GUI SANTOS REVELA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA(LÁ ELE) COM CURRY KKKK!

In this candid, conversational YouTube interview, Brazilian basketball player Gui Santos recounts his early professional journey in the NBA and its developmental leagues. He describes signing his first pro contract after a stint in the J‑League, debuting against Oklahoma where he scored his first basket, and the surreal feeling of sharing a locker room with Stephen Curry, Klay Thompson and Draymond Green. Santos explains the precarious nature of non‑guaranteed contracts, his time shuttling between the NBA roster and the G‑League (referred to as the "Liga B"), and the relentless effort he put in to earn minutes—arriving early, hustling on the bench, and staying ready. A turning point arrives when injuries and a trade open a starting spot, leading to a breakout 13‑point performance in Detroit that earns him more trust. He reflects on cultural differences between Brazil and the U.S., noting the isolated atmosphere in the G‑League versus the camaraderie in the main squad. Santos shares personal anecdotes of bonding with Curry in a ice‑bath, learning English on the fly, and the support of his family. He later details a series of high‑scoring games, culminating in a career‑high 31 points against the Brooklyn Nets, and the motivational push from teammates like Gary Payton II. Throughout, he emphasizes perseverance, the importance of seizing opportunities, and the emotional roller‑coaster of being traded, dealing with injuries, and striving to represent Brazil at the highest level.
Chapters
Então aí tu ficou um ano e meio na J League, começou a atuar bem, os cara: "Toma, primeiro contrato." Primeiro profissa.
Bora. Foi quando comecei a ter mais visibilidade, né? Jogar um pouco mais, entrei no meu primeiro jogo, fiz minha primeira cesta, tava felizão, vivendo esse sonho.
Mas já com todos os topzera?
Todos os topzera.
Imagina que cenário.
Qual foi o jogo que você estreou?
Foi contra o Oklahoma em casa. E eu entrei no jogo e consegui fazer 2 pontinhos, uma bandejinha lá. Cara, feliz. Aí quando eu tava assim no vestiário pra entrar pro jogo, É, eu olhava assim pro lado, tava Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green, e eu abraçado nos caras assim, que a gente faz uma oração antes do jogo. Eu tava me sentindo no videogame, já falei, caraca, eu tô no videogame!
Não é verdade, não é possível que eu tô aqui, não é possível!
E mano, a cabeça milhão. Aí eu olhava assim, tipo, aí eu assistia em 2015, eu assistia os caras jogar, pô, tipo assim, as finais, quando os cara começaram a ficar muito bom, Cleveland, né? E eu, pô, cara, os cara tão aqui do meu lado agora, eu sou companheiro de time dos caras, felizão! Felizão, felizão. Aí quando tive esse primeiro jogo e tudo mais, primeira temporada toda eu tava jogando mais na D-League, né? Eu não tava jogando, mesmo com o contrato assinado com o time principal, eu tava jogando mais na Liga B. E acabou a temporada, continuei trabalhando, evoluindo. Aí quando começou minha segunda temporada na NBA, meu segundo ano na NBA, e cara, lá mesmo que você assina o contrato o contrato não é garantido. Ou seja, o time pode te mandar embora, você para de receber. Entendi. E sua vida volta a ser o que era.
Zerou, não corta mais o cabelo e vambora. Fudeu.
Bora entregar pizza nessa porra.
Fudeu. Fazer dordexagem.
Tem a bike, vai entregar uma pizza e vambora. Bora entregar uma pizza, cabeludo.
E pô, eu tava com isso na cabeça, que eu não tava jogando, não tava tendo oportunidade de jogar bastante tempo. Eu falei, cara, se os cara me mandar embora, eu vou voltar pra estaca zero, véi. Eu tenho que continuar mostrando para os caras aqui. Então eu fazia de tudo que eu podia, velho. Chegava lá mais cedo que todo mundo, mostrava para os cara que eu queria mais que todo mundo. Entrava, sei lá, 2 minutos no jogo, parecia que eu tinha jogado 40, velho. Chegava lá, batia a cabeça nos cara, empurrava, e deixa eu pegar essa bola aqui, eu quero mais que os cara, e eu quero, eu quero ser jogador aqui, quero ter minha oportunidade. E nisso eu fui conseguindo me manter, velho. Só que a cabeça milhão, tipo assim, cara, eu tenho que conseguir me manter porque se eu for mandado embora, acabou, vai, minha vida. E eu queria muito, lógico, mudar a vida da minha família, e não decepcionar também, né, velho.
É decepcionante, né? Assim, pô, imagina, cheguei tão alto e não consegui, né?
Você tá na beirada ali, velho, já tá dentro e tá ligado, e não consegui. E beleza, aconteceu os jogos, eu não tava jogando tanto, eu falei para os caras assim, pô, deixa eu jogar lá a Liga B para eu me manter em forma, para eu me preparar, porque daqui a pouco vai ter minha oportunidade. O Steve falou comigo, Gui, daqui a pouco você vai receber sua oportunidade, mas quando chegar sua oportunidade você tem que estar pronto. Aí eu falei, então, para eu estar pronto eu tenho que jogar.
Tá parado, né?
Só no banco batendo palma. E eu vou para a segunda liga para eu jogar um pouco mais, e depois quando chegar minha oportunidade eu vou estar pronto. Aí a gente foi pra Detroit, foi jogar um jogo em Detroit. 3 caras da minha posição estavam machucados. E o outro que ia jogar, a mulher dele tava grávida. E a mulher dele grávida teve um falso alarme de nascimento. E ele pegou o voo e voltou pra São Francisco. E eu era o único cara da posição pra jogar. Aí chegou os técnicos assim antes do jogo pra mim e falou: Gui, você vai jogar hoje, fica pronto.
Caralho, velho.
E isso sem jogar, sei lá, 2 meses na NBA, 3 meses na NBA. Nem sabia mais o sentimento de estar lá dentro assim, tá ligado, cara? Esse jogo, acho que foi o melhor jogo da minha vida. Tipo assim, Deus faz as coisas certinha, cara. Foi o melhor jogo da minha vida assim, de eu tava em todos os cantos da quadra, todos os arremessos que eu chutava caiu. Eu fiz 13 pontos nesse jogo, eu chutei 4 bolas de 3, matei as 4 bolas de 3, ou então 5 bolas de 3 e matei 4. E cara, nossa, aí eu falei, pô, mostrei para os caras que eu tô aqui, botei uma pulga atrás da orelha que eles podem contar.
Que esperto aí, plantou, plantou o reflexo no CBQR.
Exatamente, plantei a sementinha e foi quando eles viram assim, né, falou: pô, esse moleque deve, pode ajudar a gente ali, tem uns cara machucado, a gente traz esse moleque para ajudar. Aí começou, mano, me dá um pouquinho, nem que era um pouquinho de tempo, tipo 5 minutos no jogo, mas eu entrava 5 minutos, velho, tava voando, tipo assim, pegava muito rebote ofensivo, os cara: cara, esse moleque é louco, velho. Como que ele consegue fazer isso em 5 minutos, mano?
Mas nesse meio tempo você já tinha ficado brother de alguém assim, jogador, de conversar, trocar ideia?
Ou tipo assim, ah, o cara é gringo, americano, americano é meio quieto, né, mano?
Então isso eu queria saber, no meu começo lá eu passei muita dificuldade por conta disso, que aqui no Brasil é todo mundo é muito parceiro, você vai pro jogo escutando caixinha de som, pega uma caixona de som da Philips lá e vai pro jogo escutando, dançando, tá ligado? Lá os cara vão na dele, lá não, cada um com seu fonezinho, aí os cara já pega o fonezinho Bota o fonezinho, cada um na sua, falando. Aí eu falei, cara, os cara não gosta de mim, velho. Ninguém fala comigo, os cara passa reto, ninguém gosta de mim. Nem dava bom dia, nada? Não, não, no time, isso não foi no time principal. No time principal os cara eram mais de boa, mas isso quando eu tava na segunda liga, porque lá, pô, todo mundo queria um contrato, tá todo mundo na mesma situação que eu tava, né, velho.
Todo mundo quer tomar meu lugar.
Exato, exato. E então era um, mesmo que era do mesmo time, velho, era tipo um querendo ganhar mais coisa assim. Bom, quero ser jogador, quero ter sucesso e tal. E quando eu fui para o time principal, já diminuiu mais. O Curry vinha, falava comigo. Pô, tem uma primeira vez que eu conheci, ele tava na banheira de gelo.
Conheceu o Curry?
É, eu tirei uma foto com ele antes assim, mas de conhecer, de conversar, trocar ideia mesmo assim, foi quando eu tinha me cagado na banheira de gelo.
Você tava na banheira de gelo? E ele entrou na banheira de gelo com você? Entrou.
Aí é grandona, né? Assim, é gigantesca.
Ele entrou lá, ele, a mulher é grande, pô.
Aí eu entrei, tava num canto assim, aí quando ele vir, ele chegando, mano, ele entrou na banheira de gelo. Aí eu comecei a passar um celular do lado pro outro assim, ó, não tava vendo nada, mas já tava nervoso, só fingindo que eu tava mexendo no celular. Aí ele começou: e aí, Gui, tudo bem? Como é que você tá? Aí eu falei: fudeu, não sei falar inglês mais, esqueci a porra toda, esqueci, esqueci. Cara, comecei a trocar ideia com ele lá, com o inglês meio quebrado. Ele perguntando do Brasil, como eu tinha vindo, da onde eu tinha vindo, como é que foi minha história. Tipo assim, muito gente boa, velho. O cara começou a falar de mim comigo assim como se, cara, eu fosse brother dele.
Porque agora você faz parte, né?
Exato. O que mais me deixou de cara que eu falei assim, é o Curry, né, velho, tudo que ele conquistou. Então ele nem deve dar moral.
É, então eu também achei isso.
Chegou ele, puxou o assunto, e ele ficava puxando assunto querendo me conhecer mais, querendo saber mais de mim e tudo mais. E foi aí que eu comecei, né, até uma trocação, né, de ideia, e com todos os caras lá. Mas quando eu comecei a ficar mais próximo, comecei a fazer amigos. Mas normalmente eu ficava mais com a molecada que tava subindo também, a molecada mais novo fica lá, os cachorro grande de um lado assim, né, os caras que são os mais fera. E a gente fica lá meio que de trás só. Não, não faço assim agora. Você quer que eu vou lá e pego rebote? Eu vou lá e pego e faço o que tem que fazer. Aí depois, né, eu parei naquele dos jogos lá que eu tinha feito, jogos bons. Os caras tinham gostado para caramba do meu resultado nessa temporada. Aí até Aí no final da temporada eu tava jogando, não tava jogando muito, mas eu tava jogando, sendo um cara importante pro time. Aí beleza, teve várias trocas, teve até um dia, igual eu tava te falando da troca, teve um jogo assim quando aconteceu a troca, né? As trocas tem até um período, tipo assim, até o dia, sei lá, 5 de fevereiro. Aí era tipo dia 4 de fevereiro, a gente ia jogar, faltando 30 minutos pro jogo, os cara mandaram 4 cara do nosso time pra pegar o Jimmy Butler. E faltava 30 minutos pro jogo começar, véi. Os cara tudo aquecendo. Aí o Steve chamou todo mundo na quadra, chamou e trouxe pro vestiário, tirou todos os repórteres que ficam dentro do vestiário. Aí a gente falou: "Alguém foi trocado." Deu cagada. Agora alguém vai zarpar.
"Será que sou eu, véi?" Alguém vai zarpar.
Nesse momento, a gente fica sabendo pelo agente, né? E ele liga pra gente antes da gente sair a notícia e tudo mais e fala: "Você foi trocado e tal, você tá indo amanhã, ou então hoje à noite você tá indo pra tal lugar." E cara, todo mundo tenso assim, ninguém queria. Aí tocava o celular de um, um olhava para o outro assim e olhava, e ficava olhando para o cara assim. Aí o cara: Oi mãe! Aí eu falo: não é ele. Aí começou, né, tocar o celular dos caras lá que foram trocados. E o time chamou esses 4 aí, cara, foi o Andrew Wiggins. Wiggins, cara, agora foi nessa troca. Lindy Waters, que é outro cara que tava lá.
É meio doidão, né, cara?
Ele é muito louco, ele é muito tranquilão, velho.
Mas na quadra, se eu cheguei num cara meio doido Você acha?
É, ele tem tipo assim as ideias dele lá dentro da quadra, craque de bola, faz as coisas assim que tem que ser feito. Mas você vai falar com ele, mano, tranquilasso, o cara assim de boa, bom jogador. Aí foi ele, Lindy Waters, Danny Schroeder, que é um cara da Alemanha, e o Kyle Anderson, que era um outro cara lá do time.
Foi tudo para Miami?
Não, um foi para Miami, não, dois foram para Miami, um foi para Utah, que era o time que a gente ia jogar. Ele foi trocado para o time que a gente ia jogar.
Já pegou o avião dos caras para ir para Miami.
Já foi trocado de vestiário assim. Vem com a gente, vem com a gente. Foi desse jeito, velho. E a gente entrou pro jogo. Imagina o clima no jogo. A gente tinha, sei lá, 12 caras pra jogar, de 12 tinha 8. Porque o Rui Quadros tinha ido embora.
Que bom, aí você agradeceu, né?
É, mais oportunidade, né? Tipo assim, quando acontece alguma coisa na NBA com alguém, é quando aparece oportunidade pra outro. E é assim não só na NBA, mas no futebol, em todos os esportes de coletivo é desse jeito. Aí beleza, acabou a temporada, né? Com time novo e tal, jogamos bem, perdemos nos playoffs pro Minnesota. E começou a próxima temporada, e aí o Steve não me botava para jogar no começo da temporada. Foi dessa temporada aqui, dessa última temporada aqui agora, ano passado. É, começou o banco, só esquentava banco no começo da temporada. Aí meu pai e minha mãe sempre vão para lá em novembro, no mais ou menos assim.
O técnico, a mãe foi lá, meteu o dedo na cara do filho.
O pai é pequeno, deu uma bufeta no técnico já.
Aí eles foram lá acompanhando assim de perto e viu a dificuldade, né, mano, do cara de manter a cabeça boa 'Não, você não tá jogando.' Ainda mais que na temporada passada eu tinha jogado bem, eu achava que eu merecia estar jogando e tudo mais, só que não tinha oportunidade ainda. E beleza, fui segurando a onda, né, tentando treinar, manter a cabeça boa. E foi quando aconteceu a fatalidade do Jimmy Butler, que se machucou, né, uma lesão grave. E um outro cara na minha posição foi trocado, foi mandado para outro time. E foi quando comecei a receber oportunidade. Que legal, cara! Eu comecei a receber oportunidade. E na hora certa eu comecei a jogar bem. Aí os cara falava: quem é esse moleque do Brasil que tá jogando bem?
Tipo assim, nunca vi muito ele, tava no time.
Aí tinha jogo que eu fazia 20 pontos, aí depois 15 pontos, aí depois mais 25 pontos, 22 pontos, 27 pontos, 31 pontos e não sei o quê. Aí eu cheguei até fazer um jogo, meu melhor jogo de maior pontuação foi essa temporada contra o Brooklyn Nets, que eu fiz 31 pontos. Caralho, velho! Pois é, o Curry não tava jogando esse jogo, ele tava machucado, e eu fiz mais ponto do time.
É 31, bastante ponto, velho.
É bastante ponto. E eu olhava assim para, né, para o telão lá em cima que fica a pontuação dos cara e tudo mais. Eu tava jogando tão bem assim que eu nem reparei, velho, que eu tava com muito ponto. Quando eu olhei para cima, eu falei, cara, tô com 25 pontos, velho. Já era minha maior marca, não tinha feito mais que 25 pontos. Aí chegou um cara do meu time, o Gary Payton, chegou assim, filho do Gary Payton, chegou para mim e falou assim, ô, pô, vamos fazer 30 pontos, mano. Quantos brasileiros já fez 30 pontos? Aí me deu esse pingo, falei: caraca, é verdade, velho, vou tentar fazer 30 pontos. Aí foi 27 pontos, 29 pontos. Aí recebi uma última bola, o Steve quer desenhar uma jogada para mim, eu tava livre embaixo da cesta, pum, peguei, fiz uma bolinha, 31 pontos. Ganhamos o jogo, isso que foi o melhor. E depois, mano, até na entrevista, tava dando entrevista, chega os cara com uma garrafinha de água, tá com água na sua cabeça.
Que legal desse jeito.
E fui pro vestiário, aí o Curry tava lá, e o Curry usa o número 30, né? Então a gente chama ele de 30 lá. A gente chama os caras às vezes pelo nome, pelo número, tá ligado? Tipo, o Draymond Green é o 23, a gente chama ele de 23, tá ligado? Aí os cara: caraca, Gui, aí sim, né? Hoje você tava igual o 30, você tava igual o Curry hoje, né? Aí o irmão dele também joga no time dele, no nosso time. O irmão dele usa o número 31. Aí eu tô no vestiário brincando, eu falei: não, tô igual o Curry não, tô igual esse Curry aqui, que é 31, não é 30. O irmão dele tá jogando no Golden Tá, tá, Steph Curry.
É, eu sei, 7, né? É, Steph Curry, eu tô ligado.
E aí, pô, mano, maior farra, os cara tudo falando bem para caramba de mim. No jogo seguinte eu joguei bem para caramba, eu fiz 27 pontos no jogo seguinte. Pô, tá foda, tava com moral lá em cima, velho, jogando bem, e os cara dando oportunidade. Eu falei, cara, é isso. E foi quando eu comecei a despontar mais agora, velho, nesse final de temporada.
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