Papo com Especialista Eduardo Gouveia

In this live interview, host Marlon Silva Domingues converses with Eduardo Gouveia, a former executive turned advisor and board member for multiple Brazilian companies. Gouveia shares his personal background (born in Walnut Creek, raised in Recife, family), his career trajectory from early work experiences to senior roles in banking, retail, and payments, and his recent shift to advisory, consulting, and angel investing. The core of the discussion revolves around his leadership philosophy: prioritizing deep, genuine relationships, using rituals and symbols (daily birthday calls to 3,500 employees, the “baldinho” promotion ceremony, “Pai na Lelo” parent‑day events, equal‑chair office design) to build trust, recognition, and a culture of meritocracy. He emphasizes servant‑leadership, giving without expecting return, and the importance of public speaking, team‑work, and small personal gestures (calling people by name, acknowledging personal milestones). Gouveia offers practical advice for job‑seekers—activating networks, offering mentorship, and being open to coffee meetings—and discusses challenges of maintaining mental health and cultural cohesion in remote work. He also outlines the traits he looks for when hiring leaders: authenticity, courage, contribution, and a community‑oriented mindset. The conversation is rich with anecdotes, concrete practices, and actionable insights for professionals seeking to lead with empathy and impact.
Chapters
Gouveia, obrigado por mais essa oportunidade de estar com você, meu caro. Eu não sei nem como mensurar a gratidão de você ter aceito esse convite dessa jornada que eu venho fazendo sobre proporcionar conhecimento para as pessoas, ajudar quem está precisando nesse momento através de insights, através de pessoas que conhecem, que jogam o jogo na realidade mesmo, skin in the game. Então, meu querido, seja muito bem-vindo. Obrigado.
Que bom, Marlon. Alegria mais uma vez estar aqui contigo. É um prazer tá fazendo essa live contigo e falando um pouco de carreira, liderança, gestão, símbolo, rituais. Então, para mim é uma honra estar aqui com você hoje à noite.
Show de bola, show de bola. A galerinha tá chegando aqui, temos aí já 10 pessoas com a gente. Muito bom. Ó, para aquecer os motores, Gouveia, eu acho que seria muito bacana você contar um pouquinho quem é você para quem não te conhece Eu vi que no LinkedIn tem uma galera dizendo: eu vou estar lá porque eu conheço o cara, eu conheço o cara. Então já senti que você é referência para muita gente, isso é show de bola. Mas assim, conta para gente um pouquinho quem é Hugo Veia, o que que você faz hoje?
Que bom, Marlon. Primeiro, sou o pai da Marcela e da Mariana, uma garota de 29, a garota de 27. Eu tô casado com Elisa, minha mulher, há 32 anos. Comecei a namorar com ela com casei dela com 14, então a gente tem uma jornada de longa data. Eu gosto muito de relações de tutorados profundas, enfim. Então eu tento ser um bom pai, esse para mim é um mote, um propósito de vida. E do lado profissional, Marlon, hoje eu tô na fase super divertida da minha vida, que eu deixei de, há 3 anos, Uma carreira executiva, né, falar um pouco sobre carreira. Mas eu era, havia 3 anos atrás, é uma parada da minha carreira executiva depois de 35 anos. Passei quase um ano, um sabático, fora do país, em Londres, e pô, viajando, pô, se ressignificando, meu próximo ciclo. E decidi nessa parada, pô, me investir, transbordar um pouco mais, ter um pouco mais Hoje eu tô como conselheiro de algumas empresas e sou, além de ter alguns projetos de consultoria, advisor de alguns projetos de inovação, enfim. Então é isso, hoje minha agenda tá super divertida, uma hora é bateria, na outra é seguro, na outra é software, na outra, enfim, é conselheiro 6 empresas hoje. Conselheiro da Baterias Moro, com muito orgulho. Sou conselheiro da Baterias Moura, da Raimunda Fonte, material de limpeza. Sou conselheiro da Ipiranga, num projeto super revolucionário, que é a junção de uma empresa de loja tudo quilômetro de voltagem com wallet, chama Abastece Aí. Conselheiro da Quero Quero, enfim, material de limpeza. Então, sou conselheiro da Mafri Seguros, aqui no Brasil. Então a gente tem uma diversidade de fazer conselhos em segmentos, indústrias que eu não tinha feito nada na minha vida para realmente aprender um pouco, voltar a aprender um segmento novo. Minha carreira foi toda pautada em loyalty, em pagamentos, em varejo, e eu queria fazer coisa diferente. Olhando indústria, tô olhando material de construção, tô olhando seguro, software. Tem sido uma jornada bacana. E do lado das startups, eu tô investindo hoje, já investi em 8 startups como anjo, como mentor, como conselheiro. E eu tô como advisor de um projeto de inovação na Fiat, tá, para conectar o carro com o mundo externo. É muito legal esse projeto. E tô ajudando na montagem do retail tech, no Tribanco e no Atacado Martins, no varejo Martins. Então a gente tá estruturando a Retail Tech lá, que é muito bacana. Então é basicamente isso, é diversão garantida.
Só isso? Só isso está fazendo?
Diversão garantida, muito bacana.
Que massa, que legal, Gouveia! Ó, tem algumas grandes curiosidades sobre você, né? Quando a gente teve oportunidade com o Vini, com Ivan, entrevistar você no Boteco Terapêutico, nosso podcast, você contou a sua origem. Eu me surpreendi, você falou que você não nasceu no Brasil. Aonde que você nasceu, Gouveia?
Verdade, papai tava fazendo PhD fora, na Califórnia, em Berkeley, e eu terminei nascendo numa cidadezinha que chama Walnut Creek, que fica pertinho de São Francisco. Então eu nasci lá e vim embora para Recife. Meus pais são pernambucanos e eu terminei voltando para Recife com 1 ano e meio de idade. Então eu sou um americano com sotaque nordestino, imigrante. São Paulo, entendeu? Então é basicamente isso. Eu sou americano só por nascença, mas eu sou um pernambucano por adoção e por origem. Realmente me considero pernambucano da gema.
Que massa! Coração é bem pernambucano então?
É bem pernambucano. Super orgulho, Marlon, de ter me criado lá, enfim, ter minhas origens lá. Eu terminei rompendo um pouco os laços quando a gente veio para São Paulo 16 anos atrás, né. Eu vou te contar um pouco da, porque eu vim para cá, mas é com muito orgulho. No final do ano passado eu terminei comprando uma casa lá de novo e a gente começou a ter uma relação um pouco mais de volta. A gente tá querendo fazer um give back na região, enfim. E aí a gente terminou voltando, comprou um apartamento lá de novo em Recife, e eu tenho 3 experiências profissionais lá. Então eu tô no conselho da Moura, da Bateria Moura, tô no conselho da Raimunda Fonte, que é a Brilux lá, e eu sou mentor de uma empresa, num conselho consultivo, de uma revenda de tratores John Deere lá. Então eu terminei fazendo, tendo de novo um vínculo profissional, e aí eu terminei comprando uma casa lá e eu tô começando a voltar um pouco mais às origens e ajudar um pouco empresariado lá de Pernambuco. Então tem sido um back to the base aqui, tem sido muito bacana. Tem sido legal.
Legal. Sabe que eu tive experiência de conhecer Recife? Eu fui para lá uma vez e eu fui por uma razão muito especial. Recife salvou algo muito poderoso na minha vida, porque eu queria muito assistir o Paul McCartney. E o Paul McCartney veio para o Brasil, esgotou todos os ingressos no estado de São Paulo. Eu falei: eu não posso deixar de assistir esse cara, eu preciso ver esse cara. E eu achei o ingresso lá em Recife, eu peguei o avião e vira copos Fui assistir, fiz um bate e volta só para assistir o show dele lá. Foi sensacional.
Eu tava no estádio, eu tava na Ruda nesse dia. Eu vi aqui, eu vi duas vezes. Eu terminei indo para lá para ver lá também. Eu vi duas vezes aqui.
Legal, bem bacana, sensacional, muito bom, meu caro. Seguinte, eu vou começar fazendo uma pergunta para você. Nosso papo aqui é sobre carreira, sobre modelar excelência, sobre questionar o que que foi diferencial na tua jornada. Mas tem uma coisa que eu já percebi que as pessoas, elas falam muito de você aonde é que a gente posta alguma coisa sobre o Gouveia, ou qualquer post tenha sobre o Gouveia, as pessoas falam, inclusive a gente começou essa live aqui, as pessoas: esse cara é fera, Gouveia é sensacional, além de um excelente profissional, um grande ser humano. As pessoas falam muito de você sobre ser um grande ser humano. Como é que é isso para você? O que que isso tem a ver com a tua jornada, Gouveia?
Bacana, Marlon. Primeiro, eu sempre cuidei muito das minhas relações, Independente da posição que eu tava, eu sabia que onde eu tava era super temporário, passageiro, e o CNPJ ia passar e o que ia ficar era o CPF, então ia ficar a relação pessoal. E eu sempre fui um cara que cuidei muito das relações profissionais, sempre cultivei muito fortemente essa relação e respeitei muito as pessoas com quem eu trabalhei. Eu sempre tive uma crença que eu nunca fiz nada sozinho, eu me cerquei de muita gente boa o tempo todo. Então, por onde eu passei, eu passei por bastante portas, eu terminei cultivando, cuidando dessas relações profissionais e que se transformaram em relações pessoais. Então, a gente teve sempre, por onde passou, esse cuidado de cuidar da felicidade das pessoas, cuidar da relação, fazer com que as pessoas fossem e tivessem ali um ambiente que elas pudessem ser realmente o que elas são. E isso foi muito bacana. Por onde eu passei, a gente conseguiu deixar um rastro aparentemente positivo, e que é muito legal. Tinha vários rituais, vários símbolos que a gente— eu, isso foi nada, foi um ao longo do— por onde eu passei, eu comecei muito cedo, né? Comecei dando valor ao trabalho quando meu pai, aos 15 anos, me colocou de férias para trabalhar no escritório de arquitetura e construção como office boy. Então foi muito legal a experiência de começar cedo, a 14 anos, a pegar uma parte das férias do colégio para ir trabalhar tirando xerox, enfim, fazendo um leque de coisas. Foi muito legal. E eu terminei fazendo Ciência da Computação na Federal de Pernambuco, entrei cedo na faculdade e comecei a trabalhar muito cedo como programador. Então comecei a trabalhar aos 19 anos no Banorte, que era um banco regional muito forte, super inovador lá no Nordeste. E aí essa foi talvez um grande clique na minha carreira, e talvez o principal foi aos 25, eu já tinha 6, 7 anos na área de tecnologia, eu percebi que eu gostava muito da área comercial, dessa relação pessoal. E aí eu fui para a área de marketing e produtos do banco, depois eu migrei para a área corporate do banco, não sabia nem fazer uma conta de juros compostos nem simples, e terminei entrando no MBA de Finanças no IBMEC. E aí, da área corporate do banco, o banco começou um programa de desenvolvimento executivo, eu estava entre os 5 executivos que estavam sendo desenvolvidos no banco para virar diretor, E aí eu virei gerente geral de agência, aquele terninho, gravatinha, birozinho de uma agência de rua, PJ. E experiência inusitada lá, que dessa relação como gerente geral de uma agência, eu conheci um cliente que tinha distribuidora Brahma e eu ajudei ele num planejamento estratégico. E eu terminei montando junto com ele uma fábrica de tubaína, virei distribuidor de tubaína, que é água com um pouquinho de gás colorante e açúcar. E a gente na periferia de Recife, mais Coca-Cola. E eu pedi demissão do banco e virei empreendedor por 5 anos. A gente montou a segunda fábrica em Salvador e eu terminei voltando. Eu acho que uma decisão super acertada que eu tomei na minha vida foi voltar para Recife para cuidar da minha família, depois de quase 2 anos e pouco fora de casa, cara, de ponte aérea Salvador-Recife, cuidando da fábrica lá em Salvador. E voltei para Recife desempregado e desempresado, sem empresa e sem emprego, aos 30 e poucos anos, já com duas filhas. E um anjo, um guru, um cara que eu sempre homenageio ele por onde eu falo, por onde eu passo, que foi o Marcelo Silva, cara, um cara super importante Magazine Luiza. Ele é vice-presidente do Conselho Magazine Luiza, enfim, foi presidente da Pernambucanas, presidente do G. Barbosa. Esse cara me chamou para ser head da Hipercarni. Eu nunca tinha feito nada de cartão de crédito e tava desempregado, precisava pagar conta de luz, colégio de filho. E aí eu terminei aceitando a posição para ser gerente geral da Hipercar lá no Nordeste, no Bom Preço. E ali começou a minha jornada efetiva com a parte de liderança, né? Então é criar cultura vencedora, cultura de engajamento, muita comunicação aberta, muita montagem de time. E aí foi isso lá atrás, aos 30 e poucos anos, 33, 34 anos, onde eu acho que tudo foi deflorar, né, por exemplo, a gente começou a pensar um pouco e a refletir como a gente podia criar um ambiente mais feliz, mais livre, mais aberto, mais transparente. E de lá a gente começou o laboratório aos 30 e poucos anos e foi até os 54. Então eu terminei minha vida corporativa aos 54, depois de 20 anos gerindo pessoas de uma forma super intensa. Então é isso, tem várias passagens, depois a gente vai aprofundar um pouco mais sobre gestão, mas vem daí. A origem é essa, foi olhando alguns líderes, olhando como não deveria me portar, como eu não deveria ser, e principalmente olhando alguns gurus, alguns caras que me inspiraram para dizer: ah, eu queria ser um cara, quando eu tivesse time grande, eu queria ser um cara igual a esse. Então foi mais ou menos isso, Marlon. A escola veio lá de trás.
Que legal, que legal! Eu já comecei, já comecei a notar alguns pontos interessantes da tua jornada aqui. Só que antes deixa eu fazer um highlight, né? Sebastião Rodrigues tá dizendo aqui: isso mesmo, Gouveia, onde passa deixa uma história. Tenho prazer em ter conhecido você, parabéns, você é incrível. Ó, mais feedbacks para você aí.
Grande amigo, um presidente lá de uma associação super importante de varejo lá no Nordeste. Gosto muito dele, gosto muito dele.
Show, show de bola! E pessoal, vocês estão assistindo a live aqui, se vocês tiverem perguntas para o Gouveia, por favor coloca aqui no chat que a gente vai ter maior prazer de responder para vocês, tá? Dando continuidade, ó, Maria Fernanda aqui, ó, tô aqui me inspirando.
Legal, beijo para você.
Show de bola, show de bola. O Gouveia, eu falei que eu tava aqui para prestar atenção em alguns padrões de sucesso, e tem dois aqui que eu já peguei que me chamaram atenção. Você começou a live contando quem é você, você disse a seguinte coisa que me tocou, você disse: eu gosto muito de relações estruturadas e profundas. O que que isso tem a ver com carreira e o que que isso tem a ver com a tua jornada?
Eu acho que começou, Marlon, eu vou também fazer uma homenagem à minha mãe, tá? Eu acho que minha mãe, ela foi também uma pessoa super importante, uma personalidade forte, super agregadora, super, ela valorizava muito as relações humanas e muito empática, muito comunicativa, era o pilar da família, enfim, e eu acho que Olhando mamãe, acho que foi por aí que tudo— de vez em quando eu fico tentando lembrar um pouco dela, e muito do que eu fiz na minha carreira, muito que eu faço hoje, com o padrão de comportamento, vem dela, tá? Então, eu acho que tem uma pegada super importante dessas relações cultivadas, dessas relações que você se doa não esperando nada em troca. Hoje é um lema que eu tenho, né? Me doar sem esperar nada em troca, isso é muito genuíno, é muito bacana, porque quanto mais você se doa, mais volta em dobro, tá, mesmo sem você esperar. Então é, e mamãe fazia muito isso, ela era uma pessoa que agregava muito, tava sempre muito cercada de amigos, cercada de pessoas que ela gostava, ela agregava muito. Eu acho que esse gostar de gente genuinamente vem um pouco dessa origem, tá. E é isso, eu sou um cara que gosto muito de amigos, gosto muito de estar cercado de gente, gosto muito de trocar, gosto muito de falar, de conversar, então, e relações genuínas, que nem sempre é de coisas só boas, tá? Então é mesmo profissionalmente, quando você coloca de uma forma genuína, transparente, verdadeira, com cuidado na forma, Você pode colocar qualquer ponto, eu falo muito isso, cuidado na forma, mas não abra mão do conteúdo. Então a gente sempre cultivou muito essa relação de amizade por onde passou e cultiva, cultiva até hoje, tá? E criar intimidade é um negócio que é super importante, independente. Tem uma coisa que eu gosto muito, tá, Marlon? Eu acho que eu já comentei com vocês, minha última passagem como executivo era presidente da Cielo, e eu tinha 3.500 funcionários. E eu comecei a cultivar desde cedo, lá atrás, há 20 anos atrás, o conceito de ligar, ligar de verdade, não é passar um WhatsApp para as pessoas, para os meus funcionários, no dia do aniversário dele. É um dia super importante, normalmente festivo, celebrativo, e eu queria na verdade me celebrar com meus funcionários, independente independente do nível, da área, de onde tivesse. E aí foi muito louco, porque eu sempre tive equipes relativamente grandes, e minha última foi talvez a maior, com 3.500 funcionários. E eu mantive o hábito. Então eu ligava para o aniversariante do dia, para as 3.500 pessoas, todo ano, tá? Então se você dividir por 365 dias, porque eu ligava sábado, domingo, feriado, de férias, viajando, não viajando. Então fazia 10, 12 ligações por dia para 100% dos aniversariantes daquele dia da Seattle, por exemplo. Então era muito legal porque aí a minha família já vinha junto fim de semana. A primeira coisa que minha mulher no sábado de manhã, o domingo, disse: ó, não esquece de ligar para os aniversariantes hoje e tal. E era um negócio muito legal porque as pessoas começavam a esperar, porque eventualmente era comercial, eu tinha 1500 vendedores espalhados pelo Brasil inteiro. E eu via presencialmente esses caras uma vez por ano numa convenção de vendas. Aí eventualmente ele me via no palco abrindo e fechando o evento, e eventualmente à noite, cara, onde ele tivesse, ou essa vendedora, onde ela tivesse, tá, e aí tinha uma maldade, eu vou confessar aqui uma maldade, eu sempre ligava 1 da tarde. 1:30 da tarde. No dia do aniversário, almoçando com seus amigos do trabalho. E aí o cara me via uma vez por ano numa convenção de vendas. E naquele dia do aniversário dele, ele com os amigos dele, o telefone aí tocava 1:30 da tarde, era o presidente da Cielo ligando para ele. Ele tava com os amigos: para, para, para, que o governo tá me ligando aqui. E era uma ligação para dar os amigos, ou sempre ligava entre 7, 8 da noite, que ele tava reunido com a família dele. Então era uma forma, um simbolismo de dar importância àquele dia, aquela relação. E você terminava criando intimidade, fazendo 10, 12, 15 ligações por dia no aniversariante do funcionário. Então você vai criando laços e vínculos, intimidade, mesmo que durante só um telefonema no aniversário. Para 3.500 funcionários. Então, cultivar esses laços, essas relações duradouras e profundas é fundamental para a criação de um time mais vencedor.
Que massa, que massa! Tem aquele velho ditado, Gouveia, essa história sua é fantástica, eu já tinha ouvido, eu acho fenomenal, para mim é uma inspiração gigantesca. E tem aquele ditado, né, que você, as pessoas vão esquecer aquilo que você fez por elas, aquilo que você deu a elas, mas jamais vão esquecer aquilo que você fez elas sentirem. E a prova disso é ali o José Júnior: eu recebi essa ligação no meu aniversário quando tava na Lelo. Cara, olha que sensacional! Ou seja, isso aqui é verdade, tem coerência e congruência no que o governo tá contando aqui. Muito massa! Ó, Renato Teixeira também: recebi essa ligação.
Teixeira, grande amigo, o Júnior. Eu terminei saindo da Lelo já há 5 anos atrás. Então eu saí lá em 16. Então é, você vê que realmente a gente era, era tão importante, Marlon, e talvez mais importante para mim que tava fazendo que a pessoa que tava recebendo, tá? Porque é muito mais do que, do que entregava, tá, fazendo isso. E eu me sentia super bem, você criando intimidade, relacionamento nesse dia. Então é, e gestão é isso, gestão. Eu tenho uma crença muito grande que gestão Ritos e símbolos, tá? Ele é sempre, tá? É celebração e reconhecimento. É uma coisa que a gente fazia muito também, ou seja, celebrar as pequenas vitórias e conquistas, não só as grandes, mas as pequenas. E quem não gosta de ser reconhecido, né, Marlon Silva Domingues? E quando você faz isso em público, genuinamente, na frente de todo mundo, ele tem um motor e um poder muito grande. Então minha gestão sempre foi feita assim, de símbolos e rituais e reconhecimento, celebração. Então a gente celebrou muito. Tem uma história super famosa que é a história dos baldinhos, né? Então é, uma vai lembrar. Eu fui promovido uma vez no banco e o cara me deu um envelope branco e disse: ó, não conta para ninguém que você foi promovido. 'Você foi para não me cobrar também, porque não foi.' E eu achei aquilo muito ruim, que eu não pude contar para ninguém. Eu escondi minha promoção de todo mundo. É um negócio que eu queria celebrar com meus amigos, queria celebrar com minha família. Eu não pude contar para ninguém. E aí eu prometi para mim mesmo naquele dia, quando eu tinha 20 e poucos anos, 25, 26 anos, que toda promoção ou mérito que eu fizesse ao longo da minha carreira, eu ia fazer ela sempre em público, para todo mundo ver. E a partir daí surgiu uma história que é muito maluca, que a gente foi surgindo e foi construindo, e foi a história do baldinho. Então é feito de uma forma, promoção e mérito de uma forma muito transparente, tá, com um comitê de calibração, de uma coisa muito, muito séria, com muita meritocracia. E o reconhecimento é sempre em público, na frente de todo mundo, sem a pessoa saber que ela vai ser reconhecida. E ela recebe um envelope, uma carta da promoção, e recebe um baldinho, baldinho de acrílico com a champanhe e um chocolate. Porque eu queria ter brindado a minha promoção no banco com minha mãe e eu não pude. Então a gente disse, ó, aqui tem uma champanhe para você brindar com sua mãe, com seu pai, com seu namorado, com seu marido, com sua esposa, com seus filhos, com quem você quiser. Tá, então hoje é um dia celebrativo e vai na frente de todos os seus colegas de trabalho. Então nenhuma promoção, mérito, é escondida, desde sempre. E o chocolate é para você comer com seus filhos, bater no peito e disse: papai foi promovido, vamos celebrar aqui, fazer esse momento e trazer a família para dentro de um momento tão importante, né? Então é, desde então eu venho promovendo e reconhecendo e fazendo mérito na minha vida, sempre aberto, sempre em público, sempre com símbolo de uma champanhe, chocolate, para trazer a família para aquele momento que é tão rico, tão importante.
Então é, cara, que espetacular!
E é uma coisa boba no bom sentido, ela foi feita com muita simplicidade, mas com muita profundidade, com muito mérito, com muita justiça. Dá para você dizer: Marlon, você foi promovido por isso, por isso, e João, você não foi por isso, por isso, por isso. Não tem problema nenhum com isso. Então quem não ficar satisfeito pergunta até o líder por que não foi. E você não devia nem estar perguntando, porque você devia saber através de feedback constante que você não foi por isso e você tem que melhorar nisso, naquilo, naquilo. Então esse conceito dos símbolos e ritos faz com que a gente crie uma cultura de meritocracia, uma cultura de engajamento, uma cultura de role model, de olhar: pô, eu quero estar no de álcool daqui no próximo ano. Então eu quero estar na frente dos meus amigos sendo reconhecido, eu quero levar um baldinho desse para minha família e celebrar com ela. Então é um símbolo simples, mas poderosíssimo em termos de gestão de pessoas. E tem outro negócio que a gente fazia muito também, a gente sempre se inspirou no Luciano Huck, né? Então o Luciano Huck traz emoção, traz família, traz surpresa, traz E a gente sempre começou, foi muito louco também isso, tem um evento que eu adoro também, que eu sempre implantei por onde passei. Minha mãe nunca se conformou, né, Marlon, de eu ter mudado para São Paulo, tá? Ela sempre reclamou. Eu sou o filho mais velho, depois vem 4 meninas, depois, tá? Tem 4 irmãs mulheres, e mamãe nunca se contentou com com a minha vinda. Enfim, ela sempre sentia muita saudade do filho mais velho. E eu disse: mamãe, eu vou em busca de um sonho, eu vou em busca de um movimento de carreira. E era muito louco porque a gente vai saindo de casa e quando a gente muda de cidade, teus pais começam a não entender o que você faz da vida. E ela dizia: pô, meu filho, o que é que você faz da vida? Pô, eu sei que você vende um negócio num cartão verde aí que compra comida, tal, e eu não sei o que você faz da vida. Eu disse: vale alimentação, refeição regulada pelo governo. Eu disse: a próxima vez que você vier a São Paulo, eu vou te levar na Lela e vou te apresentar a empresa, e você vai entender o que eu faço da vida hoje aqui em São Paulo. E uma vinda dela aqui, eu levei ela para jantar lá no Iguatemi. Para almoçar no Iguatemi ali de Alphaville. E eu subi com ela para dar uma volta na Lelo. E a Lelo era muito, muito legal. Era não, é uma empresa muito legal em termos de cultura, empresa aberta, uma empresa sem parede, genuinamente uma empresa voltada para a felicidade dos funcionários. E eu comecei a apresentar a empresa, comecei a andar com a mãe, ela começou a andar dentro da A Lelo parecia a rainha da Inglaterra, assim, batendo no peito, dizendo: eu sou a mãe do presidente e tal, tenho orgulho. Quando a gente tava saindo, Marlon, no elevador, a gente trombou com a Soraya, que era a nossa diretora de RH. E ela disse: Soraya, eu tô saindo daqui hoje com peito estourando de orgulho do meu filho, tá? É impressionante o que vocês estão fazendo aqui pelas pessoas, pelos funcionários. A mesma sensação que eu tô sentindo, vocês deviam promover para os pais dos funcionários. E aí eu desci com mamãe lá embaixo, deixei ela lá no carro. Quando eu voltei, eu peguei a Soraya e disse: Soraya, a gente precisa realmente proporcionar esse momento de orgulho para os filhos e para os pais dos funcionários. E a gente criou um evento que chama Paz na Lelo, Paz na Cielo. Depois a gente implementou na Cielo. Paz na Livelo, por onde eu passei, que era um dia do ano, a gente chamava os pais para passar uma manhã com os funcionários. Os estagiários ou trainees apresentavam a empresa para os pais que estavam na plateia. Depois a gente fazia um café e os pais, os filhos levavam os pais para circular na empresa, apresentar o que ele fazia, apresentar os amigos no ambiente de trabalho. E ele era obrigado, no bom sentido, convidado a pagar o almoço daquele Dia dos Pais, tá. Então foi um negócio maravilhoso que a gente começou a ter um pouco mais liberdade, trazer avô, trazer avó, viajante que vinha do Brasil inteiro para esse dia, para entender o que o neto, que o filho tava fazendo. Gente do Ceará, gente do Sul, e começou a ter um movimento muito legal. E era um dia Marlon, de orgulho e senso de pertencimento muito forte. E a gente saía ali, que era um dia, um dia de— e a gente sempre dizia isso, é o dia de você agradecer a seu pai, abraçar seu pai, sua mãe, por tudo que eles fizeram ao longo da vida inteira para você estar aqui hoje trabalhando na Lelo, na Cielo, com a gente. Então era um negócio muito louco, é um ritual muito simples, mas muito poderoso em termos de engajamento, em termos de Gestão de Pessoas, chama-se Pai Naleão. Foi minha mãe que criou, não fui eu não. Foi minha mãe nessa visita no elevador que ela deu o kite e a gente pegou e jogou.
Que sensacional, que legado!
Veio de um comentário dela.
Que marca, que legado, hein, Gouveia, que espetacular, né? Você teve essa oportunidade de ter esse presente da tua mãe, né?
É, foi um comentário.
E sabe de uma coisa legal? Deixa eu pontuar uma coisa. Sim, sim, mas produziu um baita de um insight que virou inclusive um programa na empresa, né? Que massa! Eu quero apontar uma coisa aqui bem interessante que eu venho, que eu tô te ouvindo e tá fazendo muito sentido para mim. Das coisas que você vem contando aqui, é isso que eu gosto de observar: padrão que tem na história das pessoas, porque isso conta muito sobre a jornada delas. Então um padrão para mim que tá evidente aqui no que você está me dizendo é a doação que você tem pelas pessoas e a tua forma de realizar coisas em colaboração. Todos os teus contos aqui levam a isso, né, a olhar para o outro, a fazer para o outro. Isso me lembra uma coisa muito interessante numa jornada de desenvolvimento humano, para qualquer pessoa, você está buscando carreira, você está no teu momento de ascensão ou você está travada É legal você pensar nisso. Semana passada, Gouveia, eu tava fazendo uma sessão de coaching com uma coach que mora na Suécia. E ela tá com um desafio duplo. O desafio de ser mãe e o desafio de ter uma aceleração na carreira dela. E aí, conversando com ela, eu me liguei que essa jornada não precisa ser separada. Porque tem um ponto em comum muito interessante. E qual é o ponto em comum interessante dessa jornada dela? Que ela quer se tornar uma líder e ela quer se tornar mãe. Tem um ponto comum interessante que é a necessidade humana dela que está em jogo nesse momento. E nós todos, seres humanos, temos algumas necessidades. Uma delas chama-se contribuição. A outra chama-se reconhecimento. Então o que eu venho percebendo na tua história, aquilo que você vem contando de poderoso aqui, é que nesse papel, na tua carreira, sendo um CEO de empresa, Você valorizou muito a questão da contribuição ao outro. E o que eu estava falando com essa minha coachee é que uma jornada para se tornar pai ou mãe, ou uma jornada para se tornar líder, tem em comum é que você precisa inverter a ordem dos valores, onde o "eu" passa a ser menos prioritário do que o "fazer ao outro", a doação, a realização em conjunto. Acho que o líder tem que ter essa essência, essa capacidade de pensar que eu estou aqui para facilitar e não para eu estar em evidência sempre, né? E eu pego muito isso no teu diálogo, nas suas palavras.
Você tá ali muito forte, né, Marlon Silva Domingues, para servir, né? Para você, você na verdade é instrutor, né? Você é, e tem muito isso, né, de você, por exemplo, criar um ambiente que o ambiente seja propício para que as pessoas se dêem, se doem, façam o melhor, que elas possam ser elas mesmas, né? Então você cria esse ambiente menos hierárquico, com mais simplicidade, com mais proximidade. Era muito revelador, impressionante como as pessoas curtiam a relação. Porque naturalmente um mundo corporativo vai te dando cargo, te dando rótulos, cria uma distância, barreira. Tem vários quebra-molas nesse mundo corporativo, que é a secretária não deixa o pessoal te enfim, ela controla tua agenda. E a gente sempre gostou muito de open space. Então é uma coisa que me marcou muito, eu vou te contar aqui. Quando a gente tava montando o escritório da Lelo, a primeira coisa que o arquiteto fez: aqui tá o portfólio de cadeira de presidente, qual é a cadeira que qualquer um possa, possável pronto, presidente, passar 8 horas, 9 horas, 10 horas sentado. A cadeira não tem que ser diferente de ninguém, uma cadeira suportável que ela possa passar um tempo. E é engraçado, um detalhe bobo, mas só a minha cadeira de presidente ser igual à cadeira do estagiário já refletia um conceito de igualdade, de respeito pelo outro, né? Então acho que você ter um ambiente aberto, acessível, que as pessoas pudessem chegar em você sem nenhuma porta, nenhuma barreira, nenhum protocolo, isso criava um ambiente super propício para as pessoas sentirem super à vontade, tá? Então isso é um negócio que eu sempre valorizei muito. Tem uma passagem super bacana, deixa eu encerrar esse passo de proximidade. A Cielo, quando a gente foi presidenciar a Cielo, a gente tinha, a empresa era muito grande, 10% do PIB passavam por ela, pelas máquinas da Cielo. E a gente tinha 10 andares de empresa, cada uma com 250 pessoas, 200 e poucas pessoas. E a gente ficava num grupo de vice-presidentes comigo, e a gente— eu tinha um banheiro lá privado, e aquilo me fazia muito mal, Marlon. Aquilo era um símbolo de distanciamento, hierarquia muito grande, que era um banheiro privado, super. Eu brinco sempre, se eu me trancasse naquele banheiro e passasse o dia ali trancado, ninguém ia me achar. Eu quero um banheiro super e dá para passar o dia, super cheiroso, limpo, super arrumado. E eu comecei a dizer, pô, eu tenho que destruir esse símbolo. Então eu passei a xixi no banheiro, e toda vez que eu queria fazer xixi, eu tomava muita água, eu E ia para um andar qualquer da empresa. Então eu entrava no elevador e apertava aleatoriamente, eu ia fazer xixi num andar qualquer da empresa. E só esse xixi num andar qualquer, você circulava, você passeava, você via as pessoas, você— Então era um momento de 4, 5 vezes por dia que eu andava na empresa. Como a empresa era verticalizada, com 10 andares, então só passear, só andar, só cumprimentar as pessoas, Criava esse senso de vinculação, tá? E num símbolo bobo, que é fechar uma porta de um banheiro, trancar ele e dizer: esse banheiro eu não uso mais nenhuma vez e eu vou fazer xixi no banheiro dos funcionários. Então era assim que eu fazia xixi. Pegava elevador e ia fazer xixi em qualquer andar aleatório e você circulava na empresa. Era uma coisa pequena, mas super importante.
Que espetacular, né? De novo, mais uma coisa que eu consigo mapear nos seus padrões, que você é um cara que você tem a capacidade, a visão de trazer pequenos movimentos, mas que geram grandes impactos nas pessoas, porque você acaba envolvendo as pessoas nisso. A Mafê aí da área disse que você também tem uma necessidade muito grande, já tá evidente, você quer de conexão com as pessoas. Isso também é um diferencial, né? Quando a pessoa doa em estar em relacionamento com outras pessoas e ela também contribui, eu acho que isso é um baita de um ponto ali de diferença mesmo, né, que eu gosto de dizer a diferença que faz toda a diferença na jornada de alguém. Muito legal, muito legal. Eu quero pular agora para um ponto sobre habilidades. O que é que o Gouveia julga ou acredita que foi uma habilidade diferencial aplicada na jornada dele? E o que que ele deixa de recado para as pessoas na perspectiva de se precisam aprender, desenvolver isso? O que que você fala, Gouveia?
Eu não vou falar das comportamentais, vou falar de uma habilidade que para mim foi essencial, tá, Marlon? É saber trabalhar em equipe. Então hoje, para qualquer jovem, se eu soubesse que era tão importante na minha carreira, toda vez que um professor tinha um trabalho em equipe, eu deveria estar pulando na frente, lá atrás, para apresentar que é trabalho para sala de aula. E normalmente na sala de aula você corre, você se esconde, porque fica envergonhado de ir lá na frente apresentar aquele trabalho. Se eu soubesse antes isso, na minha vida profissional, eu tinha falado toda vez na frente, no colégio, para apresentar o trabalho na frente de um amigo meu. Então esse é um conselho que eu dou: aprenda a falar em público. E falar em público é treino, é você realmente ter esse conceito, e você vai Você vai, por exemplo, aprimorando, tá? Por exemplo, uma técnica boba, a gente criava sempre eventos de conexão. Então, por exemplo, na Alelo eu tinha um evento mensal que chamava Bate-Papo Arretado, que era um evento que a gente juntava a empresa inteira, enfim, conectada ou fisicamente, para falar de projetos, falar de Falar de valores, falar de resultado. E uma técnica muito boba, e fica aqui a dica: numa plateia muito grande, escolhe 3, 4 pessoas que estão na plateia e fala o nome delas, tá? Então você traz a plateia, ela fica totalmente conectada. Então você vai comentando algum assunto e chama alguém, ou eu falo o nome de alguém que tem a ver com aquele assunto, tá? Isso traz uma conexão, uma química muito grande, uma empatia muito grande na plateia com o cara que tá falando. Então, isso foi uma coisa que eu aprendi no dia a dia e que eu uso muito. Eu uso muito.
Legal.
E falar o nome de uma pessoa na frente de 3.500 pessoas num auditório. Então, isso faz muita diferença, prende atenção e gera uma empatia muito grande. Então, falar em público, eu diria a você que é uma habilidade que qualquer profissional, qualquer executivo que vai defender um projeto, que vai para uma reunião de conselho, Fundamental. Então treine falar em público, faça curso de oratória. Isso vai ser essencial na tua carreira como habilidade. Parece simples, mas é super importante.
Que legal, que legal. Sabe uma coisa interessante, Gouveia? Nesse mundo do home office, né, a gente tá remoto, as pessoas relatam muita dificuldade de ter que ir através da pegar a câmera aqui e conseguir engajar a tua equipe, engajar o teu time para que eles mantenham ali o tempo todo a câmera aberta ou até dispostos a conversar. E aí você falando isso me lembrei que uma coisa que para mim eu faço normalmente, estou dando treinamento via Zoom, por exemplo, e aí tem pessoas com a câmera fechada, mas tem o nome das pessoas ali, né, aparece o nomezinho delas embaixo. Então quando você está explicando alguma coisa, você quer interagir, você fala o nome da pessoa: "E aí, Fulano, o que você acha disso?" Aí na hora a pessoa A câmera abre, ela: "É, então eu também vejo isso." Então é uma forma interessante, por quê? Porque você envolve as pessoas também, as pessoas precisam disso, elas têm que se sentir que elas são parte de algo. E o momento de estar remoto, as pessoas ficam: "Ah, eu não preciso interagir, fecho a câmera, vou fazer outra coisa." Normalmente é isso que acontece, salvo os cenários que tem alguma coisa mesmo que tá acontecendo. Mas é interessante essa dica, muito bacana.
Tem uma coisa pequena também, Marlon, que as pessoas gostam de ser chamadas pelo nome, tá? É uma técnica boba.
Legal.
Por exemplo, os invisíveis que estão ao teu lado. Eu sempre que entro no restaurante, a primeira coisa que eu pergunto é o nome do garçom, e a noite inteira eu trato ele pelo nome. Entro no Uber, a primeira coisa que eu falo é, trato o motorista pelo nome. Então você tratar os invisíveis estão à tua volta, com um pouquinho mais de cuidado, um pouquinho mais de carinho, isso é muito importante. E numa empresa é fundamental você saber o nome das pessoas, saber origem, saber dados. Por exemplo, vou também confessar uma técnica aqui que eu usava, que era muito bacana. Eu sou um bom usuário de redes sociais, pelo menos para me informar. E você começa num círculo fechado, minhas redes são todas fechadas, mas você começa a entender o que fez no fim de semana, que foi aniversário do filho dele, enfim. Então eu tava no corredor da empresa, disse: pô, Marlon, que bacana, tua menina fez aniversário sábado, né? Pô, que bacana, o tema da festa foi tal. Pequena, mas cria uma super intimidade com você, porque eu tô prestando atenção na sua vida, tô prestando atenção em você, tá? Então criar essas conexões verdadeiras é fundamental para você criar Espetacular!
Criar conexões novamente. Aí, Mafê, o Gouveia, o cara das conexões, show de bola, que massa, muito legal! Ó, o Johnny comentou: um exemplo de líder que se faz presente e prioriza a conexão com as pessoas. Grato pelo aprendizado. Tá vendo, Gouveia? Palavra que ficou impressa: conexão. Tô pegando o padrão do Gouveia aqui. Conexão com o ser humano é uma coisa fortíssima dele.
Sem dúvida, sem dúvida. Eu acho que tudo tá por aí, tá? Tudo tá nas relações, no respeito, na criação de ambiente, na criação do ambiente produtivo. E tudo pode ser. Eu nunca fui um cara muito bonzinho, tá, Marlon Silva Domingues? Eu sou um cara do bem, mas eu não sou bonzinho. Não sei se você me entendeu. Então, por exemplo, eu nunca abri mão dos resultados, nunca abri mão de entregar resultado, nunca abri mão Eu nunca abri mão de entregar mais do que me pediam, enfim, eu era um cara realmente focado, mas eu conseguia tentar separar um pouco, mais uma vez, forma e conteúdo, tá? Então isso era importante, que eu conseguia de alguma forma envolver as pessoas na forma, mas sem abrir mão do conteúdo. Falar sempre a verdade, falar, ser transparente, ser direto, cuidando do jeito, Falar tudo com jeito, com carinho, com cuidado, para não ferir a pessoa. Enfim, então é, eu nunca abri mão de entregar resultado. Eu acho que minha carreira foi feita em cima de resultado. Eu sempre fui um bom batedor de meta, tá? Sempre entreguei muito resultado, fui muito focado nisso, mas com jeito, com envolvimento, as pessoas fazendo por você. E aí você consegue criar ambiente, conexão, para que as pessoas se envolvem, se engajem naquele projeto que não é um projeto seu. Projeto nosso. Então trazer esse engajamento para dentro da relação é fundamental.
Que espetáculo, que espetáculo! Muito legal. Pergunta: na tua visão hoje, o que é um bom líder, Gouveia? Se você tivesse que aí contratar um líder para uma empresa, o que que você observa uma pessoa para um papel de liderança?
Cara, eu gosto muito das pessoas com muita vontade, tá, Marlon? Enfim, as pessoas, você falou um pouco da mãe que quer ser mãe, quer ser um líder, quer ser, eu acho que quanto completa a pessoa, tem um exemplo em casa, minha mulher é uma super líder, diretora comercial da empresa, e foi uma mãe exemplar, deu um puta exemplo para as minhas filhas, enfim, então é Esse conceito de você ser genuíno, cuidar da forma, ser carinhoso, ser envolvente, falar a verdade, ter o conceito de lealdade é fundamental na liderança, né? Então é, e aí tem um aspecto que é fundamental, né? O conceito do walk the talk, né? Enfim, você realmente inspirar as pessoas que estão à tua volta, você sempre falar o que você, mas não adianta você não fazer o que você faz, entendeu? Então é o exemplo arrasta, né, Marlon? Exemplo arrasta. Então é você tá no front, tá junto, tá, tá. Então para mim, o que eu gosto muito é o cara que tem muita vontade, tá? Eu adoro o cara que realmente que é um cara energizante, que gosta de fazer, que quer ir para cima, que quer ajudar, que quer construir. Eu gosto do construir, tá? Tem vários, tem vários. Eu tenho outra característica, eu sempre me cerquei de muita gente bacana, né? Outra coisa que me ajudou muito, eu nunca tive medo, não sei se foi um pouco de autoconfiança e de autoconhecimento, mas eu nunca tive muito medo de sombra, tá, Marlon Silva Domingues? Eu achei que um melhor que eu embaixo dele me empurrar para cima e não tomar meu lugar. E eu sempre me cerquei com gente melhor que eu, tá? E isso foi muito bacana na minha carreira, porque essas pessoas me empurraram para cima, me promoveram, tá? Então é ter essa capacidade, não ter medo. E no mundo corporativo tem muito isso, né? Você tem muito medo, tem muita politicagem, muito jogo. Então é, o líder é esse cara que tem que ser um cara que é autoconfiante, um cara genuíno, um cara, um cara Eu sempre gosto de ter uma empresa que eu ajudo lá, que eu sou mentor do Harry lá, dessa distribuidora de tratores. Eles têm um valor que é gente do bem e boa. Então eu gosto muito de me cercar de gente boa, entendeu? Então acho que eu detesto puxa-saco, detesto gente que não fala a verdade, detesto gente que não joga o jogo. Que não é do bem. Então, para ser líder é isso. Para trabalhar comigo tem que ter essas características.
Que legal, show, show! Muito, muito genuíno isso que você está dizendo, muito legal. E, meu caro, o seguinte: hoje, como eu disse para você, uma das intenções dessas lives que eu venho fazendo semanalmente é de ajudar as pessoas que estão no momento aí ou estão sem emprego ou estão buscando. Eu Eu navego no LinkedIn e eu tenho um incômodo. Eu tenho incômodo de ver pessoas ali com "open to work" e elas pedindo para o post subir. Então esse é o movimento que eu posso fazer nesse momento para ajudar, trazendo recursos, trazendo insights, trazendo modelagem. O que você poderia dizer para essas pessoas, Gouveia, que estão numa situação hoje devido à pandemia ou não, mas que estão em busca de um trabalho e não estão conseguindo? Qual é o teu conselho nesse momento, meu caro?
Bacana, deixa eu te dar também um outro, fazer um outro comentário. Engraçado, eu sempre abri minha agenda para quem não tava empregado, entendeu? Esse é um negócio que eu nunca abri mão de abrir minha agenda, tá? Então se a pessoa me acionava: "Pô, Gouveia, eu tô querendo trocar uma ideia contigo, tô precisando tomar um café", e ela tava desempregada, precisando de uma mentoria, um coaching, só em ouvir, né, Marlon, uma pessoa que tá precisando, isso muda a vida dela, tá? Uma palavra de incentivo, uma palavra de apoio, pegar um currículo e dar uma espalhada por aí. Então isso eu sempre tive um cuidado maior. Minha agenda tava ferrada, mas se uma pessoa tava desempregada, precisando, eu sempre abri minha agenda de algum jeito para tomar café com essa pessoa, tá? Então isso é um negócio que eu concordo contigo, que não, quando a pessoa tá precisando, você tem que abrir mão da tua agenda. Eu gosto muito do conceito da rede, né, Marlon Silva Domingues? Não adianta construir rede quando você tá precisando. Então é mais uma vez conexão, quando você não precisa fazer relacionamento, quando você não precisa, é a para você se recolocar. Então é ativar tua rede, ativar essa turma que gosta de você, ex, ex-amigo, ex-companheiro de trabalho. Então eu diria que essa é a melhor forma de você colocar que você tá precisando de uma ajuda, precisando de uma oportunidade. Aí a turma que gosta de você vai realmente te dar uma mão e te dar um empurrão aí para que você se recoloque.
Legal, show de bola! Mais uma vez a conexão como um atributo, uma característica muito forte aí. Legal demais, show de bola! Pessoal, alguém tem alguma pergunta aí para o Gouveia? Tô vendo o chat aqui, as pessoas estão rasgando elogios. Eu queria saber se alguém tem alguma pergunta para o Gouveia nos nossos momentos finais aqui de live. Alguém quer perguntar alguma coisa, alguma curiosidade sobre a trajetória, sobre o que é ser CEO de uma empresa. Se alguém tiver uma pergunta, tem uma pergunta aqui.
O pessoal acha que ser presidente de empresa é bom. Não é ruim não, mas tem muito desafio, viu, Marlon Silva Domingues?
Eu imagino, eu imagino.
Engraçado, uma das minhas zonas de posicionamento foi essa. Eu queria fazer coisas diferentes ao longo da minha do meu dia. E quando você é presidente, né, de uma empresa, você tá naquele mesmo tema, naquele mesmo segmento, das 7 da manhã até 7, 8, 9 da noite. Então você tem pouca amplitude de território. Então não é tão simples. É glamouroso, é sexy, mas é muito trabalhoso. Não vou dizer que é ruim não, é bom, é bom que você pode influenciar muita gente, você tem a capacidade de influenciar muita gente, usar empresa para fazer o bem, tá? Mas é uma jornada muito pesada, é muito pesada.
Legal, show de bola! O Johnny Camargo perguntou: alguma palavra para alguém que está começando a empreender?
A persistência, velho, resiliência. Eu, eu tenho conversado com muita gente, né? Enfim, eu tô investindo em 8 startups agora e tem um maluco lá, até a Mafê conhece bem, que até não tá mais com a gente lá na Alia, mas ele me conquistou quando o Rog, quando ele disse que vendeu o apartamento que ele morava e foi morar de aluguel com o apartamento dele com a esposa e foi morar de aluguel, colocar o dinheiro dentro da empresa e fazer a empresa girar, tá? Então quando esse cara me falou isso, eu disse: cara, eu tenho que entrar nessa empresa para ajudar essa turma, eu tenho que estar junto desse cara. O cara que vende o apartamento que ele mora dele para ir morar de aluguel para enfiar o dinheiro dentro da empresa porque ele acredita tanto naquele sonho, é um negócio impressionante, a gente tem que estar junto. É condicional, tá? Com hobby. Então é Eu sou um cara que hoje cada vez mais já fui empreendedor 5 anos, né? Então eu já tive empresa e, cara, respeito muito quem tá empreendendo e quem quer empreender, porque é uma jornada dura, mas é uma jornada prazerosa, né? Você constrói um negócio do zero. Eu já tive 3 experiências de fazer coisas do zero, tá, corporativamente. Então eu terminei ajudando a montar múltiplos do zero Era um startup, né, quando a gente entrou lá com 12, 13 pessoas. Então foi uma jornada, uma aventura super gostosa de fazer. Depois a gente começou a Livelo do zero também, né. A Livelo comecei com Mauro e com Felipe, dois caras lá dentro do RH da Lelo, hoje a maior empresa de loyalty do Brasil, né. Então foi uma experiência também, uma aventura. E eu comecei a Veloi, que é empresa de tag, né, concorrente do Sem Parar e do do Connect Car. Então é, precisa de muita persistência, vontade, força de trabalho, resiliência, porque não é, mas é muito prazeroso, tá? E fazer do zero é muito legal.
Que massa! Pegou a dica aí, Johnny. Aí a Mafê fala o seguinte: qual o maior desafio do momento atual? Eu acho que talvez seja o seu, talvez o desafio desse momento da pandemia também?
Tem um desafio, Mafê, né? Já conversei muito com o Mafê sobre isso, né, que é o desafio da sanidade mental, né? As pessoas estão muito cansadas aí. Então é conseguir— a gente tá conectado, sei lá, 12, 14 horas numa tela, Então isso tem cansado muito, a gente tem perdido o conceito da cultura, da conexão, da cocriação, do cafezinho, do happy hour, do— empresas um pouco fragmentadas por conta do home office. Tem muita gente já começando— engraçado, eu tenho, eu tô ficando muito recluso, mas hoje eu tive uma reunião de conselho na MAFRE, eu sou conselheiro da MAFRE, E tava o CEO América Latina aí, ele, a primeira reunião dele no Brasil, ele acabou de chegar. E eu fiz uma reunião com todos os cuidados hoje de distanciamento, mas reunião presencial depois de um ano e meio. É completamente diferente, completamente diferente. Então ali tem body language, ali tem troca, ali tem. E quando você tá aqui é como se fosse um monólogo, um fez, né? Eu falo, você ouve. Você fala, eu ouço, tá? Então eu diria que para Mafê, ela é a nossa pessoa de RH da área, né, que cuida das pessoas. A gente tem falado muito isso, é: traga mais, junta mais, cuida das pessoas, liga. Eu tenho falado para os sócios da área: liga para as pessoas individualmente todo mês, tá? Liga para saber se tá tudo bem, pergunta "Oi, Marlon Silva Domingues, tá tudo bem? Como é que estão as coisas? Como é que tá?" Porque tem sido cansativo. Então, mais uma vez, né, Marlon, já que você pegou com muita força, cultiva as conexões mesmo numa época difícil. E um telefonema ao vivo para um funcionário faz toda a diferença, para saber como ele tá. Pergunta como é que ele tá, não liga para cobrar, liga só para saber se tá tudo bem. Então isso faz muita diferença, tá?
Que massa, espetacular! Eu acredito muito nisso, eu acredito muito nisso. Acho que a gente ter essa capacidade de olhar para o ser humano, para aquilo que tá precisando, e deixar um pouquinho de lado as cobranças, as entregas, resultados, isso é um baita de um combustível para que o resto aconteça na sequência. Então acho que vale a pena dedicar um tempinho.
Acontece naturalmente, Que as pessoas, eu falava muito, né, eu tinha um mantra também que felicidade dá lucro, né. Ou seja, trabalha felicidade, felicidade dá lucro. Ou seja, as pessoas felizes produzem um pouco mais, mais engajadas, mais alinhadas, então elas podem mais uma vez, porque faz com muito prazer, né. Então você tá feliz, você termina fazendo sem sentir, né. Então é Cuida da felicidade dos funcionários, cuida da sanidade dos funcionários. Não tá sendo fácil, não tá sendo fácil.
Muito legal, show de bola! Que massa, galera! Que papo, para mim, assim, repleto de inspiração, de conhecimento, e sempre agrega, né? O Gouveia tem Eu fiz uma lista de coisas que eu fui anotando aqui do que você foi falando. Algumas provavelmente já vão virar mantra. Gostei demais sobre ritos e símbolos, gestão em ritos e símbolos. Isso gravou, tá? Isso ficou forte, da mesma forma que gravou a ligação para os 3 mil funcionários aí. Sensacional! Uma outra coisa que você falou que eu peguei aqui é: me doar sem esperar nada em troca. Eu acho que essa é uma mentalidade de crescimento genial para quem é líder. O líder tem que se colocar nessa postura. Se você quer se liderar, Cristo, tá assistindo a live aqui, tenha essa consciência: liderança é sobre você não esperar, né? Não é sobre você mais. É igual ser pai, é igual ser mãe, não é mais sobre você, é sobre o indivíduozinho que tá ali, que vem aqui, vem aqui, vem ao mundo. Então acho que isso é a essência, a conexão é muito forte em estar numa posição de liderança, seja familiar, seja corporativa. Muito bacana, Gouveia, espetacular, vários insights aqui, aprendizado.
Que bom, obrigado, Marlon Silva Domingues. E é isso, eu acho que esse conceito do líder, sabe, tão batido, mas do líder servidor, né, que tá sempre à disposição, que tá a serviço da companhia, dos funcionários, é fundamental. E você é pai agora, né, então a paternidade, a maternidade ensina muito, cara, assim, como de como você ter maturidade na gestão. Minhas filhas ensinam para mim todo dia, elas são duas já mulheres de casa, e é muito louco porque tem ensinamento todo dia, né, de como você engajar, de como você se relacionar. Enfim, eu gosto muito de trabalhar com pais e mães porque termina ficando uma pessoa um pouco mais madura.
Muito legal, muito legal. Galera, vou começar a me despedir do Gouveia aqui, já deu nosso horário, 10 horas da noite. Gouveia, cara, minha gratidão demais por teu tempo, por você estar doando esse tempo aqui para poder impactar as pessoas, né? Se uma pessoa receber uma mensagem aqui que dá uma luz, dá um insight, ela consegue fazer algo diferente, eu acho que já valeu muito a pena. Então, meu querido, mais uma vez, muito obrigado pelo seu tempo, pela tua doação. E por você ser esse ser humano que você é, viu? Um carinho enorme por você. E pessoal também que esteve presente aqui, muito obrigado pela audiência. Qualquer pergunta, redes sociais, LinkedIn, Instagram, conte comigo, conte com o Gouveia também.
Legal, Marlon, obrigado, obrigado pelo carinho, pelo convite, pela acolhida. E vamos junto, e vamos se conectar pelo LinkedIn aqui. O pessoal que tá assistindo, conecta e vamos se manter conectado. Já conecta com o tema da conversa da gente.
Exatamente, conexão. Obrigado, gente. Obrigado, Gouveia. Aquele abraço, boa noite a todos.
Valeu.









