Ambiente é o Meio #50: Andorinhas-azuis que migram para a Amazônia voltam contaminadas por mercúrio
10 Aug 2022 · 24 min
Biologist Jonathan Marcon Branco studies Blue Swallows that migrate 10,000 to 12,000 kilometers between North America and the Amazon. Every bird tested contained mercury from illegal mining and dams, with levels linked to reproductive problems and weight loss that could threaten their survival during migration.
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Está no ar. Ambiente é o meio. Uma conversa sobre as questões do nosso dia a dia. Ambiente é o meio.
Boa tarde, ouvintes da Rádio USP. Estamos iniciando mais um programa Ambiente é o Meio. Hoje, conversando com o biólogo Jonathan Branco, que escreveu um projeto lindíssimo, participou, escreveu um mestrado de um projeto lindíssimo, projeto Andorinha Azul, projeto internacional, ele vai nos dizer. Jonathan, muito obrigado por ter aceito o nosso convite e, para iniciar, nós gostaríamos que você, de maneira sucinta, contasse um pouquinho sobre sua trajetória profissional, você tão novo, mas já muito produtivo. Obrigado, Jonathan.
Eu que agradeço. Então, eu comecei... Eu fiz a Biologia, né? Ciências Biológicas na USP. E durante a graduação eu tive a oportunidade de ir pra fora, ir pro Canadá, pro Centro de Fronteiras. E foi nesse momento que eu me interessei bastante por Ecologia, né? Especialmente no... Durante a graduação mesmo eu tive muito interesse em Ecologia. Eu fiz muitas disciplinas em Ecologia. E por isso eu já sabia que eu queria fazer o mestrado nessa área. Eu entrei em contato com a doutora Erika do Instituto Butantan. Ela tinha um projeto em parceria com a equipe internacional, muitas universidades e instituições do Brasil e de fora, no Estúdio de Conservação de Andorinha Azul. Então, eu decidi entrar no mestrado com esse projeto e auxiliar essa equipe fazendo a minha parte, que no caso era de contaminação, mas também outros projetos relacionados com a Norinha Azul e a conservação delas.
Se eu entendi direito, você é o egresso, portanto, do projeto CSS em Fronteira?
Sim, eu fui para o Canadá em 2014.
E parte do que você fez, certamente, não sei se certamente, é uma pergunta dirigida a essa, né, Jonathan? Parte do que você acabou fazendo no mestrado e, posteriormente, agora no seu projeto de doutorado, vem daí também, esses frutos colhidos desse projeto.
Com certeza. No Canadá eu tive a oportunidade de fazer diversas disciplinas, eu tinha as escolhas. Eu fiz várias disciplinas na área de ecologia, especialmente, o que nós chamamos de ecologia de paisagem, que incorpora os elementos do ambiente em si, a composição, se tem floresta, se tem cidade, qual que é a relação entre esses componentes na ecologia dos organismos que vivem lá. Então isso foi uma coisa que eu aprendi lá e algo que eu usei bastante durante minha graduação também, minha iniciação científica foi em ecologia e paisagem, mas também ele me guiou para a área de ecologia geral, no caso, que foi o que me levou para o mestrado.
Excelente, excelente. Ô Jonathan, vamos conversar um pouquinho sobre esse projeto Andorinha Azul. Ele é um projeto internacional, não é mesmo? Brasil, Canadá, Estados Unidos. E por que Andorinha Azul? Por que se estuda Andorinha Azul? As características desse animal, por que leva esse estudo tão internacional?
Eu diria que uma das grandes desvantagens, a primeira desvantagem no caso, que a Andorinha Azul, o motivo pelo qual a gente tem um grande interesse nela, é que ela está em declínio. Ela tem estado em declínio há algumas décadas.
A população, você fala? A população em si. É certo.
A população em si já tem se notado um declínio anual nas últimas cinco décadas. Então isso é um motivo pelo qual a gente tem um grande interesse em conservá-las. Agora, um ponto positivo é que já existe muita informação e muito dado coletado para elas. A gente já tem, especialmente por conta de alguns voluntários mesmo, pessoas que têm ninhos de andorinhas e que colocam esses ninhos nas propriedades deles nos Estados Unidos e Canadá, e eles têm acompanhado essas populações já há muito tempo, e eles fornecem para a equipe, especialmente a equipe dos Estados Unidos, mas também para nós aqui, todos os dados que eles coletam ao longo do tempo. Inclusive, foram eles que coletaram grande parte das penas que foram usadas no meu projeto em si. Então, é uma grande vantagem, porque nós, como cientistas, uma grande dificuldade é conseguir a quantidade de dados que a gente precisa. Querendo ou não, a gente tem uma equipe muito reduzida, geralmente a gente trabalha com equipes pequenas. Então, a presença de voluntários que nos fornecem esses dados, com certeza é um grande benefício e um motivo pelo qual esses projetos dessa magnitude são possíveis.
Sem dúvida. Ô Jonathan, você mencionou desses parceiros, né, americanos, canadenses, norte-americanos, canadenses, são todos eles norte-americanos, É isso que eu queria que você contasse para nós um pouco. A Andorinha faz verão aqui e lá? Ela tem uma capacidade de migração alta? Conta um pouco, porque coleta lá e coleta aqui. Ela não deve andar de avião, ela deve voar até lá. Conte para gente um pouco essa característica dela.
É, elas são migratórias. Elas conseguem... Elas realizam uma migração bem grande, né, consideravelmente. Porque elas migram dos Estados Unidos, até mesmo do próprio Canadá e vêm pra Amazônia. Algumas vêm até São Paulo, não todas, né. Existe uma diferença de subespécies que nós chamamos. Algumas subespécies vêm para a Amazônia e algumas subespécies vêm para a região aqui do Sudeste e chega até a Bahia. Então a gente tem essa diferenciação de subespécies. Mas elas migram, elas vêm para cá durante o período, o nosso verão no caso, e elas ficam aqui durante um tempo e depois voltam mais ou menos meio que para maio, abril elas costumam voltar para os Estados Unidos. Então, no momento agora, elas estão lá e estão para sair em breve, geralmente elas saem no final de agosto, elas vêm para cá.
Elas ficam atrás do verão, né, Jonathan? Elas querem local quente, para nitificação...
É, agora elas estão... Elas se reproduzem lá, né? Agora elas estão se reproduzindo. Os filhotes delas já estão crescendo já, já estão quase saindo do ninho. Acho que alguns já devem estar saindo do ninho agora, porque assim que eles saem do ninho, eles já começam a migrar para cá.
São excelentes. Muito bom. Então, esse comportamento de extrema migração, 10, 12 mil quilômetros aqui pela minha conta, faz com que eles sejam animais que devem ser coletados aqui e coletados lá também. E o projeto Andorinha Azul, dentre outras coisas, ele se preocupou com a coleta do mercúrio, a presença do mercúrio nessas aves. Pode contar um pouco pra gente por que dessa preocupação, como é que isso é feito, essa metodologia que foi aplicada?
Uma das preocupações que nós temos é com os dados de mercúrio da Amazônia. A Amazônia tem naturalmente altas concentrações de mercúrio. vem realmente de depósitos minerais, principalmente nos Andes, onde você tem a origem de muitos dos rios da Amazônia, mas também você tem a presença de garimpo ilegal e a presença das próprias hidrelétricas que estão sendo construídas mais e mais, elas acabam aumentando o processo que nós chamamos de metilação, porque quando você diminui o fluxo da água, você permite que esse mercúrio se deposite no substrato, onde você tem bactérias, e essas bactérias processam esse mercúrio. Não é intencional, não faz parte do metabolismo natural delas, mas se o mercúrio está disponível, acaba ocorrendo. Então elas acabam incorporando elementos orgânicos no mercúrio e isso acaba aumentando a toxicidade do mercúrio. Ele se fixa muito mais facilmente em organismos, ele pode passar facilmente na cadeia trófica. Você tem uma larva de inseto. Essa larva de inseto vai lá e se transforma em um inseto aéreo mesmo. E daí a andorinha vai e consome esse inseto. E se esse inseto já estava com esse mercúrio incorporado, ele vai ser incorporado na andorinha. Então nós temos já muitos... relatos, já muitas pesquisas já mostrando essa contaminação de mercúrio na Amazônia. E como essas andorinhas estão já em declínio há bastante tempo, nós consideramos que o mercúrio pode ser um dos culpados ou um fator preocupante, especialmente mesmo que não seja a causa da diminuição da população, ele ainda assim é um fator preocupante porque ele afeta a saúde de uma população que já está em estado mais delicado.
Jonathan, portanto, a contaminação da Andorinha é mais do processo alimentar mesmo do que outra coisa. A água por si é muito menor a possibilidade do que o ciclo de alimentação dela. Os biólogos chamam de cadeia trófica. O ciclo da alimentação, ou seja, para chegar na Andorinha tem mais gente contaminada nesse percurso de alimentação por aí?
Com certeza. A gente já tem dados de peixes, até mesmo da população ribeirinha, especialmente a população que se alimenta desses peixes, que tem concentrações mais elevadas de mercúrio do que o normal. E já é esperado mesmo. O mercúrio pode sim ser obtido através da água mesmo. se você está consumindo essa água, mas a concentração mesmo acaba sendo maior em um organismo, porque o mercúrio, uma vez que ele é incorporado no organismo, ele não tende a sair com facilidade, ele não tende a ser eliminado do organismo. Então você acaba passando adiante em uma concentração muito mais elevada do que estava no ambiente, ou muito mais elevada do que estava na água mesmo. Então se você pegar um peixe e você pegar a água, você vê que o peixe tem uma concentração maior de mercúrio do que a água.
Sim, vai sendo acumulado, vai se acumulando na cadeia alimentar. Jonathan, eu posso imaginar, então, sem muitos problemas, que a andorinha, tal como outros animais, eles devem apresentar índices de mercúrio muito acima daquilo que a gente possa imaginar como saudável. Muito bem, esses outros animais e plantas, portanto, sofrem dos mesmos males. E me conte, e conte para nós, que tipo de nocividade, que tipo de aspectos ruins a presença do mercúrio nesses animais silvestres? O que ele ocasiona? O que ele pode ocasionar?
Então, na realidade, não existe mesmo níveis saudáveis de consumo de mercúrio. É considerado tóxico em qualquer nível. Então, a partir do momento que existe essa contaminação, já se espera que seja causado algum problema no organismo. O mercúrio pode afetar qualquer nível. Pode afetar o próprio DNA, ele pode causar mutações. Ele pode afetar órgãos, o fígado, o cérebro e muitas outras vias metabólicas. Porque o mercúrio tem uma afinidade muito grande por componentes orgânicos. Então é difícil saber qual é o limite da toxicidade. E ele pode afetar basicamente qualquer coisa.
Jonathan, existem... Vamos explorar um pouquinho mais a metodologia, como foram feitas essas coletas e também determinação, mas só para lembrar nossos ouvintes que essa história de contaminação por mercúrio é bem antiga na humanidade. Exige um caso muito emblemático, foi em Minamata, no Japão, que havia uma fábrica que dispersava mercúrio na baía de Minamata, e os pescadores se contaminaram ao consumir o peixe, ficaram muito ruins, esse mercúrio afetou o sistema nervoso central de muita gente, morreu, ficou doente, enfim. Tanto essa presença do mercúrio é conhecida e bastante nociva, não apenas aqueles que ficam de imediato contaminados, mas principalmente aqueles que vão acumulando. Como é que vocês obtiveram essas informações? Seus parceiros cientistas do Canadá, etc., você nos disse anteriormente que eles coletaram as penas. Como é que funciona? Como é que você consegue esse conjunto de dados?
Nós conseguimos analisar a mercúria em qualquer tecido que a gente pega do organismo. Então podemos usar os músculos, podemos usar gordura, podemos usar sangue, mas para o nosso projeto em si a gente usou as penas. A gente não precisa sacrificar o animal para fazer essas coletas. E uma das grandes vantagens é que a pena acumula o mercúrio que está em circulação na ave enquanto a pena cresce. E nós sabemos que as penas das andorinhas elas crescem, das andorinhas azuis no caso, que elas crescem quando elas estão aqui no Brasil. Então essa grande vantagem é que a gente pode pegar essas penas mesmo nos Estados Unidos e elas ainda vão mostrar o mercúrio que foi incorporado enquanto elas estavam aqui no Brasil. Então essa é uma grande vantagem porque lá nos Estados Unidos eles têm uma grande facilidade para fazer essas coletas de penas já que as aves visitam lá os ninhos que são colocados pelos proprietários Elas têm essa proximidade e elas não se incomodam tanto com a presença de seres humanos quando elas estão lá. Aqui no Brasil a gente coleta sim as penas também. Não foi feito por um meu projeto, mas esse projeto está em andamento e estão sendo feitos mais coletas. Então a gente coleta em ambos os lugares, mas uma das grandes facilidades é poder coletar lá mesmo. A coleta é bem mais fácil, já existe essa grande proximidade.
Jonathan, desse universo todo de andorinhas, que felizmente vem decaindo, um declínio populacional, você mencionou nos últimos 50 anos, a situação atual numa população existente, quanto dessa população vocês estimam que esteja com contaminação de mercúrio preocupante?
É difícil dizer porque dos organismos que a gente mediu, todos eles tinham mercúrio, né? E como eu disse, não existe um nível seguro. O que a gente pode falar é que grande parte deles não tinham os níveis que nós chegamos a, pelo menos em literatura de outras espécies, chegam a causar problemas reprodutivos. Mas assim, é para outras espécies. A gente não sabe se para essa espécie o limite é um pouco menor ou um pouco maior. O que a gente pode falar é que casualmente a concentração vai causar problemas sérios na reprodução. Outra coisa que a gente pode notar, pelo menos no meu projeto, é que a contaminação que a gente obteve, os dados de contaminação que a gente obteve, foi correlacionado com uma diminuição da gordura, da reserva de gordura dessas aves e também do peso. Obviamente a gente não pode falar que é uma causa, mas existem sim dados da literatura mostrando que a contravenção para o mercúrio pode causar a perda de peso. E a perda de peso é preocupante para uma espécie migratória, porque elas precisam dessa reserva de gorduras para fazer a migração mesmo, mas durante o processo migratório elas usam apenas gordura. Então se elas diminuírem muito, se elas perderem muita gordura, elas podem nem sobreviver à migração.
Claro, faz todo sentido. Nós estamos imaginando que esse universo pega o que pega lá, fora as que não sobrevivem a esse processo. Nós estamos falando de uma amostra de sobrevivência. Nós não sabemos quantas não sobrevivem e, portanto, não estão disponíveis para essas coletas, coisas assim.
No caso, a gente mediu o mercúrio e hormônios a partir das pernas, só que as aves em si, como a gente mediu nos Estados Unidos, elas necessariamente sobreviveram à viagem de volta. Então a gordura, o peso da ave, foi tudo medido na própria ave quando ela já estava lá, quando ela já tinha chego da migração. Então se alguma ave não sobreviveu à viagem de volta a gente não tinha nem como medir. É por isso que agora a gente está medindo também elas aqui no Brasil para ver se talvez não tenha contaminação maior de aves que não conseguem nem sobreviver à viagem de volta.
Interessante. Bom, vocês conseguem associar nessa informação histórica, nesses dados históricos, a explosão que ocorreu mais recentemente de cigarim, que a gente chama de artesanal, clandestino, ilegal, ocupação de mercúrio em larga escala. Existe algum indício de que esse procedimento tem trazido maior contaminação nessas árvores? Vocês conseguem fazer algum tipo de associação?
Não dá através das análises que a gente faz, porque como a gente espera que grande parte desse mercúrio já tenha sido alterado, ele tenha sido metilado, que nós chamamos de processo orgânico, de transformar o mercúrio em mercúrio orgânico. Então esse mercúrio não tem como a gente ter certeza se ele é o elemental natural ou se é o elemental que foi compostado por garimpo. O que nós temos, por exemplo, é relatos. Até essa semana mesmo saiu uma reportagem do New York Times mostrando grandes aeroportos clandestinos que estão usando agora para fazer todo o aumento do processo de garimpo ilegal que utiliza o Mercúrio mesmo. E eles falam de centenas desses aeroportos ilegais em áreas protegidas. É uma situação delicada, uma situação que tem se mostrado indo de mal a pior, honestamente. Os dados mostram que o gripe ilegal tem aumentado muito nos últimos anos na Amazônia.
A gente suspeita até que tenha sido incentivado, né Jonathan? Bom, essa coleta que é feita de penas especificamente para o mergulho é algo mais recente, já tem um processo um pouco mais histórico, e vocês pretendem permanecer com essa coleta e essa análise para criar aí sim uma série histórica? Como é que vocês estão pensando nesse processo?
Sim, a gente tem até o interesse de utilizar penas, por exemplo, de coleções de museus, que são penas já coletadas há muito tempo, e fazer uma série histórica mesmo. Mas também esse projeto, como eu disse, ele continua. Atualmente, minha amiga Clarissa, ela já está no doutorado, ela começou o doutorado esse ano, e ela está assumindo a continuação desse projeto. Então ela vai fazer análise com mais penas de mais, andorinhas de outros estados, porque eu só coletei de três estados, estados norte-americanos, no caso, e ela planeja ampliar esse projeto, além do escopo de um projeto de mestrado, que agora ela está fazendo como um projeto de doutorado.
E logo teremos um doutorado do Jonathan nessas linhas também desse grande grupo de pesquisa formado, importante grupo de pesquisa formado. dos pesquisadores brasileiros, dos Estados Unidos e do Canadá. Esse intercâmbio que começou lá no Ciência Sem Fronteiras está, como muitos outros casos, surtindo efeitos importantes para a arte. Muito bom. Porventura, vocês pegam o indivíduo, a avizinha, para fazer a coleta da pena, pega a pena que cai, vocês fazem o anilamento desses animais, só para a gente entender um pouco mais esse processo. Nós somos muito curiosos, não é, Diana? Mas deixa de ser curioso desse jeito.
Não, eu acho super válido, porque de fato a gente acompanha essas aves, a gente tem todos os dados delas, justamente porque a gente tem o alinhamento, por isso a gente usa mais de um tipo, tem vários tipos de alinhamento, mas também a gente utiliza até o que nós chamamos de mochila GPS em algumas aves, para acompanhar, de fato, a migração em si delas. A gente não consegue fazer isso em várias, especialmente porque é difícil obter de novo essas mochilas, mas eventualmente, sim, a gente encontra. As andorinhas que os proprietários têm nos Estados Unidos, elas voltam sempre para lá.
Elas têm alguns... Nessa mochila de GPS que você comenta, Pessoa, desculpa se cortei você, elas têm pontos de descanso, como é que elas vão de uma vez só? Nós estamos curiosos para saber, porque a perda, claro, o declínio de população, obviamente, está associado à perda de habitats, mas a gente fica... Será que esses habitats intermediários de descanso, de nidificação, não sei como, também estão sendo afetados? Elas param algumas vezes, Jonathan?
O que a gente tem dito, especialmente dessas mochilas de GPS, é que elas não tendem a parar não, elas tendem a fazer o percurso direto de lá até aqui. Caso elas parem, talvez seja na região de Cuba, mas a gente não tem certeza se elas param ou não, porque aparentemente elas fazem o caminho do começo ao fim de uma só vez.
E a importância de ter reservas, que você mencionou, de gordura e de alimentação. 10, 12 mil quilômetros de uma vez só. Não é missão fácil, é super-atleta mesmo.
Sim, é costoso.
Jonathan, nosso tempo se esgotou, mas eu queria explorar um pouquinho mais sobre esse convênio internacional. Quem são os envolvidos aqui do Brasil, quem são os envolvidos dos países parceiros, aliados nossos lá do exterior? Se você puder comentar conosco, eu agradeço.
O que nós temos no Brasil como principais investigadores, que são os principais responsáveis, são a Dra. Erika Higgins-Cisario, do Instituto Butantan, aqui em São Paulo, e o Mário Kornhaft, do IMPA, na Amazônia. E esses são os principais responsáveis pela pesquisa realizada aqui e os alunos deles, no caso, eu e essa minha amiga Clarissa, que está com o doutorado, além da equipe do INPA mesmo. Esses são os responsáveis na região do Brasil mesmo. Nos Estados Unidos, nós temos o Josh Siegrist, que ele é o responsável pelo Purple Martin Conservation Association. Isso é uma organização sem fundos lucrativos para a conservação das andorinhas azuis e ele é um dos principais responsáveis, especialmente para coordenar com esses proprietários de terra, com esses voluntários que nos fornecem os dados e também por financiar a grande parte desse projeto. Outro grande financiador é o Jason, que trabalha com a Disney Conservation na Flórida. No caso, ele fez coletas para esse projeto também. As penas foram coletadas pela equipe dele. E, por último, tem o meu orientador, o Loren. Ele é da Universidade do Norte do Arizona. Ele tem trabalhado comigo desde o início do mestrado. Desde antes disso, ele tem trabalhado nesse projeto. Foi no laboratório dele que foram feitas as análises em si de mercúrio, de hormônio. Eu pude ir pra lá em setembro do ano passado e eu aprendi essas técnicas também. Mas essa é a principal equipe. Obviamente tem outros membros também. Tem membros de outras universidades, de outras instituições. membros do Canadá, por exemplo, mas, em geral, nós temos uma equipe bem grande com muitas pessoas e acaba sempre incorporando as pessoas, repórteres e pessoas em campo em si, que realizam nossas coletas e que ajudam os pesquisadores mesmo a adentrar na região de mar, na região da floresta. Então, nós temos uma equipe bem grande que costuma nos ajudar nesse processo.
Afinal, a ciência não tem fronteira, né, Jonathan? Muito bem. Bom, quero agradecer imensamente a participação do biólogo Jonathan Marcon Branco, que nos contou sobre o projeto Andorinha Azul, um projeto internacional muito importante e interessante. Sem dúvida alguma, o programa agradece muito os trabalhos técnicos do Gabriel Soares, também a incansável Suiane Azenha, o Zé Marcelino e eu, Marcelo, mais uma vez agradecemos, Jonathan, muito obrigado pela sua participação.
Eu que agradeço.
Você acabou de ouvir Ambiente é o Meio. Produção e apresentação José Marcelino e Marcelo Pereira. Música tema Evandro Navarro. Sonoplastia Mário Ovaldo Avelino. Ouça também este e outros programas em www.ribeirão.usp.br
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