Ambiente é o Meio #114: Exploração do pré-sal põe em risco maior área de restinga do Brasil
8 Feb 2024 · 26 min
Biologist Carlos Barbosa discusses how pre-sal oil extraction threatens Jurubatiba, Brazil's largest protected restinga wetland. Rapid urbanization in Macaé from oil infrastructure, combined with climate change and coastal development, is eroding these unique sandy ecosystems. Barbosa proposes converting oil wealth into a sovereign knowledge fund modeled on Norway's approach to finance education and environmental management.
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Está no ar, Ambiente é o Meio. Uma conversa sobre as questões do nosso dia a dia. Ambiente é o meio.
Boa tarde, ouvintes da Rádio USP, estamos iniciando mais um programa Ambiente ao Meio. Hoje temos a enorme satisfação e alegria de receber o professor é um tema extremamente relevante, é uma área grande, a maior área de restinga do Brasil, em Macaé, e as interfaces com essa exploração do petróleo no pré-saldo. Muito obrigado por ter aceito o nosso convite, participar dessa entrevista, desse bate-papo. Para a gente iniciar de maneira bem resumida, conte um pouco sobre a sua trajetória profissional. Muito obrigado mais uma vez.
Bom, boa tarde, professor Marcelo. Muito obrigado pelo convite, a todo mundo da equipe. Também fico lisonjeado de poder estar falando, trocando uma conversa aqui, falando algumas palavras. Bem, professor, eu sou formado em ciências biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, num curso em enfatizologia, possuo mestrado pela Universidade Federal do Paraná, e doutorado pela Universidade Federal Fluminense, doutorado em Biologia Marinha. Passei cerca de dois anos como pesquisador pós-doutorado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, trabalhando principalmente com ecologia de praias arenosas. Nesse âmbito, ao longo desses anos, a minha pesquisa vem se concentrando no estudo desses ecossistemas, que a gente fala de ecossistemas praiais. pesquisas ecológicas, mas pesquisas também, né, a ecologia, mas tentando abordar mudanças, né, mudanças geradas por impactos na costa. Então, esse é o, acho que é a principal linha de pesquisa atualmente que eu e os meus alunos, nós desenvolvemos aqui no Instituto.
Porque é importante, né, Carlos? Carlos, conte para nós, nós somos caipiras aqui do estado de São Paulo, o que que vem a ser uma restinga, o que que caracteriza uma restinga e a importância dela do ponto de vista ecossistêmico?
Pensem, primeiro, a restinga, ela está inserida no bioma da mata atlântica. Então, são formações várias vezes intercaladas por cordões arenosos, São locais onde existe uma, que a gente pode falar assim, condições ambientais mais, entre aspas, difíceis, mais cuscas. São solos, geralmente, que experimentam altas temperaturas. Existe uma influência marinha nesses solos. Às vezes, um déficit hídrico. Então, ela abriga tanto fauna e flora altamente adaptadas a essas regiões. E as formações de regina são as principais formações da nossa costa. E aí, falando particularmente de praias. Quando a gente fala de vegetações pós... A parte de vegetação pós-praia, certamente aqui no Brasil, uma das principais vegetações que nós estamos falando são de restingas. E aí, quando a gente comenta sobre praias arenosas, um dado que várias vezes a gente pouco reflete sobre, o ambiente praial, que a gente chama de praias arenosas, a gente tem cerca, a gente pode falar hoje, nos dados talvez mais atualizados, de um terço da zona costeira livre de gelo no mundo é formada por essas paisagens de praias arenosas, que eu digo. Falo arenosas porque a gente pode ter praias também rochosas, que são outras feições. O que a gente entende hoje no sentido da ecologia e conservação das praias, que incluem também, obviamente, as formações de restinga, são sistemas socioambientais, que a gente chama. Porque, se a gente for pensar, atualmente a gente tem cerca de 1 bilhão de pessoas vivendo a menos de 10 quilômetros da costa, e a gente tem uma relação inversa da densidade populacional e a distância da costa. Ou seja, grande parte da população do mundo, inclusive na brasileira, vive em áreas em áreas costeiras, a gente pode falar de várias definições para áreas costeiras, seja distância da costa, seja também associar isso a mudanças de altitude, mas de maneira geral, a gente pode estar falando, então, a poucos quilômetros da costa. E grande parte dessa população, ela depende diretamente desses recursos costeiros e existem Quando a gente fala também de ecossistemas costeiros, nós estamos nos referindo a manguezais, estamos falando também de ecossistemas estuarinos, ecossistemas recifais também, principalmente aqueles perto da nossa região costeira, mas as praias são os ecossistemas costeiros mais utilizados no mundo. Não existe nenhum outro ecossistema que mais pessoas utilizam, seja ele para recriação, para extração de recursos naturais, do que as praias arenosas. Então, elas estão inseridas aí nesse contexto de conflitos. Conflitos sociais e conflitos ambientais. E hoje, quando a gente discute bastante mudanças climáticas, as vegetações de restinga, todos esses ecossistemas associados a praias, eles estão certamente sob grande ameaça. O que a gente... em um artigo publicado, se eu não me engano, em 2020, em que foi cunhado o termo em que as praias e as zonas costeiras hoje elas sofrem um triplo golpe, um triplo golpe vindo do aumento da utilização dos recursos, da urbanização e a industrialização dessas localidades e pelo decréscimo, resiliência e a capacidade de resistir a mudanças climáticas. Então as zonas costeiras, e aí novamente, incluindo as suas formações de vegetação, sejam elas de restinga ou sejam elas de outras formações, lembrando que restinga é uma vegetação endêmica aqui da nossa costa, os nossos cordões costeiros estão sendo estrangulados. vindo pelo lado continental pela ocupação, pela modificação do hábitat natural e também várias regiões sendo estranguladas pelo aumento do nível dos oceanos. Se a gente tem no painel IPCC aí previsões de aumento de às vezes até 3 graus e aí isso depende muito da localidade, como essas consequências vão se dar, elas são muito particulares, Nós temos uma grande parte da população mundial e brasileira aqui também exposta a esses riscos, que a gente chama riscos ambientais e sociais por decorridos dessas modificações.
É bastante preocupante. Nesse sentido, a Imagaé é uma região que é uma exploração no pré-sal, a bacia de Imagaé, a bacia de Santos, muito espessos, muita exploração de gás, de óleo, enfim. É uma preocupação adicional. E o que isso pode, essa instalação desse dupla sal, da exploração, o que isso pressiona ainda mais do ponto de vista de impactos ambientais essa região, Carlos?
Não só assim, e onde a gente fala muito a exploração do pré-sal, que talvez sejam as principais reservas sendo exploradas atualmente. Mas a gente tem um exemplo que é trajetórias de cidades que se desenvolveram pela exploração da energia, seja ela de combustíveis fósseis ou, às vezes, oriundas de outras fontes. tem meio que uma trajetória em comum. O início da exploração e uma grande modificação dos hábitos naturais. Quando a gente fala assim até da exploração do pré-sal, o impacto que a gente tem na costa não é diretamente relacionado ao ato, por exemplo, de percuração, até porque grande parte da exploração é longe da costa. Mas a gente tem toda essa infraestrutura relacionada a exploração da energia. Então, Macaé sofreu uma grande transformação nas últimas décadas, desde a instalação da Petrobras e que se conhou o slogan da Capital Nacional do Petróleo aqui em Macaé, o município sofreu grandes transformações. Por exemplo, o aumento na sua densidade populacional nessas últimas décadas, e, certamente, uma grande transformação do hábitat natural da nossa costa. Como eu disse, não só para acomodar infraestrutura relacionada à exploração, mas todos os advendos que vêm dessa exploração, como, por exemplo, a urbanização da costa. O Parque Nacional da Restinga de Urubatiba é um dos um dos mais antigos parques nacionais da nossa costa. É um dos mais antigos sítios pelde, que a gente chama, que é o Programas Ecológicos de Longa Duração, que é um guarda-chuva do CNPq. Então, ele tem uma importância enorme, tanto ecológica como social aqui na nossa região. Então, o parque abriga espécies endêmicas, de aves, de mamíferos, além de um complexo de 18 lagoas costeiras ao longo da sua extensão. E é a maior área de proteção de restingas contínua da nossa costa. E ele está inserido nesse contexto. Por exemplo, hoje, uma das principais ameaças do parque, como eu estava falando, não só é uma ameaça devida diretamente da modificação do hábitat, do ato de exploração, mas sim a modificação do hábitat, por exemplo, pela urbanização e a ocupação irregular do entorno do parque. Então nós temos grandes pressões de ocupação bem em áreas limítrofes do nosso parque aqui da Restinga de Jurubatiba. Mas se a gente fala assim no litoral do Rio de Janeiro, em geral, Macaé ainda é um município privilegiado no sentido de conservação da sua costa. Apesar de ele estar aí entre os principais polos econômicos do Estado, Ele ainda possui uma população que não é tão grande e ainda temos grande parte da nossa área costeira preservada, não preservada diretamente por unidades de conservação, mas de certa forma foram preservadas por uma história particular do município. De suma importância, nesse momento, nós pensarmos em políticas públicas, políticas de Estado mesmo, em que a gente gere mecanismos de proteção da nossa costa. E aí, como eu costumo falar, porque esses mecanismos, eles não são só uma proteção ambiental, mas são uma proteção do nosso patrimônio sociocultural também da costa. No Macaé, nós temos também a parte serrana também, mas ela tem, por exemplo, o apelido da princesinha do Atlântico. Então, grande parte da história de Macaé, ela foi fundada ali por uma antiga vila de pescadores. Então, ela tem uma intrínseca história com o mar. E isso é de suma importância aqui para o nosso município. Mas a gente não tem que pensar, talvez, só em fatores negativos que essa exploração, ou ao longo dessa história, possam ter gerado. Se a gente for pensar quem são os principais criadores do estoque de CO2, por exemplo, aqui no planeta, são países que a gente pode chamar, entre aspas, países desenvolvidos. Estados Unidos, Inglaterra, E são ainda países que possuem uma... Estão na ponta de emancipação das suas ações de exploração de combustíveis fósseis. Então, quando a gente fala de proteção, de transição energética, é uma situação complexa em que a gente deve pensar que o quanto... de uma maneira pragmática, o quanto nós vamos perder no sentido social e ambiental e no sentido econômico também estratégico do país em um investimento ou em uma emancipação da exploração dessa energia e ao contrapasso da transição para a energia verde. que a gente chama o Brasil é um país muito privilegiado no sentido ambiental. Nós estamos certamente na ponta hoje de produção de energia já implementada, infraestrutura implementada na produção de energia limpa. Enquanto os outros países, por questões ambientais, também características ambientais, não chegam nem na metade da nossa da nossa produção. Então, eu acho que, acima de tudo, nós temos que ter uma visão estratégica, no sentido de proteção social aqui do nosso país, que a proteção social está intimamente ligada à proteção ambiental. Certamente, a degradação ambiental, ela gera uma degradação social, por consequência, com certeza. Então, assim, estratégias que a gente deveria pensar e que são adotadas por outras nações, como, por exemplo, a Noruega, por exemplo, em um fundo soberano, um fundo em que toda essa exploração de combustíveis fosse reverter-se para um fundo para geração de conhecimento. Então, o que nós buscamos hoje O que se propõe aqui hoje que Macaé não seja só a capital da energia, mas seja a capital do conhecimento. A exploração do petróleo ela é transitória e ela é volátil no sentido do preço do mercado, então hoje você pode estar ganhando muito e amanhã essa extração não vale mais a pena. Então pensar em alternativas, tanto de produção energética, mas alternativas de você gerar conhecimento agregado, oriundo, talvez de riquezas vindo da exploração do petróleo, em que a população se apodere dessa riqueza, por exemplo, através da fundação de centros tecnológicos, de uma educação de qualidade, Esses são, talvez, pontos estratégicos e positivos da consequência da mitigação, talvez, dessas ações.
Você toque em muitos pontos bastante importantes, Ricardo. Quando você menciona as fontes de energia descarbonizantes, a gente resume isso como limpa. mas nosso ouvinte é atento, ele logo vai perceber que a gente está tratando de uma energia com baixa emissão de carbono, o que é importante hoje.
Claro, todas elas geram algum tipo de impacto, por exemplo hidrelétrica, ela gera um grande impacto ambiental. A gente está falando quando a gente fala limpa no sentido de emissão.
Muito importante. Você comenta essa esse modelo brasileiro de concentração de renda e riqueza, subjugando as questões sociais e ambientais. Tanto esse modelo de Macaé, de alguma maneira, ele reproduz aquilo que é o nosso país, né, Carlos? Isso aqui é um problema não de Macaé, infelizmente. Se fosse só Macaé, daria mais fácil resolver o Brasil como é. E nesse sentido, não te parece bastante, agora a COP28, bastante esse fomento à exploração de petróleo na plataforma, em áreas ambientalmente extremamente sensíveis, você comentou a respeito de energia mais limpa, ou limpa, descarbonizada, Como é que vocês estão enxergando isso? Esse impacto, você menciona que não necessariamente o impacto é direto, mas a indução de crescimento, ocupação, o fluxo migratório, etc., causam impactos também, né? Como é que vocês estão enxergando o Macaé expandido para outras regiões tão importantes quanto o Macaé do ponto de vista ambiental? Estou cutucando fãs do Amazonas.
Isso, claro, que é o tema em voga atualmente. Acho que é muito difícil você fazer uma extrapolação histórica, por exemplo, de processos que ocorrem em Macaé e a gente falar que isso se daria de maneira idêntica em outra localidade. Certamente não. Todas essas cidades litorâneas no mundo que possuem a sua economia ou grande parte delas girando em torno da exploração de energia, elas têm pontos em comuns, óbvio, como aqui nós acabamos de comentar, mas elas também têm histórias muito particulares. Por exemplo, aqui o nosso instituto, o Nupen, ele atualmente tem um convênio com a Universidade Stavanger, na Noruega. E é uma cidade também que tem uma história de exploração de petróleo e de energia. E um colega nosso, professor, que atualmente está residindo lá há um tempo, acabou de publicar um relato, um trabalho, ele está estudando quais são justamente semelhanças e distinções na trajetória dessas dessas cidades. Então, as localidades têm problemas muito particulares, por exemplo, no caso lá da Foz do Amazonas, uma potencial exploração lá, certamente os problemas sociais que acometem aquela região são problemas sociais distintos, que acometem aqui a região sudeste, para se formos generalizar. dessa maneira. Então, eu acho que existem estratégias globais de transição energética, mas isso gira muito em torno também de esferas locais. Como a gente fala até em governança, as políticas locais elas são muito importantes. para os resultados positivos, tanto na conservação como na gestão dos ecossistemas, porque as localidades têm histórias muito particulares, elas têm conflitos muito particulares em que impede a gente fazer uma generalização do tema. Eu acho que, obviamente, a gente tem como aprender lições, com processos semelhantes que aconteceram em outras cidades, mas a gente tem que dar muita atenção às particularidades locais do que nós estamos falando. Por isso, uma gestão participativa dos problemas é muito importante, no sentido de você envolver a sociedade na discussão, na tomada, não só na discussão, mas diretamente na tomada de decisão dessas ações importantes que vão no fim, mudar a trajetória, talvez, daquele município, daquele estado, e vão mudar a trajetória de milhares de pessoas, por consequência. Então, eu acho difícil a gente fazer uma generalização dos problemas. Eu acho que eles têm casos muito particulares.
Sem dúvida, você trata, normalmente, de pontos importantes como a governança do local e a inserção da sociedade em decisão, em processo decisório. O que preocupa, certamente, é essa preponderância, quase que absoluta, preponderância, eu mostro isso, da economia sobre as questões sociais e ambientais. É isso que preocupa bastante. Portanto, se for viável do ponto de vista econômico, os demais não interessam. Essa que é a discussão. Esse é o problema. Por isso que é uma discussão, né?
Claro, claro.
Um desenvolvimento mais... eu vou usar o termo livre e sustentável, é impossível você ter esse aspecto sem contemplar de maneira direta as questões sociais, a maneira que a pessoa vive, a dignidade humana e também as questões ambientais. O econômico, ele é fator dessa equação, mas não pode ser o único. Se dá dinheiro, vou fazer e os outros que se adaptem. Essa aqui eu penso ser um grande aprendizado de Macaé, porque houve uma expansão urbana por um pseudo crescimento, favorecido pela chegada da Petrobras, e nós sabemos que Macaé hoje tem problemas sociais muito graves, cidades, eu vou chamar assim, se você não fica bravo comigo, cidade grande, né, Carlos?
Isso.
Claro. possivelmente potencializado lá nas suas Amazonas pela existência de povos ribeirinhos e pontos indígenas, que são muito mais fragilizados do ponto de vista social. É um pouco isso que eu queria comentar também.
Esse é que é o grande dueto. Nós temos que chegar em estratégias em que a riqueza gerada por essa exploração ela se converta em bens sociais, em que você melhore a vida das pessoas no geral. E melhorar a vida das pessoas no geral está intimamente relacionado com a preservação ambiental. Não existe melhora de qualidade social associada à degradação. Então, esse que é a grande equação a ser solucionada. Por isso que a gente está comentando aqui, o assunto é muito complexo. tem que ser analisado de maneira pragmática, envolvendo vários setores da sociedade, porque todos devem ter voz nesse sentido, porque senão a gente chega em soluções, como o senhor acabou de comentar aí, em que você privilegia um setor, ou privilegia talvez uma ideologia, em contraponto à degradação de várias, de milhares de pessoas.
Excelente. Infelizmente, Carlos, o nosso tempo se esgotou. Uma prosa interessante, muito profícua a respeito das questões relacionadas à área ambiental, litorânea, por assim dizer, essas transformações que ocorrem em prol de um valor econômico e Tem que acompanhar uma distribuição de renda e riqueza, né, Carlos? Esse é o grande problema que a gente está enfrentando. Só tenho a agradecer o Carlos Barbosa, biólogo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro em Macaé, especialista e restinga para nós aqui, mas não só. Carlos, quero agradecer muito a sua participação, agradecer também a Gabriel Soares pelos trabalhos técnicos sempre primorosos, Bia Pavan, Susan Henrique, em nome da Débora Piotos, a Marceline e eu, Marcelo Marinho, mais uma vez agradecer muito, Carlos. Muito obrigado pela sua participação.
Muito eu que agradeço, professor Marcelo. E aí, qualquer momento que a gente puder trocar uma conversa, fico à disposição.
Você acabou de ouvir Ambiente é o Meio. Produção e apresentação José Marcelino e Marcelo Pereira. Música tema Evandro Navarro. Sonoplastia Mário Ovaldo Avelino. Ouça também este e outros programas em www.ribeirão.usp.br
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