Reginaldo Aguiar e Marlon Silva conversam sobre carreira e a Síndrome do Impostor Parte 3

Psychologist Reginaldo Aguiar and coach Marlon Silva discuss manager-friend boundaries, resume lies, and impostor syndrome. They warn that unearned promotions lead to failure and explain how high achievers often attribute success to luck instead of their own work.
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De volta com o programa Ação Nacional. Estou com a presença aqui de Reginaldo do Carmo de Aguiar, psicólogo clínico cognitivo e comportamental, e também a presença do coaching Marlon Silva Domingues da Silva. Nós estamos falando sobre carreira e a síndrome do impostor. Bom, deixei no último bloco a pergunta, né, no ar. A questão desse relacionamento do chefe com o colaborador. Até que ponto pode chegar? Até em que parte que a gente pode falar assim: "Olha, eu estou ultrapassando o limite de ser amigo, um amigo muito íntimo", enfim, como é que é esse relacionamento? Posso começar com o Marlon?
Pode, vamos lá. É interessante esse ponto em que você precisa realmente saber distinguir que momento você está vestindo a camisa de chefe, de líder, de gerente, em que momento você é um amigo. Hoje as empresas estão cada vez ficando cada vez mais legais, no sentido de que há abertura, você tem uma tranquilidade maior no ambiente, você tem uma liberdade maior no ambiente que você trabalha. E com isso a tendência é que você tenha amizades mais próximas com as pessoas que são seus chefes. Mas se não houver esse cuidado na hora de dar um feedback, na hora de tenha uma correção a ser feita ali, uma aresta a ser aparada, se você não souber realmente impor como papel e vestir aquela camisa, pode ser um problema. As pessoas podem confundir e elas confundem. Então é importante se distinguir e deixar muito claro, até mesmo para sua equipe, iniciando o trabalho: "Ó, aqui eu sou o líder, o gerente, o supervisor. A hora de almoço é a hora de almoço e assim por diante." As pessoas precisam ter essa clareza.
É assim mesmo.
É bem por aí. É um ponto bem delicado, porque quando nós falamos de cultura brasileira, nós falamos em que há mais proximidade entre as pessoas dentro de uma empresa. É muito interessante, né? Quando você lê um artigo para comparar funcionários norte-americanos e funcionários brasileiros, o que a gente vai percebendo, né? Nos Estados Unidos há esse distanciamento muito claro. Chefe é chefe e o outro que trabalha do lado dele não pode ter tanta proximidade. No Brasil tem essa proximidade. Então assim, o que a gente vai percebendo é que na cultura brasileira parece que a proximidade ela é importante. Se o chefe não for um cara camarada, se for muito legal, ele é muito criticado. Na cultura norte-americana, se o chefe não for competente, ele é criticado pelo subordinado. Então é muito interessante essas diferenças, tá? Então entrando nesse campo aí dessa aproximação, Como o Marlon disse, eu acho que tem que ser tomado um cuidado da seguinte forma, principalmente, entre aspas, do subalterno aí nessa relação, tá? Ele tem que estar sensível e entender quem é esse chefe, qual é a personalidade dele e qual é o limite do território que ele pode se aproximar ou não. Porque todo mundo tem um território que você pode se aproximar ou não. Então, às vezes, o brasileiro acha que ele pode entrar muito no território do outro e ele acaba desrespeitando o outro. E aí o outro pode querer punir depois por estar desrespeitando esse território. Então eu acho que essa pessoa precisa estar um pouco sensível, é: qual o território do outro, qual o meu território e até onde eu posso chegar nesse território.
É tipo assim, jogar bola no final de semana com o chefe ou com o líder, melhor dizendo, né, tô utilizando a palavra aqui, ou então aquele choppinho no final do expediente, né, hoje vamos comemorar. É benéfico, mas tem que ter todo um equilíbrio.
Sim, eu acho que é possível através dessas interações, dessas relações, você construir algo saudável. Você acaba tendo mais liberdade até mesmo para conversar, expor o que você pensa, o que você acha. Mas você não pode levar também 100% para o lado pessoal. "Não, ele é meu amigo, tô tranquilo, tô respaldado aqui na empresa. Se eu fizer qualquer coisa, ele é o cara que sai beber cerveja comigo." Não é bem assim, existe uma postura profissional, você tem que seguir ela, existe uma ética no trabalho. Isso é muito importante.
Bom, vamos ver um VT onde para chegar a certas ascensões na carreira profissional, tem muitas pessoas que acabam utilizando aí de um meio não muito legal, que é a questão da mentira. Vamos conferir aí.
Já chegou a mentir em entrevista de emprego?
Não.
Não. Entrevista de trabalho, não. As poucas que eu fiz, eu não menti porque depois pode, mais pra frente, pode, né, ocasionar alguma coisa pior. Acaso não saiba fazer o que eu falei, né? Aí que eu perco o emprego.
Entrevista de emprego é difícil mentir por causa de uma questão de você se prejudicar depois. Às vezes você fala alguma coisa, mas não mentir mesmo, falar: "Não, isso daí eu sei fazer", sem não saber, aí é complicado porque depois você vai acabar se prejudicando mesmo.
Então é melhor você falar: "Não, eu não sei, eu não tenho tanta experiência com essa área." Pra ver se realmente vale a pena, né?
Porque senão acaba se complicando depois.
Segundo Elizabeth, diretora de uma empresa que presta consultoria em RH, a mentira é muito comum e cada vez mais frequente no currículo e na entrevista de emprego. E cada vez mais nós temos que nos aperfeiçoar nas técnicas de entrevista pra realmente detectar essas mentiras, porque tem sido grave algumas. Ela nos fala das mentiras mais comuns A informação de que o idioma inglês é fluente, aí quando nós realizamos a avaliação ele tem um nível intermediário sofrível, né? Às vezes é omissão da formação, então ele coloca lá somente graduação em administração e aí depois na entrevista ele informa que ele ainda não concluiu a faculdade ou largou a faculdade então isso também tem sido frequente. A mentira é facilmente descoberta e o candidato é eliminado do processo imediatamente. A mentira ela se sustenta por pouco tempo, né? Então uma hora chega, aparece sim as mentiras, né? Os resultados que ele diz que aconteceu ou aquele trabalho que ele falou que ele que fez e realmente na verdade não foi. Foi, né? Então acabar a questão de vender demais o seu peixe, fazer muito marketing, né? E lá na frente ver que o resultado não foi dele, né? Então, ou até mesmo uma competência que ele afirma ter, um trabalho que ele fez na outra empresa, né? E aí quando ele tem que, quando ele é chamado para fazer aquele trabalho, ele não dá conta. Então o que acontece? A credibilidade vai por baixo, né? Vai por água abaixo, não tem como. Ser sustentado, né? Existem os casos mais graves, os sociopatas. O filme "Prenda-me se for capaz" retrata bem isso. Em uma das cenas, o ator principal se passa por médico, engana a todos, mente ter uma profissão que não tem.
Senhoras, qual o problema? Acidente de bicicleta, tíbia fraturada 12 centímetros abaixo da rótula. Dr. Harris? Sim?
Concorda?
Eu concordo.
Com o quê? Com o que o Dr. Ashland disse. Você concorda?
Ah, foi um acidente de bicicleta.
O menino nos disse. Então concorda?
Concorda?
Eu acho que deveríamos tirar um raio-X, costurar, E depois engessar.
Doutor Kendall, radiologia.
Muito bem, Doutora Ashley, muito bem.
Parece que não precisam de mim aqui.
Prossigam.
Dei mancada, não foi?
Por que eu não concordei?
Falar a verdade no currículo e na entrevista de emprego sempre vai ser o melhor negócio. Omitir algumas informações ainda é aceitável. Mas mentir, não. A gente fala: seja o mais natural possível, seja você mesmo, porque se você for numa entrevista e se dissimular, lá na frente, quando você estiver lá na empresa, vão falar: "Nossa, mas essa pessoa é diferente dessa", né? E aí realmente, fatalmente, acontece a questão de cair a credibilidade, né? Infelizmente. Entrevista não tem como mentir, né? Tem tudo certo. Tem que estar certinho na carteira, não adianta chegar lá e mentir, né? Eles sempre descobrem que é mentira.
Bom, e aí, Marlon, vale tudo para chegar ao sucesso na carreira? Como a gente viu algumas coisas aí.
Depende muito do que é esse tudo, né? É bem interessante que dentro do coaching a gente trabalha muito a validação validação da meta do coaching, né? Então, antes mesmo da pessoa executar, a gente faz uma série de validações, verificações, para ver se é sustentável. A gente usa o termo ecológica. Sua meta é ecológica? Ou seja, a sua meta, de uma forma, ela interfere na vida das pessoas que estão ao seu redor ou no ambiente no qual você se encontra? Se sim, então o que a gente pode fazer para que isso não interfira? Porque uma vez que a sua meta não seja sustentável, vai chegar num determinado ponto que você vai cair, você voltar para a estaca zero. Então, vale tudo? Depende, o que é tudo?
E como evitar esse tipo de comportamento aí, Reginaldo? Da mentira? Primeiro, vamos ser sinceros, né? Já é um bom começo.
Você fala evitar mentira no sentido da pessoa?
Da pessoa, no caso dela chegar no emprego e falar que, que nem a gente estava citando um exemplo aí no trecho dessa reportagem.
Eu acho que acontece muito é que existe uma cultura, infelizmente, uma cultura brasileira é das pessoas quererem serem espertas.
Um jeitinho brasileiro de sempre, né?
Daí que vem esse jeitinho brasileiro, né? Então as pessoas às vezes querem subir alguns degraus, mas subir de forma rápida, sem ter a base para chegar lá. Então, como se disse no VT aqui, quer dizer, a pessoa não tem o inglês, ela não se preparou, ela não sabe falar bem o inglês, mas ela diz que fala bem o inglês. Então ela não está preparada. Então ela quer passar para o degrau 8 sem estar preparada. E o que vai acontecer é que ela vai chegar no degrau 8 e ela não vai conseguir sustentar aquilo.
Porque ela vai ser testada nesse degrau, né?
E aí ela vai cair. E quando ela vai cair, se ela estava no degrau 6, ela vai cair para o degrau 4. Porque agora a imagem dela vai estar manchada nesse ambiente profissional. E aí para ela crescer depois vai ser muito mais complicado.
O tombo dói, né?
Então tem um preço a se pagar. Exato. Mentir você paga um preço também se você for descoberto. E é descoberto. Sempre quando você mente, uma hora ou outra a pessoa descobre. Pode demorar um pouquinho mais, mas é descoberto.
Bom, e vamos falar agora então a respeito da síndrome do impostor. O que é isso? Marlon, vamos explicar um pouquinho.
Legal, legal. Síndrome do impostor nada mais é que o ato de você questionar os bons resultados que você vem obtendo na sua vida profissional, através de justificativas como: "Eu tive indicação de alguém", "Obtive ajuda de alguém", ou "Eu tive sorte". É curioso que a síndrome do impostor está presente cada vez mais, assim, é claro nas pessoas que têm realizações profissionais excelentes. São nessas pessoas que aparecem essa síndrome do impostor. Mas não há com o que se preocupar. A síndrome do impostor não é uma doença, é simplesmente um termo, um termo para você, que caracteriza esse sentimento de "eu não sou capaz, não fui eu que fiz".
Dentro disso, quais são assim os principais sintomas dessa síndrome? Como é que a pessoa começa a detectar que ela está realmente com essa síndrome do impostor?
"Eu estou identificando isso." Acho que um dos pontos aí é que, em geral, essa pessoa é perfeccionista. Então, é uma pessoa que vem de um histórico de vida em que foi muito cobrado, exigido, e ela começa a se cobrar muito na vida profissional, começa a realizar algumas coisas, e muitas vezes ela não desenvolve a autoestima dela. E a autoestima, como se desenvolve a autoestima? Se desenvolve com relações afetivas, com boas amizades, com bons vínculos, com um bom relacionamento homem-mulher no casamento, aí que você desenvolve a autoestima. Então, em geral, uma pessoa que às vezes investe muito do seu tempo no trabalho, na vida profissional, e deixa o lado socioafetivo de escanteio, tá? E aí é a hora que ela começa a questionar o valor dela, ou seja, a autoestima dela está diminuindo e ela começa a questionar se ela de fato é competente mesmo.
Bom, esse é o Programação Nacional, estamos falando sobre carreira e também a síndrome do impostor. Nós vamos para um rápido intervalo e voltamos daqui a pouquinho.









