Ambiente é o Meio #172: Falta de coleta de lixo favorece descarte irregular e contaminação ambiental
23 Apr 2025 · 26 min
Neste episódio do programa Ambiente é o Meio, José Marcelino entrevista William Rodrigues Schepps, biólogo marinho e presidente do Instituto Ecofaxina. Schepps conta sua trajetória, desde a formação em Biologia Marinha até a fundação do Instituto em 2008, motivado pela grave poluição por resíduos sólidos no estuário de Santos. Ele descreve o estuário como altamente antropizado, com manguezais que funcionam como filtros biológicos essenciais para a qualidade das praias, mas que estão sendo degradados. O Instituto atua em educação ambiental, ciência cidadã e coleta de resíduos, colaborando com o IPEM em um estudo que identificou o Rio dos Bulgares – na divisa entre Santos e São Vicente – como um dos rios mais poluídos por microplásticos no Brasil. As fontes de microplásticos incluem descarte irregular de lixo nas comunidades de palafitas, falta de saneamento básico, esgoto clandestino, fibras têxteis de máquinas de lavar e degradação de macroplásticos. Schepps destaca o impacto direto na saúde das populações que consomem mariscos contaminados. Propõe soluções baseadas em coleta aquática por embarcações, cooperativas de resíduos gerando renda local, e integração de políticas públicas como o Plano Estadual de Monitoramento do Lixo no Mar (PMALM). O episódio também discute a necessidade de apoio institucional, segurança jurídica e investimento público‑privado para ampliar essas iniciativas, ressaltando a importância de empoderar as comunidades vulneráveis como protagonistas da mudança. O programa encerra agradecendo a produção e reforçando a urgência de ações coordenadas para mitigar a poluição e proteger o meio ambiente da Baixada Santista.
Chapters
Está no ar. Ambiente é o meio. Uma conversa sobre as questões do nosso dia a dia. Ambiente é o meio.
Olá, ouvintes do programa Ambiente ao Meio, na Rádio USP. Hoje vamos conversar com William Rodrigues Schepps, que é presidente do Instituto Ecofachina. E o tema é complicado. O Brasil, mais uma vez, campeão em algo. Infelizmente, nada positivo. O Brasil tem o segundo rio mais poluído por microplásticos do mundo. Vamos lá. Boa tarde, William. Uma alegria muito grande tê-lo com a gente aqui. Comece falando um pouquinho da sua formação, da sua trajetória profissional.
Boa tarde, José Marcelino. Tudo bem? Prazer é todo meu. Agradeço pela oportunidade. Bom, meu nome é William Rodrigues Chepes, como você disse. Eu sou biólogo marinho, diretor-presidente do Instituto Ecofaxina. E sou paulistano, nasci em São Paulo, vim pra cá, pra Santos, estudar Biologia Marinha, que na Universidade de Santa Cecília, que é uma universidade que forma bastante biólogos marinhos no Brasil, é uma... é Ciências Biológicas com foco na Biologia Marinha mesmo, então eu vim com a perspectiva de fazer aquilo que eu gosto, eu morava em São Paulo, já tinha feito outras faculdades, mas trabalhava no Palácio da Angabaúpa, Prefeitura de São Paulo, me mudei para cá para fazer já um pouco mais velho a biologia marinha, que era o que eu sempre tive como paixão, por ser um mergulhador, um surfista, ser descendente de espanhóis, comer sempre uma boa paeja e sempre tive no oceano boas referências de família, meu pai, com tudo que a gente viveu juntos aí nas praias, mergulhando. E me deparei aqui com essa realidade em Santos, do resíduo sólido, que é um problema grave que o santista já se habituou a essa questão, é um problema que já vem de longa data, do resíduo que chega às praias, que é descartado também pelo frequentador, mas que sobretudo chega às praias de Santos. pelo próprio mar. O mar deposita uma grande quantidade de resíduos nas praias, não só nas praias de Santos, como em todas as praias aqui da Baixada Santista, que sai também, dependendo das condições climáticas, esse resíduo pega correntes de deriva litorânea e se espalha pelo litoral paulista, com uma origem na parte interna, aqui do nosso estuário. É um estuário muito antropizado. A gente tem ainda bastante presença de manguezal. O manguezal na parte interna do estuário é o ecossistema que predomina. e que tem uma grande importância aqui em diversos aspectos, do ponto de vista da biodiversidade, mas também que ele é famoso por ser um berçário da vida marinha, as espécies marinhas entram no manguezal para se abrigar, para se reproduzir. mas também pelo ponto de vista de bauneabilidade das praias, tendo em vista que o manguezal tem uma função ecossistêmica muito importante, atuando como um filtro biológico natural para a depuração da matéria orgânica e dos poluentes que ficam retidos no sedimento de mangue. Isso favorece a bauneabilidade das praias. Então, se não houvessem os manguezais aqui ainda, o que resta deles, a gente teria uma condição ainda pior do que a gente já enfrenta de médias anuais de bauneabilidade aqui, oscilando entre péssimo e ruim, mas que sem os manguezais a gente teria ainda uma carga ainda maior de efluente que chegasse diretamente sem uma depuração dessa matéria orgânica pelo manguezal. Então, vendo todo esse aspecto de degradação do mangue, do manguezal e os impactos que isso gera aqui nas nossas praias, eu fundei, ainda como aluno de Biologia Marinha, o Instituto Ecofaxina, em 2008, ainda como aluno da Universidade de Santa Cecília, E, de lá para cá, a gente vem realizando, né, nós começamos com ações voluntárias envolvendo os próprios alunos da Biologia Marinha e, aos poucos, foi envolvendo outros cursos, isso foi ganhando visibilidade, né, aí as pessoas, né, a sociedade como um todo começou a participar, as pessoas da comunidade, então, o Instituto nasceu com ações de limpeza nessa porção interna do estuário, hoje já conhecido ali o DIC da Vila Gilda, A época não era muito conhecida, até pelo próprio cientista, e essa relação que a gente aqui estabelece, a partir do trabalho do Instituto Ecofagina, entre a desigualdade social, esse problema da vulnerabilidade social, com os impactos ambientais, que ali as pessoas muitas vezes são questionadas em relação à educação, à consciência, delas, mas que a realidade é que ali é uma área desprovida da presença do poder público e que as pessoas acabam fazendo esse descarte irregular de resíduos no manguezal por uma falta de opção para o gerenciamento desse resíduo.
Muito bem, vamos começar pelo começo. Eu escrevi aqui que além de perdermos por 4 a 1 para a Argentina, agora descobrimos que também entre os 10 rios mais poluídos por microplástico do mundo, o Brasil tem 6 e todos aí na região de Santos. E o segundo pior rio do mundo é o Rio dos Bulgres, que fica na divisa entre Santos e São Vicente. São Vicente que diga-se passado foi a primeira cidade fundada no Brasil em 1532 por Martim Afonso de Souza. Fale um pouquinho dessa pesquisa, uma pesquisa feita pelo IPEM, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, que funciona até no campus da USP, e que foi coordenado por Duclerque Parra, pesquisadora do órgão, mas que você também colaborou. Explica um pouquinho essa pesquisa, como foi feita, e que resultados são esses, William?
Aqui a gente atua, o instituto atua tanto na questão da educação ambiental, promovendo o voluntariado, mas também muito com a ciência cidadã, até com os dados desse voluntariado, que a gente faz coletas de resíduos, e com parcerias acadêmicas, com institutos de pesquisas e universidades, laboratórios, que a gente atua facilitando a pesquisa, uma ponte aí entre a comunidade, essas áreas mais vulneráveis e a academia, e o Instituto atuou, junto ao IPEM, com a coleta amostral, né, de sedimentos, em vários, em diversos pontos do estuário, sendo que três pontos estavam ali no Rio dos Bulgares, que fica na divisa entre Santos e São Vicente, que é uma região muito, ocupada por submoradias, o manguezal nas margens do rio já acabou sendo todo suprimido para ocupação irregular, e essas palafitas acabam descartando não só o resíduo, todo o resíduo, quanto o efluente do esgoto, dos banheiros, tudo vai direto para o manguezal. Então esse impacto é direto no ecossistema, não vem de forma difusa, ele é feito diretamente sobre o manguezal e isso acaba impactando ainda mais naquela região, o sedimento e toda a biota ali do rio.
Quando a gente olha as fotos, na matéria que eu vi na UOL, É muito lixo, e aí há uma certa tendência sempre a culpar as comunidades. Acho que dá para dizer que a coisa é mais complicada, William. Não são os pobres que produzem e consomem plásticos que vão gerar os famigerados microplásticos. Explica para a gente um pouco essa situação.
Ali realmente é uma região que sofre muito com a falta de presença dos serviços públicos, de saneamento, de coleta de lixo. Existe toda essa... as pessoas acharem que eles fazem isso por falta de consciência, esse descarte irregular dos resíduos, as pessoas estão preocupadas com diversos problemas sociais, não só a questão do resíduo, mas outros até mais graves. que as famílias enfrentam e que a questão do resíduo em si é um problema para eles também, porque quando a gente começou a fazer essas ações na região, a gente ouviu uma frase na comunidade que nos chamou muito a atenção como biólogos, principalmente, de que as pessoas se referiam a maré como lixeiro, então a gente ouviu essa frase de joga na maré que a maré é o lixeiro pelos próprios moradores porque não há a coleta do resíduo. E os moradores que moram, então, só para contextualizar um pouco para o ouvinte entender, ali são vários becos de palafitas, cada beco de palafita você tem de um lado do beco 40, 50, 60 moradias, de um lado e de outro. Então, quem mora na frente do Beco, que dá para via perimetral, que já de acesso urbano, não quer que essas famílias tragam o resíduo todo para frente, porque vai ficar na porta dessa pessoa. Então ela fala, olha, e as pessoas já estão habituadas, todos os barracos de palafita, como a gente chama, eles têm na cozinha já a única janela, se é para ter uma janela no barraco ou na cozinha, onde se lida com todo o consumo, que é preponderantemente alimentar, de consumo de alimentos, né, então embalagens alimentares de alimentos é o que a gente mais encontra, né, então sacos plásticos, né, de arroz, supermercado, muita fralda também, então tudo que é gerado num lar, né, por essas famílias acaba sendo descartado no mangue como uma maneira mesmo de se livrar do problema, né, e sabendo que é uma questão controversa, errada, que causa problemas para eles próprios, mas é a única maneira que muitos ali encontram para lidar com resíduo, descartar diretamente na maré, como eles chamam, manguezal, e isso acaba trazendo impacto para o meio ambiente, mas sobretudo para eles mesmos, porque muitas dessas famílias consomem muito do pescado, do mexilhão, das ostras, de tudo que eles conseguem capturar no estuário de organismos para complementar na alimentação e essa contaminação por microplásticos acaba carregando outros poluentes para dentro da cadeia prófica desses organismos, que afeta a própria saúde dessa população, que muitas vezes carece também de informação. O trabalho do Instituto Ecofagina também é falar que essa poluição toda acaba impactando a saúde deles, a gente tenta trazer de uma linguagem mais popular a questão da pesquisa, da ciência que a gente realiza, para que eles entendam que a poluição do estuário, do rio, dos bugres ali, principalmente, acaba causando problemas para a saúde dessa própria população.
E do ponto de vista das políticas públicas, quer dizer, você mesmo falou que da maneira que é feito, como você só tem um acesso distante das moradias, onde são casas com muita densidade populacional, quer dizer, então não dá para pegar todo o lixo e acumular num ponto como às vezes se faz em São Paulo, a gente vê. Por outro lado, quer dizer, a gente tem no Brasil, quando você vai para o Norte, por exemplo, muitas das vias são aquáticas, quer dizer, então você tem o transporte dos estudantes é feito por via aquática, quer dizer, não existem projetos no sentido de pensar mecanismos que coletem esse lixo, porque me corrija se eu estou errado, a principal causa é realmente o lixo ou existem outras fontes também que trazem esse microplástico.
Existe também a própria água utilizada nas máquinas de lavar roupas, então parte desse microplástico é composto também por fibras têxteis, então quando a gente lava nossa roupa na máquina de lavar, tecidos como poliamida, tecidos sintéticos, poliéster, nylon, acabou soltando essas microfibras, isso é um trabalho que tem que ser feito nas estações de tratamento de esgoto com modelos mais eficientes de tratamento de esgoto para que isso não chegue na natureza, que é o que inexiste também no nosso emissário submarino, o emissário submarino não tem uma estação de tratamento de esgoto e sim uma estação de pré-condicionamento de esgoto, onde esse esgoto é clorado, ele tem Ele é peneirado para tirar os resíduos maiores, as partículas maiores, e é lançado esse influente no meio da Baía de Santos com diversos contaminantes. Então, não é um problema só das palafitas, a questão do microplástico, mas ele chega também com origem no esgoto de toda a população. Tanto na parte urbana, a gente também tem ligações clandestinas do esgoto na rede pluvial, que tudo isso impacta também. Mas o microplástico, ele tem diversas fontes, mas hoje a quantidade acumulada de macroplástico, de embalagens, de resíduos maiores, próprio isopor também, no estuário acaba sofrendo esse processo de fotodegradação e o plástico vai se particulando, ele vai se ressecando, se tornando partículas cada vez menores e formando esse microplástico, chega a escalas de micrômetro, nanômetros e a gente acaba só conseguindo ver isso em laboratório. E são justamente essas partículas que são ingeridas por organismos filtrantes como ostras, mexilhões, também organismos letritívoros como camarões. caranguejos, siris, e que são organismos mais resistentes à poluição e que estão presentes nessa área interna do estuário, que também são muito consumidos por essa população. Então, tem uma origem difusa, a própria chuva que lava a ilha, lava toda a região metropolitana e chega nesses canais estuarinos, também carrega muito microplástico, mas a gente pode estar atuando, como você disse, plano de saneamento básico do Amazonas, de regiões que sofrem mais com essa questão de oscilação de marés, onde as casas ali precisam ser palafitas. não existe outra opção, a gente atuar com esse tipo de serviço via aquática, a gente trabalhar com embarcações, e é nisso que o Instituto vem pautando uma das soluções para a questão da poluição marinha aqui na região, é atuar próximo a essas comunidades, gerando oportunidade de emprego para essas pessoas, a partir dos próprios resíduos que elas geram, e aí sim, trazendo um serviço diferenciado para a coleta de resíduos, através de uma cooperativa formada por esses próprios moradores, atuando próximo às comunidades e fazendo a coleta na comunidade, e também retirando esse material que já está nos manguezais, retidos entre as raízes do mangue, que se acumula muito no manguezal, eles irem retirando e, ao mesmo tempo, trabalhando isso dentro da comunidade, falando, olha, agora a gente tem para onde levar. Nós temos agora como tirar isso de barco daqui, passar todo dia com o barquinho coletando, como se fosse o caminhão do gás. Então pode colocar até uma musiquinha passando ali pelo meio do rio e as pessoas disponibilizarem esses resíduos no final dos becos. no lado oposto, para o rio, e esses barcos fazerem a coleta e gerarem renda para essa comunidade, para muitas pessoas que precisam de oportunidade e que conhecem essa iniciativa do Instituto de buscar parceiros para a implantação desse projeto. Inclusive, a gente deu muita sugestão no PMALM, que é o Plano Estadual de Monitoramento do Lixo no Mar, junto com o Instituto Oceanográfico, né, a gente participou de diversas reuniões, é um projeto do Governo do Estado, mas comandado aí, né, pelo professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico, e que a gente trouxe, né, isso como uma referência para abordagem de políticas públicas, né, nessas regiões que, aqui da Baixada Cientista, principalmente, que ocupam canais em todos os municípios, não é um problema só de São Vicente e Santos, mas de Guarujá, de Cubatão, Praia Grande, a gente tem diversos pontos do estuário que não contam com a presença do poder público e as comunidades estão presentes nessas áreas de preservação permanente.
E do ponto de vista de experiências positivas, quer dizer, existem, seja aí vocês mesmo, Ecofaxina, quer dizer, experimentos que você acha que tem esse potencial de disseminação. Olha, esse é um caminho, às vezes, é claro que sempre a questão do financiamento é fundamental e tem que ser público, porque afinal de contas todos pagamos impostos. Mas quer dizer, às vezes, nem sempre a questão financeira é o impeditivo. Falta realmente o de vontade política, ou de tecnologias mais adaptadas. Então, cite alguns exemplos aí que você acha que vale a pena compartilhar.
Olha, eu acho que a própria trajetória do Instituto Ecofaxina, ela pode ser uma referência, uma inspiração para a gente seguir nesse caminho. A gente enxergou na comunidade, as pessoas que podem ser protagonistas de uma mudança de cenário. Eles hoje são vistos como os culpados, que na verdade eles são vítimas, porque vivem numa área de exclusão, onde não têm acesso aos serviços públicos e que carecem de informação e de meios para que eles possam lidar de forma sustentável com seus exíbitos. É muito fácil a gente abordar questões de sustentabilidade, falar de de consumir produtos de origem sustentável, de empresas sustentáveis. As pessoas estão lá preocupadas no que colocar na mesa. Então, o saco de arroz que vier, da empresa que vier, o produto de limpeza que der para comprar. Ninguém está pensando muito nas questões hoje que a gente tem de cobrar uma redução do uso do plástico e tal. Para eles, quanto mais plástico chegar, melhor, porque plástico é sinônimo de bens de consumo. Então, para eles, o que importa lá é poder ter o que colocar na mesa e sanar os problemas mais urgentes. A questão da poluição é uma questão que a gente entende que pode voltar para o benefício deles próprios, na questão da reciclagem, da geração de renda, e que eles podem se tornar protagonistas numa mudança de cenário, onde o poder público possa abraçar essa causa, junto a essas pessoas, dando condições de segurança jurídica para que a gente possa atuar nessas regiões. Como eu disse, são todas as regiões de área de preservação permanente, então a gente precisa desse aval do poder público para poder, primeiro, trazer investimentos para essas áreas, trazer iniciativa privada. Muitas empresas hoje já têm uma política de empresas que são multinacionais e que já atuam em outras regiões do planeta, no sudeste asiático, na Europa, nos Estados Unidos, na África, e que atuam na questão da mitigação dos impactos, até mesmo hoje, pensando também nas mudanças climáticas, e que tem vontade, tem obrigação, mais que tudo, nos seus relatórios de sustentabilidade, tudo de demonstrar essa participação, essa responsabilidade compartilhada com essas questões, e a gente precisa do poder público ter a mesma velocidade que nós do terceiro setor. Nós, biólogos, gostaríamos de ter resolvido isso, o instituto está fazendo 16 anos, a gente gostaria de ter dado andamento nessa resolução desse problema. há muito tempo, então, e com a iniciativa privada também, que já tem essa vontade, a gente trazer o poder público num passo mais acelerado para que a implantação de projetos junto a essas regiões que precisam desse aval, dessa segurança jurídica que o poder público pode nos dar, para trazer investimentos e até para que a gente consiga locais para desenvolver esse trabalho. Precisa ser na margem estuarina, porque é lá que as comunidades estão, e para que a gente possa atuar com embarcações, a gente precisa ter acesso à margem. Então, a gente precisa, de fato, que o poder público participe ativamente e volte seus olhos e entenda que essas regiões e meio ambiente, elas estão ali um pouco escondidas, mas que está todo mundo atento a essas questões e cada vez mais a gente vem trazendo à tona e que isso vai trazer para eles visibilidade política, né? Então, muitas vezes se pensa em políticas públicas só na questão, né, do do que isso vai trazer de dividendos políticos eleitorais para aquele político, e eles entenderem que, de fato, políticas para essa região mais carentes podem trazer também muita visibilidade, e hoje são questões que estão muito em voga junto à imprensa, junto à opinião pública.
Muito bem, nós estamos caminhando para o final, eu acho que é até importante ressaltar que Santos é uma das cidades mais ricas do Brasil, quando a gente analisa a receita por habitante, Santos, Guarujá, não é o caso de São Vicente, mas possui uma arrecadação própria gigantesca, exatamente em função do turismo, um turismo que é mantido muitas vezes por esses trabalhadores. Lembrar também que nós estamos falando de uma região que teve o crime da Vila Socó, que foi uma vila totalmente incendiada por incúria da Petrobras. Então, quer dizer, a gente já tem um passivo acumulado extremamente grande. E pelo que você fala, a sensação é enxugar gelo. Vocês coletam lixo, mas mais lixo aparece. Mas gostaríamos de agradecer muito, passar para você, para os seus comentários finais, antes só dar os créditos. Nós gostaríamos de agradecer muito a equipe técnica do programa, a pessoa do Luiz Fontana, a Mário Broder, na edição, coordenados pelo Gabriel Soares, a nossa equipe de produção, que é a Maria Beatriz Pavan, a Beatriz Oliveira, e a coordenação desse projeto que já vai com 19 anos na luta por um planeta mais sustentável e mais justo, feita pela Débora Pioto, Marcelo Pereira e eu, Zé Marcelino. Muito obrigado, William. A palavra é sua.
Eu agradeço muito pelo espaço, em nome de você, José Marcelino, em nome de toda a equipe do programa, por esse espaço que vocês nos dão aqui e dizer que o problema não está sem solução. Nós estamos trabalhando muito nisso, acho que as comunidades têm esse papel realmente de liderança nesse processo e a gente precisa empoderar toda essa comunidade para que eles se tornem realmente atores numa mudança de cenário para a nossa região. Agradeço mais uma vez e fico à disposição para futuras entrevistas e atualizações sobre essa temática tão importante para todos nós.
Valeu, William.
Eu que agradeço, José Marcelino.
Então tá bom, William. Um abração aí.
Você acabou de ouvir Ambiente é o Meio. Produção e apresentação José Marcelino e Marcelo Pereira. Música tema Evandro Navarro. Sonoplastia Mário Ovaldo Avelino. Ouça também este e outros programas em www.ribeirão.usp.br
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