Reginaldo Aguiar e Marlon Silva conversam sobre carreira e a Síndrome do Impostor Parte 1

Psychologist Reginaldo Aguiar and coach Marlon Silva explain why professional success doesn't guarantee fulfillment. High competence can coexist with low self-esteem. They identify four pillars of career success: competence, social skills, personal branding, and networking. Self-knowledge and emotional intelligence are essential to prevent impostor syndrome, a feeling of fraudulence despite achievements.
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Olá, boa noite. O sucesso na carreira profissional é uma busca constante da maioria dos trabalhadores que estão no mercado. E quando você chega a essa realização, sabe como se comportar com o sonho realizado? Na ascensão profissional? Você já ouviu falar em síndrome do impostor? Participe com a gente pelo email acionacional@rs21.com.br. Você pode participar também pela nossa página no Facebook, é o facebook.com.br/acionacional. O Ação Nacional traz os estudiosos, o psicólogo clínico comportamental Reginaldo do Carmo Aguiar e também o personal e professional em coaching Marlon Silva Domingues, para falar sobre o sucesso da carreira e como lidar com essa síndrome do impostor. Marlon, obrigado pela sua presença aqui conosco.
Boa noite, Júnior, tudo bom? Prazer é meu. Boa noite, Reginaldo, boa noite, telespectador, é um prazer estar aqui.
Obrigado pela sua presença também, Reginaldo, com a gente.
Muito obrigado pelo convite.
Bom, Marlon, vamos explicar primeiramente aqui para os nossos telespectadores O que significa aí o profissional em coaching? Vamos explicar essa palavra tão estranha para muitos.
Legal, legal. Hoje é um termo que você encontra, vem aparecendo cada vez mais na mídia e em empresas também. O profissional coach é um profissional que utiliza da metodologia de coaching para ajudar, auxiliar as pessoas a elevarem os níveis de resultados positivos na vida pessoal e profissional. Pessoas, empresas ou grupos, indivíduos que querem ter mais resultados, que querem atingir mais, que querem ter mais satisfação, qualidade de vida e assim por diante.
E o coaching significa?
O coaching é um processo de mudança que visa tirar você do seu estado atual hoje e te levar ao estado desejado. O coaching é um termo inglês que surgiu lá em 1800, no qual era utilizado por pessoas que faziam o percurso do coach. Existia aquela carruagem, no tempo medieval, no qual se transportava as pessoas de um lugar para o outro, aquilo era o coach. Então o processo de levar o indivíduo de um ponto ao outro é o coaching, que hoje é utilizado nas empresas e hoje o mais famoso, o coach de vida pessoal também.
Interessante o uso da terminologia.
Vem lá de trás, tem muita história.
Bom, Reginaldo, você como psicólogo comportamental acredita que o sucesso sucesso na carreira profissional faz com que a pessoa seja totalmente realizada?
Eu acredito que não. Eu acho que atualmente existe uma ideia de que uma pessoa bem-sucedida é uma pessoa que vai ser feliz na vida. Eu acho que nós vivemos numa cultura pós-moderna em que valoriza muito o sucesso, valoriza muito o guerreiro, o campeão. E as pessoas, de uma maneira, entram nessa corrida desenfreada, querendo ser essa pessoa muito bem-sucedida. Só que eu sempre falo que é importante diferenciar autoestima de autoconfiança. Uma pessoa pode ter uma elevada autoconfiança, mas ter uma baixa autoestima. Ou seja, uma pessoa pode ser muito bem, ela pode ser muito competente profissionalmente, ela pode exercer muito bem a profissão dela, mas ter uma baixa autoestima, ela pode não gostar dela. Então, nesse sentido, uma pessoa pode ser extremamente bem-sucedida, mas ela Ela pode ser infeliz, ela pode ter uma baixa autoestima, ela pode não gostar dela.
E essa infelicidade pode levar a pessoa a não ter um sucesso profissional?
Pode também, exatamente. Em cima do que nós falaremos daqui a pouco sobre essa síndrome do impostor, no fundo, no fundo, é o que acontece. É uma pessoa às vezes que vem nessa guerra diária lutando para ser vencedora, vem alcançando alguns resultados, mas no entanto ela se sente fracassada, ela se sente que ela não está sendo capaz de realizar as coisas, ou ela não está sendo capaz de aceitar esses novos desafios. Então, a grosso modo, é uma pessoa com até uma certa autoconfiança, mas com uma baixa autoestima.
E no ponto de vista de vocês dois, o que nós podemos dizer, o que se compreende o sucesso profissional? Poderia, Reginaldo, continuar? Já falamos sobre isso. Como é que você vê essa visão?
Na psicologia comportamental...
O que atinge o sucesso profissional.
Isso, na psicologia comportamental, vai ser muito bacana conversar com o Marlon, porque ele vai falar da visão do coach. Eu vou falar da visão da psicologia comportamental. Nós trabalhamos com a ideia que uma pessoa bem-sucedida, ela trabalha alguns pilares, tá? Um dos pilares é trabalhar a competência dela, ou seja, ela desenvolver um conhecimento ou um repertório para se tornar uma pessoa competente naquela área que ela exerce. Esse seria um pilar, a competência. Um outro pilar seria o pilar das habilidades sociais ou repertório social. Então aquela pessoa que sabe iniciar uma conversa, manter uma conversa agradável, finalizar uma conversa, né? Então aquela pessoa que dentro do emprego ela consegue conversar com o gerente, ela consegue conversar com o colega de trabalho e é uma pessoa que ela é eficiente, eficaz e agradável também, né? Então repertório social. É um terceiro pilar, é o marketing pessoal. Então essa pessoa consegue divulgar um pouquinho o seu trabalho, mas de uma maneira não exagerada, né? De uma maneira que ela não fica se achando, não muito vaidosa, tá? Então marketing pessoal. E o quarto pilar é a pessoa que ela consegue ter contatos com pessoas influentes, tá? Então ela consegue, por exemplo, criar uma rede social de profissional, e ela consegue criar vínculo com essas pessoas. Então, seriam os 4 pilares. Então, estou falando da ótica da psicologia comportamental.
Então, ela teria que ter uma moderação em tudo.
Exatamente, com certeza. O que acontece muitas vezes é que uma pessoa, às vezes, ela é muito competente, ela trabalha esse pilar, mas ela não consegue crescer profissionalmente. Mas por quê? Porque ela não tem um bom repertório social, porque ela não consegue expressar os ganhos que ela teve exercer na profissão dela, ou ela não consegue manter contato com pessoas poderosas ou influentes, ela não consegue alçar voos maiores.
Marlon, é assim também no coaching ou não?
É muito parecido, é muito interessante essa abordagem. O coaching também traz essa questão comportamental muito forte, porque o coaching além de proporcionar esse aumento de realizações, resultados positivos, ele também proporciona um autoconhecimento gigantesco. Então a pessoa que vai procurar um coaching, ela acaba ganhando muito mais do que simplesmente Tem um facilitador, uma pessoa que está ajudando ela a estruturar a forma de pensar, mas também ela que se conhece bastante, né? Então, como você disse, tem os pilares aí, né, na psicologia, no coaching também tem algumas etapas, né? O comportamento é uma delas, né? A gente também trabalha a questão do ambiente que a pessoa se encontra, a gente trabalha as capacidades que ela precisa obter, crenças, valores, muitas vezes o propósito maior que ela tem em relação a ela mesma e o sistema. Então, também tem várias etapas para você poder construir uma mudança consistente dentro do ser humano.
Vocês estão citando um ponto que é muito importante, vale a pena ressaltar: a pessoa se autoconhecer. Vocês dois citaram a mesma coisa, isso é importante tanto no coaching quanto também na psicologia?
Olha, eu, na minha perspectiva, né, trabalhando com pessoas já há algum tempo, o autoconhecimento eu julgo ser tudo, né. As pessoas podem buscar cursos, se aprimorar cada vez mais em questões técnicas, Mas se você não se conhecer, você vai estar propício a cair em armadilhas a todo momento. Então, o fato de se conhecer, você se previne de cair em ciladas que às vezes você mesmo cria. E muitas vezes o ambiente— a gente não tem controle sobre as pessoas, a gente tem controle sobre a gente mesmo. Então, isso é a grande importância de saber como lidar com emoções, situações, inteligência emocional. A gente teve um exemplo muito grande na Copa do Mundo, onde ficou aflorado a questão do choro do Thiago Silva. Então, um líder, as pessoas hoje dentro de corporações têm que saber desenvolver uma inteligência emocional para poder lidar com diversas pessoas. As pessoas, todo dia eu costumo dizer que elas vêm zeradas, né? Você trabalha elas de uma forma, você interage com elas de uma forma, mas no outro dia é uma outra pessoa e você tem que estar aberto, pronto para poder receber e ajudar e apoiar da melhor forma possível.
Mas mesmo assim existem aqueles conflitos internos conosco, a gente tem no nosso dia a dia. E muitas vezes a gente acaba, querendo ou não querendo, trazendo isso para dentro do serviço, para dentro do seu ambiente de trabalho. Como é que eu vou administrar isso?
Por isso a importância de se conhecer, né, para que você possa cada vez mais minimizar. Dentro do coaching, durante os nossos trabalhos e sessões, a gente começa a entrar com mais detalhe em cada um desses pontos, né. Então a gente analisa muito bem o que você ganha ao atingir uma coisa, o que você ganha ao mudar um determinado comportamento. Muitas vezes as pessoas têm técnicas maravilhosas, têm treinamentos, mas elas não entendem que por trás disso tudo ainda tem ganhos secundários, que fazem com que você fique onde você está. De alguma forma, agir como eu tenho que agir me dá algum ganho, me traz algum benefício. Então é necessário entender qual é esse benefício para que eu possa dar o próximo passo.
É assim também na psicologia?
É assim, sim. Como ele está falando aí, o autoconhecimento é muito importante. Mas vale a gente lembrar, sim, que se autoconhecer necessariamente causa dor. Eu sempre uso a metáfora do espelho. Às vezes você idealiza quem você é e quando você olha no espelho de fato você fala: "Opa, não é tão bonito assim não." Exatamente, é um pouco Marlon Silva mesmo. O autoconhecimento, de fato, ele é um pouco aversivo para as pessoas, mas ele deve ser enfrentado, ele deve ser conhecido, porque, como o Marlon disse, uma pessoa que ela se autoconhece, ela sabe quais são as causas no passado que tornaram ela quem ela é. E se ela conhece essas causas e sabe quem ela é, ela consegue lidar melhor com o futuro dela, porque ela sabe como ela pode se comportar, ou ela sabe também o que ela pode almejar como meta na vida dela se ela conhece bem o passado dela. Se ela conhece bem esse histórico dela, né? Então, o autoconhecimento é importante. E por tabela, quando você se autoconhece, você também conhece o outro também. Quando você sabe quem você é de fato, você começa a entender bem como as pessoas são e por que elas são dessa forma. Então, de certa forma, essas informações facilitam a você lidar com seus problemas, a solucionar os problemas de uma maneira mais eficiente, né?
Às vezes você consegue também entender porque aquele profissional que você Às vezes está no comando e você está com ele ali, você vê que ele tem um problema, né, e é excelente, sabe tudo naquela função, mas ele tem um problema de relacionamento com os outros empregados do setor, com os outros colaboradores. E aí a gente consegue identificar utilizando essa técnica.
Sim, dentro do processo de coaching, essa viagem que a gente fala, né, de sair de um ponto A e chegar no ponto B, te proporciona Levantar todo esse histórico, né, do que realmente, quais são seus talentos, quais forças você possui para que você possa enfrentar, para que você possa se prevenir de possíveis ameaças, como aproveitar melhor as oportunidades do dia a dia. É interessante essa questão desse profissional que faz muito bem aquela função técnica dele, mas ele não sabe muitas vezes interagir ou liderar, né. É muito vinculado à questão de realmente Se conhecer ao ponto de conseguir minimizar os problemas que eu possa causar no ambiente que eu me encontro, né? Se firmar, ter total consentimento de que eu sou isso, o meu limite é esse, meus talentos são esses e eu posso usar de forma positiva, ao meu favor.
Na psicologia comportamental, a gente trabalha com a ideia de repertórios ou habilidades. Então, se você sabe quais são os seus repertórios e habilidades, E aquilo que você está almejando necessita de alguns repertórios, habilidades. Se você não tem, você pode trabalhar, por exemplo, com coaching para trabalhar esses repertórios, essas habilidades para você almejar aquilo que você quer, né?
Exato.
Interessante. Bom, nós estamos falando nesse programa Ação Nacional de hoje sobre carreira e síndrome do impostor, que nós vamos explicar melhor nos próximos blocos seguintes. Nós vamos para um rápido intervalo e voltamos já com Ação Nacional.









