Ambiente é o Meio #19: Atividade humana aumenta emissão de aerossóis e desequilíbrio climático
10 Nov 2021 · 25 min
No episódio 19 do programa Ambiente é o Meio, Marcelo Pereira entrevista o pesquisador Eduardo Landufo, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEM). Landufo descreve sua trajetória – formação em Física na USP, doutorado sanduíche na Universidade de Pittsburgh e atuação no IPEM, onde desenvolve pesquisas com LIDAR (radar a laser) para monitorar a atmosfera. Ele explica o que são aerossóis, destacando que são partículas que variam de 1 nm a alguns milímetros, incluindo poeira, sal marinho, pólens, granizo, fumaça e carbono negro. As fontes são divididas entre naturais (vulcões, vento que levanta solo, neve, sal marinho) e antrópicas (combustão incompleta, tráfego, desgaste de pneus e asfalto). Landufo detalha os efeitos climáticos: o efeito direto de espalhamento da radiação solar que pode refletir luz ao espaço (resfriamento) ou absorver energia (aquecimento), dependendo da composição e tamanho; e o efeito indireto, que altera a formação de nuvens e o ciclo hidrológico, podendo reduzir ou mudar padrões de precipitação. Ele cita exemplos recentes – a redução de emissões durante a pandemia de 2020, que deveria ter aquecido o planeta, mas foi contrabalançada por incêndios na Austrália que injetaram grandes quantidades de aerossóis, gerando um resfriamento temporário; e o transporte de fumaça de queimadas na Amazônia para o Sudeste brasileiro, observado por LIDAR e satélite, inclusive bloqueando o sol em um dia de setembro de 2019. O programa aborda ainda a geoengenharia: a proposta de injetar aerossóis refletivos na estratosfera para mitigar o aquecimento, mas alerta para os riscos de “criticalidade” e perda de controle sobre sistemas climáticos caóticos. Landuvo relata o monitoramento sazonal (junho‑setembro) com LIDAR, observando aumento de eventos de aerossóis de origem de queimada, sua altitude, duração (até uma semana) e alcance transatlântico até a África. Também discute tempestades de poeira em Ribeirão Preto, associadas a ventos fortes sobre áreas desprovidas de vegetação, e a preocupação com desertificação. O episódio encerra enfatizando a interconexão global da atmosfera e a necessidade de vigilância científica.
Chapters
Está no ar, Ambiente é o Meio. Uma conversa sobre as questões do nosso dia a dia. Ambiente é o Meio.
Boa tarde, ouvintes da Rádio USP. Boa tarde, ouvintes do programa Ambiente é o Meio. Hoje temos o prazer de conversar com o pesquisador Eduardo Landufo. que nosso assunto vai ser algo como aerossóis e os aspectos de poluição, aquecimento global, assuntos assim. Leandro Duvo, muito obrigado por ter aceito o nosso convite e participar dessa prosa ambiental tão importante. E, para iniciar, um resumidinho, contar para os nossos ouvintes um pouco sobre a sua trajetória profissional. Muito obrigado, Leandro Duvo.
Eu sou físico de formação, né, e me formei no Instituto de Física aqui da Universidade de São Paulo. Eu digo aqui porque eu tô dentro do campus, mas hoje eu trabalho aqui no Instituto de Pesquisa Energética e Nucleares, mas antes eu não vou pular todo esse tamanhão de coisas que eu passo. Fiz a minha graduação no Instituto de Física, aí fiz a minha iniciação aqui no Instituto de Pesquisa Energética e Nucleares, onde eu realizei o meu mestrado, e doutorado em tecnologia nuclear. No caso do doutorado, eu fiz um doutorado de sanduíche. Na época, eram dois anos que a gente podia ficar fora. Fiz na Universidade de Pittsburgh. Retornei e nesse... vamos dizer, nesse... em terreno, nesse meio, nessa passagem, a gente... eu entrei aqui como funcionário no Instituto de Pesquisas, né? Engenharia Esquimocrética, como funcionário, servidor. E depois de ter defendido o doutorado, eu comecei a trabalhar no Centro de Leis e Aplicações, onde eu estou até hoje. E as aplicações de leis em que nós trabalhamos é a aplicação de leis no meio ambiente. Mais especificamente, eu trabalho com um instrumento que a gente costuma chamar de radar de laser, que tem o acrônimo ou a sigla de LIDAR ou LIDAR, que é muito parecido com radar. O radar é onda de rádio e o LIDAR ou LIDAR são luz, fótons. Os dois são fótons. No nosso caso, seria um fótons ultravioleta, infravermelho, que a gente ilumina o céu e monitora a presença de material particular, de gases, né, e estuda a dinâmica da atmosfera. E, nesse contexto, a gente vem, nesses últimos, vamos dizer, 20 anos, né, desenvolver essas atividades de pesquisa, que envolve estudantes, né, e ser mestrado, doutorado, envolve também pós-doutorados, e o tema do meio ele tem ganhado bastante notoriedade por razões óbvias, né? Dado o aquecimento, a desbalança que tem nas atividades humanas em detrimento da qualidade do meio ambiente, qualidade do ar. E a gente contribui, né? É uma pequena contribuição face ao número de problemas que existem, né?
Vamos conversar um pouquinho sobre os aerossóis. O que é esse bicho de nome esquisito? Quais os efeitos dele? Onde eles são gerados? Conta para a gente um pouquinho desse tal de aerossóis.
Aerossóis são partículas. Existe uma classificação na área química, mas a gente usa na área física, e do ponto de vista da ótica, os oleossóis são partículas que têm um intervalo de um espectro de tamanho, vamos dizer, bem largo, no sentido que é desde ponto 1 nanômetro até alguns milímetros. Então são partículas de óleo, neve, e não estou falando em uma ordem, mas que vai ocorrer, granizo, pólen, e até as pequenas partículas que ainda estão em formação, que são gotículas ou aglomerado de moleculas que vão depois se, como diz o próprio nome, se aglomeram e formam a partícula maior, e que estão presentes na atmosfera, desde os primórdios, fazem parte, a nossa atmosfera é uma atmosfera, como foi dito, dinâmica, e a produção desses aerossóis tenha de origem, vamos dizer, natural, que são vulcões, remoção de areia e de pota do próprio solo pela ação do vento, o próprio podre, como eu falei, que vem das plantas, a neve, sal marinho, esses são os de origem natural. E agora tem também a produção devido, basicamente, à combustão. A combustão, quando ela não é perfeita, ela produz como resultado, na queima, partículas, que nós chamamos de carbono negro, black carbon, e outras uniundas, principalmente da combustão. Aí, você viu o que que queimou, se foi plantas, óleo e outros tipos de materiais. E também, por exemplo, no dia a dia, que a gente tem trânsito, tem pneu em contato com asfalto, remota parte do asfalto, parte do pneu também se solta, então isso é tudo de origem antrópica. E esses aerossóis ou material particulado, eles têm, como disse, uma variedade muito grande, uma variedade de tamanhos também muito grande, muito distinto, e estão presentes em todos os locais, de forma não uniforme. Existem locais que têm mais poeira, quando tem uma tempestade de areia, como acometeu perto da região de vocês recentemente, e às vezes você não tem tanto, Cubatão há 20, 30 anos, por causa das indústrias, era um local com muita partícula, e às vezes você está na praia, você vê aquela esbranquiçada do sal marinho. Então, a presença dele é muito variada, e daí os seus efeitos. Eu posso continuar, mas se você quiser perguntar mais alguma coisa...
Os efeitos são variados. Tem um em particular que talvez a gente possa enveredar, caso você concorde, que são os efeitos desses aerossóis na temperatura. Você comentou sobre mudanças climáticas. Esses aerossóis têm alguns efeitos. Sejam esses aerossóis fontes, por assim dizer, naturais ou antrópicas, conforme você mencionou. Então, converse um pouco com a gente, conte para nós um pouquinho sobre esses efeitos na alteração da temperatura, como é que funciona?
A terra é iluminada, ela recebe a radiação solar, que penetra na atmosfera e é onde os aerossóis estão presentes. E os aerossóis têm uma propriedade de espalhar luz. E quando a gente espalha a luz, a parte da luz muda de direção, e parte dela é absoluta. Exatamente. E nesse processo de espalhamento, pode ter um espalhamento exatamente de retorno para o espaço. Então, quer dizer, parte da radiação solar entra em contato com esses aerossóis e a gente chama de rádio espalhada ou espalhada para trás, é o jeito mais, menos técnico de falar, mas seria mais fácil de entender. E, com isso, como essa radiação não adentrou a atmosfera na sua totalidade, não aqueceu e retornou, é um processo de esfriamento. Tem outros aerossóis que, quando absorvem essa radiação, eles mudam o estado térmico e, ao redor deles, também a atmosfera vai aquecer. Então, eles têm também um processo diverso de aquecimento. Agora, isso vai dar variedade e do tamanho do aerossol. Então, isso é o que a gente chama de efeito direto do aerossol. E, por conta disso, vamos dizer, ele modula a temperatura do planeta pela sua presença. Os aerossóis ondundos da atividade industrial, que tem como base o sulfato, eles têm uma condição de resfriamento. Então, a atividade industrial, a produção produz sulfato, que tem os efeitos indiretos, que a gente pode vir a falar daqui a pouco. E isso que é o que tem esse efeito. Agora, esses aerossóis, precisa saber onde eles são produzidos. Eles são produzidos na baixa atmosfera, e às vezes eles são produzidos na baixa atmosfera, mas eles são injetados em locais mais elevados. Então eu gostaria de fazer, se possível, um grande parênteses aqui. O que foi? Há dois anos, em 2019, com o advento da pandemia, esperava-se que, com a presença menor dos aerossóis, ou seja, a atmosfera teria menos modulação negativa, haveria um aquecimento do planeta, por conta de que estava entrando mais radiação, porque eu tinha menos aerossóis. Ao mesmo tempo, também, a produção de gás de efeito estufa diminuiu. No entanto, a permanência do gás de efeito estufa é muito maior do que a permanência do aerossol. E por conta disso, o efeito só pelo gás de efeito estufa era de aumentar mesmo a temperatura, porque ele estava presente e não ia pelo simples desligamento de algumas indústrias naquele curto período, que foram seis meses, que foram mais intensos, essa inatividade foi mais intensa, Mas o que aconteceu? Houve uma erupção vulcana, desculpa, houve uma queima de florestas na Austrália, que injetou uma quantidade de aerossol muito grande no planeta. E se espalhou por todo o planeta. E esse advento causou um resfriamento em detrimento do aquecimento. No geral, na contabilidade final, teve um aquecimento mais menor do que se esperava por conta desse efeito. Então isso gerou, inclusive, a reportagem que nós temos como nosso background, a nossa discussão, e temos esses estudos, dois estudos que foram feitos provenientes do NK, que é um instituto de pesquisa americano, que fizeram simulações desses efeitos, baseados em observações de satélites.
O Landuvo é assim, se de uma maneira natural esses aerossóis existem e podem minimizar os aspectos de mudança climática, por outro lado eles têm, eu vou usar uma persistência menor, então eles acabam e o gás de efeito estufa permanece. Então eu poderia imaginar assim, se tivesse mais vulcões, eu teria menor aquecimento. Por outro lado, teria uma atmosfera, vou usar o termo livre, irrespirável. Porque fica assim, correu, o bicho pega, se ficar o bicho come, seria algo nesse sentido. Existe, esse é o raciocínio que pode ser feito nesse caso.
Exato. Vamos supor, a gente, a atividade humana, ela não é uma atividade, como a gente poderia dizer, em equilíbrio, em harmonia. Isso porque a gente injeta esse material além do que já é injetado pelas próprias fontes naturais. E isso causa um desequilíbrio. E o importante dizer também que não existe uma certa... A gente sempre pensa linearmente nas coisas. Se aumentar um terço, vai diminuir um terço. Não é bem assim. Porque existe, como eu disse, não só o efeito direto. Existe o efeito indireto. E, no fim, pode produzir nuvens e muda a condição do planeta. Porque tem o efeito indireto também. e afeta diretamente o ciclo hidrológico. Então, pode diminuir a quantidade de chuvas ou mudar o regime de chuvas no planeta. A gente tem passado por isso atualmente na região da América do Sul. O regime de chuvas que existia um padrão, ele está um pouco alterado, muito alterado. Tem lugares que estão ficando mais secos, lugares que estão com mais incidência de chuva, provocando e juntamente com efeitos danosos, porque é enchente, as habitações são muito próximas a rios, então existe um desequilíbrio. E nesse sentido, a coexistência da nossa sociedade com o meio ambiente não está em acordo, é até litígio o que a gente pode dizer.
Isso mesmo, o litígio, nós, aqui de Ribeirão Preto, sentimos há pouco tempo atrás uma tempestade de terra, aquilo não é ali?
Exato, um levantamento.
É, de terra enorme. Você pode falar um pouquinho para a gente daquilo, como aerossóis e também como fenômeno natural?
É, então, quer dizer, é um fenômeno natural, mas, por exemplo, a incidência dos ventos, o regime de ventos aí na região, que é a região de Ribeirão Preto, morreu, e ele vai arrastando, mas imagina que ele vai encontrando um campo que não tem tanta vegetação, mas sim, descampado mesmo, areião, terrão, como a gente chama, vai ter um levantamento, porque é uma força, é uma energia que está passando pelo terreno e vai levantando essa poeira, porque está descampado, está sem vegetação. E ele produziu esse efeito, quer dizer, E isso, às vezes, parece que como essas tempestades são muito comuns, próximas a regiões desérticas, parece que você está perto de um deserto. Não que esteja em acontecimento, pelo menos eu não sou especialista nisso, mas existe alguns locais, acho que não é o caso da região de vocês, que tem um processo de desertificação. Que é o desaparecimento da vegetação, a diminuição da vegetação. E o solo está exposto aos ventos. E tem uma elevação mesmo, quando tiver uma tempestade. Tempestade, uma tempestade, geralmente. E, no entanto, essas regações corporais podem ter um efeito indireto de evitar a precipitação. Então, na verdade, diminui o regime de precipitação. Vem só o areião, mas não vem a chuva para remover. O areião ou o terrão, como a gente poderia dizer.
Não o terrão. Aqui em Ribeirão, é o terrão vermelho.
Exato. A famosa terra vermelha.
Foi uma loucura, porque parecia o fim do mundo mesmo, essa que é a sensação. É um negócio terrível, impressionante, é uma nuvem, é como um ET chegando aqui. Se eu ainda fosse lá em Varginha, terra do nosso amigo Zé Marcelino, ok, mas Ribeirão Preto não tem esses acontecimentos. É, por enquanto, ao menos. Landufo, mas vamos ainda conversar um pouquinho a respeito desses aerossóis e esse... Eu não diria que é um resfriamento da temperatura, mas atenua a temperatura.
A gente costuma falar de modulação, modula negativamente.
É isso, modula. Até porque a presença, você disse isso claramente, a presença dos gases de efeito estufa são muito mais permanentes do que os aerossóis. Agora, existe uma possibilidade de utilizar esses aerossóis, claro, não os de queimada, por favor, não os de queimada, não os de poluição, esses que fazem um efeito extremamente danoso às pessoas, à população. de fauna, de flora, enfim. Mas há a possibilidade de nós atenuarmos essas mudanças climáticas, aquecimento, com o uso de algum tipo de aerossóis? Como é que vocês estão pensando nisso?
Bem, existe uma atividade, que não é recente, na verdade ocorreu por um físico, se eu não me engano foi o Stark, sob o nome Stark, o efeito estático da física, ou foi ele, mas era de origem alemã, que imaginou exatamente isso. Você poderia fazer uma injeção desses aerossóis em altos níveis da atmosfera, até mesmo ao redor da Terra. Isso é uma ideia antiga. E existe uma atividade que se chama geoengenharia. Exatamente você ter mais controle sobre esses efeitos, tempestades solares, ou diminuição da temperatura do globo, que seria a injeção desses aerossóis na órbita da Terra, por exemplo, e de preferência aerossóis que se posem refletores. Isso já foi pensado. Eu, pessoalmente, Acho. Às vezes o remédio pode ser pior do que a doença, mas é algo que está sendo debatido, porque, como se diz, a gente pode estar chegando também numa situação que é muito similar a um estudo do castelo de areia, ou do morro de areia. Você vai colocando areia e vai colocando. Aí basta um único grão nesse morrinho de areia para cair tudo. que é uma criticalidade, e tem estudos nesse sentido sobre o clima, que se nós não estamos atingindo uma criticalidade, que você pode, nessa criticalidade, disparar eventos que exatamente saem totalmente de controle. Quem entra no esquema caótico, aleatório, a própria meteorologia tem na sua essência essa característica de tendência para o caos, de descontrole, que você não consegue, inclusive, reproduzir por uma série muito extensa, os grandes modelos tem esse problema, os modelos mais sofisticados são corrigidos, então a gente pode estar muito próximo dessa criticalidade, porque o aumento dos gases de estufa não diminuiu, e esse adivinha de usar os aerossóis para modular negativamente, pode talvez não ter o efeito desejado, porque você pode perder o controle, então por isso que eu sou um pouco temerário, a gente também às vezes tem que se chegar muito próximo dessa criticalidade, porque os eventos extremos, como os hollywoodianos, como nós já vimos em alguns filmes aí, em que há uma mudança drástica em um curtíssimo período de tempo, a humanidade e o modo de viver hoje não está adaptada para isso, e talvez não tenham lá.
Sem dúvida. Bom, vamos voltar um pouquinho para a Terra, das coisas de guerra nas estrelas. Ao contrário, eu penso que esses horizontes devem ser mostrados às pessoas. É muito crítico a situação que vivemos a tal ponto de estarmos pensando em algo como você bem disse, hollywoodiano, porque a situação é realmente muito crítica e foge, escapa do controle. Conhecimento humano apresenta a ciência, apresenta os limites claros para muitas coisas, inclusive para esse entendimento geral. mas de uma maneira mais pontual, menos holidiana. Eu queria que você comentasse um pouco o trabalho que vocês fazem, de acompanhar, eu não sei se é evolução ou involução, enfim, acompanhar como é que estão os últimos anos aqui no estado de São Paulo, a presença desses aerossóis, quais são os mais presentes, o que a gente deve estar prestando atenção, enfim, algo nesse sentido.
O radar de anéis presente aqui no Instituto, que foi operado há 20 anos, ele sempre faz monitoramentos mais intensivos durante exatamente esse período mais seco, que vai meados de junho até final de setembro, comecinho de outubro. E o que a gente observou nos anos mais recentes, que com o aumento das queimadas em alguma situação, está havendo muito transporte da região de queimadas, que são geralmente nas regiões da Amazônia, assim, e que vem em direção ao Sudeste, porque eles mesmo, os voadores, eles também trazem não só água, eles trazem também material particular. E a gente observa onde eles vêm, que altitude que eles entram. E isso daí tem provocado, como há dois anos, o fato de a gente ter, como eu diria, um dia que anoiteceu. porque entrou o aerossol em uma altitude mais elevada que a frente fria que estava entrando, então entrou nuvem por baixo, aerossol por cima e bloqueou totalmente o sol. E foi num dia que era às três da tarde, isso ocorreu em 19 de setembro de 2019, porque são eventos de novo. E a gente tem observado que aumentou um pouco essa frequência, e não pelo fato da quantidade, mas sim durava dois, três dias, mas chegou a durar uma semana essa persistência dinossauro, porque os focos de queimada no país eram muitos. Então, a gente observou isso daí e, inclusive, esse material chegou na África. Pois é. Então, você observa por satélite. Então, esse monitoramento é importante que nós realizamos.
É, ele é fundamental para a gente acompanhar as coisas e tal. Hoje, as pessoas começam a perceber, eu peço isso, Landolfo, que a atmosfera é conectada, não existe uma atmosfera de Ribeirão Preto, uma de São Paulo, uma da Amazônia, uma da África, é tudo conectado, você tem grandes movimentos atmosféricos e de massas, a areia do deserto do Saara vem para a América, então a gente também está exportando um pouco de poluição para compensar essa situação como um todo. Tanto esse mundo global caia, eu diria, nós somos mais atentos a isso.
Só complementando, no dia da queimada na Austrália, nós detectamos alguns risquícios As pessoas
começam a perceber isso pela acuidade dos aparelhos de medição, pela técnica que se tem. Então, um vulcão, não sei onde, se começa a detectar. Isso é bom, porque as pessoas percebem uma real dimensão pequenininha desse globo, ele não é tão extenso quanto se imagina. Eduardo Landolfo, eu agradeço imensamente a sua disponibilidade em falar conosco, infelizmente o nosso tempo se esgotou. Muito obrigado pela sua participação, o Landolfo é pesquisador, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o IPEM. Nós contamos com trabalhos técnicos aqui do nosso queridíssimo Gabriel Soares, também com as nossas estagiárias, Suiane Azenha, Natália Silva, José Marcelino e eu agradecemos imensamente a sua disponibilidade de conversar conosco, Randolfo. Muito obrigado pela sua participação.
Eu que agradeço a oportunidade É sempre importante a gente poder divulgar o nosso trabalho e a disponibilidade de vocês para nos ouvir.
Muito obrigado a você, Rodolfo. Obrigado.
Você acabou de ouvir Ambiente é o Meio. Produção e apresentação José Marcelino e Marcelo Pereira. Música tema Evandro Navarro. Sonoplastia Mário Ovaldo Avelino. Ouça também este e outros programas em www.ribeirão.usp.br
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