Papo com Especialista Edu Migliano - 99 Jobs

In this YouTube interview, Eduardo Migliano, founder of 99Jobs, converses with host Marlon Silva Domingues about the purpose and philosophy behind 99Jobs and his broader views on work, entrepreneurship, and personal development. Migliano deconstructs the romantic myth of entrepreneurship, arguing that being an employee is not a betrayal of ambition if the role aligns with one’s values. He introduces a personal “letter of values” exercise – listing what one can’t disclose to family as a way to stay true to oneself. He stresses the importance of informal mentorship, sharing stories of mentors who impacted his life beyond formal hierarchies. Migliano highlights the need for individuals to actively seek challenges rather than wait for them to be handed over, framing growth as a self‑driven responsibility. A central case study is the story of a Black female engineer who left a multinational to start a successful marmita business and later joined 99Jobs, illustrating the company’s commitment to diversity (44% of its workforce is Black) and representation across all areas. Migliano explains that 99Jobs is not a traditional job board but a platform for finding partners, freelancers, and projects that match people’s passions. He also reflects on cognitive biases that make people avoid complex problems, preferring simple exits, and ties this to broader societal attitudes toward work. Throughout, he weaves personal anecdotes about his own career shift from banking to entrepreneurship, his encounters with competitors, and his evolving relationship with the concept of being a “business owner.” The conversation culminates in a concise framework – values, mentors, and challenges – as the three pillars for personal and professional development.
Chapters
Bom, meu nome é Eduardo, né, e eu fundei faz mais ou menos 8 anos a 99jobs.com, que é uma plataforma para ajudar as pessoas de alguma forma se encontrar naquilo que elas amam fazer. Eu acho que assim, tipo, se eu puder contar quem eu sou, é um pouco isso. Sou casado com a Joana e tenho 2 filhos gêmeos que vocês devem estar escutando eles ao fundo. Estão escutando ou não? Só eu, não? Essa hora as crianças chegam. E são... tem 7 meses, então estamos vivendo aqui uma loucura linda, linda, linda. Acho que a coisa mais legal que eu já fiz na minha vida foi isso. E tenham filhos. Então tem sido uma experiência muito legal aqui viver como pai também, embora eu sou o pai.
Legal demais, cara. Ó, uma coisa bacana, você falou da 99Jobs, uma curiosidade, não sei se as pessoas sabem, eu sei o porquê do nome, mas fala aí, cara, por que esse nome 99Jobs, cara? Porque poderia ser 100Jobs virou 99Jobs ou é outra coisa?
Quando a gente nasceu, a gente tinha como intenção ajudar as pessoas a se conectar com até 99% do matching. Vamos fazer um exemplo bobo aqui. Provavelmente a coisa que parece na primeira resposta do Google foi o que o Google entendeu que tem mais matching com a sua pergunta. E esse índice, a diferença que a gente mostrava, então quando você via a vaga, você via lá 99, 97, 96, 95. Isso também foi uma estratégia legal, além de algorítmica, uma estratégia legal de marketing, porque as pessoas viam o índice de match delas, era transparente. Uma das coisas que a gente queria trazer para esse mercado de recrutamento era ser transparente, né, processo de buscar uma oportunidade ser mais transparente. E a gente colocava o índice de match, então a pessoa tinha mais um elemento para tomar uma decisão. A empresa que ela mais gostava tinha 10% e outras que ela nem conhecia tinha 97%. Será que aquilo não era algum índice de informação que ela pudesse tomar decisão, né? Porque a primeira coisa que a gente fazia era um assessment de valores. Então a gente fazia o matching através dos valores das pessoas, né? A gente foi a primeira empresa que todas as vagas que você via tinha um índice de valores antes de qualquer outra coisa. Então assim, se a empresa pedia para ver a universidade X, primeiro a gente ranqueava pelos valores. E depois ela ia ver qual que era o resultado dos 400 melhores, por exemplo. Programa de training, né, programa de estágio que tem muitos candidatos. Você abre uma vaga, 400 candidatos, é exagero, mas quando você tem um programa que tem 20, 10, 15 mil candidatos, os top para dinâmica não necessariamente eram os melhores das melhores universidades, eram as pessoas que melhor tinham matching. Então isso foi um tom de diversidade e inclusão que a gente deu, ó, 8 anos já.. E hoje tem, estamos indo para 8 milhões de usuários, né? Acho que um quarto de todo mundo que procura emprego na internet tá lá na Indeed. É bastante gente. E começou de um jeito totalmente diferente, né? De um jeito que não é o jeito que as pessoas procuram trabalho. E uma das coisas que ajudava bastante é que você via fotos do ambiente de trabalho, você via a missão da empresa, tudo antes de ver a job description, né?
Que massa!
Por mais importante, indiferente do que você faz na empresa, o mais importante é com quem você faz e onde você faz. O que faz você querer ficar e querer pegar outros desafios não é a sua job, mas sim é o para onde você tá indo, né? E é com quem você tá indo. E a gente de alguma forma tentava trazer muito mais que uma vaga. E sim o que a gente chamava de company description, que é a descrição da empresa para que a pessoa olhasse e falasse: "Pô, com essa empresa eu tenho match, ou seja, eu entendo ela como uma plataforma de desenvolvimento para mim." Então foi assim que meio que de alguma forma essas eram as nossas falas no pitch inicial, né? Essas eram as nossas falas para tentar explicar porque que a gente se reuniu para fazer alguma coisa. Depois, obviamente, o mundo mudou E a gente tem hoje outras visões também, mas o motivo pelo qual a gente nasceu continua vivo todos os dias.
Que massa! Então, assim, para as pessoas entenderem o que que é esse negócio, vocês aproximam o CPF, a pessoa, o ser humano, de um sonho de empresa que mais dá match com a realidade dela, com os valores dela, é isso?
É, a gente entendeu que não era o filtro de curso, área, que necessariamente ia dizer se você deveria trabalhar naquela organização ou não, mas sim se os seus valores têm a ver com aquela organização. E a gente queria trazer isso para o mercado de trabalho. E puxa, em várias, como todo negócio, né, você vai pivotando e tal, em vários negócios a gente deu, em várias áreas a gente deu bastante certo assim. A gente foi uma das primeiras startup do Brasil. Quando se fala sobre uma startup de equipamento, a gente foi uma das primeiras assim, tipo, tentar trazer esse conceito e tal, né? E foi muito legal, tem bastante orgulho da nossa história.
Que massa, cara, que legal, que bacana! Você falou um negócio muito interessante, é um item que eu sempre bato nessa tecla, que são os valores. Eu acho que isso é o Principal item para tomada de decisão, para você encontrar algo que de fato te faça querer ficar. Eu faço exercício anualmente sobre revisitar os meus valores para ver se ele continua dando match na empresa que eu estou. Porque a empresa vai se transformando, eu me transformo, dependendo do contexto que estou vivendo, familiar, você acabou de citar os seus filhos, tem filhos gêmeos aí. Filhos ou filhas? Casal?
É um casal. Eu sou muito sortudo, cara.
Casal de gêmeos.
Eu tive uma menina e um menino. É um negócio incrível, incrível.
Que da hora. Eu tenho uma menina.
E nem tem gêmeos na família, então eu realmente tive muita sorte.
Olha só, que sensacional. Eu tenho uma menina de 3 anos, né, e quando ela nasceu eu me vi revendo os meus valores. E ao rever os seus valores você começa de verdade a questionar Muitas coisas.
Você sabe por que isso acontece?
Porque a gente questiona o nosso valor?
Não, porque a gente está sempre revendo. Porque tem muita gente que acha, é porque tem muita gente que acha que valor é uma coisa imutável. E não é. Não é, não é. Os valores são— A gente veio ao mundo, uma vez eu trabalhava num banco e eu era estagiário, e eu, como todo estagiário, a única intenção que você tem é ser efetivado, né? E eu tava lá querendo ser efetivado, obviamente. E no processo de ser efetivado, eu tava sentado na primeira fila, que meu chefe tava dando uma palestra. Então tava lá sentadinho na primeira fila, e aí meu chefe foi querer fazer uma graça, ele pegou o microfone e falou assim: vou fazer uma pergunta para vocês, por exemplo, qual é o sentido da vida? E jogou o microfone para mim. Óbvio que ele tava fazendo uma piada, né? Não ia sair lá: qual o sentido da vida? Tava falando sobre um tema super técnico. E eu olhei e falei assim: "A mais amada." E aí a galera parou de rir.
Você falou "a mais amada"?
Falei "a mais amada." Aí a galera parou de rir e ele ficou sem resposta, continuou a palestra meio como quem tivesse perdido a piada, e acabou a palestra, uma galera veio atrás de mim: "O que é a mais amada, pelo amor de Deus?" E para mim, amar e ser amado é o motivo pelo qual a gente veio aqui. A gente não veio fazer mais nada, a gente só veio amar e ser amado. Então tudo que a gente faz, Marlon, é uma desculpa para a gente sentir amado. E o que é se sentir amado? É se sentir útil e sentir ouvido. Se você tá numa empresa onde você se sente útil, você quer ficar. Se você tá num lugar onde você sente ouvido, Você quer ficar. E os nossos valores, eles estão ligados a como nós sentimos-nos úteis e como nós nos sentimos ouvidos. Se eu sair agora e for trabalhar num banco de investimentos e eu sei que conforme o meu trabalho eu vou ser bem remunerado, caguei se eu vou ter gym pass. Se eu vou ter, fala um benefício aí, qualquer um aí. Se eu vou ter Zen Club, se eu vou ter Zen Club, né, tipo, whatever. Então o que acontece é que eu sei quanto eu vou ganhar de dinheiro. Os meus valores é porque eu entendo que eu quero ser amado baseado no quanto de dinheiro eu vou ganhar, a fim de fazer com que eu escolha o que eu quiser fazer com meu dinheiro. Se eu quiser contratar academia mais incrível, personal trainer mais incrível, show de bola. Agora imagina que eu vou sair dessa empresa e agora eu revi os meus valores. Eu vou trabalhar numa ONG na África que é um orfanato de crianças que os pais morreram de AIDS. São valores totalmente distintos, mas o motivo pelo qual você na verdade entende que você tem esses valores distintos, é pelo que você busca ser amado, é pelo que você busca ser útil. E olha que interessante, a empresa que você trabalha diz muito sobre o vazio que você tem. Ou seja, se as empresas cada vez mais não estudarem sobre os vazios pelos quais elas geram, elas não conseguem encontrar quais são as pessoas que de fato performam lá dentro. E com isso elas não sabem quem elas têm que adquirir naquela função de talent acquisition, né? Então é uma conversa bem profunda que a gente consegue dar uma alta viajada, mas ela tá— a cultura organizacional nada mais é do que uma fotografia do que as pessoas vieram se sentir amadas dentro daqueles desafios que você impôs dentro da organização, né?
Ou seja, as crenças das pessoas, a cultura da Weizsäcker, aquilo que as pessoas acreditam, é o conjunto de crenças que existe ali dentro.
É, mas mais do que o conjunto das crenças, conjunto das crenças é uma consequência, né? A causa tá ligado naquilo que as pessoas vieram se sentir amadas, aquilo que elas querem se sentir úteis, entendeu?
Ou seja, o reconhecimento.
É, me sentir amado e sentir ouvido, né? Dois motivos pelos quais as pessoas saem das empresas: o seu desafio não é relevante e o seu chefe é um mameta. Então, os dois motivos principais: sentir amado, a minha utilidade, e se eu sou ouvido ou não, entendeu? Essa resposta aí dos dois motivos principais Isso aí é acordado nacionalmente no mundo inteiro. Então qualquer pesquisa que você vê, você vai cair nessas duas aí. Tem dinheiro, obviamente, né? Mas dinheiro sempre é top 3, mas dinheiro é consequência. Muito interessante. As pessoas não falam que elas não gostaram da proposta por conta do valor financeiro que você ofereceu. Elas falam que elas tiveram alguma coisa com o chefe ali que elas acharam que elas não iam se dar bem, ou então elas acharam que o desafio que elas tinham em casa na casa que elas estão, na empresa que elas estão agora, é mais legal do que o que você tá oferecendo. E dinheiro é meio feio de falar, né, mas tá muito ligado ao sentimento, ao que você quer sentir amado, né.
Interessante, muito legal, muito legal.
Depois, para a gente viajar, quem tiver nos assistindo aí, pesquisa aqui, ó, vou falar aqui de cara, pesquisa sobre o negócio chamado as 5 linguagens do amor. Tem esse livro em algum lugar aqui.
Tem?
Tem sim. As 5 linguagens do amor, tá ligado? Afirmação, serviço, receber presente, tempo de qualidade, toque físico. Então motivos pelos quais as empresas precisavam estudar a ponto de entender como que os benefícios, os seus feedbacks, a sua remuneração, o seu desafio tá entregue frente às 5 linguagens do amor. Tem chefe que entende que aquela linguagem é o que ele dá. E aí aquilo que ele oferece, aquilo que ele quer de volta. Quando a pessoa vê que ela não tem fit com essa cultura, tá ligado, ela não entende assim com linguagem do amor. É muito doido isso, é muito legal.
É assim, para mim é super verdade isso aí, super verdade. Eu tive uma oportunidade uma vez de estar fazendo trabalho relacionado à comunicação com um grupo de pessoas para que eles melhorassem a comunicação com cliente. E a metáfora que eu utilizei com eles foi assim, com linguagem do amor: Qual é a linguagem do teu cliente? Você sabe qual linguagem que ele utiliza? É claro que vai dar pau, porque você tá utilizando de uma outra linguagem. Mas muitas vezes isso é muito complicado no mundo corporativo e no mundo tecnologia, onde a mente de engenheiros vai para um outro lugar. Então por isso que eu falei metáfora, não quis dizer para eles que era real. Isso é real, pô, é exatamente isso mesmo. Mas muito bacana você trazer isso à tona, sensacional.
Quando o Johnny perguntou se isso aí tá ligado ao nível de consciência, Vou trazer um exemplo aqui. Quando a minha esposa— quando eu brigava com meu pai, era pequeno, meu pai me deixava de castigo, ficava uns 3 dias sem falar com ele. Quando a minha esposa brigava comigo— não, quando o pai da minha esposa brigava com ela quando era criança, ele brigava, ela ia chorar no quarto, ele ia para o quarto 15 minutos depois, fazia um carinhozinho na cabeça dela assim e falava para ela assim: 'Minha filha, tá tranquilo, papai entendeu, também não precisa chorar', e dava um abracinho. Aí quando eu e minha esposa brigávamos, eu queria ficar 3 dias sem falar com ela, e ela chegava em 15 minutos e falava assim: 'Cê me dá um abracinho?' Entendeu? Então são linguagens do amor distintas. E isso acontece na empresa também. Então assim, é consciente? Não é. Mas tá aí. Entendeu? A linguagem da minha esposa tava muito ligada ao toque físico, né? Linguagem do amor ligada ao toque físico no momento do feedback, entendeu? Então isso, por exemplo, é um momento que diz respeito sobre, de alguma forma, se você chega para o chefe e briga, seu chefe briga com você, você quer ficar 3 dias sem falar com ele, provavelmente tá ligado à forma como você recebia feedback do teu pai, como ele brigava com você lá atrás, né? E isso é cultura organizacional. Se a gente não sabe ler a gente, a gente nunca vai saber ele, onde a gente vai trabalhar, porque nada mais é do que uma extensão de vida, né? O next step, a próxima casa que a gente vai viver, habitar, né?
Perfeito, sensacional. E, cara, deixa eu te fazer uma pergunta nessa linha muito massa que a gente tá trocando ideia aqui, de consciência, valores e tudo mais. Você trabalhando com que você trabalha, com todo conhecimento que você tem, você acredita que as pessoas elas de fato têm essa capacidade, essa condição de encontrar um trabalho que de verdade faça o olho brilhar, o coração entrar em chama, isso é real?
Eu acho que isso é real. Obviamente que para pessoas mais privilegiadas isso é bem mais fácil. O índice de privilégio que você tem naturalmente traduz a possibilidade de você fazer aquilo que você ama com mais com mais facilidade. Mas isso daí, o viver, o fazer o que ama, é um estilo de vida. É menos do que eu encontrar um trabalho, é um estilo de vida. O que eu quero dizer com estilo de vida? As empresas vão mudar e você como um todo vai mudar. Então, até mesmo que você esteja num lugar, por exemplo, eu trabalhava numa empresa que eu amava demais. Quando chegou a oportunidade de eu empreender, eu acabei saindo da empresa onde eu amava muito para Então, até mesmo quando você tá fazendo o que ama, e depois eu vou ser sincero, eu fiquei uns 3, 4 anos só me ferrando, achando que eu não estava fazendo o que eu amava, que foi uma decisão errada, entendeu? Então é uma luta diária, é uma busca diária, não é uma coisa de uhul, cheguei, É porque tudo que a gente faz na vida, né, tipo, a graça tá em buscar, não em chegar, né. A graça tá em correr a maratona e não em cruzar a linha de chegada. Então eu acho que essa lógica obviamente vem para nossa carreira, vem para o que a gente está buscando fazer, o que a gente busca aprender. As empresas, Marlon, são plataformas de desenvolvimento, né, e plataformas de desenvolvimento muito mais do que pura e simplesmente o olhar de você pagar o boleto, né? Tem duas frases que os pais falam para os filhos que eles têm que parar, e a primeira delas tá ligado a quando você fala: meu filho, papai precisa trabalhar, porque precisa, ele não pode brincar porque precisa trabalhar, né? E a segunda frase tá muito ligada: eu não quero que você 'Passe por tudo que eu passei.' Essas são as duas frases. Primeira, quando você fala isso, você tá trazendo um conceito de que brincar é o oposto de trabalhar. Etimologicamente, a criança entende isso, vamos assim dizer, não pela raiz, pelo radical da palavra, etimologicamente, como uma metáfora. E ela trazendo essa questão, né, ela acaba pensando: pô, tomara que eu nunca precise trabalhar, porque o dia que eu precisar, tô ferrado, vou parar de brincar. Quando o Google coloca opção de bolinhas, escorregador, e ele cria essa lógica toda, tá muito fundamentada numa geração que escutou essa frase e tava de alguma forma tentando desmistificar, dizendo que sim, aqui você vai brincar também, então desconsidere tudo que você aprendeu sobre trabalhar. Era uma forma de ressignificar, né. Vai ser muito legal. Funcionou? Não, mas foi uma tentativa inteligente. Agora, quando você fala a segunda frase, tá muito ligado também a isso do boleto, né, que é: você trabalha porque você paga boleto, né? Você não trabalha porque você encontrou a sua missão. Eu acho que a minha missão hoje é ajudar as outras pessoas a encontrar a missão delas. Tudo que a gente cria como tecnologia tem essa intenção: ajudar as outras pessoas a encontrar sua missão. Então é meio que por esse o caminho que de alguma forma a gente deveria ir. Então assim, mais do que fazer o que ama, respondendo sua pergunta, eu diria que nós somos pessoas que precisam, que deveriam se apaixonar pelo caminho de buscar a nossa missão e não necessariamente do dia que a gente encontra, sabe? A gente precisa, a gente, o nosso olho tem que brilhar enquanto a gente está buscando, né? Isso é a vida, né? Isso é o que energiza a gente, né?
Muito legal. Antes de te fazer a próxima pergunta, tem uma pergunta do Mateus aqui, eu vou colocar na tela para a cada vez. Mateus tá perguntando: vocês acham que as empresas hoje em dia estão entendendo essa importância de priorizar os valores de forma clara? Que que você acha, Du?
Eu acho que as empresas não necessariamente estão entendendo a importância, mas elas estão levando algumas porradas que estão fazendo com que elas comecem a pensar na possibilidade de fazer isso acontecer. A gente tem uma geração de gestores que tá se aposentando em breve, mas uma geração de gestores que teve que se autotransformar, vide as histórias que eles fizeram. Então eles acreditam no fenômeno da autotransformação, mas com olhar muito individualista, um olhar muito tipo: eu preciso me autotransformar porque eu preciso comer. Entendeu? E essa nova geração já tá preocupado em quem não tem o que comer, porque em tese o pai dela pensava assim, deu a ela o que comer, porque ele dizia a frase: eu não quero que você passe pelo que eu passei. E aí quando ele dá oportunidade, ele começa a olhar, a nova geração hoje começa a olhar para as pessoas que não têm o que comer, e isso redesenha todos os nossos valores. As empresas não estão preparadas para deixar de entregar seu produto e começar a pensar que elas fazem parte de um microcosmo na sociedade e que elas precisam entregar valor à sociedade e não ao acionista, pura e simplesmente. Então esses novos valores vão ser reinventados. Tem muita gente que fala, Marlon, por exemplo: "Não, óbvio que pode, todo mundo pode trabalhar na minha empresa. A gente só tem branco por uma questão de consequências, mas os negros também podem trabalhar aqui." Desde que sejam de acordo com os nossos valores, eles podem trabalhar aqui. Os valores das pessoas negras não têm nada a ver com os valores das pessoas brancas. Então, se você é uma empresa, por exemplo, a NineNine, em questão de 4 anos, a gente se redesenhou de 3% de negros para 44% de negros na empresa. A gente tem como meta 50 ainda esse ano. Então assim, a gente tá com 44 hoje. A gente teve que rever nossos valores, a gente teve que rever nosso manifesto, a gente teve que rever coisas que fundaram o nosso negócio. Quantas empresas estão dispostas a rever seus valores para de fato fazer com que as pessoas sejam incluídas na sociedade como um todo, sabe? Então eu acho que agora, olha que interessante, né, por isso que o mundo é complexo e ao mesmo tempo legal, agora que elas tiveram que rever, que vão ter que rever seus valores, agora que elas entenderam a importância de rever seus valores, agora que elas vão ter que rever mesmo para sim, para de fato aplicar diversidade. Não dá para aplicar diversidade sem rever valores. Faz total sentido. Tem muita empresa que fala de meritocracia o tempo todo e a gente sabe que meritocracia é uma das maiores falácias da história. Do mundo corporativo, né? Então tiveram muitas empresas, por exemplo, Ambev é uma das empresas, quando se fala de cultura, a gente falava de Ambev, né? Para galera que é nova aí, acho que não tem toda essa noção que a gente talvez tinha aqui, uma cultura totalmente criada em cima da meritocracia, né? Tipo Falcone como um todo, tipo, trazendo a ideia da meritocracia em todas as empresas que o nosso amigo Lehman comprava. Então quantas pessoas foram formadas caras que têm muito dinheiro, caras que têm muita referência, caras que criam muito podcast em cima da porra da palavra da meritocracia, né? Ou aquele Michael Sandel, que é um dos maiores juristas do mundo, que dá aula em Harvard, é uma das aulas mais legais, fez um livro maravilhoso sobre meritocracia. Depois dê uma olhada, para mim é um super exemplo.
E como é que você vê, já pegando esse gancho, como é que você vê, não sei se foi a moda ou é a moda no momento, a tal da advocracia? Democracia? Como é que você olha para isso?
Eu não conheço ainda.
Não conhece? A democracia é um modelo de sociedade—
Talvez eu conheça mas não por esse nome!
É o modelo de sociedade onde não tem hierarquia, onde todo mundo se olha como sócios mesmo...
Ah tá, tá, tá, tá, tá, tá, é o movimento horizontal né?
Uhum.
A Nine-Nine ela tentou fazer isso E foi uma grande falácia assim, tipo, não deu certo. A gente tentou durante— não rolou. Durante 2 anos a gente tentou ver assim, as motivações, Marlon, pelo qual eu vou usar uma expressão, nem sei se pode falar isso aqui, os motivos pelo qual a água bate na bunda de cada um é tão diferente. E tem um contexto histórico, tem um contexto local, tem um contexto de privilégio, tem um contexto de cara de tudo, que continuam virando falácias, sabe? Rui Barbosa, como um jurista igual a mim, não jurista, mas pessoa branca que se descobriu detentora de centenas de privilégios e que teve que rever a forma como pensava. Pô, eu estudei numa faculdade totalmente de play, banático, não tinha nenhum negro na minha escola, na minha faculdade. Então assim, na minha escola também não. Então assim, se eu não me descubro como um privilegiado, são 8 milhões de usuários que a gente tem hoje, né? Então assim, imagina o tamanho do nosso impacto. E o jurista Rui Barbosa falava: você tem que tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais. E se você trabalha a tese da meritocracia, por exemplo, já era. Você que trabalha com desenvolvimento, a gente fez uma pesquisa aqui na 99, a gente pegou 99 Bots, né? Não é um conceito retrógrado, né? A gente pegou Ninebox só para, tipo, pegar aqui como um exemplo. Se você gosta de Ninebox, me perdoa, eu acho ele um pouco retrógrado em algumas coisas. E aí, trabalha com desenvolvimento, não é?
Trabalho numa empresa de desenvolvimento, mas desenvolvimento de pessoas. Essa é o meu—
não, não, na área de desenvolvimento, né? Então assim, esses temas Ninebox são avaliações de desempenho que provavelmente você tá na pauta, né? Então a gente fez uma leitura do Ninebox que era assim: quem eram as pessoas que eram consideradas altíssimo Potencial e altíssimo desempenho. Na Nine-Nine a gente fez um cruzamento com o censo dessas pessoas e a gente tinha nesse censo a justificativa que 95%, 90% das pessoas que estavam no maior quadrante, o pai e a mãe tinha feito faculdade. Aí eu recortei para as pessoas negras da Nine-Nine. Quantos por cento você acha que tinha faculdade? Ou seja, automaticamente eu criei a conta do quão mais difícil é você ser quadrante 9 sendo negro. Então a gente separou o Nine Box, o Nine Box de pessoas brancas é diferente do Nine Box de pessoas negras, entendeu? Eu não posso comparar eles devido ao fato de que eles não tiveram, as pessoas negras não tiveram uma reparação social desde que aconteceu a abolição. Foi uma abolição muito mal feita, isso obviamente não reparou o papel que eles tinham na sociedade, e a gente convive até hoje com essas desigualdades. Então assim, são 520 anos de negligência, 21 cheio de anos de negligência. E essa negligência tá dentro das organizações. Então, se a gente não rever esses formatos, se a gente não rever essas conversas, a gente não rever esses valores, eles continuam fazendo como se a sua empresa fosse também uma plataforma de geração de desigualdade, entendeu? De geração de injustiças sociais, entendeu?
Muito legal, muito interessante, muito bacana, cara. Deixa eu te perguntar uma outra coisa agora, deixa eu ir pra linha da tua carreira. O que fez Eduardo Miliano deixar... Você falou que trabalhava num banco, certo? Você era CLT? Você chegou a atuar como CLT na tua jornada profissional?
Sim, sim, sim. Trabalhava no Banco Real na época, que depois virou Santander.
Legal. O que que fez você deixar o teu trabalho como CLT e parar no mundo de empreendedor, empreendedorismo? Conta para a gente. Se falava inclusive que você gostava do seu trabalho, era do plano.
Oi?
No banco que você curtia?
Eu trabalhava numa área lá chamada sustentabilidade. E, cara, sustentabilidade do Banco Real há 10 anos era tipo assim, eu tava na Uma área premium, premium da sustentabilidade, referência no mundo. Banco Real era considerado o banco mais sustentável do planeta pelo Financial Times. Então assim, era como se a gente estivesse no melhor lugar do mundo para trabalhar em sustentabilidade.
Você sabe que eu, quando me formei na área de sistemas, eu trabalhava na TCS, na Tata Consult Services, e o meu primeiro trabalho era ir ao Banco Real. Eles eram nosso cliente.
A Tata? Tata? Tata? Ah, tá legal.
E eu ia muito lá na SEC, eu ia lá atualizar sistema, levantar requisito, fiz bastante isso para o Banco Real.
Que legal! Você sabe que isso aí tá baseado na história que eu vou contar agora? Eu fazia parte da ESEC, né? ESEC, um dos maiores clientes da ESEC era Tata. E lá na Índia, tal, a ESEC era uma rede de jovens que tinha como missão a paz no mundo. E a gente tinha como missão a paz do mundo, muito loucamente pensando em 1970 anos para trás. A nossa ideia é, como instituição, ela tá presente em todos os países para fazer com que as pessoas fizessem intercâmbio. Como você não tinha celular, você não tinha rede social, o intercâmbio era o maior provedor de diversidade de pensamento. Olha que louco! Então os líderes que pudessem fazer intercâmbio iam voltar para os seus países e não querer guerrear com o outro, porque entendia que o outro é diferente. E tudo bem. Então, uma das, talvez um dos geradores, dos motivos pelo qual não geraram uma terceira guerra mundial, vamos assim dizer, foi a ISEC. Olha que doido, né? A ISEC e mais milhares de outras coisas, mas a ISEC era uma delas. A ISEC tem uma cadeira na ONU por parte dos jovens, tal, uma instituição muito bacana. E ela funciona no Brasil como uma empresa júnior. Hoje eu faço parte do conselho da ISEC no Brasil, então tem um carinho muito grande assim. E a ISEC no Brasil é uma das terceiras, quartas do mundo. Então eu tenho um carinho muito grande pela Isaac. Quando eu entrei na Isaac, eu descobri o que que era uma missão. A empresa que tem uma missão, tem uns valores, porque toda vez no planejamento se falava da missão da Isaac. E aquilo, tipo, ó, e aí eu fui mordido por essa possibilidade de poder empreender quando eu tava no banco. E eu amava o que eu fazia, eu comecei a ver que meus amigos não. E aí eu olhei e falei: opa, como assim? Eu que sou o único nessa história? Eu achei que todo mundo que fazia faculdade de pleiba e o pai e a mãe tinha pago a porra da faculdade podia escolher onde trabalhar. E aí a maioria dos meus amigos que podiam escolher odiavam o que faziam. E aquilo começou a mexer comigo. Eu falei: então eu vou ajudar a galera, porque se eles têm problemas, imagina o resto. E todo mundo tinha. E aí a gente olhou e falou: cara, a gente vai fazer alguma coisa. Eu não sabia o quê, eu nunca tinha trabalhado com RH na vida, e eu me meti de curioso a querer resolver esse problema. Entendi que era um problema maior do que o que eu tinha naquele momento e saí do banco. Mas eu fui motivado por um cara que tinha sido presidente de uma multinacional. Não, ele tinha sido presidente, vice-presidente do banco, ele era vice-presidente do banco, e ele me viu falando, ele falou assim: sai do banco. Não conta que eu falei para você sair. Eu vou pagar o que você ganha e você vai montar esse negócio. Eu vou ser seu investidor.
Olha que show!
E aí você fala assim, caraca, um vice-presidente do banco quer ser seu sócio. Eu tinha 20 anos, cara. Eu olhei, eu falei, mano, que incrível! Eu tinha 23 anos, 22, 23. Foi incrível, né? Então assim, para mim era um sentimento de dei certo, né? Imagina. Saí do banco, nunca vi esse dinheiro na vida. Ele nunca pagou um centavo.
Mas ele chegou a se tornar seu sócio ou não? Nem isso?
Virou. A gente ficou uns 6 meses sócio. Tinha um grupo chamado Sócios, sabe? E aí, louco, né? E aí, no meio do caminho, a gente foi vendo que não era por ali, não vinha o dinheiro. A gente também não sabia o que a gente tava fazendo. Aí eu falei: vamos fazer tudo de novo. Aí eu já tava endividado, já tava tudo fodido, cartão de crédito fodido, tudo. E aí eu falei: cara, vou tentar de novo, né? Já tô fodido. Aí fui buscar outro investidor, montei pitch de novo, toda aquela história. A gente descobriu um cara que tinha sido vice-presidente multinacional de uma empresa de tecnologia, tava a fim de investir em startups, ele tinha sido CEO, desculpa, e saiu, vendeu a participação dele da empresa que ele trabalhou. E saiu com uma grana para investir em startup. Falei: é nós, tecnologia, pá. O cara que a gente tinha era de banco. Esse aqui é um cara de tecnologia, eu preciso de alguém de tecnologia. Eu tinha sócio de tecnologia, mas programador e tal, mas eu queria uma mentalidade de tecnologia. 6 meses depois eu descobri que ele tinha feito uma maquiagem no balanço da empresa junto com o vice-presidente de finanças e saiu com dinheiro ilegal, colocou numa offshore nos Estados Unidos, e eu era sócio dessa offshore nos Estados Unidos. Para o dinheiro chegar por ele, eu tinha que ser sócio da South Shore. E aí eu cheguei para ele e falei: tem 3 motivos pelos quais as pessoas conectam umas com as outras, né? O corpo, a mente, a alma. Meu problema com você tá na alma. Depois eu descobri que isso aí chama-se antroposofia na internet, assim. E eu falei: cara, meu problema contigo tá na alma. A gente vai encerrar essa empresa agora. Tipo, a minha missão era mudar o mundo ajudando as pessoas a fazer o que amam, e eu tava lavando dinheiro. Então assim, tipo, era um sentimento de que eu sou um bosta gigante, né? E aí, cara, bate aquela deprê absurda, né? Tipo, tá tudo fodido, que merda, você é um bosta. Eu comecei a ver meus amigos trocando de carro, comprando parcela de apartamento, e eu lá olhando e falando, mano, olha onde eu me meti. E aí, cara, eu fazer terapia, né? Olha que legal, ajuda, né?
Isso é uma boa pergunta.
Eu cheguei para o meu pai e falei: pô, pai, eu só preciso que você pague minha terapia, assim, tipo, eu não quero mais nada, assim, eu vou continuar obviamente morando na sua casa, mas assim "Não paga nada não." E aí ele falou: "Tá bom." Ele concordou assim. Meu pai esperava eu ser psicólogo. Aí obviamente, coisa do mundo, né? A minha irmã mais nova foi fazer psicologia. E hoje ela é terapia. Ela é psicóloga e faz terapia. E aí eu fui fazer terapia. E aí tipo, tinha umas conversas que eu tinha que fazer com meu pai, sabe? Eu descobri que quando meu pai era pequeno, eu tinha 7 anos, Meus avós separaram e minha avó ficou com uma— minha avó semianalfabeta, empregada doméstica, tinha vários desafios para conseguir pagar as contas em casa e falava para o meu pai todo dia: o seu pai, no caso meu avô, é um grande filho da puta porque nunca pagou pensão e a justiça nesse país é uma merda. E meu pai ficou com isso na cabeça. Quando ele teve a oportunidade de estudar, adivinha o que ele foi fazer? Direito. E quando ele foi fazer direito, ele tentou ser juiz para fazer a justiça, né? E a primeira pessoa que ele processou na vida foi meu avô, alegando que nunca tinha pagado pensão. Ele processou o pai mesmo dele. E quando ele tava fazendo isso, ele tava aquecendo a missão dele. Era tipo assim, óbvio que ele nunca falou isso, né, mas ele tava ali num processo de aquecer a missão que tava dando. E aí, quando ele se tornou juiz, ele não virou, ele não foi ser da família, né, da área da família, foi numa área mais tranquila, que era contra o narcotráfico. E ele ficou 20 anos trabalhando contra o narcotráfico no Brasil, na América Latina. Todo dia, cara, que eu chegava em casa— quando eu nasci, meu pai já era juiz— todo dia que chegava em casa, meu pai tinha uma história de um narcotraficante para contar. E assim, eram histórias cada vez mais legais, assim. E eu achava, quando era muito moleque, que meu pai era o Batman, que ele tipo era justiceiro e tipo usava uma capa preta. Depois eu comecei a parar para pensar, né, tipo, não tem como Batman ser tão gordo. E é um sentimento de você olhar e ter uma visão de que um cara ali, tipo, tá fazendo alguma coisa. Todo dia que meu pai saía e falava tchau e entrava na porta e saía pela porta de casa, eu não entendia que ele ia lá pagar as contas de casa, pagar minha escola. Eu entendia que ele ia fazer o mundo ser foda, entendeu? Então não tive como pensar que o meu trabalho Não ia ser todo dia que eu saísse de casa fazer o mundo ser um lugar melhor. E hoje o que eu tento ajudar as pessoas é olhar para fora e contar para elas que elas precisam ir lá fora ajudar o mundo a ser um lugar melhor com o trabalho delas, indiferente do que elas fazem, cara. E se ela entende ainda que ela não tá fazendo, vamos estudar um pouco mais, encontra uma parceira, encontra um mentor que possa te ajudar, encontra alguém É difícil pra caralho, mas é um processo, entendeu? E lutar mesmo, sabe? Seja por política pública, seja por aquilo que você quer aprender, seja por aquilo que você ainda não sabe, seja por aquilo que você acredita que o mundo pode ser um lugar melhor. E aí uma amiga minha me chamou no intervalo. Isso foi tudo processo de terapia, hein? Ó, que louco! Yeah, por isso que eu falo, cara, quem não faz terapia tem que fazer amanhã. "Tem que fazer amanhã." Eu faço terapia para conversar com quem não faz, né?
Faz terapia até hoje? Até hoje?
Ah, sim! Amo! E tem momentos, né? Tem formas terapêuticas diferentes que eu vou atrás. Eu acho que o processo de se autoconhecer, ele é perpétuo.
Perfeito!
E quanto mais você se autoconhece, melhor é. E aí, isso tudo para dizer que é Quando eu saí do banco, eu já tinha quebrado duas vezes. Aí mesmo que eu tava endividado. Aí você começa a olhar para tua mãe, sua mãe não acredita mais em você, sua mulher já não acredita mais em você. Aquele sentimento de que realmente, né? E aí uma amiga me chamou e falou: vem dar uma palestra aqui. Eu falei: você tá de piada? Palestra de empreendedorismo? Chama aí a Belpé, sei lá, né? E aí ele falou assim: não, vem aqui dar 'Vamos fazer uma palestra, tá?' E eu vou muito sem briefing, né? Igual você, você me chamou aqui, você não precisa me dar muito briefing, eu venho. Pessoa, uma pessoa que tem um carinho, gosta, não sei o quê, a gente vai conversar. E aí eu fui lá sem briefing. Quando eu cheguei lá, a palestra chamava Fail Conference, Conferência das Pessoas que Falharam. E eu falei: 'Mano, eu já acho que eu sou um bosta, agora eu vou assumir, entendeu? Eu tô procurando investidor, eu não vou encontrar investidor achando que eu bosta, entendeu? Tipo, é a primeira coisa que fala naquele livro O Segredo, né? Literatura merda. Aí eu falei, pô, o que que eu vou fazer agora, né? E aí eu falei, aí a mulher falou, não, cara, você tá aqui, você tem que fazer, você já tá com teu nome aí e tal. Fui, fiz, né? E aí um dos meninos lá na frente perguntou assim, o que eu faço para empreender? Aí eu falei, compra um livro chamado Business Model Canvas, um monte de post-it, deixa 3M rica. Aí depois você pega um isqueiro, acende, e vejo plano de negócios pegando fogo. Porque o que vai fazer de fato você empreender não é o teu plano de negócio, é a tua missão, é o motivo pelo qual você tá querendo empreender. E para você fazer a tua missão, na hora, a pessoa que entende de missão só sabe quem tá na missão, quem tá dando a missão, né? Pessoa que não tem a missão, ela não entende qual é a missão. Mas essa é uma fala que é muito interessante falar, porque ninguém nunca falou para mim. E cara, foi isso que mudou meu negócio em todos os aspectos, todos os aspectos, entendeu? Se o teu negócio não tem uma missão muito clara do porquê ele existe, para fazer o mundo ser um lugar melhor, não tem porque ele existir. Ele vai ser mais um negócio, e disso tá cheio, entendeu? E muita gente que entende isso no pacote do marketing, mas não tem nada a ver Marketing, isso daí é uma estratégia de posicionamento frente a tudo, o teu querer ser amado no mundo, entendeu? E aí é isso tudo para dizer que quando eu fiz essa palestra eu falei da minha missão. E aí sabe quando você fala uma coisa mais alto assim, que você tá no momento terapêutico, você fala uma coisa mais alta e você mesmo descobre que você deveria estar fazendo aquilo que você tá falando. E eu me caí na real que eu tinha que rever a nossa missão, porque a minha missão nova ia trazer meus novos investidores. Dito e feito, cara. Dali, daquele dia em diante, eu recebi 17 propostas de investidor. Uau! E foi, a gente foi escolher os melhores, sabe, de todas as porradas que a gente tinha levado.
Quer dizer que numa conferência de pessoas que falharam, que você fez a virada de jogo?
Não, não foi tão simples assim. Eu acho que a conferência foi uma das 100 coisas que eu tava fazendo. Mas aqui, de uma forma storytelling, eu explico que aquilo me ajudou. Aquela pergunta daquele menino me ajudou a entender o que que eu precisava fazer. Você tava falando tanto que o meu desafio era missão. O que que eu tava fazendo? O que que eu tava fazendo, entendeu? A maioria dos negócios que a sua missão clara é puro crescimento, por crescer, por crescer, são negócios que até crescem, mas eles não, eles passam a não fazer sentido para a sociedade. E essas pessoas, e você não consegue trazer gente foda, você não consegue trazer gente legal para fazer isso com você. Você vai trazer apenas as pessoas que querem crescer por si só, entendeu? Que as pessoas foda hoje elas entendem que aquilo tem que ter um motivo pelo qual existe no planeta, no mundo. Que adianta tanta coisa? Então é meio que esse o ponto, assim, sabe?
Espetacular, sensacional! Tenho certeza que a galera tá curtindo aí. Galera, quem tiver pergunta, manda aí, aproveita a energia do Duque, tá explodindo ali. E, cara, agora uma curiosidade: você no teu ramo, fazendo o que você faz. Você é um grande incentivo. É interessante essa pergunta, porque você tem uma plataforma hoje que ajuda as pessoas a encontrarem aquilo que elas vão fazer, mas você é um cara que decidiu sair disso para viver um sonho no empreendedorismo. Como é que você vê essa aí? O que vale a pena hoje, cara? Trabalhar como CLT ou viver um sonho? A pergunta é: dá para viver um sonho dentro de um outro sonho de alguém, ou tem que ter uma empresa?
Marlon, não é isso. Não é isso, cara. Tipo, eu facilmente trabalharia para uma empresa que tivesse a minha missão. Eu só não encontrei na época. Eu odeio ser empresário.
Guarda essa, galera.
Toda parte de empresário, entendeu? As pessoas precisam vender um produto e alguns deles encontrarem o que é a magia do empreendedorismo. Cara, empreendedorismo, tipo, né, quando a Bel Peça falava: "Ah, empreender..." Quantos por cento da população brasileira não sabe ler e escrever? E vai virar o quê? Você acha que essas pessoas não são empreendedoras quando elas abrem uma coisa para vender pamonha e vende pamonha pra caraca? Ou quando elas vão lá e abrem um carrinho de pipoca, vendem cigarro na frente de balada? O que que é isso? O país mais empreendedor que existe forçado. Então assim, tipo, esse negócio de trabalhar para o outro, velho, isso é uma puta falácia, uma mentira, é uma narrativa barata, entendeu? De que tá ligado a você ser um empreendedor. Óbvio que você sendo empreendedor você vai ter alguns tipos de benefícios, de coisas que para você pode fazer se sentindo naquele momento. Mas é um estilo de vida, isso vem com um combo de um monte de coisa merda, é um combo de um monte de coisa chata, entendeu? Uma vez eu vi uma imagemzinha que eu achei muito interessante, era um empreendedor em cima de um leão com cara de assustado, e a galera olhando lá no fundo e falando: nossa, olha onde o cara chegou! E o cara em cima do leão falando: mano, como é que eu vim parar aqui? Entendeu? E eu nunca me senti tão representado revoltado, porque eu tava em cima de um monte de merda também. Falei, como é que eu vim parar nessa porra, entendeu? Então assim, hoje eu posso falar com um pouco mais de tranquilidade que eu odeio ser empresário, entendeu? Porque se tivesse uma empresa que tivesse a minha missão, eu estaria trabalhando nela, entendeu? E vou te dizer, seria um cara incrível, seria um puta executivo, talvez não funciona, seria incrível, estaria do caralho igual, entendeu? Só que eu tive que encontrar algo que não existia o que eu tinha, o que eu tava fazendo na época. Eu vou te dizer, tá? Na época eu bati na porta de hoje empresas que são minhas concorrentes para falar que eu estava disponível para fazer coisas legais, entendeu? E muitos deles chegaram para mim e falaram: meu, você não tem noção quanta gente bate na minha porta aqui. Meio que deram uma desdenhada. Hoje eles têm que conversar comigo, né? E não foi tanto tempo depois. Mas eu olhava todo dia para o espelho e falava: mano, tipo, eu não sou RH. 'Como assim eu vou me meter na RH?' Entendeu? Tipo, e aí no meio do caminho você começa a acreditar naquilo que você acredita que você pode mudar, né? E aí você entende que tem que ser através de uma empresa, entendeu? Existe um mito muito grande por trás desse conceito de ser empreendedor. Se alguém me vende como um empreendedor, eu peço para trocar o nome, porque Eu não sou empreendedor, eu tenho uma função social dentro da empresa, eu tenho um cargo dentro da empresa, entendeu? Eu tenho skills empreendedoras. Agora, todo mundo que trabalha lá na Inari tem, seja acionista, seja estagiário. Isso eu não duvido, entendeu? Então assim, talvez uns tenha mais que outros, talvez. Mas é, como é que eu vou te dizer, isso é um processo, né? Eu particularmente não gosto muito. A gente tá ouvindo muito essa fala do fazer o que ama, então tem que empreender e tal, não sei o quê, mas não acho que é por esse lado. E outra, se você quiser usar a plataforma da 99 para buscar seu sócio, por favor, você pode buscar também, entendeu? Porque a 99 não é para você buscar um emprego, é para você buscar as coisas que você ama fazer. Entendeu? Tipo, inclusive se você tiver buscando um freelancer para fazer, porque você tem 2, 3 horas a mais, você pode buscar na 99 também, entendeu? Você já é sócio de alguma coisa, já trabalha em alguma coisa, já faz alguma coisa. Deixa eu te contar uma outra história rapidinho, não vou falar o nome para não expor. Tinha uma menina que trabalhava numa empresa multinacional, ela era uma menina, ela é uma menina negra, e ela foi uma das únicas negras a se formar em engenharia química lá da turma dela, uma faculdade relevante, foi trabalhar numa empresa reconhecidamente química. Então assim, ela estava indo, é como se um astronauta quisesse trabalhar na NASA, e ela foi lá trabalhar nessa empresa, chegou lá estagiária. Dos 60 estagiários, foi uma das únicas efetivadas. Chegou na efetivação, quando ela viu o que ela ia fazer e quem ela era reconhecida na empresa, ela falou: 'Tô fora dessa porra, vou embora.' Aí, que que ela fez? Ela montou uma marmitaria com a avó e com a mãe, foi vender marmita. A menina tinha, tem uma universidade, faturou 1 milhão de reais vendendo marmita por ano. Emprega, cara, uma galera. Só de motoboy ela tem 5. Você tem noção o tamanho do impacto que essa menina gera mensalmente, número de famílias estão ali? E aí a mãe dela falou para ela: minha filha, mas não quer dizer que você teve uma experiência negativa numa empresa que todas as empresas sejam assim. E hoje ela trabalha na 99. Então assim, quando ela chegava nessa empresa gigante multinacional, a galera falava: claro que a gente tem diversidade, olha lá a fulana. Ela era a única, ela nem trabalhava nessa área. Ela começou a olhar e falar: meu, tão me usando, eu sou o token do antirracismo, entendeu? Quando ela chegou na 99, viu que 44% da área da empresa era negra e que não era empresa zoológico, sabe? Tipo, aqui são os negros, aqui são LGBT, aqui nessas áreas não era empresa zoológico. Porque eu falei assim, o menino esses dias perguntou: o que que você quer trazer com essa diversidade que você tá trazendo para 99? Eu falei assim, cara, a única coisa mais simples é: eu quero que todas as pessoas cheguem aqui e vejam seus semelhantes Eu não quero que eles achem o semelhante só naquela área e por isso eles têm que trabalhar lá. Quero que eles vejam em todas as áreas, entendeu? Seja você uma mulher na liderança, seja você uma pessoa LGBTQIA+, seja você uma pessoa negra, whatever. Então isso tudo para dizer o quê? Que essa menina, ela tinha escolhido empreender e depois ela em tese também já voltou atrás e tá com a gente, tipo, trampando. E assim, sem nenhuma promessa de ações e stock options, as pessoas não estão buscando empreender, elas estão buscando um lugar onde elas possam se sentir amadas, entendeu? É muito mais do que qual é a modalidade da tua carteira de registro, entende? Tipo, do registro da tua carteira. É isso que as empresas precisam entender. Agora, Eles vão competir com muita gente que vai decidir sair, não fazer aquilo que eles estão fazendo, porque a oferta do que eles entendem como desafio— esses dias eu vi no jornal uma menina que tava super feliz assim, dizendo assim: uau, pô, Estadão deu essa matéria, cara. Menina sai, menina pede demissão e abre fábrica de cookies recheados. Tipo, a empresa era dela só, só ela trabalhava lá, e ela toda felizona fazendo um cookie recheado. Eu tenho certeza absoluta que lá na Seitan tem desafio muito mais legal do que fazer cookie recheado, com certeza. Só que as pessoas não— não tô dizendo que é um problema da Seitan, mas as empresas não estão sabendo vender os seus desafios, e isso tá fazendo com que a galera ache E isso tá fazendo com que a galera ache que fazer cookie recheado é mais legal. Nossa, mas Du, como assim? Fazer o que ama também é fazer cookie recheado. Cara, tipo, quando você tem 20 e poucos anos e você tem uma plataforma de desenvolvimento cheio de líder foda dentro de empresa, cheio de gente assim querendo fazer coisa para caramba, com as grana incrível de pesquisa, entendeu? Um cara que hoje, por exemplo, escolhe não trabalhar numa grande agência de publicidade, numa puta empresa de bens de consumo, vai ter acesso a saber o que é comprar um comercial de 30 segundos na TV e patrocinar uns 25 influencers dos mais incríveis, saber quais são as pesquisas mais incríveis que a Nielsen no mundo, um monte de gente incompetente, cima tá trazendo das tendências mais incríveis do mundo, escolhe sair dessa empresa e trampar para fazer cookie recheado com 20 e poucos anos. Não, só que as empresas não sabem falar o que eu acabei de falar agora para para você, entendeu? Elas não olham para o que elas têm ali e entendem aquilo como: caralho, olha o que a gente faz, entendeu? Pensa que você é um marketeiro, entendeu? Eu lembro até hoje da minha, de uma psicanalista que eu tive, que eu perguntei para ela: nossa, mas você era vice-presidente de marketing de uma empresa, por que que você decidiu sair de vice-presidente de marketing e virar psicanalista, né? Ela falou assim: Du, eu já fazia mais de 10 anos que tinha as maiores verbas casas de pesquisa do planeta para fazer a pesquisa que eu quisesse. Eu já tinha feito anúncio em todos os tipos de mídia do planeta. Eu já conhecia todos os artistas. Não tinha mais graça. Só que assim, espera chegar lá para montar a tua fábrica de cookie recheado, entendeu? Tipo, e aí quando você chegar lá, tem gente que não, ah, você quer que meu pai abriu uma franquia da Casa Pão de Queijo, eu vou lá dar uma força porque é bem mais legal do que meu chefe cuzão na empresa. Não, mano, você vai ter outro chefe cuzão, que é o teu cliente. E se você não sabe lidar com o teu chefe, você vai se ferrar com o teu cliente. Não, mas nem quis chegar nesse nível. Isso aí é mais terapia ainda. Mas é, né, tipo, é meio que esse o ponto, sabe?
Não, cara, sensacional, sensacional. Pô, demais, demais. Isso, isso faz uma conexão poderosa voltando a primeira coisa que a gente conversou aqui, né, os valores, né, olhar para os valores e aprender através dos seus valores, essa revisão de valores, né. Eu tenho um negócio muito doido com valores, ó, tenho tudo aqui, ó, na minha parede, valores, talentos, é algo que eu reviso todo dia, para trabalhar eu tenho que estar ciente disso aqui, senão não funciona, cara, não tem porquê eu estar trabalhando com uma empresa desenvolvendo pessoas se eu não tenho consciência do que é importante para mim, daquilo que existe de mais importante para mim.
Então, e você sendo profissional, e você sendo profissional de desenvolvimento humano, você é um embaixador desses valores. Sim, ela concordou. Você é um embaixador desses valores. Então assim, é que você acaba tendo até uma uma missão maior, né? Agora, a carta de valores que você escreve, ela é muito simples. De um lado, você precisa colocar tudo que você acredita que você quer mudar no mundo, e do outro você tem que colocar tudo aquilo que você não pode contar para o seu pai na mesa do jantar, ou para os seus filhos. Se tiver alguma coisa que você tá fazendo que você não pode contar para sua filha na mesa do jantar, Você tá indo contra seus valores. Só escrever assim, ó: o que eu não posso— como ela chama?
Isabela.
O que eu não posso contar para Isabela na mesa do jantar. Se algum dia você se meter em alguma história que você não pode contar para Isabela, você tá indo contra os seus valores. E do outro lado você coloca, e se você ainda não tem filho, coloca para os seus pais: o que você não pode contar para os seus pais, tá indo contra os seus valores. Então, e aí do outro lado você conta, a não ser que seja tipo votou no político que ele não votou, aí esse aí pode, tá? Porque a gente não tá muito bem de político não. Tirando isso, você pode escrever lá essa história, e do outro lado você vai colocando tudo que você quer transformar no mundo. Aí se a missão, se a visão, se os valores, se o manifesto, se as cartas convite das offers que você recebe, que você recebeu, pela qual você trabalha, é conectar com essa página, aí você tá num lugar que você tá, que de fato é uma plataforma de desenvolvimento para você. E obviamente, né, eu acho que tem mais dois fatores além dos valores, que é quem são as pessoas que te mentoram dentro da empresa, se você sente que você tá sendo mentorado o o tempo todo. E mentoria não é tipo formal, tá? Tipo, eu tinha uma chefe que me dava caronas e era uma das mentorias mais valiosas da minha vida. Eu tive 3, 3, eu tive 3 entradas específicas com o presidente da, com o presidente do banco, que eu lembro de todos os dias. Eu lembro do dia específico que aquilo aconteceu, e aquilo foram mentorias valiosíssimas para minha vida. Então não necessariamente mentor é seu chefe. E também não é tipo aquele outro amigo que tá fodido com você, né? Tipo aquele, aquele teu outro amigo que se vê em fundos do poço e só reclamam no café, né? Tipo, esse cara não é teu mentor, obviamente. Ele só é mais um ferrado junto contigo e que vocês estão ali tipo criando um conluio de pessoas que estão frustradas. Então é isso, é uma coisa importante. Agora, a segundo motivo também é o tamanho o teu desafio, né? O desafio que você tem recebido dentro da empresa. E isso, o recebido é uma palavra muito importante, porque às vezes as pessoas acham que alguém tem que te prover isso, né? A gente ainda tem muito esse sentimento de provimento, né? Só que as pessoas mais incríveis que eu conheço na vida pediam mais desculpa do que licença. Elas iam buscar os seus desafios mesmo que alguém não tivesse entregue para elas, entregado para elas. Então eu acho que esse talvez seja um caminho que faça mais sentido quando a gente fala de plataforma de desenvolvimento. Seus valores conectados com aquilo que você vê dentro do dia a dia, os seus mentores e os desafios dos quais você recebe.
Valores, mentores e desafios.
Sensacional.
Du, que papo gostoso, cara! Eu aprendi demais aqui, eu de verdade fui inspirado, galera. Não sei se o pessoal que está assistindo aqui sentiu o que eu senti aqui, mas minha cabeça explodiu para diversas coisas, principalmente esse lance, você desmistificou esse lance de, cara, CLT versus empreendedor, que é na verdade um produto do momento, né? Esse é o produto do momento. Vai empreender, sai do CLT. E você trouxe uma sacada, um negócio muito bacana, cara. Às vezes tem tanta oportunidade onde a gente tá e a gente simplesmente, porque eu não gosto daquela pessoa ou do meu chefe, eu saio porque vou agora resolver o problema do mundo e aí as coisas não andam, né? Então, pô, achei demais isso aí.
É que esse problema, Marlon, é muito mais fácil. Você sabe um dos maiores problemas que a gente tem no planeta? É porque pensar consome muita caloria do nosso cérebro. Então a gente, neurologicamente falando, a gente se exercita a pensar menos para consumir menos caloria. Uma questão de mecanismos sustentáveis automáticos que o nosso corpo mesmo cria. É muito mais difícil você encarar o problema complexo que você tem na sua frente, dentro da sua empresa, do que tipo chutar tudo embora. Ah, mas você tá falando que é um discurso privilégio, de privilegiado. Cara, com tanta oportunidade que tem hoje, com tanta gente vendendo curso de fórmula de lançamento, com tanta gente vendendo tanta bosta, tipo, mano, não, entendeu? Tipo, então assim, isso tudo para dizer que encarar esses problemas, eles não são do outro, eles são seus. Você só tá mudando de endereço dele, uma hora você vai encontrar com ele de novo, entendeu? Uma vez um amigo meu, tipo, criou um aplicativo E ele falou assim: não, eu vou chegar em 5 milhões de usuários em um ano. E aí eu falei, eu sou o cara que perde um amigo, mas não perde a piada, né? Aí eu falei assim: cara, 5 milhões de usuários, caraca, é coisa para caramba, mas faz 5 anos, né, que você não fala com a sua mãe. E aí ele não fala mais comigo também depois dessa pergunta. Mas assim, é meio que isso, sabe? Tipo, não adianta você achar que você vai mudar o mundo se você não fala com a sua mãe, entendeu? Se você não consegue conversar com seu pai, se você, tipo, não tem uma boa relação com seus irmãos, entendeu? Então são problemas que você pode achar que você tá mudando, você tá tentando mudar ele do lugar, mas na verdade ele tá em você. E tipo, é uma coisa tua. A sociedade, as empresas, elas são construídas em cima desses problemas. O dia que a gente se toca disso daí, tem noção e se liga nessa porra aí, cara. Aí é um turning point, aí é uma virada de chave, entendeu? O dia que você olha e entende que o problema não tava nos investidor cuzão, mas tava em mim, que não tava encontrando a minha missão a ponto de encontrar as pessoas que deveriam de fato estar do meu lado, entendeu? Parece filosofia, mas é a pura vida, né? Não tem o que fazer.
Espetacular, tu, meu querido. A gente vai encerrar aqui a live agora, já deu 1 hora









