Reginaldo Aguiar e Marlon Silva conversam sobre carreira e a Síndrome do Impostor Parte 2

Reginaldo Aguiar, a clinical psychologist, and coach Marlon Silva discuss what makes a career successful. They argue that internal satisfaction matters more than external approval, and that family expectations often push people into the wrong jobs. Beyond technical skills, leaders need empathy and strong communication to advance.
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De volta com o programa Ação Nacional. Nós estamos falando hoje sobre carreira e síndrome do impostor. Se você quiser participar conosco, pode mandar um e-mail para o acionacional@rs21.com.br ou através do nosso Facebook, que é facebook.com.br/ação Nacional. Estou aqui com a presença do Reginaldo do Carmo de Aguiar, psicólogo clínico cognitivo comportamental, e também com a presença do coach Marlon Silva Domingues da Silva. Bom, gente, a gente estava falando um pouquinho sobre carreira e tal, e tem uma pergunta muito interessante: o que seria uma carreira bem-sucedida? Aquela que você se realiza particularmente ou aquela que existe apenas a realização financeira? Gostaria da opinião dos dois. Quem quer começar?
Na psicologia comportamental, a gente trabalha com os conceitos que se chamam assim: reforçadores intrínsecos e reforçadores extrínsecos. O que quer dizer isso? Vamos explicar isso um pouquinho para o pessoal de casa. Quando uma pessoa toca um violão muito bem e não precisa de ninguém, só ela tocar e ela se sente bem tocando aquele violão, a gente diz que o ato de tocar já reforça ela intrinsecamente. Ela sente muito prazer no ato de tocar aquele violão. Ela não precisa de audiência nenhuma, não precisa de atenção de ninguém. Ela se sente bem, já basta já. E a pessoa que ela necessita do reforçador extrínseco é aquela pessoa que toca o violão, mas ela precisa necessariamente das pessoas, dos outros, ela precisa da atenção do outro, tá? Então assim, as pesquisas revelam que aquelas pessoas que estão mais ligadas àquilo que é intrínseco a elas, elas são mais felizes, elas são mais realizadas. Então, ter uma profissão e fazer aquilo porque gosta e não porque vai chamar a atenção dos outros ou porque vai ser admirado pelos outros, essa pessoa vai ser mais realizada na vida.
Marlon, você também concorda com isso? É mais ou menos esse lado?
É mais ou menos isso, sim. Há um bom tempo eu comecei a me perguntar realmente o que era o sucesso. Por muito tempo me apoiei no sucesso como atingir um nível gigantesco numa carreira ou ter carro ou ter uma casa. Através de bens materiais. Mas com o tempo você começa a perceber que o sucesso é uma coisa muito subjetiva e muito particular do ser humano. Cada pessoa possui uma maneira de enxergar o sucesso. E eu comecei a perceber que o sucesso, na minha visão, era algo muito maior, algo que começava de dentro para fora. Então, quanto mais eu conseguisse me conhecer, me sentir bem, da forma que o Reginaldo falou, estar bem com o meu trabalho, com as pessoas com quem eu convivo, comigo mesmo, Esse seria o meu maior sucesso. Não necessariamente é atingir, ter algo material, mas consequentemente, a partir do momento que você tem esse sucesso interior, as coisas começam de uma forma ou outra a andar com mais alegria para você também.
E no caminhar de vocês, no trabalho de vocês, vocês se deparam com esta realidade aí no meio profissional, nas pessoas que vocês atendem e fazem consulta, Marco?
Sim. A maioria das pessoas que me procuram hoje para iniciar um processo de coaching está relacionado à carreira. Muitas delas vêm com a questão: "Eu estou estagnada, eu não quero mais esse trabalho, esse trabalho não me traz felicidade." E durante o processo de coaching, muitas vezes, o que acontece é a pessoa não abandona o trabalho, mas ela começa a entender as outras oportunidades que possuem ali mesmo, dela se conhecer e de ela ser cada vez melhor. Mas existe sim uma grande necessidade de entendimento do que é o sucesso. As pessoas chegam realmente ansiosas, né, porque eu tenho que conseguir isso, tenho que conquistar aquilo, é muito ter. Mas as pessoas com autoconhecimento aprendem a ser também e a sentir isso. Essa é a beleza do processo.
E vale lembrar também a influência da família também. A gente sabe que hoje no Brasil o jovem de 17 anos ele precisa fazer uma escolha de um curso universitário. E às vezes ele é muito jovem ainda porque ele não teve uma bagagem, uma experiência de vida para fazer essa escolha. Então ele acaba fazendo uma escolha muitas vezes influenciado por essa família. Então você imagina só uma pessoa que tem uma vocação para o mundo das artes e a família quer que ele seja engenheiro. E aí ele é uma pessoa que tem potencial para passar no curso de engenharia e ele passa, mas ele chega lá e é extremamente infeliz. Por mais que ele entre numa empresa, tenha um salário alto, ele vai ser uma pessoa infeliz com esse trabalho. Então isso é muito comum, então vale sempre pensar nessa influência da família. Um trabalho de coach, um trabalho em psicologia, você também tenta avaliar essa influência dessa família, tá, e deixar claro para a pessoa que o importante é a essência dela, os valores dela, o que ela gosta, a vocação dela.
Exato.
E chega o ponto de vocês descobrirem que a pessoa realmente, olha, você está na profissão errada, meu filho?
Existe, bastante.
É muito comum.
Posso dar um exemplo pessoal?
Pode, pode.
Eu sou formado em análise de sistemas. Minha carreira foi feita toda em TI. E a partir do momento que eu comecei a me conhecer, eu estou sendo bem chato e repetitivo com a questão do autoconhecimento, mas para mim é tudo. Então quando eu comecei a me conhecer mais, entender realmente os meus talentos, as coisas que eu sabia que eu sabia fazer melhor, você acaba tomando um outro rumo. Eu não abandonei o ambiente de TI, mas hoje a minha vocação está voltada muito mais para desenvolvimento das pessoas do que das máquinas em si. Então acontece muito.
É por aí, é um bom exemplo.
É um bom exemplo, tá aqui. Bom, Marlon, na sua visão, quais os critérios profissionais aí para que a pessoa deve ter para chegar à ascensão na carreira, para aquele profissional que já está no mercado?
Legal. Na empresa em que eu atuo, a gente tem um programa de desenvolvimento muito bacana lá, no qual você pode apoiar outras pessoas no desenvolvimento da carreira delas também. O que eu tento enfatizar sempre é essa questão do se conhecer. Além das habilidades técnicas, o que mais você necessita para poder continuar caminhando? Essa questão de capacidade e comportamento, ela é primordial. É você saber: "Bom, eu fui numa reunião, não consegui passar um feedback, não consegui me comunicar bem." Então qual é o comportamento, qual é a capacidade necessária que você tem que ter para que você tenha resultados melhores da próxima vez? Então eu acho que o profissional hoje que se atenta bastante não só à questão técnica da sua função, mas também comportamental de ser humano, é o profissional que tem cada vez mais chance de crescimento. Os grandes líderes hoje que estão aí à frente de empresas são pessoas que têm um olhar humano, sabem aquele momento de dar um feedback corretivo, mas também sabem aquele momento de elogiar, de levar a pessoa para que ela se sinta bem e ela possa continuar caminhando.
Esse equilíbrio que é o mais complicado.
Que é no momento que a gente chega ali para poder ajudar, para poder atuar. Eu costumo dizer que o coaching é um facilitador, né? Diferente do psicólogo, o foco do coaching é o presente, olhando sempre para o futuro, né? A gente não explora o passado no sentido de verificar as dores e o que aconteceu, não.
Nem de punitivo, coisas desse tipo.
Exato, exato.
Você tá errando aqui.
Exato, essa não é a ideia. A ideia é assim: legal, você "Olha, você teve um problema no passado, mas o que você aprendeu com isso? O que você pode utilizar para que possa te ajudar a continuar caminhando em frente?" Então, esse é o grande papel do coaching e da maneira que ele pode auxiliar essas pessoas que procuram esse equilíbrio entre a questão técnica, a questão mais humana, a vida pessoal, a vida profissional.
Já ouvi falar assim: "Nossa, esse cara nasceu para isso, nasceu para ser..." "Cheirante", ele nasceu para liderar pessoas. A pessoa nasce com isso já ou a pessoa busca essas habilidades? Como é que é isso?
Essa ideia de nascer é uma ideia muito ligada ao senso comum. Na verdade, a maioria dos repertórios, habilidades das pessoas, elas estão ligadas à aprendizagem. Ou seja, é claro que existem questões ligadas a uma predisposição genética. Isso é verdade, sim. Tem pessoas que naturalmente são inteligentes, porque geneticamente tem alguma coisinha que facilita a vida dela. Isso é verdade, sim. Agora, na maioria dos casos tem a ver com uma questão de aprendizagem, ou seja, a pessoa ela quer alcançar aquele objetivo, mas ela não foi ensinada, seja em casa, seja na escola. Um exemplo que eu sempre dou é a questão dos repertórios sociais e habilidades sociais. A academia, a universidade, a escola, Ela prepara muitos alunos para o lado da competência, mas é difícil você encontrar, por exemplo, uma aula dada para como desenvolver habilidades sociais, como lidar com negócios, como resolver problemas pessoais. Familiares. É, no sentido de lidar com pessoas. Não há esse tipo de repertório ensinado na academia, na escola. Então, o que acontece é que a universidade acaba formando muito pro lado da competência específica, mas na hora que envolve as habilidades sociais, não. E quando você quer alçar um voo maior, muitas vezes está no campo das habilidades sociais.
Essa falta, às vezes, dessa comunicação que ele está falando, porque na verdade é isso, né, uma falta de relacionamento humano, proximidade, às vezes pode ter isso, isso pode estar ocorrendo dentro das empresas e exatamente isso é o problema que está surgindo ali O gerente às vezes não está conseguindo liderar as pessoas porque está havendo uma falta de aproximação, proximidade entre departamentos ou entre profissionais.
Uma falta de comunicação.
Uma falta de comunicação interna.
Isso acontece bastante, né? Até muitas literaturas citam que os gerentes devem se tornar líderes. Gerenciar, essa gerencia projeto, mas pessoas tem que liderar elas, né? Essa é realmente o que deveria o que está sendo feito, né? Você não consegue gerenciar um ser humano, né? E as pessoas precisam de um apoio, né? E muitas vezes falta também nesse gestor a capacidade de enxergar, né? Como motivar, como elevar de repente o nível de satisfação do seu funcionário, do seu subordinado. É interessante também destacar que quando você está num processo de mudança, quando você procura atingir resultados diferentes, você tem que estar apto a mudar. O que a gente trabalha no coaching são pessoas que querem mudança, que estão ali abertas a enfrentar algum tipo de mudança, porque não existe mágica na psicologia, não existe mágica no coaching. Você tem que querer, esse é o primeiro passo. Einstein já dizia, uma bela definição de loucura, que querer resultados diferentes fazendo a mesma coisa, isso é loucura. Então assim, se você quer resultados diferentes, comece fazendo alguma coisa, nem que seja mínima, mude um grau, um pouquinho de cada vez, você vai começar a ter já ter resultados diferentes na sua vida.
Até gostei de voltar um pouquinho, insistir um pouquinho. Nós fizemos um programa aqui, nós falamos um pouquinho sobre o uso das... do uso de tablet, enfim, computador, enfim, que as pessoas começam a querer... nós estávamos falando até aqui no intervalo do tal do Facebook, né? Me relaciono com a pessoa, eu respondo, outro responde, e muitas vezes você vê uma geração que está vindo aí que está assim, né? O outro está ali, o amiguinho está aqui, ele responde, O outro responde. E vamos trazer isso para dentro das empresas, né? As empresas hoje, lógico, dependem da tecnologia cada vez mais para poder ter mais desempenho, enfim, a gente sabe da necessidade. Mas esse excesso de tecnologia acaba prejudicando o relacionamento entre os funcionários?
É essa a pergunta que eu queria fazer.
Bastante também. Eu já presenciei casos em que colegas de trabalho sentando um de frente para o outro estavam discutindo discutindo via comunicador, né, ao invés de sentar e conversar, né, o qual acaba causando um problema ainda maior, né, porque através da internet você não tem expressão, você não sabe como a pessoa está realmente expondo aquilo que ela quer dizer, então você pode interpretar da maneira que você quiser, isso, ou seja, se está tendo uma discussão nesse momento, a tendência é que isso fique cada vez maior.
Às vezes uma palavra errada, uma vírgula errada, um texto dentro de um email pode gerar um conflito.
Exatamente, muitas vezes você tem conflito, né, se você trabalha com contas internacionais e tem que escrever um e-mail, alguma coisa em outro idioma, se você não toma cuidado com a palavra que você usa, você pode estar dando margem, abertura para a pessoa entender o que quiser. Então o meio de comunicação, a mídia, às vezes pode ser um problema.
E vale lembrar que a realidade é um conjunto, você lidar pessoalmente Ao vivo, e você lidar numa rede social são duas realidades. Então se você desenvolve só a realidade de lidar com a mídia, com a rede social, o que acontece é que você vai ficar atrofiado de lidar pessoalmente com as pessoas. E às vezes, para você trabalhar dentro de uma empresa, quando você vai trabalhar em equipe, você não vai conseguir usar aquela mídia, você vai ter que conversar ao vivo, a cores, Pessoalmente. Então se você não desenvolveu essa habilidade, você vai ter dificuldade, vai travar. Pode ser até um dificultador para você crescer na sua carreira.
Bom, esse é o Programação Nacional. Nós estamos falando aqui sobre carreira e síndrome do impostor, que nós vamos falar agora no próximo bloco a respeito disso. E também vamos falar sobre o tal do relacionamento entre chefe e o colaborador. Nós vamos para um rápido intervalo e voltamos já.









