OCTACAST #12 - Emoções em Ação: Desvendando os Segredos da Inteligência Emocional

In this Octacast episode, hosts Speaker A and Daniel interview Marlon Silva Domingues, a former software developer turned HR executive and people‑development coach. Marlon shares his personal story – growing up in São Arcanjo, studying computer science, struggling with programming, and eventually discovering a passion for communication, leadership and people development. He discusses the importance of creativity, psychological safety, vulnerability and embracing error as drivers of innovation. The conversation explores his journey into coaching, the creation of the EDH (Emotional Development Hub) program, his experiences coaching in Brazil, China and the US, and the development of a proprietary coaching framework. Marlon links these themes to current trends such as digital transformation, generative AI, post‑pandemic work models, and the science of flourishing (positive psychology, character strengths). He also recommends books that influence his thinking on reinventing leadership. Throughout, the dialogue is informal, anecdotal, and enthusiastic, illustrating how personal growth, self‑knowledge, and emotional intelligence are essential for modern leaders and organizations.
Chapters
E hoje estamos aqui com Marlon Silva Domingues. Ele é tanta coisa que eu vou passar a palavra daqui a pouco para o nosso convidado super especial. Se apresentar. Estou muito feliz com a oportunidade. Marlon Silva Domingues, seja bem-vindo aqui ao nosso Octacast. Daniel, né, a gente vai acabar conversando um pouco com você hoje sobre pessoas e tecnologia. Massa! Fiquei muito feliz de saber que durante a pandemia aqui, ó, ele já teve também um podcast, tipo podcast, e o papo aqui já tava interessante, gente. Então a gente pode começar já por esse tópico direto. Isso, a palavra direta agora com você, Marlon.
Primeiro de tudo, obrigado, gente. Obrigado pelo convite, é muito bacana a gente conseguir expandir, se conectar, conhecer mais pessoas. Eu fiquei muito feliz por ter recebido esse convite de vocês, ter vindo conhecer aqui a empresa. O lugar é um ambiente gostoso pra caramba, muito legal, parabéns. O estúdio aqui vale a pena conhecer também, muito legal, gostei demais. E pô, eu sou o Marlon, hoje eu sou um executivo de RH que começou a sua jornada dentro de tecnologia. Sou formado em TI e teve toda uma transição de carreira que a gente pode explorar, falar mais, mas que fez com que eu pudesse parar dentro desse mundo de pessoas e é um mundo hoje que eu tenho total paixão, faz de verdade meu coração cantar. Eu tenho alguns programas de desenvolvimento fora do contexto corporativo que eu vivencio hoje. Sou casado, tenho uma filha de 5 anos, sou um cara que tem um gosto aí bem nerd, com ficção, com filmes. Eu gosto pra caramba de cozinhar, sou um amante da culinária, eu gosto muito de carne. Então quem não é dessa linha, perdão, mas eu gosto demais de um bom churrasco, sou um bom fazedor de hambúrguer. E isso também, sou um cara que adora colecionar Legos. E acho que esse é um pouco da minha descrição, né? A gente pode me perguntando o que vocês quiserem saber, mas basicamente é isso. O importante acho que é isso.
Legal!
E nessa parte de carne, o mais importante é o seguinte: é bem passada ou mal passada?
Cara, carne tem que ter seu ponto, né, cara?
Tem seu ponto.
Não dá para comer carne escura, fria... Meu coração! E carne mal passada.
Tem que ser, né? Tem que ser.
Existe a... Como que é? A Nossa Senhora do Ponto, né? Exato, né? Porque você judia demais da carne, né?
Marlon, eu sofro com isso, viu? Não sou vegana, vegetariana, mas eu tenho uma grande dificuldade desde pequena. Nunca gostei muito, sabe?
De ver o sangue na carne?
Nem da carne em si, mas enfim.
Dá aquela dor no coração, né?
Porque eu gosto da sola de sapato.
Entendi, entendi. A minha esposa também é assim. Então a gente tem que lidar com esse equilíbrio, né? Vou pegar uma carne diferente para poder mostrar.
E ainda que eu aprendi a comer a carne tem o quê? Um semestre. Porque tinha dificuldade. É mesmo? É, mas enfim, vamos lá. Vamos lá. Agora, essa parte do LEGO eu também gostei, viu? Como é que começou essa?
O LEGO é essa parte mais nerd mesmo, né? E assim, eu sempre gostei desse desafio do LEGO de montar, né? E eu gosto de LEGO de colecionador, eu gosto de comprar uns LEGOs robustos, né? Mas confesso depois que você vira pai, você diminui um pouco porque você precisa ponderar outras atividades, né? Mas eu acho que assim, minha filha hoje está com 5 anos, ela Ela começa agora a participar mais dessas atividades, mas eu acho que é uma brincadeira, né? É uma brincadeira que ela aguça esse lado criativo das pessoas. E eu acho que criatividade inclusive é um tema, é uma habilidade essencial no dia a dia. Inclusive existem diversos estudos que falam que a criatividade ela é assassinada pelos pais, no contexto das crianças. A gente acaba fazendo isso, né? Porque as frases: "Não faça, não pode, não mexa, né? Agora não." Mas a criatividade é uma habilidade que é inata do ser humano, todo mundo nasce com isso aflorado. A sociedade, as pessoas que exercem influência em outras pessoas, elas tendem a limar a criatividade. E aí tem um negócio legal: transformação, tecnologia precisa de criatividade. Inovação não existe sem criatividade. E aí que a gente começa a entender um pouco mais dos déficits que existem dentro das empresas. Aonde está a criatividade das pessoas? Como é que elas podem resgatar? E aí não adianta simplesmente dizer: "Você tem que ser mais criativo." Se eu tenho uma barreira interna que não me permite fazer isso.
Já vem lá desde a infância.
Exatamente.
Às vezes uma crença, um bloqueio.
É isso. Alguém com muita autoridade me falou que não. E aí eu tenho dificuldade de exibir isso hoje no contexto adulto corporativo que exige isso de mim.
E aí você vai para a inovação onde o erro faz parte do processo.
E aí? E o erro faz parte, o erro deveria fazer parte do processo, mas é um outro item onde as pessoas têm medo de aflorar ele. O erro deveria estar presente no dia a dia, no processo de aprendizagem. Esse é um negócio muito interessante. Recentemente eu comprei um patins para minha filha, comprei para mim também, e a gente começou a praticar e eu reaprender, eu andava quando era moleque, e ensinar ela. E sabe de uma coisa que foi muito legal? Eu fiquei os 3 primeiros dias ali, né, brincando com ela, ensinando ela a não andar, a cair. Cair e levantar, cair e levantar. Se cair, levanta. Se cair, levanta. Porque o erro, né, o significado que a gente dá para o erro, ele trava e impede a gente de fazer novos movimentos. E isso, gente, é algo extremamente presente hoje nos contextos corporativos. E a gente começa a perceber, né? A gente fala de inovação, transformação, a gente veio aqui para trocar um pouco sobre tecnologia, mas essa compreensão, ela é extremamente necessária. Por que minha equipe não performa? Será que é porque elas não querem? Porque não conseguem? Não têm habilidade? Ou tem alguma crença, algo mais profundo que não permite elas avançarem?
E aí, como superar isso, Marlon? Quando uma vez identificado, como que a gente ultrapassa essa barreira? É um conjunto de coisas, né?
É, existe, se a gente for falar dentro do meio corporativo, é um conjunto de coisas, não é simplesmente a responsabilidade do indivíduo, né? É parte do indivíduo, é parte das relações desse indivíduo e é parte do contexto também. Então, hoje em dia existe um termo que ele é algo antigo com nome novo, que chama-se segurança psicológica. Um ambiente corporativo para poder fazer com que as pessoas se engajem em inovação, precisa ter esse tema dentro da sua cultura. A segurança psicológica precisa estar envolvida na cultura dessa empresa.
Por quê?
Porque segurança psicológica é sobre um ambiente que fazem o quê? Que recompensam a vulnerabilidade das pessoas. O que é ser vulnerável, gente? É eu poder cair e falar: "Cara, eu caí. Eu caí, me machuquei e agora estou com medo." E alguém ter a postura de falar: "Pô, eu te acolho. Vamos junto, vamos levantar." Agora sim, É bonito fazer isso e falar isso, e mais fácil isso no contexto de criança, infantil, né? Agora, no contexto corporativo, é onde o bicho pega.
Você mostrar vulnerabilidade é complicado, né?
Exatamente, porque as pessoas encaram vulnerabilidade como fraqueza.
Não deveria ser.
Não deveria ser.
Porque não tem nada a ver com fraqueza, mas...
Exato, mas é a crença. Isso tá dentro da nossa biologia. E eu confesso pra você o seguinte: Eu falo sobre vulnerabilidade há um bom tempo, né? Na minha trajetória, na minha carreira, eu entendi que isso era importante. Mas vivenciar na pele não é pra qualquer um e não é simples.
Não.
E eu posso dizer pra vocês aqui com muita propriedade, recentemente eu vivenciei na pele a vulnerabilidade. A capacidade de você falar: "Eu não sei." "Eu não sei o que eu quero, não sei pra onde eu vou." E você ter pessoas que te apoiem, que estendam a mão e fala: cara, se você quer sair, se você quer ficar, como é que eu te ajudo? Isso muda totalmente a trajetória. Eu afirmo para vocês aqui, eu vou falar um número, tá? Eu acho que mais de 80% dos problemas corporativos que as pessoas trazem com questões relacionadas a: pô, eu não tô ganhando o que eu deveria, eu vou para outro lugar, é muito mais sobre serem acolhidas do que realmente um salário. Porque eu tô buscando um salário como um meio de fazer o quê? Demonstrar que eu sou uma pessoa importante. E isso você faz com comunicação, você não precisa do dinheiro fazer isso. Isso que é maravilhoso. Eu tô avançando aqui, gente, tô seguindo a onda.
Tá tudo certo, é isso aí. Ô Marlon, mas agora me conta um pouco, como é que, como que foi o estalo e que você decidiu, que você falou assim, cara, essa, esse é o meu propósito, essa minha missão, essa minha paixão de vida, eu quero trabalhar desenvolvendo pessoas pessoas, eu quero fazer isso. Como que foi esse processo, a tua jornada de construção para você chegar onde você chegou, se tornar o indivíduo, a pessoa que você é hoje?
Legal.
E até pegando um gancho só, porque eu acho que é interessante, que você começou com programação, né?
Você era programador, né? Migrou para isso, né? Eu vim para Campinas para estudar computação, né, para ser um analista de sistema.
Era de onde, Marlon Silva Domingues?
Eu sou de uma cidade chamada São São Arcanjo.
Olha que nome lindo!
Fica no interior de São Paulo, região de Sorocaba, uma cidadezinha pequena. Morei lá até os meus 17 anos e vim para Campinas para fazer faculdade. Eu entendi que o analista de sistemas era uma profissão ali ganhando seu corpo, seu movimento, né? E tinha muito a ver com essa questão de gestor de tecnologia. Eu não achava que eu era nerd o suficiente para ser um cientista de computação, nem um engenheiro de computação, mas o analista de sistemas parecia "Isso não faz sentido pra mim." Então eu busquei, busquei e eu acho que eu tive uma formação excelente. Eu estudei aqui na PUC de Campinas, 4 anos ali espetaculares. E eu comecei a entrar nessa jornada. Mas o mercado de trabalho, né, ele te coloca ali no caminho de alguém que está se formando em TI como programador. Então eu passei grande parte da minha jornada sendo programador. Mas nunca foi algo que me deu barato. Apesar, dentro da faculdade já, aliás, na faculdade eu já tinha feedbacks, eu já tinha sentimentos de falar: "Cara, o que eu estou fazendo aqui?
Isso aqui não é pra mim." É mesmo?
Eu convivia com pessoas que falavam tecnologia de um jeito muito mais fluido, que tinham habilidades nas matérias de computação muito diferenciadas dasquelas que eu apresentava. Eu tinha muita dificuldade em entrar nesse jogo da programação e tudo mais. Então eu me perguntava, falava: "Pô, será que eu estou no lugar certo?" Mas esse momento ali em 2003 era quase que... Pô, como é que eu vou falar? "Não é isso que eu queria", né? A sensação era que eu não tenho esse direito. Eu tô aqui, eu tô fazendo uma faculdade paga, inclusive, né? Eu não tenho esse direito de... 4 anos. 4 anos. Eu gostei tanto que eu fiz em 4 e meio, usando os recursos como DP e tudo mais. E assim, esse não ter permissão é uma crença, uma crença que apareceu ali, né? Com a necessidade de eu ter que comprovar isso para alguém. Mas esses detalhes, né, e depois com a vida aprendi que quando você tem 3 feedbacks da mesma coisa, você precisa olhar com muito cuidado para isso.
Então eu vou só te pedir licença aqui, interromper um pouquinho. Tô congelando, gente. Aí eu tô pedindo aqui, equipe, ajuda-me, por favor.
Eu tô aqui com as mãozinhas já que eu não tô me aguentando.
23 ali.
Isso.
A parada técnica.
Obrigada, parada técnica, isso. Tranquilo. Eu não ia conseguir.
Tranquilo, tranquilo. Então, assim, eu comecei a perceber, me questionar que, pô, será que esse é o tipo de trabalho que eu gosto? E nos estágios, fazendo estágio, eu tinha dificuldade, eu sentia que eu tinha dificuldade com a parte da técnica. E eu começava a perceber que eu tinha uma facilidade também. Esse é um ponto legal, a gente precisa perceber o que a gente é bom, o que a gente não é. E eu percebia que eu tinha facilidade com a comunicação, com a conexão com as pessoas. Mas até então trazer isso à tona, não sei, né? Eu era uma pessoa zerada de autoconhecimento, nem sabia o que era autoconhecimento. Uma pessoa totalmente preconceituosa com terapia. Terapia é pra quem tá vivenciando um momento muito ruim da vida, é por isso que vai lá, porque a vida tá estragada. Então essas coisas...
Quem pensa que psicólogo e psiquiatra é coisa de louco, não é, gente, pelo amor de Deus. Nossa, e ainda tem gente que pensa assim.
Exato. E isso aí fazia parte da minha mentalidade. E eu comecei a traçar essa jornada mesmo, pô. Comecei a buscar por cursos de aperfeiçoamento na área técnica. E quanto mais eu me aperfeiçoava, mais eu entendia que eu não gostava, que eu não queria fazer isso, que isso não tava... Não era aquilo que eu acordava com o sentimento de: "Que legal, que massa, tá fluido." Eu tinha dor de barriga pra trabalhar. O Fantástico à noite me atormentava sabendo que segunda-feira ia chegar. Eu tinha de verdade, eu falo isso porque isso era real na minha vida, era um negócio horrível.
Passava mal.
Enfim, gente, o jogo foi fluindo, eu continuei sendo programador, eu fiz alguns intercâmbios fora do Brasil. Eu tinha uma meta como analista de sistemas, eu queria trabalhar na IBM, nunca consegui trabalhar na IBM, fui reprovado 6 vezes na IBM porque eu não tinha inglês. E aí eu falei: "Pô, preciso resolver essa parada." Então eu fui fazer intercâmbio no Canadá, Voltei, depois falei: "Cara, esse negócio de intercâmbio é muito massa, acho que eu quero viver disso." Fui fazer intercâmbio na Nova Zelândia, fiquei 6 meses na Nova Zelândia. Aí quando eu voltei, pô, preciso trabalhar, preciso fazer alguma coisa de verdade.
Aí eu voltei... Tinha quantos anos quando você fez isso?
Eu fui com entre 23 e 25 anos que eu fiz essa...
E eu sei que você fez uma lista também, não fez? Uma listinha das empresas?
Quando eu fui para Nova Zelândia, eu me respaldei com certificações técnicas. "Então, pô, tem que garantir esse pedaço e vou voltar com o inglês, então assim, cara, vou estar na crista da onda." E eu comecei a escrever empresas que eu gostaria de trabalhar. IBM primeiro e tal, a CIT, que eu trabalho hoje, estava em sexto e aí tinha as 10 empresas lá. Voltei, nunca aconteceu uma parada aí na IBM e eu fui trabalhar na Stefanini, em Jaguariúna. Mas eu queria trabalhar muito com o inglês, eu queria usar o inglês que eu tinha aprendido, eu queria trabalhar num contexto internacional. E aí, é isso que aparece no meu email lá. "Vaga na CIT, projeto internacional, programador C#. Que era o que eu fazia, era a certificação que eu tinha. Parece que anjo da guarda falou: 'Cara, está aqui, vai lá!'" Você olhou a lista e falou: "Tá dentro da lista." "Tá dentro da lista, entra 6, bora lá!" E eu entro na CIT em 2009. Entro na CIT em 2009 e já me encanto com uma cultura diferente das empresas que eu já tinha passado, já tinha trabalhado em algumas empresas internacionais, empresas bancárias e legal a cultura. E lá eles me apresentam pela primeira vez, eu ouço que eu teria me deu um plano de carreira, né, uma trilha de carreira. Eu poderia escolher ser uma pessoa com uma carreira técnica ou uma pessoa com uma carreira de gestão. E aí eu começo a respirar, falo: opa, tem uma outra oportunidade aqui, né? Mas beleza, continuei na carreira técnica. E na minha cabeça, talvez ali na CIT eu fosse criar uma jornada, um caminho como um arquiteto de software, né? Eu já tava trazendo essa informação para minha mente de que seria esse o movimento. E durante a minha jornada na CIT eu tive a oportunidade de ter o "eu time", né? Então era eu e o cliente, e um cliente nacional. E eu fazia toda a parte técnica e tinha que fazer todo o relacionamento. E eu comecei a ver: "Cara, eu gosto demais dessa parte de relacionamento, pra mim dá muito certo, eu tenho uma capacidade de cativar, de conectar, de trazer clareza, mesmo com culturas diferentes." Então comecei a gostar disso. Eis que aparece, 3 meses depois que eu entrei na empresa, uma oportunidade de liderar, de ser um líder técnico de uma equipe, de uma frente ali. E aí começa a mudar a minha jornada. Eu aceito o desafio, pô, legal, quero ser esse líder técnico, mas o que é ser líder? Esse momento, 2009, foi o momento crucial da primeira pergunta de o que é ser líder. Porque apesar de não gostar da parte técnica, Eu sabia aonde me respaldar, eu sabia que fórum eu tinha que ir, eu sabia que site eu poderia digitar, eu sabia os professores que eu poderia acessar. Quando o assunto se tornou liderança, cara, eu não sei nada sobre isso. Eu tinha lido um livro chamado "Monge Executivo", era o único livro que eu tinha lido na minha vida, que tinha aflorado inclusive em mim esse: "Pô, que legal esse movimento da liderança". E foi aí que eu falei: "Eu preciso me preparar, eu preciso buscar alguma coisa". E o primeiro curso que eu fiz de liderança chamou-se terapia. Eu fui buscar terapia.
Excelente.
Em 2009 eu fiz, fui fazer terapia com medo, preconceito, ninguém pode saber que eu tô fazendo isso. Mas ali eu entendi de verdade o que que era a palavra autoconhecimento. E eu comecei a perceber que se eu usasse disso no meu dia a dia, as coisas que eu trocava, as palavras, o entendimento. Primeira vez que eu ouvi falar, a psicóloga me perguntou "Quais são seus valores?" Cara, o que é isso? Valor? Como assim valores? O que você gosta? E aí eu fui compreendendo e falei: "Poxa, e se eu jogar isso para o time também? Será que eu consigo obter coisas diferentes?" E aí começou essa minha exploração de envolver o autoconhecimento no contexto corporativo. E fui caminhando nisso, fui evoluindo na perspectiva de gestão, me tornando de líder técnico, um Scrum Master hoje dentro do contexto da agilidade. E foram aparecendo essas oportunidades. Então eu tava em algum momento na empresa ali como trabalhando como gestor, mas eu tinha essa mentalidade e sempre me perguntando o que que é ser um líder. Líder, gestor é diferente. Eu ficava com essas inquietações, sabe? E sempre buscando por recursos que pudessem me favorecer. Então, pô, eu acho que um líder tem que saber se comunicar muito bem. Então eu ia buscar recursos de liderança. Ah, eu acho que o líder tem que saber sobre gestão do tempo, então ia buscar coisas relacionadas à gestão do tempo. Ah, inteligência emocional, então vamos fazer uma imersão de inteligência emocional, vamos caminhar na brasa, vamos gritar, tudo isso aí eu passei, eu fui criando o meu repertório, a minha caixinha de ferramenta. E aí tava num momento muito legal, bacana, e na empresa tinha um próximo passo que era um rótulo nosso interno que chamava delivery coach. "Então você poderia se tornar delivery coach ou você poderia se tornar um gestor de projetos. Gestor de projetos, trabalhar com cliente, prospecção, vendas. E delivery coach, formação de equipes." Falei: "Cara, eu quero formação de equipes, quero ir para esse caminho aqui." E aí eu fiquei pensando um pouco: "Como é que eu posso ser um delivery coach diferenciado?" Google. Fui lá e coloquei delivery coach. Eu achava que esse papel era algo do mercado. Não que fosse algo interno que a gente tivesse criado. E aí quando eu coloquei no Google, o Google trouxe o quê? Formação em coaching. Eu achei que era lé com cré e fui lá e... Pô, vou fazer. E aí diante da formação de coaching eu descobri um novo mundo. Isso aí eu tô falando de 2012, tá, gente? Não tinha essas barbaridades de coaching que tem hoje. Então, pô, que massa, gostei pra caramba. E eu conheci o quê? Eu conheci um processo de pessoas estruturado, respaldado por ferramenta. Falei, cara, é isso, agora eu tenho estrutura, agora eu tenho mais ferramental. E eu comecei a trazer isso no dia a dia. Aliás, parênteses aqui, eu fui para formação e voltei logicamente pilhado, né? Pilhadaço, batendo palma, gritando e pá e tudo mais. E voltei para empresa e falei, ó, e como mantém?
Depois você me conta.
Isso tem toda uma jornada nisso aí. E eu voltei para empresa e falei, ó, eu "Eu quero pedir demissão porque eu quero montar minha empresa de coaching." É, foi isso. Foi exatamente isso. Aí o meu líder...
É muito comum, né, isso.
É, mas esse entusiasmo, ele é ok. O ponto é ter a maturidade de saber que as coisas não são assim. Assimilar, né. Exato. Como é que você traduz isso para o contexto real, da vida real? Hoje eu consigo falar com muita propriedade que assim, aquilo que é vendido nas escolas é um produto. Mas não é o produto da vida real, do dia a dia corporativo. E eu tive essa oportunidade de ter essa escola do que é desenvolver pessoas num contexto corporativo de tecnologia, que é um pouco averso a isso aí, inclusive. Então assim, só fechando essa história, eu trouxe isso aí pra empresa e falei que eu queria sair. E aí meu líder me provocou, falou: "Cara, mas sobre o que é esse curso?" Eu falei: "Ah, sobre isso e tal, pessoas, né?" Faz exceções. Ele falou: "É sobre ser humano, sobre pessoas." "É." "O que você faz hoje aqui?" "Ah, eu sou líder." "E o que você faz como líder?" "Trabalho com pessoas." Mas demorei uma meia hora para entender que ele estava tentando dar indireto e falar: "Cara, usa aqui. Você não precisa experimentar esse negócio, usa aqui." E aí, quando eu entendi, eu falei: "Legal, eu vou começar a usar no meu time então." E eu comecei a aplicar de um jeito muito informal, em conversas mesmo com o meu time, algumas estratégias, algumas ferramentas e começou a ter resultado.
E foi daí que surgiu a formação do EDH?
Ainda não, né? Isso aí eu tô te contando ainda em 2012, 2010. E aí em paralelo a isso, pô, comecei a ficar mais feliz porque, pô, comecei a ganhar repertório, comecei a ganhar feedbacks, comecei a aparecer com um jeito diferente de liderar. E eu tinha um sonho, meu sonho era, eu queria experimentar uma vivência fora do Brasil trabalhando. Eu tinha feito intercâmbio, a vida de estudante é uma coisa. Você trabalhar fora do Brasil devia ser outra coisa e eu queria saber como era esse sabor. Por quê? Porque a CET tinha empresas fora. Então isso me chamava. Pô, fiz intercâmbio, queria poder usar inglês também. E aí eu fui que eu chamei o diretor da empresa lá da minha área e falei: "Eu quero uma oportunidade fora do Brasil." "Eu quero poder trabalhar fora do Brasil." Porque ao mesmo tempo tinha muitos amigos meus que continuavam na parte técnica e estavam indo. E tinha muita vaga para as pessoas técnicas fora do Brasil. E eu cheguei pra ele e falei: "Quero uma oportunidade fora do Brasil." Detalhe, na minha cabeça eu tava falando pra ele o seguinte: "Eu quero uma oportunidade nos Estados Unidos." Isso tava na minha cabeça. E eu falei: "Fora do Brasil." Ele voltou depois de um mês e falou: "Cara, Marlon, eu consegui alguma coisa pra você. Você vai morar na China." Eu falei: "Cara, eu pedi Estados Unidos, como é que você vai me mandar pra China?" "Não, você falou que você quer uma coisa fora do Brasil. A China tá fora do Brasil. Tem uma oportunidade lá." A comunicação, hein? Comunicação. Esse é um... É um exemplo de um verbalismo.
É, e o cérebro pensa muito mais rápido num verbalismo.
A nossa comunicação é falha, ela é falha, é falha. E esse foi um exemplo muito legal, que eu fui parar na China por esse acidente de comunicação. Logicamente, eu podia ter dito: "Não, não quero", mas eu quis, eu quis essa jornada. E aí a gente fez um acordo, porque ele queria que eu fosse pra China pra ser um mentor de processo, do processo da área que eu trabalhava, porque esse pedaço tava bem fragilizado lá. E a gente tinha acho que uns 2 ou 3 anos de empresa na China nesse momento. Então eu fui para lá, mas eu falei: então já que eu vou para lá, eu vou ser coach lá. Ele falou: cara, não sei o que que é isso, mas se você arrumar casa, tá valendo, pode fazer até mágica lá, né? E eu fui, e eu fui para China, eu comecei a fazer coaching com as pessoas lá, com os líderes da base, com os chineses, em inglês, com a galera falando chinês, e o negócio muito doido. Mas aconteceu, e aconteceu de ter resultado. Então a gente conseguia fazer o quê? Acelerar a carreira da liderança. A gente conseguia melhorar a inteligência emocional da liderança. E pô, esse resultado começou a aparecer.
E você conseguiu mensurar tipo esse processo deles?
Tipo, como chegou e... Super, super. Sim, total. Isso aí era super em evidência. Mas aconteceu que durante a minha jornada lá na China, eu conheci um cara chamado César Gong, dono e presidente da CIT, e também o vice-presidente de RH, a Mina Dabi. Tavam lá conhecendo a base. E nesse momento a gente começou a trocar, eles começaram a perguntar o que eu estava fazendo lá, né? E tinha feedback das pessoas, pô, legal aqui, Marlon, mas o que o Marlon está fazendo? Coaching, o que é coaching? A gente começou essa conversa e aí o VP de RH falou, cara, quando você volta? Ah, vou voltar daqui uns 4 meses. Legal, quando você voltar vamos conversar sobre isso para ter isso no Brasil. E naquele momento eu falei: "Cara, é isso! Eu vou dar um baita de um salto, porque as pessoas que fizeram formação comigo sonhavam em ser um executive coach, aquela coisa muito americana do Google ter esse papel." E eu falava: "Cara, eu vou ter isso na empresa, que sensacional!" Incrível! Eu volto pro Brasil e obviamente isso não acontece.
Aí vem a frustração, expectativa e realidade.
Aí eu volto pro Brasil, a gente tinha fechado o contrato com a Coca-Cola Coca-Cola para ser um dos fornecedores para eles de serviço de tecnologia durante a Copa do Mundo, para construir uma aplicação que iria sustentar a Copa do Mundo. Data escrita em pedra, um movimento enorme, visibilidade, precisava de um gerente de projeto ali. E aí é isso que o Marlon vai e volta a ser gerente de projeto ali. Só que eu ganhei o quê? A viagem para os Estados Unidos. Aí eu ia trabalhar lá junto com eles na Coca-Cola.
E poderia fazer mágica lá também nesse momento?
Não.
O momento era para ir lá e fazer o quê? Ser gerente de projeto. Tinha que construir uma equipe lá, falar de suporte, falar de métrica, falar de todas as coisas. Vou falar aqui, chata para caramba. E aí eu fui para os Estados Unidos, que massa. Só que eu fiquei um mês lá e eu não vi Estados Unidos. Entrava trabalhar 8 horas da manhã, ficava até às 10, 11, voltava para o hotel, troca de e-mail. Cara, é doido isso aí. E aí eu voltei pro Brasil, eu lembro da noite, uma noite eu fui embora da empresa trabalhando mesmo até tarde, porque o projeto exigia muito mesmo. Eu fui pro meu carro, meu carro não ligava. E eu dei uma bica no pneu assim, eu falei: "Cara, eu não quero isso pra mim, eu não quero, eu quero trabalhar com coaching." E tá tudo certo se a empresa não me fornecer esse espaço, não é a responsa deles, é eu, eu quero isso aí, eu vou fazer, vou buscar. Terminamos de entregar, colocamos no ar a solução, abertura da Copa do Mundo, maravilhoso, o negócio saiu redondo, funcionou. A semana seguinte fui falar com o VP e falei: "Cara, eu quero realmente trabalhar com isso, quero viver disso e tá tudo certo, tá tudo certo, eu quero sair." E a linha do coach que você segue é o ontológico que fala ou é o coach-coach? Na verdade, hoje a gente construiu nossa própria metodologia de coach na CIT. Esse é um negócio legal também, a gente evoluiu tanto esse assunto, destrinchou tanto, entendendo o que é realidade, o que é mistério, o que é baboseira e a gente construiu nosso próprio framework.
Que legal!
Próprio framework, e esse framework a gente consegue ajudar, ensinar as pessoas a fazer coaching em 10 minutos ou menos. Porque ele tem que ser uma ferramenta de comunicação e não algo que onere mais a agenda das pessoas. É só fechando esse ponto aí da saída, o VP falou pra mim assim: "Cara, quando é que você começa no RH?" Quando eu fui falar para que eu queria sair. E aí que muda minha jornada. Então eu migro para o RH da empresa com o objetivo de criar uma área focada em liderança e coaching lá. E aí 2014 até o começo desse ano eu tava à frente dessa área focada em liderança e coaching na empresa.
E hoje você fica aqui no Brasil na base?
Sim, sim.
Que é aqui em Campinas. Aqui em Campinas.. E hoje, recentemente, inclusive...
Então você trabalha próximo do Juliano Pacini?
Trabalho muito próximo, muito próximo. Inclusive ele é daqui, né?
Super 10!
É parceirão, a gente tá no mesmo... A gente é par, né? Porque estamos todos dentro do contexto de RH. Ele tem a área dele ali, né? Que é focada na parte de serviços, departamento pessoal. E eu tô nessa parte aí do desenvolvimento humano. Mas somos pares, tá? Vamos em reuniões até... Pouco tempo atrás aqui.
Que legal! Ô Marlon, me fala um pouquinho sobre a formação EDH? Falo. Pessoal, ó, que lindo aqui esse material que eu ganhei de presente, eu mimo. Christian, um para você aqui, tá bom? Depois eu te entrego. Muito obrigada, Marlon.
Assim, gente, então eu construí a minha jornada, eu consegui cavar na empresa a ideia real do que que era coaching e deixando claro, coaching é uma habilidade de liderança, todo líder tem que ter. Nada mais do que isso, todo o resto é baboseira. Coaching é uma habilidade de liderança, assim como inteligência emocional é uma habilidade de liderança. Isso faz parte do arsenal, você precisa saber. É isso que é fomentado lá fora. Quando os líderes de grandes corporações, eles falam dentro do contexto corporativo da parte humana, eles trazem a figura do coach. Pô, tem um coach aqui que me ajuda e tudo mais. E é isso. Então, por muito tempo eu cavei isso na empresa, trabalhei com isso. Só que eu gosto muito disso. Gosto tanto disso que eu percebi que eu poderia explorar isso pra fora, levando isso pra outras pessoas, ajudando outras pessoas a compreenderem melhor que passar por um processo ou você se orientar mais através do autoconhecimento pode te ajudar a acelerar a tua carreira, pode te ajudar a mudar a forma com que você tá significando no teu ambiente corporativo e mais, sair do vitimismo e ir pro protagonismo. Então assim, desde 2012 eu sempre atuei por fora fazendo coaching, processo de coaching individual com as pessoas, focado em liderança, ajudando muitos líderes e tudo mais. Com ali em 2015, 2016, na CIT eu criei o primeiro programa online gravado com celular, eu ficava gravando até meia-noite porque eu não sabia editar vídeo, então tinha que gravar perfeito, fazia, refazia e gravei, criei a Academia de Coaching na CIT, que era uma academia focada em ferramentas para ajudar nossa liderança interna da empresa a ter ali recurso de lidar com as pessoas. "Ah, tive feedbacks legais, foi bacana fazer isso." Então minha cabeça começou a crescer, crescer, em querer cada vez fazer mais isso. Só acelerando o filme, o EDH, ele nasceu ano passado numa viagem minha sozinho pra Patagônia, onde tava pensando: "Cara, o que que eu faço da minha vida? Qual que é o meu próximo passo? Como é que eu posso fazer pra inovar?" E aí, nesse tudo, o que que eu gosto de fazer? Eu gosto de formar pessoas. Eu gosto de expandir a cabeça delas, mas eu não gosto de falar só de um assunto, só liderança, só comunicação. Eu acho que a gente precisa ter uma trilha de formação.
Um arsenal de ferramentas. Exato.
E junto a isso, durante esses 14, quase 15 anos de CIT, o que eu percebo? Que as pessoas têm dificuldade em serem estrategistas com os seres humanos. Elas são intuitivas. Então assim, eu tenho uma ideia "É, e aí eu vou falar com você." E muitas vezes o tiro sai pela culatra, porque quando a gente usa da intuição no contexto corporativo, a gente automaticamente vem com dois viés, ou do conselheiro, então aquilo que eu tô dizendo é melhor, ou do comando e controle, eu mando e você faz, que é horrível dentro de um contexto corporativo, onde você quer fomentar aprendizado, onde você quer fomentar o crescimento. Então eu falei, cara, eu preciso ajudar as pessoas a terem essa capacidade, essa visão de o quê? Trabalhar com o ser humano de um jeito estratégico. Formação EDH é isso. Ela reúne 4 grandes temas, que é o quê? Comunicação, segurança psicológica, saúde, bem-estar, felicidade, um tema pouco discutido hoje em dia, e liderança. Então esses 4 pilares compõem a formação.
Você viu que agora tem o Congresso da Felicidade?
Super!
O ano passado eu estive lá, muito legal.
Acho que é em novembro que acontece, se eu não estiver enganado.
Muito bom. E sobre a ciência do florescimento, que eu dei uma olhada lá no seu material também.
Inclusive hoje à noite tem live para falar sobre isso, inclusive. Então, olha que curiosidade. Vai ser transmitido no Instagram, no meu Instagram, @marlonsilvadomingues, e também via LinkedIn. A gente vai fazer transmissão. Eu batei um papo com um cara do Rio Grande do Sul que ele é especialista nesse tema e tem cursos. E a gente vai debater isso aí na perspectiva corporativa, né? A dificuldade de falar isso hoje no meio corporativo. Eu tenho uma tese nesse momento que a gente vem vivenciando com a tecnologia. A gente sai de um momento ali antes da pandemia onde a agilidade ganha mercado, as pessoas começam a entender que precisamos trabalhar de forma ágil, métodos enxugando processos que não funcionam. Pandemia vem e a gente entende que a transformação digital não era necessária, ela era urgente. A gente começa assim então fazer uma transformação digital nas grandes empresas, mas transformação digital não é somente criar uma app, envolve cultura, envolve colocar o cliente no centro, gerar valor, né, que precisa ser gerado. E a gente sai da pandemia com a proposta de aceleração digital. Então como é que as transformações que foram feitas podem ser aceleradas? E junto a isso, quando começa a se falar sobre aceleração, vem o quê? Vem a Generative AI, vem o ChatGPT, vem a inteligência artificial. Então, se a gente parar para pensar, a balança, o empilhamento emocional das pessoas tá grande. E o que que é fato? Não tem como fugir da inteligência artificial, é uma realidade, ela vai acontecer, ela vai significar uma série de cargos e funções, ela vai mudar a indústria do jeito que a gente conhece. Fato. Agora, o grande ponto é: como é que a gente prepara as pessoas pra isso? Como é que a gente prepara as pessoas pra isso? Porque em 2019, as transformações iam vindo, as pessoas têm aquela confusão com toda mudança, mas elas superam. Mas agora a gente saiu de uma pandemia muito louca. Foi 2 anos e meio de confinamento. Aconteceu muita coisa com muita gente. E aí? A gente tá preparado pra isso agora? Para lidar com o movimento que vai falar assim: "Cara, esse trabalho seu que você fazia, ele vai te fazer desistir." O que isso causa no ser humano? Então, a minha tese é: a gente precisa sim mostrar para as pessoas o que é real. E a realidade é: a inteligência artificial chegou para ficar, vai mudar o cenário. Isso é realidade. O que a gente precisa fazer é preparar as pessoas para isso. E como é que a gente prepara isso? Com saúde mental. Esse é um dos caminhos, né? Então, a ciência da felicidade é... Até, né, existe uma... E aí, a beleza que eu acho, tem estratégia para fazer isso. Dá para ter ferramenta para poder trabalhar as pessoas nessa perspectiva. Não precisa ser algo... Qual que é a impressão executiva? Qual que é a impressão corporativa de temas como esse? Cara, o cara veio aqui abraçar a árvore. Vamos sentar todo mundo no chão, vamos fechar o olho. Não é sobre isso. Não é sobre isso. É sobre você ter estratégias na tua agenda onde você possa olhar para isso de um jeito muito mais significante. Essa é a ideia da sensibilidade. Eu acho que ela é um tema que precisa estar junto com a inteligência artificial hoje em dia, com autocontrole, né, com sabedoria.
E da pandemia para cá, a gente falou de aceleração digital, de fato aconteceu, que tá cada vez mais rápido, né. A evolução do ChatGPT da 3.0, 4.0, um negócio absurdo, doideira. E o emocional das pessoas, a gente vê que vem Exato. Vem ladeira abaixo, um pouco por conta do período que ficou em casa. Aí você tem o Instagram, aí você já entra na questão da comparação, que isso aí ficou, né? Você ficou, você tá mais em casa, tem home office e tal. Essa parte emocional, na sua visão, qual que é o principal desafio assim que você vê, da pós-pandemia para cá?
Todo mundo sofreu, né? Como eu disse, e a gente teve que reconfigurar nossa vida. A vida passou a ser dentro de casa, a vida passou sendo compartilhando as coisas com os filhos, a vida passou a ser numa rotina de trabalho que antes você tinha seu horário para sair. Aqui dentro do meu computador eu não tenho horário para sair. Então tem todo um significado que a gente deu para o contexto que foi necessário, a gente foi obrigado a dar esse significado. E talvez ele não se sustente com a vinda da inteligência artificial. Vocês viram aí, acredito que muitas empresas que estão falando que não querem mais as pessoas em home office, elas querem as pessoas de volta para o trabalho. Grandes empresas, Google, Microsoft, Amazon. É o movimento que está acontecendo.
Estão se posicionando de forma...
Exato. E tem um ponto importante nisso. Emocionalmente falando, é mais saudável para o ser humano ter isso. Só que as pessoas tiveram uma adaptação na tua vida. A empresa que eu trabalho hoje, a CTE, a gente contratou pessoas do mundo inteiro, independente de onde elas estão, elas estão espalhadas no Brasil, não tem uma base para elas irem. E eu acredito que muitas empresas fizeram isso, né? A pandemia ela permitiu isso, tanto que o mercado tá economicamente da forma que tá porque a bolha estourou. A gente tinha um movimento gigantesco de contratação, empresas cresceram demais tendo essa possibilidade de contratar empresas de fora do Brasil contratando pessoas daqui. E pagando em dólar, pagando em euro. Muita gente se beneficiou disso. E agora o mundo volta a chacoalhar a gente novamente, exigindo e cobrando um movimento novo e diferente. E o grande ponto é: como é que essas pessoas vão dar conta disso? E aí que entra a tal da inteligência emocional, a capacidade de ser vulnerável e dizer: "Ó, eu preciso assim, eu funciono assim. Hoje eu tô com uma estrutura que funciona desse jeito, como é que eu tenho equilíbrio nisso?" Essas conversas, elas precisam acontecer. Só que nós temos como movimento inicial ser o quê? Ser reativo. Então a gente, ou a gente vai querer embarcar, e aí você desestrutura toda uma família que tava ali estruturada para aquilo, ou você vai ser reativo e fala: não, não quero, não pode, não dá. E você começa a fazer o quê? Se vitimizar. Então, Daniel, a gente precisa sim olhar com cuidado e com carinho para essa questão da saúde saúde mental, por emocional das pessoas, porque isso é uma variável essencial no dia a dia profissional, para que as pessoas possam fazer o quê? Quem tava falando da criatividade. A criatividade não vai aparecer se eu tiver vivenciando uma crise emocional. Exato. Eu não— nossa, nossa mente ela não consegue acessar capacidades novas se a emoção tiver bloqueando isso. Então eu acho que isso precisa estar nas agendas corporativas, falar de saúde emocional, da mesma forma que a gente tá falando sobre tecnologia, que a gente tá falando sobre inteligência artificial. Eu acho que tem que ter duas inteligências na mesa: a artificial e a emocional. A gente precisa trazer isso, trazer luz a isso no dia a dia corporativo, aprender a falar sobre isso.
E você sabe, Marlon, que quando você falou das— eu te perguntei da ciência do florescimento, eu falo um pouco A metodologia que eu fui desenvolvendo é a do Arvorecer, né? E é isso que me chamou a atenção, porque olhar para as nossas raízes, né? As nossas limitações, o que tá nos bloqueando. Então ver esse tronco crescer e vir para o florescimento também. E é um trabalho que não é da noite para o dia, né? Esse, o autoconhecimento e o autodesenvolvimento demanda tempo, que nem você falou. Você foi buscando, você foi se aperfeiçoando. E assim, quando a gente vai para o autoconhecimento, você começa a se descobrir. Existe, é doloroso muitas vezes, né? Você fala, caramba, esse sou eu, como é que eu vou sair disso? Como é que eu vou? E aí, quando você mistura o seu pessoal, e por mais que fale assim, tem que separar, né, o pessoal do profissional, e aí você viu que você tá ali na sua saída trazendo toda aquela histórias também que vem no nosso DNA, né? Então, como que a gente consegue usufruir das nossas potencialidades, das nossas capacidades, das nossas habilidades de uma forma positiva para que isso impacte também dentro do ambiente? Porque aí, se você tá bem, você também consegue ajudar os seus colegas de trabalho, né? Então assim, é uma vibração mesmo, né? Então é uma coisa que me chama muita atenção, sempre gostei gostar bastante também desse movimento. Legal, legal.
Essa caixa preta assim não é fácil, né?
Você falou, você falou sobre o arvorecer. Eu coloquei um vídeo hoje no Instagram, eu e minha filha desenhando no iPad árvore, e eu faço uma analogia para ela que a árvore ela tem os seguintes detalhes: a raiz, elas são as nossas necessidades humanas. Começa por aí. Então você quer começar a ter uma árvore que ela vá dar fruto, você regar essas necessidades humanas. Todos nós temos. Por padrão universal, nós temos 6. Todo mundo tem 6 necessidades que tem que ser regado. Quando a gente cuida das nossas necessidades, os valores começam a aparecer. E os valores são aquilo que vai direcionar as nossas decisões. Se eu tenho valores firmes, fortes, que eu consigo entender, que eu consigo cuidar deles, eu tenho condição de ter os galhos da árvore, que são as nossas forças. Quando eu cuido de necessidades, valores e forças, eu tenho frutos. Esses frutos são as metas que eu sou capaz de atingir. Se eu cuido da árvore como um todo, ela cresce, cresce, cresce, cresce, cresce em direção ao quê? A um propósito. Esse é o funcionamento.
Isso eu chamo de sincronicidade, porque eu nunca tinha falado a palavra, verbalizado o árvorecer. Eu tenho muito ela como método que eu acabo aplicando indiretamente, mas assim, E aí você fazendo analogia com a sua filha hoje, interessante, né? Sincronicidade.
E a ciência do florescimento que você tá falando aqui, ela nasce através de um psicólogo americano chamado Marty Seligman, que ele não via, ele começou a duvidar do valor da terapia tradicional, chegar numa sala, você vir me contar problemas. Ele começa a questionar o quê? Se essas pessoas viessem aqui e falassem sobre o que elas têm de bom, o que isso provocaria nelas? Então ele começa a inverter. Então, em vez de você vir falar para mim dos teus problemas, me fala o que você acha que você é bom. E ele começou a perceber que com esse tipo de dinâmica, os programas, os processos terapêuticos que duravam 2 anos estavam indo para 4 encontros. Porque uma vez que você enfatiza nas pessoas o que elas têm de bom, eu começo a ter o quê? Mais força e resistência para olhar para os meus problemas. Tudo que a gente foca aumenta. Se você vem para um processo comigo, eu fico dando ênfase naquilo que você tem de ruim, você vai querer o quê? Você vai olhar só para aquilo que é ruim e você fica dependente daquilo.
É igual o hábito de agradecer, né? As pessoas mais reclamam, mais pedem do que agradecem. Se você cria o hábito do agradecimento, você vê o quanto também modifica, né? O quanto agradecer transforma.
Exato. E isso é comprovado, né? Isso aí é ciência, comprovado, tem resultados em cima disso. E dentro dessa questão da ciência do florescimento, existe o estudo das forças de caráter, que é um negócio que eu sou apaixonado. Todos nós temos 24 forças, que foi mapeado nos estudos do Seligman, com uma série de médicos, doutores e tudo mais. Ele criou uma base de conhecimento onde você pode acessar e falar sobre aquilo que você mantém de bom. Então, forças de caráter é uma linguagem universal comum para se falar daquilo que há de melhor no ser humano. Então assim, Daniel, se eu chego para você, que tem uma conversa com você, e fala para você: cara, você é um cara agradável, você é um cara que se demonstra ter um humor, uma vitalidade, você é um cara que demonstra uma liderança, você se sente cuidado ou você se sente de uma certa forma ali ofendido comigo? Eu com certeza vai sentir cuidado, que eu tô usando de palavras que são forças. E dependente se essas são forças que você fala: uau, essas minhas, que de fato eu tenho. Exato. Então assim, você tem essas 24 forças, só que dentro do estudo também conseguiu se avaliar que cada um de nós temos uma configuração, uma sequência dessas forças. E as 5 primeiras forças que aparecem para cada pessoa representa a essência dela, que se ela usar e tiver consciência do uso dela, você faz o quê? Você ativa o florescimento, ou seja, você eleva o seu nível de saúde, bem-estar a felicidade. Essa é uma das ferramentas que a gente trabalha na formação de H. Essa é um acesso, inclusive, que a gente usa dentro da empresa e ele é gratuito. Isso que é legal, eles têm uma visão por trás disso que é maravilhosa. As pessoas podem fazer esse acesso de forma gratuita. Então, tem esse conhecimento, né, conseguir proporcionar para as pessoas de qualquer lugar do mundo. Cara, você tem 24 forças. Então, assim, que que eu gosto de falar para as pessoas: tá vivenciando um problema? Se você lembrar que você tem 24 forças, pelo menos tem 24 formas de você resolver ele. Já começa a mudar aqui dentro, sabe? O peso que eu tô dando para esse problema. Exato. Porque assim, ó, o que que é um problema? Esse copo aqui é um problema? Depende do significado que eu tô dando para ele. Então o problema tá na mente. O problema é uma imagem que eu tenho na minha mente decorrente das minhas vivências, que você cria e transforma ela no que você quiser.
Ou seja, ela Pode ser isso aqui se transformando num monstro gigante.
Exato. É muito legal, né? Quando você conversa com as pessoas, você entende que os traumas delas não tá no presente. Tá no passado. Mas essa imagem tá presa na tua mente. É uma imagem. É uma associação que você tá fazendo. Por que que a gente fica preso? Porque a gente não tem recurso pra poder tirar isso da frente. As pessoas têm... Já tem vários estudos de pessoas que têm fobias. As fobias é um exagero que a tua mente causa relacionado a uma imagem. Fobia de barata, caramba, as pessoas não enxergam a barata, enxergam um dinossauro, sacou? Então a mente mente, cara, e é por isso que a gente precisa aprender a lidar com isso.
Tanto é que no processo de hipnose, a cura de fobias acontece em menos de 3 minutos, é muito rápido o processo quando a pessoa se coloca disposição para olhar aquilo e não enxergar o dinossauro, e sim ver a barata daquele tamanhozinho, né?
Não tem mistério nisso. As pessoas acham que hipnose é um negócio, mô, a pessoa comendo cebola, né? Tem toda fantasia. Falam-se da hipnose clássica, que é fantasiosa, mas a hipnose nada mais é que você colocar a pessoa no estado de consciência alterado.
Sim, até porque você tá assistindo televisão, você tá em transe hipnótico.
Exato, você tá dirigindo, você tá em transe. Então quando você tá em transe, a tua mente tá fez o quê? Ela tá mais sujeita a receber novas informações. Você consegue colocar coisas ali que quando você tá, né, ligado no teu neocórtex, que é racional, você não consegue pegar, né? A gente faz, realiza as coisas pelo sistema límbico, emocional. A gente comprou algum dia polichope porque se conectou no teu límbico. Então é isso, né? É esse entendimento.
E aí quando você entra nesse Nesse transe, né? Nesse, quando você tá nesse estado, é muito mais fácil você fazer alguma reconfiguração, vamos chamar assim.
Exato, porque a mente tá mais, ela tá leve, ela tá solta. Então você consegue plantar uma nova informação ali dentro, colocar uma nova imagem ali dentro que supere essa que você tá vivenciando, né? O legal, né, o entendimento bacana de desenvolvimento de pessoas é sobre você facilitar jornadas, porque a gente não consegue mudar ninguém, você não consegue transformar ninguém. Essa pessoa tem que querer. Então o papel, e eu vinculo muito isso à liderança, o papel de um líder é sobre ser facilitador de jornada. Ele precisa ajudar o quê? A pessoa, habilitar ela, criar um contexto onde ela possa se sentir segura para poder encarar o desafio. O problema não vai mudar, ele não vai mudar. Por quê? Porque isso é externo, e o que é externo a gente não controla.
Ó, Marlon, mas olha que interessante, né? Eu tô tão, eu tô hipnotizada no que ele tá falando. É, no assunto que eu tô vendo aqui agora, eu falei: gente, acabou a água dele. Eu não vi o Marlon tomando água por onde tá vazando.
Quer saber?
Não, isso é excelente, né? E mas você vê o transe hipnótico, porque eu tava, eu tava prestando tanta atenção, aí eu vi a água. Falei: gente, mas eu não percebi isso. Interessante, né? Ô Marlon, mas agora me diz uma coisa para a gente encerrar aí o nosso papo. Eu sei que você tem seu compromisso antes também a questão de, você falou do livro, né, do Monge Executivo, que te trouxe aí alguns ensinamentos. E no final do OctaCast eu sempre pergunto, é um livro, um filme que te inspirou, que você poderia deixar aqui de mensagem para as pessoas que estão te assistindo, nos assistindo, né? E você tem algum além do Monge que você já falou no começo?
Só uma curiosidade, eu li o Monge Executivo eu li o livro em 2005 e em 2006 eu conheci o autor aqui em Campinas. Ele veio fazer uma palestra sobre o livro e ele foi na IPCA lá e eu tenho autógrafo dele no meu livro, assim, do James C. Hunter. Gente, eu sou um cara que eu gosto bastante de me antenar com os assuntos. Eu tô com 3 livros atualmente na minha mesa, um no celular que eu comprei no fim de semana, que é de liderança inclusive, Eu fiquei bem tocado com a proposta, é um livro desse ano. Deixa eu pegar aqui o nome para vocês no meu Kindle. Eu acho que não tem em português ainda, mas ele traz essa proposta da liderança ser renovada, de uma liderança que com a volta, com a saída da pandemia, tem essa tentação de voltar a ser comando e controle. E o quanto que isso não vai funcionar mais. Chama-se Reinventando a Liderança, em inglês Reinventing Leadership, não tem em português ainda. Deixa eu mostrar a capa para vocês aqui. Eu comecei a ler e eu tô achando assim super, super conectada com o dia a dia profissional, com aquilo que a gente tá vivenciando. Deixa meu Kindle me ajudar. Capa. Aqui, ó.
Quer mostrar?
Mostra ali. Aqui a gente deixa na descrição também.
Assim, livro desse ano, tá super atual, provocações bem bacanas sobre esse momento. Qual é a pergunta? Essa é a pergunta: qual é o modelo de liderança que a gente vai ter que ter agora com a chegada da generativa AI? Não temos essa resposta ainda. Então esse é o momento da gente poder aqui se permitir ir atrás de informações, conectar as coisas. Não acho que vai ter algo cartesiano, acho que é uma soma de várias coisas. Mas esse livro tá me dando vários insights. Livro número 2, semana passada eu peguei ele, Empresas que Curam. Não sei se vocês já ouviram falar disso aí.
Claro.
Bem legal, eu não conhecia.
Tem empresas espiritualizadas também.
Muito bacana e também faz todo sentido pra isso que eu tô vivenciando agora. E o terceiro foi que que foi um que eu peguei, já conhecia, mas nunca tinha comprado, não tinha tido interesse em comprar, que é do Tim Ferriss, que é Ferramentas de Titãs. É uma série de ferramentas para a vida, ferramentas de titãs, livro dessa grossura assim, muito legal, série de ferramentas, eu gosto de ferramentas para caramba, então uma série de ferramentas para o dia a dia corporativo, pessoal, vida. Ele entrevistou muitas pessoas de alta performance e ele foi coletando e modelando ali, pô, o que faz essa pessoa ser rica, o que faz essa pessoa ter essa saúde, o que faz essa pessoa manter esse peso, o que faz essa pessoa acelerar a carreira dela há tanto tempo assim. Então ele traz isso, ele traz isso no livro detalhado. É isso, isso, essa grossura assim. Esses 3 livros estão na minha cabeceira nesse momento.
Muito bom, Marlon. Muito agradecida aí por sua participação. Foi muito legal o nosso papo.
Até meia-noite só conversando com vocês.
Tem assunto, né? A gente pode lançar o desafio de um podcast aí, 3 horas, maratona do Rodolffo Takeshi. Mas Enfim, é aquele rolê todo agora do curta, compartilhe, divulgue para os amigos. Se você gostou, deixa aí nos comentários. Vai lá assistir também no YouTube do Marlon a live de hoje sobre a ciência do florescimento. E é sobre isso. Um abraço, galera, e até a próxima.
Valeu, obrigado, gente. Gratidão.









