Reginaldo Aguiar e Marlon Silva conversam sobre carreira e a Síndrome do Impostor Parte 4

Psychologist Reginaldo Aguiar and career coach Marlon Silva discuss impostor syndrome, especially in young professionals and new leaders. Low self-esteem from family feedback, perfectionism, and social media comparison fuel the syndrome. They recommend recognizing past wins, self-acceptance, and cognitive techniques to reframe negative thoughts.
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De volta com o Programação Nacional, nós estamos falando sobre carreira e também sobre a síndrome do impostor. Bom, eu estava falando no outro bloco uma coisa muito interessante que a pergunta que eu queria fazer para você é o seguinte: você sabe como surge, qual é a causa dessa síndrome? Marlon, poderia começar a falar como é que isso aí?
É, muitas vezes, como o Reginaldo disse, é a questão da autoestima. A pessoa, ela já vem de um histórico familiar, às vezes até na própria infância, com feedbacks negativos, você já vai desenvolvendo uma autoestima baixa. O ambiente corporativo também, aquela pessoa que está iniciando a carreira, no qual ela tem chefes, líderes arrogantes, que é aquela pessoa que impulsiona para baixo, acaba influenciando também a pessoa não conseguir reconhecer o quão bom ela é, né. Em alguns casos, existem pesquisas que mostram que trainees acabam sofrendo muito dessa síndrome, porque existe um aceleramento muito grande na carreira, no qual eles são treinados, né, trabalhadores treinados em laboratórios para exercer cargos de liderança muito cedo, muito novo. Então você acaba liderando, chefiando pessoas que são muitas vezes mais experientes que você. Então a sensação de que eu pulei degraus, para poder chegar onde eu cheguei, te faz sentir que, peraí, né, a pessoa é mais experiente que eu e eu estou aqui acima dela? Onde eu falhei? Onde eu errei? Mas cada pessoa possui uma caminhada diferente, né, cada um possui valores e crenças no qual te levam aonde você quer chegar. Então a comparação às vezes pode causar também essa Síndrome do Impostor.
Isso é realmente muito complicado, né, uma pessoa jovem às vezes tem que chegar para uma pessoa experiente de firma que tem anos de filme, tem que chegar às vezes e fazer uma correção, ou então, como é que eu abordo, como é que eu chego, como é que eu vou falar para essa pessoa que ela está fazendo 20 anos aquilo e está errado, eu preciso que mude o rumo, mude o caminho de acordo com o que eu estou dando a diretriz aqui. É muito complicado isso, né, Reginaldo?
É complicado. E aí, às vezes, essa pessoa precisa estar preparada ou ter esse repertório, essas habilidades para lidar com essa pessoa que já tem esse conhecimento prático, essa experiência maior, tá, e que às vezes ela não consegue lidar com esse mais jovem gerenciando ela. Então, e aí tem que ter um jogo de cintura. E às vezes uma pessoa como essa, ela não foi treinada para ter esse jogo de cintura. E aí, como ela não foi treinada, ela falha, tá, e ela acha às vezes que a culpa é dela, sendo que não houve treinamento nessa área aí para ela, tá. Então isso é muito comum acontecer também.
E existe pessoas que têm mais chances de desenvolver essa síndrome do impostor? Tem uma tendência maior ou não? Isso é possível?
É mais comum entre pessoas de 20 a 40 anos, as pessoas mais jovens. Existem dois fatores hoje que fazem com que essa síndrome apareça mais.
Eu ia perguntar por quê nessa.
A síndrome, na verdade, esse termo surgiu na década de 70. Mas ela começa a ficar cada vez mais em evidência porque hoje a tendência do ser humano é exigir cada vez mais. O sucesso que antes era: "Ah, eu sou... beleza, estou no nível que está legal, está bom." Não, hoje eu quero ser melhor, eu quero ser melhor, melhor e melhor. Então a exigência com você mesmo...
A cobrança.
A cobrança, exatamente. E as mídias também, as mídias sociais hoje, a internet em si permite que você se compare muito aos outros. Então essa comparação faz com que você pense: "Não..." "Eu tenho que ser melhor que aquela pessoa, aquela pessoa está no nível assim, eu quero estar no nível acima dela." Então a cobrança novamente faz com que você e a comparação se coloque na situação de "não, o que eu tenho eu não mereço".
É bacana o que ele está falando dos 20 anos, porque em geral 20 anos você está no começo do seu curso universitário, não é? E de alguma maneira, de alguma maneira, é o início em que começa a ter a cobrança. "Eu preciso me formar bem, eu preciso arrumar um bom emprego depois de formado, eu preciso ser melhor do que os meus colegas de sala de aula." Então é ali que começa o excesso de cobrança. Então se você já tem um perfil um pouquinho mais sistemático, de uma pessoa que se cobra em demasia, aí você vai entrar um pouquinho nessa síndrome aí, você vai começar a se encaixar um pouquinho com essa síndrome aí.
E aí tem aquela cobrança: "Será que eu vou dar certo nessa carreira? Será que eu vou obter o sucesso?" Exato. "Acabei de me formar, estou ficando dono da mão, mas e agora o que eu faço?" Exato. "Eu não tenho experiência." Todo esse turbilhão de coisas vem para cima da cabeça.
É por isso que é interessante o que o Reginaldo falou, que a universidade ela forma a pessoa na competência técnica, que ela vai sair para o mercado de trabalho, mas essa formação complementar de se conhecer para poder questionar esse tipo de coisa, o que eu quero para mim realmente, o que vai me trazer felicidade, O que eu tenho de melhor que eu posso explorar cada vez mais? Isso ainda é um ponto falho. Então a gente acaba ficando aí suscetível a ter essa síndrome, que é uma coisa comum. Dizem que a cada 10 pessoas, 10 profissionais, 7 possuem a síndrome do impostor.
Posso dizer assim, pelo papo que a gente está tendo aqui, que essa síndrome está ligada à capacidade de aceitar os erros ou não? Como é que é isso?
Eu acho que é mais a capacidade de você aceitar o que você faz de bom e o que você já vem fazendo de bom, né? Logicamente que reconhecer os erros e poder melhorar faz parte também, mas é muito mais importante você reconhecer aquilo que você já vem fazendo de bom, porque isso te dá combustível para que você possa mover o próximo degrau. E quando você enfrentar um novo desafio, você sabe: "Ó, eu já tive redações passadas, então eu posso fazer novamente." Então é muito mais essa aceitação do que eu venho fazendo e eu faço bem. É muito legal isso que você falou sobre a questão de a gente ser preparado pelo sucesso. Tocando um pouco na questão do futebol novamente, eu vi uma reportagem da Alemanha e como eles prepararam toda a equipe deles, o que tinha por trás do time como um todo. Eles abordaram muito a questão comportamental, que desde o início da base eles tratam as crianças ali com a seguinte diretriz: não é para ser campeão, mas é para você se desenvolver como pessoa primeiramente. O sucesso, ser campeão de uma Copa do Mundo, isso é consequência, mas se desenvolver como pessoas primeiramente é o principal foco deles na transformação. Existe um programa de desenvolvimento de pessoas dentro do time da Alemanha.
E aí nesse sentido bate com o que você falou de lidar com o erro mesmo. Exato. Tendo uma orientação dessa, quando a pessoa erra, ela não vai se achar a pior pessoa do mundo.
Então essa é uma das formas de combater essa síndrome.
Isso, exatamente. Na psicologia a gente trabalha com uma ideia, principalmente na psicologia cognitiva, das distorções cognitivas. O que são distorções cognitivas? É quando você começa a ter pensamentos que distorcem da realidade. Então uma distorção cognitiva que existe é a visão em túnel. O que é visão em túnel? "Eu só olho o que eu fiz de errado e as coisas boas que eu fiz eu não olho." Então, a visão em túnel, uma distorção cognitiva que existe. Uma outra que existe é a comparativa, ou seja, eu vejo todos os grandes líderes, as pessoas bem-sucedidas, eu sempre me acho um fracasso. "Eu sou um fracasso." "Por que você é um fracasso?" "Ah, o sujeito lá foi campeão 3 vezes, eu não fui nenhuma, eu sou um fracasso." Então, nessa síndrome do impostor, essa pessoa, ela É regida por essas distorções cognitivas. Então fazer um trabalho para ela começar a valorizar o lado positivo, que é a ideia do copo vazio, né? Quer dizer, essa pessoa só olha a parte, o copo metade vazio e não olha a metade cheia. Então fazer um trabalho para ela começar a olhar também a metade cheia desse copo, ela começar a olhar as qualidades, os talentos, o que ela conquistou no decorrer desse trajeto, dessa história de vida dela.
Exato. Bom, esse é o Programa Ação Nacional que está chegando ao seu final. Eu queria agradecer aqui a presença do Reginaldo do Carmo de Aguiar, psicólogo clínico cognitivo comportamental. Obrigado pela sua presença, Reginaldo. Ação Nacional agradece muito a sua presença.
Muito obrigado pelo convite, é uma honra estar participando aqui com vocês, aqui é uma delícia, viu?
O Marlon também, muito obrigado pela sua participação, Marlon.
Muito obrigado, foi um prazer estar aqui, né? Como o Reginaldo falou, é um papo assim que Se permitir, a gente vai ficar até meia-noite conversando aqui.
Muito obrigado. Infelizmente o tempo acabou. Bom, Ação Nacional fica por aqui, volta na próxima semana com mais um tema para você, com certeza. Até lá.









