O REPRESENTANTE BRASILEIRO NA NBA - GUI SANTOS - TICARACATICAST | EP 766

NBA player Gui Santos talks about his path to the league, his relationship with Brazilian volleyball player Julia Lawrence, and life in the NBA. He discusses private jets, the Oura ring for sleep tracking, and what it's like playing for the Golden State Warriors.
Chapters
Não, não, de forma e hipótese alguma, Bola.
Não sou, não, não sou, não sou.
Muito bem, estamos aqui no Ticaracati Cast hoje, um programa muito especial, hein, Bola?
Muito especial, com um cara fera, um programa internacional, gringo Paulino.
É isso aí, conheço desde bidido, desde bidido, quando dava autógrafo no shopping, menino ainda, uma promessa.
É mesmo, uma jovem promessa. Onde que chegou, hein?
Pois é, hoje o cara tá na elite, né, velho?
Tá no topzera, meu amigo.
É isso aí. Enquanto a gente não apresenta o convidado, que você não vai ver a cara dele enquanto a gente não quiser.
É verdade.
Caso só se o Bilu der um corte rápido assim, ó.
Isso, boa, Bilu. Já deu, já deu, já deu.
Você viu que ele já deu um jequitinho assim, ó, só um jequitinhozinho, vai. Só um jequiti.
Já deu um corte rápido.
Enquanto ele deu o jequiti, a gente pede para que você inscreva-se no canal, curta, compartilhe, ative o sininho, dê o like, chocolate.
Isso, ajuda nós aí neste canal e o canal de cortes também, tá?
Estamos indo a caminho dos 3 milhões, então a gente precisa que você inscreva-se no canal. Seja inscrito, vai ser importante. Você assiste e não se inscreve, também não curte, aí complica, né, Bola?
Não, ajuda nós, por favor, rapaziada.
Eu já vim aqui, já dei o like.
Dei o like, é importantíssimo.
Já dei aquele do you like maravilhoso.
Deu do you like, faça, ajuda nós. Exatamente. Torne-se membro. Muito que bem. Estamos no Spotify, estamos no Amazon Music, estamos em tudo que é plataforma. Exatamente. Certo, Carica?
Certíssimo. Temos também o nosso É para você ser membro, estamos no Spotify para você seguir. Boa, tá certo.
Vai lá no Spotify, segue lá no Spotify, vai lá no canal de cortes oficial.
Exatamente.
Ó, por favor, ajuda nós, tem um show aí, anota aí. Atenção, Carioca Botando Pira é imperdível, tá?
Santa Catarina, tá aí, Santa Catarina, Florianópolis e Joinville, agora em junho, tá bom? Dia 5 em Criciúma, dia 6 em Floripa, dia 7 em Joinville. No final de julho, Porto Alegre, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Em agosto, Campinas, tá bom?
Boa!
Então esperando vocês aí para o Botando Pilha.
Compra logo que esgota, tá? Tô avisando que eu sou amigo, sou amigo.
Corre, papai, tá bom? Tá bom.
Corre aí. Hoje também o patrocínio, né, carinho, da nossa querida Philippines, melhor do universo, aqui com a Boom Beach. Isso aí é um negócio espetacular.
É sensacional, maravilhoso. É a melhor caixinha para você. Não, vou dar um presente. Esse cara É gringo demais.
Você tá dando, você tá também, né? Não, mas é por abrir nas pernas. Não, você que manda aí.
Eu mando? Mando não. Eu cheguei a esse acordo com a Philips.
Então tá bom. Eu não cheguei em nada de acordo. Você chegou?
Ué, você não conversa com cliente?
Não.
Você viu lá no show que eu fiz? Então, você achou errado que eu fiz?
Não, pode fazer.
Você viu que a Ari fez assim?
Ele merece até muito mais lá no show.
É isso aí. Então, para o nosso querido Gui Santos, nós vamos presenteá-lo com uma BoomBeat da Felix pra você.
Que isso, hein? Aí, ó, você é louco, valeu!
Merece até mais, irmão.
O som dessa caixa, anota aí, Julinha, já fala com a Ari.
E agora um fone também.
Pronto, também para completar. Vamos montar completo demais.
Esse fonezinho é espetacular, irmão.
Tá bom?
Para você, esse fone é show de bola, cara.
Para você comprar, para você ouvir aí nas viagens que você vai para cima e para baixo, né?
Para cima e para baixo, moleque.
Como é que funciona, Gui Santos, que é o nosso querido homem da NBA brasileiro que joga na NBA, no Golden State Warriors.
Tá fraco, né?
O Gui Santos, como é que funciona essa situação de voo? Porque vocês jogam 70, 80 jogos, é isso?
82 jogos.
82 jogos! E praticamente 2 dias não, 1 dia sim.
Não, na verdade é assim, por exemplo, lá a gente joga dia sim, dia não, dia sim, dia sim. Dia não, dia sim. Então é mais fácil a gente ter um jogo seguido do outro do que um dia de folga. Caraca, é muito pesado, velho, é muito pesado.
Você tem que ter preparo físico, todo preparo físico, mais o processo de recuperação. Que hora que você treina, velho?
A gente não pode, quase não treina junto em equipe, a gente treina muito individual, pô. Tá, tipo assim, vai ter algum treino de equipe, é bem raro, é só de manhã antes do jogo. Ainda tem um jogo antes do jogo, é um treino antes do jogo, só que não é um treino pesado, né, mais andando pela jogada dos caras, mais estudando o adversário do que um treino em si, sabe? A gente passa por todas as jogadas que os caras fazem. E aí, pô, depois de noite já tem um jogo. Aí antes do jogo você tem que estar preparado, porque você malha, acaba o jogo, você malha, acaba o jogo, acaba o jogo, a gente vai malhar. Ainda tem um treino ainda, ainda tem academia, porque tipo assim, a gente não tem, a gente não tem período de recuperação, pô. Então, tipo assim, a gente Pouco tempo de recuperação, na verdade. Então a gente precisa malhar em algum momento para continuar forte, para continuar aguentando a pancada dos 80 jogos. E o único momento para fazer isso é depois do jogo, velho.
O único momento é pós-jogo.
Mas todo mundo, até os velhos?
Todo mundo, todo mundo.
E quanto tempo de treino, mais ou menos?
Cara, acaba o jogo, você bota aí uns 40 minutos, porque a gente faz várias coisas de, tipo assim, fortalecimento e prevenção de lesão quando acaba o jogo.
Esse tanto de jogo para se lesionar é dois palitos, velho.
Hoje em dia aumentou muito o número de lesão na NBA por conta da quantidade de jogos, né, que tem.
É muito jogo.
A gente tem que, porra, sabia que era assim, porra, sabe?
Fala com o pessoal lá, dá um toque na turma lá, irmão, porra, dá um toque lá em Newark, um jogo a menos, caralho.
Aonde a sede? Nova York, Nova York, é Nova York, né? Pô, dá um toque lá na galera, fala, porra, muito jogo, cara, muito jogo, liga lá pro carequinha, pro carequinha de óculos.
Você é nascido aonde, irmão?
Cara, eu sou nascido em Brasília, mas Brasília, isso, nascido, fui criado lá também, mas ao mesmo tempo eu fui criado em vários outros lugares porque meu pai jogador de basquete, pelo tamanho dele. Porra, meu pai chegou.
Seu pai é maior que você?
É 2,10.
Ele chegou, ele chegou do lado do filho.
Como é que é o nome do seu pai? Davidson. Davidson, porra, ele chegou no Silvê sentado no banco de trás, velho.
Meu Deus do céu, o pai é maior que o filho mesmo, cara.
É mais alto, mano.
Meu Jesus amado, jogador de basquete.
Eu tenho um irmão mais novo, 16 anos, que tá com 2,8 e tá jogando.
O que vocês comem de café da manhã?
Mano, muito bem, muito bem. Tá no Pinheiros agora. O que que a gente come de café?
Pô, pode ser dessa altura, caralho, mano.
DNA, mano, é DNA, né? Minha mãe também é alta, minha mãe tem 1,80 de altura. É, e beleza, hein?
Tem que fazer mais uns 3 filhos, irmão.
É, ó, todo mundo se acha de basquete. Seu pai jogou onde? Onde você jogou? Eu lembro de você de algum lugar.
Joguei em Franca, joguei em São José. É, jogou em Franca, São José.
Você jogou com quem, para eu ver se eu lembro?
Ah, foi com Márcio Dornelis, os cara das antigas. Márcio Dornelis, o Rogério, jogou com Elinho. Elinho também, o filho do Hélio Rubens.
Um abraço para o Elinho. Ele é meu amigo para caramba.
Então, vixe, jogou com essa pessoa.
Esse manja de basquete, hein? Ganha tudo também, né? Deixa nada para ninguém. Abraço para o Elinho. É, quer dizer que você tem um irmão?
Foi criado em um monte de lugar então.
Fui, porque meu pai jogava no Céu Onde. Isso me atrapalhava fazer amizade quando eu era moleque, tipo assim, porque você imagina, mora 6 meses num canto, depois vai 6 meses para outro lugar, aí depois você já vai para outro lugar, vai para Brasília, fica 2 meses.
Artista de circo, né? Que vai mudando.
Exatamente.
Mas assim, por exemplo, você jogava no Universo, aquele time lá, Brasília?
Jogou também.
Jogou no Universo?
O seu primeiro time? Universo.
Conheço o Wellington.
Eu conheço o Wellington. O Wellington é de São Gonçalo, porra. O Wellington Salgado, abraço pro Wellington Salgado. O Wellington, o dono do Universo.
Esse daí já é antigo pra mim, eu já não conheço não.
Foi senador assim, o Wellington. É, o Wellington Salgado, cabeludo, cabeludo, cabeludo, cabeleira. Mas porra, quer dizer então que porra, aí você ficava nessa, seu pai ia jogar pra Franca, você morava em Franca.
Morava em Franca. Aí ele ia para Araraquara, que jogou em Araraquara também. Eu morava em Araraquara. Aí depois, entre, né, os períodos de jogo, um jogo e o outro, uma temporada e a outra, eu voltava para Brasília, que é a nossa terra natal, tanto do meu pai quanto da minha mãe também, todo mundo da minha família de lá. Aí a gente ficava um pouco em Brasília também. Então era muito difícil eu ter amigo assim de, tá ligado, de longa data, amigo de infância e tudo mais.
Eu tenho um, o outro, de não parar, pô.
Perdi o contato fácil com os moleques e era desse jeito.
E teu pai, tipo, desculpa, Bola, e teu pai, por ser jogador, você também obviamente nesse ambiente de quadra desde pequeno, ele já dava os paranauê assim para você? Passava as fita, falava assim, filho, vai lá?
Foi uma coisa natural ou teve uma obrigação de jogar basquete?
Isso que eu gosto, velho, porque tipo assim, meu pai e minha mãe nunca botaram pressão nenhuma em mim de jogar, tipo assim, você tem que ser jogador, não é isso.
Bom dia, vai para quadra, filha da puta!
Não, não, não. Ó, papai construiu uma quadra no quintal, vai lá, vai lá.
"Vai treinar, caralho." Lá não era assim não, velho. Com eles era tipo assim, era como se fosse assim, pô, vou pro trabalho do meu pai. Aí meu pai me levava pros treinos dele, eu ia lá, ele ficava fazendo os treinos dele, eu ficava lá embaixo da cesta pegando rebote, passando a bola de volta pra ele. Tomava uns esporros dele, "passa a bola direito, moleque". Mas foi bem natural, pô. E tem até várias histórias que eu conto, que, pô, quando meu pai tava na quadra jogando, aí ele tava no ataque, aí eu ficava com a bola de basquete do lado da quadra, driblando a bola. No ataque. Aí meu pai voltava para defesa, aí soltava a bola e corria do lado de fora da quadra para defesa. E nisso ficava minha mãe correndo atrás de mim, atrás do molequinho, perturbando todo mundo lá na arquibancada.
Que legal, bicho!
Então sempre foi a tua vida?
Minha vida. Os dois jogavam basquete, se conheceram jogando basquete. Então eu posso falar que eu vim do basquete, né, mano? Literalmente, não fosse o basquete, não teria nem nascido.
Que loucura, né?
Qual foi teu primeiro clube, irmão, que você entrou para jogar basquete mesmo?
Cara, eu comecei a jogar em São José dos Campos.
São José dos Campos, bonito aquele ginásio, hein?
É legal, é legal. Só que quando ele jogava no Lineu de Moura, era um ginásiozinho menor, mas o novo é bonito, né? É grandão, o novo é grandão. E quando ele jogava no Lineu de Moura, até era lá que tem essas histórias de eu ficar correndo de um lado para o outro. E pô, foi, foi bem da hora assim esse começo assim, eu acompanhando meu pai. Quando, quando eu quis ser jogador mesmo, que eu falei, cara, eu quero ser jogador, é quando teve um jogo lá que tava todo mundo gritando o nome do meu pai assim, é Davidson! Aí eu falei, caraca, eu quero que o pessoal grita meu nome assim também daqui um tempo. Aí foi aí que eu comecei a falar assim, não, quero ser jogador mesmo, quero ser jogador. E depois de São José, meu pai parou de jogar e ele voltou para Brasília. Tá. Aí a gente tava morando em Brasília, eu joguei em algumas escolinhas lá em Brasília, cheguei a jogar no Ceúbe, que é um, ganhou muita coisa, né, na história do basquete assim. Na época ainda não tava no auge igual era. Quando eu fui jogar lá na base ainda. E com 14, com 15 anos, foi quando eu saí de casa. Saí de casa com 15 anos para morar em Belo Horizonte, para jogar no clube lá sozinho. Caraca, um lá de BH que tinha lá. E cara, assim que eu saí de casa, acho que foi a maior dificuldade, velho.
15 anos, pô, moleque, velho.
Aí morou no ginásio.
Moro dentro do carro.
Não, mora no arquibancada, né? Não tem jeito, faz as casinhas ali debaixo da arquibancada.
Morava numa república lá do lado do clube e ficava, ficava morando lá com 10 moleques. Só que, cara, era uma resenha, uma resenha da porra, velho. Imagina, 10 moleques, PlayStation a rodo. Nossa, era, velho, era.
Puta que pariu!
Nossa, resenha disso daí era, cara, tem vídeo nosso assim, a gente era perturbado, velho. Tem vídeo nosso fazendo cada coisa assim, tipo, até engraçado. A gente pegava, botava todo mundo dentro quarto, velho. E os cara tacava bombinha dentro do quarto por causa dos cara, cheio de coisa assim. Aí tem, pegava o moleque, aí aconteceu comigo isso também, botava os cara dentro do quarto assim e rodava bombrio, vai pegando fogo.
Aí isso aí, porra, dentro do quarto, porra, dentro do quarto é complicado, porra.
Isso aí é uma brincadeira muito de saudade, muito saudade.
Minha mãe, minha mãe falava assim: cadê o bombrio aqui de casa?
A gente só assim, ó. Pô, brincar de bombrio era muito bom, porra, na rua, não dentro de um quarto.
6 de cama, as coisas para pegar fogo.
Vocês são muito louco, mano.
A gente já sobreviveu isso, mano.
O molequeado é louco, entendeu, bicho?
Mas aí você é de Minas, jogou quanto tempo lá?
Cara, joguei 4 anos lá.
4 anos?
4 anos. Morei 4 anos.
Cidade massa, hein, BH.
Eu gosto demais.
Só que tem um problema para você, né?
O quê?
A cidade de bar, né? Lá é muito barzinho. Como atleta não pode ir para bar?
Não, não pode nem dar de tempo. Nem idade eu tinha para ir para Bahia. Tem, tem. Hoje eu tô com 23 anos. Aí hoje já tá quase certo, já consegue.
Mas até nos Estados Unidos você pode, já tá legal lá também.
É, mas pô, e em BH, quando eu morava lá, eu tinha uma bikezinha, eu ia treinar de bike, né, cara. Acabava o treino cansado, cansado. Você lembra dos morros de BH?
Vocês estão ligados? Tem umas puta pirâmide, você sabe o que eu tô falando.
Você tinha que ver, velho.
Acabava o treino, eu morto de cansado, pegava a bike e subia as pirâmides.
É muita pirâmide, muita pirâmide.
E aí chegava em casa, era o meu outro treino, né? Aí depois tinha que voltar para o treino da tarde. A gente treinava de manhã, depois treinava à tarde, e eu ia para escola de manhã ainda também. Então era correria, velho, era correria, cansativo, cansativo.
Foi legal de carro subir a pirâmide, já ia cansado.
Já tem um preparo físico Porque eu acho que o basquetebol é um dos esportes que exige mais condicionamento do cara.
Mas exige bastante, irmão.
Tu já viu que perde a bola, corre pra cá, corre pra lá, corre pra cá, corre pra lá, pula pra caramba, pula assim de vez.
Deve sofrer, hein, cara.
E o joelho do cara de 20 anos, você vai falar, acho que eu tenho 40 anos de idade, pô.
E ombro, então, no zelo.
Não, eu acho que eu O que o cara do São Paulo também se machucou, isso é terrível. Calcanhar de Aquiles lá, o tendão de Aquiles.
De basquete?
É, por causa da—
bicho, é muito, tem muita lesão assim no basquete.
Porque tendão de Aquiles é terrível, né, cara?
Isso é pesado, tem várias assim de, né, que afastam o jogador muito tempo, mas justamente por conta, igual a gente tava falando, daquela questão dos jogos, são muitos jogos. Que gastam muito físico do cara, deixa o cara muito cansado, pô. E isso daí acaba gerando lesões e dificultando um pouco, né?
É porque não dá tempo do corpo recuperar, né?
Não dá, não dá.
E você faz aquele lance de sair do jogo já no gelo?
Já, já. Tudo é quase obrigatório lá.
É obrigatório?
Não, eles não, eles falam assim, cara, faz. Mas se o cara não quiser, o cara não faz.
Mas você faz?
Eu faço porque eu tenho Dói, velho. Nossa, muitas vezes eu sempre tenho chamada de vídeo, né, com os meus pais. Eu tenho todo, eu tô falando com eles, aí eu vou, ligo para eles para entrar na banheira de gelo, enrola, velho, enrola, enrola, enrola. Aí primeiro eu entro na banheira de água quente, que lá a estrutura, cara, é absurda, velho, é absurdo. É tipo assim, você vai não só na NBA, cara, mas você vai num colégio de high school, ensino médio lá, os cara tem estrutura que o basquete brasileiro aqui não tem, velho, que o profissional aqui não tem. É absurdo. Que coisa, cara. Então tipo assim, é difícil de você querer comparar, né? Tipo, é, não dá. Como é que vai bater de frente com os caras, que os caras têm isso desde moleque, desde pequenininho. Eles, tanto é que quando eles não têm isso, eles falam: como assim vocês não tem?
Não é só do basquete não, é no futebol, no beisebol, qualquer coisa. Eu ia buscar de vez em quando o filho do César no colégio lá, os cara com campo de futebol americano, uma puta arquibancada, é o caralho.
É, lá o esporte é muito levado a sério, eles gostam do esporte, né?
O cara ganha bolso, o cara não paga, o cara O cara tem muita vantagem se o cara for bom no esporte.
Com certeza, com certeza. Isso é o rolê.
Aqui você tem que se matar pra treinar e que se lasque.
Desculpa aqui, vou fazer o desabafo, mas é triste ver a NBB.
Quem fez um desabafo foi o Sal esses dias.
Eu vi.
Que ninguém dá notícia do basquete, ninguém fala nada, ninguém dá atenção.
Parece que tem um apoio federal, né, a Caixa Econômica acho que meio que banca, né, Samy? Tô falando merda? A Caixa que banca. Se não tivesse Caixa, não teria basquete. É isso, mais ou menos por aí? É governamental, né? Se não fosse o governo para ajudar o basquete brasileiro, pô, quer dizer, desculpa o termo, mas é uma vergonha ter que um subsídio governamental, né? E os jogos assim, pô, poderia ter mais gente. O São Paulo parece que desativou a estrutura, né? Eu de vez em quando nem assisti um joguinho de São Paulo com meu filho, que gosta muito de basquete, e ela parece que fecharam o time de São Paulo. Corinthians também fechou.
Então assim, não deve ter, não deve ter.
Sim, mas aí é o público, né, velho? E são bons jogos, cara, são jogos muito legais.
E é importante, né, mano? Tipo assim, porque futebol é muito grande no Brasil e você ter times de futebol dentro de outros esportes é um incentivo muito grande, né? No caso do basquete, o time do São Paulo, pô, e a torcida. Eu já joguei contra São Paulo diversas vezes quando eu tava no Brasil aqui. O São Paulo O São Paulo era o time, tipo assim, topzera.
E enchia lá o ginásio.
Enchia demais, pô. Os cara levava bandeirão pra dentro da quadra.
Antes é futebol, depois é o vôlei.
O vôlei, claro.
Aí eu acho que o basquete entra depois do vôlei.
Terceiro.
É, acredito, acredito.
E hoje em dia...
O vôlei de areia no Brasil também é forte. Vôlei de areia é muito forte no Brasil.
É verdade.
O vôlei é forte, né? O futebol e vôlei são os fortes, assim.
São os mais fortes.
Acho que é porque o Brasil ganhou mais, entendeu? É, e tem, Brasil tem muito isso, né? Tipo, agora o tênis tá na moda, por quê? Porque tem o João Fonseca, porra. E que tomara que você inspire também, né, mais gente a jogar. Claro, cara, claro, pelo amor de Deus. A gente precisa que o basquete seja mais divulgado.
O Vitor falou bonito, ele falou bonito. É, ele divulga, ninguém fala nada, ninguém dá uma notícia. Pô, tem que dar, cara, tem que dar pro esporte nacional, velho.
Eu concordo, pô, é igual eu tava falando com vocês, a questão da estrutura. Chega as Olimpíadas, aí muita gente, não só no basquete, pô, fala no esporte em geral, chega as Olimpíadas, aí a gente às vezes, ah, o Brasil não conquista medalha de ouro, o Brasil não sei o quê, mas pô, com que estrutura? Que jeito, é. Tem um cara lá de Brasília também, o Caio Bonfim, pô, eu conheço ele, eu já vi a estrutura que ele usa pra treinar, pô. Você fala, velho, como é que esse cara vai competir com os outros caras? Tá ligado que ele faz a marcha atlética?
Então é, você fala, não tem como, velho, os caras sempre falou lá nos Estados Unidos desde moleque, moleque já tem uma puta estrutura.
É, mas aí o cara chega, ainda ganha do Brasil, ainda vai, alcança coisa grande, ele ganhou medalha de prata nas últimas Olimpíadas.
Você viu que ele se esforça.
É, mas assim, não adianta também, a gente fala sobre estrutura, você não tem público. Por exemplo, por que que o Franca é muito forte no basquete? Porque aquela porra lota toda vez.
É uma cidade rica.
O povo abraça, o povo de Franca É basquete.
Meu pai jogou lá em Franca também, então eu vi, velho.
Eles são loucos, é igual o Osasco com o vôlei. É um time de vôlei feminino tradicional, você vai num jogo de vôlei do Osasco feminino ali, tá lotado. Quer dizer, tem renda, tem patrocínio. Por quê? Porque tem giro. Então o que falta, por exemplo, tem assistido alguns jogos da NBB, pô, ginásio não tava— é o que você falou, não tão fomentando, né, o esporte.
Então é um trabalho de de divulgação, de promoção, tem que aparecer, tem que dar gás.
Tem uma história muito boa, não sei se o Sami sabe dessa, Sami tá aqui, ele é meu amigo há muito tempo, é a história do Mundial de Basquete. Essa história é muito boa e tem muito a ver com o que o Victor Sarro falou. Tava rolando o Mundial Feminino de Basquete aqui no Ibirapuera, faz uns 15 anos mais ou menos, de basquete feminino mundial, mundial. Mundial aqui no Ibirapuera, no Ginásio Ibirapuera em São Paulo, e parece que tava meio flopado. Aí a Globo comprou os direitos de transmissão desse Mundial e flopou. A Globo, cara, acho que era dona, comprou, pagou e tal, patrocínio, ligou para o Galvão Bueno. Olha que loucura! Falou: meu, acho que o Galvão morava em Monaco, não sei o quê. Bicho, tu vai ter que vir para cá urgente fazer o basquete. 'Não, fazer o basquete, tá flopado.' Galvão veio, aí no segundo jogo o Galvão já fez: 'Vem para cá, torcedor brasileiro, é o Brasil, que não sei o quê, tá, tá, tá, tá, tá, tá.' No terceiro jogo não tinha nem ingresso, nego, para fora. Você vê a força do cara, é influência dentro do esporte, né? Para você ver como é que se não tem uma boa promoção— você sabe dessa história, Rô? Faz 20 anos. É isso aí. Eu sei porque uma amiga minha trabalhava lá e ela me contou essa história.
Falou: 'Cara, o Galvão mudou a porra Mundial, putz, esporte emocionante, não é um esporte parado, é um esporte emocionante. Eu acho que você torce pra cá, quando você gosta você torce.
Pra mim, né, óbvio, eu sou jogador de basquete, mas pra mim é um esporte mais legal que tem, velho, porque é muito intenso, velho, muito intenso, é muito dinâmico. Tipo assim, futebol também é um esporte muito emocionante, né, tem, velho, mas é diferente. Só que o basquete até o último segundo, cara, às vezes o time tá empatado, vai zerando, o cara arremessa, o 0 a 0, a bola tá no ar.
Puta, é muito foda isso, cara.
Então é por isso que a gente, igual vocês estão falando aí, eu acho que a questão do desenvolvimento do basquete no Brasil é uma coisa que tem que ser muito, muito bem tratada, porque a gente tem talento aqui, velho. Tipo assim, hoje eu sou o único brasileiro, o único cara sul-americano lá na NBA.
É o único sul-americano?
É, não tem mais ninguém da América do Sul lá.
E a Argentina tinha os cara, né?
Tinha, tinha os cara. Os que tava lá. E tipo assim, mas a gente tem muito moleque bom, velho, muito moleque que deveria estar lá, muito moleque deveria ter oportunidade de estar lá.
Mas você não pode, por exemplo, Gui Santos, que já conhece o caminho das pedras, ajudar? É, não é, digo ajudar porque ajudar é uma palavra muito— ajudar não, é guiar, guiar no sentido de o caminho para o cara realmente é muito bom e tem futuro, cara, faz isso aqui, faz aquilo ali, faz isso aqui, vem ali, abrir portas para esses caras chegarem também, né?
Cara, com certeza. Isso é uma coisa, não começou comigo, começou com o pessoal de bem antes assim, o pessoal que tava na NBA há muito tempo. Por exemplo, um cara que me ajudou muito foi o Anderson Varejão. Varejão, maravilhoso, me ajudou para caramba porque ele conversou comigo antes de eu entrar na NBA e falou assim: Gui, ó, você vai entrar na NBA, entrar na NBA é fácil, entre aspas, né, muito fácil. Agora o difícil mesmo é se manter na NBA. NBA, que, cara, que são, imagina, são 450 jogadores em todos os times da NBA, e todo ano entra 60 novos moleques.
Então 60 vão ter que ir embora.
Então bastante cara vai ter que ir embora para esses moleques ficarem. Então para você se manter lá, uma concorrência muito grande todo ano, você tem que se provar, se provar, se provar. Você passa por altos e baixos. Inclusive eu tenho uma série, é uma, um documentário que eu fiz junto com a NBA Brasil mostrando como foi essa minha última temporada. Onde tá isso? Tá no YouTube. YouTube da NBA Brasil.
Qualquer um pode assistir aqui, passa o link, porque aí a gente põe o link nesse episódio para galera assistir.
É, e são vários episódios que mostra exatamente, tipo assim, no começo dessa temporada não tava jogando muito, eu tava banco, não entrava para nada, não entrava no final do jogo, jogo ganha ou jogo perdido. E cara, mas eu continuei trabalhando, continuei fazendo as coisas certas, continuei com a cabeça boa. Apareceu minha oportunidade, porque igual a gente falou, 82 jogos acontecem lesões, acontecem trocas. Foi o Jimmy Butler. Jimmy Butler, ele se lesionou. Aí tinha outro cara que era da minha posição, o Jonathan Kuminga, que foi trocado. Que na NBA tem muito isso de tipo assim, não sei se vocês sabem, mas eu tô jogando num time, amanhã chega um outro cara, o cara pega e fala assim: mano, hoje você tá indo jogar lá pro— eu tô em San Francisco, você vai jogar lá, por exemplo, você vai pro Lakers, cara, você vai querendo ou não, você querendo ou não, foda-se.
É isso, bacana.
E é diferente do futebol, né, que o cara, ah, não, vou ver se eu quero ir, quanto que eu vou receber. Não, lá não, é só, não, eu quero esse moleque aqui, eu te mando esse daqui, você me dá esse daí. E aí, assim, dois, você me manda um, o que importa é o valor, né, do dinheiro ser igual. E pô, quando eu cheguei com essa, essa minha série retrata muito isso, velho, esses altos e baixos de cabeça ruim, velho, tava mal assim, porra, não tô jogando, não tem o que que eu tenho que fazer, que que eu tenho que mudar. Steve Kerr, né, que é o meu técnico É uma lenda do basquete nos dias atuais e nos dias, né, no tempo mais antigo.
Nos áureos tempos de Michael Jordan, Chicago Bulls.
Exatamente. E ele, pô, ele foi um cara que me ajudou muito, que ele chegou para mim quando eu tava sem jogar, eu perguntei para ele assim: coach, o que que eu tenho que fazer para eu começar a jogar mais? O que que eu tenho que mudar no meu jogo para ter mais chance, mais oportunidade? Ele falou assim: Gui, não precisa fazer nada, só faz tudo que você tá fazendo, sua oportunidade vai aparecer, a temporada é muito longa. Ele ficou 15 anos como jogador na NBA. E desses 15 anos, se eu não me engano, tipo só 6 ou 7 anos que ele ficou sendo jogador, tipo de jogar todos os jogos. O resto ele era mais reserva, tipo assim. Aí ele falou, Gui Santos, metade ele só era reserva, mal entrava. E ele fez comigo, então, Gui, relaxa que é assim que é NBA e tudo mais, só continua trabalhando e sendo profissional que seu momento vai chegar. Que legal. Aí aconteceu a lesão do Jimmy Butler, tá ligado no Jimmy Butler?
Joga muito, hein. Mas também tá mais velho, né? Quantos anos tá o Jimmy Butler hoje?
Acho que deve estar com uns 36, 37.
Jimmy Butler é casca já, mais coroa.
Joga demais.
Aí ele se machucou. Qual foi a lesão dele, cara?
Ele rompeu o LCA. Aí é 9 meses, ligamento cruzado anterior, 9 meses parado. E cara, aí apareceu oportunidade para mim. Aí eu comecei a jogar mais tempo e o coach tava confiando em mim. Quando eu fui ver, velho, tinha jogo que ele tava fazendo 20 e poucos pontos. Aí teve jogo que eu fiz 30 pontos, teve jogo que eu fiz 27 pontos.
Joga muito.
Só que tá Miami, ele tava no Golden. É, agora é mais antiga. Pô, ele botou pra final esse maluco aí sozinho, fazer 40, 50 pontos. Esse cara é brabo.
E aprendendo a jogar com ele, não tem como, né, velho? E aprendendo a jogar com ele, o Stephen também.
Esse daí não tem como não conhecer.
Jogar com o Curry, cara, absurdo. Você tá lá junto com o cara, você viu como profissional.
5 anos em BH.
Ah, é verdade.
De BH que é ruim, né? Mulherada feia, coisa horrorosa. Imagina o menino que ele afinou lápis lá. Para que pariu, bicho!
Aí tu ficou muito tempo em BH, não?
5 anos.
Eu fiquei 4 anos em BH, que eu fiquei, né, dos 15 aos 19 lá.
Jogar.
E aí eu comecei a jogar muito bem no NBB, comecei a me destacar. O time no Minas, Minas, isso. Aí o pessoal me viu lá da NBA, né, me viu, os olheiros estavam acompanhando lá o meu processo de jogar e tudo mais, gostaram de mim. E aí é quando aparece a oportunidade de você inscrever seu nome no draft, que é o draft, é como se fosse assim, são igual, lembra, você senta moleques que são escolhidos pelos times da NBA, se inscreve, passa por todo o processo, que é tipo assim, você vai treinar com— eu no meu caso treinei com 18 times da NBA em 30 dias. Então ia viajar, vai para um lado, para o outro, e treinando cansado, porque eles não vinham muito para cá, né, tipo, para assistir os jogos do NBB e tudo mais, porque não tem, não tinha tanta visibilidade, né, para os moleques daqui.
Sem visibilidade, sem apoio, Pô, difícil vir alguém aqui, vai, vou ver um jogador brasileiro, que tava jogando bem no basquete do Brasil. Eles então amassou alguém, já cantou, tem um moleque bom lá, vai ver.
Exatamente, meu agente, né, meu agente faz um, fez um trabalho incrível assim comigo, Ailton, tava, tava me fazendo propaganda de mim para os caras lá, para os caras.
Tem um garoto lá no Brasil que vai estourar, vem ver, vem ver. Aí foi quando eu fui para o draft, entrei no draft. Que ano foi isso, esse draft?
2022.
Você chegou a fazer aquele Summer League?
Summer League é depois do draft.
Você chegou a fazer Summer League? Eu acho que eu assisti com meu filho. Meu filho meio que tava stalkeando na época.
O Nico, né? É o Nico, tava stalkeando.
Aí ele: pai, vamos ver o jogo. Caralho, Gui Santos jogou muito nesse jogo. A gente ficava vendo uns joguinhos, porque é meio antes da temporada, né?
Isso, é antes da temporada. É quando eles testam os garotos que eles escolheram para botar, para jogar entre eles assim, entre as estrelas principais dos times. E aí eu tava nessa, nesse, no draft, né, passei por todo o processo do draft. Eu tava até contando ontem, né, como é que foi esse processo, cara. Tipo, eu tinha muitas coisas contratuais com, né, com o meu antigo clube antes de ir para NBA. E nesse processo os caras queriam tipo como se fosse uma remuneração, tá ligado, que acontece no futebol dos caras, tipo, não, tem que me pagar. Você imagina, na NBA, um molequinho do Brasil, os cara vão olhar para o molequinho do Brasil, fala assim: pô, eu não vou pagar esse tanto de dinheiro, tá bom demais, eu não vou pagar esse tanto de dinheiro para ver se talvez esse moleque vai dar certo. Então acabou que tipo faltava um pouquinho para o draft começar e eu não tinha a carta de liberação ainda, velho, para participar. E já tinha time falando que queria me escolher e tudo mais, só que eu não tinha essa carta. Carta. E cara, aí foi quando eles até pararam de falar com meu agente: não, a gente quer saber da carta só se tiver a remuneração para a gente liberar e tudo mais. Aí foi quando minha mãe, e minha mãe entrou em jogo assim, velho.
Minha mãe pagou a remuneração, nada, tá bem, tá bom, patrocinou, né?
Merda, porra, cara, deixa o cara, meu, libera o moleque. É claro, é, eu era mais um. Aí o Minas liberou você?
Só que aí não, minha mãe ligou para o diretor do Minas, conversou lá com eles e falou assim: cara, o que que tiver que pôr como garantia aí, eu boto minha casa, boto meu carro, sei lá, o terreno que eu tenho ali, isso e aquilo. É isso que ela queria, entendeu? Porque tipo assim, igual ela falou, para NBA eu era só mais um garoto, mas a NBA para mim, essa é a minha mudança de vida, velho, o que mudou minha vida. E ela ligou aí, conversou com os caras, e com isso os caras me liberaram. Eles me liberaram para participar do draft, me deram a carta, não me liberaram assim do contrato, ainda tava preso ao contrato, mas me deram a carta de liberação. Eu fui participar levar. E nessa noite do draft foi uma coisa emocionante, foi no dia do meu aniversário.
Olha, caralho, de quantos anos?
Eu tava fazendo 20 anos, tava continuando para 20, fiz 20 anos no dia do draft. Aí acordamos cedo, meu pai e minha mãe já acordou tomando café da manhã. Eles falaram que foram comer um pão com ovo, tomar café. O pão não descia, velho, de tão nervoso que eles estavam, ansioso, querendo chorar. Eles falou assim, cara, não dá para ficar aqui, vamos pegar bicicleta. Eles gostam muito de pedalar, vamos pegar bicicleta, vamos esfriar a cabeça, vamos esfriar a cabeça, vamos para algum lugar Relaxar, porque pelo amor de Deus, não dá para ficar dentro dessa casa aqui.
Eu tava vendo draft da NFL, pô, é muito foda, é difícil.
Escolhe, putz, os cara fazem uma puta festa.
Mas aí acordou de manhã, comeu pão com ovo, foi pedalar.
E é, aí era do meu aniversário, eles estavam no Brasil, em Brasília, e eu tava em Miami, lá na casa do meu agente, ficando lá junto com ele. E cara, você tem noção, meu agente, ele até falou assim, pegou um outro apartamento que tava eu e mais algum outros moleques que estavam treinando junto comigo do Brasil também e botou a gente na casa. E como era meu aniversário, eu peguei, fui para praia, fui tentar esvaziar minha cabeça porque eu também tava milhão, tipo assim, cara, meu Deus, é minha chance de jogar, de mudar a vida da minha família, de começar a fazer mais dinheiro e tudo mais. E jogar na NBA, né, velho, visibilidade bizarra, global, né, velho.
Só uma pergunta antes para você continuar: para ter a escolha do draft, você teve que jogar alguns jogos ali antes ou não, para poder eles olharem você ali?
Como é que é? E a gente chama de Draft Workout, que é lá quando a gente vai treinar com os times da NBA. Então eu viajava, fui no Boston, em Boston treinar com o time do Boston. Aí eles levam tipo 6 garotos, eu e mais 5. Aí a gente faz um monte de exercício, de coisa que tem que fazer lá para mostrar para eles, de avaliação, exatamente. E depois disso bota para jogar 3 contra 3. Aí é você, mano, contra os cara, contra os gringo que tava tudo na faculdade, não sei o quê. Vindo para cima e mostrando para os cara que, pô, aquele menino brasileiro lá, Magrelinho, é bom, hein, velho. Dá para brincar, dá para treinar ele.
Quantos, quantos times?
18 times.
Você fez exatamente, você ficou quantos dias lá para fazer isso?
Não, um mês. Eu fiquei viajando direto assim, era tipo dia sim, dia não, dia sim, dia não, dia sim, dia sim.
E você e seu agente rodando tudo?
É, eu tava sozinho, né, meu agente tava sempre organizando e tipo assim, ah, você vai para cá agora, para lá e tal, e fazendo esse trabalho, né, de organizar para onde eu ia. Eu viajando sozinho.
Mas isso é bancado por vocês ou pelos clubes?
Não, pelos clubes. Os clubes mandam as passagens, hotel, alimentação. Que bom, pelo menos ainda te dão uma diária, ajuda de custo, ajuda de custo, é para você, vale refeição. Isso. E para mim, por sair do Brasil, tava recebendo essa ajuda de custo.
Comi as coisas mais baratinhas que tinha para guardar, o resto Enfim, aí você fez 18 clubes, aí teve o draft.
Aí teve o draft, aí que eu tava falando para vocês tudo, né, minha mãe, meu pai lá ansioso.
Mas você viu ao vivo ou não? Você ficou sabendo depois que eu fui escolhido?
Foi, eu vi ao vivo. Só que tem mó altos e baixos nessa história aí, porque eu tava, antes de começar o draft, receber uma carta e falou, pronto, agora a gente pode negociar com os times. Começamos isso, já era 8 horas da noite, o draft começava sei lá, 10, 11 horas. E eu tava 8 horas da noite, foi quando eu recebi a liberação para começar a conversar com os times. Então o cara do Brasil recebeu a declaração muito em cima, é complicado dos caras pegarem e pular na bala do cara, escolher o cara. E foi isso que, né, aconteceu. Eu tava previsto para ser escolhido mais ou menos entre a pick 30 e a 40, tá? Só que como não tinha essa garantia, falou: não, deixa, eu vou pegar esse outro aqui. E foi, começou, começou o draft, né? A gente, eu tava assistindo pela TV, normalmente o pessoal veste terninho, vai para lá e tudo mais. Só que como eu não tinha certeza que eu ia ser escolhido, exato, eu não fui para lá, eu fiquei em Miami para assistir pela TV mesmo, para ver, né, como é O que vieram. E começou escolher, escolher, escolher, escolher, escolher, escolher, nada, velho, nada de me chamar. Aí chegou na pique 40, que era pique mais ou menos que eu ia ser escolhido, e nada. Aí a gente sempre fica esperando o telefonema, né, do meu agente, para tipo assim, que é quando ele liga e fala: "Ó, Gui, vai lá que daqui a pouco não sei que time vai te escolher na pique tal, assiste aí na TV para você ver." Aí o telefone tocou, eu falei: "Ah, vamos escolher." Alguém, é, alguém vai me escolher. Aí eu atendi, já falei tipo assim: "Vou ver quem é que vai escolher." Aí ele virou e falou assim: "Ô Gui Santos, nenhum time vai te escolher. Eu conversei com times aqui, você não vai ser escolhido, mas pô, não fica triste, não é a única forma de entrar na NBA. Você pode entrar pela Summer League, que é aquele campeonato. Você pode entrar por só apresentar um basquete bom nessa Summer League, você pode achar um contrato em algum outro lugar." Pô, mano, isso para mim foi uma, um balde de água fria, velho. Quando eu recebi essa notícia, eu tava, eu tava Tipo assim, sentado, eu lembro até hoje, tava sentado no banco mais alto assim, cara, eu inclinei para frente assim. Os moleques que tava comigo na casa viram a ligação, todo mundo ficou mó climazão na casa. Aí eu comecei a chorar, né, velho? É um sonho de moleque meu, não consegui realizar de ser, né, ir para NBA. Era isso que tava na minha cabeça. Aí eu sentei no chão, sentei no banquinho, comecei a chorar. Depois o meu agente que tava na minha casa lá junto comigo, um outro agente, o Arlen, veio conversar comigo, me explicar, né? Falou: não, que fica tranquilo, vai dar tudo certo, a gente vai achar outra forma de você alcançar seu sonho. Aí beleza, fui dormir, fui dormir. E nesse que eu fui dormir, eu sempre fui falando muito com meu pai, com minha mãe. Aí liguei para meu pai, para minha mãe, foi assim: pô, mãe, não vai rolar, eu não vou ser escolhido, velho, eu não vou. Os caras, ninguém deu com garantia, acho que agora a gente vai ter que ver a Summer League, que que vai dar. Aí minha mãe, ela fala que foi a única vez que ela Ela ficou sem saber o que falava para mim, ela tava sem palavras para me consolar.
A situação, né, meu.
Aí nesse meio tempo aí, velho, que, né, eu liguei para eles e falei isso, aí meu pai, meu pai, minha família toda muito religiosa, meu pai pegou o terço dele e começou só agradecer, falar tipo assim, pô, a chance que meu filho tá tendo de poder chegar perto, né, sonhar com NBA. Para ele tinha jogado profissionalmente no Brasil, mas tipo assim, chegar na NBA é É a meca, né? É outra coisa, entendeu? E ele só, pô, agradecendo mesmo, pô, obrigado pela oportunidade que tá dando pelo meu filho e tal. Acho que, cara, foi o tempo dele terminar, é, né, de agradecer lá, de fazer oração dele, que, cara, meu agente me liga. Isso eu já tava indo dormir, deitar na cama, tudo escuro. Meu agente me liga: a gente é brasileiro, Gui, vai para frente da televisão, pô, o Golden State vai te selecionar na PIC 55. Mano, logo, logo, chorando, triste, pra do nada começar a chorar de alegria. Aí foi quando eu liguei para minha mãe, liguei para o meu pai, aí ele tá tudo triste. Eu falei: mãe, eu vou ser selecionado, velho, me escolheram e tal, 55, Golden State. Aí tem até a chamada de vídeo assim. Aí eu comecei a chorar, minha mãe começou a chorar também, todo mundo, meu pai chorando, todo mundo emocionado sem entender o que que tava acontecendo, porque "Mano, agora eu tava dentro da NBA, agora é tipo assim, mano, você é parte agora." Começou num timinho ruim, né? E cara, tinha acabado de ser campeão, velho.
Então, cara, Golden State, cara, te escolheu, que legal, né?
Que bom, né?
Que bom, né? Maravilhoso.
Porque o Golden State hoje, principalmente com a nova geração, é o time que mais tem vitrine, né, de audiência, né?
É a franquia mais valiosa do mundo, pô. Real Madrid, todos os times assim, o Golden State é mais valioso que todos esses times, velho. E pô, fui escolhido para eles, felizão. Aí eu falei, pô, vou dormir, daqui a pouco, né? Isso não conseguia dormir, mas você tem que dormir, que daqui a pouco eu tenho que ir para lá. Aí meu agente veio na minha casa lá, o outro agente que tava fazendo todas as ligações, o Ailton, chegou, falou comigo, deu os parabéns, me abraçou e tal. Aí ele falou assim, agora arruma sua mala aí que eles estão mandando um voo para você sair daqui uma hora e meia.
Daqui uma hora e meia?
Eles estão mandando você sair daqui uma hora e meia, você vai para São Francisco. Aí eu falei, caraca, velho, agora arrumei minha mala lá rapidinho, já dando entrevista. Aí o Sami já botando, Gui, tá não sei que canal, quer falar com você, o pessoal quer falar com você, dando entrevista. Aí beleza, terminei as entrevistas, já entrei no Uber para ir para o aeroporto. Aí nunca tinha voado de primeira classe.
Me chama depois, vai matar o moleque do coração.
Caralho, dá notícia, você não dormia, já tava indo para o aeroporto, uma hora e meia.
E uma hora, mano, você vê, muito alto e baixo, velho. Esse dia foi, eu acho que um dia mais louco. Você aguenta, porque puta que pariu, velho. Coração do meu pai, da minha mãe, da mãe.
Aí uma hora e meia você já foi para São Francisco?
Já fui para o aeroporto, cheguei lá, nunca tinha voado de primeira classe. Aí eu fui, né, fazer como sempre, fui fazer o check-in na classe econômica. A mulher: não, o seu assento é na classe executiva, você pode fazer o check-in ali. Aí eu falei: caraca, classe executiva, primeira classe! Não, tô na NBA mesmo, né? Já cheguei, já tô milionário, esquece, esquece, pai. E pô, fui, né, viajando de primeira classe pela primeira vez. Até lembro da história daquele cara da seleção que fala que viu a toalha quentinha e achou que era tapioca. E a mesma coisa quando eu recebi a toalha, eu falei: cara, que da hora mesmo, os cara ata diferenciado, né, primeira classe. Aí beleza, cheguei lá em São Francisco, já todo mundo me esperando, os cara com a plaquinha Gui Santos, welcome to the bay.
Que legal!
É que lá é conhecido como a Bahia, né, a Bahia de São Francisco. Welcome to the bay. Aí beleza, fui para lá, cheguei no carro, um Cadillac lá me esperando para— Escalei com motorista.
Para caber você e teu pai tinha que ser uma dessa, velho.
E eu tava Eu fui sozinho, né? Eu tava, meu pai, minha mãe tava tudo no Brasil ainda. Cheguei lá, foi quando eu conheci o Steve, o meu técnico, né?
Já naquele dia mesmo?
Naquele dia eu cheguei. Detalhe, eu voei, quando eu decolei eu tinha, sei lá, 20 mil seguidores. Eu pousei, eu tinha quase 200 mil seguidores, pô. Tipo assim, explodiu, explodiu. E eu falei, caraca, velho, é verdade mesmo. E pelo fato de eu ir pro Golden, né, mano, que na época tinha acabado de ser campeão, pá, maior hype em cima dos caras. E eu tava lá no meio dos caras. Cheguei lá, conheci o Steve, me mostrou o vestiário. Aí quando eu cheguei no vestiário assim, mano, bonitinho, tinha o meu nome lá em cima na placa. Já, já, velho, tudo pronto. Meu, é muito rápido, muito rápido, tudo que tinha direito os caras já tinham feito.
Como é que você descobriu depois? Quem descobriu? Por que que você, por que que eles em cima da hora optaram por você?
Então tem muita coisa por trás, tem muitos caras tanto do Brasil, técnicos aqui do Brasil que faziam o meu scout, tipo assim, fala como moleque é. E também tem um pessoal de lá que faz o scout de lá, tinha até o meu agente também faz todo, né, os paranauê por trás lá para ver isso, a parte política. Então, cara, é muita gente, depende de muita gente. Os técnicos têm que gostar. Na época até o Leandrinho tava lá também como técnico, assistente técnico lá do time.
Ah, pode ter te ajudado, hein?
É, então veio ajuda de tudo quanto é lado, né? Então eu acho que foi a decisão do Steve Carell ou do clube? GM, é do GM, né? Do GM, na verdade é um conjunto, é o Steve junto com GM junto com o dono do time. Então eles têm que entrar um consenso, fala eu escolho esse moleque.
Mas o Steve Kerr tava no dia do teu teste lá? Tava, ele tava no dia vendo você jogar.
Todos os técnicos estavam em todos os times, velho, que eu fui treinar, estavam os técnicos principais assistindo, observando os moleques lá. Então acho que ele deve ter gostado, né? Falou, menino magrelinho do Brasil é bom, dá para, dá para, vamos ver o que que ele vai se tornar.
Legal, velho.
Aí beleza, fui escolhido, cheguei lá. Aqui no Brasil a dificuldade para comprar um tênis para mim era grande, mano, que você é um tênis 48, então era difícil. E quando eu fui para lá, eu tinha uns tênis aqui que o pessoal da Nike sempre me deu um apoio, mesmo quando eu tava aqui no Brasil, o pessoal mandava material para mim e tudo mais. Quando eu cheguei lá, é festa, cara. Aí o cara chegou assim: ah, Gui, qual tênis você quer? Aí eu falei o nome de um tênis lá, que era um tênis específico. Eu falei: eu quero esse tênis aqui. Aí ele falou, ah, beleza. Aí eu falei, ah, ele deve pedir, vai chegar daqui um tempo, né, e tal. Mano, o cara foi lá dentro, tem uma sala assim, sei lá, gigantesca, cheia de tênis, cheia de todos os tênis que você imaginar de basquete. Ele chegou, pegou 2 tênis, aí ele veio com os 2 pares na mão assim para me entregar. Aí eu achei que era para escolher qual cor que era para eu escolher, né, que eram 2 cores diferentes. Aí eu fui, peguei só um só, né, tipo assim, ah, valeu, só esse aqui. Ele falou, não, os 2 é para você, pode pegar. Opa, já um monte de camisa, casaco e tudo um símbolo do Warriors. Eu falei, cara, isso daqui eu não sabia.
Isso uma hora e meia atrás, o cara tava em Miami chorando na cama.
Não, porque um voo de Miami a São Francisco, a 10 horas atrás, 10 horas no mesmo dia. Puta que pariu! Já chegou treinando ou não?
Já cheguei treinando. Isso é uma história engraçada, porque eu cheguei treinando lá, velho, virado, né? Praticamente não consegui dormir no avião, tava coração a mil. Falei, cara, agora eu sou jogador da NBA.
Você não cabe na executiva, né, irmão? Ah, mas é melhor do que eu normal.
Mas você vai com as pernas dobradas. Ainda fico um pouco dobrado, né, porque a gente é muito grande, não tem jeito. E cara, quando eu fui fazer esse treino, esse meu primeiro treino era individual. E mano, meu primeiro treino com time era só eu e uns técnicos lá. Eu falei, não, eu vou correr, dar minha vida aqui no treino. Aí as primeiras 1 hora e meia assim eu tava correndo, dando a vida. Aí eu sentei já morto, falei, acabou o treino já, né, cê é louco, tá bom.
Já me matei, né?
Já, já me matei. Aí Aí o técnico vira para mim assim: boa, acabou o aquecimento, agora a gente pode jogar, agora a gente pode fazer de verdade, agora a gente pode fazer na intensidade de verdade. Foi, uai, eu tava correndo aqui, me matando, isso daqui não foi bom para você?
Foi só aquecimento.
E aí mais treino. Aí eu liguei para minha mãe assim, né, depois eu falei: não sei como é que eu vou fazer para jogar aqui, velho, o cara me matou hoje, eu nunca treinei nessa intensidade na minha vida.
E aqui no Brasil é outro esquema, né, irmão?
É diferente, intensidade É muito diferente. E depois do treino, né, deu as minhas primeiras entrevistas lá, mal falava inglês, gaguejando, falando inglês, the books on the table, e tá ligado. E foi assim, pô, minha chegada lá. Aí o que quebrou muito a minha expectativa, que eu achei, tipo, pô, já sou, já tô na NBA, já vou ganhar dinheiro, já tô garantido, minha vida mudou. Pô, acho que isso foi o maior choque, porque quando eu cheguei lá foi totalmente ao contrário, velho. Por conta do meu contrato no outro clube, eu não podia assinar nenhum contrato, eu tinha que estar no contrato só da D-League, que é um contrato muito menor. D-League é como se fosse segunda liga, tá ligado?
Como se fosse, tá, entendi. Porque o pessoal de Minas não te liberava.
Isso, não tinha, precisava, precisava dar, né, pagar multa rescisória e tudo mais. E o Golden não ia pagar multa rescisória sem saber o que que o moleque poderia oferecer, lógico, entendeu? Já era gastar dinheiro praticamente. Então Então eles esperavam um pouco e beleza, aí eu fui ficar meu primeiro ano na G-League. Cara, esse meu primeiro ano eu recebia menos dinheiro do que eu recebia no Brasil para morar lá. É mesmo? É, só que tipo assim, caralho, foi um choque absurdo. O bom é que tipo, tem até um, se você conta isso no meu documentário também, o técnico chegou para mim assim, o técnico do time B, falou: Gui, você não é rápido o suficiente para jogar na NBA, você não é forte o suficiente para jogar na NBA, você não é atlético o suficiente para jogar na NBA e você não sabe jogar o basquetebol americano. Pô, te animou legal. Aí eu falei, pô, eu vou ser roupeiro aqui, né? Obrigadão, cara, show, merda. Mas pô, aí sabe o que que é o da hora? Que eles falam isso, te dá uma voadora de dois pés.
Mas aí depois ele falou assim, mas assim, olá, Xuxu, o cara tá morto, o cara não é artista, lembra?
Você não é artista. A gente sabe como é que é isso.
E aí ele chegou, chegou para mim, falou assim, mas ó, eu vou te dar tudo, tudo que você precisa para você se tornar um jogador. A gente vai te dar suplementação, treino, quantas vezes você quiser vir vai ter, cara, preparador físico, vai ter isso e aquilo, tudo que você precisar a gente vai te dar.
Que legal!
E fizeram tudo, velho, tudo. Tipo, acaba antes de jogo, malhava, jogava, depois do jogo malhava de novo. Aí no outro dia de manhã que a gente ia viajar, eu chegava mais cedo lá na facility para malhar, malhava, depois ia viajar, chegava lá, descansava. No outro dia eu nem jogava para poder malhar, porque os caras queriam me deixar mais forte. Eu tinha 85 kg, eu acho, quando eu cheguei lá, com 1 metro e— não, tava com 2 metros, 2 metros 2,2m, 85kg, magrelão, magro, magro, magro. Em um ano assim, um ano e meio, nas duas primeiras temporadas eu saí de 85 para 100kg de massa magra, de massa magra, só puxando ferro e suplemento, só ferro, suplemento, alimentação e malhação e tudo mais. E foi quando, né, tipo assim, eu comecei a me destacar um pouco mais lá, só que eu fui muito desdenhado também, né, velho, tipo assim Cheguei lá, a pessoa falou: vixe, eu não sei se o Gui consegue jogar na D-League. O próprio pessoal, algumas pessoas do Brasil também falavam isso: pô, não sei se o Gui vai conseguir jogar na D-League. Aí eu comecei a jogar na D-League, que é a Liga B, comecei a jogar bem, jogar bem. Aí tive oportunidade de assinar meu primeiro contato com a equipe principal. Isso já foi no meu segundo ano que eu tive essa evolução.
Já pagaram a rescisão, eles retiram o retiro de você.
Isso aí, eles Vamos ver que tá, entendi.
Eles pagaram a rescisão.
Você sabe o valor?
Pode falar ou não? Eu não lembro o valor, velho. Eu não lembro o valor.
Pode falar? Não sabe o valor?
Não quer falar? É porque eles acertam, entendeu? Acho que tipo assim, o teto era 1 milhão de dólares, mas não sei se chegou a ser 1 milhão, não sei exatamente qual foi o valor, tá ligado? Só que eles conversam entre eles, acerta um valor. Para mim, eu não tava nem aí. Para mim, o importante é que eles "Vai sentar lá e eu ia trair." Exato.
Lógico, cara.
Porque a gente não ganha nada disso.
Você jogou 2 anos na J League, é isso?
Eu joguei 1 ano e meio. Joguei uma primeira temporada, aí eu comecei a jogar, comecei a jogar muito bem e já tinha jogado muito bem na Summer League do ano seguinte. Aí eles falaram: "Não, vamos assinar esse moleque." Aí eles me assinaram, pagaram a multa rescisória e pra mim o que eu tava preocupado não era nem o valor da multa rescisória, eu queria saber do meu contrato, quanto que eles iam me pagar. Isso é bem louco, cara. Foi, aí quando eles começaram a me pagar meu primeiro contrato.
Um ano e meio sem contrato, é só com contrato da Liga B. Isso, um provisório.
Lá o contrato da Liga B é padrão para todos os jogadores, é tipo assim, é $40 mil, só que você tá morando na Califórnia, que vira 20. E aí, para morar lá, você tem que alugar casa, fazer tudo. Não, eles davam tudo para mim, só não não tinha carro, ia treinar de bike, ia viver minha vida assim normal.
E é verdade que você deixou o cabelo crescer por causa disso? É verdade, economizar, caralho.
Eu cheguei lá, era muito caro. Eu cheguei para cortar o cabelo, falei: ah, deve ser uns $20, né? Tá de boa, meu irmão. Cheguei no cara, falei: ah, quanto que é para cortar o cabelo? Ele falou: ah, $70. Aí eu falei: não, então calma aí, né, pô, não vou cortar agora não.
É caro, hein, puta que eu pari.
É caro. Deixei meu cabelo crescer, agora tá curto ainda, mas meu cabelo era vindo ombro, pô.
Assim, é mesmo.
Acha essas fotos aí, ó.
Eu tenho, eu tenho um bocado de foto.
J League, Gui Santos, aí vê se você acha cabeludão. Aí você vê, quer dizer, o cara economizou durante a J League tudo que era possível, né, porque não tinha dinheiro, velho.
Depois que é NBA milionário no Brasil, pensava que eu tava milionário já. Exato. E eu ainda mandava dinheiro assim ainda no Brasil, né, porque por exemplo, ajudar às vezes meu pai, minha mãe, meu irmão, para fazer uma coisa assim. E eu sempre fui muito seguro com dinheiro, sabe? Já nunca foi uma aberta, gastar. É, não, isso daí de jeito nenhum. E eu tomava muito bem. Olha lá, de cavalo, isso de cavalo era.
E você não cortava porque tava caro?
Tava caro, é. Mas aí, aí foi porque eu tinha gostado, já tinha assinado o contrato aí, aí já dava para cortar o cabelo. Mas eu gostei do cabelo grande, aí Deixei, tá.
Então aí tu ficou um ano e meio na J League, começou a atuar bem, os cara toma primeiro contrato, bora.
Foi quando comecei a ter mais visibilidade, né, jogar um pouco mais. Entrei no meu primeiro jogo, fiz minha primeira cesta, tava felizão vivendo.
Todos os topzera, todos os topzera.
Qual foi o jogo que você estreou?
Qual foi? Contra o Oklahoma em casa. E eu entrei no jogo e consegui fazer 2 pontinhos, uma bandejinha lá, cara, feliz, velho. Quando eu tava assim no vestiário para entrar jogo, eu olhava assim pro lado, tava Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green, e eu abraçado nos caras assim, que a gente faz uma oração antes do jogo. Eu tava me sentindo no videogame já, foi, caraca, eu tô no videogame!
Não é verdade, não é possível que eu tô aqui, não é possível!
E mano, a cabeça milhão. Aí eu olhava assim, tipo, aí eu assistia em 2015, eu assistia os caras jogar, pô, tipo assim, as finais, quando os caras começaram a ficar muito bom, Cleveland, e eu Pô, cara, os cara tão aqui do meu lado agora, eu sou companheiro de time dos caras. Felizão, felizão, felizão. Aí quando, né, tive esse primeiro jogo e tudo mais, primeira temporada toda eu tava jogando mais na D-League, né? Eu não tava jogando, mesmo com o contrato assinado com o time principal, eu tava jogando mais na Liga B. E acabou a temporada, continuei trabalhando, evoluindo. Aí quando começou minha segunda temporada na NBA, meu segundo ano NBA. E cara, lá é mesmo você assina o contrato, o contrato não é garantido. Ou seja, o time pode te mandar embora, você para de receber, entendi, e sua vida volta a ser o que era.
Zerou, não corta mais o cabelo e vambora, fudeu! Bora entregar pizza nessa porra, fazer 2x10, entregar uma pizza e vambora, entregar uma pizza cabeludo.
E pô, eu tava com isso na cabeça que eu não tava jogando, não tava tendo oportunidade de, né, jogar bastante tempo. Eu falei, cara, e se os cara me manda embora, eu vou voltar para estaca zero, velho. Eu tenho que continuar mostrando para os caras aqui. Então eu vou fazer de tudo que eu podia, velho. Chegava lá mais cedo que todo mundo, mostrava para os cara que eu queria mais que todo mundo. Entrava, sei lá, 2 minutos no jogo, parecia que eu tinha jogado 40, velho. Chegava lá, batia a cabeça nos cara, empurrava, e deixa eu pegar essa bola aqui, eu quero mais que os cara, e eu quero, eu quero ser jogador aqui, quero ter minha oportunidade. E nisso eu fui conseguindo me manter, velho. Só que a cabeça milhão, tipo assim, cara, eu tenho que conseguir me manter porque se eu for mandado embora, acabou, vai minha vida.
E eu queria muito, lógico, mudar a vida da minha família, não decepcionar também, né, velho. É decepcionante, né, assim, pô, imagina, cheguei tão alto e não consegui, né.
Você tá na beirada ali, velho, já tá dentro e tá ligado, e não consegui. E beleza, aconteceu, jogos, eu não tava jogando tanto, eu falei para os caras assim, pô, deixa eu jogar lá Liga B para eu me manter me informa para eu me preparar, porque daqui a pouco vai ter minha oportunidade. O Steve falou comigo: Gui, daqui a pouco você vai receber sua oportunidade, mas quando chegar sua oportunidade você tem que estar pronto. Aí eu falei: então, para eu estar pronto, eu tenho que jogar. Parado, ao invés de eu estar parado só no banco batendo palma, e eu vou para a segunda liga para eu jogar um pouco mais, e depois quando chegar minha oportunidade eu vou estar pronto. Aí a gente foi para Detroit, foi jogar um jogo em Detroit. 3 caras da minha posição estavam machucados, e o outro que ia jogar, ele tá— a mulher dele tava grávida. E a mulher dele grávida teve um falso alarme de nascimento e ele pegou o voo e voltou para São Francisco. E eu era o único cara da posição para jogar. Aí chegou os técnicos assim antes do jogo para mim: 'Gui Santos, você vai jogar hoje, fica pronto.' E isso sem jogar, sei lá, 2 meses na NBA, 3 meses na NBA. Nem sabia mais o sentimento de estar lá dentro assim, tá ligado, cara? Esse jogo, acho que foi o melhor jogo jogo da minha vida. Tipo assim, Deus faz as coisas certinhas, cara. Foi o melhor jogo da minha vida assim, de eu tava em todos os cantos da quadra, todos os arremessos que eu chutava, caiu. Quantos pontos você fez nesse jogo? Eu fiz 13 pontos nesse jogo, eu chutei 4 bolas de 3, matei as 4 bolas de 3, ou então 5 bolas de 3 e matei 4. E cara, nossa, aí eu falei, pô, mostrei para os cara que eu tô aqui, botei uma pulga atrás da orelha que eles podem contar.
Que esperto aí, exatamente.
Plantou, plantou um triplex no cemitério. Exatamente, plantei a sementinha. Aí foi o grupo deles viram assim, né? Falou: pô, esse moleque deve, pode ajudar a gente ali, tem uns cara machucado, a gente traz esse moleque para ajudar. Aí começou, mano, me dá um pouquinho, nem que era um pouquinho de tempo, tipo 5 minutos no jogo, mas eu entrava 5 minutos, velho, volume, tipo assim, pegava muito rebote ofensivo. Os cara: cara, esse moleque é louco, velho, como que ele consegue fazer isso em 5 minutos, mano?
Mas nesse meio tempo você já tinha ficado brother de alguém assim, jogador, de conversar, trocar ideia, ou tipo Tipo assim, ah, o cara é gringo, americano.
Americano é meio quieto, né, mano?
Então isso eu queria saber, né?
No meu começo lá eu passei muita dificuldade por conta disso, que aqui no Brasil é todo mundo é muito parceiro. Você vai pro jogo escutando caixa de som, pega uma caixona de som da Philips lá e vai pro jogo escutando, dançando, tá ligado? E lá não, cada um com seu fonezinho. Aí os cara já pega o fonezinho, bota o fonezinho, cada um na sua falando. Aí eu falei, cara, os cara não gosta de comigo, velho. Ninguém fala comigo, os cara passa reto, ninguém gosta de mim. Nem dava bom dia, nada. Não, não, no time isso não foi no time principal. No time principal os cara eram mais de boa, mas isso quando eu tava na segunda liga, porque lá, pô, todo mundo queria um contrato, tá todo mundo na mesma situação que eu tava, né, velho.
Todo mundo quer tomar meu lugar.
Exato, exato. Então era um, mesmo que era do mesmo time, velho, era tipo um querendo 'Ah, mais coisa assim, bom, quero ser jogador, quero ter sucesso e tal.' E quando eu fui para o time principal, já diminuiu mais. O Curry vinha, falava comigo. Pô, tem uma primeira vez que eu conheci, ele tava na banheira de gelo.
Você conheceu o Curry?
É, eu tirei uma foto com ele antes assim, mas de conhecer, de conversar, trocar ideia mesmo assim.
E ele entrou na banheira bainha de gelo com você?
Entrou aí, é grandona, né? Assim, é gigantesca.
Ele entrou lá, ele, a mulher é grande, pô.
Aí eu entrei, tava num canto assim, aí quando ele vir, ele chegando, mano, ele entrou na banheira de gelo. Aí eu comecei a passar um celular do lado pro outro assim, ó, não tava vendo nada, mas já tava nervoso, só fingindo que eu tava mexendo no celular. Aí ele começou: E aí, Gui, tudo bem? Como é que "Como é que você tá?" Aí eu falei: "Fudeu, não sei falar inglês mais." Esqueci a porra toda. Esqueci, esqueci.
Caralho, velho.
Aí, cara, comecei a trocar ideia com ele lá, com o inglês meio quebrado. Ele perguntando do Brasil, como eu tinha vindo, de onde eu tinha vindo, como é que foi a minha história. E tipo assim, muito gente boa, velho. O cara começou a falar comigo assim como se, cara, eu fosse um brother dele.
Porque agora você faz parte, né?
Exato.
Exatamente.
E tipo assim, o que mais me deixou de cara é que eu falei assim: "É o Curry, né, velho? Tudo que ele conquistou." Então ele nem deve dar moral, pô. Então eu também achei isso ao contrário, velho. Chegou ele, puxou o assunto, e ele ficava puxando assunto, querendo me conhecer mais, querendo saber mais de mim e tudo mais. E foi aí que eu comecei, né, a ter uma trocação, né, de ideia com todos os caras lá. Mas quando eu comecei a ficar mais próximo, comecei a fazer amigos. Mas normalmente eu ficava mais com a molecada que tava subindo também, a molecada mais novo fica lá, os cachorro grande de um lado assim, né, os os mais fera, né? Os mais fera. E a gente fica lá meio que de trás só. Não, não, faço, faço sim agora. Você quer que eu vou lá e pego rebote? Eu vou lá e pego e faço o que tem que fazer. Aí depois, né, eu parei naquele dos jogos lá que eu tinha feito jogos bons. Os caras tinham gostado para caramba do meu resultado nessa temporada. Aí até o final da temporada eu tava jogando, não tava jogando muito, mas eu tava jogando, sendo um cara importante para o time. Aí beleza, teve várias trocas, teve até um dia igual eu tava te falando da troca Teve um jogo assim, quando aconteceu a troca, as trocas tem até um período, tipo assim, até o dia, sei lá, 5 de fevereiro pode acontecer. Aí era tipo dia 4 de fevereiro, a gente ia jogar, faltando 30 minutos para o jogo, os cara mandaram 4 cara do nosso time para pegar o Jimmy Butler, e faltava 30 minutos para o jogo começar, velho. Os cara tudo aquecendo, aí o Steve chamou todo mundo na quadra, chamou e trouxe para o vestiário, tirou todos os repórteres que ficam dentro do vestiário, aí A gente falou, alguém foi trocado, deu cagada. Agora alguém, alguém vai sair agora.
Será que sou eu?
Alguém vai nesse momento, a gente fica sabendo pelo agente, né? E ele liga para a gente antes da gente sair, a notícia e tudo mais, e fala, ó, você foi trocado e tal, você tá indo amanhã, ou então hoje à noite você tá indo para tal lugar. E cara, todo mundo tenso assim, ninguém queria. Aí tocava o celular de um, um olhava puta assim, falou, e olhava, e ficava olhando para o cara assim. Aí o cara, oi mãe! Aí, ufa, não é ele. Aí começou, né, tocar o celular dos caras lá que foram trocados. E o xixi, cara, foi o Andrew Wiggins. Wiggins, cara, agora foi peça de troca. Lindy Waters, que é outro cara que tava lá.
É meio doidão, né, cara?
Ele é muito louco, ele é muito tranquilão, velho. Mas na quadra, se eu achei ele um cara meio doido, ele tem tipo assim as ideias dele lá dentro da quadra, craque de bola, faz as coisas assim que tem que ser feito. Mas você vai falar falar com ele, mano, tranquilaço. O cara, bom jogador. Aí foi ele, Lindy Waters, Danny Schroeder, que é um cara da Alemanha, e o Kyle Anderson, que era um outro cara lá do Miami. Não, um foi para Miami, não, dois foram para Miami, um foi para Utah, que era o time que a gente ia jogar.
Ele foi trocado para o time que a gente já pegou o avião dos caras.
Foi desse jeito, velho. E a gente entrou para o jogo, imagina o clima no jogo. A gente tinha, sei lá, 12 caras para jogar, de 12 tinha 8, porque o recuado tinha ido embora.
Que bom, aí você agradeceu, né?
É, mas oportunidade, né? Tipo assim, quando acontece alguma coisa na NBA com alguém, é quando aparece oportunidade para outro. E é assim não só na NBA, mas no futebol, todos os esportes de coletivo é desse jeito. Aí beleza, acabou a temporada, né, com time novo e tal, jogamos bem, perdemos nos playoffs para o Vilas Boas e começou a próxima temporada. E aí o Chivi não me botava para jogar no começo da temporada. Foi dessa temporada aqui, dessa última temporada, que agora, agora, ano passado, é, começou o banco, só esquentava banco no começo da temporada. Aí meu pai, minha mãe sempre vão para lá em novembro, no mais ou menos assim, agredir o técnico.
Não deu uma bufeta no técnico já?
Aí eles foram lá acompanhando assim de perto e vi a dificuldade, né, mano, do cara de manter a cabeça boa assim, tá jogando. Ainda mais que na temporada passada eu tinha jogado bem, eu achava que eu merecia estar jogando e tudo mais, só que não tinha oportunidade ainda. E beleza, fui segurando a onda, né, tentando treinar, manter a cabeça boa. E foi quando aconteceu a fatalidade do Jimmy Butler, que se machucou, né, uma lesão aqui na Arábia, e um outro cara na minha posição foi trocado, foi mandado para outro time. E foi quando eu comecei a receber, foi quando eu comecei a receber oportunidade. Que legal, cara! Eu comecei a receber oportunidade e na hora certa eu comecei a jogar bem. Aí os cara falava: quem é esse moleque do Brasil que tá jogando bem?
Tipo assim, nunca vi muito ele, né, cara?
Lógico, jogando bem. Aí tinha jogo que eu fazia 20 pontos, aí depois 15 pontos, aí depois mais 25 pontos, 22 pontos, 27 pontos, 31 pontos, e não sei o quê. Aí eu cheguei até fazer um jogo, meu melhor jogo de maior pontuação foi essa temporada, que é contra o Brooklyn Nets, que eu fiz 31 pontos.
Caralho, velho!
Pois é, o Curry não tava jogando esse jogo, ele tava machucado, e eu fiz mais pontos do que do time, né?
Ele pode ficar machucado, é bastante ponto, velho, é bastante ponto.
E eu olhava assim para, né, para o telão lá em cima que fica a pontuação dos cara e tudo mais, que eu tava jogando tão bem assim que eu nem reparei, velho, que eu tava com muito ponto. Quando eu olhei para cima, eu falei: cara, tô com 25 pontos, velho! Já era minha maior marca, eu nunca tinha feito mais que 25 pontos. Aí chegou um cara do meu time, o Gary Payton, chegou assim, filho do Gary Payton, chegou para mim, falou assim: ô, vamos fazer 30 pontos, mano, faz 30 pontos. Quantos brasileiros já fez 30 pontos? Aí me deu esse espinho, falei: caraca, é verdade, velho, vou tentar fazer 30 pontos. Aí foi 27 pontos, 29 pontos. Aí recebi uma última bola, o Steve Kerr desenhou uma jogada para mim, eu tava ali embaixo da cesta, pum, peguei, fiz uma bolinha, 31 pontos. Demais, ganhamos o jogo, isso que foi o melhor. E depois, mano, vestiário, você entra aí, dá até na entrevista, tava dando entrevista, chega os cara com uma garrafinha de água, tá com água na sua cabeça, que legal, desse jeito. E fui pro vestiário, aí o Curry tava lá, e o Curry usa número 30, né, então a gente chama ele de 30 lá. A gente chama os caras às vezes pelo nome, pelo número, tá ligado? Tipo, o Draymond Green é o 23, a gente chama ele de 2-3. Tá ligado? Aí os cara, caraca, Gui, aí sim, né? Hoje você tava igual o 30, você tava igual o Curry hoje, né? Aí o irmão dele também joga no time dele, no nosso time, o irmão dele usa o número 31. Aí eu, brincando, eu falei, não, tô igual o Curry não, tô igual esse Curry aqui que é 31, não é 30, é 31.
Agora tá, tá, Steph Curry, é o 7, né? É, é Steph Curry, eu tô ligado.
E aí, pô, mano, maior farra, os cara tudo falando bem para caramba de mim. No jogo seguinte eu joguei bem para caramba, eu fiz 27 pontos no jogo Gente, eu tava com moral lá em cima, velho, jogando bem, e os cara dando oportunidade. Eu falei, cara, é isso. E foi quando eu comecei a despontar mais agora, velho, nesse final de temporada.
Que legal, hein? Que demais! É melhor, é melhor começar, terminar bem a temporada do que começar bem e terminar mal, né?
Exatamente.
Quando começa a temporada do basquete?
Em outubro, mais ou menos, e acaba em junho, né? As finais é mais ou menos em junho. Só que nesse período, entre entre, né, eu começar a jogar bem e tudo mais. Aí apareceu oportunidade de eu renovar meu contrato com eles, que pô, para mim, só de eu ter ficado 3 anos na NBA já é muita coisa. E apareceu oportunidade de eu renovar o contrato com eles.
Mais 3 anos?
Aí eu renovei mais 3 anos com eles garantidos, que agora não tinha mais problema de qualquer hora me mandar embora. E essa troca pode acontecer.
Mas se algum time quiser, vamos supor que o Lakers quer você, te oferece uma grana, eles podem aceitar ou não?
Não, é só por troca. É só se o Lakers mandar algum outro jogador que tá recebendo o mesmo salário que eu para lá. E tipo assim, na época até todo mundo questionou, assim, pô, por que que ele assinou por esse valor? Ele poderia ter conseguido um valor muito maior em outro time pela forma que ele tava jogando. Só que, cara, da onde eu saí para, pô, não cortar o cabelo porque eu queria economizar dinheiro, para estar num time que toma, que acreditou em mim, né, velho? Tipo assim, 55 times, todos os 30 times me passaram.
E na última hora, né, irmão?
E na última hora os cara falou: não, vou pegar esse moleque, vou dar chance para esse moleque. Então, querendo ou não, eu tenho um carinho muito grande pela franquia, pelo que eles mudaram minha vida, velho, mudaram minha vida.
Tanto como valorizar agora que você tava jogando bem, eles valorizaram, valorizaram, deram um upgrade para você.
Com certeza.
Então isso é importante, é o que eu falo, importante.
Não pode cortar o cabelo.
Não, agora tá dando aqui, ó, tá cortado até aqui.
Sabe o que que eu acho legal assim? Vou falar assim, não sou do basquete, mas a gente tem uma carreira também artística. Eu gosto muito ouvindo a sua história. O legal é que você vê que você tá cumprindo uma ascensão passo a passo. Não é aquela coisa que o cara não ganha nada e do nada o cara ganha 1 milhão de dólares do dia para noite, o cara dá uma pirada. Agora, pô, você tá fazendo certinho, pô, vem aqui, conquistou a J League aqui, veio o primeiro contrato, pô, começou a jogar bem na hora certa para poder dar um outro salto. Então é muito mais legal você criando essa estrutura do que de repente chegar do nada da J League, você já entra como astro, já ganha uma bicuda, e todo mundo coloca todo o peso em você, fala: olha, não ganha bem para caralho, o cara não veio como fenômeno, que porra é essa? Não, você tá testando, ganhando casca, construindo ali. Pô, você poderia ter assinado um contrato muito maior, né, como falaram. Não, cara, mas eu tô no meu caminho.
Exato, é isso que eu penso, velho. Você tem que ter o pé no chão também, você tem que ser humilde para admitir, tipo assim, cara, pelo que eles fizeram por mim, eu tenho gratidão por eles e tudo mais. E, mano, que eles mudaram minha vida, eu quero continuar aqui. Eu falei para ele, tipo, eu quero continuar no Warriors, eu não quero sair daqui, eu não quero receber mais mais dinheiro em outro time, igual muitas vezes acontece do cara sair, receber mais dinheiro em outro time, só que não, não vai receber mais dinheiro, só que daqui a pouco acaba o contrato dele, não consegue jogar mais.
Exatamente.
E vai embora, vai para outro país, vai jogar em outra liga.
Por exemplo, o Klay Thompson saiu, né? Então onde tá o Klay Thompson?
Tá no Dallas.
Então, mas ele tinha muito mais visibilidade jogando com Curry, né, que era dupla, né?
O que eles fizeram, né, velho, no basquete juntos, Splash Brothers.
Muito bom.
Também. Que jogador, né?
Jogador, cara. E esse cara também é resenha, velho.
Você chegou a jogar com ele lá?
Meu primeiro ano ele tava lá. E ele gosta muito de brasileiro, gosta do Leivinho, gosta do Varejão, dos dois que jogaram lá. Aí tanto é que a gente um dia saiu lá e ele ligava para os caras: aí, ô Varejão, tô com seu filho aqui, não sei o quê. Os cara fala que eu pareço muito Varejão, né?
Se o cabelão ficasse maiorzão, pô.
Então, na época o cabelo tava maiorzão, tá curtinho agora. Aí eles falaram que eu parecia muito o Paredão. Aí ele falou assim, cara, toda vez que eu te ver você vai ter que tomar um shot comigo. Aí eu falei, nossa, velho, tequila ainda. Nossa, você pode beber com o pai. Aí ele me via, eu já fingia que nem via ele, virava a cara, aí me dava shot, aí eu fingia que bebia, jogava fora, que não dava, velho, não dava. Mas pô, puta, cara, gente boa, velho. Assim, parceirão mesmo, de verdade.
Isso é legal, uma cidade bacana de se morar. É muito legal de se morar, conhecer, de passear e voltar.
Então é muito legal de se morar. Tipo assim, você vai para o centro, tem bastante, tipo assim, criminalidade, tem o pessoal lá que é centro de grande cidade. Exatamente. Só que lá é bem menor do que aqui, né? Se eu comparar com o Brasil, é muito menor.
Aqui o centro é tudo.
É, exatamente. E E pô, né, igual depois que eu assinei o contrato e tudo mais, a vida muda, né, velho. Você tem mais oportunidade, você tem mais respeito, mais respeito. Os caras olham para você, pô, esse moleque não é qualquer moleque não, ele consegue ajudar o time, ele consegue.
Você consegue sair lá de boa, andar na rua mais tranquilo, ou nem vem tirar foto?
Não, o povo tira bastante foto lá, porque ainda mais esses últimos momentos que eu tava jogando muito bem e tava tendo destaque lá, o pessoal, o pessoal tava acompanhando bastante. Então, e lá, lá tem todos os esportes, né? Tem beisebol, futebol americano e basquete. E então, e os times são fortes em todos. Então eles vivem muito intensamente o esporte lá, muito intensamente. Eu acho que isso foi tão legal que a cidade de São Francisco me abraçou tão bem lá também, velho.
Puta, que legal, cara!
E foi isso aí. Agora acabou a temporada, a gente foi eliminado antes dos playoffs. Essa temporada, igual eu falei, teve muita lesão, não foi só o Jimmy, teve mais mais um cara que se machucou grave, teve a mesma lesão que o Ronaldo lá na Copa antes do tendão. É, vixi, aí o Ker ficou machucado bastante tempo da temporada. Então essa temporada foi uma temporada meio atípica, mas ao mesmo tempo foi uma temporada que me deu oportunidade de mostrar quem eu sou para os caras. Porque antes eu era visto como um cara que entra, dá energia e tudo mais, era mais um, era mais um, tipo assim. Agora não, agora esse moleque ajuda a gente, ele pode ser mais que só mais um. E o que eu gosto é isso, velho, de tipo assim, é o jeito, a forma que eles me enxergam hoje, o tanto que eles tomam cuidado comigo. Hoje, quando eu falei para eles que eu ia vir para o Brasil, né, que ia ficar aqui um tempinho, os cara já vão mandar alguém para me dar treino aqui, para ficar junto comigo, porque os cara tomam cuidado muito assim.
É mesmo, cara, tem isso, velho.
É mesmo.
Quando eu tava na D-League ainda, na segunda liga, eu vim para seleção para jogar o Mundial, os cara mandaram um preparador físico para ficar junto comigo, velho, treinando para poder estar monitorando a sua evolução. Eles queriam continuar a minha evolução, porque tá no cronograma, né? E eles confiam muito nos caras deles lá, então eles querem que tem um cara dele aqui vendo o que que o cara tá fazendo, se o cara tem toda a estrutura de treinamento que ele precisa para continuar evoluindo, para alcançar os planos que os caras tinham para mim lá na época.
Entendeu? E agora você volta para lá quando, irmão?
Eu volto para lá em agosto, vou ficar aqui essa temporada. Começa só em outubro, né? Mas eu vou para agosto, fico treinando lá um pouco, tô treinando aqui já, mas um pouco mais leve, né? Porque acabou a temporada, muito jogo, tem que dar um descanso para o corpo. Mas você não pode ficar parado, que você fica parado, quando você volta, meu amigo, é dura. Nossa, as dores pioram, velho, piora tudo. Então você tem que continuar dando uma treinada ali, outra aqui, tá ligado? Manter o Mateu.
E o cara tá aqui com você agora?
Não, ele vai vir ainda, porque como eu tô treinando mais leve, não é necessário ele tá aqui agora. Mas daqui, por exemplo, acho que duas semanas é quando vira minha ficha, eu começo a treinar mais forte.
Aí quando ele vem, Brasil, quando você vem, eu fico em Brasília.
Isso, tem minha família toda de lá, eu fico lá treinando em umas academias que tem lá, que tem toda a estrutura para mim, tem umas quadras, umas paradas que eu vou lá, arrumo para continuar manter no ritmo aqui, mas não, não compara, né, lá. Por isso que eu volto um pouco mais cedo, eu volto em agosto para conseguir treinar durante agosto todo, setembro todo, para dar em outubro, tá pronto para temporada. Exatamente.
E como é que tá o Curry? Vai continuar? Como é que, que que você tem de, quantos anos tem o Curry?
Não sei, 37, 38, é tão menino assim.
Vai até quando? Quarentinha.
Se o cara chega 40, ele já tá velho já, pô.
Mas o LeBron já tem mais de 40.
É, mas aí o LeBron é o LeBron, né? O LeBron é o LeBron, não tem como comparar. Aquele cara ali é absurdo, pô. Mas tá com mais de 40 e consegue jogar contra LeBron, velho. É um trato, velho, é um trato.
Quando ele decide que vai passar, esquece, acabou.
Você fica na frente dele. Ontem fizeram uma pergunta assim, né? Você prefere marcar o Curry no treino ou LeBron marcar um no jogo. Eu prefiro marcar o LeBron no jogo do que marcar o Curry no treino. Mas, cara, o LeBron, eu tive um até um lance assim que eu fui tentar receber uma falta de ataque. Quando você fica parado assim, o cara tromba você, você cai. Bola, ele me atropelou, meu irmão. Parecia que eu tinha sido atropelado por um trem, mano. Trombou e meu caiu no chão. Falei: nossa, não vale a pena fazer isso, não, não vale a pena.
Caraca, essa bobagem é muito forte, né, cara?
Tem até um lance engraçado que tipo assim, ele vai fazer um bloqueio, eu vou fazer um bloqueio num cara, ele me pega assim, ele me tira da imagem como se fosse uma bola de basquete, ele pega e faz assim, ó, e eu saio trupecando para lá. Aí ele vai correndo, depois acho que vocês vão conseguir achar assim, mas ele sai correndo, vem outro cara, ele pega, tromba no cara, o cara cai também, aí ele pega e faz a cesta. Bicho é brabo mesmo, é muito forte. E ele chega cedo, né, velho? É, e ele chega cedo, hein? Chega.
Você sabe disso, mano?
Treinamento.
Não, vai ter jogo, ele chega. Quer água aí?
Quer café? Não, não, tá tranquilo, tá tranquilo. Só trombei aqui. Eu tenho uma aguinha aqui, ó.
É, ele tem aguinha ali.
Quer?
Tá tudo certo. Quer um whey protein? O que você quer?
Tem creatina aí?
Tem creatina aí?
Tem creatina? Ele não percebeu o que ele tem na mala dele.
Depois que a Max, a gente parou com a Max, não tem mais creatina, mas tudo bem.
Pode mandar, Max.
É, mas aí o que que acontece? É, o que que acontece?
Contexto.
É por causa da Max. Contexto. É por causa de um texto. De um texto. Usar de um Olha só, aí o que acontece, o LeBron, acho que dia de jogo ele chega 2, 3 horas antes, tem ninguém no ginásio, ele não, ele tá lá arremessando, ele arremessa não sei quantas bolas.
Foi isso que fazia o Oscar, né? É, o Oscarzão, velho de guerra, ele falou, acabava a treina, ficava 2 horas depois arremessando.
Você me conhece bem, né, Oscar? Eu não tive a oportunidade de assistir ele jogar porque quando ele parou de jogar eu tinha 1 ano de idade.
Então teu pai já deve ter jogado contra o Oscar. E como é que foi a repercussão do Oscar lá? Porque foi um dia muito difícil. Eu vi uma coletiva do Steve Kerr falando dele. Ele é ídolo mundial, né, meu?
Ele é ídolo mundial. O único cara no basquete que tem mais ponto que ele é o LeBron. Eu sei, ele é o segundo maior pontuador da história do basquete e maior de Olimpíada, tá? E o maior de Olimpíada. É, não é qualquer coisa, o cara. E ele é reconhecido mundialmente, você vê, ele entrou no Hall da Fama sem jogar na NBA. Verdade, de tão influente que o cara era, velho.
É, eu falo, pô, tudo tá louco.
Esse aí, pô, era ele e a Hortência aqui no Brasil, né, que falava de basquete. Você falava quem? Oscar e Hortência, Médici de Paula, esses nomes assim naquela época.
Ele contou história pra gente Aquele aqui do pacote de sonho de valsa. É, ele comeu um pacote de sonho de valsa. Eu mijava marrom. Eu mijava marrom. Ai, juro por Deus, cara.
66?
Ele comeu 60? Ele comeu, eu comi um pacote inteiro.
Gê marrom.
Esse vai tá louco. Um beijo aí, Gui Santos.
Um abraço aí para Cris, para toda a família do Oscar Schmidt. A gente sente muito aqui, é um cara que era amigo nosso, um ídolo. Acho que não é um cara sobrenatural, né? Não é um atleta sobrenatural. Oscar era sobrenatural pela história que ele tem aqui com o Sírio, a história que ele jogou na Itália, a história dele na seleção brasileira. E você falou que quando você, só para concluir, como é que foi lá a repercussão no dia, né?
Porque todo mundo, velho, todo mundo, tipo assim, até o pessoal que mais novo assim conhecia ele. Eu fiquei surpreso, velho, porque ser americano, né, dos caras conhecer aquele momento, conhece NBA, né, só NBA ali, Michael Jordan, os caras antigamente era isso. Só que todo mundo, velho, maior repercussão, todo mundo falando bem dos caras, o quanto ele ajudou do basquete, aquele vídeo dele falando dele no, quando ele recebeu coisa do Hall of Fame. Falando de que, do porquê ele não foi para NBA. Todo mundo viralizou, os cara falou: caraca, o cara era doido mesmo, né? Falou: não, para NBA, porque você olha hoje em dia assim, né, muito difícil alguém faria isso, muito difícil alguém faria isso.
Hoje em dia, irmão, acho difícil, né?
Porra, é, eu vi o Steve Kerr falando sobre ele na coletiva no dia da morte do Oscar, né?
Nossa, cara, bravo demais, tá louco.
Oscar realmente, e é um cara que abdicou da NBA, né, o Brooklyn Nets, parece que queria jogar na seleção, né, para que naquela época jogava na NBA, não podia jogar na seleção.
E hoje isso acabou, né, acabou. Hoje em dia você pode jogar pela NBA e seleção. Eu já tive oportunidade de jogar campeonatos importantes pela seleção, já joguei o Mundial já pela seleção, 2023 joguei as Olimpíadas de Paris, tava lá também. Então, por representar a seleção, a gente sabe como é que é importante, né.
Tem agora é outro basquete, né.
FIBA é outro basquete, é outro basquete, pancadaria, meu irmão. FIBA você pode agarrar, segurar na NBA é mais de boinha, mais de boa. Você tem que tipo assim defender, os caras são muito rápido, muito craques de bola assim, só que você não pode usar muitos braços para defender. Na FIBA não, você pode agarrar, empurrar, rasteira voadora, o que tiver que fazer você pode fazer. E você sente um pouco a diferença assim, cara. Quando eu vim para cá, aí parece que a quadra tá fechada assim, mas parece que tem 20 pessoas no meio da quadra. Porque lá na NBA você não pode ficar 3 segundos dentro do garrafão, você tem que sair na defesa. Aqui não, aqui você pode deixar um cara lá no meio do garrafão, plantado, tomando conta lá, e aqui ninguém entra. Aqui você entrar aqui vai tomar porrada.
Caralho, que loucura!
Então a diferença é grande, pô. E quando eu fui para as Olimpíadas, a gente chegou a jogar contra os caras, chamavam os Vingadores, né? Porque no Mundial de 2023, é, os Estados Unidos não levou os melhores jogadores e eles foram e perderam a final, perderam na semifinal, para Alemanha. E Alemanha foi campeã mundial. Aí os cara ficaram todo mundo zoando, porque tipo assim, lá eles falam, né, quem é campeão da NBA é campeão do mundo. E o pessoal fica meio bravo com isso, né, o resto do mundo.
E não, Alemanha que foi, vocês não são não.
É, aí os cara falou isso, campeão do mundo, Alemanha que é o campeão do mundo mundial. Aí os cara ficaram meio bravo com isso, falou, é, vou levar todo mundo. Aí foi Kevin Durant, LeBron James, Stephen Curry, só os nomes de antiguidade, só os cara tipo assim de que empresas antigas assim comandando NBA. E cara, a gente pegou os caras nas quartas de final das Olimpíadas. A gente tipo, vamos classificar, né, vamos classificar e tal. A gente classificou, vamos esperar para ver quem que a gente vai pegar. Aí sai a notícia, vamos pegar os Estados Unidos. Aí a gente comemorando, né, tava o time todo comemorando que a gente tinha classificado, né, para jogar. Pô, quartas de final, fazia tempo que não ia para quartas de final. Aí lá, vamos pegar os Estados Unidos. A gente, pô, galera, vai ser legal, né? Vai ser uma experiência da hora jogar contra o nosso time.
E aí o pessoal perguntava na mídia para a gente, a jogada que você falou.
Aí, ó, vamos ver. É mesmo, é mesmo, é tipo o americano, não faz nada, velho. Pô, deu no olho, puta, puta, ele deu uma empurrada, mano.
Volta aí, volta aí de novo.
Que maravilhoso, mano.
Mas nem parece um matando uma barata, mano.
Sai daí.
Matei uma bola na cara dele lá, ó.
Se liga, Lebron, seu trouxa.
Vai, vai, Lebron, vai, vai.
Toma! Aí, mas puto, o cara te empurrou bonitamente ali, você viu, né?
E tu virou um Santos lá, pô. O pessoal da Vila Belmiro deve estar feliz.
Você com a mãozinha no peito, tomou. Nossa, velho, cara, que pariu, velho! É absurdo, absurdo. Aí que eu tava falando, irmão.
Não, mano, ele faz isso daí, é capaz dele dar em falta, falar: "Ô Gui, tá flopando, você tá se jogando, você tá se jogando." Desculpa. E até nesse lance aí, o Draymond tentou passar a bola para mim, o Draymond Green tentou passar a bola para mim. Aí depois ele falou: "Gui, não adianta você flopar contra o LeBron, eles não vão marcar a falta." Eu falei: "Flopar?" O cara, flopar é quando você finge, tá ligado?
Eu falei: "Flopar?" O cara quase quebrou o meu joelho.
Aí o que eu tava falando das Olimpíadas, né, quando a gente classificou lá, a gente viu que ia pegar os Estados Unidos. Aí o pessoal, né, chegava assim: o que que vocês acham, como é que vai ser o jogo contra Estados Unidos? O pessoal da mídia, né: o que vocês acham que tem chance? A gente falou: não, o jogo é jogado, os cara tem dois braços, duas pernas, todo mundo é igual a gente, a gente vai para cima dos cara. Primeiro quarto, os cara viu 20 pontos de diferença já. Aí eu falei: é isso aí, rapaz, vamos aproveitar. Ah, é, não tem que fazer, os cara é diferente.
Que história é essa do Damon Green? É, puta, essa é foda.
Pediu para você comprar uma vela, pegadinha.
Quebrado, o cara já, ô, não vai comprar não, caralho.
Foi o seguinte, eu tava, era tipo, acabar de assinar com os cara meu contrato NBA, uma das minhas primeiras viagens com ele, nem tinha recebido o primeiro pagamento ainda, né., né, do contrato da NBA.
Então eu tava com meu contrato antigo, pequenininho e tal, sem cortar cabelo, ainda tava ali ainda.
Aí eu cheguei, a gente tava em Toronto, aí o Draymond Green falou assim: Gui, como você é novato, né, os novatos sempre fazem as coisas para os veteranos, fala: Gui, eu preciso que você vai lá no spa do hotel e compre 4 velas para mim. Aí eu falei: tá, beleza, vou chegar lá. Não, eu nem falei nada, eu falei: vou chegar lá, vou botar no quarto dele, ele paga depois quando sair. Aí eu cheguei lá, peguei as 4 velas, eu falei com a mulher: não, pode botar no quarto e tal. Aí ela: não, mas a gente não aceita fazer isso aqui, tem que ser pagamento aqui mesmo.
Ah, não pode?
Aí eu falei: ah, quanto é que deu? Aí ela: $500.
Quanto?
$500, 4 velas de ouro.
Vela de quê, cara?
Não sei, velho, que que tinha aquela vela ali.
Caraca, meu, $500.
Aí eu falei: ah, pô, passa meu cartão aí, né?
Ficou 6 meses sem cortar o cabelo de novo, se fudeu, perdeu $500. Ele não te pagou?
Não. Aí beleza, aí eu cheguei, né, isso a gente já tava indo para o avião que a gente ia viajar para outro lugar. Aí eu cheguei, né, entreguei a vela para ele com a notinha de fora, entreguei a sacolinha e falei: aí, Dremo, aqui a notinha de $500, tá? Aí falou: beleza, I got you, tipo assim, depois eu te pago, daqui a pouco eu te pago. Daqui a pouco eu acerto. É, daqui a pouco eu acerto com você. Aí eu falei, cara, será que esse cara vai me pagar? Ele vai esquecer, mano, que $500 para ele é tipo $5. Sim, ele vai esquecer, ele nem vai lembrar, ele nem vai lembrar, mano. Aí eu sentado lá no meu, cobrando o cara, como que eu vou chegar e falar, irmão, me paga aí? Não tem como, mano, não tem como fazer isso. Aí ele tem um segurança dele, aí eu cheguei no segurança dele e falei assim, o nome dele é Josh, eu falei, Josh, será que ele vai lembrar de me pagar? Aí o segurança ainda Cara, ele sempre esquece, manda mensagem.
Me paga, filha da puta, eu tô sem cortar o cabelo, caralho. Puta vela cara do caralho, vai se fuder.
Porra, essa macumba tem que ser boa, caralho.
3 conto de vela, meu. Pô, caro pra caralho.
Tem que cheirar bem, hein, mano.
Tem que cheirar, porra, puta que pariu, tem que cheirar choca, porque, porra, cara, a vela cara do caralho, mano. Aí beleza, né? Mas e aí?
Aí eu falei com ele, vou te mandar o contato desse cara aqui, que é sempre o cara que arruma tudo para ele, manda mensagem para ele para lembrar ele. Eu falei, mano, se eu mandar mensagem, o cara fica puto achando que ele não vai pagar. Eu falei, vou deixar isso quieto, vamos ver, tomara que ele me pague. E não consegui dormir no o bumbum, velho, por causa de $500. Eu tava assim, mano, não dá para isso, mano, não. Os cara, ele vai pagar, mano. Ô, eu tô aqui juntando para não cortar o cabelo e já, pô, gastei 10 meses de corte de cabelo aí.
Você é louco, mano.
Aí beleza, descemos do avião e nada dele me pagar. Aí eles estavam apostando lá, que eles ficam apostando, né, jogando uns joguinhos de carta lá. E detalhe, eu fui na mesa entregar, meu irmão, os bolos assim de dinheiro dos cara apostando assim, só aqueles bolão de nota de $100. E olhando aquilo ali, eu falei, rapaz, se eu pegar esse dinheiro e pular avião, nem me machuco, nada, nada. E aí beleza, desci do avião, entrei no ônibus. Aí daqui a pouco cheguei ali no ônibus, aí ele passa reto de mim. Eu falei, puta, esqueceu, velho, esqueceu. Mas já era, mano, acabou, deixa pra lá. Aí ele bota a mochila dele atrás, chega com um bolão de dinheiro assim, tipo mais, sei lá, mais que o dobro, taca assim para mim o bolo assim, fala obrigado pelas velas. Aí eu falei, ah, pô, você precisava fazer qualquer coisa aí, mano, no mercado. Aí, ó, foi, eu acho, o maior tipo de todos os tempos.
Próximo carro que você comprar, eu compro, você me paga depois.
É, cara, teve uma vez que ele mandou mensagem no grupo assim, falou: ah, um dos novatos, quem é que tá aí? Aí a gente respondeu já, né? Aí ele falou assim: não, só que eu não tava nessa viagem. Aí ele falou assim: não, é preciso que vocês vão lá comprar um iPhone para mim e compra o que vocês quiserem lá na Apple, eu dou para você. Aí os caras vão, ixi, comprou iPad, os cara comprou fone de ouvido, tudo com cartão do cara. Que legal! Mas pô, isso é o da hora, tipo assim, aqui no Brasil a gente faz isso, né, molecada e tal, só que meu irmão, você pega água, pega as coisas e é isso, cara.
Mas quanto é um salário de um Damon Green? Tem noção?
Hoje em dia acho que se pesquisar aí você acha, né?
É porque lá é meio divulgado, né, nos Estados Unidos eles divulgam o salário. Inclusive o Curry tá reclamando, eu li uma notícia aqui, você viu isso aí?
Não, que do salário.
Critica modelos de remuneração na NBA.
Somos mal pagos. Quanto ele ganha?
Com salário de 321 milhões para temporada, reclama mesmo. Reclamou do entendimento do coletivo do trabalho da liga.
Quem ganha bem, mas agora te falar um negócio. Por exemplo, o Steph, eu falo isso dele quando o cara chegou colar, o Golden State devia valer 750 milhões. Hoje o Golden State vale mais de 11 bilhões de dólares por causa do cara, velho.
11 bi, 11 bi.
Então, tipo assim, mas vamos lá, mas é por causa dele. Eu não falo de mim, não falo de mais ninguém.
Isso aí é valuation.
Mas vamos por partes. Isso é valuation. Você Tá certo. Se o time começar a perder, cai. Se o cara só vai valer quando o cara vender, aí beleza. Se o cara vender, o proprietário vender e fazer esse dinheiro, beleza, né?
Sim, sim.
Aí ele tem razão. Agora, valuation é valuation. Também vale quanto? Vale o que eu quiser, né?
Tô errado? Não, é desse jeito. E aí, tipo assim, mas é o foda aí, cara. Eu tava falando também ontem, até contei essa história. Ah, ele é o cara mais influente no basquete hoje, velho. Tipo assim, tem um LeBron, tem os cara, mas ele é o cara mais influente. Ele mudou o basquete. O basquete, você não chutava bola de 3, agora hoje em dia todo mundo arremessa quase mais, tipo, todo mundo faz, chuta mais bola de 3 do que de 2 numa partida. Ele mudou o basquete, mudou. E a gente tava em Minnesota, chegando em Minnesota, menos quase 30 graus, tipo 27, 28 graus menos do lado de fora. Bora, 2, 3 horas de manhã tinha 60, 70 pessoas na frente do hotel esperando só para ver o cara, velho.
Puta, embaixo de um frio desse, só para ver o cara passar, velho. É muito influente.
Engraçado, a gente desce do ônibus, aí desce um, desce outro, desce eu e desce os cara. A torcida, todo mundo caladinho. Quando desce ele, Steph, Steph, assina aqui, pelo amor de Deus! Uma gritaria, mas ele passa, todo mundo, eles nem veem, nem sabem quem é.
Pô, queria muito conhecer Você, o Steph Curry, tirar uma foto.
Um dia eu vou lá em San Francisco, vou lá no jogo lá, vou entrar no banheiro de gelo também.
Porra, você sabe que meu filho, cara, você vê como é que os Estados Unidos é, cara, não tem conversa. Por isso que é um país que dá certo. Eu tava num jogo lá em Orlando contra o Golden State, e do nada, velho, eu tava meio perto assim do banco, né, o varejão O Varejão nessa época tava jogando no Golden, né? Aí o Varejão, qual é, no meio do jogo, cara, ali daquele intervalo, eu tava ali assim, cumprimentou você, ele me viu. Aí ele, pô, que legal, você tá aí, tava com meu filho, ele sabia que o meu filho curtia e tal, cara. Indo embora assim, ele veio e falou, ó, pô, vou levar teu filho para tirar uma foto. Caralho, meu filho já tava, lógico, imagina, meu filho Eles apareciam todo vestido de Golden State, sabe aquela vibe?
Tava uniformizado.
Pô, ele tava com 10 anos, meu moleque, na época. Imagina, moleque com 10 anos, tá louco, meu irmão. A pergunta é: quem disse que passa? Veio o cara da NBA, veio não sei o quê, voltou, o varejão veio, pediu para o cara: não, eu vou levar o menino. Cadê?
Não tem a credencial, não passa.
Meu irmão, larga de ser profissional, larga de ser profissional. Acho que caralho, não tem a credencial, não vai passar.
Não é bagunçado. Não, eu tô com carro, velho.
Não, você não sabe, eu putaço com guarda, né, velho, tentando pôr. É uma criança.
Não, não quero.
Não, mas veja bem, porra, o varejão voltou. Não deu, não adianta, amigo, aqui não passa.
E eu acho que vocês estão certos, você não tem credencial. Hoje em dia a gente passa por aqui.
Hoje em dia tem, tem o family pass, que é o passe da família. Quando vai lá, por exemplo, tem uma sala que fica só os familiares dos jogadores, uma sessão lá que fica só os familiares. Com esse family pass você consegue entrar lá na quadra onde a gente treina e você consegue ver os caras tudo, pô.
Mas só para concluir, eu tô saindo com o carro, Gui, aquele estacionamento anexo, né, que tem lá, né, irmão. Já fiquei até mais tarde, né, já tinha esvaziado bem, que a gente ainda tava tentando de alguma Pô, entrar, tô indo embora, velho. Quando eu quebro a rua assim, que eu saio do estacionamento, que eu paro, vai atravessar um pedestre, velho. Quem que era? O guarda, meu irmão, com a roupa normal. É vontade de dar uma porrada. Eu vou realizar essa parada com meu filho, eu pego um voo para São Francisco, faço bate-volta, vou lá para a gente ver um jogo, ter uma experiência.
Faz um bate-volta, cara, pelo meu filho eu sou Pode fazer qualquer coisa, né? Bate e volta, eu sei, mano.
Bate e volta, São Francisco. Ué, ano que vem planejando, você fazendo direitinho, fica uns 10 dias. Só não pode tá machucado, filha da puta.
Fica uns 10 dias, caralho.
Só não pode machucar. Não, 10 dias não dá, bola.
Conheceu Alcatraz?
Conheci, caraca, é da hora, hein, velho.
É da hora.
Já fui lá na prisão de Alcatraz.
Nunca fui também.
Cara, São Francisco, você entra lá Como é que é em São Francisco? Você entra lá, pô, você vai com fonezinho de ouvido assim, igual vocês estão, e vai com radinho. O radinho vai te guiando, não é uma pessoa. Aí eles botam os caras, tipo, como se fosse os presos contando a história. Na tua língua?
Que legal!
Vai, bota os presos contando a história assim, pô, nessa cela aqui aconteceu isso, e na sala de jantar acontecia isso.
É da hora, hein, cara?
É, velho, os cara conta a história dos caras que fugiram lá, tem até o filme lá, e tem, eles botam fizeram lá um boneco de cera igualzinho, os cara fizeram uma parada assim, é loucura, é da hora. Tem o Pier 39 lá também, que é onde fica as focas, que fede pra caralho.
Não, foca é o bagulho mais fedor, meu irmão.
Ixi, lá em Santa Cruz, aquela rua que é umas curvinhas, que é famosa também, Lombard Street.
Mas conta aí.
Lá em Santa Cruz, onde eu morava, né, quando jogava na Eu morava num apartamentozinho perto da praia que o time arrumava pra gente lá, e a gente escutava as focas, pô.
Acordando, a gente tipo: "Oh, oh, oh!" Não, eu vou te falar, olha, elefante fede, galinha fede, pinguim fede, agora foca, meu irmão, é diferente. Meu irmão, "Ai, que lindinha!" "Ugh!" "Nossa, foca!" Bicho, como é que fede essa porra, velho?
É impressionante, né? Tem pra caralho, velho.
Tem muito, muito, muito.
E elas ficam reunidas aí, quer morrer, velho. É o bicho mais fedido que eu já vi na vida, velho.
Mas é engraçado, mano, as focas é engraçado.
Leão-marinho é essas porra aí, foca e leão-marinho fede horrores, velho. Fede longe.
Que pariu, bicho.
Que cheiro ruim. Aí você dá uma olhadinha no pia assim, ó, eles tudo deitado no sol.
Ai, que bonitinho.
Ah, que você chega perto, puta louca! Do sul, falei, meu Jesus amado, mas que porra é essa? É, pode botar 10 gente morta, é nada. O bicho fede com força. Deixa eu te fazer uma pergunta. Como é que, por que o Iago lá, por onde anda o Iago? Porra, a gente achou que ele ia dar na NBA, né, cara? Você tá ligado no Iago? Porra, joga muito, né, cara?
O Iago é bom, pô. Ele tipo assim, foi muito desdenhado também pela altura dele, né? Ele tem, eu acho que 1,75. De altura. Ele é craque, velho, moleque é bom de bola. Ele jogou a Summer League lá, aquela liga de verão, ele mandou bem nos jogos e tudo mais. Mas hoje ele tá jogando na Europa, pô, agora ele tá na Itália, tava na Sérvia antes, foi para Itália agora. E pô, na seleção é o, tipo assim, é quando chega lá eu, ele, Bruno Caboclo, Didi, Jorginho, Joga muito, hein? Meu Jesus, joga o Caboclo também.
Cara bom, velho.
E também jogou na NBA, né, mano, muito tempo. Ele, cara, o Caboclo era um cara respeitado lá, pô.
Hoje quem é o cara mais baixinho da NBA, irmão?
Que é um cara do Japão, não sei o quê, Nakamura, Kiyamoto, alguma coisa assim.
É um sushi na quadra.
Quanto tem de altura?
Ele deve ter uns 70 e pouco também, pô, uns 70 e pouco, mas ele não joga tanto não.
Imagina ele marcando LeBron, sabe? Pisa no cara.
É muita diferença. É por isso que não dá, é difícil de jogar, porque os cara botam ele na defesa o tempo todo. Aí bota o cara, é nada, né?
Ele bate a cara na piroca do LeBron, cara. Não dá, não tem condição do cara jogar, né?
Mas assim, porra, o Iago, cara, eu achei que ele ia, ele ia para NBA, cara.
Merecia muito, velho, merecia muito.
É um cara trabalhador, né?
Por muito pouco ele não foi muito pouco, é, velho. É porque assim, até mesmo os próprios americanos, quando vê um rapaz da altura, irmão, e eu acredito que sim, porque basquete ele tem mais que o suficiente, mano, para jogar lá. É, o cara é craque de bola assim mesmo, só que pô, lá na NBA os caras vê o cara baixo, eles já desdenham do cara, já desdenham do cara. Tipo assim, se o cara não tem altura, é, eles preferem dar chance para um cara que tem altura, que pode ser um pouco mais que o cara, do que dá a chance para o cara que tá jogando bem, eu acho que é um Mays, que é um que bate a cabeça na, na, na autopaca. Ele é francês, francês.
Os braços compridos, cara, tem uma foto minha jogando contra ele nas Olimpíadas.
Juro, parece que eu sou uma criança do lado dele, é muito alto. Ele arremessando assim, aí eu pulando, dando a vida para pular, eu tô aqui, ele tá aqui ainda com os braços dele gigantesco, é absurdo.
E é legal que o Mbayama, ele tem uma técnica, né, velho?
Tem ele, tipo assim, ele tem 2,27 de altura. E joga como se fosse um cara de 1,80m de altura.
É porque geralmente os altão são meio jejum, né, lentão assim.
Não, ele não, velho. O cara faz tudo que, tipo assim, dribla a bola, chuta a bola, mata a bola de longe, de perto, enterrada, tudo que você imaginar. Moleque é, mano, se manter saudável, se manter o cara saudável, você vai ver, mano. Esse maluco é—
Ah, você acha que a turma não vai cuidar dele?
Então com certeza, mas é muito jogo, né, Bola, que eu tava falando.
Esse que é o problema, é que tem uns caras que são altos e não tem técnica. Emba Yama, ele é um cara que sabe arremessar, sabe marcar, o cara é completo, né, cara? Completo, velho. 2,20m.
Imagina o bloqueio dele, né?
Ah, é engraçado, pô, porque assim, os caras vão driblando a bola, ele tá embaixo do aro, os cara deixa ele perto do aro, só dele tá perto do aro, os cara olha pra cesta e fala: sai fora, sai driblando a bola pra fora, tá livre embaixo da cesta. Só que ele tá perto, ao invés de ir para cesta, os cara pega, dribla a bola para fora de novo e prefere chutar de longe, de tão impactante que o maluco é, velho.
É, ele é muito grande, cara. Ele é muito, ele é muito desproporcional, né, cara?
Olha o tamanho, bola. Esse é o Kevin Durant, 2,13 de altura. 2,13 de altura, caralho, velho.
Parece um moleque, né?
É magrinho, velho. Mão, a bola de salão, de tênis, né?
Tá jogando uma bola de golfe. Ó isso, cara, que absurdo, velho! Quanto tem a rede de altura?
3,5. 3,5 tem o aro.
O aro, bola.
Caralho, velho, tá que pariu, ele salta aí uns 3,50, velho, quase passando a tabela a mão dele, velho.
É uns 3,60. Teve esses dias um vídeo dele no aquecimento que ele pulou em Encostou lá em cima na tabela, perto dos caras. E aqui você fala, esse cara tem 1,60, 1,70. Não, os cara tudo com 1,90, 2 metros. Caralho, velho, é maluco.
É, dizem que é difícil marcar assim, é, diz que não tem como marcar.
Não tem como marcar.
A mão dele no ombro do outro, olha o tamanho da mão, velho.
Ele tá no ombro escorado. Ele tá escorando num cara de 2 e alguma coisa.
Então, meu, e É o apelido dele, mano.
Ali, é que louco, velho.
E é um cara completo. Agora, vai sofrer com lesão ou é de boa?
Cara, ele é um cara extremamente—
é o que ele falou, os cara não preparar, não cuidar dele.
Ele faz um trabalho, o Spurs, que é o time que ele joga, faz um trabalho muito bom com ele assim, que ele consegue se manter em alto nível.
E ele é magrinho, né, cara?
Magrinho, magrinho, bem magrinho.
Mas é forte, velho. Você acha que o cara não é forte, mas ele dá umas trombada em você, você fala Tá, porra, esse bicho é forte.
Agora, o Damon Green é o mais marginal de todos, né, velho? O Damon Green, cara, ele é muito louco, né, velho?
Meu primeiro jogo que eu tinha oportunidade de estar assim na NBA, né, eu não tinha entrado, meu primeiro jogo, acabei de assinar, fui pro jogo, mano, meu primeiro jogo ele foi expulso dando um mata-leão no Rudy Gobert no meio do jogo. No meio de uma briga.
Ele é muito louco, ele é muito louco.
Ele saiu dando um mata-leão no cara O cara no meio do jogo, eu falei, que é, pô, é os cara, os cara que é armado.
Eu já vi muitos jogos do Golden e do Damon Green assim. Eu acho que arbitragem, você tem que ver o que ele faz com arbitragem, já nem liga mais para ele. Caga, ele grita na cara do juiz, bota dedo na cara. O juiz já fala assim, mano, se eu fizer isso com o Damon Green, ele não joga mais porque não vai entrar em quadra, né, mano? Ele é muito louco, velho. Eu acho que jogador mais assim.
Ele é engraçado, a gente ri no banco, velho, que às vezes ele vai falar umas paradas assim para o juiz, que aí a gente olha um pouco. Se eu falo isso, eu sou expulso.
Tipo assim, tu é cego, maluco? Tipo, cara, e ele grita, né? Ele tem uma postura agressiva.
O bichão fala assim com o juiz, você fica com medo, você fala, eu não tô falando nada.
Ele já te deu o exporro já, Gui?
Já, já, mano. O que que ele falou para você, cara? Uma vez a gente, o cara, o cara foi fazer fez o bloqueio, pegou nas costas deles, e eu deveria ter avisado. Fala assim, ó, bloqueio, bloqueio, bloqueio. Aí ele tomou uma pancada assim.
Aí ele virou para mim assim, essa caralho.
Não, ele falou, ele falou, você sabe falar inglês? Do you know English? Do you know English? E eu nervoso, yes, yes, sim, sim. Aí ele, então fala, porra, fala comigo, me avisa do bloqueio, rapaz. Eu falei, não, desculpa. No próximo, o cara foi fazer o bloqueio.
As bancadas, avisa tudo pro cara, velho.
É, mano, ele é muito ignorante. Caralho, é, ele encara todos os jogos, todo jogo é isso.
E o Curry só: calma, irmão, sai daí, calma, calma.
Mano, todo jogo, você achar o mata-leão dele aí, acha esse mata-leão dele aí, né, pelo amor de Deus.
Olha que ele tá com o juiz, bicho.
Não, ele não tem, ele é um maluco, cara.
É um vídeo, deve ter vários vídeos aí. Começou com o Klay Thompson, O Klay Thompson arrumou confusão com um cara lá, aí chegou esse Rudy Gobert para separar, no que chegou o Drummond grudou no pescoço dele, já levou ele para fora da quadra, e eu olhando na beirada da quadra assim, tá, porra!
Mas ele é bom nessa brincadeira.
Joga bom, joga pra caramba. Inteligente, velho. Marca muito, marca pra caramba.
Um dos melhores marcadores da NBA. E é veterano já, não é mais menino.
Mesma idade, tem 37 anos.
O Draymond Green é um, ele é, eu acho que é o Aquele pau, assim, ele e o Curry, cara, é a alma do Golden, né, cara?
Hoje é a mãozinha do Curry, né, meu? Na história, ele foi.
É maravilhosa a mãozinha do Curry dando uma afastada nele.
Eu tenho certeza, ele não sai do Golden, cara, eu acho.
É, pela história, né?
Ele não tem cara que vai aposentar aí.
É tipo um cara muito ídolo, né?
O cara ganhou 4 títulos lá, né, velho? Ele e o Stephen junto, o Klay Thompson tava junto também, que é um cara que é muito ídolo lá também. São caras que Acho que é principalmente o Dwyane Wade, que tá no time.
Ele vai ter camisa na quadra, certeza, sabe?
Os 3, né?
Não, porque lá, como é que é, Gui?
Tipo assim, são os cantos, os caras fazem uma história muito grande pelo clube que eles jogaram, eles aposentam a camisa do cara. Por exemplo, número 23, ninguém nunca mais poder usar.
30, ninguém vai poder usar. E vai para o teto do ginásio, fica lá pendurada no teto do ginásio.
Aí ele, Klay Thompson, Stephen Curry, eu tenho que comer muita arroz e feijão ainda lá.
Fala assim, ó, vamos ver, bola, ó, top 5 das loucuras dele. Ele é louco, ele é louco, ele é louco, ele é louco, ele é louco.
Ele deu embalo no cara, mano, ele pisou no cara.
Muito louco, ele é muito louco, ele é muito louco, é o cara mais louco da NBA, ele faz umas puta barbaridade, ó, o que ele vai fazer, tá correndo, ó, ele joga futebol americano. Não, mano, ele é muito louco.
Ele deu um soco na cara do outro.
Não, ele é muito maluco. Olha, ele briga.
Isso é quando fala para rever a jogada, tá ligado?
Ele é muito louco, velho.
Eu lembro, eu tava assistindo esse jogo aí, eu não tava no time ainda não.
Ele é um personagem, né, cara?
Ele briga com a torcida, cara.
Não, ele é muito raçudo, velho. Ele é a alma do Golden, cara. Mas é maluco, né?
Esse dia aí, ó, meu primeiro jogo.
E já começou a porradaria. Ele já deu mata-leão no cara. Dá-lhe, Gui Santos, dá-lhe! Mão ligada e puxando o cara pelo pescoço, mano. E os negros separando. Cara, que time ignorante, bicho. Não, o Damon Green pode ir para MMA, velho. O Damon Green não tá achando o cara, ele embalar no cara, pisou no cara.
Imagina eu vendo isso, velho, meu primeiro jogo, velho. Primeiro jogo, o cara grudou e foi na frente do nosso banco, velho. Todo mundo olhando, olhando pro outro, falando: tá, pô, ele não vai largar não, ele não vai largar não, vai apagar.
Todo jogo ele arruma uma treta, velho.
Cara, ele é muito competitivo, velho. Então ele quer ganhar, mano, a todo custo. É impressionante. Se a gente tá com a gente, ele cobra muito a gente como jogadores, né, dentro da quadra. Vamos, porra, não sei o quê, vocês estão dormindo, cara, acorda. A gente, a gente sabe como é o caminho, foram 4 vezes campeão, pô, então ele sabe o caminho pra ganhar. Então ele cobra a gente, a molecada que tá chegando agora, para trazer essa mesma coisa que eles tinham desde 2005, espírito de ganhar. Então, pô, seja com juiz, seja com a gente, seja com técnico, com quem for, ele vai falar e vai tentar trazer o máximo de todo mundo, velho. O cara é foda.
Eu tenho uma curiosidade, Gui Santos. Descobriu o salário do Damon Green aqui, ó, 25. Obrigado, obrigado, Samy. 25 milhões de dólares por ano. Bobagem.
A vela, 1.500 conto para ele, irmão.
Milhões de dólares por ano. Tá bom. Como é que é a logística? Por exemplo, pô, todos vocês são muito grandes. O Golden tem um avião próprio, vocês usam linha aérea. Como é que funciona a logística? É, como é que funciona?
O Horus tem uma parceria com a United, né, que é uma marca de uma companhia Aérea, isso, que eles cedem o avião para gente. Aí o avião, pô, é tudo assento de primeira classe, todos os assentos são primeira classe, tem mesa no meio do avião, tem espaço assim. Então é extremamente confortável. Como a gente viaja muito, é necessário.
É, vocês cruzam 6, 7 horas de voo, né, velho?
Não tem como a gente ficar passando por raio-x e para lá e para cá. Isso não é direto, a gente chega, para no aeroporto, no aeroporto normal mesmo, só que a gente entra para uma outra entrada, os caras vão ver o seu nome, tá cheque no seu nome, você entra no avião.
Dá para trazer os perfumes para nós, irmão, pô. Ninguém vê bosta nenhuma, né, cara?
Não, mas não, mas isso é dentro dos Estados Unidos, vocês têm um hangar diferente.
Tem, tem, tem, tem um lugar. Então vocês vão de boa, não tem como andar no aeroporto, né?
E aí tem 50 negros de 2 metros passando e os caras tudo aí. Outro bravo socando a turma do aeroporto.
LeBron James no aeroporto fazendo check-in.
Imagina o bravo, o Damon Green dando tapa na turma, cara, não dá, meu.
Mas o, então existe um todo uma logística, uma logística.
Foi um Damon Green pra caralho, ele deu um puta mata-leão no cara, pisou no cara.
Não, ele é, não, mas isso ainda é nada, ele tem mais de 500 cenas dessa aí no mínimo, ele é maluco, cara, é maravilhoso. Se achar mais dele aí, pode botar. Bola Pirá, não, ele fala com o juiz. Não, mas ele é muito ignorante. Às vezes tem um lance besta, você sabe, o juiz, ele grita na cara do juiz.
Eu falo, mas como é que o juiz não expulsa esse cara?
Ele é muito assim, né? Ele é muito—
que maravilhoso!
Quer dizer então que a logística é só logística, especial para gente, o assento grande para todo mundo aí. Chega, já vai direto para o hotel, os quartos absurdos, velho. Você, primeira vez que eu entrei num quarto assim de hotel da NBA, que é isso, velho.
O hotel já é meio pré-determinado, já, já, já.
Todos os caras sempre, exatamente.
Na cama, põe baiana ali, exato.
Cara, você vai dormir lá no chão, já dorme com o joelho no pé no chão, ele dorme.
E cara, você vê, quando a gente vai viajar, os cara montam uma uma cozinha dentro da sala do aeroporto para fazer café da manhã para gente. Cara, uma estrutura! Meu pai, minha mãe, eu já mostrei para eles várias vezes assim. É uma estrutura, velho.
Carona? Não pode pegar carona?
Pode, familiar. Tem uma noiva já, acho que eles nunca, nunca viajaram. É isso. E mas aí a minha noiva já viajou junto comigo dentro do avião.
Cara, que loucura! Não sabia disso não, velho. Pô, deve gastar uma grana braba.
E americano ou brasileira tua noiva?
Brasileira, brasileira eu sou. E ela tá indo para lá, como é que Ela joga vôlei de praia no Havaí.
Ah, que legal, mano!
Ela joga vôlei também.
Que merda, hein? Porra, no Havaí!
Eu tô com um projetinho aí de fazer uns meninos bons, viu, pro basquete. Vou lançar uns 4, 5 aí, renovar essa safra do basquete brasileiro.
Já que o pai parou, caralho.
Pô, mas ela é autônoma também?
Ela tem 1,85m de altura, forte, pula pra caralho. E eu falei: "Ah, essa daí, já vi, essa daí, ó." Começa agora, irmão. Pedigree, tem pedigree, né?
A altura da sua mãe, é sua mãe aí, ó.
Um pouco mais alta que minha mãe ainda, né, mãe? Um pouco mais alta que minha mãe.
Que legal!
E ela joga liga lá no Havaí?
Joga liga da NCAA, né, no college lá no Havaí. Ah, college. Isso, tá terminando agora de jogar, vai se formar. Oi? Ah, ela foi eleita All-Four Team, que é tipo assim, o primeiro melhor time dos Estados Unidos de vôlei de praia. Ela tava lá.
Mas ela é brasileira ou é americana?
Não, ela é brasileira, brasileira. Crescida em Curitiba.
Mas não tem Green Card, não tem cidadania, nada.
Ela é brasileira. É brasileira, brasileira. Aí quando acabar—
Mas se destacar no esporte, já vai conseguir, né, meu?
Ajuda, né? E pelo fato da gente estar junto e tudo que eu tô fazendo lá nos Estados Unidos, então ajuda bastante. A gente vai casar já já, quando casar, e eu aplico pro visto e tudo mais, aí dá pra ter o Green Card, essas paradas lá.
Porra, é porque eu fiquei assim, porque ela pode ser uma atleta olímpica pra gente, né, velho? Vôlei de areia, né?
Vôlei de praia. Ela é boa, pode ser, né?
Qual o nome dela?
Julia. Julia Lawrence.
Julia Lawrence.
Vamos ficar de olho. Exatamente.
Eu sempre acompanho quando dá um vôleizinho de areia, eu gosto.
É massa, velho. É um esporte da hora. Quando eu vou para lá, né, quando eu não tô em São Francisco, aí tem uma pausa do All Star Break, aí eu vou para Havaí, fico lá na Havaí junto com ela vivendo a vida ruim lá, né?
Bora.
E ligeiramente É bem perto de São Francisco, né?
6 horas. É o mais, o mais, a cidade mais próxima do Havaí é São Francisco. 6 horinha de voo ainda, mas mesmo assim é uma cidade mais próxima, é no meio do nada. Não é muito perto, não é muito perto não, mas é a mais perto que tem.
Mas Havaí é muito legal.
E ela pretende, vai morar comigo ano que vem.
Ela vai para São Francisco e ela vai arrumar um lugar para jogar lá?
Então a gente ainda tá decidindo isso, né? Ela tá decidindo isso. Ela não sabe, ela teve muitas lesões porque atrapalhou muito ela. É a lesão que ela ficou 9 meses fora e voltou, machucou de novo a mesma lesão. Aí voltou, machucou de novo.
Então, qual que é a lesão?
Pé? Não, joelho. Mesmo que os caras lá, mesmo na areia, cara, mesmo na areia machuca. É muito instável, né, pô? É muito instável. E ela jogava quadra também. A primeira vez que ela machucou foi na quadra. Aí ela se recuperou, foi pra areia, machucou de novo na areia. E aí tava se recuperando, agora que a areia machuca muito o pé, cara.
Meu pé, eu, por exemplo, se eu for jogar vôlei de areia—
Você curte um vôleizinho, né? Já vi um vídeo de você jogando.
Vai ter jogo quinta-feira, bola. Eu vou treinar contra quem? Contra o Sírio. Bora, 50 a mais, meu irmão! Você acha que eu tô de bobeira? Tô nem aí não, maluco.
Vamos embora! Da hora, da hora isso aí. É, eu gosto, mano. Tem que ser ativo, né, mano? Não, cara, jogar é a competitividade, né, velho?
Dá aquele friozinho na aquela porra, não tem idade para sentir isso.
Aí olhar pelo—
porque o vôlei tem umas encaradas diferentes. A galera fala: ah, vôlei, você quer? Não, vôlei é legal, cara, porque você, você olha pelo cara pela rede assim, sabe qual é? E tu tem que ir lá enfiar a bola, dá-lhe uma porrada do outro lado.
É legal, é legal.
Principalmente por causa da Ju. Mas agora para mim, vôlei de praia é muito da hora, velho.
É muito difícil, condicionamento. Eu machuco meu pé, eu fui jogar domingo, você falou, uma uma travadinha, os dois dedinhos do pé, cara, deu a— tá inchado aqui também.
É porque trabalha muito diferente, né, velho? Não tá, não tá estendendo o pé, aquele puta pé de gargo.
Aí tu fica fazendo isso aqui, deu uma tipo uma estirada nesses dois tendões aqui do dedinho do pé, velho. Eu tô mancando, tô andando igual Roberto Carlos fazendo especial. Só falta mexer o olho. Então tô com gelo, acordei hoje meia hora de gelo.
Comprei, ganhei do vô da Aline, eu não conhecia.
Chama calcanhar de velho, é isso?
Canela de velho. Ganhou pomada?
É canela de velho. O vô bonitinho comprou para mim, eu machuquei ele. Aí você passa, é um negócio verde assim, chama canela de velho. Eu tô usando canela de velho maravilhoso para passar no pé, para jogar quinta-feira, mano.
Bora! É isso, é isso, bora! Essa é a vida, né, velho? E, cara, o sentimento você tá dentro da quadra ali é massa, né, velho? Pô, quando eu entro lá e você vê, mano, 30 mil pessoas, 20 mil pessoas, caralho, porra, é muito foda, mano. É sentimento, velho, que você olha. E o engraçado, quando você tá na quadra, você nem lembra que tem tudo isso assistindo, velho. Você nem lembra. Quando você faz uma bola da hora, que a torcida vem juntar, aí você lembra.
Qualquer jogo é cheio, né, irmão?
Qualquer jogo é cheio. Lá em São Francisco San Francisco, no Warriors, eles até fizeram um especial essa temporada, foram 606 jogos seguidos vendendo todos os ingressos, sold out.
Caralho! Eu fui ver jogo lá em Orlando, falei para ele, porque é uma festa muito legal, cara.
É um show, né, mano? É um show, mas não se compara a São Francisco não, bora.
Não, eu tô dizendo, eu não vi, mas eu ouvi.
Porque eles fizeram uma arena nova, né? Era em Oakland, depois foi para São Francisco.
Eu fui com uma roupa, eu saí com camiseta, boné, torcendo pra caralho, o time tomando um puta couro, mas a gente torcendo por Orlando jogava pra caralho, não sabia nem o que tava acontecendo.
Mas Orlando é o último, né?
Então, mas você torce, mas você torce.
Não tem, acho que ganhou já o Orlando, não lembro.
O último título do Orlando foi, foi na época do Shaquille O'Neal contra o Moji.
É só conferência, acho que eles não chegaram a ser campeão da NBA.
Mas é uma festa muito legal.
Nunca foi campeão da NBA Orlando, nem com o Shaquille?
Não, é mesmo, é uma festa muito legal. Legal, você vai comprar comida, você come uns putanacho aí, você sente, é uma delícia.
Eu gosto das Bazookas de Camiseta.
É uma puta música, é muito legal.
Aí entra as mulheres de não sei lá de não sei lá de onde. As cheerleaders.
Os placar, aquilo é muito legal.
E o barulho, né?
É muito legal, né?
Pô, é muito top.
Os cara sabe engajar a torcida.
Por mais bosta que o time tá, o negócio tá cheio.
O DJ, ele Anima.
E muita gente não vai lá, às vezes os cara nem acompanha basquete igual você foi lá, você nem acompanha tanto basquete, mas você depois que você vai, você fala, cara, que da hora, é muito legal, cara.
Eu queria uma camisa, você consegue descolar uma do, pedir, que eu achei bonito. Do Bravo?
Não, eu quero uma do Bravo, arruma para mim.
Do Bravo?
Do tio que bate no juiz e o caralho.
Não, eu, eu, eu tô, eu vi a camisa, puta, o jogo domingo, o Barba do Cleveland, que camisa bonita, ele ser grandão.
Ah, do Cleveland.
Porra, do Barba, tu consegue para papai? Tenta para papai, vai.
Ele conhece, o varejão tá lá, né? O varejão deve conseguir lá.
Pô, a do Harden, não precisa ser a do Harden dele, mas sim, sim, essas que eles jogaram domingo, cara, é do com 6ão grandão, né? Porra, não, mas essa agora que eu vi o jogo, se tiver aí bota Harden Cleveland, o jogo de domingo, a camisa, bola do Cleveland, é que eu gosto do Cleveland, né? Eu Nada contra o Golden, mas apanhou bastante dos caras, né, Cleveland? É, eu lembro, mas também ganhou um título na cara de vocês também.
3x1, virada, maior virada da história, né?
Essa foi a maior virada, tava 3x1 pro Golden.
Quem ganhar 4 primeiro. Ficou 4x3 pros caras.
Eu lembro, pô, esse dia meu filho chorava e eu ria da cara dele. Meu filho é Golden State maníaco e eu sou Cleveland, né? Aquelas finais eram... Como foi a jogada daquele maluco, velho? Aquele lance é o mais maravilhoso, né?
Dos NBA.
Essa aí?
Não, não, é azul, uma preta que tem um cinza lá, ele com a mãozinha lá, ele é a mãozinha para fazer, ele tá ali testando a munheca para fazer o movimento. Essa aí, olha, essa camisa é bonita demais, puta merda! Olha essa camisa, velho, esse alguém, velho.
Nossa Senhora, marcar ele é difícil de marcar demais.
Deixar a barba crescer quando esse time, cara, não cresce só essas penujas, velho.
Aqui, né?
O James Harden é o jogador, pelo menos assim, pelo que eu acompanho, mais despretensioso da NBA. Ele tá em quadra, ele parece um cara que não tá nem aí, tá cagando. É tipo, ele joga relaxado, ele é um é um cara meio que não tem estilo de um jogador normal. Sim, ele não tem a mesma movimentação, ele é um cara descompromissado assim, parece que ele tá morto ali na quadra, você não dá nada para ele, mas é o jeito que ele tá ligado em tudo. Aí do nada ele catimbeiro, adora arrumar aquela faltinha de 3 ali, né, de se jogar em cima do cara. Eu adorava quando ele jogava no Houston, cara. Ó, o que que é isso aí? Traz aí a barba dele. Aí, ó, traz aí. É o da torcida isso?
Você põe na cara?
É, tipo a galera põe. Ah, para, como tinha o varejão as perucas, né?
Que fodido, galera! Muito legal, velho.
Eu sou muito fã do Harden, cara.
Eu sou fã do tio Ele pisa nos outros.
O Damon tem mais lance do Damon Green aí, tio? Bota aí, bota aí pro Bola ver, pro Bola rir, vai.
Maravilhoso.
Olha o Damon Green, o que é louco.
Cara bravo, bicho.
Cadê? Bota aí, bota aí. Ó só, dá uma ligada, compilação.
Fight compilation.
É, o cara é maluco.
Dá uma ligada.
É, ele é maluco, cara. Ó, ó.
O cara dando soco na cara. Caralho, velho.
Ele é louco, cara.
Ó. Puto, eu sou muito fã dele, bicho. Ó, ó, ó.
Isso é um louco. E o Miguel, e o Miguel?
Ele pisou no cara.
Ó, ó, vai virar. Vai vendo, vai vendo.
Ó, ele deu o caralho, mano. Ó, chutou o saco dele.
É, ele é maluco, cara. Dá na cara do cara, velho.
E puxa pela cara dele. Esse tipo, sem jogar assim, puta Gui, caralho, velho. Ó, olha o que ele é bravo.
Ele é louco, velho.
E soco na cara e o cara não tá nem aí, meu.
Ele é muito louco.
Ele cortou o velado. Ó, no LeBron, como é que ele vai no LeBron, mano? Como é que ele vai? Ó, ó, ele dá mesmo, não tá nem aí, cara.
Ele é louco, velho, é louco.
Tio fodido, Fight Compilation. Ó, dando de traseira no chute. Ele é muito louco, cara, maravilhoso, velho. Ele vem, foi pra caralho, irmão. Ele é sensacional, velho. Pisou no outro.
Ele é tipo, ele é o rei o rei, né, cara?
O Draymond Green, ele é o rei do Golden, assim, mano, são os maiores da história assim, né? Ele, Stephen, bota o Klay junto nessa prateleira aí, são os maiores da história do Golden.
Agora você já criou a intimidade dos caras do tipo mandar Merry Christmas, o caralho, ou não?
Já, já, hoje é mais tranquilo, né? A gente, pô, lá como a gente convive mais entre a gente do que com a própria família, hoje é mais de boa.
Feliz Natal para você, o caralho.
Quando eu pedi, quando eu pedi minha noiva em casamento, mandou mensagem para mim, parabéns e tal. Os caras são parceiros hoje.
Duvido tu mandar uma mensagem.
Tanto de jogo que tem, velho, vocês se veem pra caralho, né?
Eu quero que você faça uma coisa: quando você for casar, você chega, manda assim para o Damon Green, fala assim: aí, irmão, quero ver o presente de casamento que você vai me dar, maluco.
Não vem com vela não, porque a vela vem com eu.
Quero ver o presente que você vai me dar, mano.
Zinho, uma coisa diferente.
E os caras são muito ostentação, muito ostentação. Os cara é muito brabo lá, eles gostam disso aí, né?
Do quê?
Do ouro, cordão. Os cara gostam bastante, velho. Lá, vixi, pô, você vai ver, os cara são da— teve um dia, tava até falando com minha mãe, tinha um cara que tava com Rolex lá, velho, Rolex, sei lá, era $160 mil, mano. Rolex em em cima do negocinho aqui assim, ó, tipo do jogado, jogado. Ah, fiquei olhando aquilo ali, eu falei, rapaz, vou dar um carinho. Quanto que é meu contrato mesmo? Deixa eu fazer as contas.
Ô, tô vendo que você tá usando o Oura, cara.
Oura, é, eu uso.
Mas eles estão monitorando você?
É, né, eu uso isso daqui agora como eu tô aqui, ele sempre acompanha, tipo assim, só no negócio de recuperação, como é que meu treino, tipo assim, tá indo e tudo mais. Eu uso bastante, velho.
Ah, então eles estão te monitorando. Dizem que isso aqui, bola, esse anel, eu uso aqui também, esse anel. Agora, os atletas olímpicos dos Estados Unidos serão monitorados.
É, os caras medem a nota do sono de hoje.
Quero ver se você tirou nota boa.
Esqueci de botar para dormir hoje. Puta merda, esqueci de botar para dormir. Na verdade, eu tinha esquecido ele em algum lugar. Cheguei no hotel ontem lá no hotel procurando, falei: caraca, ferrou, mano, perdi. Aí o Samy chegou hoje com ele. Aí, Gui, fez isso aqui ontem?
Eu tirei 82.
Ah, tá bom, 82 é uma recuperação boa. Acima de 90 que é o ideal que eles falam.
É, acima de 90. Mas como é que você vai tirar? Como é que você vai tirar 90? Eu tirei 90, deixa eu ver, a última vez que eu tirei 90 foi na sexta-feira.
Eu sou bravo, feriado, ó.
Aí, bola, feriado eu mandei um 92, dormiu gostosinho, feriado, né? Mas se liga nessa aqui, ó, de quarta-feira Sexta-feira, que noite boa! Razoável. Meia-noite, ó, uma noite meia-noite, hein, Gui Santos. 82, 70, minha média. Cadê tua média aí? Você tem a média de sono aqui? É bom saber isso aqui, é legal, cara. É bom você ter isso aí.
Eu tenho um anel, mas não é esse, eu tenho outro.
Não, mas é bom você ter o ouro aqui, cara.
O meu é de couro.
Eu não sei como é que vai, amor.
Ah, eu fiquei só esperando o que ele ia falar, velho.
O anelzinho.
É, não sei como é que tá, mas agora o relógio também, né?
Ontem foi 77, antes de ontem.
Quantas horas de sono aí de 77? Calma aí, porque é difícil dormir bem, né, cara?
Pô, foram 7 horas e meia de sono.
Porra, bom! É, mas o profundo é que conta, né? É. E você tá com quanto de dívida de sono? Tá ligado que eu tô de dívida de sono?
5 horas. Aí, bola, dívida de sono aí, ó, 5 horas e 50 de dívida de sono elevado.
É, então regularidade de sono bom, cara.
O meu tá de boa, eu tô sem dívida, sem dívida.
É, tá com aquela aqui nesse lugarzinho, é legal.
Isso aqui é legal, dá para você controlar bem, é, cara, porque quem dorme bem, você tem que controlar o sono, tem que controlar A vida saudável, porque é da idade, meu irmão.
A gente dorme mal a vida inteira. Agora dizem que os médicos, meu médico, meu querido Dr. Heron, fala: meu irmão, quer viver bem, quer durar, dorme bem. Minha namorada também pega no meu pé.
Na época do pânico, nada, né?
Puta merda, eu sempre fui um cara de dormir pouco, assim, por dormir, é que assim, meu sono profundo é muito bom. Eu durmo, se eu dormir, sei lá, 6 horas, quase 3 horas, mais da metade é sono profundo.
É tipo, é, eu durmo 8, 9 horas, meu sono profundo é 1 hora só.
Não, meu sono profundo é maravilhoso. Eu tenho sono profundo bom, REM, e o outro sono mais profundo é bom. Aí eu durmo 5 horas, para mim 6 horas tá bom, e não é Ideal, né? Tem que dormir mais, mas acordo despertando. Bom, vamos agradecer a nossa querida Philips, sempre por mais esse episódio. Gui Santos tá na área, nossa ambilight, TV, os jogos da NBA, tá na reta final aí.
Assista o tio bater em todo mundo na quadra, assista o Golden State Warriors, meu amigo.
Golden State não tá nos playoffs, por isso que Gui tá aqui.
Vamos começar de novo, eles vão assistir.
Outubro, já aproveita e já vai ter seleção aí nesse meio do caminho ou não?
Em julho tem seleção.
O que que tem?
Vai ser uma classificatória para Copa do Mundo, mas a gente já tá praticamente classificado já. Em agosto tem outra dessa classificatória também.
Então quando é que vai ser a Copa do Mundo? Quando vai ser?
Daqui 2027. 2027, não sei exatamente a data, mas é aquela mundial, mundial de seleções.
Diz que é facinho de jogar.
Pegar só os cara lá, é complicado lá, hein? Tem que levar o bravo, naturalizar ele brasileiro.
Imagina o tio dando um soco. Mas você viu, ele é muito louco, muito louco.
A todo jogo ele arruma um negócio, mata leão e soco na cara. E se ele tá perdendo, aí mesmo que ele apela, tá perdendo mesmo.
Maravilhoso!
Se alguém dá uma jogada em cima dele, ele já dá um murro na cara. Ele é meio argentino assim, sabe? O cara passa, ele dá aquela desviada. A galera já até acostumou já com ele, já nem liga mais. Bom, agradecendo ao nosso mesmo querido Felipe Verdade.
Obrigado, Filhozal de vídeo, ó!
Quer fone e caixinha?
Já levou, irmão! Já levou o fone e a caixinha.
Netinha, Netinha, agiliza aqui, ó. Pega o endereço do menino, aí você vai levar, você vai amar isso aqui, cara. Tem um grave maravilhoso.
Essa caixa sensacional.
Você levar lá pro vestiário do Golden, chegar com ela lá, tô querendo buscar. Puta merda, meter um funkzão brasileiro lá. Eles gostam, eles pedem música?
Nada, velho, os cara é muito americano, só aqueles rap americano deles lá mesmo. Eu, quando eu vim para cá, não escuto não, porque é o dia todinho escutando os rap lá, não dá nem para entender o que os cara fala. Mas tu não levou nada daqui para lá para eles Eu escuto e tal, mas não adianta, os cara não curte não, tá ligado? Os cara é a música deles lá.
Mas nem eu curto os funk daqui.
Não, é qualquer coisa, pagode, qualquer coisa, os cara são mais americanizado mesmo assim, os rap de inteiro.
É isso aí. Philips, obrigado. QR code na tela, conheça a BoomBeat da Philips, é uma caixa espetacular. 15 horas de bateria, serve de power bank, você pode fazer karaokê, pluga o microfone aqui e brinca de karaokê.
É outro nível, é isso aí mesmo.
E é meio resistente à água, viu, Bola?
É, né?
Então assim, melhor custo-benefício. Quer comprar a sua? QR code na tela, eles vão indicar um lugar bacana para você comprar, tem um preço bacana. Boa esse lançamento da Philips, que é a Boom Beach. Vamos nessa, Gui Santos! Boa sorte, meu velho.
Pô, obrigado, viu?
Boa sorte, gente, torce muito por você, meu filho.
Mandou abraço, é teu fã desde a época que você nem tava na NBA. Lembra, ele foi lá na minha primeira vez que eu fazia esse negócio de assinatura lá, ele tava lá, pô, lá na NBA. Agora, agora, que parada!
Tem caneta aí, tem caneta aí, Gui Santos?
Tem, ó, tem um tombo. Ó quem assinou, bicho marinho, Oscar, a Hortência.
Ó quem assinou, rapaz, Quem mais aqui?
Varejão.
Agora Gui Santos.
Agora Gui Santos.
Ô, Bola, mas você não fica com inveja?
Você não deixa a tua aqui, caralho?
Tem aí na minha bolsinha.
Tem que deixar a tua aqui, pô.
Pô, te colo uma bola.
Essa bola foi a primeira que o Oscar me deu. Nós deixamos aqui.
Essa daí é muito grande, tem uma essa daqui, ó.
A tua você levou para casa, meu? Você deixou lá?
Deixa aí, Gui.
Por favor, Gui.
Essa bola no Mercado Livre quanto já vale, Bola? Já passou.
Pega as duas assinaturas, eu vou botar. Quando tiver o espólio da empresa, o espólio, hein, Bala. Já vale uma grana.
Tem Oscar, Hortência, Marcel. Marcel tá aí também, aí também. Aí, agora o Gui Santos, cadê o culpado? Tá aí, ó, te mostro quem foi o culpado. Ele tava aí, o culpado vazou, sabe? O Altão aí, ó, ó, quem fez a ligada, viu?
Obrigado mesmo, irmão, de coração.
Moral que vocês estão me dando de assinar essa bola aqui, velho.
Aí, garoto, obrigado! Cadê, cadê, cadê?
Tá aqui, ó, do varejão. Já que a gente fala com carinho aqui, isso, com carinho. Show de bola, Gui Santos!
Obrigado, irmão!
Siga o Gui Santos. Cadê o arroba do Gui Santos aí? Você seguiu?
Gui Santos underline 4.
Aí, ó, Gui Santos underline 4. Segue meu amigo Gui lá no nosso querido Insta. Por favor, conheci seu trabalho por causa do meu filho e sempre na torcida pelo seu talento, pela, pelo moleque bacana que você é, né, cara? Você merece todo sucesso do mundo. É legal ver aí você dando, dando sangue. Não é fácil se manter no esporte de alto nível e alta competitividade, e você tá lá representando o Brasil, e a gente tá sempre aqui torcendo por você, cara.
Saiba disso. Valeu demais. É nós, é nós.
Deus te abençoe, meu irmão. Boa sorte.
Beijo, cambada. Obrigado.
Beijo, galera.
Até a próxima.
Valeu.
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