O MUNDO TRATA MELHOR QUEM SE APRESENTA BEM!

In this inaugural episode of the Oratória Executiva podcast, host Cecília Lima interviews Marlon Silva Domingues, a former multinational executive turned founder, strategist, and communication coach. Marlon recounts his 15‑year journey from a systems analyst in technology to a senior HR leader, emphasizing how his natural talent for connecting with people—first noticed through his English fluency and later honed via rapport, storytelling, and coaching—propelled his career. The conversation explores the essential role of oratory and communication for executive advancement, especially for technical professionals who often underestimate these soft skills. They discuss concrete tools such as Neuro‑Linguistic Programming (PNL), modeling successful speakers, mindfulness, and preparation techniques (researching audience, visual storytelling, rehearsing). Marlon shares vivid anecdotes: breaking the ice with a demanding American client, earning a “communicator” badge, handling a mis‑communication that sent him to China, and using rapport to win trust from CEOs. Both speakers stress that communication is non‑optional, that presence and authenticity (the “brilho no olho”) matter more than perfection, and they each offer a practical exercise—Marlon’s focus on rapport and Cecília’s mindfulness/yoga practice. The episode concludes with calls to action for listeners to apply these habits to improve confidence, relationships, and career trajectory.
Chapters
Olá, líderes! Sejam muito bem-vindos, muito bem-vindas ao Oratória Executiva. Eu sou Cecília Lima, esse é meu podcast e aqui você vai encontrar quinzenalmente assuntos, reflexões práticas sobre autoconfiança, comunicação, posicionamento e liderança. Temas que vão te ajudar a alcançar o mais alto nível na sua carreira.. E hoje eu tenho aqui para a gente falar sobre a importância da oratória na carreira executiva o Marlon Silva Domingues, que é uma pessoa que eu admiro muito, faz tempo. Muito obrigada por você estar aqui.
Obrigado pelo convite, obrigado pelo elogio, inclusive pela admiração, é recíproco, obrigado.
E o Marlon, ele tá sendo convidado aqui para o primeiro episódio desse podcast. Uau!
Responsa, hein? Responda, galera!
Porque além de ter uma admiração por ele, pela carreira, ele foi um dos incentivadores desse projeto sair do papel e acontecer. A gente teve uma conversa um dia, ele falou para mim: Cecília, você tem que ter o seu podcast.
É sua cara, pô!
E aqui estamos nós.
Que legal!
E aí, Marlon, Eu gostaria que você comunicasse para as pessoas o que Marlon Silva comunica sobre Marlon Silva. Uau!
Que provocação complexa. Bom, eu acho que hoje eu posso dizer que eu sou um ex-executivo de uma multinacional, uma multinacional aí que no qual eu pertenci pelos últimos quase 15 anos de jornada corporativa. Nesse momento eu sou um fundador da minha própria empresa, sou CEO da minha própria empresa, sou um marketing da minha própria empresa, mas eu sou um estrategista em desenvolvimento humano. Acho que esse é o maior rótulo corporativo, a forma como eu me vendo no mercado, que me apresento no mercado hoje é como um grande estrategista em desenvolvimento humano. Eu acho que essa, acho não, tenho certeza, essa é a minha grande expertise que eu fui construindo ao longo desses 15 anos de mundo, de mercado, de interações com clientes, pessoas das mais diversas culturas, nacionalidades, segmentos. Também sou casado, tenho uma filha, sou paizão e sou muito bom em hambúrguer. Não sei se sou melhor em desenvolver pessoas ou em hambúrguer, tô na dúvida ainda, a gente pode descobrir. Esse é um pouco de mim.
Bom, um dia você me convida pra comer hambúrguer.
Depois eu mostro a foto, hein? A foto tá fazendo sucesso do último que eu fiz.
E eu adoro hambúrguer, adoro. E Marlon, uma coisa que me chama muita atenção na sua carreira É que você, eu olhei o seu LinkedIn e fui pesquisar suas formações iniciais, porque você tem um monte, né, de formação.
Fiz algumas.
E você vem da área de tecnologia, certo? E começou a sua jornada na área de tecnologia. Eu sei que você se encantou pelo processo de coaching, sim, um momento da tua vida, e você entrou no universo corporativo pela tecnologia e você chegou a uma carreira executiva na área de recursos humanos. E é uma carreira que eu digo que assim, ela é fora da curva, né? Ela não é uma carreira que assim, a pessoa ela se formou em administração de empresas ou psicologia, depois ela fez RH e foi. Então eu imagino que ao longo dessa sua jornada Você precisou se posicionar de uma maneira muito firme, você precisou envolver as pessoas, influenciar as pessoas com seu conhecimento, até porque eu sei que você colocou processos de coaching dentro das empresas, que é uma coisa que não é uma tarefa— eu também tenho formação em coaching, eu sei que não é uma tarefa fácil. E você chegou no mais alto nível de uma carreira executiva. Eu queria que você me contasse, Marlon, e contasse para as pessoas, a importância da oratória, da comunicação, do posicionamento nessa sua jornada.
Legal, bacana. Só para trazer um pouco de contexto para as pessoas que talvez nunca tenham tido contato comigo, não me conhecem, então eu começo a minha jornada profissional como um analista de sistemas. Essa é a minha formação base, me formei aqui em Campinas, comandante de sistemas e passei grande parte da minha jornada trabalhando como programador de software. Esse era o campo de jogo inicial ali. Durante a faculdade eu já comecei a atuar como tal e depois também acreditando que esse era o caminho, tinha que ser feito. Mas tinha uma coisa que sempre me incomodava, eu olhava ao redor e as pessoas tinham uma velocidade, um time ali, uma capacidade de permanecer conectado muito maior do que eu. Então eu achava que eu tinha algum problema, que eu tinha alguma coisa errada comigo, né? Na faculdade, eu já me mostrava um ser diferente, eu era inquieto, né? Eu era uma pessoa extrovertida no meio de pessoas mais nerds, mais ali voltadas, né, à análise, essa parte mais criteriosa, pessoas com mais prudência. E eu, né, uma pessoa de energia, né, de falar alto, né, falar com o corpo, comunicação. E eu não entendia, né, como é que seria minha vida profissional não gostando da forma que as pessoas gostavam. Eu amo tecnologia, mas não como um programador. Então esse é um ponto que me incomodava. Já avançando muito o filme, né, aí em 2009, quando eu entro na CIT, aí tem o primeiro, surge a primeira evidência da comunicação na minha vida. Porque eu tive a oportunidade muito cedo—
Você entrou?
Entrei como programador, né? Mas uma das coisas que foi, acho que favorável ao meu ingresso na empresa, não foi a habilidade em programação, mas a minha habilidade na comunicação no inglês. Porque antes disso eu tinha feito um intercâmbio lá fora do Brasil. O inglês foi algo ali que, inclusive eu lembro da entrevistadora dizendo: "Você tem naturalidade pra falar." E essa naturalidade não era do inglês, mas é do Marlon Silva Domingues. E diante do desafio ali, eu passei acho que 3 meses como programador. E aí surgiu uma oportunidade de eu atuar como gestor e programador num projeto. Ao atuar como gestor e programador num projeto, eu comecei a perceber que eu tinha mais talento ou desenvoltura para uma outra parte, que era a parte de criar conexões, de me relacionar, de me comunicar. Então eu comecei a experimentar mais esse lado da gestão.
Você só foi perceber ali?
Ali eu comecei a perceber, mas eu não tinha ciência de que isso era uma trilha e tudo mais, e que existia ali pontos fortes do Marlon relacionados a esse tipo de mecanismo de funcionamento. E olha que interessante, né? Eu aceitei esse desafio de ser gestor, programador, comecei a sentir que, pô, parece que eu me sinto muito mais completo fazendo esse outro pedaço aqui do que a parte de programação. Eu comecei obviamente a buscar por mecanismos, recursos para poder melhorar esse movimento. E durante essa jornada ali como gestor, eu tive a oportunidade de lidar com um projeto internacional ainda ali, no qual eu tinha uma cliente que ela era dada como muito ríspida, muito rude. Então o pessoal falava: "Cara, você vai falar com ela? Não faz gracinha, entra, dá feedback e sai." "Mostra o status dos projetos e sai." E aquilo começou a me incomodar, porque eu achava que para uma conversa, para um relacionamento acontecer, tinha que ter uma certa fluidez.
Ela era americana?
Ela era americana. E ela realmente era uma pessoa assim dada como difícil de lidar, uma cliente mesmo assim que exigia.
Autoritária.
Autoritária total. E aí eu comecei, eu respeitei esse feedback inicial de "vai lá na reunião e conversa com ela e sai", Mas isso me incomodava profundamente. Então teve um dia que eu falei assim: "Não, não vou continuar assim mais. Eu vou começar a construir algum tipo de relacionamento com ela. Eu quero conquistar essa confiança dela." E aí eu comecei a anotar e perceber palavras do inglês dela que eram muito locais. Então eram ali os famosos slangs do dia a dia dela. E comecei a anotar essas palavras. E falei: "Agora, na próxima reunião, eu vou voltar e vou começar a falar isso pra ela." Então eu comecei a falar isso, colocando no contexto, às vezes não tinha nada a ver, mas ela começava a exibir sorriso e tudo mais, e achar, né, por que que tá tentando falar? E comecei a romper essa barreira. E aí no dia seguinte ela me adicionou no Facebook, na época o Facebook era a plataforma do momento. Aí eu comecei a ver o Facebook dela e vi que o filho dela morava no Canadá e eu tinha feito intercâmbio no Canadá.
Nossa, e fez conexão total.
Aí na outra reunião eu falei, eu vou perguntar. E aí eu cheguei na reunião e falei: "Ah, eu vi teu Facebook, vi que teu filho mora no Canadá." Ela: "Você viu meu filho? Que maravilhoso!" Eu falei: "Maravilhoso!" E aí, Cecília, acabou toda a barreira. Ali a gente se conectou. E aí só pra fechar esse trecho aqui, uma coisa interessante aconteceu. Teve um momento na nossa jornada de cliente ali e prestador de serviço que ela queria porque queria que o meu time trabalhasse final de semana. E não fazia sentido nenhum essa estratégia dela. Então eu, com meu líder, a gente começou a debater com ela não fazer isso e ela não arredava o pé. Tem que fazer isso. E ela começou a elevar a voz, elevar a voz, e meu líder também elevava a voz. Aí ela baixava, ele abaixava. Aí ela entendeu. Ela falou: não, não vamos fazer isso, tá claro para mim o que vocês estão querendo dizer. Não vou, não precisa fazer esse tipo de movimento. E esse foi o movimento com ela depois desse quebra-gelo. Eu nunca tive problema com ela. É porque você fez uma comunicação, uma conexão. E aí, onde que a comunicação nasce na minha vida pela primeira vez? Ela pediu para a empresa me dar um pin, um badge de communicator. Eu ganhei meu primeiro reconhecimento na empresa foi de comunicação.
Olha que legal.
E olha que interessante, eu lembro que depois de um tempinho, com o diretor da empresa, eu falei, ele falou: "O que é esse badge que você tá aí?" Eu falei: "É de comunicação." Ele falou: "Que massa." "Mas não é sobre ganhar, é sobre manter." E aquela mensagem fez muito sentido pra mim.
Que interessante.
De manter, como é que eu consigo me manter então um bom comunicador? E aí depois disso então eu fui investir muito tempo, muito dinheiro em estudar mais sobre comunicação. E aí aonde que eu encontrei a primeira fonte de comunicação? Em algo que eu tinha um grande preconceito chamado PNL.
Eu também, mas eu tinha um preconceito. Eu lembro quando eu dei aula em 2006 para uma turma, Marlon, de administração de empresas. Aí levantou um aluno e falou: "Nossa, professora, sua aula é muito legal. Você já estudou PNL?" Eu acho que eu dei uma torcida de nariz, sabe? Falei: "Não, ficar engessando as pessoas, não penso nisso, penso mais na autenticidade." E também fiz a formação em PNL depois e fiquei maravilhada. Só explicando para as pessoas que estão nos ouvindo, o que o Marlon trouxe aqui, que ele praticou com essa pessoa americana, é algo que se chama rapport, que é estabelecer conexão. E todas as vezes que a gente se encontra com uma pessoa e inicia uma conversa ou um relacionamento, a prática do rapport é encontrar pontos de concordância, de sinergia e trazer isso. Pro relacionamento, seja no tom de voz, seja na respiração, seja nas palavras, nos termos, nos gostos. E aí isso abre na mente da outra pessoa um canal de comunicação, um canal de confiança. E essa pessoa que talvez fosse muito autoritária, ela deu uma relaxada, uma relaxada, porque falou: Marlon é parecido comigo, vamos nessa jornada juntos. Legal.
E sabe que assim, ó, se a gente voltar a tua primeira pergunta e falar: Marlon, né, que se comunique, como você se comunica, quem é você? Depois de muitos anos na empresa, né, e as pessoas falam: "E aí, né, o que você vai fazer?" Hoje eu já não estou mais na empresa, faz 4 meses que eu deixei o mundo corporativo e estou 100% empreendendo meu negócio. Algumas pessoas me perguntaram: "O que você vai fazer? Quem é o Marlon, né?" E muitas pessoas esperavam eu dizer: "Eu sou coach, eu sou..." Não, eu sou um comunicador. É isso que eu construí e é isso que fez com que eu conseguisse chegar numa carreira executiva na empresa, independente da forma com que eu comecei. Porque da forma que, mesmo que você falou, o comum é se você tá numa área de TI, você vai seguir essa trilha de TI até chegar ao nível executivo. E muitas pessoas se frustram por isso, por quê? Porque a pessoa é muito boa tecnicamente, mas aí o mundo corporativo vai forçando ela a subir nos seus cargos. E aí tem uma grande mistura na cabeça da pessoa que é o quê? O ego do mundo corporativo, ser um executivo.
Sim, gente.
Versus o que eu gosto. Então essa pressão, a pessoa fala: "Não, eu vou." Porque vai ter um monte de benefícios, sou conhecido como executivo, mas eu deixo aquele talento que eu faço muito bem de lado. Passa 3, 6 meses, frustração. Do mesmo jeito, a trilha para quem é da área de humanas, administração, mesmo caminho para poder chegar ali. Eu fiz totalmente diferente de qualquer outra coisa. Eu não tinha nenhum job description, não tinha nenhuma informação do que eu teria que fazer. E eu fui construindo isso. A partir do quê? A partir da forma que aprendi a me comunicar. Hoje as pessoas até falam, né? O poder do storytelling. Lá atrás eu não sabia o nome de nada dessas coisas, mas eu aprendi a me comunicar. E essa palavra que você trouxe, rapport, talvez seja o item que eu mais treinei na minha vida corporativa. O pessoal pergunta: Marlon, o que você considera o item fundamental na tua carreira de coaching?
Rapport.
Eu separo realmente assim muito tempo para poder fazer essa conexão com as pessoas, porque depois o jogo é outro. Inclusive dentro do mundo corporativo, né, a carreira executiva, o que eu vejo que tem mais falta é essa conexão, é aprender a criar isso, é aprender a construir rapport.
É, porque eu nunca trabalhei no universo corporativo de ir e ficar, mas só de atender empresa, já tem 22 anos que eu atendo empresa, Existe um bastidor por trás ali que se você não tem bons vínculos, boas conexões, existe perda.
Total.
Se você não faz bons relacionamentos ali, você não tem informação, você não pega as informações mais estratégicas, você muitas vezes não é indicado, não é referenciado como uma pessoa capaz para fazer algo. Eu acredito muito no poder do relacionamento. E falando da, né, que você falou, o profissional, ele, quando ele trabalha com tecnologia, né, e é um público que eu tenho muito cliente na área de tecnologia, muito engenheiro, muitas pessoas de finanças, porque são as áreas mais que as pessoas que acabam, não é uma regra, mas em sua maioria são pessoas mais introvertidas. Que erroneamente se consideram comunicadores que não são tão bons. Agora, do meu ponto de vista, você falou, a pessoa ela vai optar por deixar o que gosta, mas do meu ponto de vista, Marlon, eu quero saber se você concorda com isso, a comunicação é uma habilidade que não é opcional, a não ser que a pessoa ela queira estar na uma caverna, é, ela queira ficar numa caverna, ou profissionalmente falando, ela queira ficar ali, ela tem uma carreira que ela gosta de ficar ali nos primeiros cargos, né? Porque mesmo para uma pessoa, no meu entendimento, que ela não quer seguir a carreira de gestão, ela vai para gestão de projetos, ela vai precisar de muita comunicação, gestão de projetos ainda mais. Do que um gestor, porque o gestor você está ali com a sua equipe todo dia, você tem a oportunidade de criar um vínculo de confiança. O gestor de projeto lida com pessoas que não estão sob a liderança dele. Então, na minha visão, a comunicação não é opcional. Ela é quase que desenvolver comunicação, e é uma habilidade que você nasceu com ela, mas eu não nasci. Com a comunicação. Eu sou uma pessoa introvertida que não falava, que não me expunha e aprendi a chegar aqui e fazer esse movimento aqui com uma certa naturalidade. Como você vê isso?
Legal, muito bacana. Ó, eu vejo da seguinte forma: eu acho que as empresas ainda não entenderam o poder da comunicação. E onde eu vou, tava visitando um cliente agora há pouco e eu falei pra pessoa: se você pegar qualquer relatório dessas empresas que fazem pesquisas corporativas, relatórios relacionados a desenvolvimento comportamentais ou relatórios que falam qual é o treinamento mais solicitado, é comunicação, é comunicação, a comunicação é o mais solicitado, mas incrivelmente existe uma crença, existe barreiras, existe políticas corporativas que, por exemplo, impedem as pessoas de validarem isso com mais potência na hora de uma entrevista. Você vai dar mais valor ao quê? Aos hard skills. É fato isso aí. Aí eu falo para as pessoas: então me conta, né, quantas pessoas que você conhece que foram demitidas por comunicação, depois a gente pode falar inclusive da generalização dessa palavra, e por uma questão técnica? Assim, você fala: é 10 para 1 ou até mais. Não, você vai não ver. Você vê o quê? Ah, essa pessoa foi demitida porque a comunicação não era boa, porque o relacionamento dela não era bom, porque emocional dela não era bom. Então a gente tem uma... Tudo isso é comunicação. Exatamente. E aí um dos grandes erros corporativos, pegando o exemplo da pessoa crescendo na carreira dela, ela não tem como não se comunicar. Existe até o pressuposto da PNL que é impossível não se comunicar, não tem como, se você está quieto, você está se comunicando internamente. Então comunicação é algo essencial em qualquer jornada, é preciso aprender a desenvolver isso assim quanto mais cedo possível, nas escolas e tudo mais. Mas o grande ponto é assim, as pessoas não aprendem a comunicação, elas crescem na carreira, elas vão para carreira executiva. Vamos dar exemplo, uma pessoa que era ótima tecnicamente, programadora excelente, um arquiteto de soluções, vira um executivo, onde a cobrança dele vai ser muito mais sobre o business, relacionamento, vender, conseguir levar o nome da empresa, criar novas alianças. Aí o que acontece? Essa pessoa não consegue fazer isso, ela não consegue cumprir esse papel. E pior, Ela não consegue comunicar para suas lideranças o que ela tá sentindo. Então também não adianta você ir para uma linha: "Ah, mas eu vou aprender inteligência emocional." Você sabe contar? Você sabe se comunicar em relação a isso? Então para mim a comunicação ela é a base, ela é assim a fundação para uma construção de outras habilidades corporativas que vão fazer sentido mais para frente, mas a comunicação é a base.
Sim, e eu Eu percebo, Marlon, recebo muitas pessoas com a seguinte questão, acredito que você não tenha talvez passado por isso, mas já deve ter visto isso acontecer em várias situações. Um profissional que ele vai bem, na semana passada mesmo estava conversando com um, assim, esse Cielo, ele falou para mim: "Tá tudo bem, foi tudo muito bem na minha carreira até agora." É uma empresa multinacional, ele está como um gerente, está chegando ali, já chegou num gerente sênior e está sendo visto, querendo o cargo de diretor. Só que ele falou: "Cecília, eu não consigo me comunicar com a mesma naturalidade que eu me comunico com os meus pares, com a minha equipe, eu não consigo me comunicar nessas reuniões". "Quando tem outros diretores, tem o CEO, os vice-presidentes, o conselho..." Ele falou: "Trava, parece que não vai." E eu percebo muita gente com esse tipo de receio de falar, receio de se posicionar perante pessoas que são fundamentais para que ele mostre o potencial, para que ele contribua até estrategicamente, e a empresa possa ver essa pessoa como uma possível parte daquele corpo executivo. Qual foi sua experiência? E você tendo trabalhado numa empresa de tecnologia, deve ter visto muito isso.
Sim, sim. Aquela, não sei se continua de pé esse estudo, as pessoas têm mais medo de palco do que da morte, né?
Medo de palco do que da morte.
Medo de palco é absurdo. E você sabe que assim, resgatando, Acho que até meus talvez 16, 17 anos, eu era tímido também. Eu tinha uma timidez imensa, sem querer, né? De repente fazer as apresentações de sala de aula era aquela coisa, dava frio na barriga. Tem até um vídeo na internet muito famoso de um menino que ele vai falar inglês do projeto de vida dele, ficou muito famoso, é um meme assim, né? Ele vai falar e ele começa a dar risada, aí ele Não consegue falar, ele começa a falar para os amigos dele: "Ô, para de fazer cara aí para mim." "Eu não estou fazendo nada, mas fica nervoso." Eu sentia isso, então eu ia lá para frente e nossa, era a pior sensação do mundo, né? O meu primeiro, eu fiz iniciação científica na faculdade. Antes de apresentar, eu fui umas 5 vezes para o banheiro. Assim, era: "Meu Deus do céu!" Então existia o quê? Uma insegurança. Mas segurança. Então, acho que esse é um ponto importante também da gente trazer, que a comunicação ela é fundamental, mas é importante também entender o que que tá por trás de certas coisas, né? Como por exemplo o lance do inglês. Existe uma porcentagem imensa das pessoas que não conseguem falar inglês, mas já fizeram todos os cursos possíveis no Brasil, nos Estados Unidos, online, e não sai. E aí, o que que tem por trás disso, né? Eu percebo que as pessoas muitas vezes elas querem fazer uma comunicação tão perfeita, principalmente no inglês, elas querem soar tão natural, tão nativo, e não vai acontecer primeiro porque você não nasceu lá. E aí o que que acontece? O meu foco vai pra onde? Pra essa questão que me falta do que a questão do que eu tenho.
É pra onde coloca o olhar.
Eu tive um líder na empresa, logo quando eu cheguei nesse projeto que eu tava, dessa gerente inclusive, que a gente falava pra ele que ele tinha um inglês barroco. Né, por causa que era muito engraçado a forma que ele falava. Mas ele falava, mas ele falava, por mais que ele falasse errado, toda cliente achava ele fofo, achava ele engraçado, mas ele se fazia comunicar. E aí aquela tal coisa, depois que eu fui aprender, as palavras são só 7%, sim, e o corpo, a sua intenção A fisiologia, o brilho no olho é muito maior do que qualquer coisa. Eu brinco com as pessoas às vezes sobre entrevista de emprego, eu falo assim: você tem que conseguir conquistar o entrevistador em uma sessão, em uma entrevista, não espera a segunda. Mas o que faz ganhar? Brilho no olho.
Essa questão do brilho do olho eu acho uma coisa muito complexa, sabia? Por quê? Envolve muitas e muitas e muitos aspectos do meu ponto de vista. Então eu sempre falo: ninguém expressa na oratória, na comunicação, aquilo que não tem dentro. Ou não tem ou não está sentindo. Então o brilho no olho, ele acontece quando eu estou— duas coisas para mim: muito à vontade com quem eu sou ali naquele lugar, Voltando a falar do inglês que você trouxe, eu vejo isso acontece no inglês, mas acontece também com muitas pessoas como essa pessoa que eu conversei na semana passada. Ele sabe o que tem para falar, ele é o dono daquele conhecimento. Mesmo ele não sendo o diretor, ele sabe muito mais sobre aquele aspecto do que o diretor, porque o diretor sabe de algo, ele tem um olhar sobre aquele aspecto, sobre aquele negócio. Um gerente sênior, ele tem outro, ele traz uma outra contribuição. Mas o que eu acredito que aconteça, Marlon, é o seguinte: seja no inglês ou seja com seu conhecimento em português mesmo, quando as pessoas, elas entram no lugar para falar, elas ficam muito preocupadas com elas mesmas.
O que as pessoas vão pensar delas.
Então eu vejo isso, a questão do medo de falar. Isso na minha jornada também, porque eu venci o medo de falar. Ele tem um quê que eu acredito, que eu não gosto muito de usar essa palavra, mas é de um egoísmo, sabe assim? Porque, por exemplo, eu não estou aqui conversando com você para eu brilhar. Eu estou aqui conversando com você para que a gente tenha um papo bom, para que as pessoas que vão ouvir, elas se beneficiem, gostem e queiram assistir. "Vou assistir." Mas as pessoas, e eu inclusive, você entra prestando atenção em você. "O que será que vão pensar de mim? Será que vão gostar de mim? Será que vão reconhecer o que eu vou falar?" Quando na verdade o foco, seja em inglês ou em português, é como eu vou beneficiar a minha audiência com o que eu sei, como eu vou fazer com que essas pessoas elas atinjam o objetivo delas e cresçam, conquistem seus objetivos e muda, e vai do inglês que vai mesmo.
Eu acho assim, ó, faz todo sentido que você tá trazendo, mas a minha leitura do brilho no olho, ela não é sobre essa questão de eu ter que me validar. O brilho no olho para mim tem a ver com o quanto que eu tenho paixão por aquilo que eu vou levar e contar, né? Então, um exemplo muito assim poderoso na minha jornada, teve uma vez que a gente tava fazendo um trabalho na empresa de receber vários CEOs, né, acho que passaram, se eu não me engano, 72 CEOs pela empresa, e a gente começou a fazer salas de temas, né, e eu fiquei responsável pela sala de liderança, e as outras salas estavam todas sendo cuidadas por executivos, nessa época eu acho que eu era um gerente na CIT, eu tava longe de um executivo nessa época, mas eu tava com a sala de liderança, Eu fiz uma apresentação, a gente fazia apresentação assim, pitches de 15 minutos para ir trocando os CEOs, e eu fiz uma apresentação ali e aí no final o CEO veio para mim e falou assim: "Você também é um dos sócios da empresa?" Aí eu falei: "Não, mas pode falar mais alto, né?" Brinquei com ele assim. Aí eu falei: "Mas por que você está dizendo isso?" Ele falou: "Porque você conta isso aqui como se a empresa fosse sua." Então para mim o brilho no olho que eu falo é essa paixão, você falar: Pô, esse assunto, esse assunto eu tenho total tranquilidade, eu tenho autoridade para falar dele, eu tenho essa, né, o tesão. Então, para mim, o brilho no olho é isso. Mas eu concordo muito com você, com esse ponto que você traz, de quando eu trago esse foco, né, o que que vão pensar de mim, o que que vão achar de mim, aí você apaga inclusive o teu brilho real, né, o brilho da tua identidade. E aí fica querendo colocar o brilho no externo, né, que que eu tô está me dando aqui nesse momento? E aí causa essa insegurança, né?
Que é o que você falou, eu concordo, é o brilho no olho de você compartilhar algo que você ama, você gosta, que você sabe que vai beneficiar aquela audiência. Então, para mim, quando a grande virada da minha vida com a comunicação, de sair de uma pessoa que era extremamente reservada para conseguir Quero ser uma palestrante, que era o meu sonho, era ser palestrante. Então, quando eu comecei a fazer palestra, eu falei: "Nossa, consegui!" Foi isso, entrar num lugar não despreparada, nunca despreparada, mas me preocupar, sim, com o que as pessoas vão pensar, elas vão gostar daquele conteúdo, mas antes. É trazer esse preparo prévio, entender a audiência, como a gente conversou antes desse podcast, preparar. Ver, mas a hora que eu chego lá com tudo preparado, meu objetivo tem que ser a audiência, levar aquela mensagem para audiência. Isso para mim fez uma diferença gigantesca na minha vida.
Que legal! Te ouvindo falar, me lembrei assim, né, se eu fosse talvez pontuar assim pontos ou estratégias da comunicação que me ajudaram muito, o rapport é o primeiro. Como é que eu construo o uso dessa estratégia? E número 2, modelar pessoas. Eu vejo que as pessoas muitas vezes que têm dificuldade com comunicação, elas não têm modelos. Então qual é a pessoa que você conhece que quando você vê palestrar te conecta, você fala: "Pô, eu poderia fazer como ela." Essa é a segunda arte que a PNL me trouxe de presente. Eu aprendi a modelar muita gente. Modelagem é um item na minha caixa o tempo inteiro. Se eu quero fazer algo novo, eu vou modelar alguém. Pra chegar na carreira executiva da empresa, uma das coisas que eu fiz, Eu conversei, eu modelei 8 executivos, eu sentei com 8 e me falei: me conta, me conta como é que você se comporta numa reunião, me conta o teu modelo de mundo no dia que você tem que ter uma apresentação lá no board, o que você falou, como é que você se sentiu. Então eu vou nesse ponto de aprender e também não só pessoas reais, mas pessoas próximas, pessoas que eu admiro também. Então eu assisti zilhões e zilhões de vídeos do Tony Robbins. Que é uma figura de palco que eu me conecto. Eu tenho energia, eu olhava nele, energia, energia é a palavra dele. Então eu assisti muito, então gestos, formas, atuação no palco, movimentação, tudo isso eu falei: "Pô, que legal, parece que ele faz isso de um jeito estratégico pra mexer com as pessoas." Então a modelagem também é, pra mim foi e é pra mim, uma estratégia de comunicação muito importante. Pra você olhar e falar: "Quem é referência?" Como é que essa pessoa faz? Pô, Maria Cecília, como é que ela se comporta? Como é que ela prepara para poder fazer um podcast, por exemplo? Então, isso é um ponto assim que eu acho fundamental, sabe?
Eu também, muito. E eu acho importante a gente diferenciar o que é a modelagem do que é copiagem. É, porque, por exemplo, quando eu tinha medo de falar em público, Marlon, eu lembro que Isso tinha, acho que eu devia ter uns 20 anos, fazia faculdade e eu ouvia as minhas professoras ali nos congressos falando e eu olhava totalmente sem, eu passei a faculdade inteira sem apresentar nada, zero. E eu lembro que eu falava assim: "Não, eu quero falar como ela." Eu não olhava o que ela fazia. Isso é uma coisa importante. E eu vim com essas referências. E são pessoas diferentes de mim. Então, a gente tem que tomar cuidado na modelagem para não querer ser a pessoa, mas fazer algo que a pessoa faz. Então, eu poderia olhar e falar: "Nossa, ela fica em 45 graus com slide e olha para o slide e faz..." "Ah, então eu vou fazer também, como você falou, eu olho o movimento do corpo e eu vou fazer também esses gestos, mas eu não quero ser o Tony Robbins." Sim, sim.
"Não quero ser o Tony Robbins." Eu acho que ainda quero ser ele, mas sabe o que é melhor que ele?
Melhor que ele.
Mas, ó, esse é um ponto legal que você falou de diferenciar, porque muitas pessoas podem confundir modelar com copiar mesmo, então, né, começa a se vestir igual, quer falar do mesmo jeito, quer copiar as gírias, e aí não conecta. Então a modelagem é sobre entendimento do modelo de mundo das pessoas, não sobre a forma com que elas estão fazendo. Então é padrões, é coletar padrões, padrões de sucesso. Então, pô, observo que quando a Maria Cecília faz um podcast, ela tem um sucesso. O que que faz? Aí tem um outro momento, ela também tem sucesso. Então esses padrões é o que a gente Tira como estratégia, né? Mas você precisa adaptar para o seu contexto. Uma experiência muito legal disso aí, já avançando minha carreira ali, mas atuando como um gestor, eu tinha, comecei a ter facilidade, essa facilidade de me conectar com as pessoas. Então a gente teve um gerente, aí já era gerente nosso, mas lá nos Estados Unidos, um americano, e eu facilmente me conectei com ele. Então no telefone ele ligava, sempre tinha uma piadinha, uma brincadeirinha, né? Ensinando umas besteiras para americano e tudo mais, e riso. Nessa época era telefone na empresa mesmo ainda. Tinha um estagiário e ele observava só o quê? O Marlon falando as graças para americano. Um dia o gerente ligou e o estagiário atendeu.
Fez graça.
Ele quis fazer a mesma coisa que eu fiz. Ele desligou o telefone, o americano ligou para mim, para o meu gerente e falou: "Eu quero que mandem ele embora." O que aconteceu? Foi extremamente educação, sem educação. Não conheço ele, veio fazendo piada e esse é o maior exemplo. Sim. De simplesmente copiar o que você tá enxergando e não entender o que tá por trás disso. É aquela coisa, né? A gente fala muito, você também é mãe, eu sou pai, e a gente fala, né? Os filhos estão observando os comportamentos, mas eles não sabem o que tá aqui dentro.
Sim.
Então eles só vão replicar aquilo que eles estão vendo. Por mais que você— E aí vem aquela coisa, né? Faça o que eu falo, não faça o que eu faço, porque o que tá aqui dentro é outros quem é. Então modelagem tem a ver com a nossa comunicação interna. Esse é um ponto importante.
E é muito. E tem uma frase, Marlon, que eu ouço e eu gosto de repetir, que é: o mundo trata melhor quem se apresenta bem. Como você vê isso na jornada corporativa?
Legal pra caramba, legal pra caramba. A gente inclusive já conversou sobre isso, né? Eu vivi um mundo corporativo, falando, trazendo um pouco do visual onde a empresa, ela—
Só assim, o apresenta é o apresentar, quando eu falo apresenta é a fala, é a voz, é o posicionamento e é o visual também.
Sim, super bacana, tá dentro. Primeira coisa, a gente viveu dentro da empresa o movimento lean, do que veio da Toyota, das indústrias, de a gente fazer as coisas mais ágeis Uma forma mais enxuta. Então isso foi por muito tempo a grande filosofia da empresa, esse mundo Lean. E o mundo Lean, ele traz à tona que os projetos, os dados têm que ser visual, para que qualquer pessoa tenha condição de passar por ali e enxergar. Então uma das filosofias da empresa era: aquilo que não é visual não é real. E teve um dia que um diretor, eu fui lá pedir feedback da minha carreira para ele, ele falou: O quanto que as pessoas sabem o que você faz? E ele falou: "Aquilo que não é visual não é real", nesse contexto. Ou seja, as pessoas conhecem de verdade o que você está fazendo? Se você chegar hoje pro presidente, pros vice-presidentes e falar assim: "O que que eu faço?" Eles conseguem contar? Então ali nasce a necessidade da exposição. E aí tem um ponto muito interessante aqui. Grande parte das pessoas não chega nesse ponto de exposição porque eles confundem com o quê? "Então quer dizer que eu tenho que ser político? Então quer dizer que eu tenho que puxar o saco?" É coisas que eu mais ouvi na minha jornada ali já como coach, mentor e passando esse feedback também. Você tem que se expor mais. Sim. Mas eu não quero ser político, mas eu não quero ser puxa-saco. E aí essa confusão, como eu falei pra você, a generalização dentro da comunicação faz com que as pessoas continuem onde elas estão. Então sim, a exposição, a forma com que você se apresenta, a forma com que você se comunica É extremamente essencial para uma carreira de sucesso. As pessoas vão comprar o teu storytelling, obviamente somado a resultados. Sim, mas as pessoas—
Não vazio.
Exatamente, mas o teu storytelling, a forma com que você se conecta, faz muito sentido.
E apresenta, né?
E apresenta. Vou te dar um exemplo, talvez, da grande aceleração que eu tive na minha carreira. Quando eu voltei da China, né, Olha que interessante também a comunicação. Até um parênteses para todo mundo ficar sabendo, eu fui parar na China por erro de comunicação, porque eu falei para o meu diretor: "Eu quero uma oportunidade fora do Brasil", mas na minha cabeça eu tava dizendo: "Eu quero morar nos Estados Unidos", porque todo mundo tá vindo para lá. E aí, o que que aconteceu? Ele veio e falou: "Tem uma oportunidade fora do Brasil, é na China". Eu falei: "Mas eu quero ir nos Estados Unidos". "Não, você falou fora do Brasil". Então aí eu percebi o quanto que é a especificidade da comunicação. Então esse já foi um grande aprendizado, a comunicação. Mas voltando a esse ponto, quando eu retornei da China, eu retornei para poder atuar ali no RH e construir essa área de desenvolvimento de pessoas e liderança. Eu comecei a compreender cada vez mais o quanto que a forma com que você consegue traduzir aquilo que você quer colocar. Então eu queria construir uma área de liderança, Só que imagina você falar de liderança para um monte de engenheiro, vai falar: "Pô, mas o que eu faço com isso? Já li livro, já vi séries, não conecta." Então essa estratégia de você traduzir para o contexto, ela é essencial. E para isso você precisa aprender também a se posicionar, a comunicar, a entender, a fazer perguntas. Caso contrário... Entender o mundo do outro por meio das perguntas. Exatamente. Eu conto para as pessoas e falo isso, que acho talvez o que me fez trazer essa palavrinha estrategista em desenvolvimento humano é porque aprendi a casar essa parte emocional, subjetiva do desenvolvimento humano com essa parte racional, processo, pragmático, lógico do mundo corporativo. E aí, o que eu falei para você do meu maior exemplo? Quando eu vim então me destinar a construir essa área de coaching e liderança da empresa, Empresa, isso era o que eu queria, era: nossa, eu quero ser conhecido como o pioneiro numa construção de uma área interna de coaching. Mas a empresa falava só de Lean, falava sobre processos enxutos, falava só sobre estratégias de impacto. E aí, você vai falar de coaching?
Aí você casou.
Exatamente. Então, a primeira área e curso que a gente fez foi liderança Lean, mas eu tava ensinando exatamente aquilo que eu acreditava. Então essa construção, né, de você não ir contra, né? Exatamente.
Você não ir de encontro, ir ao encontro da necessidade.
Que tem a ver totalmente com o rapport. Acompanha, acompanha, acompanha, a hora que tem a confiança, você conduz. Então essa tradução, e olha que interessante, né, como eu falei pra você de modelar a comunicação não verbal, então quando eu tive a primeira oportunidade de sentar com o presidente da empresa poder falar sobre liderança, eu já tinha pesquisado e sabia, por exemplo, qual era o livro de cabeceira dele. Então, e olha que doido, né? Eu me preparei para essa reunião. Na reunião, ele usou vários vocabulários do livro, do livro, e ele só me falava como se fosse dado, tipo, mais ou menos assim, você vai fazer entrevista na empresa de tecnologia, é dado que você sabe inglês. Então, eu fui falar com ele, é dado que você sabe do livro que está no topo da empresa hoje. "Sorte que eu sabia!" E aí você faz o quê? Você conecta muito fácil, porque entra naquilo que você falou. As pessoas sentem o quê? Somos iguais, a confiança ela aparece.
E isso traz, né, Marlon, aquilo que eu falei, a importância do preparo.
Total.
Eu sempre falo para todos os profissionais: não grave um áudio de WhatsApp, porque hoje áudio de WhatsApp é documento, né?
É, total.
Não grave um áudio de WhatsApp importante sempre parar. É preciso, e muitas pessoas negligenciam essa etapa, simplesmente, ah, eu vou, eu vou. Então, no preparo, você estuda como você fez, que livro esse homem lê, que que ele sabe, que que ele quer, quem é ele, qual que é a religião dele, qual o time de futebol dele, tudo. E isso é uma coisa importante para todos os profissionais que eles querem crescer e E a comunicação é o veículo para isso. Estudar, preparar para você apresentar para uma audiência específica. Ou então, vamos pegar uma pessoa da área de tecnologia, ele não pode fazer a mesma apresentação, o mesmo preparo que ele faz para um time técnico, ir lá e apresentar para o seu diretor a mesma mensagem. Pode ser o mesmo tema, mas a mensagem é outra, funcionamento é outro, e o preparo é tudo.
Exatamente, concordo profundamente, sim. Preparo, ele é quase que metade da jornada, né? Se você se prepara bem, entende bem, você tá, né, com ali sabendo o que que a empresa tá respirando, o que que as pessoas estão vendo, o que que para ela é. Ó, tem um negócio muito legal, você falou isso do preparo, as pessoas muitas vezes falam assim: mas Marlon, eu não sei como me conectar. Com as pessoas, né? E como é que você faz para se conectar? Porque de novo, para mim, rapport é uma coisa hoje quase que uma competência inconsciente. Ela acontece, mas porque eu treinei, eu não sabia fazer isso, eu treinei demais isso aí. Mas Marlon Silva Domingues, tem uma coisa que as pessoas não percebem na comunicação: o tempo todo nós estamos comunicando e a gente tá contando o quê para as pessoas? Os nossos valores. Sim, a gente tá contando para as pessoas aquilo que é mais importante para a gente, é que a gente não está atento a isso. E como não está atento, a gente muitas vezes fere os valores das pessoas. Só que se você parar para conversar com alguém, só perguntar: "Qual é que foi o seu dia? Como é que foi o seu fim de semana?" Ela vai contar. Uma das coisas que eu fazia muito com as pessoas em treinamentos é assim: fazia perguntas e eu sempre observo muito que as pessoas repetem. Se ela repetiu mais de 3 vezes uma palavra, eu falo: "Ó, padrão, isso é importante, tem que ter um cuidado." "Thiago, uma vez a gente deu treinamento, foi muito engraçado." Aí deu treinamento, aí eu fiz uma dinâmica, aí eu fiz dinâmica individual. Aí depois lá: "E aí, dá feedback, o que vocês acharam?" A pessoa: "Pô, gostei bastante, mas eu queria ter testado isso em dupla." "Ah, bacana, legal, vamos ver os próximos." Fiz mais um exercício individual, a pessoa: "Ah, eu acho que dupla seria mais divertido." Terceiro, ela falou: "Olha que interessante, tem um valor por trás aqui." Aí a outra: "Mas o que é o valor, é dupla?" Eu falei: "Não." É relacionamento, é conexão. Então, quando eu consigo perceber isso, eu uso isso a favor na comunicação. Se a pessoa pensou que ela valoriza a comunicação, vamos nos conectar para poder gerar confiança. E eu acho que esse é o ponto que as lideranças não estão atentas, elas não se preparam e não treinam isso aí. De como seria muito mais fácil eu me conectar com o cliente casca grossa mesmo assim, se eu tivesse essa, sabe? Mas aí, o que que é? É abaixar a guarda, é eu deixar de querer ser interessante e ser interessado. Aí a comunicação flui.
É o trabalhar, o entender, é o compreender, é o ouvir, para depois posicionar. E um outro ponto é o tirar a comunicação do automático. A comunicação, ela é um processo Imagina, nossa mente 90, 95% no piloto automático, no inconsciente. Então a nossa fala, o uso das palavras, o uso dos gestos, o uso da voz simplesmente vai. E para que uma pessoa ela consiga ter sucesso, ela precisa passar pela etapa de trazer isso para consciência. Então eu vou, vou me preparar, eu vou fazer, vou fazer meio que programado. E depois uma hora isso vai entrar e vai se tornar, vai fazer parte de mim, do meu inconsciente.
Muito legal o que você tá trazendo e eu gosto muito de usar minha vulnerabilidade de falar a real, né? Acho que assim, dentro do contexto corporativo, eu não tenho mais esse desafio de como é que eu me comunico, como é que eu me relaciono. Sabe onde tá meu desafio hoje? Na educação da minha filha. Disciplina.
Sim.
Porque ali o jogo é outro. Então se você é pai e mãe aí, Se liga, esse ponto da comunicação que você falou, né, agora há pouco aqui, existe uma outra coisa que precisa estar envolvida, é aprender a estar presente. Porque se eu não tô presente com a comunicação, eu vou ligar o meu automático, como você falou, e nosso automático tende a ser mais casca grossa. Em outras palavras, controlador, controladora, rude, ou se calar, né?
Ou meu automático me convida, como no caso dos meus clientes, da grande maioria dos meus clientes, o meu automático me faz calar, me reservar, me fechar. E aí o meu ponto de vista eu não coloco, meu ponto de vista passa. Ou eu falo, ou eu falo e abaixo a cabeça e faço com gagueira aquilo.
Perfeito. E aí uma coisa legal da comunicação que eu acho sensacional é assim, A comunicação, essa troca que a gente tem, né, entre grupos de pessoas, ela também tá o tempo inteiro cutucando nossos gatilhos ou sendo gatilho para nossas emoções e crenças. Então quando eu falo da disciplina, é isso. Se você não tá presente, uma criança de 2, 3, 4, 5 anos tira você do sério porque você não tá presente. E aí você vai usar o seu lado totalmente emocional para poder dar um feedback, eu querer corrigir ou querer resolver rápido. O ponto de estar presente faz com que você consiga pensar e falar: "Peraí..." Como eu vou disciplinar? Exato!
Como que eu vou ensinar?
Exatamente! Como é que eu vou disciplinar? Pô, é uma criança de 2, 3 anos. Tô falando aqui, mas eu também tô nessa jornada. Esse é um desafio pra mim. O mundo corporativo, fácil. Isso é fácil. Agora, estar presente, né? E essa, né, por isso que práticas como a do mindfulness, que muitas vezes também é banalizada, Ela é essencial quando feita da maneira, quando você aprende da maneira correta, essa atenção plena. Comunicação exige muito, criar rapport exige atenção plena, e você faz uma leitura da pessoa.
Muito legal, Marlon, muito bom. Agora, Marlon, deixa eu te convidar, eu vou te convidar a deixar para quem tá ouvindo esse podcast tá vendo? A gente, uma prática assim, se você puder deixar uma prática sobre comunicação para quem tá nos ouvindo, você vai deixar uma e eu vou deixar outra.
Legal, eu tenho tantas, mas eu sou extremamente devoto da comunidade do sétimo dia, do rapport. Eu sou devoto, rapport para mim ela é essência, tá? Assim, quando eu falo de comunicação Qualquer pessoa em treinamentos, formação de liderança, não tem como não ter rapport, como não tem como não falar de valores. Pra mim, rapport é essencial. Inclusive, dentro das minhas jornadas, eu aprendi a criar uma estratégia de rapport pro mundo corporativo, porque as pessoas não se conectavam com... Ah, trazia muito da literatura, né? E as pessoas falavam: "Ah, pô, Márcio, esse negócio de imitar, de muda pra cá e põe pra cá." Então, como é que funciona o rapport no mundo corporativo? Então, pô, criei também "Tem uma estratégia para poder fazer isso aqui assim." Então rapport para mim, assim, se deixar uma rapport. Rapport para mim, porque o rapport ele exige que você entre numa condição menos egóica. Porque o pressuposto dele é: acompanhe. Carreiras executivas tem o ego armado lá na não sei aonde, né? Então esse movimento de: "Pô, tô com cliente, esse cliente tá crescendo pra cima de mim." "Eu vou acompanhar? Não, eu vou lá e eu quero." Se você faz um movimento, simplesmente concorda, você fala: "Pô, interessante." Eu falo para as pessoas: "Seja curioso." As pessoas falam: "Mas sobre o problema?" Não, sobre a pessoa. Curioso sobre a pessoa, porque a pessoa vai... O ser humano busca reconhecimento. Se eu acompanho e busco essa curiosidade sobre: "Mas quem é você? O que você gosta? O que você faz? O que é importante?" "Como é que você gosta de lidar com seus problemas, projetos?" A pessoa fala: "Pô, tô recebendo meu confete." Pronto, a porta da confiança começa a ser aberta. Então, pra mim, rapport.
E isso, além de tudo, Marlon, essa questão do rapport, ela supre uma dor de muitas pessoas introvertidas. Eu recebo muitas perguntas assim: "Cecília, como eu me porto? O que eu falo num primeiro contato?" E eu sempre falo isso pros meus clientes. Não fale nada sobre você, sobre o seu projeto. Pergunte, se interesse pela vida da outra pessoa. Faça conexão, porque só a questão de você se interessar já é um rapport.
Total, total.
Só a questão de você se interessar, você já cria um vínculo e a pessoa fala: "Nossa, alguém se interessa, alguém tá prestando atenção." É a mensagem inconsciente: "Alguém quer me ouvir." Exato.
Posso colocar mais um pontinho só? Pode. Que também foi muito marcante na minha jornada corporativa, as pessoas não se atentam e é uma ferramenta assim tão simples, tão bacana de ser usada que é assim, repetir o que a pessoa falou. Eu falo para as pessoas que muitas vezes 60% dos problemas se resolvem ali. Então a pessoa vem com uma queixa, você repete para ela, então deixa eu ver se eu entendi, é isso, isso, a pessoa fala é mais ou menos, não é bem isso, já tirou uma parte, verdade, já nem sei se é isso, mas é simples, né? Então falando assim, recado para quem tá no papel de liderança, muitas vezes, né, times, repita para as pessoas, devolva a elas o que elas falaram para se ouvirem. Tanto que acho que você deve fazer muito exercício da pessoa se gravar. Quando ela se grava, ela fala: meu Deus, né? E eu fazia essa brincadeira: grava e manda mensagem aí para alguém, né? E a pessoa: nossa, nunca tinha parado para pensar que minha voz é horrível.
Ou que eu falo essa expressão. Muito legal. Então eu vou deixar minha prática, que eu acredito ser um pré-requisito para prática que você deixou, que é a questão que você até já tocou de trazer a mente para presença. Então eu acredito muito que todas as pessoas elas devem ter uma prática que a leve a ficar consigo mesma, com os seus pensamentos ali focado em algo único. Então tem O yoga, eu sou praticante de yoga e faz 5 anos e o yoga transformou a minha vida. Mas você também ter uma prática meditativa na Bíblia, numa oração, praticar o mindfulness, tudo que te leva a ficar prestando atenção em uma coisa. Meditar é tão importante e é o ponto, né? Porque eu relaciono muito a comunicação com a inteligência emocional, não tem como.
Separar. Total.
E se a gente pensar, um dos pilares da inteligência emocional é o autocontrole, o autogerenciamento, né? Então a comunicação decorre disso.
É tão legal esse ponto que você traz da prática do mindfulness e, de novo, né, existe muito mistério. Ah, o mindfulness, essa é uma experiência, tem que ficar de olho fechado. Mindfulness é uma prática de atenção plena, você pode fazer ela inclusive de várias formas, você pode beber uma água e praticar isso aí. Eu gosto muito da prática do mindfulness ativo. Então, pra mim, um momento de conexão, por exemplo, é andar de patins, andar de bicicleta.
Você fica ali, concentrado.
Exatamente. Então, e prestando atenção, né? Mas uma coisa que eu queria deixar pras pessoas é assim: a gente tem duas coisas na nossa vida que permitem a gente acessar a atenção plena, que é o corpo físico, porque o corpo não vai flutuar pro passado e pro futuro, ainda não vai. E a nossa respiração. Então são dois recursos, né? Por isso que o yoga é tão bacana, importante, trabalha essas duas coisas.
E dói muito, dói demais. Muito legal, Marlon Silva Domingues. Show! Muito obrigada por você ter vindo, pela sua contribuição. Para você que tem interesse nesse assunto, tem um comentário, tem alguma dúvida, coloca aqui embaixo desse episódio ou ou entra nas minhas redes sociais e coloca lá sua questão no Instagram @cecieliamaoratoria ou no meu LinkedIn Cecília Lima. Esses endereços se encontram aqui embaixo também. E se isso, tudo que a gente conversou aqui foi útil para você, melhorou a sua comunicação, melhorou a sua carreira de alguma forma, compartilha também com outras pessoas que têm interesse. E nos ajude a disseminar esse conhecimento da comunicação, levar esse conteúdo para mais e mais pessoas. Muito obrigada pela sua audiência e a gente se vê no próximo episódio, porque o seu melhor está por vir.









