Ambiente é o Meio #68: Ocupação humana na Amazônia foi marcada por importantes acontecimentos ao longo dos séculos
2 Feb 2023 · 24 min
This content was created by Kayo Soares. This content was uploaded by Kayo Soares. This is a Portuguese-language podcast episode (Ambiente é o Meio #68) created 2023-02-02. It's an interview-style episode (content_type: PODCAST) in which the host (identified as SPEAKER B / José) speaks with Jaqueline Pereira, a forest engineer and researcher at IMAZON. They discuss the book A Floresta Habitada (authored by Jaqueline and Tatiana Veríssimo, illustrated by Livran Dumoucher and Biratan Pol) and cover the history of human occupation of the Amazon: early peopling and archaeological evidence, pre‑colonial and colonial contacts (including Jesuit missions and Marquês de Pombal), the rubber boom, 20th-century infrastructure and settlement (roads, hydropower, cattle), recent deforestation trends, protected areas, and the case for sustainable bioeconomy approaches. The episode notes the book is freely downloadable from IMAZON (www.imazon.org.br). Production credits mentioned include Suiane Azenha (production) and Gabriel Soares (technical editing).
Chapters
Está no ar. Ambiente é o meio. Uma conversa sobre as questões do nosso dia a dia. Ambiente é o meio.
Olá, ouvintes da Rádio USP. O programa Ambiente é Humilde hoje conversa com Jaqueline Pereira, que é pesquisadora do Instituto do Homem Meio Ambiente da Amazônia, o IMAZON. O tema da entrevista será o livro A Floresta Habitada, História da Ocupação Humana na Amazônia, que é editado pelo IMAZON, com ilustrações muito ricas e interessantes, um dado muito positivo, que pode ser baixado gratuitamente na página do Instituto, e que tem Jaqueline como uma de suas autoras, ao lado de Tatiana Veríssimo, com ilustrações de Livran Dumoucher e Biratan Pol. Muito bem, Jaqueline. Seja muito bem-vinda aqui ao nosso espaço do Programa Ambiente OB e comece falando um pouquinho sobre sua formação, trajetória profissional e já engrene falando um pouquinho sobre o IMAZON, que tem esse nome tão bonito.
Bom, é um prazer, José, estar aqui, é um prazer você ouvinte estar aqui pela primeira vez na Rádio USP para trazer a história desse livro. Eu estou muito feliz mesmo de poder contar um pouco sobre essa trajetória, de como eu escrevi esse livro, eu que sou engenheira florestal, sou vim de Manaus e Hoje trabalho no Imazon, sou mestre em gestão de áreas protegidas e trabalho hoje no Imazon com áreas protegidas com populações tradicionais já há bastante tempo, já estou em carreira já há mais de 20 anos trabalhando com isso e estou muito feliz de poder contar sobre essa história. E assim, como você disse, o Imazon foi uma oportunidade que eu tive de desenvolver esse meu hobby, porque Na realidade, o Floresta Habitada foi escrito paralelamente às atividades que eu tenho no instituto. Então, ele não era um projeto, uma atividade que eu tinha que ter feito as minhas atividades para fazer. Então, o Floresta Habitada foi paralelo e ele demorou dois anos para ser escrito por conta disso. Mas assim, eu trabalho na Amazônia. O IMAZON é o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Ele é uma instituição ambiental com 31 anos. Essa instituição, ela foi criada com a missão de trazer pesquisas empíricas e aplicadas que possam buscar o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Então nós, como pesquisadores, atuamos em várias linhas que vai desde monitoramento do desmatamento. Você deve escutar muito no Amazonas Jornal, o Amazonas trazendo ali os dados de todos os meses do desmatamento. Infelizmente, é um trabalho que a gente tem que fazer. Trazendo ali também um trabalho com a pecuária, virando onde está essa pecuária que está desmatando a Amazônia. Trazendo também um trabalho com mudanças climáticas que tanto afetam o nosso dia a dia. E também com a SPVA Esporte, Política e Economia e Áreas Protegidas, que é onde eu atuo. Então eu atuo num bloco grandão aqui, só para vocês saberem, de 22 milhões de hectares de áreas protegidas. Unidade de Conservação de Terras Indígenas e Territórios Quilombolas.
Muita coisa para acompanhar, mas vamos falar um pouquinho do livro, né? Você já disse que foi um desejo que foi meio paralelo a essa trabalheira toda, mas como é que surgiu a ideia, né? Quais as fontes que vocês foram beber para escrever essa obra tão bonita?
Isso. A ideia surgiu da necessidade de educadores locais. Então, nós trabalhamos no território, com comunidades tradicionais. Então, dentro desses parceiros locais, a gente também tem professores, tem diretores de escola. Então, a gente tem interface com esse público. E nós identificamos durante esse nosso trajeto que havia pouca literatura sobre a Amazônia, uma linguagem mais acessível. Então, as crianças aqui na Amazônia, nós temos aí o estudo de história da Amazônia, depende do estado, do Pará, a história da Amazônia, do Acre, eu sou do amazonês, sou da história da Amazônia. Mas assim, são com linguagem difíceis, assim, rebuscada, a gente não entende, mas mesmo assim há pouca literatura. Então, a partir dessa necessidade dos professores, foi que nós começamos a ver essa possibilidade. Tatiane, começamos a pesquisar, até mesmo estudar, porque também necessitava a gente estudar um pouco sobre esse assunto. Estudamos e pesquisamos e começamos a montar o livro e a escrever. E sempre pensando nessa forma assim mais fácil, de uma linguagem mais fácil, que as pessoas pudessem entender. E trazendo também ilustrações.
Muito bem. O livro é interessante porque ele tem um sumário convencional, mas ele tem uma ilustração da linha do tempo, da ocupação, que é muito interessante, Jaqueline. E vamos começar pelo começo, quer dizer, quando chegaram os primeiros ocupantes da região e como chegaram, de onde vieram.
Isso. Nós fizemos várias pesquisas e há várias teorias em relação a isso. Isso é verdade. Mas assim, a teoria mais aceita é essa, que no Vale do Rio Amazonas chegaram a mais ou menos 11 mil anos atrás, antes de Cristo. Então, há mais ou menos 11 mil anos antes de Cristo, foi que chegaram, e a teoria mais aceita, que foram levas de imigrantes asiáticos, que chegaram à Amazônia. E aí, inclusive o livro traz uma ilustração mostrando aí a semelhança que tem os asiáticos com o povo da Amazônia, com os indígenas. Há muita semelhança. Antes de eu fazer essa pesquisa para o livro, eu não tinha estudado isso. E isso eu vim procurando na literatura, procurando em vários trabalhos científicos e achamos essa teoria, uma das mais aceitas. E aí, realmente, quando você olha assim, de fato, os asiáticos são bem semelhantes com os indígenas. E, corabalando a isso, nós também temos os achados, os achados arqueológicos, que mostram que também o homem esteve na Amazônia aos 12 mil anos.
Muito bem. E por falar em asiático, parece que até os chineses e os espanhóis estiveram na Bacia Amazônica antes dos portugueses. É isso mesmo, Jaqueline?
Isso mesmo. Na nossa pesquisa vimos até mapas. de chineses desenhando e localizando a Amazônia. Como assim, né? Que a gente, na escola, a gente estuda assim, quem descobriu o Brasil? Pedro Álvaro de Cabral. Esse aí até caiu por terra, né? Mas tudo bem. A gente estuda isso. E pensa assim, ah, descobriu né, já tinha um monte de gente, mas assim, a gente pensa isso. Mas nós pesquisamos, vimos assim, que tinha mapas que já identificavam a Amazônia há bastante tempo, bem antes, bem antes da chegada dos portugueses. E os espanhóis, inclusive, andavam pelo Amazonas, então tem crônicas falando deles andando ali com as índias amazonas e tudo. Então, tem esses relatos em crônicas registradas de que eles estiveram aqui bem antes da chegada dos portugueses.
E os portugueses só chegaram em 1637, do ponto de vista oficial, assim, com a expedição de Pedro Teixeira, numa época que inclusive Portugal e Espanha ainda eram unidos. Isso tem a ver com Tordesilhas? Como é que é?
Sim, sim, sim. Isso tem a ver com Tordesilhas. Os portugueses chegam ali, por volta de 1621, aí foi o 1621, aí é que eles chegam, tomam ali, vai ser criado o estado do Grão-Pará, Pedro Teixeira tá por aqui, e aí tem toda essa instalação dos portugueses dentro da Amazônia, né, da Amazônia. E assim, cabe dizer que com isso também, eles posteriormente começam a fazer também aqueles fortes, né, pra proteger a Amazônia. Ela protegia a Amazônia dos outros povos, dos espanhóis, dos ingleses, de quem pudesse chegar aqui na Amazônia. Mas assim, essa expedição de Pedro Teixeira lá em 37, ele traz ali esse contato direto com os indígenas. Esse contato direto com os indígenas, a gente vem trazendo isso no livro da Floresta Habitada. Em quadrinhos.
Olha que interessante. Um outro componente dessa ocupação que eu queria conversar um pouquinho com vocês é sobre a presença dos jesuítas. Como eu sou da área da educação, os jesuítas marcaram muito e a gente sabe que eles tiveram um papel importante lá, inclusive comercial, porque eles tinham um certo monopólio do comércio. Então os jesuítas foram lá mais para ganhar dinheiro ou era para ganhar a alma dos índios também, dos povos indígenas?
essa questão missionária, que inclusive hoje a gente não consegue ver o que restou, o que tem de história em relação a esse período missionário. Então, os jesuís estavam aqui com a finalidade de catequizar os índios, essa era sua finalidade, catequizar os índios. Com isso, eles tentariam integrá-lo à sociedade, à colônia, imagina só, integrá-los à sociedade. Também eles estavam ali envolvendo eles ali na questão do trabalho, além de catequizar, além de ensinar a língua, além de tudo isso, eles envolveram eles em trabalhos cotidianos que eles não faziam anteriormente. Ali eles levam os índios para agricultura, para coleta de drogas do sertão, além de serem convertidos, colocam eles para trabalhar com os fazendeiros e etc. Ali os índios começam a ser integrados à sociedade através dessas missões dos jesuítas.
Ou seja, começa a ocupação do trabalho, a ocupação das mentes. Um item especial que vocês citam, que eu particularmente não conhecia, é a questão do Diretório dos Índios. Eu queria que você explicasse um pouquinho o que foi isso, como terminou.
É, sim. Os índios ali ficaram aldeados e caracterizados pelos jesuítas. Estava ali, né? Ali a gente tá falando ali do século XVI, do século XVII, e aí tiveram as vilas e as aldeias. Nesse período, o Marquês de Pombal foi lá e retirou o caráter religioso dessa formação populacional, que antes eram constituídas ali por conta do catecismo, da missão, E aí eles trazem ali, ou tiram isso, o Marquês de Cumbau vem tirando isso, e também tira aquela questão dos índios estarem sendo, digamos, obrigados a fazer os trabalhos cotidianos que tinham sido colocados pelos missionários. E aí, quando ele faz isso, o que acontece? Os fazendeiros ficam ali dizendo assim, agora, o que vamos fazer que a gente não tem mão de obra? Cadê nossa mão de obra? A nossa mão de obra eram os índios. A gente estava trazendo ali, capequizando e colocando ele pra ser, pra ser nossa mão de obra. E aí é que chega a alternativa, que foi os negros.
Aí você parte pra um outro tipo de exploração. Nesse ponto é interessante, porque a expulsão dos jesuítas foi uma coisa muito forte na história, porque eles tinham um monopólio da educação, não só em... Portugal, mas em todo o reino português. Então imagine de um dia para outro você expulsar uma ordem religiosa que só no Brasil tinha 17 colégios. Um colégio nessa época era quase uma universidade. Mas os jesuítas tinham uma postura ambígua. Eles eram contra a escravidão dos índios, embora fizessem algum tipo de escravidão das almas, como você disse. mas não eram contra, a igreja não era contra a escravidão dos povos africanos, então são as contradições. Mas vamos seguir no nosso caminho, né, Jaqueline? A gente pode dizer assim, Jaqueline, não sei se está correto, que até o final de 1800, mais ou menos, a floresta e os povos estavam relativamente preservados, tirando esses processos que você comentou, até porque eles tinham estratégias de fuga também, que os povos indígenas dominavam a região. Eu acredito que, muito embora essas tentativas de quase uma escravidão, eles tinham como se defender. A gente pode dizer que isso é verdade, a questão começa a mudar realmente
no século XX, É, o que acontece? Esse é até o motivo do título do livro, né? A Floresta Habitada. Então, assim, com a chegada do homem branco aqui na Amazônia, a gente sabe que há relatos de que a Amazônia não era vazia. Amazônia é isso aí, deixa eu me colocar logo. A Amazônia não era vazia, a Amazônia possuía populações, comunidades grandes e organizadas, Então, organizados que viviam com um sistema organizado em comum com a natureza. Então, há também vários relatos científicos que mostram, inclusive, que as castanheiras foram plantadas, plantadas por populações indígenas para ficar mais próximo do oceano das suas casas. Então, eles viviam de forma harmônica com a natureza. utilizando ela, modificando ela. Inclusive tem várias modificações na floresta, como o caso dos castanhais. Modificando, mas vivendo de forma sustentável junto com a floresta.
Aí a gente pode dizer que talvez o impacto maior foi quando veio a questão da borracha, os seringais, a corrida da borracha. Comenta um pouco.
Esse aí é o grande marco na Amazônia. Então quando a gente estuda aqui a história do Amazonas, a história da Amazônia, é o que nós estudamos esse sextão do ciclo da borracha. Até então você tinha ali aquele convívio trabalhando, mas ali quando você descobre, quando há descoberta, dessa questão do potencial do uso da borracha, do uso da borracha, e aí você tem uma grande, já no século XIX, uma grande utilização da floresta para o extrativismo, bem massiva, com a borracha, com a chegada de imigrantes na Amazônia. Então várias pessoas, vários imigrantes, principalmente cearense, foram levados para o Acre, para o estado do Acre, principalmente para a coleta de seringa. No estado do Amazonas também, mas o Acre foi o que teve mais. E aí você tem aquele grande mudança, tanto com a exploração do extrativismo da borracha, quanto das próprias capitais, principalmente as principais capitais, que no caso é Manaus e Belém. Manaus e Belém, que era aquele grande entreposto com relação a toda a questão da borracha e também a construção ali, você tem ali os europeus querendo estar na Amazônia, né, construção também dos grandes, das grandes casas diferentes com estilo europeu, né, estilo português. Aí você tem também ali o teatro, os teatros sendo construídos. com aquele estilo como se fossem europeus, para satisfazer os desejos do povo que estava aqui, do povo europeu que estava na Amazônia, fazendo agora esse grande ciclo, o ciclo da borracha.
E o longo século XX, quer dizer, o ciclo da borracha é interrompido de forma abrupta, né? E aí nós vamos encontrar a frente de destruição já na ditadura militar, nos anos 70, como é que é?
Essa história é muito curiosa. Você consegue ver ali, logo no início, a Amazônia sendo explorada com o extrativismo, gerando a renda toda a partir do uso da floresta. E aí, já ali para os anos 60, a partir dos anos 60, a Amazônia começa a ter uma nova história, com aquele ditado de vamos é integrar para integrar. Então, agora a Amazônia tem incentivos para a vinda de pessoas para a Amazônia, a construção de estradas, abertura de estradas, descoberta de minério, agropecuária na Amazônia, incentivo para pessoas de outros estados virem para a Amazônia, a construção principalmente da BR-010, que é essa BR que liga Belém até Brasília, essa BR-010 Com a construção dessa estrada você tem ali várias comunidades, pessoas, fazendas sendo instaladas ao redor da estrada. E Gana ali também, a Cuiabá 364, a Cuiabá Rio Branco também foi outra grande estrada. as elétricas, as hidrelétricas e tudo. E minério. E você tem ali um novo tipo de ocupação na Amazônia, que antes era majoritamente de pessoas que eram da Amazônia. Aí você tem ali também, como eu falei anteriormente, os cearenses vindo para a Amazônia também, japoneses. E agora a gente tem esse grande volume de pessoas de vários lugares vindo para a Amazônia com um novo sistema de desenvolvimento.
Eu sou da geração em que eu vivi muito essa coisa da transamazônica. Eu acho que ela é um pouco simbólica desse período da ditadura militar, mas, ao mesmo tempo, eu acho que é um símbolo de como a floresta reage também. Porque eu lembro que era a estrada que ligava nada a lugar nenhum e, num certo sentido, Quer dizer, infelizmente a destruição foi acompanhando, mas o sonho de fazer aquilo, quase que uma faca cortando o coração da basônia não se realizou, né, Jaqueline? A gente pode dizer que a floresta reagiu?
A floresta ela é resiliente, se a falácia desiste, vai, bate, se volta, vai se recuperando. De fato, hoje nós temos 20% da Amazônia desmatada. Então 20% da Amazônia desmatada. Uma das principais causas do desmatamento hoje é a pecuária. Hoje nós temos mais gado. do que pessoas no Brasil. A Amazônia também tem muita pecuária, as estradas são dos indutores do desmatamento, abriram o desmatamento, mas a gente ainda tem muita área de floresta, área protegida, nós temos as grandes cidades, mas temos muita área de floresta ainda na Amazônia. muita área de floresta. A floresta ela vem se recuperando, então a gente está nesse desafio, nesse século, nessa década da gente trabalhar o desenvolvimento sustentável da Amazônia, utilizando os produtos da floresta através da bioeconomia, fazendo a economia girar sem precisar desse velho método de desenvolvimento. Porque nós sabemos que isso não dá para a Amazônia. Não dá. Não dá mais para a gente estar abrindo estradas sem planejamento. Não dá mais para a gente estar fazendo hidrelétrica causando um grande impacto, dizendo que a energia é energia limpa, que não é limpa. Está prejudicando populações tradicionais, está prejudicando o meio ambiente, está trazendo várias outras consequências. Há outras formas de trabalhar. E aqui a gente tá trazendo isso de que a economia da floresta é a melhor forma. E escutar os povos tradicionais, os povos que estão na floresta. Isso é primordial.
É isso que eu queria trabalhar um pouquinho, né? Porque a Amazônia é sempre olhada de fora do interesse do estrangeiro, né? Seja esse estrangeiro próprio brasileiro que vai lá pra criar gado, pra pegar madeira, né? Pra garimpar. Quer dizer, você acha que hoje já há uma organização? Quer dizer, sempre houve. A questão não é que não... Quer dizer, os povos indígenas sempre foram organizados, os povos originários, né? As gerações migrantes, que hoje também são povos amazônicos. Mas, quer dizer, você vê hoje um grau de organização, inclusive, considerando esse Brasil que vem aí, né? No próximo quatriênio, com o novo governo. Como é que você está vendo? Porque a gente teve um processo muito traumático aí, na gestão Temer e Bolsonaro.
Isso mesmo. Nos últimos anos aí, nos últimos cinco anos, o desmatamento da Amazônia vem crescendo. A gente teve vários retrocessos, vários retrocessos em relação ao direito dos povos da Amazônia, aos povos indígenas, aos povos quilombolas, às populações ribeirinhas. E a gente, cada vez mais agora, a gente está tendo voz. Fomos obrigadas a fazer isso, porque sempre os projetos vêm de cima para baixo. Mas nós aqui somos capazes, sabemos o que queremos. Nós queremos sim utilizar a floresta, queremos sim gerar renda, gerar receita, gerar emprego, mas de forma sustentável. A gente não quer mais que venham aqui e derrubem a floresta. A floresta vale mais em pé do que derrubada. Ela vale muito mais. E nós temos voz e queremos ter vez também. E temos uma boa expectativa de que agora vamos ser escutados.
Muito bem, Jaqueline. Estamos chegando no final. Eu deixo esse finalzinho talvez pra você comentar algo do livro, do que você queira, da equipe que produziu, como as pessoas podem baixar gratuitamente e sua mensagem final aí.
Tá bom. Floresta Habitada foi um livro escrito com todo carinho pra que as pessoas compreendessem o que é a Amazônia. Porque eu sempre ouvi, ao viajar no sul sudeste, dizer que a Amazônia não tinha ninguém, dizer que a Amazônia só tem jacaré na rua, dizer que a Amazônia não tem cidades grandes. Então, a Amazônia, ela sempre foi habitada. desde lá de trás até hoje, nós temos cidades grandes, nós temos comunidades grandes, nós somos organizados, somos o povo que hoje temos populações que são naturais daqui, né, tradicionais, os povos indígenas, os povos que chegaram depois dos quilombolas, temos os japoneses, temos gente do sul, temos gente de tudo que é lugar aqui na Amazônia e cada um tem seu espaço, mas assim, que todos também possam aproveitar essa Amazônia que é tão rica. E o Floresta Habitada, ele é grátis. Você pode baixar ele no site do Imazon, que é www.imazon.org.br ou também pode colocar no Google lá Floresta Habitada, Imazon, que você vai achar rapidinho o link. Você pode baixar ele gratuitamente. E qualquer coisa, pode entrar em contato com o Imazon diretamente que a gente consegue mandar um exemplar pra você.
Muito bem, o programa Ambiente ao Meio de hoje teve o prazer de conversar com Jaqueline Pereira, do IMAZON, Instituto do Homem Meio Ambiente da Amazônia. A produção dessa entrevista coube a nossa querida Suiane Azenha, os trabalhos técnicos a edição Gabriel Soares, e muito obrigado, Jaqueline.
Eu que agradeço.
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