Papo com especialista: Márcia Wolff

In this live interview hosted by Marlon Silva Domingues, technology executive Márcia Wolff shares her professional journey and her philosophy on leadership, digital transformation and people development. She recounts starting her career in mainframe banking, moving through the telecom sector (Bozano Simons, TL, Vivo, Oi) and finally into insurance (AXA), emphasizing that she sees herself first as an "executive of people". Throughout the conversation she stresses the importance of personal protagonism – taking charge of one’s own career plan and agenda – and of cultivating an ego‑free, experimental mindset where failure is tolerated and learned from. Márcia describes concrete initiatives she led, such as a 10‑minute coaching model, mindfulness and meditation rooms at Vivo, and a blended focus on both customer and employee delight. She discusses the challenges of balancing hard and soft skills, the need for diverse, multidisciplinary teams, and the differences between digital transformation in mature telecoms versus emerging insurance markets. The interview concludes with practical advice for listeners: listen with the heart, pursue work that creates a "cold‑shiver" excitement, read regularly, and embed happiness, humor and empathy into one’s career path.
Chapters
E eu queria apresentar para vocês Márcia Wolff. Márcia, fala para gente um pouquinho aí quem é você. Seja bem-vinda, sinta-se em casa.
Olá, boa noite! É uma delícia estar aqui com você, Marlon. Quando você me convidou, fiquei super feliz, me senti honrada. E que bom, né, poder dividir um pouquinho esse programa lindo que você tá fazendo, né, tentando cada vez mais conectar as pessoas, né, as pessoas se conhecerem. E buscarem o que vão te fazer feliz. Eu sou Márcia Wolff, sou uma executiva de tecnologia, mas eu brinco que eu sou uma executiva de tecnologia apaixonada por pessoas. Então, no final do dia, o que eu sou mesmo é uma executiva de pessoas. É isso que eu queria te contar. Não tá no meu currículo não, mas é isso que me faz feliz. Muito bom estar aqui com você, contando um pouquinho da minha experiência.
Que sensacional, que sensacional! E para começar, eu queria dizer assim, como é que eu conheci a Márcia? Depois a gente vai falar um pouquinho mais dela, mas eu tive oportunidade durante a minha carreira, já que esse papo é sobre carreira, de poder experimentar um modelo que eu tinha desenvolvido com algumas pessoas dentro da empresa, da CIT, no contexto que a Márcia trabalhava. A Márcia trabalhava nessa época uma grande empresa, depois ela conta um pouquinho, não vou dar spoiler aqui, e E eu tive a oportunidade de levar um produto que naquela época era o coaching em 10 minutos para um grupo no qual a Márcia fazia parte. Então eu tive contato e pude conhecê-la e ver o ser humano maravilhoso que ela é. É por isso que ela tá aqui hoje, porque eu sei que ela pode inspirar muito vocês na jornada profissional que vocês estão buscando, seja em transição, seja em realocação, seja em qualquer processo de desenvolvimento que você esteja olhando para si. É importante olhar para si, é muito importante. Então, Márcia, fala uma coisinha para gente. Vamos falar um pouquinho da sua trajetória profissional. Em que que você é formada? Como é que você começa a tua carreira, Márcia? Fala um pouquinho.
Como é que eu começo, né? Eu começo pensando o que que eu vou fazer, né? A gente vê hoje os jovens tão novos, né, desde aquela época, tanto que já decidiu o que queria. E eu sempre pensei que eu queria transformar o mundo, que eu queria fazer coisas que gerassem muito impacto. E na época começou a se discutir muito tecnologia, tecnologia, eficiência da computação. Olha, eu comecei com tecnologia, eu fiz estágio na aeronáutica, fiz estágio em bancos, eu comecei trabalhando ainda com mainframe, né? Então muitos daqui nem sabe o que que é mainframe, mas eu ainda fiz muita coisa numa tecnologia bem arcaica. E lá atrás, né, trabalhando com mainframe, trabalhando em bancos, né? Eu trabalhei em dois bancos no Rio de Janeiro. Eu comecei a ver que no final do dia a tecnologia era transformar, tecnologia era transformar pessoas. E aí eu fiz um MBA em gestão empresarial, porque eu sempre gostei muito de ter uma visão generalista. Quando eu falo da minha carreira, eu acho que eu comecei com uma visão técnica, eu comecei com a experiência técnica, Então eu tive a parte de mão na massa e logo depois eu fui para uma pegada mais de liderança, mais de gestão empresarial, mais de uma visão generalista. Eu tenho dois filhos, então brinco que também é minha profissão, os meus maiores desafios são os dois filhos, né? Porque quem tem filho adolescente então sabe o desafio que é, né? São os projetos mais complexos que não vem com nenhuma bula e ninguém para te ajudar, né? Você e eles mesmo. E o que que eu posso contar mais da minha trajetória? Eu comecei em banco e quando lá atrás a gente teve a privatização de Telco, eu achei que era importante mudar de mercado e eu queria ir para o mercado em ascensão, mercado em ebulição. E eu acho que aí começa o meu primeiro ponto quando a gente fala, né, de carreira: você tem que ser protagonista da tua carreira, né? Eu escuto Muitas vezes, quando a gente faz uma leitura de ambiente nas empresas, alguns colaboradores perguntaram: "Mas qual o plano de carreira? Qual o meu plano de carreira?" E eu falo o seguinte: "O teu plano de carreira é você que vai definir, mais ninguém." Não existe um plano de carreira pronto nas empresas e você vai seguir aquela trilha. Você tem que buscar a sua trilha, com treinamentos, com o que te faz feliz. E aí que a gente se conheceu, né, pensando como é que a gente faz um ambiente feliz dentro de grandes empresas, dentro de grandes desafios e muita pressão, como é que a gente traz também a felicidade.
Espetacular, sensacional, muito bacana. Só um parênteses, é muito legal você falar sobre protagonismo porque acho que isso é muito forte na minha jornada profissional também. É uma palavrinha hoje que tá muito forte no mercado, né? Muito se fala disso, mas eu vejo que ainda pouco se aplica, né? O protagonismo das pessoas ainda é confundido sobre o que de fato é ser protagonista. E quando eu te conheci, é tão interessante, quando eu te conheci entregando aquele treinamento, né, para vocês de liderança e coaching, eu tava sendo protagonista porque aquele treco não existia no contexto que eu vivia, na empresa que eu trabalhava, na empresa que eu trabalho na verdade, né? Também tendo como base a formação em computação, eu jamais imaginei que na minha vida eu ia migrar para o RH e que dentro do RH eu ia começar uma jornada no qual de verdade ia fazer meu coração pulsar, que era relacionar pessoas, criando projetos e formas estratégicas de alavancar o desenvolvimento humano. E quem sabe vai se cumprir. Então foi assim espetacular, acho que Esse é um ponto já que eu tico aqui no meu checklist sobre a palavrinha protagonismo. Galera, guarda essa palavrinha porque isso é espetacular. Mas continua.
E aí eu vou contar também que na verdade eu fui cobaia, né? Porque foi o primeiro treinamento fora da empresa que o Marlon deu, né? E foi sensacional, né? A gente desafiou a empresa que o Marlon trabalha a fazer um treinamento, a trazer a cultura do mindset de pessoas, do mindset de liderança Lean para dentro da empresa onde eu trabalhava. Eles falaram: "Ah, tá bom, tem um treinamento que a gente dá interno que eu acho que a gente pode dar para vocês." E foi um sucesso, foi um espetáculo. Teve gente chorando, teve gente se transformando, repensando o que faria. Foi muito legal mesmo, foi muito— tiveram momentos muito marcantes, né? E dali também depois eu fiz mais coisa, né, divertida, né? Na época eu trabalhava na Vivo, então eu trabalhava na Vivo e com tecnologia, com muita pressão, muita coisa para fazer. E o Christian sempre foi uma pessoa muito ligada à qualidade de vida, né? A foco no presente, a pensar no que era mais importante. E aí você acaba ligando tudo isso muito para o mundo de mindfulness, para o mundo de você meditar, praticar uma yoga, ou sei lá, ir para praia, parar e pensar em você mesmo, né? Porque a gente cada vez mais coloca as nossas agendas ocupadas, ocupadas, ocupadas, e não tem tempo para pensar, né? Tem que escrever na agenda, né? Tempo para pensar, né? É tempo para pensar e tempo para pessoas. Eu acho que são duas coisas, né? A gente falou de protagonismo. Eu acho que uma outra coisa que eu sempre tomei muito conta na minha carreira foi tomar conta da sua agenda. Então, você tem o seu plano de carreira, ninguém vai fazer um plano de carreira por você. E você tem que tomar conta da sua agenda, né? E a sua agenda pode impactar muita gente. Mas voltando no que eu fiz de divertido, Aí logo depois desse treinamento que eu falei, pô, se a gente pode parar vários executivos da empresa para pensar como é que somos líderes melhores, por que que a gente não para também uma parte da empresa para pensar como somos pessoas melhores, né? E aí a gente tinha lá na Vivo, tem ainda, uma sala enorme de meditação que era muito pouco usada. E aí eu comecei a fazer várias sessões, trazer pessoas para guiar meditação, para guiar pensamentos, para guiar uma yoga. E aí foi muito legal, porque cada hora eu fazia uma turma com um grupo diferente. E aí depois já começava o pessoal: "Márcia, quando é que vai ter o próximo?" Então acho que isso é muito legal, você buscar no seu dia a dia algo que não seja mais do mesmo. Como é que você impacta? Como é que você faz um ambiente mais feliz? E eu acho que eu deixei uma marca muito gostosa no time da Vivo. Foi muito legal.
Olha que massa! Deixa eu fazer um parênteses. Então assim, ó, Márcia era diretora de transformação digital da Vivo, mas a Márcia tá contando pra gente aqui sobre a humanidade que ela colocava nas equipes e nos contextos que ela trabalhava. É isso mesmo? Faz sentido isso?
É isso mesmo, porque o que eu sempre falo É que tecnologia tem um monte, mas você saber tirar o melhor da tecnologia, tirar o melhor das pessoas, não é para qualquer um. E eu acho que é isso que a gente precisa cada vez mais parar para pensar, porque se você tem um super time, você tem tecnologia e você ainda consegue tirar o melhor das pessoas, você tá no melhor dos mundos, né? Então acho que foi aí que eu fui me sobressaindo, né? Ou sei lá, eu fui guiando a minha carreira, né? Como é que eu usufruo melhor de tecnologia, que eu amo tecnologia, eu adoro inovar. A gente fez uma transformação digital muito legal na Vivo e a Vivo continua numa pegada sensacional, né? Líder de mercado, uma empresa que tá sempre à frente, sempre pensando tecnologia. Eu lembro quando o Christian me convidou para, né, o Christian, André me convidaram para essa posição para tocar a transformação digital, se pensava em acelerar a transformação digital. E 2 anos e meio depois vem a pandemia. Gente, se a gente não tivesse se preparado naquele momento, não tivesse superestruturado, a gente não teria surfado nesse momento, né? Então, foi um momento onde várias empresas se retraíram e a gente conseguiu usufruir o que a gente tinha antecipado, né? O que a gente tinha construído de ambiente tecnológico E de pessoas com mindset de inovação. Eu acho que esse também é um outro ponto importante. Como é que você equilibra uma empresa na questão da ambidestradia, as empresas ambidestras? Como é que você liga o business as usual, porque a empresa não pode parar, Mas você também inova, porque senão você é engolido por alguém, ou engolido por vários. O que você vê muito hoje, cada vez mais na revolução tecnológica, é que não é um que come o teu mercado, são vários que beliscam o teu mercado com inovações diferenciadas e você acaba ficando para trás. Então, acho que você ter o business as usual rodando bem e você estar à frente pensando em inovação É um outro super diferencial. E como é que você inova? Parando para pensar.
Perfeito, sensacional, sensacional. Ó, galera, vocês que estão aqui assistindo essa live ao vivo, vocês podem fazer perguntas para Márcia, tá? Então quem quiser perguntar, saber alguma coisa, deixa a perguntinha aí que daqui a pouquinho ela responde. Ô, Márcia, continuando, né, quais foram as principais empresas que você passou e o que que você acha que você aprendeu de mais valioso enquanto carreira, enquanto jornada nessas suas passagens por essas empresas?
Acho que eu posso citar alguns exemplos divertidos, né? Eu muito nova trabalhava no banco aqui no Rio e minha filha nasceu. Depois que a minha filha nasceu, voltei da licença-maternidade, eu pensei: ah, eu acho que eu quero um desafio novo. E aí eu mudei de banco, eu fui para o Bozano Simons, e o Bozano Simons tinha acabado de comprar o Meridional e tava num projeto, na época chamava projetão, que era um projeto de automatização. E trazendo um pouquinho, né, o Bozano Simons era um banco super arrojado, era um banco de investimento que tinha muita tecnologia, é uma garotada jovem automatizando. E o Meridional era uma estatal do Sul, né, com uma outra pegada. E aí eu tive que montar um time multidisciplinar, com um time do Sul, do Meridional, e o time jovem do Bozano Simmons, para fazer automação bancária naquela época. Eu acho que a primeira grande experiência e o primeiro grande aprendizado Foi o quanto a diversidade é enriquecedora para você que tá dentro dela e para os outros em volta. Então, eu mesclar um time de pessoas mais com mais idade, mais experientes, que tem uma super colaboração com pessoas mais novas, mais jovens, arrojadas, que estão aprendendo, mas com maior garra. Você mesclar esses dois times foi uma super experiência. A gente fez um projetão lindo no Meridional, foi muito legal. Depois eu fui para a TL. A TL hoje em dia, claro, a TL foi uma das que lançou o mercado de telco no Brasil. Só que quando eu fui para a TL, eu fui para a TL depois do lançamento da TL, eu não peguei o dia 1. Da ATEL, o primeiro dia que começou a vender telefone. Eu não sei se todo mundo lembra, mas antigamente, ou vários nem sabem, não existia telefone celular, né, gente? Houve um momento de não existir telefone celular.
Há 20 anos atrás, galera, não existia live.
Não existia telefone celular. E aí tinha uma fila para você começar a comprar telefone celular. E eu fui para a Tele depois do lançamento da Tele, então não peguei esse day one, que foi o dia que começou a vender telefone celular. E eu fiquei na Tele um ano e meio, fiz uma construção muito legal em serviços de valor agregado, a gente fez muita coisa após o lançamento. E aí veio a Oi, e um amigo meu tava na Oi, me convidou para vir para Oi. E ele falava: "Não, mas você tem que vir para a Oi, porque você vai pegar o day one da Oi. Você vai lançar a Oi junto comigo." E você fazer startup de uma empresa da magnitude que é a Oi, olha, é uma experiência que poucos vão poder contar. Realmente, em menos de um mês, 1 milhão de clientes. Sabe? Foi uma coisa assim de louco, né? Porque você monta uma estrutura de uma empresa, você pensa que ela vai crescer linear. Não para você dar um boom de 0 para 1 milhão de clientes. Então foi uma experiência muito legal, porque quando você faz um startup você tem aquela questão de você não tem onde se pegar, né? Porque todas as áreas da empresa estão se montando junto, né? Então você tem que, tá bom, não tem esse processo, então vamos lá e vamos criar junto esse processo. Então uma experiência sensacional de passar por uma startup. E na Oi eu passei por vários processos de merge, que a gente juntou Oi e Telemar, que era fixa com móvel. Depois a gente juntou com a BRT, que era uma empresa do Centro-Oeste de telco, com mercado muito parecido, com profissionais muito parecidos. E aí aquele momento de escolhas difíceis, né? Você faz um merge, você tem que escolher profissionais, tem que escolher processos. E aí você também aprende cada vez mais a ter cuidado com as pessoas, né? Porque um dia você é comprador, outro dia você é comprado, né? E eu já tive dos dois lados, né? Então, logo depois, a Portugal Telecom entrou na Oi, também eu tava comprada. Então eu tinha que esperar o que um decidir fazer. Então acho que também vale a gente parar para pensar o seguinte, né? A gente não é nada, a gente está. Ah, eu sou? Não, nada na vida a gente é, né? Porque tudo passa, tudo muda em um segundo, né? Então você está, você está numa posição hoje, amanhã pode estar em outra, e a vida se transforma muito rápido. E depois, e depois da Oi, eu fui para Vivo no convite também, no almoço, um convite de um grande amigo que falava assim para mim: "Marcia, para com essa palhaçada de só Rio de Janeiro, você tem que vir para São Paulo e você tem que vir para vivo." Aí eu falei: "Então tá bom, então acho que eu vou desbravar São Paulo." E fui para São Paulo e foi uma delícia, porque no início de São Paulo eu não sabia ir para empresa, eu não sabia onde era o banheiro da empresa e não sabia a cultura da empresa, né? Então foi tudo uma novidade, né? Quase uma adolescente morando sozinha em São Paulo. Foi uma experiência muito legal.
Quanto tempo você ficou na Vivo, Márcia?
Fiquei 4 anos e meio. 4 anos e meio. E aí você completa 20 anos de telecom e aí você pensa assim: será que não tá na hora de mudar? Será que não tá na hora de você ir para um outro mercado, desbravar um outro mercado? E aí a AXA me achou, a AXA me pescou para fazer a transformação digital, para fazer a transformação no mercado de seguros, que é um mercado que tem muita oportunidade, que tem muito a evoluir, tem pessoas sensacionais sedentas por beber dessa tecnologia que telco tá tão evoluído. Então eu tô aqui desbravando o mundo novo.
De volta no Rio de Janeiro?
Não, São Paulo. São Paulo. Mas vamos, se convenhamos, né, Marlon? Depois dessa pandemia você não tá mais em lugar nenhum, né?
É isso, é verdade. Você pode estar em qualquer lugar.
A gente aprendeu a trabalhar em distância, quebrou aquele paradigma que a gente tinha que a equipe tem que estar sentado junto para produzir. Gente, quantas vezes eu defendi espaço físico porque o time tinha que estar junto. E olha o que a pandemia mostrou pra gente, né?
Totalmente oposto. Isso é muito legal. Essa é a revolução digital, né? E a evolução do pensamento do ser humano, né? Sobre a utilização de recursos, né? De tecnologia como meio para que a gente possa continuar realizando nossas tarefas. Olha que legal! Uma curiosidade: você falou da Portugal Telecom, eu lembrei que uma das minhas primeiras experiências de entrevista durante a faculdade Eu fui para São Paulo, que naquela época para mim, naquela época, ano 2003, era o mistério da fé ir para São Paulo. Peguei um ônibus de Campinas, fui para São Paulo, porque eu sou de Campinas também, né? Então vim fazer faculdade aqui, então a cidade grande para mim era uma coisa de louco. Ir para São Paulo era algo, meu Deus, né? E eu fui de ônibus fazer entrevista na Portugal Telecom, e foi um evento para mim, porque todas as entrevistas que as pessoas faziam naquela época Era todas relacionadas à programação. E na Portugal Telecom apareceu a primeira entrevista, oportunidade para ser um engenheiro de software, né? E você trabalhar muito mais focado em requisito, análise e tudo mais. E eu falei: "Pô, quer saber? Eu vou fazer." Mesmo estando no primeiro ano de faculdade. E obviamente cheguei lá, eles queriam uma pessoa de terceiro ano de faculdade, não rolou. Mas eu fui a um evento para a faculdade, na volta alguém tinha encontrado uma vaga diferente e era na Portugal Telecom. Então foi bem bacana. Olha como as coisas são engraçadas, né? Minha primeira experiência.
No final todo mundo se encontra, né, em algum momento.
Todo mundo se encontra. Márcia, aproveitando o gancho, você falou de transformação digital, fala um pouquinho o que que é essa loucura aí, não sei se todo mundo conhece, o que que é transformação digital e qual que é seu papel nisso hoje?
Eu brinco que a transformação digital é muito mais uma mudança de mindset do que de tecnologia, né? Porque a gente a gente já vive no mundo digital, né? E quando a gente fala o que é uma transformação digital, é você realmente empoderar o seu cliente, é você realmente colocar todas as ferramentas na ponta para o seu cliente se autoatender, e você mudar o mindset das companhias e das pessoas de fazerem as coisas a longo prazo. Pensar que cada vez mais, cada vez mais, o mundo é corrido. E você tem que fazer entregas aos poucos e você tem que testar o mercado, né? A gente não tem mais espaço para ficar 6 meses para botar um produto no ar, porque as companhias estão evoluindo, as pessoas estão evoluindo. E cada vez mais eu vejo assim, hoje em dia, né, a galera que tá saindo da faculdade, muitos estão empreendendo. E esses empreendimentos vão ser várias empresas que vão tá comendo um pedacinho dos clientes das grandes empresas, né? E as grandes empresas vão ficar 6 meses, 1 ano para lançar um produto, enquanto eles vêm em 2 meses, já colocam MVP no mercado. Então, a transformação digital, ela vem muito mais do que tecnologia, né? Ela vem trazer um mindset ágil, ela vem trazer um mindset que a gente fala muito tempo, mas tem que bater sempre, né? Cliente é o rei, né? No final do dia, a gente está aqui para atender o cliente. Então, como é que você constrói uma empresa focada no cliente sempre, né? Como é que as ações, como é que as atitudes, como é que os produtos estão sempre focados no cliente, né? E focado em que o cliente sinta prazer em estar com você. Porque quando você olha, por exemplo, Intelco, em seguro também, Cada vez mais os produtos são commodities, né? Então o que que te faz escolher uma empresa e outra? É um bom relacionamento com essa empresa, é o Brilliant Basic funcionar, e de repente a empresa te surpreender, te surpreender com atendimento extraordinário quando você precisa, com uma ferramenta que funciona na ponta da mão, né, ali na ponta do seu dedo, você poder resolver. Acho que a transformação digital tem isso daí. É sim uma transformação tecnológica, é sim você cada vez mais ter ferramentas ágeis na ponta com o cliente, você cada vez mais fazer um cross industry, porque eu vejo muito uma evolução do mercado indo para um cliente que tem telecom e tem seguro também e tem banco. Como é que esse cliente vai querer ser servido? Ele vai ter 400 apps no celular dele ou será que ele vai ter um hub digital? Aí começam as discussões de como é que a gente evolui para um hub digital para você ser a conexão que o cliente pensa, né? Quando pensa em produtos digitais, pensa em você. Então acho que tudo isso entra dentro de uma transformação digital.
Que show, sensacional! E aqui já aproveitando, já chegou uma mesma pergunta uma pergunta para você. Deixa eu colocar aqui, ó. Wesley Marinho: qual o comportamento soft skill mais comum e desafiador para uma transformação digital? Na tua perspectiva, o que você acha?
Wesley, sensacional a pergunta. Para mim, o cara que quer fazer a transformação digital, ele tem que ser ego free, total ego free. Ele tem que saber que é vulnerável, que vai errar, tem que abaixar a cabeça quando errar, levantar e consertar. Então, para mim, um dos principais soft skills para transformação digital é ego free, total.
Que tem muito a ver com essa capacidade que o pessoal fala bastante, né, de errar cedo, né, mas experimentar e errar, aprender com o erro e fazer pode acontecer. Eu vejo que ainda, Márcia, das transformações que eu acompanho, essa questão de errar ainda é um grande problema, né? As pessoas parecem ainda ter aversão com essa questão de experimentar e errar, e não chegar lá e colocar o dedo na cara do time e falar: pô, mas por que que vocês erraram esse negócio? Não podemos errar! E a data?
E o cliente?
Como é que faz? Eu vejo que ainda isso é perturbador para cabeças de pessoas que vem dos modelos mais antigos de liderança ou de gestão ou de projetos, né? Como é que você vê isso? Como é que você viveu isso aí dentro do contexto da transformação digital que você enfrentou na Vivo, por exemplo?
É o grande desafio, né? Porque você fala assim: como é que você vai errar? Você não pode errar numa conta do cliente, né? Não posso mandar uma conta errada. Mas eu posso sim ter um serviço que sai do ar de repente. Porque eu tentei inovar esse serviço. Então, eu acho que o errar e o inovar e o desafiar, você também tem que ter discernimento aonde você deve arriscar e aonde você não deve arriscar. Fazer pilotos. Quando você olha a Amazon, quando você olha uma Amazon da vida, se você pensa que você está navegando da mesma forma que todo mundo, você está super enganado. Eles têm sempre 3 formas de navegar Eles estão sempre testando, pilotando uma forma nova. E aí tem alguém que tá se ferrando porque tá dando zebra, para ver como funciona aquela jornada. Então essa coisa também do errar, você acaba se cercando de tecnologia e de processos que te ajudem a errar com menor impacto.
Que da hora, que legal! Tem uma coisa assim que eu tenho lido bastante uma classificação sobre tipos de erro ou tipos de mudança. Então tem a mudança que ela é a mudança hard change, mais difícil, e tem a easy change. A gente é mais conectado na easy change, né? E a easy change é aquilo que a gente já sabe mudar, é o mais legal, que é aquilo que você fala: pô, tem um desafio, mas eu sei fazer, então ela é easy change. A hard change é comparado a você ter que trocar o sistema operacional de um computador, e a easy change é você instalar uma app hoje. E aí, o que acontece? As pessoas tendem a investir sempre na easy change. Easy change é presente, hard change é futuro. O que eu quero dizer com isso? Que essa possibilidade das pessoas poderem errar é algo para o hoje, porque o futuro a gente vai conseguir fazer algo bem diferente, muito mais, com muita mais propriedade, com muito mais desenvoltura, mas é preciso fazer essa easy change essa hard change hoje para que no futuro vire easy change. Então assim, esse é um dos trabalhos que eu tenho, uma das questões que eu lido muito com esse mindset da transformação digital é se permitir a verificar, obviamente, o tipo de risco, o tipo de erro que você vai fazer. Não é sobre ir lá e apertar o botão, tocar fogo na conta do cliente e falar: "Ah, eu só errei porque disseram que eu tinha que experimentar." Não é sobre isso, obviamente. A gente fala muito sobre a ecologia dos erros. Como é que você faz isso com uma visão sistêmica, sabendo dos impactos? E um outro ponto interessante é as pessoas terem o protagonismo ou accountability de: "Pô, eu assumo a responsabilidade nisso. Eu tenho consciência que eu vou arriscar fazer isso, mas eu também me responsabilizo." Por quê? Porque uma coisa que aparece fortemente nesse mundo de experimentação é o vitimismo. "Ah, mas foi você, Márcia, que pediu para eu fazer. Agora você vem falar que está errado?" 'Então a culpa é minha?' Então as pessoas têm ainda esse mindset de cair nesse buraquinho, né, de se vitimizar um pouco mais. Mas muito legal. Ó, tem mais perguntas chegando, a galera tá aquecendo os motores aqui.
Oba, tô gostando, mandem perguntas!
Você viu?
Vitinho! Vitinho!
Ó, conhece, então eu não vou nem ler, você vai ler a pergunta, você já conhece.
Não, mas eu não sei a pergunta dele, não vejo o Vitinho há muitos anos.
Pergunta deles é a seguinte: falamos do encantamento de cliente, mas entendo isso que isso também é um reflexo de encantamento dos colaboradores. Como você tem trabalhado nesse processo de encantamento de colaboradores, Dona Márcia?
Perfeito, perfeito. Você sabe que aí eu tenho quase que tava combinado. Você sabe que quando a gente fez, quando assumi a cadeira de transformação digital da Vivo, Junto assumi uma cadeira de atendimento aos colaboradores da Vivo. Por quê? Eu não vou fazer transformação digital para fora e os meus colaboradores não vão ter a transformação digital para o dia a dia deles, para ter melhores ferramentas e uma melhor forma de atuação interna. Então, a gente fez, a gente botou dentro de uma mesma área um time que cuidava do cliente externo e cuidava também do colaborador. Porque sem dúvida nenhuma, eu acho que tem dois pontos aí, né? Você encanta o colaborador, ele ajuda a emanar essa paixão para fora da empresa. E o outro ponto que para mim é fundamental: as pessoas têm que trabalhar felizes, o ambiente de trabalho tem que ser feliz. Sabe, você tem que fluir. Acho que acabou aquele momento ou aquele pensamento, né? Eu vou contar uma coisa engraçada. Eu, quando trabalhava, não vou falar onde não, porque vai que tem alguém na vida e lembra, e vai, ele me mata. Mas eu tive um chefe uma vez que ele ficava às 9 horas da manhã na porta do elevador para ver quem chegava atrasado. Gente, não existe mais isso, né? Como é que você controla o horário de alguém? Ou você é aquele ambiente escravo, né? Você era quase escravetista, né? Você era um escravo, né? Você tinha horário para trabalhar, batia aquele horário, você ia embora. E você não tinha que estar feliz, você tinha que produzir, né? Tinha que mandar um monte de e-mail, tinha que fazer um monte de coisa. Hoje em dia, cada vez mais você pensa em resultado. E as pessoas mais felizes, gente, é claro, as pessoas mais felizes têm o melhor resultado. Vitinho, tenho certeza que você é feliz, que você foi feliz trabalhando comigo. E é isso, a gente tem que cantar os colaboradores. Eu tenho uma, e aí o que o Marlon falou, né, desse treinamento que a gente fez de liderança ali, fala muito disso, né, de você escutar, de você tá perto, de você propiciar um ambiente onde as pessoas se desenvolvem, onde as pessoas fluem melhor.
Muito legal. É uma coisa tão bacana que você falou no começo, né, sobre o espaço que a Vivo tinha de mindfulness, meditação. Foi uma das coisas que encantou muito a gente do nosso lado também na CIT, quando a gente falou: pô, a gente precisa ter um espaço como esse, pô, um negócio legal para as pessoas poderem trabalhar um pouco mais a questão emocional. E olha que interessante, Essa questão, Márcia, é a questão que se faz mais presente hoje no mundo corporativo, né? A questão da saúde emocional, da saúde mental é algo extremamente vivo, né? E que as empresas estão quebrando a cabeça de como estruturar isso no meio dessa pandemia toda. Então assim, é muito bacana essa pergunta que o Vitor fez, no cuidado com colaborador, lá atrás vocês já estavam olhando para isso, de uma forma ou outra vocês já estavam cuidando dessa perspectiva.
Todo mundo em seção de mindfulness e buscando, né? Buscando escutar, né? Eu gosto muito do managing by walkaround, sabe? Eu gosto muito de estar perto do time, de escutar, de trocar, sabe? Porque no final do dia eu acho que o líder e os líderes das empresas têm que propiciar espaço para o time trabalhar, espaço para o time gerar resultado, né? Acabou aquele momento onde a gente achava que a gente gerava resultado. A gente não gera resultado nenhum, a gente gera resultado através do time, fazendo o time estar feliz e fluindo, né? E é isso que eu prezo muito, né, por esse encantamento.
Muito legal. Hoje, eu, antes do nosso encontro, tava dando uma pedalada e eu tava ouvindo podcast, eu tava ouvindo o EmpreendaCast. E aí eu tava vendo uma reportagem com a Karine Ross e ela fala sobre a maior dificuldade hoje do ser humano, pesquisa analisada por Harvard e tudo mais, que é escutar. A maior dificuldade do ser humano hoje, das lideranças, é sobre escutar. E aí você falou sobre estar presente, mindfulness, eu vejo que esse talvez seja um dos grandes recursos que as empresas deveriam cada vez mais observar, se equipar e proporcionar meios de a gente trabalhar esse tipo de Competência, mais do que competência técnica, o saber escutar, o estar presente. Porque veja, hoje eu tô fazendo a live aqui, tem 4 ipaetipa na minha frente. Muitas pessoas trabalham o dia todo assim, é o celular, é o iPad, e você nunca tá presente nas questões, nas reuniões. E é por isso que muitas vezes a gente, né, acaba sendo fumaça da cabeça. Então saber escutar é algo extremamente poderoso, e ainda é algo que o ser humano precisa precisa treinar bastante, ainda mais com esse monte de informação e tecnologia em volta. Ó, pode falar, pode falar.
O mais engraçado é que a gente nasceu com dois ouvidos e uma boca, né? Que acho que alguém já tinha pensado, né? Você tem que escutar mais do que falar, né? E a gente tem essa, mas existe um aprendizado também, né? Eu acho que o mundo tá indo para o escutar, para empatia, Fala, temos mais uma pergunta?
Temos mais duas, temos mais uma do Wesley aqui agora. O mindset ágil, gestão ágil não promove o suicídio do atendimento humanizado nas relações diárias das empresas? Como chegar ao ponto de equilíbrio?
Muito boa, Wesley. Eu não entendo dessa forma, tá, mas eu acho que é uma boa discussão. Eu entendo como Quando você leva cada vez mais o atendimento digital, você deixa o atendimento humanizado para os problemas que são mais sérios. O basicão você automatiza. Então sim, você tem sempre que ter um suporte do atendimento humano, porque vai ter um momento que você precisa. Então ele não acaba com atendimento humano, mas ele sim guia o atendimento humano para atividades mais complexas, as atividades que precisa realmente de um diferencial.
Legal, show de bola! Wesley, que é um grande coach aí do mercado, tem uma vivência gigantesca na área de RH, mentor. Bacana demais, Wesley, gratidão pela tua presença. Tem mais perguntas chegando, você topa?
Topo, vamos lá, adoro, adoro!
Tem uma pergunta aqui de uma De uma pessoa chamada Adriana Moura. Você conhece?
Conheço.
Ela pergunta: maior desafio que temos na transformação e no crescimento ágil é a confiança nas pessoas, porém esse equilíbrio creio que não seja tão fácil. Como resolver isso?
É, Adri, eu acho que esse é um ponto, é um ponto-chave, né? Eu, por acaso, esses dias eu tava Eu agora fui para— mudei de empresa, entrei numa empresa nova, e uma das coisas que eu falei é o seguinte: vocês têm que confiar, tem que confiar que vai funcionar e fazer acontecer. Então eu acho que a gente precisa cada vez mais bater na tecla do confiar, né? Eu acho que teve um momento que a gente sempre desconfiava antes de confiar. Eu acho que agora a gente está cada vez mais se transformando e levando as empresas para confiar, confiar nas relações, confiar nas relações dentro da empresa, confiar nas relações fora da empresa, porque não é fácil quando você cresce muito, você fazer todo mundo ser guiado nos mesmos propósitos. Mas quando você tem uma confiança entre as pessoas, O propósito, ele acaba fluindo. Então eu acho que, como é que a gente faz? Volta naquele ponto de vulnerabilidade, do ego free, né? As pessoas que não têm um ego acirrado, elas confiam, elas acreditam. Então acho que é buscar cada vez mais a quebra do ego o fortalecimento na confiança uns nos outros.
Sensacional! Esse lance de confiar e desconfiar é o padrão mãe, né? Padrão mãe nas empresas. Porque a mãe, ela desconfia antes do filho fazer qualquer coisa, né? Vai dar errado, tô avisando, menino, vai dar errado esse negócio aí. Você fala: mãe, calma, deixa eu ir rápido. Eu tô dizendo, eu sou mãe, eu tenho filho. E as coisas dão errado, você fala: pô, minha mãe tem, ó, soltou uma certa de uma bruxaria ali. Mas é muito bacana porque esse lance de confiar, eu acho que é a porta de entrada para esses experimentos, esse momento de aprender a aprender funcionar de forma poderosa. Você dar a chance das pessoas experimentarem. O mindset hoje ainda predominante na cabeça dos grandes gestores e líderes é esse mindset de "eu tenho que resolver". Eu tenho que dizer para você, Márcia, o que você tem que fazer. Então a Márcia vem aqui com uma necessidade ou com uma ideia ou com uma inovação e ela quer fazer essa ideia, ela vai remeter a um possível erro. Eu falo: meu Jesus, eu já vi esse filme, eu tenho que ajudar, eu tenho que falar para Márcia ir para um outro caminho. Só que isso impede a criatividade das pessoas. Nós precisamos aflorar cada vez mais essa possibilidade das pessoas pensarem fora da caixa. Então O se permitir errar continua sendo algo desafiador, mas eu vejo como algo extremamente poderoso, extremamente poderoso.
Eu acho que é um vício, né, um vício de conduta, né. A pessoa vem com tema para você e você já quer dar a solução. Às vezes a pessoa só precisa falar e você instigar ela a achar uma solução. Porque uma das coisas que também eu acho que foi um crescimento, pelo menos meu quanto pessoa, né, pode ter sido também como profissional, mas enquanto pessoa. É aprender que às vezes, se você deixar alguém fazer o bolo na receita dele, o bolo sai muito melhor do que o bolo que você já fez, né? Porque você quer dar a receita do bolo porque você já fez aquele bolo. Mas deixa a pessoa fazer o bolo dela, de repente você vai se surpreender. E eu tive surpresas excelentes quando eu comecei a deixar as pessoas fazerem os seus bolos com as suas receitas, em vez da minha receita. Perfeito.
A gente fala tanto sobre escalar, né, a transformação ou esse mundo digital, e as pessoas, elas ainda não compreenderam que essa escala começa por dar essa autonomia para as pessoas pensarem, agirem, errarem, experimentarem. Aí a escala acontece, porque essa centralização, essa necessidade, a palavra é essa mesmo, essa necessidade do líder em querer falar: "Peraí, mas eu não tô fazendo porque eu sou ruim, é porque eu gosto muito de você, eu não quero que você erre." Não, deixa a pessoa errar sim. É dessa forma que você vai escalar. Uma coisa interessante, na minha vivência profissional, eu tive a oportunidade de morar na China. Eu lembro que alguns trabalhos com os chineses, eles traziam para mim uma coisa muito forte, que era assim: "Mas Marlon, se eu empoderar a minha equipe, o meu time, eles vão saber mais do que eu. E se eles souberem mais do que eu, eu vou sair, eu vou ter que sair fora. E muitas vezes eu vejo que a gente joga esse mindset, mesmo inconsciente, que não existe, que não é real. Dificilmente uma empresa vai tirar você fora, a não ser que você esteja fazendo muita coisa errada, porque o teu liderado ele começou a fazer coisas mais poderosas. A ideia é que você cresça também, você cresce as pessoas, você cresce junto com elas, né?
No final você cresce junto com as pessoas, né?
Perfeito, perfeito. Sem dúvida. Vai lá, tem mais uma pergunta aqui. Como você avalia, do Leandro, o desafio do equilíbrio entre soft skill e hard skill para uma equipe? Essa pergunta tava na minha lista, inclusive. Olha que beleza.
Eu acho uma coisa que eu aprendi, né, soft skill é mais difícil de você desenvolver do que hard skill. Então eu acho que a gente deveria nas equipes, né, equilibrar sempre pessoas já mais preparadas em soft skill do que hard skill. E aí você desenvolve as de hard skill e soft skill e vice-versa, mas você gasta mais energia nas de hard skill. Então eu teria sempre um equilíbrio onde eu tenho pessoas mais humanizadas e pessoas mais desenvolvidas nos soft skills do que nos hard skills. Esse seria o 70/30 que eu poderia dizer. É, agora uma coisa que no final do dia a gente fala muito, né, de hard skills e soft skills, Esses dias eu estava falando sobre treinamento. Um outro paradigma que eu acho que a gente tem que quebrar em soft skill, hard skill, treinamento, é que treinamento não é hora vaga, treinamento é hora trabalhada, treinamento é no dia a dia da empresa. As pessoas ainda têm vergonha de falar: "Pô, eu queria fazer um treinamento, será que eu posso faltar um dia?" Gente, eu quero esse cara no meu time. Eu quero que ele falte 20 dias para fazer um treinamento, né? Eu quero que ele busque todos os treinamentos para se evoluir. Mas você ainda vê, esses dias eu peguei um tema desse, então você vê as pessoas ainda tímidas com isso, né? Então volta para o início da live, né? Você é responsável pela sua trilha de carreira, você é responsável pelo seu plano de carreira, e treinamento é o que mais vai te alavancar. Uma coisa que me chocou, ou que foi uma super surpresa na minha vida com relação soft skills e hard skills. Eu sempre tive um sonho de ir para Stanford, queria ter feito MBA em Stanford, não consegui, mas sempre tive um plano de ir para o campus fazer alguma coisa. E aí há 2 anos atrás, há 3 anos atrás, eu fui para lá para fazer um curso, né, um treinamento de Líder Inovador em Tecnologia. Olhando a emenda do curso, eu pensei: pô, vou trocar muito e vamos discutir muito tecnologia. Eu passei 2 semanas no campus, era discussão toda em cima de soft skills em Stanford. Show! Que você pensa, Vale do Silício, tecnologia florando, Tudo acontecendo lá, a discussão era como que você faz um storytelling, como que você se apresenta, como que você se vende, como que você vende o teu projeto, como que você entende as relações humanas, como que você escuta mais do que fala, como você empodera o teu time. O que é isso? Soft skills. Então, voltando aí, Lê, Leandro, eu acho que a gente tem que equilibrar e pensar que hard skills é mais fácil de desenvolver do que soft skills, sem dúvida nenhuma.
Perfeito, perfeito. Eu tive uma situação, deixa eu contar um pouco dessa história aqui que é bem legal, essa parte de hard skills, soft skills. Eu sou um cara que tem uma crença que, assim como você, que hard skills é bem mais fácil desenvolver que soft skills. E eu queria fazer um experimento quieto, tá? Um experimento meu na empresa. Eu queria mapear quais pessoas teriam entrado para a empresa em cargos de liderança ou até técnicos, mas onde o soft skill falou mais alto. Então essa pessoa, durante a entrevista, ela demonstrou mais ali empoderamento, soft skills, e chamou atenção, ela entrou. Eu queria saber se existia isso. "Eu comecei a pesquisar, procurar, encontrei um local onde a pessoa disse: Marlon, esse cara aqui, ele é meu Scrum Master hoje. E eu trouxe ele apostando muito mais do que ele me contou sobre as competências que ele tinha com o ser humano." E o gestor me falando: "E eu pensei que se eu treinasse ele na questão mais técnica, agilidade, Scrum, ele pegaria rápido." Falei: "Pô, que massa! E como é que é hoje?" Ele falou: "Cara, esse cara, eu não tenho um problema sequer com ele. Tá 2 anos na empresa, eu faço reuniões com ele, mas assim, ele não me traz problema. É um cara que ele se resolve, inclusive a carreira tá acelerada. Falei: pô, que legal! Você tem um contra exemplo? Alguém que entrou em hard skill que você conhece? Ele falou: cara, eu tenho um monte aqui. E eu posso dizer para você que eu gasto muito tempo de agenda com essas pessoas que entraram pelo técnico, e assim, na entrevista elas demonstravam a sabedoria imensa com o técnico, Só que hoje qualquer questão de relacionamento com cliente é intriga, é comunicação, e eu tenho que gastar um tempo gigantesco semanal para poder ajudar e mentorar essas pessoas. Falei: pô, que massa, era o experimento que eu queria. Passou um tempo, eu abri uma vaga interna na empresa para poder aumentar meu time e soltei. E adivinha quem se candidatou para vaga? Essa pessoa aqui que tinha entrado. Hoje ele tá no meu time, hoje ele tá no meu time. Então assim, Espectacular, espetacular, muito bacana. E eu vejo assim, para mim é muito claro, se eu fosse hoje um recrutador, eu com certeza eu estaria olhando o mercado fortemente para o que é soft skill, porque eu acho que as pessoas têm que saber de verdade trazer à tona o que que é talento para elas. E eu como dono de empresa ou como gestor de uma empresa, eu preciso falar o que é que os talentos da Márcia vão agregar no meu negócio, porque a Márcia é única, ela tem talento ali, e esses talentos podem fazer toda a diferença no meu negócio, se eu souber obviamente lapidar o que precisa ser lapidado. Eu acho que esse é o mindset assim que eu defendo, essa é uma defesa que eu tenho de ajudar as pessoas tendo mais consciência daquilo que você tem com você, né? Os soft skills são coisas que você pode aprimorar ali com você, tem que trazer, tem que sair para fora, começando pelo autoconhecimento. Você ia falar alguma coisa, querida?
Não, eu ia falar o seguinte, né? Aí quando você olha numa carga horária, né, no planejamento de escola e de faculdade, o que que se fala de soft skills?
Zero, zero. Eu lembro, eu na minha faculdade de motivação, eu tive, acho que na minha aula, na minha aula de antropologia, é que a gente começou falar sobre liderança servidora. Foi ali que eu tomei contato, primeiro conhecimento do que era, do que era liderança, que eu fui ler o livro Monge Executivo. Foi ali que despertou algo interessante. Mas dos demais, era muito mais gestão, processo, programação, linguagens diferentes, né? Até uma questão que eu tô hoje, me incomoda, eu vejo como incômodo bacana, porque eu acho que eu posso em algum momento ajudar a resolver. O nível de experiência das empresas que elas trazem muitas vezes para um estagiário. Ah, eu quero um estagiário aqui, mas tem que saber 12 linguagens de programação, você tem que ter experiência na China, na Ucrânia. E aí você acha que é bom? Exato. Eu lembro que na minha época de estágio era assim. Então eu empolgado, pô, aprendi fazer, sei lá, uma calculadora Aí a empresa pedia Assembly Pascal, pedia Java, falava: mas eu nem via isso ainda na faculdade, como é que eles estão pedindo, né? Então era algo que sempre me incomodava essa questão. Mas acho que eu confesso que eu nunca fui bom em programação, eu fiz computação, é por isso que eu migrei para o RH. Eu sempre tinha um outro lado que me chamava atenção, mas eu não sabia o que que era. Mas eu tenho quase certeza, 99%, que as entrevistas que eu consegui passar nas empresas, eu passei por causa que eu sabia demonstrar meus soft skills. Eu sempre fui ruim em hard skills, em fazer algum código ali como prova, sempre achei isso, nossa, isso aqui é muito arcaico, eu nunca consegui. Mas eu era sempre muito bom em comunicação, em me relacionar, sempre em conseguir observar as pessoas, eu sabia ler as pessoas muito bem. Então acho que isso sempre me ajudou muito em entrevista, por isso que eu acredito que as pessoas podem muitas vezes se preparar melhor para uma entrevista e aquela entrevista ser aquela, não precisa ter mais esperar, vai me ligar, não, faz a entrevista ser a entrevista, a única oportunidade, isso é muito bacana. E só para fechar a história, eu costumo dizer também que eu fui Scrum Master na minha história de TI sem saber um nada do que era Scrum Master, mas eu sabia me comunicar, Eu sabia me relacionar, eu sabia fazer perguntas para as pessoas. E aí eu percebi que, na boa, na boa, você precisa entender de ser humano. E aí você faz o quê? O segundo passo, o que que é? Você se conecta com quem tem paixão por essas coisas técnicas e elas passam a te ajudar. Essa, para mim, é a formação de um bom time. Isso faz muita diferença. Muito bom, falei demais aqui.
Não, pode ir, esse papo, se deixar a gente fica aqui a noite inteira falando de— Muito obrigado, pessoal. Ó, mais uma pergunta. Tem mais uma?
Vamos lá, mais uma para a gente ir para o final mesmo. O Alexandre Santos, deixa eu colocar aqui, ele pergunta para você: qual a sua avaliação, de uma forma geral, da qualidade técnica e disposição para realizar a transição digital de fato nas equipes que você gerencia? Show, já deu para perceber uma diferença em seguros?
Assim, quando você fala seguros e telco, são mercados muito diferentes. Então, telco tá muito maduro, é muito maduro em transformação digital, é muito maduro em novas tecnologias, né? É muito mais core. Mas o que eu vejo agora em seguros é que Seguros está vendo que precisa também se transformar, que precisa também investir em tecnologia, né? Eu brinco que eles não me trouxeram à toa, eles me trouxeram, agora eles vão ter que me aguentar sacudindo a lojinha. Agora ferrou, porque agora eu vou movimentar para aí e aqui. Então, a diferença que eu vejo de Telco e de Seguros é isso: Seguros ainda está pensando em transformar, né? Telco já transformou. E quando você fala, né, da avaliação geral da qualidade técnica dos times que eu tive, assim, tive times sensacionais, com técnicos excelentes, e sempre busquei essa questão de mesclar entre hard skill e soft skill, né? Porque acho que você tem que ter isso que você falou, né? Marlon Silva Domingues, você ter no time o cara que é muito hard e tem o cara que é muito soft, porque isso traz uma diversidade, né? Voltando ao tema, vindo para o tema diversidade, né? É diversidade em tudo, né? Em forma de agir, em competências, em sexo, em preferências, em cor de cabelo, da onde vem, cultura que tem. Então acho que acaba que de uma forma geral meu time sempre foi sensacional e eu sempre tentei mesclar muito os perfis.
Legal, show, show de bola, show de bola. Márcia, minha querida, vamos caminhar para os finalmentes aqui. Eu queria pedir para você, para você deixar algumas dicas O que que as pessoas deveriam se atentar, na tua visão, como uma pessoa que tem uma jornada maravilhosa aí? Que dica que você deixa para as pessoas que estão nesse momento vivendo aí os seus desenvolvimentos de carreira, suas projeções? O que que para você é especial? O que que você pode deixar de tip aí para as pessoas?
Eu acho que a gente já falou muito aqui, né? Escutar mais do que falar. Né, então acho que você aprender a escutar é uma arte, né? Mas é escutar, não é com ouvido, é escutar com coração. Você realmente criar empatia com aquilo. Então eu acho que quando você vai para uma entrevista, escute o seu entrevistador com coração, sinta o que tá vindo daquela pergunta, né? Porque às vezes a gente tá mais preocupado em responder do que escutar. É, e principalmente busque algo que vai te fazer feliz. É, nesse meu momento de troca entre Vivi e Axel, eu pensava muito que eu queria algo que me gerasse um frio na barriga e uma felicidade enorme no coração. Então acho que é isso que a gente tem que buscar, sabe? A cadeira tem que ficar desconfortável, né? Você tem que sentir aquele frio na barriga. Se você não tiver sentindo esse frio na barriga, se movimenta. E o coração quente, feliz. Que também, se não tiver feliz, se movimenta. Hoje eu tava falando com uma pessoa do meu time sobre isso, né? Se não ficar feliz, eu vou te ajudar a se movimentar, porque para estar comigo tem que estar feliz. E lembra, isso é uma dica legal, tá? O meu ex-chefe Ele é uma pessoa incrível e ele é louco com livro, é louco com leitura. E eu brinco que cada, cada líder que eu tenho passa por mim e deixa um aprendizado. E ele me deixou esse aprendizado de leitura, que assim, sempre gostei de ler, mas gostava, não botava isso na agenda. Botar na agenda, ele é um bom livro, é sensacional. Tenho dois aqui para deixar de dica. 10% Mais Feliz e A Regra é Não Ter Regras, dois livros que eu li recentemente, muito interessante.
Perfeito, perfeito, super de acordo com essas duas literaturas, sensacional, não vale super a pena, galera. E ó, para fechar aqui, eu quero colocar, eu sempre trago alguns padrões que eu pego das pessoas que estão entrevista, que eu acho que pode agregar muito da carreira das pessoas que que estão nos ouvindo. E o que que eu peguei de forte no que a Márcia tá contando? Eu adoro observar os padrões, e a Márcia falou muito sobre felicidade, humor, sobre diversão. E quando a pessoa repete muito algumas palavras, ela demonstra o padrão dela. Para mim, isso é sinônimo de sucesso. Então apliquem felicidade, diversão, humor na trajetória de vocês também, porque vocês têm um exemplo aqui de alguém que tem sucesso E traz sempre na forma com que ela explica as coisas a diversão. Ela fala: "Vou contar um momento divertido." Então, alegria, a felicidade, o humor tá presente na vida dela. E isso talvez é algo que faça muita diferença. Márcia, minha querida, muito obrigado! Que prazer imenso ter você aqui. Gratidão imensa por você ter aceito esse convite. Espero que a gente possa fazer outras lives juntos no futuro. E pessoal, sigam a Márcia, LinkedIn, Instagram, vocês podem entrar em contato com ela. Sigam essa pessoa maravilhosa que tem muito a agregar para vocês. E quarta-feira, para quem quiser, tem live aqui com os meus companheiros de RH para a gente poder fazer mentoria.
Muito bom, parabéns!
Valeu de coração, Márcia!
Obrigado! Beijo, tchau tchau, galera!
Valeu, galera, tchau tchau!









