesmo.
Isso eu falei, que isso, cara?
Que desgaste é esse? Assim, muito louco, mano. Foi a primeira vez, a gente ficou em choque vendo isso.
É o quanto vocês se preparam, quanto você repete, quantos arremessos você dá por dia, tá ligado? Porque eu, na hora que eu olhei aquilo ali, eu falei assim, eu não imaginava que era assim, não mesmo, não mesmo.
Eu tenho, eu tenho meu ritual. Todo jogador tem seu ritual antes do jogo, né? Eu tenho o meu ritual também, que eu acordo de manhã acordo de manhã quando joga em casa, principalmente acordo de manhã, vou bem cedo para o Warriors, é mais ou menos umas 8 horas da manhã, 7 horas já tô lá chutando, já tá ligado, 7:30, 8 horas já tô lá chutando.
Então você acordou 5, 6?
Não, não, é do lado, moro do lado, então eu consegui acordar tipo assim, acordava 7 para estar lá 7:30 pronto para chutar, tá ligado. Aí foi, eu ia lá de manhã, pegava, pegava uma, não sei se você já viu máquina que tem tipo que pega rebote, passa a bola para você, velho, que você arremessa, tem uma rede ao redor dela, aí a bola cai dentro da rede e ela vai, passa a bola para você sozinho. Então tem uma máquina dessa lá, coisa boa. E eu vi aí, tipo assim, essa oportunidade tá lá chutando com essa máquina, eu ia lá, mano. E porque eu ficava muito assim, chamar um técnico, tá ligado, era muito novão lá, não, eu falo, pô, não quero incomodar um técnico, fazer o cara sair de casa 7 horas da manhã para fazer só Eu fazia isso. E para não ficar sozinho lá, eu ia, pegava o celular, botava no vídeo, na chamada de vídeo, e ligava para minha mãe.
Ah, que da hora!
Aí eu ficava na chamada de vídeo ligando para minha mãe, conversando com ela da vida e arremessando, mano. E quando eu vejo, já são 700, 800 arremessos, 600, 700 arremessos assim, tá ligado, que eu já fiz.
Você demorava quanto tempo para meter 600 arremessos?
É rapidinho, uma hora, uma hora lá de repetiçãozinha.
Faz isso que você meter 700 arremessos, seu braço gangrena.
Você é louco, eu fico doido, deito no chão e morro. Mas tipo assim, aí você ia medindo também, você mede? Não, de 600 eu tenho que acertar tantos.
Mede, mede, a máquina conta tudo. Você bota um negocinho lá que tem, quando a bola cai ele conta como acerto, quando a bola não cai não conta.
De um dia que você tava foda, você acertou quantas mais ou menos dessas 600? Só para a gente ter uma noção, vai, cara, curioso.
Um dia muito bom assim mesmo de 600, você acerta uns 500, um dia muito bom. Não, que isso! No dia muito bom, no dia muito bom, mas a média vamos botar uns 400, 450 talvez, tá ligado, mano?
De 600 você acertar 500, você é muito embaçado, irmão.
E a repetição, né, velho? Chega uma hora que, mano, você nem sabe mais o que você tá fazendo, só vai, só vai, e vai, né? E cai, cai, cai, cai, cai, cai, você nem sente. Aí depois do jogo eu vou embora, vou para casa, é, distinto na chamada de vídeo com ela, chega em casa, tomo meu banho. Aí antes do jogo, mano, acho que é uma das partes mais importantes Principalmente que, obrigado, que antes do jogo, mano, eu boto uma música na caixa de som estourando no banheiro, meu irmão, lá é o meu aquecimento já, velho, cantando, mano, eu escuto de tudo, mano.
Isso que eu queria saber, que que toca, uma assim que tem que tocar pelo menos todo dia, velho?
Cara, eu sou um cara que gosta muito de música, tipo assim, tá ligado, tem o Nadson Ferinha, um cara que eu escuto muito. Isso foi foda. Eu escuto muito o Nadson, Menos é Mais, Duzão é meu parceiro também, escuto muito. Eu escuto o Teuzinho, velho. Teuzinho é um cara que eu escuto pra caramba também. Tem muitos outros assim, né, tipo, que eu escuto, mas esses aí são que estão sempre na minha caixinha de som que tá tocando a todo momento. E o Neto Brito também, mano, é outro cara que eu escuto muito. Neto Brito, é o que o Dudu falou, né? Não é falar do cara?
É sério?
Eu escuto muito também. Ele até começou a escutar essas músicas por conta de mim. E, cara, depois de lá vou pro jogo. Só que quando você não joga muito, muita gente não sabe isso, mas quando você não joga, você não é um cara que tá ali todo tempo em quadra, você fica, você chega 2 horas, tipo assim, o jogo é 7, eu chego 2:30. Aí eu chego 2:30, malho, jogo. Os jogadores que não estão jogando muito jogam contra os técnicos, e depois a gente toma banho, veste, vai pro jogo. E se der alguma, algum B.O. no jogo, vai, vai jogar.
Mas eles não ficam com receio às vezes de você se machucar, ou essa questão do desgaste?
Ficam, ficam. Tanto é que eles fazem isso bem controlado, sabe? Mas mesmo assim, cara, é normal. E tipo assim, eu falava, eu não vou jogar, mano, eu vou 100% aqui, então dá nada, vou para cima. E você tem que estar pronto, velho. E é desse jeito. E foi quando, né, começou a aparecer mais as oportunidades nos playoffs. Eu comecei a jogar um pouco mais de tempo, até um pouquinho antes do playoffs. Nesse meu terceiro ano de NBA eu comecei já jogar mais e ter mais participação. Foi quando eu comecei a ser um pouco mais conhecido no meio, tanto de lá, né, dos saber um pouco mais quem sou eu, quanto aqui no Brasil o pessoal acompanhar um pouco mais e saber um pouco mais de mim. Mas o bom mesmo veio essa última temporada, velho. Essa última, essa agora, essa última.
Mas está jogando muito, Gui, cara.
Graças a Deus, velho, muito trabalho. Igual vocês viram um pouquinho aqui da história, mas vem de lá de trás.
De fazer 30 pontos na NBA, mano, você sai grandão do jogo, velho. É, cara, sai do manual. É o Gui Santos, o boneco.
Se liga, mano. Não, mano, mas é desse jeito mesmo, pô. Tanto é que quando teve esse jogo de eu fazer 30 pontos, o Stefano tava jogando, né? E, cara, eu jogando bem assim e tal, tava bem no flow.
Nem sentiu a falta dele, né?
Não, calma. Mas eu tava no flow do jogo, mano. Aí quando eu olhei para cima lá no telão lá para ver quantos pontos eu tava, aí eu vi lá Gui Santos "25 pontos." Aí eu falei: "Caraca, velho, minha carreira high no momento, né?" Eu não tinha feito mais que 25 pontos em nenhum jogo. Aí eu falei: "Pô, dá para alcançar mais, né?" Aí chegou o Gary Payton, que é um cara resenha, mano, resenha pura também, velho. Chegou e falou assim: "Gui, vamos, mano, fazer 30 pontos, pai, vamos." Ele te falou isso no jogo? Falou, falou, mano.
Que da hora!
"Você tem que fazer 30 pontos, mano, mais 5 pontinhos." E faltava tipo um quarto quase tudo. Pô, então tinha tempo. Aí, mano, eu comecei, pum, aí fiz uma bolinha, 27. 27, bom, fiz outra bolinha, 29. Aí tava faltando, sei lá, 3 minutos para acabar o jogo, e eu, lógico, querendo ganhar o jogo e tal, e eu tava jogando bem. Aí o Steve desenhou uma jogada para mim e falou assim: Gui Santos, vai receber a bola aqui, um contra uma, você contra o cara. Todo mundo meio que afasta, faz uns bloqueio para fingir que tá fazendo alguma coisa e deixa o Gui Santos jogar. Aí quando eu bati para o fundo, dei uma trombada no cara, fiz a bolinha e olhei para cima lá, 31 pontos. Eu falei: Ah, porra, meu irmão, que isso!
Nossa, tem que respeitar, mano.
Quantos, mano?
E logo depois, 4 brasileiros só conseguiram isso, irmão.
E depois eu já vi na minha cabeça, já pensando assim, pô, no vestiário, indo pro vestiário, falei, cara, quantos caras já fizeram isso, velho, do Brasil? Aí depois eu fui ver, foram 4, né, mano? É Leandrinho, é Nini, Varejão e eu.
Toma, parabéns, irmão!
Você compartilhou um pouco do seu sua obsessão pelo treino e quanto isso fez a diferença na sua carreira e vai fazer ainda mais. Mas tem alguém que você olha pro lado e fala assim: mano, esse moleque treina demais também. E eu também queria saber como que é o Curry, mano, porque ele é uma aberração, mano. Tipo assim, ele fala pra você: hoje eu vou arremessar a bola de fora do ginásio e vai cair na cesta. Mas foi lá no All-Star que ele não jogou, Jogou, mas ele foi lá onde tava o baterista do Ludacris, jogou a bola, caiu, ele foi embora.
É mais um dia normal, né, cara? Você perguntou de um cara que treina, ele, mano, sério, ele, a intensidade de treino, porque tipo assim, a gente não treina muito, né, junto o time, porque é muito jogo, então a gente treina muito individual. Mas a intensidade do treino individual do cara, velho, é absurda. Tanto é que tem até um vídeo meu assim, mano, que eu tô parado assistindo e ele arremessando, mano, e não erra, e eu tô atrás dele assim na zona morta, ele Dá 600, ele acerta 600. Não erra. 601 ele acerta. Isso é verdade, mano. E, mano, ele, juro para você, absurdo a qualidade do treino do cara. O que ele faz não é à toa, mano. Tipo assim, eu trabalho, mano, beleza, o Gui trabalha há 2 anos, não sei o que e tal, trabalho. Mas, mano, aquele maluco ali é tipo assim, é uma parada extraterrestre, mano. Ninguém vai ser igual aquele maluco, não tem como.
Sério mesmo?
Não tem como. O que ele faz não tem como o que fazer. Ele chega brincando assim, todo mundo duro no aquecimento ainda lá para fazer, né, andar pela jogada. Cara, ele chega, pum, caixa. Aí ele olha, sai andando. E sabe o jeito que ele é no jogo assim, de dançar e fazer aquelas gracinhas? Ele é assim o dia inteiro, mano. Você fala com ele quando ele tá puto, ele vai ser um cara carismático, gente boa, te responder com educação e com mordedor na boca.
Mas qual foi a primeira vez que você teve uma troca com eu vi ele, irmão.
O que que ele te falou?
Como é que foi?
Foi no meu primeiro ano, quando eu fui draftado, fui jogar meu primeiro jogo lá no Chase Center. É, não tava no time ainda, tava passando por todo aquele processo que eu falei para vocês, liberação, isso. E acabou o primeiro jogo, tinha jogado mó bem, velho, meu primeiro jogo jogando numa quadra da NBA, fiz 23 pontos, não sei quantos rebotes, assistência. E aí eu desci, ele tava assistindo, aí eu desci, eu vi ele brincando com o filhinho dele na tabela da quadra. Eu falei, caraca, o homem tá ali, velho, que da hora, mano! Eu só vejo o cara na TV, no Aí tinha até o cara que, né, um dos olheiros lá que tava, que me draftou, que tava me ajudando, né, com inglês, com tudo lá. Ele falou, aí eu falei para ele, será que tem como tirar uma foto com Steph? Ele falou, claro, mano, quero uma gente boa. Steph, vem cá. Aí ele chegou, me deu maior atenção, nem sabia, tipo assim, tá ligado, de mim nem nada, me deu maior atenção, tirou foto comigo, foi mó gente boa, mano.
Você nem falou, ó, daqui a pouco você vai ver quebrando tudo aqui?
Nada. Eu tava assim, mano, babando ainda, olhando, falando assim, caralho, meu irmão, é tinha acabado de ser campeão MVP da NBA, das finais. Eu tava sem acreditar, velho, mano.
É que eu queria que a galera que— acho que a galera que acompanha tem um pouco de ideia, mas a gente que acompanha e teve uma oportunidade de estar ali por dentro do ginásio é uma parada, rapaziada, que tipo assim, a gente foi no All-Star, é um show, né, mano? Além de ser um show, é tipo assim, você fala assim "Ah lá, os caras de terno começaram a se mexer, vai vir alguém, vai vir alguém, vai vir alguém." Aí do nada passa o Kevin Durant, LeBron James, como se nada. Parece que é uma operação do presidente ali, muito rápido.
Você fala assim: "Que isso, mano?" Isso a todo minuto no espaço minúsculo.
Muita gente trabalhando, irmão. Muita gente trabalhando.
E é meio que um lance meio que subjetivo, que você fala assim: "Mano, não tem nada brecando eu de ir ali, mas se eu for ali, eu acho que vai dar ruim." Então tem uma aura na parada que é tipo assim, uma aura da atenção assim, ó. Tipo assim, você fica meio que tenso, atento a todo momento, que é tipo, é LeBron James, é Stephen Curry, é Gui Santos, é tudo muito importante. Essa galera é eterna mão no peito onde você vai, que tá ligado, é um bagulho muito importante. E tem um glamour, né, mano?
É muito foda, velho. E cara, eles são assim desde o LeBron até o jogador que não joga, mano. Os caras são extremamente profissionais com isso, velho. Tipo Tipo assim, ah, vai, tá vindo jogador aí, mano. Já todo mundo fica de olho, encosta nos cara, fala, ó, ninguém vai passar, passa, passa, jogador chegando. Eles são assim, todo mundo, velho.
Isso é muito louco, né?
Da hora, isso que é da hora, irmão.
E para você agora, falando do Golden State, como é para você tá num time tão grande como o Golden State? Um time de uma dinastia jovem, né, mano? A gente viu aí o que Golden State e Cavaliers fizeram 2016, 15, enfim. Enfim, o Golden State foi até mais vitorioso. Como é estar num time desse que viveu uma dinastia? Você chega, encontra essas pessoas, Klay Thompson, Curry, e meio que normal da vida também, o time foi se desmontando, foi, acho que ficou só o Curry. E você talvez é um desses pilares dessa reformulação do Golden State. Como é para você? O que, quais são as movimentações que você vê do time? Eles querem uma reformulação mesmo? Que eles estão contando com Gui, ou você ainda tem medo de ser trocado? Porque imagino que isso deve ser um medo enorme para o jogador, tá ligado?
Me conta disso, irmão. Cara, é igual hoje em dia, daquela pessoa, daquele pessoal que ganhou tudo, tá lá indo, Draymond Green e o Steph, né? São os dois principais, os dois líderes do time. Isso. E eles são dois caras que trazem um exemplo para gente, a mentalidade vencedora, tudo que eles ganharam e tudo mais. Eles tentam passar isso para muita gente. E hoje, para mim, tá lá, eu tenho isso na cabeça de tipo assim, eu não me enxergo tipo, ah não, eu sou futuro do aqui e tudo mais, de jeito nenhum. Eu sou muito, eu sou muito humilde em admitir e tipo assim, cara, é passo a passo, mano. Eu não vou chegar e falar que eu sou isso, que eu sou aquilo, porque eu não sou ainda. Eu tenho que me provar para mostrar que eu sou.
Mas se contarem comigo, eu vou me preparar.
Mas se contar comigo, eu vou estar pronto, tá ligado? Então eles acabaram de renovar uma extensão contratual comigo, e isso tipo assim mostra que eles confiam em mim para o futuro deles. E também me dá uma calma, né? Tipo assim, pô, é dinheiro para mim, para minha família, para o futuro. Porque igual você falou, tem as trocas, cara. Na NBA, muita gente que não acompanha não sabe. Tipo assim, não é igual futebol, que tipo, ah, um time chega e te compra e te manda para outro lado. Você quer ir, você não quer? É bem assim lá.
Não, mano, lá foi uma que você já viu de perto. Você falou, meu Deus, cara, nós tava tomando café ontem, trocaram.
Então teve uma 30 minutos antes do jogo, Mano, 30 minutos antes do jogo, tava já achando café. Menor ainda o tempo. Teve uma que foi, acho que foi até minha primeira temporada, foi quando eles mandaram o Andrew Wiggins para, tipo assim, mano, trocou 4 caras do nosso time, velho, e para chegar um. A gente ia jogar contra o Utah Jazz, a gente tava em Utah, todo mundo aquecendo, mano, todo mundo já lá na quadra aquecendo e tal, não sei o quê. Daqui a pouco chega o coach, chama todo mundo pega todo mundo da quadra, chama para dentro do vestiário, e todo mundo tenso, mano, que a gente não quer receber ligação do agente de jeito nenhum, porque se o agente liga, é, ô mano, você tá indo para tal lugar, entendeu? Então você, ninguém quer olhar o celular, todo mundo tipo assim, não, gente, meu, nem tô aqui, tá ligado? Sai fora. E foi quando o Steve, o Steve chamou todo mundo para dentro do vestiário e falou assim, pessoal, a gente sabe como é NBA, pá, as coisas acontecem, a gente acabou de trocar trocar. Aí, se eu não me engano, foi o Andrew Wiggins, o Kyle Anderson, a Danny Shouder e Lindy Waters. Trocaram os 4 e trouxeram Jimmy Butler. Foi quando o Jimmy chegou, mano. Isso era tipo assim, mano, sei lá, 30, 40 minutos antes do jogo, velho. O jogo ia começar, mano. Os cara não podia jogar. É isso, os cara não podiam jogar.
E o Jimmy Butler também não ia chegar agora, tá ligado?
Então, cara, foi um absurdo assim. Como é que fica o mental do time? E o clima para jogar, tá ligado?
É nós, vamos vocês, mas agora vou morar aí. Outro estado.
E detalhe, teve um cara que foi trocado para o time que a gente ia jogar contra. Olha a loucura, velho.
Moleque foi para o Utah.
Então, e só que acabou que no final ele rescindiu o contrato, foi para outro time lá, mas ele foi trocado tipo originalmente pelo, para ir para o Utah, o Danny Shouder. E cara, nesse jogo foi um clima, velho, absurdo assim, de horrível. Pô, todo mundo no clima tipo, caraca, velho, tava 4 cara aqui com nós, é um clima de perda assim, tá ligado? São os caras que estão, gente boa, a gente vive ali mais com os caras do que com família.
Então esse medo é iminente?
É, mano, é. Não importa, tipo assim, quem você seja, você pode— lógico, tem uns caras que a gente sabe que eles não vão mexer, mas tem caras que às vezes entram de gaiato, mano, que precisa de um dinheiro ali para equivaler, tipo, ser equivalente os salários para poder trocar. E você entra, tá faltando, sei lá, tá faltando 10 milhões, o cara pega um cara que vale 10 milhões e bota ali, manda ele junto, tá ligado?
E como que tá a vibe do time agora? Como é que tá a mídia em cima do time, a torcida? Como é que tá o momento atual do time?
Cara, essa temporada foi uma temporada muito difícil, velho.
É estranho não ver vocês nos playoffs.
É muito estranho, né, velho, porque essa temporada a gente teve muita lesão, velho, e muita lesão grave. Jimmy Butler, que era um, tipo assim, nosso segundo principal jogador atrás do Curry só, ele teve uma lesão de LCA, ficou fora o resto da temporada, vai ficar fora até o começo da temporada que vem. Aí tem um cara também, o Moses Moody, que é um puta jogador, Machuco, rompeu o tendão patelar, tipo Ronaldo, tá ligado? Então, pô, isso daí pesou muito para gente, velho, porque todo mundo sabe, meio capenga. Teve um jogo que a gente tinha 8 caras machucados fora da partida, velho, e tinham 6, 6, 7 caras, acho que 8 caras para jogar também.
Beleza, tá ligado? Aí não tem como, né, irmão?
É, então foi uma temporada muito, tipo assim, fora do padrão para gente, tá Tá ligado, mano?
Sim, eu imagino. Mas olhando agora, os playoffs começaram, né, mano? O Philadelphia tirou os cara. Sou Philadelphia até o final agora, irmão.
Você era bosta?
Não, não, não. Eu, eu, irmão, você fala assim, igual, que time você torce para NBA? Você vai, você vai Clippers, né? É o Clippers, mano. Clippers trataram a gente muito bem.
Então tá de— tem toda uma saguinha.
Nunca nós chega no playoff, quando chega cai Rápido.
Então esse ano foi nós que tiramos os cara. Vamos parar, foi mal, foi mal.
E a torcida, como é que tá a torcida, irmão? A torcida, como que é a torcida do time, cara? Entendeu?
É muito grande, mano, é muito fã, velho.
Que que os cara fizeram ali naquele ano 2015 ali, mano?
2015 até 2022 assim foram muitas vitórias, os cara sempre brigando no topo da tabela. Então, mano, é uma, é uma fanbase muito grande, o pessoal cobra bastante cobrante da gente. Dão muito carinho para a gente também, mas eles cobram bastante, tá ligado? Não chega a ser perto do futebol, mano, tipo assim, é igual acontece aqui, os caras ir lá na porta da casa do cara e cobrar o carro. Vamos, mano, você tem que jogar e tal. Não, lá é bem mais tranquilo assim, mas tem algum tipo de cobrança, mas tem cobrança, tá ligado?
Vamos, ano que vem é playoff.
Exatamente, tem uma cobrança em cima da gente e a gente entende isso, a gente sabe lidar bem com isso. É, os americanos sabem, mano, fazer esse, ser profissional, tá ligado? Tanto quanto para torcer quanto para jogar dentro da quadra. Os caras são extremamente profissionais, tem a ética ali, tem a ética. Exatamente, não vai passar por cima da ética.
Exatamente, caralho, muito foda. Mas, irmão, tá, vocês não estão, só que eu queria falar dessa temporada que tá legal. Vocês não estão nos playoffs, mas você imagina que deve ter feito amigos já. Você fica torcendo para alguém ou não? Meu time tá fora, eu vou, tô preocupado com a minha pré-temporada, minhas férias aqui, cara, ou só tá acompanhando por acompanhar?
Eu acompanho por acompanhar assim, né, para estar sempre por dentro da NBA. E é importante, né, para o jogador saber o que que tá acontecendo em todos os times e tudo mais. Mas eu não, tipo assim, acabou minha temporada, acabou, velho. O que importa é o meu time ser campeão, que importa eu ser campeão. E agora eu vou, por exemplo, acabou minha temporada, eu vim para cá, fiquei uma semana assim tranquilo, relaxando, mas eu já tô treinando de volta, porque temporada que vem não pode parar, velho. Comecei a jogar bem, comecei a jogar mais minutos, mas temporada que vem começa de novo.
Se o atleta levar as férias igual a gente leva as férias da escola, vamos supor, que é tipo, acabou as tarefas, então é 2 meses que eu não faço nada, nada, não vou fazer nada, não vou abrir o caderno, vou fazer nada. O que que acontece se você falar assim, no meu mês de férias eu só tô de férias?
Isso, se você tem quanto tempo de férias também Cara, então quando você é eliminado assim cedo, no caso que aconteceu com a gente, a gente tem um tempo bom assim de férias. Mas cara, se você tirar ali 2 meses, 1 mês, que ser 1 mês de férias, digamos, tirar 1 mês sem fazer nada, mano, na volta parece que você nunca jogou basquete na sua vida. É sério, pelo menos eu sou assim, velho. Então eu não, eu não arrisco, tipo assim, eu fico 1 semana, beleza, sem fazer nada. Depois disso, nem que seja pouco, mas eu faço alguma mesma coisa. Eu não fico na loucurada de igual é a temporada, não vai se machucar, lógico. Mas eu também não fico sem fazer nada, porque querendo ou não, é o profissionalismo do cara, tá ali bem fisicamente. Daqui a pouco eu vou voltar a treinar mais forte e tudo mais, e meu corpo não vai sentir tanto.
Você acha que foi isso que fez você não bater e voltar, Gui Santos?
Eu acho que esse é um dos fatores, cara. Graças a Deus, graças a minha criação, graças a tudo que eu passei na minha vida, eu sempre tive esse lado meu pessoal, esse lado de querer conquistar minhas coisas muito, muito forte em mim, mano. E foi quando, né, tipo assim, eu vi, falei, cara, se eu trabalhar— quando eu assinei, eu não era o melhor da G-League, mano, eu não era o melhor do meu time da G-League. Mas quando eu assinei, eu falei, cara, os cara tão vendo que eu tô trabalhando, mano, tá ligado? Os cara tão vendo que eu tô trabalhando, os cara vê que eu quero ser o melhor, que eu quero melhorar, que eu sou esforçado no mínimo, eles vão ver. E os cara vão me dar oportunidade só porque eu sou esforçado. Pô, cara, me assinaram porque eu fui, não era o melhor, não era o mais rápido, mais alto, mais tá, mas eu era o mais esforçado, mano, isso eu garanto.
Quem te deu o apelido? Porque ali meio que todos os jogadores vão sendo conhecidos pelos apelidos até. E eu imagino que fica tipo, tá, qualquer hora que os cara vai pôr um apelido em mim, qualquer hora que eu vou ter um toque no Curry.
Quem é que nomeia? Como que foi isso aí, Dú? Cara, aqui no Brasil quem começou isso foi o Romulo.
Ah, tinha que ser a lenda.
É, porque nos jogos eu entrava, mano, era volúpia, pulava para lá e para cá e dava cabeçada, se tivesse que bater em alguém batia, e vai para lá e para cá, correria. E ele falou Falei, mano, esse menino trabalha, velho. Ele botou o apelido de trabalhador e pegou, velho. Aí de Gui Trabalhador virou Gui CLT.
Isso é bom também, velho.
Aí agora tá vindo meu irmão aí, né. Meu irmão tá jogando bem, tá mandando bem também. Aí agora o Dudu virou Edu Jovem Aprendiz.
A família trabalhadora, porra! Família trabalhadora. E é isso, né, velho.
É, e foi daí que surgiu o apelido, pô, do Romulo.
Mas lá fora já pegou esse apelido?
Cara, lá ainda não tanto como no Brasil, mas tem um outro que sabe, né, que fala disso lá, mas o pessoal fala bastante Guinnergy lá, que é tipo como se fosse energia, só que eu trago muita energia pro jogo e me chamavam de Guinnergy.
E o que que a mídia, o que que a galera de lá fala sobre você, no caso brasileiro, e o que que eles falam e o que que eles imaginam do Brasil também, que você sabe que a galera lá tem umas ideias meu, não entende muito bem como que é o Brasil, cara.
É, a mídia de lá hoje, graças a Deus, eu sou muito bem acolhido pela mídia de lá, tá ligado? Todo mundo me trata bem, todo mundo fala muito bem de mim lá. Os americanos todos assim de comentaristas e tudo mais gostam bastante do meu estilo de jogo. E isso daí é bom assim, né, para mim, porque fui muito bem abraçado pelo todo público americano. Só que eles têm uma ideia tipo assim de Brasil, é engraçado, Quando eu vejo até algumas coisas que o pessoal posta assim, de tipo assim, é quando o Stefan tava fora, o Jimmy tava fora, os caras botaram tipo assim, o Gui Santos quando o Stefan e o Jimmy não tá jogando, aí eles botaram um highlight do Neymar driblando todo mundo na época do Barcelona, tá ligado? Foi tipo assim igual o cara. E mano, foi, foi, eu fui muito bem acolhido lá, velho, ainda bem.
E qual que são as, mano, curiosidade mesmo, quais são as perguntas dos amigos gringos lá que eles querem saber sobre o Brasil? Às vezes às vezes nem se interessa, mas alguma coisa engraçada já deve ter rolado.
Ah, mano, de tudo, velho, de tudo. Teve uma história assim que para mim foi a mais engraçada assim, que eu tava falando do Brasil e Argentina, né, da rivalidade. A gente, Brasil e Argentina, a gente tem uma rivalidade, não sei o quê, começou com futebol. Aí o cara virou para mim assim, mas por que, mano, vocês têm rivalidade? Argentina é mó longe do Brasil. Aí eu fiquei olhando para ele, eu falei, como assim, mó longe? Aí falou, não, pô, Argentina é na Europa. Você acredita?
Eu falei, não, mano, geografia, né, mano?
Calma aí, mano, você é louco, Argentina na Europa? Não, abriu abriu o mapa e mostrei para ele, aqui do lado do Brasil, velho. Imagina, abriu o mapa. É do lado daqui. Mas lógico, os caras falam de bastante coisa aqui, das belezas naturais que a gente tem, né, praia, pô, tudo assim. Samba, samba, carnaval, carpe diem. Exatamente, aí vai, vai, você vai falar de tudo que tem de bonito aqui, os caras conhecem, os caras conhecem.
E o que que de lá você mais gosta também? Tempo compartilhar coisas boas que você curte de lá também?
Cara, é, o profissionalismo de lá é uma coisa que mudou muito o meu jeito de ser assim, tá ligado? Os caras são extremamente profissionais dentro da quadra, fora da quadra. Isso é uma coisa que me encantou muito lá dos caras. E não só isso, mas também é o quanto os cara dão valor para o esporte, mano. Não importa o esporte, velho, você vai ter, sei lá, qualquer liga de qualquer esporte, eles têm uma liga lá para eles, velho. Eles dão valor no Muito forte, velho, muito, né, molecada, velho, jogando faculdade, os cara tão ganhando milhões e milhões jogando faculdade. Vai jogar futebol americano, os cara tem tudo. Vai jogar futebol, os cara tem tudo. Você vai numa escola de ensino médio, mano, nos Estados Unidos, é uma estrutura que time profissional no Brasil não tem, velho.
Muito louco isso.
E tipo assim, você chega para jogar contra— a gente jogou com Estados Unidos, a gente tava nas Olimpíadas, jogou contra Estados Unidos, mano. Como que a gente vai bater de frente com os caras que desde criança tá nessa caminhada, tá ligado? Os cara desde criança tem tudo do bom e do melhor, velho. Tipo, lógico, né, tem as dificuldades deles Ah, eles passam por coisa, mas em relação ao esporte, o cara tem quadra boa, tem bola boa. E mano, eu no meu começo aqui, eu ia, chegava mais cedo, muito mais cedo. Na época eu jogava em Brasília, morava em Brasília, chegava mais cedo, pegava um baldezinho, pano, rodo, eu ia limpar a própria quadra que eu ia treinar, velho. Senão não vai treinar, vai treinar escorregando, vai se machucar. Então a gente tem que treinar lá. Não, velho, lá você chega, já tá tudo pronto, cara. Roupa lavada, estendida, pronta para você pegar, botar e treinar, só se preocupar com basquete, velho.
Que loucura!
Aqui não, mano. Aqui você tem que pegar, levar sua própria roupa para lavar em casa, e pô, mal corre fazer as coisas. Não que seja muito trabalho, mas tipo assim, não tem como você competir com os caras que não tem isso lá.
Às vezes a pessoa não tem nem como ir em casa, que aí já fica pior também.
Exatamente, exatamente.
Você me falou do que o esporte lá é muito valorizado, a gente sabe disso, mas eu queria saber se a galera tem a de paixão do tamanho do Oscar Schmidt lá?
Tem, mano, tem, tem. Eu fiquei de cara assim, tipo assim, eu não sou de uma geração que acompanhou ele, né, porque quando ele tava parando de jogar em 2003, eu tinha 1 ano de idade, tinha acabado de nascer.
Beleza, Guilherme, quer ficar jogando a sua idade na nossa cara aqui.
Você, acho que no penta o cara tinha 8 dias de vida, era muito novo, moleque. É, mano, e tipo assim, eu não acompanhei ele muito de perto assim, mas Acho que eu tenho total dimensão do que o Oscar foi para toda representatividade do basquete brasileiro, assim, o que o cara que, né, você fala de Brasil, fica aqui, mano. Exato, você fala de Brasil, basquete, para os gringos o primeiro nome que vem na cabeça é o dele, velho. Até para a gente também, para mim. Então acho que essa dimensão que ele tem lá é real, velho. O Steve Kerr, quando aconteceu tudo aqui, o Steve Kerr foi, falou numa coletiva de imprensa o quanto o Oscar é importante para a história do basquetebol. Ele, você Acho que ele é o segundo maior pontuador atrás do LeBron, mano. Que loucura, velho. É muita coisa, mano.
E ele parou de jogar, já tem uma cota.
É, e o LeBron, ele tá roubando no jogo, mano.
Tá roubando no jogo, mano, o LeBron James, porque ele ainda, até hoje, mano, ele atravessa a quadra inteira ainda até hoje. Aquela bandeja dele lá ainda parece que ele tá em 2016, mano.
Parece que ele não vai parar não, né, mano?
Parece que não vai parar, mano. Eu fui jogar contra eu dei uma trombada, ele te deu uma trombada? Ele me deu uma trombada, mano, eu caí, eu falei tá, porra, bateu com o caminhão, foi um metrô me atropelando, velho.
E ele, antes de começar a jogar, ele, mano, é engraçado, a quadra inteira acompanha ele, a cabeça de todo mundo assim, ele vai para um lado, ele faz a paradinha, ele faz isso, E eu vindo de pertinho, eu falei, mano, que isso? O ginásio inteiro olhando para o cara, mano.
Foi maluco. A gente foi ver, lembra? A gente foi ver o Lakers e Clippers, a galera já tava todo batendo bola ali, faltava só ele, mano. Na hora que a galera chegou, é isso que o Mitch falou, que parecia a câmera do BBB, todo mundo só acompanhando o cara, mano.
E ele sabe que tava todo mundo olhando para ele, ele tava com a carinha de olha, olha, olha em pau, olha em pau, olha em pau, cara.
E é, bicho, não é só ele, tipo assim, Eu falo que no meu time tem, para mim, o mais influente de todos, que é o Stephen, mano. O cara mudou o jogo, mudou aqui com a forma de jogar, cara. Eu tava em Minnesota, a gente chegou em Minnesota, tava, sei lá, mano, -27, -28 graus, uma parada absurda assim, cara. 2 horas da manhã, quase 3 horas da manhã, tinha assim, velho, papo de 60, 70 pessoas na frente do hotel nesse frio esperando o cara só para poder ver ele, velho, né? Nem que ia pegar uma assinatura, só vou ver ele passar, assinatura e tudo mais, mas, mano, só para ver o cara, velho, mano.
O cara é uma lenda, né?
Você tá entendendo o tamanho que ele se torna assim, velho?
Mas um exemplo é igual quem deve estar no Lakers, irmão, é o LeBron com 40 e tantos, ou deve estar 40, 41. Como é que um novato olha pro LeBron e fala assim: mano, é 23ª temporada do cara e tá aqui treinando, como que eu não vou treinar? Então você deve olhar pro Stephen Curry e falar assim: mesma coisa, vou trabalhar, mano, tem que trabalhar, tem que ir.
É desse jeito, velho. Você vê o cara treinando, você fala: cara, o cara o cara tem, sei lá, 36, 37 anos e tá treinando mais que eu. Não pode, você não tem como, não fecha a conta, tá ligado? Você tem isso, te empurra. E por isso que os caras são tão bons, velho.
Mas, mas para você, mano, fica o peso, fica uma responsabilidade a mais, porque tipo assim, você é o único brasileiro que tá ali representando. Como é que fica sua mente nesse momento também, mano?
O fato de eu ser o único brasileiro lá, tipo assim, igual tava falando do Steph, ser exemplo para molecada lá e tudo mais, E quando eu venho para cá é quando eu tenho a dimensão do que eu tô, o que eu tô me tornando, que eu posso me tornar, tá ligado? De poder ser um ídolo para nova geração, de poder ser um cara que os molequinhos olham, assistem na TV, fala: caraca, eu quero chegar na NBA igual Gui chegou. Ele é do Brasil, passou por dificuldade igual eu tenho as dificuldades aqui, mas eu quero chegar lá, pô, tá ligado? Eu quero chegar na NBA porque é meu sonho também, tudo mais. Então hoje para mim é ser esse exemplo para molecada e poder, né, tipo assim, mostrar para ele o caminho de fazer isso, que é, cara, trabalho. Eu não era o melhor, não era o mais rápido, papai, igual o cara falou, mas eu fui o que mais trabalhei e alcancei. E poder mostrar isso para molecada hoje, mano, é o principal para mim assim, principalmente meu irmão, mano. Meu irmão é um cara que me escuta muito, ele tá o tempo todo assim me perguntando dicas disso e daquilo, o que que ele tem que fazer. Trabalha bastante, trabalha, trabalha, gosta de trabalhar. E ele viu, mano, de perto assim, que A luta é complicada, mano. A luta é, pô, é nossa, mano, é pancada, é difícil. Mas quando chega, mano, o prêmio vale tudo, velho, vale tudo que você passou. Você fala: caraca, mano, faria tudo de novo, faria, né, tudo de novo assim, desde o começo, desde o momento do draft que eu tava lá chorando com meu pai, com minha mãe, até o que eu tô hoje vivendo hoje, cara. Faria tudo de novo para poder ter essa experiência.
Parabéns, Gui Santos! Isso é tudo mérito seu, da sua família, com Mas é muito seu, mano, não pode tirar seu mérito não. Tem perguntas para você responder de bate-pronto, pode ser?
Vamos embora.
Guilherme Santos: qual jogador você tiraria de outro time para levar para o Golden State Warriors?
Cara, eu tiraria o LeBron do Lakers para levar para lá, porque eu queria muito ver o Steph e o LeBron jogando juntos. Aí você chutou nas Olimpíadas, quando eu joguei contra eles dois juntos assim, mano, você viu os caras, você falava: tá, porra, velho, os cara é alienígena. Os cara botaram o nome de Os Vingadores. Jogadores dessa seleção, porque eles tinham um mundial lá, eles perderam o mundial para Alemanha, os Estados Unidos perderam o mundial para Alemanha, que acontecia muito tempo que não acontecia. Aí os cara falou, é, vamos juntar todo mundo dos melhores, vamos todo mundo para ganhar as Olimpíadas, vamos lá ganhar. Aí os cara entrava em quadra, você falava, tá, você escutava, tá chegando os cara, não dá.
E teve, nossa, essa última Olimpíadas, os dois juntos ali, tem uma foto que tá um com o testão, é, mano.
Foi foda.
3 adversários mais difíceis de enfrentar?
Luka Dončić, Shea e Jokic. São, mano, o Luka e o Shea é muito difícil de marcar. Você não sabe o que esse cara vão fazer, velho. Parece que eles estão jogando streetball assim, mano. Ele bate para um lado, você cortou, quando você já viu, o cara já tá no outro lado fazendo cesta. Você falou, mas eu tava aqui agora, já foi.
Dos que você falou para mim, o que impressiona é o Jokic, porque ele faz assim, ó, a bola cai.
É impressionante, né, velho? É impressionante. Você joga contra ele assim, você tromba nele. Aí, mano, primeiro que ele corre assim, parece que ele não quer jogar, ele tá correndo assim. Aí quando você vê, do nada ele faz assim, ó, pum, passa pro cara, ele nem tá olhando o cara embaixo da cesta livre. Tem uma bola assim que eu tava marcando ele no poste baixo, aí ele tipo assim, eu tava apoiando assim, né, o antebraço nele, e ele, e ele de costas para mim tentando me empurrar para debaixo do aro. E eu aqui, mano, ele tinha passado a bola, o cara feito a cesta, e eu tava aqui ainda.
Você não viu que ele tinha passado?
Não vi que ele tinha passado a bola. Quando eu vi a gente pegando a bola, uai, o que que aconteceu? Vamos para ataque!
Ele é monstro. Quem é o mais resenha do vestiário, cara?
Eu acho que o cara mais resenha que eu já vi do vestiário é o Buddy Hilde. Sério, mano? Não sei se vocês conhecem ele, mas, mano, meu amigo, não, mano, nível tipo assim, os coaches não aguentavam ele de tanto que ele era engraçado. Ele abria a boca, os coaches iam, tá ligado? Na hora, momento sério, pá, todo mundo conversando sério, ele falava alguma coisa, todo mundo parava o clima sério, começava a rir.
Da hora, é bom ter essas pessoas. Ganhar Olimpíadas pelo Brasil ou título da NBA?
Puta, aí é você, velho. Nossa, mano, eu vou colocar os dois porque não tem como decidir entre um ou outro aí não.
Tá certo, monstro. Com quantos anos perdeu o bebê?
Cara, quantos anos? Ah, foi com a Ju agora, minha noiva. Agora, 2020.
Sério? Eu sabia!
Liso!
A gente sabia! Via contato mais famoso do WhatsApp?
Acho que é o Neymar, velho. Neymar, Steffi também conta, né? Não, Dudu não. Dudu tem que comer muito arroz e feijão ainda.
Dudu, você é o futuro mais famoso, entendeu? Vai passar os cara tudo, monstro. Pior sobremesa da história?
Eu gosto de quindim, né? Eu também gosto. Isso é bom, cara. Pior sobremesa da história, como é aquele de boa? É sagu? Para mim acho que é sagu. É sobremesa?
Acho que é uma fruta.
Não é aqueles bolinha?
É sobremesa?
É sobremesa, não é? Eu não gosto, velho. Para mim é. E a favorita então? A favorita, o sorvete de 3 camadas da minha mãe.
Sua mãe sabe fazer sorvete? De 3 camadas?
Geração, mano, é da família. Vem de volta. Qual que é a primeira camada? Primeira camada, cara, primeira camada, mãe, leite condensado. Como é que é? É tipo um leite condensado, mano, é tipo como se fosse um cremezinho, tá ligado? Cremezinho. A do meio é chocolate e a última é uma camada mais light assim, que ela faz com clara de ovo. Mas até nojento que você fala assim, né? Não, não, não, estou adorando, mano, fica muito bom. Absurdo, sorvete é muito bom.
Então é o sorvete 3 camadas da mamãe, isso. Tá certo. Melhor sobremesa mítico da história? Pior?
Kim Jin. Só para rimar, pô. Qual a sua favorita, pô, já que você—
A minha favorita é petit gâteau. Eu gosto muito.
Muito bom.
É um sorvete, né?
E a pior de todos os tempos é difícil pensar na pior, né?
Porque geralmente você não come.
Nossa, minha vó fazia um bagulho lá na—
Pé de moleque, você gosta?
Gemada, minha vó fazia. Pegava ovo, ficava batendo assim, depois comia. Maior dupla da NBA?
Stephen Curry e Klay Thompson. Enquanto os dois estavam lá. Ele gostou? Você gostou dessa? Shaq e Kobe?
Eu tô com o seu irmão. Seu irmão falou Shaq e Kobe, eu falei assim, acho que eu tô com ele.
É complicada também, hein.
É, eu não vou tirar o mérito, né?
Calma, tá?
O maior conselho que recebeu na NBA, cara?
Quando eu cheguei lá, o varejão conversou comigo assim, tipo, sério, e falou assim: Gui, te dar um conselho agora, que é fácil você chegar na NBA, entre aspas, né? Porque é muito difícil. O mais difícil é você se manter na NBA. Isso aí abriu meu olho, mano, 100%, de o que eu tinha que fazer para me manter NBA. Acho que foi uma coisa que mudou assim, realmente. Tem muito, mas você imagina, você senta moleque, velho, todo ano chegando querendo tomar seu lugar, todo ano. E são 450 jogadores, e lá é tipo, nossa, na NBA toda são 450 e chega 60 novo todo ano para você se manter, tá ligado? 80 jogos, 82 jogos, tá ligado? E mais playoff.
É muito trabalho, é puxado. Deus marcar o Curry no treino ou marcar o LeBron no jogo?
Marcar o LeBron no jogo, mano. Não tem como marcar o Steph, não tem como, não tem como. Tipo assim, o LeBron, ele é forte, às vezes você toma uma trombada lá, torce o pé dele errado, beleza. Agora o Steph, se você pressiona, bandeja. Ele corta, bandeja. Se você fica um pouquinho distante, bola de 3. Tem até uns lance assim no training camp que, velho, ele bateu para lá, bateu para cá, eu defendi ele para caramba, tá, tá. Ele deu um step back, foi chutar por cima de mim, eu quase deitou eu dei nele, a bola caiu, mano, ele olhou para mim assim, apontou com o mordedor de fora assim, apontou, "I got you", tá ligado? É diferente. Então eu prefiro marcar o LeBron no jogo.
É, mano, aquele lance que ele vem, mítico, batendo a bola assim, ó, e aí a bola quica errado na quadra, ele: "Não sou eu que tô errando." Passa o tênis na quadra e fala assim: Tá errado. O que que tá errado? A quadra. E tava errado, mano.
É loucura, ele é robô, mano. Robô, robô. É diferente.
Luva de pedreiro ou Leonardo da Vinci?
Luva de pedreiro do Brasil.
Caralho, muito bom. Curtiu trocar essa ideia com nós no Podpah, meu irmão?
Que isso, vocês são, vocês são inspiração. Eu tava falando para vocês aqui quando eu cheguei aqui aqui, né, mano? Você chegar, pô, me corrija se eu tiver errado, mas vocês no começo era, vocês ficavam junto com o Flo, não era? Pode dividir um espaço. E a estrutura que vocês criaram aqui hoje é absurda, muito foda, né, mano?
Obrigado.
Exato, a mesma coisa de tipo assim, pô, Gui, você é foda de estar lá na NBA, mas fazer isso daqui, velho, é de verdade é outra parada também. Vocês são diferentes de todo mundo, né? Tudo que vocês estão conquistando, tudo, irmão, vocês conquistaram.
Obrigado, muito obrigado de verdade, mas das suas palavras às minhas, porque o que você vem fazendo é muito gigante. Eu acho que você vai ter noção só quando parar mesmo, que agora não dá para ter, não dá para ter. Agora não é nem para você ter noção, você vai ter que trabalhar e vai conquistar mais depois do seu irmão. Mas é isso, mano, o que você vem fazendo é algo muito grandioso. Aproveita o processo, porque teu pai, sua mãe sabe que passa rápido, mano, passa rápido. Tipo assim, o seu draft foi Ontem, hoje já é a terceira temporada da NBA, a próxima já não é novidade. Então meus parabéns, mano, muito foda que você vem fazendo assim, representando vários moleque. Tipo, a molecada ficou doida que o Gui vinha, tá ligado? Então tipo, muito foda. Eu não sei se você vai acabar passando pela house e tal, que vai ter NBA House. Enfim, mas é isso, muito feliz de ter você aqui, mano. O cara é igualzinho eu mesmo, mano, é sério, é sério. Eu tô me dando a moral que eu acho ele mó gato.
Aí eu trouxe uma parada aqui também, né? Vocês ali, ó, é claro, eu não podia deixar de mostrar. Olha, vem assim, não podia, eu vi uma parede cheia de camisa, nossa, as paredes ali cheia de camisa. Essa daí, você é louco, é meu tamanho, hein?
Não, cala a boca, ele vai assinar e nós vai deixar.
Não, que eu tenho depois, eu tenho mais, eu dou uma para cada, pô. Essa daí deixa na parede se vocês quiser.
Eu fiz de propósito. Assina para nós! Nossa, mano, isso aí vai passar uns anos, vai ficar mais caro, a gente vai vender, viu? Vai, vai sim, vai leiloar, irmão, leiloar para nós.
Você tá me devendo o Diogo Henault ainda.
Cheque veio aqui, pegou o Diogo Henault zinho. O check, viu, galera? O check, que no episódio ficava falando check, check. Ah não, muito foda.
Deixa os cara chamar ele de Shaq, mano. Nós aqui é check.
Aqui é Brasil, porra. Aqui, ó, tamo junto. Obrigado mesmo, viu, meu irmão? Parabéns, represente nós lá, o Brasil. Muito foda mesmo. E é muito bom ver o carinho que a rapaziada tem com você aqui no Brasil, de verdade.
Só agradecer também todo mundo do povo brasileiro aí que, pô, me acompanha né, manda energia sempre positiva. De verdade, valeu, acompanho tudo. E vamos para cima, cada vez representar o Brasil mais alto e no nível mais alto ainda lá na NBA.
Tá maluco, tá maluco, muito foda, tá, tá sabendo. Vai fazer muita coisa ainda, viu, gente. Meu Deus, eu tô ansioso já para as próximas Olimpíadas. Não tá longe, Mítico.
Não, não vai representar, caralho.
Onde que é a próxima? Eu nem sei. Estados Unidos, na tua casa.
LA, né? Não, vamos, vamos, vamos lá do lado.
Com certeza eu vou estar.
É nós, viu, gente? Tamo junto.
Espero que você tenha gostado. Se você gostou, deixe seu like, se inscreva no canal, siga o Gui Santos em todas as redes sociais, vão estar aí na descrição. Siga o Podpah, vamos rumo a 10 mil, 10 mil não, 10 milhões de inscritos. Siga eu, siga o Mítico. Muito feliz. Mítico Jovem, faça as honras.
É nós, família. Segue o Podpah Record aí, tá? Nosso canal de música aí. Tamo junto. Dignidade já. O Amazon 5 do 5 tá aí, hein, para você se preparar para torcer pelo Brasil com milhões de cupons e frete grátis. Amazon, patrocinadora Para oficial.
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