Ambiente é o Meio #8: Energia elétrica será ainda mais comprometida pelas mudanças climáticas
25 Aug 2021 · 24 min
This content was created by Kayo Soares. This content was uploaded by Kayo Soares. This is a Portuguese-language podcast/radio episode titled "Ambiente é o Meio #8: Energia elétrica será ainda mais comprometida pelas mudanças climáticas" (Rádio USP), originally recorded 2021-08-25 and edited later (last edited 2026-02-18). The program hosts José Marcelino (presenter/producer) and features an extended interview with Professor José Vanderlei Marangon Lima (Universidade Federal de Itajubá). They discuss the impacts of climate change on Brazil's hydropower—declining river flows, changes in rainfall distribution and extremes, limits of small hydro (PCHs), implications for energy planning, use of thermal plants, rising costs, and alternatives such as wind, solar, distributed generation, storage (batteries), pumped storage, and natural gas infrastructure and policy. Production credits and program closing are also included.
Chapters
Está no ar, ambiente é o meio. Uma conversa sobre as questões do nosso dia a dia. Ambiente é o meio.
Olá, ouvintes da Rádio USP. É com prazer muito grande que o programa Ambiente é o Meio de hoje conversa com José Vanderlei Marangon Lima que é professor titular da Unifei, a Universidade Federal de Itajubá. Marangon, como você preferiu que o chamasse, vamos começar falando um pouco, você tem uma trajetória muito rica, muito ampla, mas faça um resuminho aí da sua formação e da sua trajetória profissional.
Joia, muito obrigado, José Marcelino. Obrigado pelo convite. É sempre bom tentar explorar um pouco, no meu caso em particular, o setor elétrico, o setor de energia no país, que inclusive esse ano está passando por um problema difícil até de contornar a curto e médio prazo. Mas eu basicamente me formei no Rio de Janeiro, no Instituto Militar de Engenharia, fiz administração de empresas lá pela UFRJ, e ingressei na Eletrobras, isso na década de 80, e em 94 fui para a Universidade Federal de Itajubá. E aí, lá dentro da universidade, curso de engenharia elétrica, por ser egresso da Eletrobras, acabei trabalhando muito com o setor, mesmo sendo professor. Então, eu era chamado para dar opinião, porque eu tinha trabalhado no início, quando estava no início da década de 90, trabalhei na área de reestruturação do setor elétrico, estava acontecendo a reestruturação lá na Inglaterra, isso em 91. Calhou com o neoliberalismo, o muro de Berlim, isso deu uma mexida nos setores de infraestrutura e houve a reestruturação da década de 90. Então, como eu tinha começado a trabalhar com isso, fui para a universidade, continuei a estudar, até minha tese de doutorado, em 94, foi na área de tarifa de transmissão num ambiente desverticalizado. E aí continuei, no final de 2000, da década de 90, trabalhei na ANEL. Quando criou a ANEL, me chamaram lá, fui cedido para ser assessor da diretoria, formulei a nova regulação do setor elétrico, Depois continuei no Ministério das Minas e Energia, já no final do governo da FHC. Depois entrei, aí veio o Lula, me chamaram para fazer o novo modelo do setor elétrico, trabalhei um ano e meio lá com a Dilma. Então, eu tenho muita... Apesar de estar dando aula aqui, tenho muitos alunos fazendo a área acadêmica, mas também trabalhei muito com o setor. E continuo ainda, o pessoal me conhece muito junto com o ANS, EPE, etc. e muitos projetos de pesquisa e desenvolvimento, que foi uma saída que até aconteceu no início da década de 2000, de as empresas investirem em projetos que basicamente a USP e todo mundo da área de engenharia elétrica, acabou fazendo esses projetos e aí alavancava teses e artigos que a gente publicava, inclusive também desenvolvendo as empresas do setor elétrico. Então, eu atuei muito nessa área, meio que entre a universidade e a empresa. Aliás, depois virei até pró-reitor aqui de extensão, justamente com essa minha facilidade de penetração nos dois ambientes, que é uma coisa complicada no Brasil, até é um outro assunto importante, é essa mesclar, a USP até faz bem isso, a Unicamp aí de vocês, mas as universidades federais é um pouco mais complicado. mesclar essas coisas aí, que é a interação empresa escola. A gente é o professor que às vezes atua no mercado, é mal visto pelos seus pares. Bom, isso é um outro assunto. Mas, voltando à pergunta, Essa foi a minha trajetória e um dos trabalhos que eu fiz de P&D, isso no final de 2014, até comentei isso, comento sempre isso, a gente conseguiu amealhar um grande número de entidades, isso foi um projeto P&D Anel, estratégico, sobre mudanças climáticas e o efeito na geração de energia elétrica. E lá em 2014, publiquei até um livro junto com o Marengo, que é um cara muito forte lá no INPE, e o pessoal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na área de Hidrologia, que a gente, fruto desse trabalho de P&D, que a gente mostra que a geração hídrica no país ia ter um decréscimo em função das mudanças climáticas, dada a redistribuição das chuvas no país. E aí a gente provou lá que boa parte do que estava se pensando em geração média cairia aí em 25% do projetado. Isso serviu de alerta naquela época Mas é aquela história, o pessoal não acredita, não coloca nem como um cenário essa possibilidade, que eu acho que a gente tem que olhar isso. Veja bem, isso são modelos do IPCC. O IPCC vem trabalhando de 4 em 4 anos, atuando em certificação desses modelos com as pesquisas aí. No mundo todo saiu agora, essa semana, o IPCC, o AR6, que é o relatório 6. Eu tinha feito todo o trabalho com o relatório 4 naquela ocasião, o que estava recém saído em 2014, o AR5. Mas depois a gente refez os cálculos de novo e basicamente comprovou o que a gente havia dito naquela época. E eu acho que é isso, a gente acabou fazendo isso, mas o setor não colocou isso como um aviso ou negou, né? Como acontece na vida toda da gente, a gente tem aí pessoal favorável uma coisa, às vezes outra, mas eu acho que pelo menos o cenário eles tinham que ter avaliado.
É a velha tática do avestruz, né, Marangon? Mas nós vamos exatamente aprofundar um pouquinho nessa discussão. Ou seja, você já adiantou bastante a nossa volta no sentido de dizer que, para você e o grupo de pesquisadores envolvidos nesse processo, Não havia surpresa, né? Na anunciada e agora comprovada queda e das chuvas, redução das chuvas. Então, vamos explicar um pouquinho por que isso não é surpresa, Marangó.
A ideia é o seguinte, toda previsão ou projeção de clima, tá? Hoje a gente tem alguns programas que basicamente o INPE tem um que está ainda em desenvolvimento, mas você já tem uma evolução bastante razoável nos vários países desenvolvidos que tem trabalhado nesses modelos climáticos. É claro que para você trabalhar com isso você precisa de supercomputadores porque você simula ao globo todo a questão das variáveis climáticas no mundo todo e os comportamentos tradicionais, por exemplo, aquecimento do Pacífico, é o Ninho, Larinha, oscilações aqui no Atlântico Sul. Então você começa a trabalhar com isso e os modelos computacionais acabam aglutinando essas ideias todas e aí eles simulam as previsões Veja bem, toda a totalidade está previsão até 2100. E como é que vai ser o clima, a temperatura, a precipitação, vento, sol, ou seja, a insolação, a irradiação, desculpe. Então, eles têm isso disponível hoje, com uma série, e estão melhorando muito esses modelos. No AR4, nós tínhamos um problema da representação do oceano. A partir do AR5, melhorou muito a representação do oceano, porque o oceano representa dois terços do globo hoje, da extensão que a gente tem aí do globo, e a temperatura do oceano mexe muito com a questão dessas oscilações atmosféricas. Então eu acho que é um ponto importante. E o que nós fizemos? Eu sou engenheiro, não sou dessa área, tá? Mas o que a gente fez? Reuniu os pesquisadores e pegou esses dados e transformou isso, essa precipitação, através da hidrologia, em vazão. E a vazão, aí sim, é o nosso entendimento na geração de energia elétrica e na combinação de todas as bacias. Então, isso é um trabalho extenso que foi feito. Na época, a turma, os agentes do setor elétrico não queriam aceitar porque os próprios agentes, donos das usinas, não queriam aceitar que eles iam ter, daqui a 30 anos, queda de fornecimento, ou seja, o cara investe, ele faz lá o seu fluxo de caixa, não quer que tenha queda de receita, porque se você não gera ou não tem água pra gerar, passar na turbina, você não tem receita. Então esse foi um... diria que não foi só o governo, mas também os próprios agentes do setor elétrico, tá? Que impactaria na receita deles. Mas... e a gente tava prevendo essa queda pra 2040, tá? O que está acontecendo hoje é que parece que a coisa adiantou. Quer dizer, diz aí a variação de temperatura está em torno de 1,5 graus em relação ao mundo pré-revolução industrial. Então, isso já é muita coisa. A gente estava fazendo cálculo de 3 graus, 4 graus lá em 2100, mas já está avançando muito. Então, se a gente não fizer nada em termos de emissão, a gente tem esse tipo de problema. O Brasil é um país renovável, hidroelétrica, agora muito forte na eólica, quase 18% hoje da matriz elétrica, não energética, elétrica, é eólica, mas ainda nós temos 63% de hidráulico, então ainda somos muito dependentes da chuva. E aí o que acontece? Apesar de a gente ser é verde, em termos de matriz elétrica, o que acontece? O efeito do clima já aconteceu. Quer dizer, as emissões já aconteceram. Então, quem sofre com essas variações é a própria energia renovável, que usa a variável climática como combustível. Então, a gente, apesar de ser renovável, a gente é que sofre mais, porque a geração térmica não tem problema, ela está ali o combustível. Agora, quem é renovável tem que olhar com muito cuidado essa redistribuição de chuva, vento, radiação, etc. Então, esse é um ponto que a gente tem alertado aí. Então, o Brasil Tem que enfrentar isso e não negar o que vai e pode acontecer. Se fala muito, ah, essa chuva primó, pior, pior seca ocorrida em 91 anos e tal. Só que a gente está observando é que isso vai ficar há décadas. A próxima década vai ser assim. E como é que a gente vai enfrentar isso? Essa é a grande pergunta que a gente tem que resolver. Não deixar a coisa fazer racionamento e tal, tudo bem, acho importante, mas isso são medidas de curto prazo.
Eu vou fazer uma pergunta bem de leigo, viu Marangon? Assim, vamos imaginar o seguinte, eu estou aquecendo o planeta, então em tese, Era de esperar mais evaporação nos oceanos, entende? Mais vapor de água. Quer dizer, o problema não é falta de chuva, o problema é onde ela está caindo, é mais ou menos isso?
Exatamente, exatamente. É onde ela está caindo. Quando você constrói uma hidrelétrica, você pega o seu histórico de vazões e aí você analisa se vale a pena ou não construir aquela usina naquele aproveitamento ali. Ora, então você pegou o histórico. Só que esse histórico tá mudando. Porque aquela usina naquele local e naquela bacia, como não vai chover muito, você dimensionou, acabou fazendo uma coisa usando o passado que não vai ocorrer no futuro. Então você dimensionou mal. Não quer dizer que não vai gerar mais. Mas não a quantidade que você tava prevendo ali. Então a questão é essa. É uma circulação de água muito forte, porque assim como a chuva cai, ela evapora muito rápido também. Então é... Ah, não, mas você tem mais água... Não. O problema é que a circulação é muito rápida e ocorre um outro fenômeno importante. Você, às vezes, tem um reservatório que é pequeno. Então, cai muita chuva e você não consegue gerar tudo aquilo. Então, o que está também junto disso é o que a gente chama de efeitos extremos. Você vai ter muita chuva concentrada num período muito pequeno, que vai dar inundação, essa coisa toda, mas não vai resolver o problema energético. Porque o problema energético significa que você precisa armazenar aquela água para você poder gerar ao longo do tempo num período maior. Então, se você tem muita água chegando, você simplesmente tem que inverter e aí você não usa. Então, tanto o período de chuva vai se estreitar, como o período de seca vai aumentar. E isso é péssimo para os nossos rios. Nós tínhamos rios até a década de 70, 80, né? Agora, a partir de 2000, não. serem as restrições ambientais para a construção de grandes reservatórios. Porque os grandes reservatórios poderiam ser as nossas baterias virtuais para poder pegar essa chuva, ficar lá e ainda gerar. Só que a gente não tem mais isso. As usinas lá de Telespires, a própria do Curuí, a do Madeira, são todas usinas que a gente chama até que é de enxurrada. Enquanto tem a enxurrada, você gera e mesmo assim tem que... tomar cuidado que às vezes você tem que verter, para não transbordar, então você tem que verter, mas quando você precisa, aí não tem mais água. Belo Monte, por exemplo, você gera no período de chuva, você gera 11 mil, 12 mil, você usa toda a sua capacidade. Agora, hoje, ela está com 500 mil. gerando. Isso vai ficar durante oito meses assim. Então, esse é um problema também. A gente não tem mais condição de construir usinas com grandes reservatórios. Então, a gente está numa... Eu diria que temos que repensar muita coisa aí no planejamento energético do país.
Uma outra questão ainda dentro da matriz, digamos, hidrelétrica, eu me lembro que já se discutiu muito a ideia das pequenas centrais, que no passado, eu mesmo sou do interior de Minas, era muito comum, as cidades pequenas, pequenos cursos d'água, isso é um potencial real ou o problema se repete para eles também?
É, para eles também, eles não estão conseguindo, por exemplo, as nossas usinas aqui, que margem aqui a bacia do Rio Grande, também estão gerando muito pouco as PCHs, tá? Então esse é um problema, e as PCHs, elas têm menos reservatório do que as grandes, né? Então, quando tem chuva você gera, quando não tem você... você tem problemas. Se você não tem uma afluência satisfatória ou está abaixo da que você esperava, você vai ter problema também. Então as PCHs são importantes, mas também estão sofrendo do mesmo mal, que é a falta de chuva. O que se pode fazer, que a gente tem até avaliado aqui, de repente combinar elas com uma energia solar que essa é outra saída importante. No Brasil, a minha preocupação não é muito a geração de energia, mas a falta do recurso hídrico. Acho que esse é o ponto que vai pegar bastante, principalmente a nossa agricultura, que precisa de muita água. Então, alerta geral com relação à questão dos recursos hídricos. Porque na questão energética, nós temos um potencial eólico muito grande ali na região Nordeste, que a gente pode explorar. Temos um potencial de geração solar muito grande. Aqui nós temos, eu diria que há três vezes mais sol do que na Alemanha, que já está muito avançado na geração solar. Então a gente tem um potencial grande. A questão é explorar da melhor forma possível, construir, diminuir os gargalos que a gente tem até de transferência, de energia e principalmente a questão da geração distribuída que hoje o pessoal tem até contestado isso aí tem uma um projeto de lei aí no no congresso que é da que vai fazer frente a a resolução 482 da anel que é para assegurar ao cara que está investindo em geração solar, por exemplo, das residências, o rooftop dos telhados ou dos condomínios, que ele tenha a possibilidade de trocas de energia, que isso o anel estava querendo acabar ou está querendo acabar. Então tem aí uma possibilidade. E essa é uma possibilidade real, porque o Brasil tem um potencial muito grande para você atacar aí na geração distribuída. De repente combinar isso com as usinas PCHs, eu falo também de utilizar as PCHs, aqui em Minas nós temos quase 800 usinas. PCHs, a gente poderia... São pequenas, mas você veja bem, cada uma dessas vai aumentando, né? Então você pode, por exemplo, usar ela como reversível. Fazer uns bombeamentos, fazer um reservatório embaixo, fazer um... Só que tem um problema ambiental que tem que resolver e tal, tem uma série de coisas. Mas é uma possibilidade para você guardar essa energia do Sol, que ela só brilha durante o dia. E aí, à noite, você precisa da energia, você, de repente, tem aí a da hidrelétrica. Ou seja, temos soluções locais que a gente pode resolver com a geração solar, aqui principalmente no Sudeste, dado o relevo que a gente tem. No Nordeste, o pessoal usa o vento junto com a solar. Então, acho que a gente tem que repensar o planejamento energético e deixar de ser muito hídrico, hidráulico, ou tentar utilizar essas várias fontes que a gente tem.
Quero explorar um pouquinho agora exatamente essa questão do planejamento, quer dizer, eu acho que você já adiantou um pouquinho que a gente não se preparou muito para a crise, até se eu entendi corretamente, quer dizer, o setor se baseava sempre em estimativas de chuva do passado, sem perceber que as coisas estão mudando. Agora, a pergunta que eu lhe faço é como é que nós estamos hoje, quer dizer, digamos o seguinte, A recessão que o Brasil vive praticamente, digamos, desde 2014. Lá com o Dilma II, podemos ver uma economia patinando. Se não fosse essa recessão, a gente já estava no apagão, Marangon?
Eu tenho certeza. Nós já teríamos que fazer um racionamento. Porque nós estamos usando usinas térmicas que a gente tem e que não tem. Até usinas aí de custos excessivos aí, R$ 1.500 o megawatt hora, então tá muito alto. Então, o que que aconteceu? A gente tá num caos, mas poderia estar pior se a economia, se nós não tivéssemos a pandemia, provavelmente o racionamento já teria ocorrido ou em 2020 ou então estaria ocorrendo agora, tá? Então esse é um ponto. Agora o pessoal tá preocupado é o seguinte, é que a A recuperação que estavam falando que era U ou V, aquela coisa toda, tá chegando. E aí a demanda de energia tá aumentando. Ora, só que a gente tá sem água. Como é que vai resolver isso? Então nós estamos usando as térmicas, estamos pegando térmica óleo-diesel, estamos jogando CO2 aí na atmosfera. infelizmente, para atender. Agora, o que eu acho que deveria ser feito, desde o ano passado, sabendo disso, a gente já tinha que comunicar à população para poder fazer, não é um racionamento, é uma racionalização do consumo, E aí, olha gente, vamos fazer uma meta aí de 5% ao ano de diminuição de consumo. Porque chega em 2022, porque as chuvas que vão chegar agora no verão são similares ao que tiveram no verão passado, isso já tá, os modelos já estão dizendo isso. Então nós não vamos encher reservatório. E aí vamos estar num problema que se o Brasil crescer do jeito que está, e se a pandemia, se essa versão do vírus delta realmente não emplacar, torcemos para que o Brasil cresça, é isso que a gente quer. Mas em termos energéticos, vamos ficar numa situação difícil. Então eu acho que já deveríamos pensar nessa racionalização. Água e energia, os dois itens vitais para a economia.
Nós estamos caminhando para o final, Marangó, então vamos pensar em propostas, não sei, experiências internacionais, eu particularmente me preocupo muitas vezes com essa questão da privatização da geração, principalmente das hidrelétricas, que todo mundo fala que é a mais barata de todas, quer dizer, quais seriam os caminhos aí com toda essa sua larga experiência em dois, três minutos?
Não, é o seguinte, as hidrelétricas são baratas, mas se você não tem um combustível, elas se tornam caras. Então é aquela história, se você não planeja direito, também você vai ter problemas, porque você vai ter que comprar térmica. E às vezes a térmica que você vai comprar é uma térmica que não é da base, ela é uma térmica cara. Então tem esse problema. Um ponto importante que eu acho que os países todos estão passando por transição energética, eles estão usando gás natural hoje. O gás natural virou uma interface da energia térmica, carvão, óleo, para o combustível reversível, que são as usinas reversíveis. Então você tem o gás natural. Infelizmente o Brasil não fez a sua estrutura de gasoduto, não tem gás natural, apesar de ter disponível lá no pré-sal, e não está aproveitando isso. Infelizmente. Tudo isso eu acho que é um mau planejamento. Outro dia falei até com o pessoal lá, Eu me sinto até culpado por não ser mais incisivo nisso, mas a gente não consegue tocar aí a política, né? Então, infelizmente, a gente vê as coisas acontecendo e vê, poxa vida, a gente falou lá, podia ter melhorar. A Petrobras poderia já ter uma disponibilização de gás aí mais efetiva, mas se a gente olhar a história vai ver que tudo era contra. Em suma, A gente vai perdendo a janela do petróleo, estamos perdendo a janela do gás natural, e se bobear a gente perde a janela das renováveis aí. Agora, o que a gente tem de solução? As baterias. As baterias estão aí pra melhorar pelo menos a geração distribuída, você tem o armazenamento distribuído, que é uma forma de a gente minimizar isso. Então, o que eu vejo é o seguinte, o futuro. O futuro é... Repensar tudo, reavaliar o que a gente fez. Erramos, erramos, vamos corrigir isso. Mas o futuro é esse. Não adianta querer cruzar o dedo pra que São Pedro venha com a chuva aí na bacia do Paraná, por exemplo. Então, é por aí.
Até porque o papo é argentino, né, Marangonço? Bom, o Programa Ambiente, ao meio de hoje, teve o prazer de conversar com o professor José Wanderlei Marangon Lima, professor titular da Universidade Federal de Itajubá, os trabalhos técnicos do Gabriel Soares, a produção das nossas estagiárias fabulosas, Natália, Estefane e Suyane Azenha, a equipe aqui no apoio solidário aqui, Marcelo, Marino e Pereira de Souza. Marangon, muito obrigado, deixa aí sua mensagem final para os nossos ouvintes.
É, eu tenho a esperança aí que a gente vai conseguir ultrapassar isso, vamos penar aí nesses dois, três anos aí à frente, tá? Mas a geração eólica tá firme, a gente vai conseguir implementar aí a geração solar, E vamos pensar no gás natural também, ver se a Petrobras... Petrobras já disse que não vai ter mais gás natural no Nordeste, mas eu acho que tem que repensar isso e vamos torcer para que o pessoal aprenda mais uma vez e tome as decisões corretas para o futuro do país. Muito obrigado a todos.
Você acabou de ouvir Ambiente é o Meio Produção e apresentação José Marcelino e Marcelo Pereira Música tema Evandro Navarro Sonoplastia Mário Ovaldo Avelino Ouça também este e outros programas em www.ribeirão.usp.br
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