Meu Processo de Transição de Carreira

Neste vídeo vlog, Marlon Silva Domingues narra sua jornada de transição de carreira, passando de analista de sistemas e líder de projetos de operação para um cargo de liderança global em People & Culture dentro da mesma empresa. Ele descreve como o autoconhecimento, experiências internacionais e a desconstrução de crenças culturais o ajudaram a identificar o que realmente faz seu coração bater. Marlon introduz o modelo das seis necessidades humanas (certeza, variedade, significado, conexão, contribuição e crescimento) como ferramenta para alinhar valores, forças e motivação. Compartilha conselhos práticos: refletir profundamente antes de mudar, buscar apoio de coaches, ser responsável e protagonizar a própria trajetória, e adotar uma abordagem ecológica que respeite o momento atual e o futuro. Relata um episódio decisivo ao conversar com o vice‑presidente de RH, onde sua clareza e disposição em buscar o que ama foram reconhecidas. O vídeo encerra anunciando a série “Boteco Terapêutico”, destinada a quem busca transição de carreira, reforçando que barreiras são auto‑impostas e que a responsabilidade pessoal abre portas para soluções.
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Fala, galera, beleza? Marlon aqui e tô gravando esse vídeo hoje para compartilhar com vocês um pouco sobre o meu processo de transição de carreira. Eu não sei se todos vocês sabem, mas eu sou formado em análise de sistemas e ali pelo ano 2013, 2014, para ser mais objetivo, eu mudei definitivamente de área, deixei a operação da empresa que eu trabalho hoje, no qual eu atuava como gerente, líder de projetos de operação, e passei a atuar junto ao corpo de RH, a área de people dessa mesma empresa. E todo esse movimento, ele tem bastante aprendizados, bastante crescimento pessoal, autoconhecimento, Então queria trazer um pouquinho para vocês aqui do que foi essa transição de carreira. Transição de carreira é um tema hoje bastante procurado, bastante comentado, né? As pessoas se mostram cada vez mais inquietas com o status quo, com aquilo que elas estão fazendo, buscando cada vez mais fazer aquilo que faz o coração de verdade bater. Isso é muito doido, porque lá atrás, lá atrás, eu não acreditava muito nesse lance de que você acorda de manhã, ao acordar de manhã e sentir que você está fazendo algo que faz teu coração bater, você vive uma vida então de equilíbrio, uma vida em flow. Eu achava tudo isso baboseira, né? Eu vivia com aquela famosa síndrome do fantástico, né? Tocava a música do Fantástico Domingo, já me dava uma dor de barriga, uma inquietação do porquê segunda-feira tava chegando, né? E no fundo, no fundo, eu não trabalhava com aquilo que eu gostava. Aliás, eu tinha um grande incômodo, era, era muito, muito trabalhoso para mim realizar as funções que eu tinha que realizar. Não era natural, não era algo que fluía. Então tinha esse incômodo, né? Essa essa vontade de não levantar na segunda-feira. E desde que eu mergulhei em todo o processo de autoconhecimento, e eu fiz isso muito cedo, né, no começo da minha grande jornada de carreira, eu sempre me envolvi com o autoconhecimento e fui buscando cada vez mais ferramentas, estratégias, métodos que me ajudassem a compreender mais sobre mim. E ao compreender mais sobre mim, eu consegui então compreender coisas que de verdade agregavam valor para mim e que de verdade eu gostaria de fazer. Esse movimento todo foi muito interessante, muito desafiador, porque quando você se dispõe a fazer uma transição de carreira, o que acontece é que instantaneamente, instantaneamente, as tuas crenças começam a falar mais alto para você. Eu acho que ninguém aqui escolhe uma profissão, né? Se você é da minha geração, provavelmente você não escolheu a tua profissão pensando em fazer uma transição de carreira. Você escolheu uma profissão porque lá atrás você achou, acreditou, ou foi influenciado de que aquele, aquela jornada, ou aquela, aquela linha, né, de trabalho faria sentido na tua vida. E quando você se permite abrir a tua mente, você permite ver de verdade aquilo que faz sentido para você. Não só de autoconhecimento, aliás, isso também é autoconhecimento, mas o fato de morar fora do Brasil, de ter essa oportunidade de fazer um intercâmbio, de— eu fui depois viver fora a trabalho, mas o intercâmbio é uma grande imersão dentro de si. Que permite você olhar as pessoas por diferentes perspectivas, você conviver com pessoas que falam disso, de fazer aquilo que amam com mais naturalidade. A gente vive uma cultura ainda, cultura brasileira é uma cultura muito baseada em crenças do passado. A gente segue muito as ideologias de que temos que ser engenheiros, temos que ser advogados, médicos, essas profissões que são nobres. Acho que já mudou muito isso, mas na época, na minha época de vestibular, isso era muito forte, né? Era olhar para as pessoas que estavam cursando engenharia, os médicos, aquele é filho de médico, aquela é filha de advogados. E você acaba muitas vezes indo aonde a manada está e não necessariamente onde o teu coração quer, ou a tua alma. Existe talvez o caminho da manada e o caminho da alma. E para você se engajar nesse caminho da alma, você precisa pôr à prova a tua coragem, você precisa pôr à prova a tua vulnerabilidade, você precisa pôr à prova os teus defeitos, o teu lado sombra, para que você possa então se aproximar daquilo que faz sentido. Eu experimentei muita coisa, eu trabalhei como programador de internet, eu escrevia código. Aquilo não me dava barato, mas dentro de um contexto onde estudava-se isso, eu achava que eu deveria seguir essa profissão. É tão louco que se eu pensar na primeira profissão, primeira profissão que brotou na minha cabeça ainda quando criança era ser paleontólogo. Eu queria estudar, aprender sobre dinossauros. Olha que doideira! E existe algumas teorias, inclusive, que falam sobre propósito de vida, né? Eu não sei se você que tá me ouvindo aí já fez uma, tentou, exercitou buscar qual é o teu propósito, né? Rabisca, escrever alguma coisa nesse sentido. Por que que você tá aqui, né? Por que que você veio nesse mundo? E existe algumas, algumas linhas de raciocínio sobre propósito de vida que Faz a seguinte pergunta para você: qual era ou quais foram as suas primeiras tomadas de decisão relacionadas à profissão? Ou quais foram as primeiras brincadeiras que você exercia com mais naturalidade enquanto criança? Ali dentro dessas pequenas brincadeiras ou decisões moram os seus mais profundos desejos, os desejos de alma. E isso é muito interessante porque quando eu olho para trás faz muito sentido eu fazer o que eu faço hoje. Hoje eu trabalho, eu lidero uma frente numa multinacional focada em pessoas, em liderança, em cultura. E uma das coisas que mais me dá barato é essa capacidade de sair do subjetivo e vir para o racional com um conhecimento que não é natural. Não é natural para as pessoas. Não é natural você falar de conexão, de alma, de empatia, né? Não é natural. Não é natural você falar sobre vulnerabilidades. E uma coisa que me dá muito barato é transformar esses assuntos não naturais em algo estruturado, que faça sentido para as pessoas desse contexto profissional, tecnologia. Isso é muito bacana. Isso também mostra que tudo que a gente faz na vida não é jogado fora. Porque hoje o trabalho que eu realizo, ele é 100% voltado a pessoas, a facilitar as jornadas das pessoas no mundo corporativo de tecnologia. E o fato de ter cursado uma faculdade de computação, de TI, me ajuda muito a ter esse tipo de raciocínio, me ajuda muito a navegar nesses dois mundos, no mundo mais subjetivo, um pouco mais emocional, me trazer para o mundo mais racional as coisas. Então nada é por acaso, né? Nada, nenhum conhecimento joga-se fora. Mas é muito interessante que quando você passa a realizar aquilo que faz sentido para você, como as coisas fluem com mais potência, com mais naturalidade. Os saltos que você dá em sua vida, eles são extremamente assim espetaculares. Se a gente for pensar num contexto de carreira, quando eu tomei a decisão de de verdade mergulhar naquilo que eu queria fazer, obviamente você ganha algumas coisas e você congela outras. Às vezes você congela promoção, salarial, às vezes você congela oportunidades que você teria enquanto exercia um papel na outra área, e isso muitas vezes São as limitações que as pessoas colocam pra não fazer aquilo que elas fazem. Então assim, eu tenho uma oportunidade de fazer aquilo que eu amo fazer com muita paixão à minha frente. E eu não me engajo nisso por quê? Porque eu acabei de receber um salário, R$300 a mais no meu salário, e causa aquela sensação de preenchimento de necessidades. E eu deixo de fazer de verdade aquilo que faz sentido pra mim, aquilo que dá brilho nos meus olhos, aquilo que me dá leveza na vida. Eu conheço inúmeras pessoas que fazem o que fazem hoje simplesmente porque a sociedade o colocou naquele lugar. E quando eu digo a sociedade colocou naquele lugar, não quero dizer não que por falta de oportunidade, simplesmente por abaixar a cabeça e não se conhecer, eu me coloco nesse lugar. E me colocar no lugar onde não faz o meu coração bater me leva a um patamar do que, gente? De desconexão. Eu não me conecto comigo mesmo, não me conecto com meus valores, com as minhas necessidades, e quiçá consigo usar as minhas forças. Porque veja bem, a nossa raiz, a nossa raiz, da onde vem a nossa energia, se você quer produzir motivação, se liga no que eu vou te explicar: tudo começa por uma sequência de necessidades. As 6 necessidades humanas: certeza, incerteza, significância, conexão e amor, contribuição e crescimento. Essas 6 necessidades humanas, elas devem ser preenchidas constantemente. Uma vez que essas necessidades são preenchidas, você passa a exibir, exalar valores, aquilo que é importante para você. E dos teus valores brotam as tuas forças, e das tuas forças vem a motivação, o engajamento e a ação. Então esse caminho, esse movimento, ele precisa receber combustíveis poderosos, combustíveis, nutrientes, caso de uma aditivada, para que você consiga entrar nessa erupção de energia de fazer acontecer as coisas. Muitas vezes as pessoas me perguntam, eu vejo muitas queixas relacionadas à desmotivação ou até questões de como é que eu priorizo uma tarefa. A falta de priorização ou não querer fazer algo tem a ver com que esse algo não reflete, não abastece aquilo que é mais importante para você. E foi através dessa percepção, dessa conscientização, que eu fui construindo todo um caminho para chegar onde eu estou hoje, para fazer aquilo que eu gosto. E olha que interessante, né? De analista de sistemas eu passo a ser head de uma área focada em cultura, liderança, em segurança emocional, em coaching, dentro de um corpo gigantesco de RH, de people. Não é muito doido isso? Você pensar como é que você sai de um lugar tão diferente, tão estranho para esse momento E para mim só tem uma coisa que conecta esses mundos: o autoconhecimento. É você se permitir a se conhecer mais. Uma transição de carreira, para que ela seja realizada, você precisa ter uma clareza muito poderosa sobre o que você quer. Porque caso contrário, essa transição ela vai te levar a um outro lugar que vai te satisfazer momentaneamente e daqui daqui 3 meses você vai estar se queixando novamente sobre aquilo que você vai fazer. Então o autoconhecimento nessa jornada é extremamente importante. Mesmo se você estiver dentro da empresa ou se você quiser sair para uma outra empresa, se permita a se conhecer, se permita antes de tomar uma decisão fazer uma reflexão com você mesmo. Contrate alguém que te apoie, que te provoque, que te auxilie nesse processo, que faça perguntas corretas. E não simplesmente concorde com a tua causa, não simplesmente joga gasolina na sua inquietação. Muitas vezes, muitas vezes, querer sair de um lugar é um feedback de que você não está sabendo lidar com aquele lugar. Sabe quando que eu saquei que eu poderia fazer transição de carreira? Quando aquilo que eu queria fazer fora da área que eu estava já era feito naquele lugar com excelência. Então muitas vezes as pessoas vêm, ou já vieram até mim, pedindo uma oportunidade, dizendo: pô, como é que eu faço para trabalhar com você? Primeira coisa que eu verifico é: isso que você quer fazer aqui comigo, você faz aonde você tá? Porque caso contrário, fala sério, você vai trazer alguém para trabalhar com você de simplesmente está tapando um buraco, fazendo esse movimento? Porque lá ela não tem esses feedbacks, lá é uma pessoa que ela não tem empatia, ela não lida com as pessoas de forma poderosa. Então esse é o ponto de coerência, né? A transição de carreira te conta com muita propriedade que você está pronto, que você está pronta, quando aquele local já está preenchido suficientemente com as tuas atitudes, as suas ações. Aí sim você está pronto para ir para o próximo nível, ir para uma mudança. Mas se você está saindo, deixando aquele contexto, aquele local, porque você está de uma forma ou outra insatisfeito, triste, amargurado, irritado, isso é um grande sinal de que ainda tem ouro ali a ser descoberto. É óbvio que existem situações em que você está em atrito, um desgaste gigantesco, e é preciso dar um break, é preciso sair, é preciso tirar o pé. Super entendo isso. Eu já passei por situações dessas, estressantes, no mundo corporativo. Mas hoje, refletindo essas situações, se eu pensar lá atrás, situações em que eu pedi demissão de empresa, Tinha muito sobre a minha pessoa ali, tinha muito sobre eu não conseguir lidar com opiniões contrárias, receber feedbacks ou lidar com pessoas difíceis, inclusive. Então uma transição de carreira, para que ela aconteça de uma forma poderosa, leve e ela se prolongue na tua jornada, ela precisa ser ecológica. Ela precisa ter essa sabedoria de que: "Agora deu. E se eu tiver que sair daqui e ir pra uma outra empresa, tudo bem, mas eu vou fazer isso acontecer." Essa foi a sensação que eu tive quando eu sentei pra tomar um café com o vice-presidente da empresa, na época o vice-presidente de RH da empresa, e disse pra ele que eu queria fazer transição e não importava se não tivesse espaço ali. Eu faria em outro lugar, mas eu tava obstinado a isso. Quando você faz esse movimento sem impor condições pro local onde você está, você demonstra a maior maturidade possível de que você tá pronto, de que você tá pronta pra fazer um movimento diferente. Eu lembro claramente quando eu verbalizei de que eu quero esse movimento, eu quero focar em coaching, eu quero focar em liderança, eu quero focar em pessoas, e tá tudo bem se aqui não tem espaço. "Eu vou procurar isso, é isso que eu quero." E ele virou para mim e disse: "Quando é que você começa, nega?" Então isso foi sensacional, porque a conexão, essa comunicação, a fisiologia conta que você tá pronto ou que você tá pronta, né? A fisiologia nada mais é que um espelho do que tá aqui dentro, do que tá aqui dentro. Então se você consegue verbalizar isso de uma forma coerente, de uma forma ecológica, de uma forma leve, as pessoas irão perceber também. É isso, então compartilhando um pouco para vocês aqui a minha jornada de transição de carreira, onde eu saí de uma área de operação e fui parar dentro de um corpo de RH, e hoje, né, com muita felicidade no coração, eu assumo, né, o papel de head de uma área, um papel de head global de uma área, e acho que isso é muito poderoso para mostrar que não existe barreiras. As barreiras são impostas por nós. A partir do momento que você é capaz de demonstrar protagonismo, que você mostra responsabilização aos teus superiores, eles conseguem enxergar ali solução. Onde há responsabilização, há solução. Então as empresas amam olhar para colaboradores que são solution makers, ao invés simplesmente de pessoas que trazem problemas à tona, que estão desesperadas em ouvir solução. Então se coloque à frente, responsabilize por essa jornada, não tente colocar a resposta na empresa ou no outro do porquê que a tua carreira não funciona. Tome decisão, compreenda o que você quer de verdade. O primeiro passo é: o que que você quer de verdade? Você tem clareza suficiente sobre isso? E a partir desse momento, traga a responsabilidade a você sobre o que é preciso fazer. Mas não se esqueça, o autoconhecimento é extremamente essencial para que essa jornada tenha sucesso. É isso, esse é o primeiro episódio de uma série de vídeos que a gente do Boteco Terapêutico iremos compartilhar sobre transição de carreira. Beleza? Aquele abraço, espero que você tenha gostado. Beijo, vamos!









